sexta-feira, abril 3, 2026

Goiás estreia primeiros ônibus articulados a biometano do Brasil e projeta 501 veículos até 2027

Com oito unidades já em operação no BRT Leste-Oeste, Estado inicia a primeira operação regular do País com ônibus articulados movidos a gás biometano no transporte coletivo e projeta escalar a tecnologia para até 501 veículos até 2027

A Nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC) inaugura um novo capítulo da transição energética no transporte coletivo urbano nos 21 municípios da região. A capital goiana passa a operar os primeiros ônibus articulados da história do Brasil movidos a gás natural e/ou biometano em linha regular, consolidando um movimento que combina eletrificação, gaseificação e requalificação de infraestrutura para acelerar a descarbonização.

A entrega inicial contempla oito unidades, mas o plano é muito mais ambicioso: o programa prevê a incorporação de até 501 ônibus a biometano até 2027, transformando Goiânia em uma referência nacional no uso de combustíveis renováveis no transporte público. Este volume de ônibus ainda serão encomendados aos fabricantes, devendo ser todos da marca Scania, única fabricante de ônibus com a tecnologia a gás no Brasil em configurações padrão, articulado e biarticulado. Aliás, o pioneirismo da marca sueca data desde 2018, com o contrato de 302 unidades biarticulado F 340 HA 8×2, 340 cv, de até 250 passageiros.

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A nova etapa da RMTC foi oficializada nesta sexta-feira (27) em cerimônia no Terminal Padre Pelágio, reinaugurado após modernização, com presença do governador Ronaldo Caiado, do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, além de representantes do poder público, operadores, indústria e fornecedores do sistema.

Os articulados foram desenvolvidos em parceria entre Consórcio BRT, Scania e Marcopolo. Montados sobre o chassi Scania K 340C A6X2/2 NB Euro 6, os veículos utilizam motorização ciclo Otto, dedicada a gás natural e/ou biometano, com 340 cv de potência e 1.600 Nm de torque, além de transmissão automática ZF, suspensão a ar e sistema eletrônico de freios (EBS). A proposta é entregar desempenho equivalente ao de um ônibus a diesel, mas com menor ruído, menos vibração e emissões significativamente reduzidas se abastecidos com biometano.

Cilindros Tipo 4 e autonomia

Um dos principais diferenciais técnicos está no sistema de armazenamento de combustível. Os ônibus utilizam, pela primeira vez no Brasil nesse tipo de aplicação, sete cilindros Tipo 4 em fibra de carbono, fornecidos pela Hexagon Agility e instalados no teto. Esses reservatórios são cerca de 70% mais leves e duas vezes mais caro do que soluções convencionais e elevam a capacidade de armazenamento com maior eficiência estrutural e alto padrão de segurança. Segundo a Marcopolo, os sete cilindros representam 25% do preço da carroceria, pois, por enquanto, são importados da Alemanha em baixa escala, uma das razões para explicar o seu alto custo.

Na configuração com sete cilindros, a capacidade é de 370 m³ de gás, equivalente a 1.645 litros. Na prática, o resultado operacional converge: autonomia superior a 400 quilômetros, podendo chegar a cerca de 450 km. Segundo Indiara Ferreira, diretora executiva da HP Mobiliddade, um das empresas do Consórcio BRT, essa autonomia é teórica e que a real será conhecida em breve com os ônibus em operação.

Com 19,22 metros de comprimento e capacidade para até 145 passageiros, os novos Viale Express Articulado tiveram as suas estruturas retrabalhadas e com aço mais sofisticados para garantir maior resistência para o teto suportar o peso dos cilindros e garantir que o peso total da carroceria seja o mesmo da versão convencional.

Entre os itens embarcados estão poltronas estofadas com entradas USB e USB-C, piso amadeirado, iluminação full LED, ar-condicionado, monitoramento por câmeras e área dedicada para pessoas com mobilidade reduzida, com rampa e elevador. Em um ambiente de BRT, esses elementos não são meros detalhes: ajudam a reposicionar a percepção de qualidade do transporte coletivo e reforçam a estratégia da Nova RMTC de tornar o ônibus uma alternativa mais competitiva frente ao automóvel individual.

Biometano deixa de ser piloto e entra em fase de escala

Goiás não tem nenhuma usina de produção de biometano e, inicialmente, vai “importar” o gás renovável de outros estados, como o da carreta na foto abaixo, adquirido de um fornecedor do Paraná. No entanto, tem projeto para ter e com uma solução inédita no segmento: primeiro posto de abastecimento totalmente dedicado a um sistema de transporte coletivo a biometano no Brasil, inicialmente abastecido por carretas e, dentro de dois anos, por meio de um gasoduto.

Goiás
Correta com 7.500 m3 de biometano, suficiente para abastecer os oitos ônibus por dois dias. Foto: Marcos Villela

O Consórcio BRT já havia testado o sistema de abastecimento em caráter piloto entre março e julho de 2025, por meio de um posto provisório de abastecimento. O resultado foi considerado positivo tanto sob o ponto de vista operacional quanto econômico, o que abriu caminho para a estruturação definitiva da cadeia de suprimento local, mesmo com o custo do transporte do biometano de outros estados para Goiânia.

Para resolver o clássico dilema do “ovo e da galinha” — sem oferta local de combustível não há frota, e sem demanda garantida não há investimento em produção — o projeto optou por fomentar a geração regional de biometano. Em Guapó, está em implantação a primeira usina de geração de biometano de Goiás, fruto de parceria entre o Consórcio BRT e a GeoGreen Biogás, com aportes de R$ 150 milhões, uso de resíduos industriais e capacidade de produção de até 100 mil metros cúbicos por dia.

A iniciativa se insere em um planejamento mais amplo, dividido em fases. A apresentação do Consórcio BRT menciona três frentes de contratação (RFPs) de 50 mil m³/dia cada, com potencial de atendimento de até 166 veículos por etapa, formando uma demanda projetada de 150 mil m³/dia para cerca de 500 veículos no sistema metropolitano.

Segundo o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também há tratativas com a prefeitura para uma outra usina de biometano a ser implementada no aterro sanitário da capital goiana. Com essas soluções de biopostos, o governador acredita a cidade para fazer a transição da frota de caminhões de serviços urbanos, como coleta de resíduos, para caminhões a gás, a exemplo do que já acontece em São Paulo. Confira a reportagem sobre o tema abaixo:

De oito para 198, depois 501: a escalada da Nova RMTC

Se a entrega dos oito articulados já é histórica, ela deve ser lida como um marco inicial dentro de uma transformação muito maior. Segundo Laércio Ávila, diretor executivo do Consórcio BRT, o cronograma para o biometano aponta metas de 79 articulados e 22 veículos padron até setembro de 2026, antes da escalada rumo a aproximadamente 500 ônibus movidos pelo combustível renovável até o final de 2027.

A estratégia se insere no programa Nova RMTC, que reúne investimentos superiores a R$ 2,5 bilhões e combina renovação de frota, requalificação de terminais, modernização operacional e priorização do transporte coletivo.

O que Goiás sinaliza para o futuro do transporte coletivo no Brasil

Goiás está montando uma vitrine singular para o futuro do transporte coletivo brasileiro ao adotar uma estratégia de transição energética múltipla. Em vez de apostar em uma única tecnologia, o estado combina ônibus elétricos, veículos movidos a biometano e modelos a diesel P8/Euro 6. Essa diversidade reconhece que a descarbonização no Brasil não será uniforme, já que fatores como custos, infraestrutura, disponibilidade energética e características econômicas variam entre cidades. No contexto goiano, marcado por forte agroindústria, o biometano ganha relevância ao conectar gestão de resíduos, produção de energia renovável e mobilidade urbana.

A experiência de Goiás antecipa um debate nacional: eletrificação sozinha não resolverá a descarbonização do transporte público. Em regiões fora dos grandes centros, a combinação de tecnologias pode ser mais viável técnica e financeiramente. Goiânia começa a estruturar um ciclo completo “resíduo–energia–mobilidade”, transformando passivos ambientais em combustível renovável para ônibus de alta capacidade. Além da redução expressiva de CO₂ — que pode chegar a 90% com biometano — há ganhos adicionais como menor emissão de NOx, menos material particulado e redução de ruído e vibração em comparação ao diesel tradicional.

Segundo Edmundo Pinheiro, presidente da NTU, a simples substituição de ônibus Euro 3 por Euro 6 já representa uma transição energética relevante, enquanto tecnologias como elétricos e biometano avançam conforme houver viabilidade financeira e crédito. Apesar do alto custo de aquisição e do impacto da Selic sobre o Capex dos elétricos, Goiás transforma a Nova RMTC em um laboratório real de política pública integrada. Se mantiver coerência entre produção local de combustível, infraestrutura, frota e prioridade operacional, o estado pode criar um modelo replicável para outras regiões agroindustriais ou com grandes aterros sanitários — não apenas inaugurando os primeiros articulados a biometano do país, mas estabelecendo uma nova referência nacional em transição energética no transporte coletivo.

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Menos ocorrências, mais inteligência criminosa: roubo de cargas muda de perfil e impõe nova agenda ao TRC

A redução de 16,7% nos registros de roubo de cargas no Brasil em 2025, para 8.570 ocorrências, sinaliza avanço nas ações de repressão e integração institucional. Mas, para o transporte rodoviário de cargas, o recuo estatístico não significa alívio definitivo: o crime está se tornando mais seletivo, mais urbano e mais sofisticado, pressionando transportadoras, embarcadores e seguradoras a redesenhar protocolos, investir em tecnologia e rever estratégias operacionais para os próximos anos.

A queda no número de roubos de cargas em 2025 pode parecer, à primeira vista, um sinal de melhora consistente para o transporte rodoviário de cargas (TRC). O levantamento anual da NTC&Logística aponta 8.570 ocorrências no ano passado, resultado 16,7% inferior ao de 2024. Ainda assim, o setor segue diante de um problema estrutural: o prejuízo direto permanece em cerca de R$ 900 milhões e pode ultrapassar R$ 1 bilhão quando entram na conta os custos indiretos, como seguros, gerenciamento de risco, reprogramação operacional e repasse ao preço final dos produtos.

Veja como é nos Estados Unidos:

A leitura do dado, portanto, exige cautela. Em 2024, o país havia registrado 10.478 ocorrências, com perdas estimadas em R$ 1,2 bilhão, segundo números já divulgados pela própria NTC e repercutidos no setor. A comparação reforça uma tendência importante: o volume caiu, mas o impacto econômico continua elevado, indicando que as quadrilhas estão menos focadas em quantidade e mais orientadas por inteligência, oportunidade e liquidez da carga.

Na prática, isso significa que o roubo de cargas entra em uma nova fase. O alvo prioritário deixa de ser apenas o caminhão em trânsito em longos trechos rodoviários e passa a incluir, cada vez mais, operações de distribuição urbana, janelas de entrega, áreas metropolitanas e corredores logísticos próximos a centros de consumo. A concentração de 86,8% das ocorrências no Sudeste — especialmente em Rio de Janeiro e São Paulo — confirma essa dinâmica e reforça que o risco está fortemente associado à densidade econômica, à capilaridade da distribuição e à facilidade de escoamento da mercadoria roubada.

A NTC&Logística chama atenção para esse novo perfil criminoso. Segundo a entidade, as quadrilhas têm priorizado cargas de alta liquidez, como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos, e adotado táticas mais sofisticadas, incluindo interceptações em movimento, abordagens durante entregas e atuação em áreas urbanas. Em outras palavras, o roubo de cargas se aproxima cada vez mais de uma lógica de “crime logístico”, com escolha cirúrgica de mercadoria, rota, janela operacional e vulnerabilidade do embarque.

Parceria iniciativa privada e poder público

Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, a redução recente comprova que a cooperação entre iniciativa privada e poder público vem produzindo resultados, mas o setor ainda está longe de uma solução definitiva. Na avaliação dele, o combate à receptação segue sendo um dos pontos centrais, porque é essa engrenagem que sustenta economicamente o roubo de cargas. A entidade também destaca como avanço recente a sanção do novo marco legal de combate ao crime organizado, vista como instrumento para ampliar a capacidade de investigação, punição e enfrentamento das estruturas criminosas. O novo marco foi aprovado no Congresso em 2025 e sancionado nesta semana pelo governo federal, com vetos pontuais, segundo registros legislativos e repercussão pública.

No curto prazo, a expectativa é que a nova legislação ajude a aumentar a pressão sobre as redes de receptação, lavagem e redistribuição de mercadorias roubadas — um elo frequentemente mais estratégico do que a ação no asfalto em si. Se essa etapa avançar, o efeito pode ser mais profundo do que o simples reforço do policiamento ostensivo: reduzir a atratividade econômica do crime.

Mas a transformação mais importante para 2026 e 2027 tende a acontecer dentro das próprias operações. A agenda de segurança no TRC deve migrar de uma lógica reativa para um modelo mais preditivo e integrado. Isso inclui maior uso de rastreamento inteligente, telemetria, georreferenciamento de risco, monitoramento de desvios de padrão, torres de controle logístico, analytics de rotas e cruzamento de dados operacionais com bases de inteligência pública e privada. O foco deixa de ser apenas “onde está o caminhão” e passa a ser “qual é a probabilidade de incidente nesta rota, nesta faixa horária, com este tipo de carga e este perfil de entrega”.

Esse movimento deve ganhar força também por pressão do mercado segurador. Com o crime mais sofisticado e mais seletivo, a tendência é de maior rigor na subscrição de risco, exigências operacionais mais detalhadas, segmentação por tipo de carga e ampliação do uso de protocolos mandatórios — especialmente em operações urbanas, de last mile e em produtos de alta liquidez. Para muitas transportadoras, isso pode significar aumento de investimento em tecnologia e compliance, mesmo em um cenário de queda nas estatísticas.

O vice-presidente extraordinário de Segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, resume bem esse ponto ao afirmar que o crime se tornou mais estruturado e exige resposta igualmente coordenada, com tecnologia, informação e cooperação contínua. Essa visão reforça que o roubo de cargas deixou de ser apenas um problema policial e se consolidou como um tema de governança logística e competitividade.

Para o setor, o desafio agora é evitar uma leitura complacente da queda de 2025. O número menor de ocorrências é positivo e precisa ser reconhecido. Mas o verdadeiro teste para os próximos anos será saber se o Brasil conseguirá reduzir também a sofisticação financeira e operacional das quadrilhas, desarticulando a receptação, integrando bases de dados e convertendo tecnologia em prevenção efetiva.

Se isso acontecer, o país poderá entrar em um novo ciclo de segurança logística, com reflexos diretos sobre o custo do frete, a previsibilidade das cadeias de abastecimento e a competitividade do TRC. Se não acontecer, o setor pode conviver com um cenário aparentemente melhor nas estatísticas, mas ainda caro, volátil e estruturalmente vulnerável — um retrato em que o roubo de cargas diminui em volume, mas continua pesando no bolso da transportadora, do embarcador e, no fim da cadeia, do consumidor.

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Transpanorama e COFCO investem R$ 4,5 milhões em B100 para o transporte de soja

A Transpanorama Transportes é uma das parceiras da COFCO International em um projeto piloto voltado à descarbonização do transporte rodoviário de soja no Mato Grosso. Ao lado da JF Andrade, as companhias anunciaram uma iniciativa que prevê redução de cerca de 94% das emissões de gases poluentes nas operações, com o uso de biodiesel B100 em parte da frota dedicada ao transporte de grãos e oleaginosas. Para viabilizar a operação, o investimento conjunto supera R$ 4,5 milhões.

O projeto terá início com consumo mensal de 10 mil litros de biodiesel B100 produzidos a partir de soja e destinados ao abastecimento de quatro caminhões das transportadoras parceiras que atendem às demandas da divisão de Grãos e Oleaginosas da companhia no Estado.

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Segundo Fabricio Degani, diretor de Logística da COFCO International no Brasil, a meta é transformar o piloto em uma base para expansão futura. Para a Transpanorama, que completa 40 anos em 2026, a participação no projeto representa um passo relevante na jornada de descarbonização da operação rodoviária.

“O uso do B100 é uma demonstração prática de que o setor de transporte rodoviário pode operar com alta eficiência enquanto reduz seu impacto ambiental. Investir em soluções sustentáveis e consistentes é uma prioridade estratégica para a Transpanorama”, destaca Valdecir Adamuccio, diretor comercial da transportadora, conforme publicado pela Transpanorama no LinkedIn.

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Não é moda”: TransJordano aposta em treinamento e cultura para ampliar presença feminina no transporte

Em uma operação de alta complexidade, voltada ao transporte de produtos perigosos e composições de até 74 toneladas, empresa defende que presença feminina no transporte exige cultura, estrutura, treinamento e compromisso de longo prazo — não “moda” corporativa

A presença de mulheres ao volante no transporte rodoviário de cargas pesadas ainda é minoria no Brasil, mas, para a TransJordano, o avanço dessa agenda não pode ser tratado como ação pontual de ESG ou resposta a tendências passageiras. Em entrevista à Frota News, Joyce Bessa, diretora de estratégia e gestão da transportadora, avalia que a inclusão feminina só se sustenta quando deixa de ser discurso e passa a integrar a lógica operacional da empresa. “Tem que realmente acreditar em ter mulheres, e não entrar nisso como uma moda”, afirma a executiva, ao resumir a visão da companhia sobre um tema que, para ela, combina diversidade, formação de mão de obra, segurança operacional e planejamento de longo prazo.

Com cerca de 700 motoristas em sua operação e foco em rotas de média e longa distância para o transporte de produtos perigosos, a TransJordano contabiliza hoje 22 motoristas mulheres e projeta atingir 4% de participação feminina até 2030. À primeira vista, o percentual pode parecer modesto. Mas, segundo Joyce, o contexto operacional da empresa exige uma leitura mais técnica. A frota atua com conjuntos de 7 e 9 eixos, implementos de 18 e 26 metros e PBTC de até 74 toneladas, em viagens que podem durar de dois a cinco dias, sem a previsibilidade de retorno diário típica de operações urbanas ou de distribuição leve. “Para a nossa realidade, é um desafio. Não é a mulher que volta para casa todo dia. Não é o nosso caso”, destaca.

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Antes da “onda”, a empresa já tinha mulheres na operação

Um dos pontos que diferencia o case da TransJordano, segundo Joyce Bessa, é que a empresa não aderiu recentemente à pauta feminina apenas por pressão de mercado. “A gente não pegou essa onda da moda das mulheres. A gente tem mulher com 15 anos, com 12 anos de casa”, ressalta. Esse histórico, segundo ela, ajudou a reduzir resistências internas e a amadurecer a cultura organizacional.

Na prática, a executiva reforça que a barreira não está apenas na contratação, mas no ecossistema que recebe essa profissional. “Você quer ter uma mulher na sua operação, aí coloca uma mulher e não dá certo. A cultura come a estratégia no café da manhã”, resume. A frase, dita de forma direta durante a entrevista, sintetiza um problema recorrente no setor: empresas que anunciam metas de diversidade, mas não preparam pátios, bases, pontos de apoio, banheiros, rotinas de viagem, alocação de veículos, interface com clientes e até a postura da liderança operacional para sustentar essa presença no dia a dia.

Mais de 50 mulheres já passaram pela oportunidade de formação

A relação da TransJordano com os programas de formação da Fabet se intensificou a partir de 2022, quando a empresa passou a atuar mais de perto em iniciativas voltadas à qualificação de mulheres para o transporte rodoviário de cargas. Joyce relata que a aproximação começou institucionalmente, por meio da empresa, e depois ganhou também uma dimensão pessoal, com sua participação nos encerramentos de turmas e no contato direto com as alunas. “Eu tento vir em todos os fechamentos de turma para falar com elas. Quem ganha sou eu”, diz. Para a executiva, a convivência com essas mulheres reforça uma percepção central: há forte desejo de ingressar na profissão, mas ainda falta ao mercado disposição para oferecer a primeira oportunidade.

Esse é, para ela, o principal gargalo da equação. “As mulheres querem, mas muitas vezes não têm experiência e a empresa não quer dar experiência. É o ovo ou a galinha”, afirma. O diagnóstico é particularmente relevante em um momento em que o setor convive com envelhecimento da base de motoristas e dificuldade histórica de renovação. Ao comentar esse cenário, Joyce lembra que a transportadora precisou, anos atrás, enfrentar escassez de condutores, e concluiu que não haveria evolução se continuasse buscando apenas profissionais já prontas para a função. “A gente entendeu o seguinte: não vai evoluir se só quiser pegar a mulher com experiência e pronto. Isso não vai acontecer.”

Segundo a diretora, mais de 50 mulheres já se tornaram motoristas na TransJordano a partir de oportunidades abertas pela empresa ao longo dos últimos anos. Parte desse contingente permaneceu, parte saiu e algumas até retornaram, mas o dado mostra que a companhia transformou o discurso em volume concreto de inserção profissional. O número também revela um ponto importante: a permanência não depende apenas de contratar, mas de criar mecanismos de sustentação da carreira dentro de uma operação de alto rigor técnico.

Treinamento interno robusto é parte central da estratégia

Se a entrada da mulher sem experiência é um desafio, a TransJordano responde com um modelo de formação interna estruturado. Após o curso externo inicial — como os realizados na Fabet — as candidatas passam por cinco dias de treinamento teórico nas instalações da empresa e, em seguida, por pelo menos cinco dias de treinamento prático, sempre acompanhadas por um motorista monitor. Na prática, esse período pode ser maior, já que a liberação só ocorre quando o monitor considera que a profissional está pronta para seguir sozinha.

TransJordano
Fotos: Fabet-SP

O relato mostra que a empresa trata a capacitação como investimento e não como formalidade. Joyce menciona, inclusive, o caso de uma motorista que, ao ser liberada para seguir sozinha após dias de treinamento embarcado, chorou de emoção e nervosismo. O ponto de virada, segundo ela, veio justamente da confiança transmitida pelo instrutor. “Se ele confiou em mim, eu também vou confiar”, relatou a profissional, segundo a executiva. O episódio ilustra o papel do treinamento como instrumento técnico, mas também como ferramenta de acolhimento e construção de autoconfiança em uma profissão ainda fortemente masculinizada.

Esse cuidado, na visão da diretora, exige comprometimento real da empresa. “Tem um investimento. Por isso que eu falo que você tem que realmente acreditar”, reforça. Em outras palavras, abrir a porta de entrada sem preparar o acompanhamento posterior tende a produzir frustração, turnover e, no limite, o fracasso da própria iniciativa de diversidade.

Infraestrutura importa, mas a empresa diz que retenção não se perde por banheiro

A discussão sobre mulheres no transporte rodoviário costuma girar, quase sempre, em torno de questões como banheiros, segurança em postos de parada e assédio. Joyce não nega a relevância do tema, mas faz uma distinção importante: para ela, esses fatores existem e exigem gestão, porém não explicam, no caso da TransJordano, a saída de motoristas mulheres da empresa. “A gente não perde mulheres por conta de banheiro, por conta de infraestrutura”, afirma.

Segundo a executiva, a empresa adota um processo preventivo de avaliação dos pontos de parada. Antes que determinado posto seja utilizado nas rotas, uma equipe capacitada — incluindo motoristas monitores e profissionais de SSMA — verifica se o local oferece condições adequadas de segurança, estrutura sanitária e suporte mínimo para a operação. Se o posto não atende aos critérios, ele simplesmente não é aprovado para parada. “Não pode parar em qualquer posto”, resume Joyce.

Esse procedimento ganha relevância adicional em um momento em que o setor discute a ampliação das exigências de mapeamento de riscos sob a ótica da NR-1, especialmente em ambientes que não pertencem à transportadora, como pátios de clientes, rodovias e postos. Para Joyce, o raciocínio precisa ser menos segmentado por gênero e mais aderente às condições mínimas de trabalho para qualquer ser humano. “Se o posto não é bom, ele não vai ser bom nem para mulher, nem para homem”, argumenta. Ainda assim, ela reconhece que, na prática, a adaptação para receber mulheres pode exigir mudanças específicas em clientes e pontos de descarga — como a disponibilização de banheiros femininos, algo que ainda não é padrão em todas as operações.

Para Joyce, inclusão feminina precisa sair do ESG e entrar no RH e na operação

Um dos trechos mais fortes da entrevista ocorre quando Joyce afirma que a inclusão da mulher “veio muito pela agenda ESG”, mas que hoje já deve ser encarada como uma agenda de recursos humanos e, sobretudo, como uma necessidade de mão de obra. A declaração é relevante porque desloca a discussão do campo reputacional para o campo da sustentabilidade operacional do negócio. Em um setor pressionado por envelhecimento da categoria, dificuldades de renovação e exigências crescentes de segurança, ampliar a base de recrutamento deixou de ser apenas “boa prática” e passou a ser questão estratégica.

Ao mesmo tempo, Joyce alerta para o risco de superficialidade. Segundo ela, houve um momento, cerca de dois anos atrás, em que o tema estava “muito em alta”, mas parte do movimento perdeu força justamente porque muitas iniciativas foram lançadas sem estrutura real para se sustentar. “Tudo que é moda não se sustenta. Se você não tiver uma empresa preparada, orientada, com diretrizes e com alguém que realmente acredite, de cima para baixo o negócio não vai”, afirma.

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Transformador gigante cruza SP em operação inédita rumo ao Porto de São Sebastião

Uma operação logística de proporções inéditas está em andamento no Estado de São Paulo com o transporte de um transformador de alta potência fabricado pela Hitachi Energy, em Guarulhos, rumo ao Porto de São Sebastião. O equipamento, que integra um conjunto transportador de cerca de 845 toneladas e aproximadamente 138 metros de comprimento, é um dos maiores já movimentados pelas rodovias paulistas. Para garantir segurança e fluidez, o trajeto contará com um comboio especial ao longo das principais vias da região, incluindo a passagem por Guararema entre os dias 26 e 31 de março, sempre durante a madrugada.

Projetado para operar por mais de três décadas em diferentes condições climáticas, o equipamento impressiona pela robustez: são 580 MVA de potência e 380 kV, com peso de 342 toneladas no transporte e mais de 512 toneladas quando totalmente instalado.

Segundo Alexandre Malveiro, Hub South America Manager da unidade de negócios Transformers da Hitachi Energy, esta é a primeira vez que um transformador de alta potência da empresa será escoado pelo Porto de São Sebastião, resultado de um intenso trabalho técnico da equipe logística. A operação conta com apoio de órgãos públicos, concessionárias e parceiros logísticos, e a Hitachi Energy seguirá monitorando todas as etapas, com possibilidade de fornecer novas atualizações conforme o avanço do transporte.

Saiba mais:
  • A Log, construtora e administradora de galpões logísticos, está construindo um novo condomínio logístico em Recife. Com investimento aproximado de R$182 milhões, a companhia vai desenvolver mais de 74 mil m² de Área Bruta Locável (ABL) na capital do Pernambuco. Segundo Marcio Siqueira, diretor Executivo de Operações da Log, o Nordeste é crucial na estratégia de expansão da empresa.
  • A região Ásia‑Pacífico vem sustentando o crescimento do transporte global de cargas mesmo em um cenário de tensões geopolíticas e incertezas operacionais. O comércio na região segue em alta, impulsionando um aumento de 4% na demanda marítima em 2025 e de 8% na carga aérea em janeiro de 2026, sendo responsável por cerca de metade desse avanço global. Segundo o Relatório de Conectividade Global da DHL, países como Singapura, Malásia, Tailândia e Vietnã se destacam como alguns dos mais conectados do mundo.
  • Frota News amplia alcance global ao firmar parceria com a Newstex 
  • A Log, construtora e administradoras de galpões logísticos, trabalha na ampliação de empreendimento na Paraíba e investe, aproximado de R$ 58 milhões. Segundo a empresa, o objetivo é desenvolver mais 27 mil m² de Área Bruta Locável (ABL) na capital da Paraíba. Com a expansão, o LOG João Pessoa passará a disponibilizar mais de 68 mil m² de ABL em galpões totalmente modulares, desenvolvendo um polo logístico estratégico, capaz de atender a alta demanda presente no estado. “O Nordeste é crucial em nossa estratégia de expansão, com João Pessoa desempenhando um papel fundamental para consolidarmos nossa liderança na região”, afirma Marcio Siqueira, diretor Executivo de Operações da Log.
  • O litoral de Santa Catarina vive um “apagão logístico”, com vacância abaixo de 3%, o que acelera a substituição de galpões antigos por complexos industriais mais modernos e sustentáveis. Pressionados por operadores internacionais que exigem padrões como LEED e infraestrutura para eletrificação, projetos como o Ciway 470 (foto), do Grupo Saes, surgem como resposta: um condomínio logístico de alta eficiência, com usinas solares, pátios digitalizados e segurança compartilhada. Localizado no entroncamento das BR-470 e BR-101, o empreendimento terá 200 mil m² de ABL em um terreno de 430 mil m², com 94 galpões modulares capazes de abrigar quase cem empresas, rompendo com o modelo de “Big Boxes” monousuários. Segundo o CEO Erivelto Saes, a indústria já não aceita estruturas simples e ineficientes, e investidores buscam capturar a valorização gerada pela vacância mínima e pela crescente demanda por ativos logísticos Triple A na região.
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  • Guarulhos assumiu em 2025 a liderança logística do e‑commerce brasileiro, superando São Paulo em preço de locação de galpões e consolidando-se como principal hub do País. Com forte expansão imobiliária, acesso direto ao maior mercado consumidor, integração com o aeroporto e múltiplas rodovias, o município atraiu gigantes como Mercado Livre, Amazon, Shopee, Shein e Magazine Luiza, impulsionando a valorização dos ativos e a entrega de novos empreendimentos. A cidade ultrapassou Cajamar em ritmo de crescimento e concentra mais de 850 mil m² em obras, enquanto o mercado nacional vive vacância mínima e risco de déficit estrutural de galpões premium. Esse avanço pressiona o transporte rodoviário, aumentando a circulação urbana, a demanda por veículos de última milha e a necessidade de renovação de frota, ao mesmo tempo em que alerta para possíveis gargalos viários caso a infraestrutura não acompanhe o boom logístico.
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  • Os custos logísticos do Brasil chegaram a 15,5% do PIB em 2025, refletindo uma década de aumento da demanda por transporte sem expansão equivalente da infraestrutura, o que elevou despesas e reduziu a competitividade. O estudo do ILOS mostra que o País opera acima de economias avançadas e até de grandes emergentes, pressionado pela dependência do modal rodoviário e pelo salto no custo dos estoques — agravado pela alta da Selic, que encareceu o capital imobilizado. Além disso, há um descompasso entre embarcadores, que consideram o frete caro, e transportadoras, que afirmam não conseguir repassar seus custos, levando ao abandono de segmentos pouco rentáveis e risco de escassez de oferta. Sem investimentos estruturantes e maior eficiência sistêmica, a logística seguirá como um dos principais entraves ao crescimento sustentável brasileiro.
Frota News
Edição 54

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Ford lança Transit City elétrica nas versões furgão e chassi cabine

A família Ford Transit vai além dos modelos conhecidos no Brasil e conta com a Transit Custom e Courier, além das suas variações elétricas. Agora cresce com a introdução da Transit City para o transporte de carga, por enquanto, na Europa.

O modelo foi lançado em três versões, sendo duas na configuração furgão:  compacta L1H1 transporta para 1.085 kg e a L2H2, com teto alto, com capacidade para até 1.275 kg e 8,5 m3 de volume. A terceira é a chassi cabine – primeira dessa configuração oferecida pela marca na faixa de 1 tonelada – pode ser equipada com baú e outros implementos.

A capacidade útil da bateria de 56 kWh e a química de fosfato de ferro-lítio (LFP) oferece uma autonomia de até 254 km. Em corrente alternada de 11 kW é possível carregar de 10% a 100% em cerca de 5,2 h. Em corrente contínua de 67 kW pode-se carregar de 10% a 80% em meia hora, ou adicionar cerca de 50 km de autonomia em 10 minutos. O motor tem 110 kW (150 cv de potência) e tração dianteira.

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Ford
Guilhermo Lastra, diretor de Veículos Comerciais da Ford América Latina

A Ford unificou a operação da Ford Pro na América Latina e passou a comandar, a partir de São Paulo, toda a divisão de veículos comerciais — incluindo vans, furgões, picapes, SUVs e automóveis voltados a frotas — em toda a América do Sul e no México. A mudança integra mercados que antes operavam separadamente e busca ampliar sinergias, fortalecer o negócio regional de veículos comerciais e facilitar o atendimento a grandes clientes de logística e e‑commerce. Segundo a empresa, a decisão acompanha a transformação do setor, cada vez mais orientado por produtividade e redução do custo total de operação.

Os resultados recentes sustentam a estratégia. Desde 2021, quando iniciou a produção da Transit no Uruguai, a Ford Pro já representa cerca de 20% das vendas da marca na região. Em 2025, o Brasil registrou 9 mil emplacamentos, alta de 30%, enquanto a América do Sul somou 28 mil unidades (+17%) e o México vendeu cerca de 29 mil veículos, com destaque para Ranger, Transit e Série F. A rede Ford Pro já conta com 504 concessionárias na América Latina, sendo 145 no Brasil, reforçando a expansão do negócio.

Além da reestruturação, a expansão do portfólio é um dos pilares da estratégia regional. A linha Ranger acaba de ganhar cinco novas versões XL voltadas ao uso comercial. Leia mais:

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Biometano entra na rede da Copergás: Orizon abre caminho para descarbonização de frotas

A Orizon inaugurou nesta sexta-feira (27) sua nova planta de biometano no Ecoparque Jaboatão, em Pernambuco, em investimento de R$ 258 milhões que consolida a unidade como a maior do Nordeste e um marco na transição energética para frotas a gás renovável.

Com capacidade de produzir aproximadamente 108 mil m³ de biometano por dia a partir do biogás de resíduos urbanos, o empreendimento já começa a fornecer o combustível diretamente na rede da Copergás, viabilizando o abastecimento de veículos leves, pesados e ônibus movidos a gás comprimido em toda a região metropolitana do Recife.

A planta, construída entre maio de 2024 e fim de 2025 e autorizada pela ANP para comercialização, integra gestão de resíduos e infraestrutura energética em um único ativo, expandindo a oferta de gás renovável no mercado nordestino e abençoando o planejamento de longo prazo de operadores logísticos que apostam no gás como solução presente e futura.

O CEO da Orizon, Milton Pilão, afirmou que a companhia pretende implantar mais três fábricas de biometano no Nordeste em regiões onde a empresa tem aterros sanitários: Maceió, em Alagoas, Aracaju, em Sergipe e João Pessoa, na Paraíba.

  • Saiba mais:
  • Primeia planta de biometano da Atvos
    A Atvos está investindo mais de R$ 350 milhões na construção de sua primeira planta de biometano em Nova Alvorada do Sul, que deverá produzir cerca de 28 milhões de m³ por safra a partir de resíduos da cana, como vinhaça e torta de filtro. Segundo o vice‑presidente de Operações, Wilson Lucena, o gás renovável será usado principalmente para substituir o diesel na frota da empresa, que já testa caminhões a gás e firmou parceria com a Scania para renovação dos veículos pesados. A companhia projeta instalar outras sete plantas nos próximos anos, alcançando potencial de 137 milhões de m³ por safra e reduzindo até 88,3% das emissões associadas ao uso de diesel, antecipando a expansão do mercado de biometano no país.
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  • A Scania e a Loga mantêm, desde fevereiro de 2023, um projeto que transforma resíduos de aterros sanitários em biometano para abastecer os caminhões responsáveis pela coleta de lixo domiciliar em São Paulo, criando um ciclo de economia circular em que o próprio lixo dos moradores vira combustível limpo. Cada veículo movido a biometano substitui cerca de 35 mil litros de diesel por ano e evita a emissão de até 94 toneladas de CO₂, segundo a SP Regula. Já são mais de 80 caminhões entregues, e, de acordo com o CEO da Loga, Domênico Barreto Granata, cada nova unidade representa um avanço tecnológico e ambiental, reduzindo ruídos e emissões durante a operação.

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Fabricante de máquinas agrícolas negocia investimento de R$ 2 bilhões em nova fábrica no Brasil

O grupo chinês Jiangsu World estuda investir R$ 2 bilhões na construção de uma fábrica de máquinas agrícolas em Minas Gerais ainda neste ano. A planta seria da afiliada FM World e poderia gerar 250 empregos na fase inicial. O prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, que está na China negociando o projeto, afirmou que o protocolo de intenções deve ser assinado em maio. A empresa demonstrou forte interesse após reuniões em uma conferência global e deve retornar ao Brasil nos próximos meses para avançar nas tratativas. Caso se confirme, será a primeira fábrica de máquinas agrícolas da companhia fora da Ásia.

Patos de Minas ganhou destaque na expansão da empresa após executivos visitarem propriedades rurais e áreas industriais disponíveis, ficando impressionados com o potencial da região. O município se beneficia de um agronegócio robusto — líder estadual na produção de leite e relevante na produção de café, milho, soja e algodão — além de localização estratégica próxima a grandes mercados como São Paulo, Goiás e Mato Grosso. A FM World, como a divisão de máquinas agrícolas é conhecida, já avaliou outros estados brasileiros, mas vê no Alto Paranaíba um polo consolidado e atrativo. Para o prefeito, o projeto representa uma oportunidade histórica para Minas Gerais e para o Brasil.

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  • A Valtra apresentou ao mercado brasileiro a nova Série A5 e A5 HiTech, quinta geração de seus tratores de média potência, que chega com design totalmente renovado, motores AGCO Power mais eficientes (105 a 145 cv) e um pacote tecnológico avançado de agricultura de precisão. Exposta na Expodireto Cotrijal 2026, a linha adota o design global da marca, mantém a cor amarela tradicional e incorpora recursos como piloto automático hidráulico Valtra Guide by Trimble, TaskDoc e Wayline Assist. A versão A5 HiTech se destaca pela transmissão PowerShift HiTech4, que permite trocas sem embreagem e maior agilidade em operações no campo.
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  • A Massey Ferguson apresenta na Commodity Classic o trator MF 9S, além do pulverizador e da plantadeira 500R, destacando a integração desses equipamentos a sistemas como o TIM e o PTx FarmEngage™, que ampliam a eficiência no gerenciamento de implementos. A marca também divulga o programa MF Always Running, criado para oferecer maior previsibilidade de custos e reduzir riscos operacionais em um cenário de forte volatilidade de insumos e combustíveis, reforçando seu foco em suporte contínuo ao produtor.
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Luxo sobre rodas: Maybach é o carro da Miranda Priestley no novo O Diabo Veste Prada 2

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A Mercedes‑Benz retomou seu papel no universo de O Diabo Veste Prada ao anunciar uma parceria global com o 20th Century Studios para a aguardada sequência do filme, que estreia em 30 de abril. Duas décadas após a Classe S marcar presença no longa original, a marca retorna agora com a Mercedes‑Maybach Classe S como destaque na narrativa e como eixo central de uma campanha mundial intitulada “The Art of Arrival”. A ação inclui filme publicitário com cenas exclusivas, peças premium para mídia impressa e digital e até uma versão única da Maybach produzida pela divisão MANUFAKTUR especialmente para eventos de lançamento.

A iniciativa reforça o investimento da Mercedes‑Benz para associar sua linha de luxo ao universo da moda e do entretenimento, destacando valores como artesania, sofisticação e presença icônica — atributos que dialogam diretamente com a personagem Miranda Priestly, que utiliza o modelo no filme. Além da Maybach, outros veículos da marca também aparecem na produção, ampliando a visibilidade global da montadora entre consumidores de todos os padrões.

Saiba mais:
  • Ford
    O atleta visitou a sede da Ford em São Paulo e conheceu de perto a Ranger Raptor, picape que passa a fazer parte da sua rotina diária

    A Ford anunciou o surfista Yago Dora, atual campeão mundial da WSL, como seu novo embaixador no Brasil, reforçando o posicionamento global Ready Set Ford e associando a marca a valores de performance, autenticidade e espírito aventureiro. Yago passa a integrar um time que já conta com atletas como Ítalo Ferreira e Tati West, e celebrou a parceria visitando a sede da empresa em São Paulo, onde conheceu modelos icônicos como Mustang, F‑150 e Ranger Raptor — esta última será seu veículo pessoal. A escolha do atleta, conhecido por sua excelência técnica e forte conexão com a natureza, reforça a estratégia da Ford de criar relações genuínas com consumidores, segundo o diretor de Marketing Marcel Bueno.

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  • A Movida lançou uma nova campanha inspirada nos personagens de Looney Tunes, visando unir conveniência a experiências divertidas para os clientes. Até 30 de abril, quem contratar a lavagem antecipada no momento da reserva ganha copos personalizados com personagens como Pernalonga, Patolino, Piu-Piu, Taz e Frajola. Francine Marcheto, diretora de Marketing da Movida, comenta que“a ação reforça uma estratégia que já faz parte do calendário”.
  • Roteiro Automotivo
    Copa Amarela

    A John Deere lançou a Copa Amarela, torneio de futebol society voltado exclusivamente a operadores de máquinas de construção, que premiará o time campeão com uma viagem ao México para assistir a um jogo da Copa do Mundo de 2026. As equipes, formadas por sete operadores comprovadamente habilitados, precisam enviar vídeos jogando e depoimentos sobre sua experiência com máquinas da marca, sendo avaliadas por critérios técnicos e de comportamento. Os seis melhores times disputarão a final em abril, em um campo construído pelas próprias máquinas da empresa na fábrica de Indaiatuba. O vencedor ganhará quatro dias em Guadalajara com ingressos para o Mundial, e as inscrições seguem abertas até 28 de março.

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  • A Motiva iniciou a implantação de sua nova identidade visual na Linha 4‑Amarela do metrô de São Paulo, substituindo a marca ViaQuatro como parte do rebranding anunciado em 2025. As estações já começam a exibir a nova ambientação, que será gradualmente aplicada a toda a linha, incluindo trens, sinalização, veículos operacionais e uniformes, com conclusão prevista para junho. A mudança, aprovada pela Artesp, não altera a numeração nem a cor oficial da linha e também envolve a atualização dos canais digitais. O movimento integra a estratégia de unificação de marca da empresa, que já vem sendo implementada nas concessionárias rodoviárias do grupo. A chegada da nova identidade coincide com a campanha “Ritmos do cotidiano”, que reforça o novo posicionamento da Motiva e destaca a mobilidade como elemento central da vida urbana.
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  • A campanha “Seleção de Combos Graal”, criada pela agência FourHands, usa o clima da Copa do Mundo para promover sete combos especiais que reúnem itens do cardápio da Rede Graal, uma Coca‑Cola e um picolé Nestlé, oferecendo praticidade aos viajantes que param nas unidades da rede. A iniciativa, que reforça a parceria contínua entre a Graal e a agência, busca impulsionar vendas e fortalecer a presença da marca nas rodovias, posicionando-a como ponto estratégico para quem precisa abastecer o carro ou repor energias. A promoção será divulgada em diversos canais e segue até 30 de junho.

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Patrus Transportes anuncia investimento de R$ 3 milhões em veículos urbanos de cargas elétricos

Com aporte voltado à distribuição urbana, empresa amplia estratégia ESG com caminhões elétricos leves e médios, infraestrutura de recarga e integração com geração própria de energia renovável

A Patrus Transportes anunciou investimento de R$ 3 milhões para a incorporação de furgões e caminhões elétricos em sua operação de distribuição urbana. De acordo com informações preliminares divulgadas pela empresa em comunicados, o investimento contempla a aquisição de veículos elétricos voltados a rotas urbanas de curta distância, segmento em que a tecnologia já apresenta maior aderência operacional por conta da previsibilidade dos trajetos, da autonomia compatível e da possibilidade de recarga em base.

Fontes de mercado indicam que a Patrus avalia modelos como o furgão Mercedes-Benz eSprinter e caminhões Volkswagen e-Delivery 11 toneladas e o JAC iEV1200T, modelos já utilizados em projetos de distribuição urbana por operadores logísticos e varejistas. Embora a companhia ainda não tenha confirmado oficialmente o número de unidades, por estimativa dos preços da Fipe, o montante sinaliza a incorporação de algo entre dois (e-Delivery) a quatro (eSprinter ou JAC iEV1200T), a depender do modelo escolhido da configuração de carroceria e das adaptações operacionais necessárias.

Leia também:

Além da compra dos caminhões, parte do investimento deve ser destinada à implantação de infraestrutura de recarga em filiais estratégicas, inicialmente em Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP). A operação energética tende a se apoiar em fornecimento de fontes renováveis, com sinergia com a Patrus Energia Solar, unidade criada em 2023 e que vem sendo posicionada como braço de suporte à agenda de eficiência energética e sustentabilidade do grupo.

Em nota publicada no perfil corporativo da Patrus Transportes no LinkedIn, o CEO da empresa, Marcelo Patrus, comentou: “Em minha recente viagem à China, chamou atenção o fato de que carros e vans elétricas já representam cerca de 50% da frota do país. Ou seja, o carro elétrico não é mais o futuro — ele já está presente. A grande complexidade está na renovação das baterias, mas a cada 6 meses observamos avanços significativos nessa tecnologia.”

Saiba masis:
  • Certificação B Corp
    A Patrus Transportes conquistou em 2025 sua terceira certificação B Corp, reafirmando o compromisso iniciado em 2018, quando se tornou a primeira transportadora de carga fracionada do mundo a obter o selo que reconhece empresas com alto desempenho socioambiental e de governança. A nova recertificação consolida sua evolução contínua em critérios ESG e reforça, segundo a diretora Júnia Rodrigues, que desenvolvimento econômico e responsabilidade podem caminhar juntos. Paralelamente, o setor logístico registrou forte expansão: o tráfego de veículos pesados cresceu 6,3% nas rodovias de São Paulo e 7,7% no Rio Grande do Sul em setembro de 2025, impulsionado pela safra agrícola, pela retomada industrial e pela demanda por combustíveis e bens intermediários, com ambos os estados mostrando avanços sólidos tanto no acumulado do ano quanto na comparação anual.

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