Primeira CNH de carro e moto pode exigir exame toxicológico já em 2026, orienta Senatran

Exame toxicológico
Foto apenas ilustrativa criada por IA

A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) reforçou, recentemente, por meio de ofício‑circular, que os Detrans de todo o país devem passar a exigir exame toxicológico negativo antes da emissão da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para as categorias A (moto) e B (carro), mesmo sem norma complementar do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

A medida segue a Lei 15.153/2025, que tornou obrigatória a realização do teste para a primeira habilitação, mas oficialmente o Ministério dos Transportes orienta que a exigência ainda não seja aplicada em nível nacional até a publicação da regulamentação específica do Contran.

Com o ofício, a Senatran pressiona os órgãos estaduais a se prepararem para incluir o exame toxicológico como requisito imediato para a primeira CNH, alinhando a prática à previsão legal já existente no Código de Trânsito Brasileiro. A orientação chega em um momento de debate sobre a implementação técnica e operacional do teste, que exige adequação de sistemas, estrutura de coleta e credenciamento de laboratórios em todo o país.

Na prática, a exigência ainda é desigual entre os estados: alguns Detrans já passaram a cobrar o exame toxicológico para a primeira habilitação de moto e carro, enquanto outros seguem trâmites internos e aguardam a regulamentação do Contran para adotar a medida de forma uniforme. Isso significa que, embora o fato mais recente seja a determinação da Senatran para que os Detrans passem a observar a obrigação, a obrigatoriedade plena e nacional do teste na 1ª habilitação A e B ainda não está em vigor.agenciabrasil.ebc+2

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Furgões: Toyota Hiace 2026 desafia Sprinter e Transit no Brasil — veja avaliação

Toyota Hiace
Toyota Hiace. Fotos: Marcos Villela

A Frota News avaliou por sete dias a Toyota Hiace Furgão Teto Alto 2026, modelo que marca a entrada da marca japonesa no segmento de vans de carga no Brasil. Em um mercado dominado por Sprinter, Transit, Ducato e Master — todas maiores e com propostas mais amplas — a Hiace aposta em um pacote singular: porte mais compacto, altura externa de 2,28 m, câmbio automático de série e mecânica derivada da Hilux.

O resultado é um furgão que não tem concorrente direto em dimensões, mas que se posiciona como alternativa para operações urbanas, entregas em centros comerciais e frotas que priorizam confiabilidade e facilidade de manutenção.

A Hiace chega ao país com motor 2.8 turbodiesel de 174 cv e 450 Nm, câmbio automático de 6 marchas e tração traseira. O volume de carga é de 9,3 m³, com capacidade útil de 1.055 kg — números que a colocam abaixo das versões maiores de Sprinter, Transit e Ducato, mas acima de minifurgões compactos.

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O grande diferencial está na altura externa de 2,28 m, que permite acesso a subsolos de shoppings, garagens de prédios corporativos e docas com restrição de altura — um ponto crítico para operações urbanas de última milha.

Desempenho e dirigibilidade

Durante a avaliação, o conjunto mecânico mostrou o que já se espera do “DNA Hilux”: robustez, torque abundante em baixa rotação e respostas previsíveis, mesmo com carga. O câmbio automático de 6 marchas, embora menos sofisticado que os rivais de 9 e 10 marchas, entrega trocas suaves e prioriza simplicidade e durabilidade.

A tração traseira ajuda na estabilidade com carga, e a direção tem bom peso para manobras em áreas apertadas. A suspensão traseira por feixes de mola privilegia robustez, mas transmite mais irregularidades quando o veículo está vazio — comportamento típico de vans com foco operacional.

Análise de Mercado – O raio-X dos 45 caminhões mais vendidos até abril de 2026

Consumo

No uso misto e o trânsito pesado de São Paulo, o consumo ficou em torno de 8 km/l, com a melhor média de 9,5 km/k, dados pouco abaixo dos indicados pelos testes do Inmetro feito em laboratório para uma média nacional: 8,8 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada. São números coerentes com o porte e o motor 2.8, e competitivos frente às rivais maiores.

O tanque de 70 litros complementa o conjunto, permitindo boa autonomia mesmo em rotinas de alta quilometragem diária, com autonomia de 560 km na pior média do teste.

Espaço de carga e operação

O compartimento de carga é um dos pontos altos do modelo. Os 9,3 m³ e 1.055 kg de capacidade de carga são números que a posicionam como uma van de porte intermediário — menor que Sprinter, Transit e Ducato nas versões de maior baú, mas mais compacta e fácil de manobrar no ambiente urbano.

O espaço interno é favorecido pelo entre‑eixos de 3.860 mm e pela carroceria de 5.915 mm de comprimento, que resultam em um compartimento de carga bem distribuído, com paredes retas e boa altura útil graças aos 2.280 mm de altura total. Isso permite acomodar embalagens volumosas, com paredes internas regulares e boa altura útil. As portas laterais deslizantes em ambos os lados, única no Brasil com essa funcionalidade, e a porta traseira bipartida com abertura ampla facilitam o trabalho em docas estreitas e operações de carga rápida.

Outro ponto relevante é o vão livre do solo de 184 mm, que ajuda a enfrentar rampas, lombadas e docas irregulares sem risco de raspadas — algo importante para operações de carga e descarga frequentes. Os ângulos de ataque (17,6°) e saída (20,2°) reforçam essa aptidão para uso urbano intenso, especialmente em centros logísticos com acessos inclinados.

No uso prático, a combinação de volume de 9,3 m³, altura externa de 2,28 m e portas laterais deslizantes dos dois lados torna a Hiace particularmente eficiente em entregas de última milha, operações em shoppings, centros comerciais e garagens com restrição de altura. Esse é um cenário onde rivais maiores frequentemente não conseguem acessar, exceto furgões menores, com capacidade para 6,1 m³ e câmbio manual.

Equipamentos de segurança

O furgão oferece um pacote de tecnologia e segurança que cobre os itens essenciais esperados em um furgão de uso profissional, mas deve tecnologias mais avançadas, como ADAS, ACC e frenagem autônoma. O modelo vem equipado com três airbags (dois frontais e um de joelho), além de controle de estabilidade (obrigatório por lei desde janeiro de 2024) e controle de tração (TRC), que atuam de forma conjunta para manter o veículo estável mesmo em manobras bruscas ou em pisos de baixa aderência. O assistente de partida em rampa (HAC) também está presente e facilita arrancadas em aclives, evitando o recuo involuntário.

O sistema de freios com discos nas quatro rodas segue o padrão no segmento. Ele conta com ABS, distribuição eletrônica de frenagem (EBD) e assistência de frenagem de emergência (BAS), que melhora a eficiência das frenagens em diferentes condições de peso e superfície.

Para auxiliar nas manobras, especialmente em docas apertadas e estacionamentos subterrâneos, a Hiace traz sensores (dianteiro e traseiro) de estacionamento e câmera de ré, itens que contribuem para reduzir riscos de colisão em ambientes operacionais mais restritos.

Apesar do pacote adequado ao segmento, há um ponto que merece atenção: a qualidade da câmera de ré. A avaliação aponta que a resolução é inferior ao padrão atual do mercado, o que compromete a nitidez da imagem em manobras mais delicadas. A central multimídia também poderia oferecer mais recursos de conectividade e uma experiência de uso mais moderna, especialmente considerando o perfil de frotas que já operam com sistemas integrados de telemetria e gestão.

Hiace
Painel da Toyota Hiace. Foto: Divulgação

Produção e mercado

A Toyota Hiace vendida no Brasil é montada na Argentina em regime CKD, não um produto totalmente “feito” no país de origem como um veículo integralmente nacionalizado. Os kits de peças vêm majoritariamente do exterior (sobretudo do Japão), e a montagem é feita na planta de Zárate, na mesma fábrica onde são produzidos Hilux e SW4.

Ao mesmo tempo, há conteúdo regional relevante: o motor 2.8 turbodiesel e o eixo traseiro são produzidos em Zárate e compartilhados com Hilux e SW4, e a Toyota fala em cerca de 13 fornecedores argentinos e quase 100 brasileiros envolvidos em componentes da Hiace, com plano de aumentar a integração local ao longo do tempo.

O preço de fábrica é de R$ 304.990, porém, segundo a Fipe, o preço médio praticado é de R$ 276.442. No primeiro quadrimestre deste ano, a Toyota emplacou 764 unidades, segundo a Fenabrave. Fonte ligada à rede de concessionárias Toyota, os números não são maiores porque a produção ainda é baixa, e poucas unidades são entregues à rede para vendas. Além disso, esses números referem-se a van de passageiro, que teve uma ampla publicidade, diferentemente do furgão, ainda bastante desconhecido.

Toyota Hiace
Hiace vendida no Brasil é montada na fábrica argetina da Toyota

Comparativo editorial: onde a Hiace se encaixa

Embora a Toyota Hiace não tenha um concorrente direto em porte — já que nenhuma rival combina altura abaixo de 2,30 m, volume próximo de 9 m³ e câmbio automático de série — ela disputa espaço com as versões automáticas de Mercedes‑Benz Sprinter 317 (10,5 m³ de capacidade do baú e 2,62 m de altura) e Ford Transit (10,7 m³ e 2,77 m).

O furgão Mercedes‑Benz Sprinter 317 AT disputa com a Ford Transit a posição de mais sofisticada. Com motor 2.0 turbodiesel OM654, câmbio 9G‑Tronic de nove marchas e foco em conforto, ela entrega condução mais suave, maior refinamento e pacotes de assistência mais avançados. É também a maior em dimensões externas e volume, o que a torna menos prática em garagens e centros urbanos. O preço acompanha o pacote: é a opção mais cara entre as vans automáticas. Preço sugerido de fábrica: R$ 357.800; Fipe: R$ 360.133.

O furgão Ford Transit Furgão AT disputa com a Sprinter a posição de mais sofisticada. O motor 2.0 EcoBlue trabalha em conjunto com um câmbio automático de 10 marchas, o mais moderno do segmento, que mantém o motor sempre em faixa ideal de torque e consumo. O volume de carga é superior ao da Hiace, e o pacote de ADAS é mais completo. Em contrapartida, a altura externa elevada limita o acesso a subsolos e docas com restrição de altura. Preço sugerido de fábrica: Consulte um concessionárioo. Consultamos a Caoa, que anuncia em um marketplace por R$ 234.900; Fipe: R$ 296.878.

Pontos fortes identificados pela Frota News

  • Conjunto mecânico robusto e confiável, herdado da Hilux.
  • Câmbio automático de série, ainda raro entre furgões de carga.
  • Altura externa de 2,28 m, ideal para centros urbanos.
  • Acesso ao baú facilitado, com portas laterais duplas e traseira bipartida.
  • Reputação Toyota, fator decisivo para frotas de alto giro.

Pontos a melhorar

  • Multimídia e câmera de ré abaixo do padrão do segmento.
  • Conforto a vazio limitado pela suspensão por feixes de mola.

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Volvo Autonomous: as operações reais e o que precisa ser resolvido

Volvo Autonomous
Volvo autônomo em operação real no Texas

A Volvo Autonomous Solutions já está operando caminhões sem motorista em rodovias públicas no Texas, transportando cargas reais em operações ativas. Em entrevista exclusiva, o chefe de soluções on-road, Sasko Cuklev, explica o quão perto
a indústria está de remover o motorista — e o que ainda precisa ser resolvido.

Texto: Will Shiers
Fotos: Volvo Trucks

Caminhões sem motorista já não são mais coisa de ficção científica. Eles já estão operando em rodovias públicas no Texas, transportando cargas reais para clientes pagantes.

No centro do avanço do Grupo Volvo rumo à autonomia está Sasko Cuklev, chefe de soluções on-road da Volvo Autonomous Solutions, a divisão criada em 2020 para desenvolver e comercializar transporte sem motorista. Embora grande parte da conversa na indústria ainda esteja no campo de testes e projetos-piloto, Cuklev deixa claro que a Volvo já passou dessa fase.

“Estamos em operação autônoma comercial hoje”, diz ele. “Estamos movimentando cargas para nossos clientes em um ambiente comercial real.”

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Essa operação está atualmente concentrada no Texas, onde a Volvo tem rodado caminhões em corredores logísticos importantes, incluindo Dallas–Houston e Fort Worth–El Paso. Mais recentemente, expandiu para uma terceira rota entre Dallas e Oklahoma City, marcando seu primeiro movimento cruzando fronteiras estaduais.

Por enquanto, ainda há um motorista de segurança na cabine. Mas o papel dele é cada vez mais passivo.

Volvo Autonomous
Chefe de soluções on-road da Volvo Autonomous Solutions, Sasko Cuklev

“Eles estão lá como uma precaução de segurança”, explica Cuklev. “Na realidade, não há muita coisa acontecendo porque o sistema está ficando tão maduro e confiável. Ainda não estamos prontos para remover completamente o motorista de segurança, mas estamos chegando perto. Estamos falando mais em trimestres do que em anos.”

Ambientes confinados e públicos

A abordagem da Volvo para autonomia é dividida em duas áreas distintas. Uma é mineração e pedreiras, onde os caminhões operam em ambientes controlados, fora de estrada. A outra — e mais complexa — é a operação em vias públicas. É aí que a equipe de Cuklev está focada, especificamente em aplicações de longa distância em rodovias.

A Volvo optou por não desenvolver todo o sistema autônomo internamente. Em vez disso, fornece a plataforma do caminhão enquanto trabalha com parceiros especializados para fornecer o “motorista virtual”. Os parceiros atuais incluem Aurora e Waabi.

“Entramos com o caminhão e então trabalhamos com parceiros de direção autônoma”, diz Cuklev. “É uma solução em parceria.”

Essa distinção é importante. A estratégia da Volvo é construída em torno de manter o controle do próprio veículo, em vez de adaptar sistemas de terceiros a caminhões existentes.

“Dissemos desde cedo que não queremos pegar um caminhão e parafusar algo nele”, explica. “Queremos construir o produto certo desde o início.”

Isso significa caminhões projetados desde o zero para operação autônoma, com redundância total incorporada em sistemas críticos de segurança, como frenagem, direção e alimentação elétrica. Em termos simples, cada função essencial tem um backup.

“Se o sistema primário falha, você tem um sistema secundário que assume”, diz ele. “Isso é fundamental do ponto de vista da segurança.”

Autônomos originais de fábrica

Da mesma forma, esses caminhões são construídos nas próprias linhas de produção da Volvo, e não como conversões isoladas. Cuklev acredita que isso é essencial para que a autonomia escale além de aplicações de nicho.

“Para ganhar escala e ter um produto industrial, acreditamos que precisa estar integrado à nossa manufatura”, diz ele. “Quando o caminhão sai da fábrica, ele está pronto para operar.”

Até agora, a Volvo tem apenas um número relativamente pequeno de veículos em operação, descritos por Cuklev como “duas mãos cheias”. Mas o significado está menos no volume e mais em como eles estão sendo usados.

Inicialmente, a operação no Texas dependia de um modelo hub-to-hub. A carga era coletada de um cliente por um caminhão e motorista convencionais, levada até um terminal de transferência próximo à rodovia e então entregue ao veículo autônomo para o trecho de longa distância. No outro extremo, o processo era revertido.

Essa abordagem reduzia a complexidade, especialmente em ambientes urbanos e locais de entrega apertados, mas também introduzia manuseio adicional e custo.

A mudança para a rota Dallas–Oklahoma City marca um afastamento desse modelo. Aqui, a Volvo está operando o que descreve como uma operação “end-to-end”, com o caminhão autônomo realizando a viagem diretamente entre os locais dos clientes.

“Isso remove as etapas extras”, diz Cuklev. “É algo que nossos clientes querem, mas também mostra que a tecnologia está amadurecendo.”

Ambiente regulatório

A escolha do Texas não é acidental. Além de um ambiente regulatório favorável, o estado oferece fluxos densos de carga e condições relativamente previsíveis.

“Todos os nossos clientes estão lá, e há um enorme corredor de frete”, explica Cuklev. “E o clima, especialmente no início, é mais tolerante.”

Esse último ponto é frequentemente levantado como uma limitação dos sistemas autônomos, particularmente nas condições europeias. Mas Cuklev faz questão de minimizar isso.

“Já estamos operando em ambientes de mineração na Noruega, onde temos neve por seis meses do ano”, diz ele. “Então, não é realmente sobre o clima. É mais sobre se o mercado está pronto.”

A segurança, no entanto, continua sendo a questão definidora. O argumento da Volvo é simples: remova o erro humano e você remove a maioria dos acidentes.

“Relatórios diferentes dizem que 93% ou 95% dos acidentes são devido a erro humano”, diz Cuklev. “Se você tira isso, pode melhorar a segurança significativamente.”

Tecnologia vê o pedestre antes do motorista

Ele aponta exemplos reais de testes e operações iniciais. Em um caso, sensores detectaram um pedestre à beira da estrada no escuro muito antes de um motorista humano conseguir vê-lo, permitindo ao caminhão mudar de faixa com antecedência. Em outro, o sistema identificou um veículo prestes a avançar um sinal vermelho e manteve posição, evitando uma colisão.

Mas a questão mais difícil é o que acontece quando um acidente não pode ser evitado. Diante de uma decisão de frações de segundo entre dois resultados ruins, como o sistema responde?

A resposta de Cuklev é pragmática.

“O que buscamos é não acabar nessas situações”, diz ele. “O sistema é projetado para evitá-las.”

A responsabilidade é uma área cinzenta. No caso de uma colisão, a responsabilidade dependerá das circunstâncias.

“Assumiremos a responsabilidade do nosso lado se um acidente acontecer”, diz ele. “Mas precisamos entender o que o causou.”

A aceitação pública, por sua vez, parece ser menos um obstáculo do que muitos imaginam. No Texas, caminhões autônomos já estão se misturando ao tráfego.

“Está se tornando parte do fluxo normal”, diz Cuklev.

Ele faz uma comparação com muitas cidades dos EUA, onde táxis autônomos agora são comuns. “Isso já está acontecendo.”

Para os motoristas, as implicações são mais complexas. Os motoristas de segurança de hoje permanecem totalmente engajados, prontos para assumir o controle se necessário. Mas esse papel é claramente transitório.

Tecnologia será complemento

Olhando mais adiante, Cuklev insiste que a autonomia deve ser vista como um complemento, e não como substituição.

“Nunca vimos a autonomia como algo que vai substituir motoristas”, diz ele. “Os motoristas ainda serão muito necessários.”

O argumento é que a automação se concentrará nas rotas de longa distância, frequentemente consideradas a parte menos atraente do trabalho, enquanto motoristas humanos se concentram em trabalho regional, com horários mais previsíveis.

Ao mesmo tempo, espera-se que a demanda por transporte de cargas aumente significativamente nas próximas décadas, enquanto a escassez de motoristas persiste.

“Precisamos de novas soluções para atender essa demanda”, diz ele.

Apresentamos nossa preocupação de que a perspectiva da automação possa desencorajar novos motoristas de investir em treinamento, especialmente considerando o custo envolvido. Cuklev reconhece a preocupação, mas argumenta o contrário.

“Já existe uma escassez, e a demanda está aumentando”, diz ele. “Os motoristas ainda serão necessários.”

Interferências ou roubo

A segurança patrimonial é outra questão que não pode ser ignorada. A ideia de um caminhão sem motorista viajando por áreas remotas inevitavelmente levanta questões sobre interferência ou roubo.

“É algo que estamos analisando”, diz Cuklev. “Segurança é uma área muito importante.”

Sua resposta, por enquanto, é que os veículos são fortemente monitorados, com câmeras fornecendo visibilidade total. Mas é uma área que precisará evoluir junto com a tecnologia.

Apesar de todos os desafios, Cuklev não tem dúvidas sobre a direção do setor.

“Dentro de cinco anos, isso será uma parte natural da indústria de transporte”, diz ele.

A implementação começará nos principais corredores rodoviários, antes de se expandir para outras regiões, incluindo Europa e Austrália. Assim como os carros autônomos, a adoção provavelmente será gradual, e não repentina, mas a mudança já está em andamento.

Os caminhões que operam hoje no Texas ainda carregam um motorista de segurança, e suas rotas podem ser rigidamente definidas, mas representam algo mais significativo do que outro teste. Eles são o primeiro passo em direção a um modelo fundamentalmente diferente de transporte rodoviário, um modelo que se aproxima da realidade a cada milha percorrida.

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SCGÁS testa ônibus 100% a gás natural e mira expansão do transporte sustentável em SC

SCGás
Início de testes para transição energética com veículos pesados em Santa Catarina

A Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGÁS) iniciou uma operação assistida com um ônibus movido 100% a gás natural veicular (GNV), com possibilidade futura de abastecimento com biometano. A iniciativa, realizada em parceria com a Scania e a Alexandre Turismo, integra ao objetivo da SCGÁS para ampliar o uso de combustíveis mais limpos no transporte pesado de passageiros no estado.

Durante o período de testes, o veículo será empregado no fretamento diário de colaboradores para o Centro de Distribuição do Mercado Livre, em Governador Celso Ramos. A operação prevê cerca de 300 quilômetros percorridos por dia, ao longo de 20 dias. Nesta fase inicial, a SCGÁS é responsável pelo fornecimento do GNV, com investimento estimado para um volume total de 2.100 m³.

SCGÁS inclui biometano na transição energética

A demonstração permitirá monitorar indicadores como desempenho, rendimento, autonomia e redução de emissões em condições reais de uso. Segundo Ronaldo Macedo Lopes, engenheiro consultor de vendas do segmento veicular da SCGÁS, o projeto marca um avanço para o transporte pesado catarinense ao avaliar, na prática, a viabilidade do gás natural e do biometano como alternativas sustentáveis e competitivas, contribuindo para a descarbonização do setor.

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Frota Sustentável
Jornalismo profissional e especializado em transição energética
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  • Feito com materiais reciclados
    Frota Sustentável
    Novo Mercedes-Benz reEconic com 5,2 toneladas de seu peso em materais reciclados

    A Mercedes-Benz Trucks apresentou o reECONIC, um caminhão‑conceito de coleta de resíduos criado com a FAUN e o TSR Group para demonstrar a aplicação de uma economia circular na produção de veículos comerciais. Baseado no eEconic, o modelo estreia na IFAT, em Munique, e será testado em operação real pela REMONDIS em 2026. O protótipo utiliza materiais reciclados, naturais e biobaseados que podem substituir até 80% dos componentes estruturais, reduzindo em até 5,2 toneladas o uso de materiais virgens e potencialmente cortando 41% das emissões de CO₂e na fabricação.

Entre os destaques estão aço com 97% de conteúdo reciclado, alumínio com 75% de material pós-consumo, vidro com 64% reciclado, plásticos reaproveitados e pneus recauchutados. O veículo também marca a primeira aplicação de madeira de faia certificada em um caminhão moderno da marca, enquanto a carroceria FAUN reNew VARIOPRESS pode atingir até 88% de materiais reciclados.

TransJordano
TransJordano amplia transição para frota sustentável
  • TransJordano
    O BNDES aprovou R$ 140 milhões para o plano de investimentos da TransJordano, que prevê a criação de um corredor verde em São Paulo e a modernização da frota com 100 caminhões pesados movidos a biometano, além d construção de três postos de abastecimento em Sumaré, Cubatão e Ribeirão Preto. O financiamento — composto por R$ 98 milhões do Fundo Clima e R$ 42 milhões do BNDES Máquinas e Serviços — também permitirá ampliar a infraestrutura de armazenamento e abastecer veículos de outras transportadoras, fortalecendo a transição energética no transporte rodoviário. A Ultragaz será responsável pelo fornecimento do biometano, reforçando sua atuação em soluções sustentáveis.
  • Exportação
    O Brasil está mais próximo de se tornar um polo exportador de tecnologias para descarbonização do transporte pesado — e não apenas um consumidor de soluções importadas. A avaliação é de Christopher Podgorski, presidente e CEO da Operação Industrial da Scania no Brasil, que vê no país um laboratório real para o desenvolvimento de tecnologias aplicáveis a outros mercados emergentes. A declaração foi feita no podcast Conexão MBCBrasil – A Mobilidade em Pauta, do Instituto MBCBrasil, e traz elementos inéditos sobre o papel da engenharia brasileira dentro da estratégia global da montadora. Continue lendo: Brasil pode liderar exportação de tecnologias para descarbonização, afirma CEO da Scania

Fórum ILOS 2026 abre inscrições e reforça protagonismo na logística brasileira e global

ILOS
Inscrições estão abertas. Foto: Arte FN

O principal evento brasileiro dedicado à logística e ao supply chain está com inscrições abertas e com uma ampla agenda. O Fórum Internacional de Supply Chain – Expo Logística 2026, organizado pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), promete reunir executivos, especialistas e líderes das maiores cadeias de suprimentos do Brasil e do mundo nos dias 19 e 20 de agosto, no Golden Hall do Sheraton WTC, em São Paulo (SP). A Frota News participa como media partner e apoiadora oficial da edição.

Com mais de 30 anos de história, o Fórum ILOS se consolida como o ambiente mais avançado para discutir tendências, desafios e soluções que moldam o futuro da logística brasileira. Em 2026, o evento terá como eixos principais os custos logísticos, os impactos da reforma tributária e as transformações tecnológicas que estão redefinindo operações em escala global.

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Mais de 50 horas de conteúdo inédito

Os participantes terão acesso a uma programação robusta, com palestras, estudos de caso, painéis interativos e pitches de soluções inovadoras. O documento oficial destaca que o fórum apresenta “estratégias que geram impacto real no dia a dia das operações logísticas”.

Entre os temas confirmados pela chairwoman do evento e sócia-executiva do ILOS, Maria Fernanda Hijjar, estão:

  • Panorama do transporte rodoviário de cargas: piso mínimo do frete, segurança e disponibilidade de motoristas
  • Custos logísticos e competitividade
  • Multimodalidade como alavanca de eficiência
  • Operações logísticas transformadoras
  • Logística internacional
  • Tecnologia e automação
  • Descarbonização da cadeia de suprimentos
  • Impactos da reforma tributária no real estate brasileiro

A edição reunirá mais de 100 palestrantes nacionais e internacionais de empresas como Amazon, Mercado Livre, Sanofi, Grupo Erea, Epson, Vibra Energia, General Motors, Campari, Enjoei, Dr. Oetker, Cargo X, Frimesa, Riachuelo, entre outras.

Networking com quem decide

O Fórum ILOS reforça sua proposta de ser um ponto de encontro para profissionais que comandam operações de grande porte. A organização destaca que o evento é uma oportunidade única para conectar-se com executivos e especialistas que atuam nas maiores empresas do país e do cenário internacional.

A presença de palestrantes brasileiros e estrangeiros amplia a “perspectiva” dos participantes, fortalecendo o caráter global do encontro.

Expo.Logística acontece simultaneamente

Assim como nas edições anteriores, o Fórum será acompanhado da Expo.Logística, que reúne cerca de 50 expositores selecionados pela qualidade de suas soluções. Em 2025, o evento recebeu aproximadamente 500 empresas de setores como indústria, varejo, tecnologia, consultoria e operadores logísticos.

A edição de 2026 será realizada no Golden Hall do Sheraton WTC, espaço reconhecido pela infraestrutura de alto padrão. O objetivo é garantir conforto e foco total na experiência dos participantes, reforçando o posicionamento do evento como um dos mais relevantes do setor.

Ingressos já disponíveis

Os ingressos já estão à venda no site oficial: www.forumilos.com.br.
A organização incentiva a compra antecipada para garantir vaga entre os “protagonistas da transformação logística”.

Apoiadores e patrocinadores

O Fórum ILOS 2026 conta com um robusto grupo de patrocinadores que reforçam a relevância do evento no setor logístico. Na categoria Diamante, está a tragetta. Entre os patrocinadores Ouro, participam Motorista PX, FedEx® e Edenred. Já no nível Prata, apoiam o encontro a LOTS Group, Cargo Bertolini Sistemas de Armazenagem, EVMOB, Copercarga Logística, Envoy e o Grupo Erea. Na categoria Bronze, estão VOLL, INPO® e Conexlog.

O evento também recebe apoio institucional de entidades e veículos de referência, como ABAC, Abiacom, ANUT, DatamarNews, Tecnologística, CBEC, Transporte Moderno, ABOL, ABIFER, ANTE, Frota News e NTC Logística, consolidando sua posição como um dos principais pontos de encontro da logística brasileira.

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Tragetta Clients Summit destaca impactos da reforma tributária em palestra de Paulo Duarte Filho

Tragetta
Palestra sobre reforma tributário pelo especialista Paulo Duarte Filho

A Tragetta, pertencente ao Grupo Femsa e especializada em transporte de cargas fracionadas, vem ampliando sua presença na logística brasileira com o Tragetta Clients Summit, encontro exclusivo voltado a líderes corporativos, parceiros e executivos do setor.

A Frota News esteve presente nesta iniciativa, apresentada pela empresa como um espaço de conexões estratégicas, troca de experiências e construção conjunta do futuro da logística, reforça o movimento da companhia de se posicionar como protagonista em temas como inovação, eficiência operacional e experiência do cliente.

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Com mais de 70 anos de atuação — um ano com a marca Tragetta —, presença nacional e inserção em segmentos como varejo, bens de consumo, automotivo, eletrônico e farmacêutico, a Tragetta utiliza o Summit como um fórum proprietário para discutir tendências, alinhar expectativas de nível de serviço e aprofundar o relacionamento com clientes estratégicos.

O ponto alto do Client Summit foi a palestra do advogado tributarista Paulo Duarte Filho, da Stocche Forbes Advogados, que trouxe uma leitura didática e profundamente analítica sobre a reforma tributária. O grande diferencial foi justamente traduzir um tema técnico e profundo com clareza, leveza e até momentos de descontração, tornando acessível um assunto que, na prática, exige atenção prioritária de todo o mercado.

Segundo Filipi Goschrman, jornalista especialista da Frota News em inteligência de mercado e negócios, falar sobre a reforma tributária e os impactos que passarão a valer a partir de 2027, após o período de testes neste ano, é, por si só, desafiador. “Mais do que apresentar as mudanças, o verdadeiro ponto está em torná-las compreensíveis — especialmente quando falamos de marcas e empresas do setor logístico, diretamente afetadas por essa transformação. Ele traz clareza e objetividade, ajudou a contextualizar os impactos das mudanças no ambiente regulatório para operações logísticas, transporte e cadeias de suprimentos — tema sensível para embarcadores e operadores diante das transformações previstas para os próximos anos”.

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Leia mais:

 

  • Cargas fracionadas
    Tragetta
    Tragetta realiza 2 milhões de entregas e amplia presença nacional. Foto: Divulgação

    O avanço do e‑commerce no Brasil vem impulsionando o mercado de cargas fracionadas, e a Tragetta — divisão do Grupo FEMSA — consolidou esse movimento ao fechar o segundo semestre de 2025 com R$ 800 milhões em faturamento e 2 milhões de entregas, operando em todos os estados. Com 48 CDs, operações de cross docking e atuação em setores como varejo, bens de consumo, automotivo, eletrônico e farmacêutico, a empresa se destaca por uma operação preparada para diferentes níveis de complexidade regulatória. O segmento de carga fracionada, que cresceu 40% em 2024, ganha força com o compartilhamento de veículos entre embarcadores, e a Tragetta sustenta sua expansão com 3.300 veículos, incluindo modelos climatizados e elétricos, além de tecnologia embarcada, monitoramento em tempo real e planejamento avançado de rotas.

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  • Por que 7 décadas?:
    Os 70 anos de experiência inclui as transportadoras adquiridas pelo Grupo Femsa. A Tragetta surgiu da consolidação dessas aquisições,  mais especificamente das transportadoras Atlas e Expresso Jundiaí, que formam a base da operação atual. Antes disso, a divisão brasileira de logística do Femsa operava sob o nome Solística.
  • Ranking 2025: os 45 caminhões mais vendidos e o que eles revelam sobre as decisões das frotas
  • Expansão regional e interiorização da malha
    Para 2026, a estratégia da empresa mira a expansão fora do eixo Rio–São Paulo, acompanhando o avanço do e-commerce e da interiorização do consumo. A meta é crescer 50% na Região Norte, com destaque para Manaus; avançar 20% no Nordeste, especialmente em Fortaleza; e duplicar a operação no Espírito Santo. O plano prevê ampliar operações já consolidadas, mantendo o padrão de serviço e respeitando as particularidades logísticas de cada região — como infraestrutura rodoviária, sazonalidade de demanda e complexidade tributária.
  • Frota Sustentável: mais de 250 artigos sobre descarbonização do transporte
  • O Grupo Femsa atua no Brasil por meio de quatro frentes principais: a Coca-Cola FEMSA Brasil, maior engarrafadora de refrigerantes do país, operando 11 fábricas e 47 centros de distribuição em diversos estados; a Oxxo, rede de lojas de conveniência que passou a ser totalmente controlada pela empresa em 2026 e já soma cerca de 611 unidades em São Paulo, com previsão de abrir mais 100 lojas no mesmo ano; a Tragetta, marca lançada em 2025 para substituir a Solística e consolidar operações de transporte de cargas fracionadas, integrando aquisições como Atlas e Expresso Jundiaí e atendendo setores como têxtil, farmacêutico e varejo; e a Imbera, que mantém desde 2010 uma fábrica em Itu (SP) dedicada à produção de equipamentos comerciais, como geladeiras para o varejo.

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Brasil pode liderar exportação de tecnologias para descarbonização, afirma CEO da Scania

Scania
Christopher Podgorski, presidente e CEO da Operação Industrial da Scania no Brasil

O Brasil está mais próximo de se tornar um polo exportador de tecnologias para descarbonização do transporte pesado — e não apenas um consumidor de soluções importadas. A avaliação é de Christopher Podgorski, presidente e CEO da Operação Industrial da Scania no Brasil, que vê no país um laboratório real para o desenvolvimento de tecnologias aplicáveis a outros mercados emergentes.

A declaração foi feita no podcast Conexão MBCBrasil – A Mobilidade em Pauta, do Instituto MBCBrasil, e traz elementos inéditos sobre o papel da engenharia brasileira dentro da estratégia global da montadora.

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Segundo Podgorski, a engenharia da Scania no Brasil deixou de ser apenas adaptadora de produtos globais e passou a desenvolver tecnologias próprias, validadas em condições operacionais locais — e depois exportadas.

Temos projetos delegados à engenharia brasileira, e as soluções encontradas aqui são aplicadas globalmente”, afirmou.

ACT Expo 2026 mostra freio na eletrificação pesada e retomada de investimentos em biodiesel e biometano

Essa afirmação reforça um movimento interno da empresa: parte das soluções para motores, combustíveis alternativos e aplicações severas nasce no Brasil e segue para outros países com desafios semelhantes.

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Jornalismo profissional e especializado em transição energética

Biometano como solução imediata

Entre as tecnologias com maior potencial de exportação está o biometano, apontado pelo executivo como uma alternativa de rápida adoção por aproveitar a infraestrutura já existente de gás natural.

Você resolve um problema ambiental e oferece, a baixo custo, uma solução energética renovável que pode utilizar a infraestrutura já existente”, explicou Podgorski.

O Brasil, segundo ele, tem capacidade significativa de expansão na produção de biometano, tanto no agronegócio quanto em resíduos urbanos e aterros sanitários — o que cria um mosaico de oportunidades regionais.

Transição energética será diferente em cada região do país

Um ponto inédito destacado pelo executivo é que não haverá uma única rota tecnológica para o Brasil. A transição energética no transporte pesado será sub-regionalizada, variando conforme infraestrutura, matriz energética e perfil econômico.

Não existe uma solução única nem para o Brasil. Existe uma sub-regionalização, com realidades diferentes entre Sul-Sudeste, Centro-Oeste e regiões costeiras.”

O Brasil reúne um conjunto de vantagens — engenharia local madura, ampla oferta de biocombustíveis, experiência em operações severas e necessidade de soluções de baixo custo — que, segundo Christopher Podgorski, posiciona o país para liderar modelos de descarbonização em mercados emergentes. Para ele, tecnologias baseadas em biocombustíveis e motores mais eficientes atendem melhor à realidade de países com infraestrutura limitada do que estratégias centradas exclusivamente na eletrificação, tornando o modelo brasileiro mais replicável no Sul Global.

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Mercedes-Benz e Bosch inauguram um dos centros de testes mais avançados da América Latina

centros de testes
Denis Güven, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina

O Centro de Testes Veiculares de Iracemápolis (CTVI), construído em parceria entre Mercedes-Benz do Brasil e Bosch, inicia uma nova fase ao consolidar sua infraestrutura e oferecer um dos ambientes mais completos e tecnológicos para desenvolvimento de veiculares na América Latina, treinamentos, eventos e experiências.

O complexo, localizado no interior de São Paulo — 170 km da capital —, reúne cinco pistas, sete oficinas independentes e áreas técnicas projetadas para atender às demandas mais atuais da indústria automotiva, especialmente em processos de desenvolvimento e homologação de veículos, sistemas e componentes.

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Desde sua idealização, em 2019, o projeto recebeu investimento conjunto de cerca de R$ 130 milhões por parte da Mercedes-Benz do Brasil e da Bosch.

Pistas e boxes disponíveis para locação

O CTVI foi projetado para atender fabricantes de todas as marcas de caminhões, ônibus, automóveis, veículos comerciais leves, componentes automotivos e máquinas agrícolas. As sete oficinas independentes garantem total privacidade aos clientes. Duas delas são dedicadas a veículos comerciais, com capacidade para receber caminhões de todos os tamanhos e ônibus de diferentes portes. Outras cinco oficinas atendem veículos de passeio, todas isoladas entre si e equipadas com escritório, sala de reunião, internet, ar-condicionado, copa, toalete, TV e controle de acesso individual.

A estrutura foi planejada para reproduzir com fidelidade as condições reais de uso, permitindo avaliações de performance, segurança veicular, eficiência energética e testes de novas tecnologias de assistência ao condutor.

Eventos, treinamentos e experiências

Tanto as pistas quanto os boxes podem ser locados para testes, imulações, desenvolvimento e homologações. O objetivo é oferecer um ambiente versátil e de alta precisão, com resultados aplicáveis ao cotidiano das ruas e estradas brasileiras.

Segundo Andreas Hueller, diretor do CVTI, o campo de provas foi criado para atender a indústria ligada ao setor automotivo, porém, a infraestrutura também tem sido utilizada para atividades de treinamentos, como de vendedores de rede de concessionárias, e outras atividades que precisam pistas. “Se uma física quiser alugar para uma atividade particular, podemos conversar. O importante será seguir todas regras de segurança, lembrando que não é uma pista de corrida“.

Pavimentação de alta precisão e testes que refletem a realidade

Denis Güven, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, destaca o papel estratégico do centro:

Mais do que uma infraestrutura de testes, o CTVI é uma plataforma que impulsiona competitividade, agilidade e qualidade, posicionando o Brasil como um polo relevante no desenvolvimento veicular.”

Gastón Diaz Perez, CEO e presidente da Robert Bosch América Latina, reforça a importância da nova fase:

centros de testes
Gastón Diaz Perez, CEO e presidente da Robert Bosch América Latina

Essa nova fase amplia a capacidade de testes e homologação em um ambiente concebido para refletir as condições reais de uso, oferecendo precisão e confiabilidade para diferentes tipos de veículos.”

Um dos diferenciais do CTVI está na qualidade da pavimentação, desenvolvida com rigor técnico para garantir superfícies perfeitamente niveladas — condição essencial para medições precisas e repetibilidade de resultados.

Diferentemente de centros focados em pistas de corrida, o CTVI foi projetado para simular estradas reais, tornando-se ideal para validação de tecnologias de segurança ativa e assistência ao condutor. Entre os testes realizados estão ESP, AEB, ADAS, eficiência energética e tecnologias de condução autônoma e semiautônoma.

Cinco pistas para múltiplos testes avançados

O complexo ocupa 400 mil m² e conta com pistas de padrão internacional:

  • HSO – High Speed Oval: 2,6 km de extensão para testes de alta velocidade, consumo, autonomia, ruído e dirigibilidade.
  • CML – Comfort Lanes: quatro faixas com diferentes pisos para avaliações de suspensão e estabilidade.
  • VDA – Vehicle Dynamics Area: 88 mil m² de asfalto plano, ideal para testes de ADAS, ESP® e AEB.
  • BMT – Brake Measurement Track: três faixas irrigáveis com diferentes coeficientes de aderência.
  • PHC – Paved Handling Course: 1,7 km com curvas e elevações variadas para ensaios de dirigibilidade.

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Ford Pro confirma Transit City elétrica no Brasil com autonomia de 254 km

Transit
Ford Transit City

A Ford Pro confirmou a chegada da Transit City, sua nova van elétrica compacta voltada para operações urbanas de baixa emissão, ao Brasil e a outros mercados da América Latina no segundo semestre de 2026. O modelo estreia simultaneamente na Europa, onde iniciou a pré-venda e terá entregas no fim do ano. Desenvolvida em parceria com a Jiangling Motors e produzida na China, a novidade amplia o portfólio global de veículos comerciais eletrificados da marca.

Segundo Guillermo Lastra, diretor de Veículos Comerciais da Ford América Latina, a Transit City reforça a diversificação da Ford Pro na região, que recentemente recebeu novas versões da Ranger e a Transit 2026 a diesel.

A Ford Pro Brasil ainda não divulgou os detalhes técnicos, o que será feito mais próximo ao lançamento. No entanto, a reportagem da Frota News apurou as características do modelo no mercado europeu, devendo ser a mesma na Brasil, já que ela virá da mesma fábrica.

Assim, a Transit City em pré-venda na Europa é equipada com bateria LFP de 56 kWh fornecida pela CATL, garantindo autonomia de até 254 km no ciclo WLTP — suficiente para cobrir 90% das rotas diárias de vans compactas, que têm média de 110 km. O motor elétrico dianteiro entrega 110 kW (150 cv) e 320 Nm, com condução “one-pedal” para maximizar a regeneração de energia e a eficiência no trânsito urbano.

Frota Sustentável
Jornalismo profissional e especializado em transição energética

Configurações e capacidades

Nos mercados europeus, ela está sendo oferecida em três configurações para atender diferentes perfis de operação: o furgão L1H1 compacto, com capacidade para até 1.085 kg; o furgão L2H2 de teto alto, que suporta até 1.275 kg e oferece 8,5 m³ de volume; e o chassi‑cabine, voltado para implementações personalizadas como baús refrigerados, serviços e aplicações municipais.

Segundo a Ford Pro, o modelo pode reduzir em até 40% os custos de manutenção em relação a vans a diesel e conta com garantia de 8 anos ou 160.000 km para o sistema de alta voltagem. As opções de recarga incluem AC de 11 kW, que completa a bateria em 5h45, e DC de até 87 kW, capaz de levar o nível de 10% a 80% em 33 minutos ou adicionar 65 km de autonomia em apenas 10 minutos. A van também integra o ecossistema Ford Pro, oferecendo telemetria, GPS e ferramentas avançadas de gestão de frotas.

Portfólio Ford Pro cresce no Brasil

A Ford lidera o mercado de veículos comerciais nos EUA há 45 anos e na Europa há 10 anos. No Brasil, vendeu 7.200 unidades em 2024, entre Transit e Ranger. Em 2025, registrou crescimento de 30% na América Latina e entregou 465 unidades da E-Transit na região, principalmente para locadoras e empresas como o Mercado Livre.

Os preços e versões específicas da Transit City para o mercado brasileiro serão divulgados mais próximos do lançamento.

Comparativo: Transit City x E‑Transit

A seguir, o quadro que destaca as principais diferenças entre as duas vans elétricas da Ford Pro:

Aspecto Transit City E‑Transit (Furgão L4H3 no Brasil)
Tamanho Compacta (L1H1/L2H2, ~5 m de comprimento estimado) Grande (6,7 m de comprimento, 15,1 m³ de volume)
Bateria 56 kWh LFP 67–68 kWh NCM
Autonomia Até 254 km (WLTP) Até 193 km (INMETRO)
Potência 110 kW (150 cv) e 320 Nm 198 kW (269 cv) e 430 Nm
Carga útil Até 1.275 kg (L2H2) 664 kg
Foco operacional Uso urbano, última milha, baixa emissão Frotas gerais, maior capacidade e volume
Produção China (Jiangling Motors) Turquia / EUA
Lançamento no Brasil 2º semestre de 2026 Já disponível

A Transit City também se posiciona abaixo da E-Transit Custom, de porte médio, completando a gama de vans elétricas da Ford para diferentes tipos de operação.

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  • Seis décadas
    SuperVan
    Goodwood Festival 2025 – Linha Ford SuperVan

    O encontro histórico das cinco gerações da SuperVan marcou o Festival da Velocidade de Goodwood 2025, onde a Ford celebrou os 60 anos da Transit reunindo desde a SuperVan original de 1971 até as versões elétricas mais recentes. O evento destacou a evolução tecnológica da marca — das SuperVans equipadas com motores V8 de competição aos protótipos eletrificados com até 2.000 cv — e reforçou o papel desses veículos como laboratórios de inovação. Além da homenagem, a Ford brilhou na pista com a F-150 Lightning SuperTruck, que venceu a tradicional subida de montanha com o tempo de 43,23 segundos, consolidando o avanço da engenharia elétrica da empresa.

Tracbel expande operação e passa a atender clientes Kalmar em todo o território brasileiro

Tracbel
Tracbel assume o pós-venda da Kalmar

A mineira Tracbel assumiu a operação nacional de assistência técnica, serviços e pós‑venda da Kalmar, ampliando sua atuação para todos os estados brasileiros. A mudança inclui o atendimento a clientes instalados em terminais portuários e unidades logísticas, além da contratação de profissionais especializados — muitos vindos da própria Kalmar — para sustentar a nova estrutura.

Segundo Cairon Faria, diretor executivo da Tracbel Florestal & Logística, a centralização permitirá maior agilidade, padronização e qualidade no suporte aos equipamentos da marca.

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A decisão faz parte de uma decisão global da Kalmar para fortalecer o pós‑venda, área considerada essencial para a competitividade no setor de logística pesada. Com a unificação, a Tracbel passa a integrar equipes, otimizar a gestão de peças e padronizar processos em todo o País.

Para Mateus Barcelos, gerente comercial da Tracbel Florestal & Logística, a expansão reforça a presença das duas empresas no mercado brasileiro e deve elevar a produtividade e a disponibilidade dos equipamentos utilizados por operadores logísticos e portuários.

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