terça-feira, maio 5, 2026

Governo aumenta para 41 a ampliação de pontos de parada, mas Brasil segue longe do mínimo exigido pela Lei do Motorista

A expansão da infraestrutura destinada ao descanso de motoristas profissionais ganhou mais unidades durante o lançamento do programa Move Brasil 2. Além de crédito para renovação de frota, o governo federal incluiu no pacote a promessa de entregar 41 novos Pontos de Parada e Descanso (PPDs) voltados a caminhoneiros.

Apesar do avanço político e institucional, o Brasil ainda está muito distante do necessário para cumprir a Lei 13.103/2015 (Lei do Motorista). Atualmente, o país conta com cerca de 167 PPDs reconhecidos ou certificados pelo Ministério dos Transportes, enquanto estimativas do setor apontam a necessidade de 1.000 a 1.500 pontos estruturados ao longo das rodovias federais e estaduais.

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Na prática, isso significa que o país opera com menos de 15% da infraestrutura mínima para assegurar jornadas legais, descanso adequado e segurança viária.

Avanço concentrado apenas nas concessões

Nas rodovias federais concedidas, a implantação dos Pontos de Parada e Descanso (PPDs) integra as obrigações contratuais das concessionárias, sob fiscalização da ANTT, e até o momento oito unidades já foram entregues em trechos de corredores logísticos como a BR‑101, BR‑116, BR‑153 e BR‑163. Essas estruturas oferecem estacionamento, banheiros adequados, áreas de alimentação, espaços de repouso, iluminação e vigilância privada, funcionando de forma contínua e com acesso gratuito — requisitos estabelecidos pela Portaria 4.710/2021 e pela Resolução ANTT 6.054/2024.

Planejamento avança, mas ritmo ainda é insuficiente

Antes do anúncio presidencial, o planejamento da ANTT previa a implantação de 23 novos PPDs até 2027 — cinco em 2026 e 18 em 2027.

Com os 41 pontos anunciados pelo governo, o cronograma nacional ganha novo fôlego, mas especialistas alertam que o ritmo ainda não acompanha a urgência imposta pela legislação.

Pela Lei do Motorista, o condutor não pode dirigir por mais de 5,5 horas ininterruptas.
Considerando velocidade média entre 60 km/h e 70 km/h, seria necessário um ponto de parada a cada 330 km a 380 km, no máximo.

Para garantir margem de escolha e evitar paradas forçadas em locais inseguros, o ideal seria uma oferta a cada 100 km a 150 km nos principais corredores logísticos.

Gargalos persistem

Mesmo com o reforço federal, o Brasil ainda enfrenta obstáculos estruturais que limitam a expansão dos Pontos de Parada e Descanso (PPDs). Entre eles, estão o alto custo de segurança e manutenção das áreas de pernoite, a ausência de incentivos fiscais para operadores privados, a concentração dos investimentos nas rodovias concedidas e a falta de uma política nacional integrada — temas que seguem em debate no PL 1.155/2024, que propõe o Selo Amigo do Motorista.

A insuficiência de PPDs obriga motoristas a recorrer a acostamentos e locais não autorizados, aumentando riscos de acidentes, roubos de carga e problemas de saúde relacionados à fadiga, além de dificultar o cumprimento da legislação trabalhista por transportadoras e embarcadores.

Mesmo com o anúncio de novos pontos pelo governo federal e com a ampliação conduzida pela ANTT, o país permanece distante de uma rede capaz de atender às exigências legais e às necessidades reais do transporte rodoviário, cenário que só deve mudar com uma expansão acelerada, coordenada e integrada entre governo, estados, concessionárias e iniciativa privada.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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