O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 180,7 milhões para a construção de duas usinas de produção de biometano em Vila Velha (ES) e Mauá (SP), desenvolvidas pelas empresas GNR Vila Velha e GNR Mauá, formadas pelos grupos Lara e MDC Energia.
Com investimento total de R$ 245 milhões, os projetos utilizarão biogás gerado pela decomposição de resíduos sólidos urbanos em aterros sanitários para produzir combustível renovável. As unidades terão capacidade conjunta de 97 mil Nm³ de biometano por dia, sendo 32 mil Nm³/dia no Espírito Santo e 65 mil Nm³/dia em São Paulo, com início das operações previsto para o primeiro semestre de 2027.
O financiamento será feito com recursos do Fundo Clima e da linha BNDES Finem. A produção será comercializada por meio de contratos de longo prazo com a Ultragaz. Segundo o banco, as obras deverão gerar 575 empregos temporários e mais de 50 postos permanentes na fase operacional.
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Panorama do Biogás
O Brasil entrou em 2025 com o setor de biogás em forte expansão, alcançando 1.803 plantas cadastradas e produção anual próxima de 5 bilhões de Nm³, segundo o Panorama do Biogás no Brasil 2025, do CIBiogás. O número de unidades cresceu 5% e a produção avançou 6% em relação ao ano anterior, refletindo ganhos de escala, maior capacidade produtiva e evolução tecnológica. Embora a geração de energia elétrica ainda concentre 62% do uso do biogás, o biometano já responde por 34% do volume produzido e registra crescimento recorde, impulsionado pela Lei do Combustível do Futuro e pela regulamentação da ANP. O setor também amplia sua atuação além da gestão de resíduos, abrindo caminho para combustíveis avançados como hidrogênio renovável, metanol verde, combustíveis sintéticos e SAF. São Paulo lidera a produção nacional, seguido por Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais, enquanto Norte e Nordeste recebem novos investimentos para ampliar a presença da atividade. Durante o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, a Itaipu reinaugurou sua unidade de demonstração de biocombustíveis, que passa a produzir biometano veicular e biosyncrude, reforçando o desenvolvimento de tecnologias para combustíveis renováveis. - Mais frotas a gás
A CTN Transportes pretende ampliar sua frota movida a biometano com a compra de 20 novos caminhões Scania, reforçando a liderança da marca nos 212 veículos a gás emplacados no primeiro trimestre. A empresa, que já opera sete caminhões a biometano e cerca de 150 veículos no total, aposta no combustível renovável por ganhos econômicos e técnicos — o custo operacional já se iguala ao do diesel, enquanto o menor desgaste do motor pode elevar a vida útil para até 1,7 milhão de quilômetros. Com produção própria de biometano a partir de resíduos orgânicos, a CTN expande seu modelo de economia circular no Sul do país, opera rotas verdes em vários estados e mira avançar para o Mercosul. Apesar do avanço, a adoção depende do engajamento dos embarcadores. Paralelamente, a frota também está sendo renovada com 25 caminhões Mercedes-Benz Actros Euro 6, combinando diesel mais limpo e transição gradual para combustíveis renováveis. - Rede da Copergás
A Orizon inaugurou no Ecoparque Jaboatão, em Pernambuco, uma planta de biometano de R$ 258 milhões, agora a maior do Nordeste, capaz de produzir 108 mil m³ por dia a partir de resíduos urbanos. A unidade já injeta o combustível diretamente na rede da Copergás, permitindo abastecer frotas leves, pesadas e ônibus a gás comprimido na região metropolitana do Recife. Construída entre 2024 e 2025 e autorizada pela ANP, a planta integra gestão de resíduos e geração de energia renovável, fortalecendo a oferta de gás verde para operadores logísticos. A empresa também planeja abrir mais três fábricas no Nordeste, em Maceió, Aracaju e João Pessoa, ampliando sua presença na produção de biometano. - Frota News amplia alcance global ao firmar parceria com a Newstex
- Primeira planta de biometano da Atvos
A Atvos está investindo mais de R$ 350 milhões na construção de sua primeira planta de biometano em Nova Alvorada do Sul, que deverá produzir cerca de 28 milhões de m³ por safra a partir de resíduos da cana, como vinhaça e torta de filtro. Segundo o vice‑presidente de Operações, Wilson Lucena, o gás renovável será usado principalmente para substituir o diesel na frota da empresa, que já testa caminhões a gás e firmou parceria com a Scania para renovação dos veículos pesados. A companhia projeta instalar outras sete plantas nos próximos anos, alcançando potencial de 137 milhões de m³ por safra e reduzindo até 88,3% das emissões associadas ao uso de diesel, antecipando a expansão do mercado de biometano no país. - Caminhões e ônibus fecham 2025 sob pressão dos juros, aponta Anfavea
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