Ferrovia além das commodities: distribuição de bebidas no São João e na Copa pela Brado

Ferrovia operada pela Brado Logística amplia transporte de bebidas e garante abastecimento no São João e na Copa

Quem disse que trem transporta apenas commodities como minério, açúcar e soja? No Brasil, até o São João e a Copa do Mundo conseguem mudar o rumo dos trilhos. O consumo de bebidas alcoólicas nesses períodos fez a logística nacional literalmente entrar no clima das festas, provocando reflexos diretos no abastecimento dos mercados do Norte e Nordeste.

Dados da Brado Logística mostram que o volume de bebidas transportadas por ferrovia cresceu 122% desde o início da formação dos estoques para os dois eventos. Entre abril e junho, a empresa movimentou 1.372 toneladas de produtos da Cia Müller de Bebidas — fabricante da Cachaça 51, 51 ICE e do conhaque Domus — segundo Mariana Carnevalli, executiva comercial da carteira de Bens de Consumo da Brado. Uma prova de que, quando o brasileiro se prepara para comemorar, até o trem acelera o passo.

O avanço ocorre em uma das épocas mais importantes para o comércio e o turismo nordestino. Só os festejos de São João de Campina Grande (PB) e Caruaru (PE), considerados os maiores do país, movimentaram juntos mais de R$ 1,4 bilhão em 2025, segundo estimativas das organizações dos eventos. Com tanta gente circulando, dançando quadrilha e torcendo pela seleção, a formação antecipada de estoques virou questão de sobrevivência para quem não quer ver prateleira vazia no auge da festa.

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Embora as celebrações aconteçam em junho, a preparação começa meses antes. A indústria precisa antecipar produção, transporte e distribuição para garantir disponibilidade de produtos no pico das vendas. É o caso da Cia Müller de Bebidas, parceira da Brado desde julho de 2025, que utiliza a ferrovia para transportar principalmente Cachaça 51, 51 ICE e o conhaque Domus. Além do consumo direto, a cachaça tem papel estratégico nas festas juninas por ser ingrediente essencial do quentão — aquele que esquenta o corpo e anima o arraial.

A escolha pela ferrovia tem garantido maior previsibilidade e eficiência ao abastecimento da Cia Müller de Bebidas, especialmente em períodos de alta demanda como o São João e a Copa, afirma Marina Flavia da Silva. A operação parte da fábrica em Pirassununga (SP), segue até o terminal multimodal da Brado em Sumaré (SP) e, de lá, percorre cerca de 2,7 mil quilômetros por trem até Davinópolis (MA), onde a carga é distribuída por rodovias para o Norte e Nordeste.

Segundo Mariana Carnevalli, a antecipação dos embarques evidencia o impacto econômico dos eventos e reforça a necessidade de planejamento logístico, algo viabilizado pela estrutura da Brado, capaz de absorver o aumento de volume com regularidade e evitar rupturas no abastecimento.

O avanço também evidencia a expansão do uso da ferrovia no transporte de bens de consumo no Brasil. Tradicionalmente associada às commodities agrícolas e minerais, a modalidade vem ganhando espaço em cadeias que exigem movimentação de grandes volumes por longas distâncias. O terminal do Maranhão reforça esse movimento ao oferecer um ponto estratégico de distribuição para empresas que buscam ampliar sua presença regional com eficiência — e, claro, sem deixar faltar a bebida do quentão.

As principais ações que fez a Brado Logística evita emissões equivalentes a 66 mil carros

A Brado Logística fechou 2025 com 100% de consumo de energia elétrica proveniente de fontes renováveis e registrou melhorias em diversos indicadores de sustentabilidade. Segundo comunicado da companhia enviado à redação da Frota News, a migração para energia limpa ocorreu por meio de negociações no Mercado Livre de Energia, com contratação de fornecedores certificados pelo I-REC (International Renewable Energy Certificate). Além da mudança de matriz energética, a Brado reduziu em 16% o consumo total de eletricidade em relação ao ano anterior. Um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi a adoção de novos servidores de TI, capazes de consumir cerca de 97% menos energia do que modelos anteriores e que praticamente não emitem calor, diminuindo a necessidade de climatização.

Camila Matte, CHRO e executiva de ESG da Brado Logística, afirma que a iniciativa ambiental tem sido incorporada a diferentes áreas da empresa. “Buscamos incorporar a sustentabilidade em diferentes áreas da companhia, incluindo setores que nem sempre são associados a essa agenda. Mais do que uma diretriz ambiental, nosso compromisso é aliar práticas sustentáveis à eficiência operacional”, destaca.

Na gestão de resíduos, a empresa também avançou. Em comparação com 2024, houve redução de 19% no volume enviado a aterros sanitários, enquanto 5,8 mil toneladas foram destinadas à reciclagem ou reaproveitamento. Para Camila Matte, o desempenho reforça a evolução da política interna. “Esse resultado demonstra a evolução da nossa gestão de resíduos e o fortalecimento de uma operação mais circular e eficiente no uso de recursos”, afirma.

Outro destaque está no impacto ambiental do modelo multimodal oferecido aos clientes. De acordo com a Brado, a operação permitiu evitar aproximadamente 306,5 mil toneladas de emissões de gases poluentes ao longo de 2025 — volume equivalente às emissões anuais de cerca de 66 mil automóveis. Para compensar a mesma quantidade de CO² por reflorestamento, seria necessário o plantio de mais de 2 milhões de árvores.

Sobre a empresa

A Brado Logística atua nacionalmente atendendo empresas de diferentes portes que utilizam o transporte multimodal para movimentação de cargas. Sua carteira inclui indústrias, operadores logísticos e companhias que dependem de soluções integradas envolvendo ferrovia e rodovia, o que reforça a presença da empresa em cadeias produtivas estratégicas e de grande relevância econômica.

Entre os clientes listados publicamente pela Brado estão algumas das maiores empresas dos setores de agronegócio, alimentos, proteína animal, papel e celulose, mineração e varejo. Fazem parte desse grupo ADM, Aurora, Biosev, Carrefour, COFCO Agri, Coopavel, Copacol, Cotriguaçu Cooperativa Central, C.Vale, Eldorado Brasil, GT Foods Group, JBS, Lar, Minerva Foods, Nidera, SAMA Minerações Associadas, Toyota Tsusho Sugar Trading Ltd. e Vancouros, evidenciando a diversidade e o peso econômico da base atendida.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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