Encerrou no último dia 7 de maio, a ACT Expo 2026, a maior feira de tecnologias para frota dos Estados Unidos. O nosso colega do International Truck of the Year (IToY), Will Shiers — jornalista das revistas britânicas Commercial Motor, Truck&Drive e Motor Transport — compartilha com os demais membros a sua cobertura do evento e as principais novidades e tendências, publicadas no Brasil com exclusividade pela Frota News. Confira:
Texto e fotos: Will Shiers

Las Vegas (EUA) – A ACT Expo 2026 confirmou uma mudança importante na estratégia das transportadoras norte-americanas: em vez de apostar exclusivamente em caminhões elétricos, as frotas passaram a distribuir investimentos entre diesel renovável, gás, hidrogênio e eletrificação, priorizando redução de risco operacional e menor custo total de propriedade.
O movimento foi detalhado no novo relatório State of Sustainable Fleets, apresentado durante o evento em Las Vegas. Segundo o estudo, a demanda por caminhões elétricos a bateria continua crescendo em aplicações urbanas, operações de pátio e rotas regionais, mas enfrenta obstáculos importantes no transporte pesado de longa distância.
Entre os fatores que desaceleram a adoção em larga escala estão a retirada de incentivos federais, os custos elevados dos veículos, limitações da infraestrutura de recarga e um mercado de fretes ainda enfraquecido nos Estados Unidos pelo terceiro ano consecutivo.
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O relatório também aponta impacto direto das tarifas comerciais sobre o setor, com aumentos que podem chegar a US$ 35 mil no preço de um caminhão novo.
Apesar disso, o mercado segue investindo em tecnologias de descarbonização. Mais de US$ 5 bilhões em incentivos estaduais, locais e de concessionárias permanecem disponíveis anualmente até 2028. Paralelamente, soluções envolvendo inteligência artificial, automação e condução autônoma começam a avançar da fase experimental para aplicações comerciais.

Diesel B20 ganha protagonismo mesmo com avanço dos elétricos
Um dos principais sinais da ACT Expo 2026 foi a permanência do diesel e biodiesel como peças centrais da transição energética do transporte pesado norte-americano.
O Volvo Group apresentou uma nova geração de motores compatíveis com o padrão EPA 2027 para as marcas Volvo Trucks North America e Mack Trucks. Os propulsores Volvo D13 e Mack MP13 compartilham arquitetura comum, entregando até 540 hp e 2.650 Nm de torque.
Segundo as fabricantes, os motores reduzem em mais de 80% as emissões de NOx e ainda melhoram o consumo de combustível. A Mack afirma ganho de até 3% em eficiência energética em relação à geração anterior.
Os novos motores utilizam sistemas de combustão revisados, turbocompressores mais eficientes e softwares preditivos para otimizar dirigibilidade e consumo. Além disso, são compatíveis com diesel renovável, enquanto o Mack MP13 aceita biodiesel B20.
A visão das marcas reforça que, nos Estados Unidos, a descarbonização do transporte pesado deverá ocorrer de forma gradual e multimodal, sem abandono imediato do diesel.
Tesla Semi avança para produção em larga escala

A Tesla voltou a chamar atenção com dois exemplares do Semi disponíveis para demonstrações na ACT Expo 2026.
Agora em produção na Gigafactory de Nevada, o caminhão elétrico Classe 8 começa finalmente a sair da fase de protótipo iniciada em 2017. O modelo oferece autonomia de até 800 quilômetros e conjunto motriz tri-motor com mais de 1.000 hp.
Embora os testes no evento ainda tenham sido restritos a passageiros, a presença do Semi reforçou a expectativa de expansão comercial do modelo em operações de transporte regional e rotas dedicadas.
A Tesla também exibiu um Cybertruck utilizado pelo Departamento de Polícia Metropolitana de Las Vegas. A corporação opera uma frota de dez unidades adaptadas com equipamentos táticos, luzes e sirenes, formando atualmente a maior frota policial do modelo nos Estados Unidos.

Hidrogênio tenta ganhar escala comercial
Outra aposta apresentada na ACT Expo foi o avanço dos caminhões movidos a célula de combustível de hidrogênio.
A Toyota Motor North America anunciou parceria com a Hyroad Energy para colocar em operação 40 caminhões Classe 8 movidos a hidrogênio no sul da Califórnia.
O projeto inclui fornecimento integrado de veículos, manutenção, software operacional e abastecimento de hidrogênio. A iniciativa ganhou força após a aquisição, pela Hyroad, de ativos da Nikola Corporation, incluindo mais de 100 caminhões.
Os modelos prometem autonomia de até 800 quilômetros e abastecimento rápido, buscando competir diretamente com aplicações hoje dominadas pelo diesel.
Fabricantes ampliam portfólio elétrico para médias distâncias
Enquanto o transporte pesado de longa distância ainda enfrenta barreiras, os caminhões elétricos médios seguem avançando.
A Harbinger Motors apresentou o HC Series, disponível em versões totalmente elétricas e híbridas com extensor de autonomia. O modelo utiliza arquitetura modular de 800V e pode alcançar até 338 quilômetros na configuração elétrica ou aproximadamente 800 quilômetros na versão híbrida.
Já a Hino Trucks revelou o Le Series, caminhão elétrico médio nas versões L6e e L7e, voltado para operações urbanas e regionais. Equipado com baterias de 269 kWh da Hexagon Purus, o modelo permite recarga rápida de 0 a 80% em menos de duas horas.
A Horizon Motor também mostrou o HM8 BEVSM, cavalo mecânico elétrico 6×4 para operações regionais de maior peso, montado em Ohio e com proposta voltada ao transporte regional.
Componentes inteligentes focam eficiência operacional
Além dos veículos, fornecedores apresentaram soluções voltadas à redução de consumo e aumento da eficiência operacional.
A Hendrickson estreou o eixo motriz elétrico ELECTRAAX para caminhões médios. Desenvolvido em parceria com a Driventic, o sistema integra motor, inversor, transmissão e eixo em uma única unidade, alcançando eficiência declarada de até 94%.
Já a FlowBelow Aero lançou uma nova tampa aerodinâmica de rodas com sistema “Easy Air Access”, que facilita a verificação da pressão dos pneus sem necessidade de remover componentes. Segundo a empresa, a solução pode reduzir o consumo de combustível em aproximadamente 1,74%.
A ACT Expo 2026 mostrou que a transição energética do transporte pesado nos Estados Unidos entrou em uma fase mais pragmática. Em vez de uma corrida exclusiva pela eletrificação, o setor agora busca combinar tecnologias diferentes conforme aplicação, infraestrutura disponível e viabilidade econômica.
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