Furgões: Toyota Hiace 2026 desafia Sprinter e Transit no Brasil — veja avaliação

A Frota News avaliou por sete dias a Toyota Hiace Furgão Teto Alto 2026, modelo que marca a entrada da marca japonesa no segmento de vans de carga no Brasil. Em um mercado dominado por Sprinter, Transit, Ducato e Master — todas maiores e com propostas mais amplas — a Hiace aposta em um pacote singular: porte mais compacto, altura externa de 2,28 m, câmbio automático de série e mecânica derivada da Hilux.

O resultado é um furgão que não tem concorrente direto em dimensões, mas que se posiciona como alternativa para operações urbanas, entregas em centros comerciais e frotas que priorizam confiabilidade e facilidade de manutenção.

A Hiace chega ao país com motor 2.8 turbodiesel de 174 cv e 450 Nm, câmbio automático de 6 marchas e tração traseira. O volume de carga é de 9,3 m³, com capacidade útil de 1.055 kg — números que a colocam abaixo das versões maiores de Sprinter, Transit e Ducato, mas acima de minifurgões compactos.

O grande diferencial está na altura externa de 2,28 m, que permite acesso a subsolos de shoppings, garagens de prédios corporativos e docas com restrição de altura — um ponto crítico para operações urbanas de última milha.

Desempenho e dirigibilidade

Durante a avaliação, o conjunto mecânico mostrou o que já se espera do “DNA Hilux”: robustez, torque abundante em baixa rotação e respostas previsíveis, mesmo com carga. O câmbio automático de 6 marchas, embora menos sofisticado que os rivais de 9 e 10 marchas, entrega trocas suaves e prioriza simplicidade e durabilidade.

A tração traseira ajuda na estabilidade com carga, e a direção tem bom peso para manobras em áreas apertadas. A suspensão traseira por feixes de mola privilegia robustez, mas transmite mais irregularidades quando o veículo está vazio — comportamento típico de vans com foco operacional.

Consumo

No uso misto e o trânsito pesado de São Paulo, o consumo ficou em torno de 8 km/l, com a melhor média de 9,5 km/k, dados pouco abaixo dos indicados pelos testes do Inmetro feito em laboratório para uma média nacional: 8,8 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada. São números coerentes com o porte e o motor 2.8, e competitivos frente às rivais maiores.

O tanque de 70 litros complementa o conjunto, permitindo boa autonomia mesmo em rotinas de alta quilometragem diária, com autonomia de 560 km na pior média do teste.

Espaço de carga e operação

O compartimento de carga é um dos pontos altos do modelo. Os 9,3 m³ e 1.055 kg de capacidade de carga são números que a posicionam como uma van de porte intermediário — menor que Sprinter, Transit e Ducato nas versões de maior baú, mas mais compacta e fácil de manobrar no ambiente urbano.

O espaço interno é favorecido pelo entre‑eixos de 3.860 mm e pela carroceria de 5.915 mm de comprimento, que resultam em um compartimento de carga bem distribuído, com paredes retas e boa altura útil graças aos 2.280 mm de altura total. Isso permite acomodar embalagens volumosas, com paredes internas regulares e boa altura útil. As portas laterais deslizantes em ambos os lados, única no Brasil com essa funcionalidade, e a porta traseira bipartida com abertura ampla facilitam o trabalho em docas estreitas e operações de carga rápida.

Outro ponto relevante é o vão livre do solo de 184 mm, que ajuda a enfrentar rampas, lombadas e docas irregulares sem risco de raspadas — algo importante para operações de carga e descarga frequentes. Os ângulos de ataque (17,6°) e saída (20,2°) reforçam essa aptidão para uso urbano intenso, especialmente em centros logísticos com acessos inclinados.

No uso prático, a combinação de volume de 9,3 m³, altura externa de 2,28 m e portas laterais deslizantes dos dois lados torna a Hiace particularmente eficiente em entregas de última milha, operações em shoppings, centros comerciais e garagens com restrição de altura. Esse é um cenário onde rivais maiores frequentemente não conseguem acessar, exceto furgões menores, com capacidade para 6,1 m³ e câmbio manual.

Equipamentos de segurança

O furgão oferece um pacote de tecnologia e segurança que cobre os itens essenciais esperados em um furgão de uso profissional, mas deve tecnologias mais avançadas, como ADAS, ACC e frenagem autônoma. O modelo vem equipado com três airbags (dois frontais e um de joelho), além de controle de estabilidade (obrigatório por lei desde janeiro de 2024) e controle de tração (TRC), que atuam de forma conjunta para manter o veículo estável mesmo em manobras bruscas ou em pisos de baixa aderência. O assistente de partida em rampa (HAC) também está presente e facilita arrancadas em aclives, evitando o recuo involuntário.

O sistema de freios com discos nas quatro rodas segue o padrão no segmento. Ele conta com ABS, distribuição eletrônica de frenagem (EBD) e assistência de frenagem de emergência (BAS), que melhora a eficiência das frenagens em diferentes condições de peso e superfície.

Para auxiliar nas manobras, especialmente em docas apertadas e estacionamentos subterrâneos, a Hiace traz sensores (dianteiro e traseiro) de estacionamento e câmera de ré, itens que contribuem para reduzir riscos de colisão em ambientes operacionais mais restritos.

Apesar do pacote adequado ao segmento, há um ponto que merece atenção: a qualidade da câmera de ré. A avaliação aponta que a resolução é inferior ao padrão atual do mercado, o que compromete a nitidez da imagem em manobras mais delicadas. A central multimídia também poderia oferecer mais recursos de conectividade e uma experiência de uso mais moderna, especialmente considerando o perfil de frotas que já operam com sistemas integrados de telemetria e gestão.

Hiace
Painel da Toyota Hiace. Foto: Divulgação

Produção e mercado

A Toyota Hiace vendida no Brasil é montada na Argentina em regime CKD, não um produto totalmente “feito” no país de origem como um veículo integralmente nacionalizado. Os kits de peças vêm majoritariamente do exterior (sobretudo do Japão), e a montagem é feita na planta de Zárate, na mesma fábrica onde são produzidos Hilux e SW4.

Ao mesmo tempo, há conteúdo regional relevante: o motor 2.8 turbodiesel e o eixo traseiro são produzidos em Zárate e compartilhados com Hilux e SW4, e a Toyota fala em cerca de 13 fornecedores argentinos e quase 100 brasileiros envolvidos em componentes da Hiace, com plano de aumentar a integração local ao longo do tempo.

O preço de fábrica é de R$ 304.990, porém, segundo a Fipe, o preço médio praticado é de R$ 276.442. No primeiro quadrimestre deste ano, a Toyota emplacou 764 unidades, segundo a Fenabrave. Fonte ligada à rede de concessionárias Toyota, os números não são maiores porque a produção ainda é baixa, e poucas unidades são entregues à rede para vendas. Além disso, esses números referem-se a van de passageiro, que teve uma ampla publicidade, diferentemente do furgão, ainda bastante desconhecido.

Toyota Hiace
Hiace vendida no Brasil é montada na fábrica argetina da Toyota

Comparativo editorial: onde a Hiace se encaixa

Embora a Toyota Hiace não tenha um concorrente direto em porte — já que nenhuma rival combina altura abaixo de 2,30 m, volume próximo de 9 m³ e câmbio automático de série — ela disputa espaço com as versões automáticas de Mercedes‑Benz Sprinter 317 (10,5 m³ de capacidade do baú e 2,62 m de altura) e Ford Transit (10,7 m³ e 2,77 m).

O furão Mercedes‑Benz Sprinter 317 AT disputa com a Ford Transit a posição de mais sofisticada. Com motor 2.0 turbodiesel OM654, câmbio 9G‑Tronic de nove marchas e foco em conforto, ela entrega condução mais suave, maior refinamento e pacotes de assistência mais avançados. É também a maior em dimensões externas e volume, o que a torna menos prática em garagens e centros urbanos. O preço acompanha o pacote: é a opção mais cara entre as vans automáticas. Preço sugerido de fábrica: R$ 357.800; Fipe: R$ 360.133.

O furgão Ford Transit Furgão AT disputa com a Srpinter a posição de mais sofisticada. O motor 2.0 EcoBlue trabalha em conjunto com um câmbio automático de 10 marchas, o mais moderno do segmento, que mantém o motor sempre em faixa ideal de torque e consumo. O volume de carga é superior ao da Hiace, e o pacote de ADAS é mais completo. Em contrapartida, a altura externa elevada limita o acesso a subsolos e docas com restrição de altura. Preço sugerido de fábrica: Consulte um concessionárioo. Consultamos a Caoa, que anuncia em um marketplace por R$ 234.900; Fipe: R$ 296.878.

Pontos fortes identificados pela Frota News

  • Conjunto mecânico robusto e confiável, herdado da Hilux.
  • Câmbio automático de série, ainda raro entre furgões de carga.
  • Altura externa de 2,28 m, ideal para centros urbanos.
  • Acesso ao baú facilitado, com portas laterais duplas e traseira bipartida.
  • Reputação Toyota, fator decisivo para frotas de alto giro.

Pontos a melhorar

  • Multimídia e câmera de ré abaixo do padrão do segmento.
  • Conforto a vazio limitado pela suspensão por feixes de mola.

 

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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