Brasil avança na produção de ferro fundido e aço de baixo carbono, com Schulz e Gerdau liderando soluções sustentáveis para a indústria automotiva
A descarbonização da cadeia automotiva e do transporte de cargas pode começar a origem da produção dos veículos com a chegada de novos materiais industriais de baixa pegada ambiental. Além do lançamento do aço de baixa emissão da Gerdau, o país agora conta também com ferro fundido produzido com 70% menos carbono, resultado de um conjunto de iniciativas implementadas pela metalúrgica catarinense Schulz.
A Gerdau apresentou ao mercado a linha NewEco, desenvolvida para atender montadoras, fabricantes de autopeças e encarroçadoras que buscam rastreabilidade ambiental em seus insumos. A solução combina três pilares: uso intensivo de sucata ferrosa, energia 100% renovável e metodologia de medição de emissões auditada.
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Segundo a empresa, cerca de 70% de sua produção já tem como base a sucata, enquanto aproximadamente 10 milhões de toneladas são recicladas por ano. A energia utilizada no processo é totalmente renovável, o que ajuda reduzir a pegada de carbono. Esses avanços colocam o Brasil em sintonia com práticas já adotadas por montadoras europeias, como a Volvo Trucks, que utiliza aço de baixa emissão em seus veículos.
Schulz reduz em 70% as emissões na produção de ferro fundido
A novidade mais recente vem da Schulz S.A., que alcançou redução de 70% nas emissões de carbono na produção de ferro fundido — um marco relevante para setores como automotivo, agrícola e de construção.
O resultado foi obtido por meio de um conjunto de iniciativas estruturais. A empresa passou a operar com 100% de energia renovável em seu parque fabril em Joinville (SC), após tornar-se sócia do Complexo Solar Janaúba, a maior planta solar do Hemisfério Sul. A isso se soma a aquisição de energia eólica, neutralizando as emissões de Escopo 2.
Outro avanço veio da modernização do processo de fundição, com fornos de indução de alta eficiência e uso ampliado de sucata metálica. A Schulz também desenvolveu novas ligas para maximizar a circularidade e incorporou briquetes de cavaco metálico, reaproveitando resíduos da própria usinagem.

A empresa ainda investe na regeneração da areia de fundição, reduzindo o descarte e ampliando o reaproveitamento em obras civis. Estudos em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina buscam novas aplicações para esse material. Segundo o CEO Sandro Trentin, a solução posiciona o Brasil de forma competitiva.
Principais fabricantes de aço de baixo carbono:
A Gerdau é, de fato, uma referência global (com uma das menores intensidades de emissão do mundo, cerca de 0,85 t de CO₂ por tonelada de aço), mas o cenário internacional está avançando rápido, especialmente na Europa e na Ásia.
Aqui estão os principais players globais que lideram a produção de aço de baixo carbono em 2026:
1. SSAB (Suécia)
A SSAB é considerada a líder tecnológica no setor através do projeto HYBRIT. Diferencial: Eles eliminaram o carvão mineral e utilizam hidrogênio verde para reduzir o minério de ferro. Já entregam aço comercialmente (o SSAB Fossil-free™ steel) para clientes como Volvo Trucks e Mercedes-Benz.
2. ArcelorMittal (Global)
A maior produtora de aço do mundo (fora da China) possui uma estratégia robusta chamada XCarb®. Diferencial: Eles utilizam uma combinação de alta reciclagem de sucata em fornos elétricos e tecnologias de captura de carbono (CCUS). Em 2025, a empresa já estava entregando centenas de milhares de toneladas de aço de baixa emissão na Europa.
3. H2 Green Steel / Stegra (Suécia)
Uma startup industrial que se tornou um gigante do setor. Diferencial: Construíram do zero uma planta projetada apenas para aço verde, utilizando a maior planta de eletrólise de hidrogênio do mundo. Ela é focada quase exclusivamente em atender fabricantes de veículos e grandes infraestruturas que exigem pegada de carbono quase nula.
4. Thyssenkrupp Steel (Alemanha)
Focada na transformação de suas gigantescas usinas no Vale do Ruhr. Projeto tkH2Steel: Estão substituindo altos-fornos tradicionais por plantas de redução direta movidas a hidrogênio. É uma das transições industriais mais caras e complexas da Europa.
5. Fabricantes Asiáticos (China e Coreia do Sul)
Embora a China ainda dependa muito do carvão, a mudança é massiva:
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HBIS Group (China): Exportou seu primeiro lote de aço verde para a Europa em 2025, utilizando metalurgia baseada em hidrogênio.
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Baowu Steel (China): Uma das maiores produtoras está expandindo o uso de fornos elétricos e energia solar para descarbonizar sua linha de produtos.
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POSCO (Coreia do Sul): Desenvolveu a tecnologia HyREX, que permite usar minério de ferro fino (mais barato e abundante) diretamente com hidrogênio.
O grande diferencial entre eles costuma ser a fonte de energia: enquanto a Gerdau faz uso de sucata e florestas plantadas, os europeus estão apostando tudo no hidrogênio, e os chineses na eletrificação acelerada com energia solar e eólica.
Fabricantes da Indústria Automotiva
O setor automotivo é o pioneiro no uso desse material devido às metas rígidas de descarbonização (Escopo 3).
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Volvo Group: Foi a primeira fabricante do mundo a entregar um veículo (um caminhão basculante) feito com aço livre de combustíveis fósseis da SSAB em 2021.
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Mercedes-Benz: Possui parcerias com a H2 Green Steel e a SSAB para integrar o aço verde em seus carros de passeio e vans.
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BMW: Firmou acordos para utilizar aço produzido via energia solar e hidrogênio em suas fábricas europeias.
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Volkswagen: Recentemente fechou parcerias com a Salzgitter AG para suprir suas linhas de produção com aço de baixa emissão a partir de 2026.
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Scania: Já iniciou a transição para que toda a sua cadeia de suprimentos de aço na Europa seja “verde” até 2030.
Fabricantes de Implementos Rodoviários
No setor de carretas e reboques, a adoção foca na redução do peso e na sustentabilidade do ciclo de vida.
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Schmitz Cargobull: A gigante alemã já utiliza aços de alta resistência e baixa pegada de carbono em seus chassis para reduzir o peso e o impacto ambiental.
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Randon: Através da Randoncorp, a empresa tem investido em parcerias e P&D para utilizar materiais mais leves e sustentáveis, incluindo ligas de aço de alta resistência que permitem processos produtivos menos poluentes.
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