quinta-feira, abril 9, 2026

Indústria de máquinas agrícolas prevê crescimento de 8,2% e as mais vendidas

Projeção otimista da Abimaq após o término da Agrishow aponta retomada do setor, com expectativa de movimentar R$ 65 bilhões até o fim do ano 

A 30ª edição da Agrishow, a maior feira agrícola da América Latina, terminou com uma projeção animadora para o setor de máquinas e equipamentos voltados ao agronegócio. A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) anunciou que as vendas de máquinas agrícolas devem crescer 8,2% em 2025, atingindo um faturamento estimado de R$ 65 bilhões. 

O otimismo vem na esteira de uma recuperação do setor após anos de retração, marcada por desafios climáticos, gargalos logísticos e crédito restrito. A nova estimativa da Abimaq reflete o desempenho positivo do primeiro trimestre e a retomada dos investimentos dos produtores rurais em tecnologias de ponta. 

Leia também:

Caminhões a gás urbano: Scania P 280 vs. Iveco NG vs. VW Constellation 26.280 

Agrale amplia portfólio de tratores com três novos modelos 

Agronegócio precisa ser mais “pop” na COP30 

Setor de máquinas e equipamentos cresce 15,2% no início de 2025 

Dados apresentados pela Abimaq revelam que a indústria de máquinas e equipamentos, como um todo, registrou um faturamento de R$ 67,5 bilhões entre janeiro e março de 2025 – um avanço de 15,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Especificamente no segmento agrícola, o crescimento foi de 13%, impulsionado por melhora nas condições climáticas e pelo aumento da produtividade no campo. 

Noma do Brasil amplia portfólio de produtos com a linha Work Series

Máquinas agrícolas representam 22% da indústria de equipamentos 

O segmento agrícola se consolidou como um dos pilares da indústria nacional de máquinas. Atualmente, 22% das vendas totais do setor são destinadas ao agronegócio, segundo dados da Abimaq. A forte presença do campo nas estatísticas reforça a relevância do setor não só para o PIB agropecuário, mas para toda a cadeia produtiva brasileira. 

Agrishow 2025: feira gera R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios 

Um dos principais termômetros do setor, a Agrishow 2025 gerou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios, crescimento de 7% em relação à edição de 2024. A feira, realizada entre 28 de abril e 2 de maio em Ribeirão Preto (SP), reuniu milhares de produtores, fabricantes, distribuidores e representantes de políticas públicas do agro. 

Esse resultado expressivo reforça o momento de retomada e confiança do produtor rural, que voltou a investir fortemente em maquinário, inovação e soluções tecnológicas para enfrentar os novos desafios da agricultura moderna. 

Avanço tecnológico impulsiona eficiência no campo 

Entre os destaques da Agrishow 2025 estiveram as soluções digitais e tecnológicas voltadas à produtividade e sustentabilidade. Fabricantes apresentaram sistemas de Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT), Big Data, drones e sensores inteligentes, todos voltados à agricultura de precisão e ao uso racional dos recursos naturais. 

Segundo especialistas presentes no evento, a inovação será a chave para manter a competitividade da agricultura brasileira em um cenário global cada vez mais exigente em termos de eficiência, rastreabilidade e redução de impactos ambientais. 

Ameaça ao crescimento: taxas de juros elevadas 

Apesar das boas perspectivas, a Abimaq fez um alerta durante coletiva de imprensa na Agrishow: as taxas de juros ainda representam um grande entrave ao setor. A taxa Selic, mantida em 14,25%, somada às condições de financiamento pouco atrativas dos bancos privados – com juros que podem ultrapassar 21% ao ano – dificultam o acesso do produtor ao crédito. 

A entidade espera que o novo Plano Safra 2025/26, previsto para ser anunciado em breve, traga linhas de financiamento mais acessíveis e com juros subsidiados, permitindo a manutenção do ritmo de crescimento.

Tendência de demandas por modelos de tratores

Ouvimos especialistas das principais fabricantes de máquinas agricolas para entendermos quais são os modelos de maior tendência para 2025. Confira a seguir:

Tratores
  • máquinas agrícolas
    John Deere Série 8R, modelo 8R 410

    John Deere Série 8R: Destaca-se pela potência e tecnologia embarcada, sendo indicado para grandes propriedades.

  • Valtra Série S6: Apresenta inovações em eficiência energética e conectividade, atendendo às demandas de sustentabilidade no campo.

Colheitadeiras

  • Máquinas agrícolas
    New Holland CR11

    New Holland CR11: Reconhecida como a maior colheitadeira do mundo, com sistema de duplo rotor e tecnologia IntelliSense para ajustes automáticos durante a colheita.

  • Case IH Axial-Flow AF10 Automation: Destaque por seu rotor único e sistema de automação 2.0, que inclui manobras autônomas e suporte remoto.

Plantadeiras e Pulverizadores

  • Nissey Plantadeira 1111: Indicada para plantio de precisão, com opções de 10 e 11 linhas, adaptando-se a diferentes culturas e espaçamentos.

  • Jacto Uniport 3030: Pulverizador com tecnologia de aplicação localizada e conectividade, visando eficiência e redução de custos operacionais.

Esses modelos refletem as tendências atuais do setor agrícola, que busca por máquinas com maior eficiência, tecnologia embarcada e sustentabilidade. A escolha do equipamento ideal dependerá das necessidades específicas de cada propriedade e das culturas cultivadas.

Se inscreva no Canal FrotaCast

Conclusão: otimismo com moderação e olhar atento às políticas públicas 

A estimativa de crescimento de 8,2% nas vendas de máquinas agrícolas em 2025 marca um ponto de virada para a indústria de bens de capital voltados ao campo. A confiança é sustentada por uma combinação de safra robusta, investimentos em tecnologia e retomada da confiança do produtor. 

No entanto, especialistas alertam que o crédito rural acessível continuará sendo essencial para que o setor mantenha o ritmo de crescimento. A Agrishow 2025 mostrou que a inovação está no centro da agenda agroindustrial, mas a definição de políticas públicas eficazes será o diferencial para consolidar esse ciclo positivo. 

 

Fraude no INSS: escândalo bilionário pode ter atingido caminhoneiros e ameaça confiança no sistema

0

No último dia 23 de abril, o Brasil foi novamente sacudido por um escândalo de corrupção — desta vez, no coração da Previdência Social. Um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) veio à tona, revelando que milhões de beneficiários, especialmente idosos e pessoas de baixa renda, foram sistematicamente lesados ao longo de quase uma década. 

O impacto, porém, pode ter ido além dos aposentados urbanos. Caminhoneiros autônomos e trabalhadores do transporte que contribuem como segurados individuais ou facultativos também podem ter sido atingidos, especialmente entre os que identificaram descontos indevidos em seus benefícios previdenciários. 

Caminhoneiros: vítimas invisíveis da fraude 

Embora o foco inicial das investigações não tenha sido o setor de transporte, há fortes indícios de que caminhoneiros também estejam entre os prejudicados. Muitos profissionais da estrada — que já enfrentam longas jornadas, instabilidade financeira e riscos constantes — dependem da Previdência para garantir aposentadoria, auxílio-doença ou salário-maternidade. 

Leia também:

Shineray lança SHI 250 2026 que pode atender operações de apoio logístico 

Os motores mais potentes do agro e transporte, lado a lado

Mercedes-Benz Special Trucks: a força por trás da mobilidade militar 2025

Fraudes dessa magnitude abalam a confiança no sistema e incentivam a informalidade, o que pode deixar milhares de trabalhadores desprotegidos em situações de vulnerabilidade. Se o caminhoneiro percebe que está pagando por um sistema que não o protege, ele tende a se afastar. O prejuízo é coletivo: para ele, para a categoria e para o equilíbrio previdenciário do país. 

Como funcionava o esquema 

De acordo com a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), o esquema de corrupção operava por meio de descontos indevidos nos benefícios do INSS, repassados a entidades que, em muitos casos, não prestavam qualquer serviço real aos beneficiários. Estima-se que cerca de R$ 8 bilhões tenham sido desviados, sendo R$ 4,1 bilhões apenas entre 2023 e 2024. 

A fraude, que pode ter começado em 2016, cresceu descontroladamente a partir de 2022, após a revogação da Medida Provisória 871/2019, que obrigava a renovação periódica da autorização para descontos de entidades e sindicatos. Sem esse controle, o sistema ficou mais vulnerável e os saques se intensificaram. 

Omissão, negligência ou cumplicidade? 

A gravidade do escândalo provocou desgaste no governo federal. O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, admitiu em coletiva recente que “sabia das fraudes, mas não do volume delas”. O Tribunal de Contas da União (TCU) já havia alertado o órgão sobre irregularidades detectadas entre o segundo semestre de 2023 e abril de 2024. 

A omissão do governo levanta um questionamento importante: até que ponto houve conivência ou negligência com um esquema que saqueava os mais vulneráveis da sociedade? 

Impactos no transporte: mais rigidez e menos segurança para o trabalhador 

Além do prejuízo financeiro direto, a exposição desse tipo de esquema pode levar a uma rigidez maior na concessão de benefícios. Isso significa que autônomos e pequenos transportadores — especialmente os que enfrentam dificuldades de comprovar renda e tempo de contribuição — podem encontrar ainda mais barreiras para acessar auxílios do INSS. 

O setor já enfrenta desafios estruturais, como a precarização do trabalho e a falta de políticas públicas voltadas aos profissionais da estrada. Este novo episódio escancara outro problema: a falta de proteção efetiva mesmo quando o trabalhador cumpre suas obrigações previdenciárias. 

O que pode ser feito? 

Para especialistas, é urgente que o governo federal reestabeleça mecanismos de controle e transparência, como a revalidação periódica de autorizações para descontos e a criação de canais diretos para contestação de cobranças suspeitas. 

Se inscreva no Canal FrotaCast:

 

Além disso, representantes do setor de transporte pedem maior participação nas decisões que envolvem a Previdência, reforçando a importância de proteger quem mantém o Brasil em movimento — especialmente os caminhoneiros e transportadores autônomos, que já lidam com uma rotina exaustiva e instável. Isto é, o governo admite em alto e bom som que sabia, mas nada fez para impedir que a roubalheira continuasse. A pergunta que fica é: negligência, omissão ou cumplicidade? 

Nota:

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam, necessariamente, a visão deste veículo.

Caminhão autônomo fez viagem de 1.930 km em operação real nos EUA

Enquanto os EUA iniciam operações comerciais em vias públicas com caminhão autônomo, o Brasil concentra sua automação em zonas industriais e mineradoras. A diferença? Infraestrutura, regulação e ambição tecnológica. 

Quando o assunto é caminhões autônomos, uma tecnologia que promete aumentar a segurança nas estradas e mitigar a falta crônica de motoristas, há um vácuo entre os Estados Unidos e o Brasil por razões até óbvias — como a precariedade da infraestrutura viária, a ausência de conectividade confiável e o atraso em legislações específicas no território nacional. Não que o Brasil esteja alheio à revolução. Os caminhões autônomos já são uma realidade por aqui, especialmente em setores fechados como mineração, logística portuária e operações agrícolas. Porém, quando o tema é o uso de veículos autônomos em vias públicas, podemos dizer sem exagero que há um abismo entre o Hemisfério Norte e o Sul. 

Estados Unidos: do teste à operação comercial nas estradas 

Em abril de 2025, a Aurora Innovation se tornou a primeira empresa a lançar oficialmente uma operação de transporte comercial com caminhões autônomos pesados em vias públicas nos EUA. O feito histórico envolveu o transporte de produtos congelados por mais de 1.930 quilômetros entre Dallas e Houston, no Texas, sem qualquer intervenção humana. 

O caminhão operava com o Aurora Driver, sistema de direção autônoma Nível 4 na escala da SAE, com câmeras, radares e sensores LiDAR que detectam obstáculos a mais de 450 metros. O projeto foi precedido por quatro anos de testes e mais de 4.828.020 de quilômetros rodadas de forma supervisionada. 

Outras empresas também integram esse ecossistema: 
  • Waymo Via, da Alphabet (Google), testa caminhões Freightliner Cascadia autônomos em vários estados. 
  • Kodiak Robotics já opera o primeiro “truckport” (ponto de apoio exclusivo para caminhões autônomos) na Geórgia. 
  • Plus realiza testes com seu sistema SuperDrive no Texas e na Suécia. 

Leia também

Agronegócio precisa ser mais “pop” na COP30 

Noma do Brasil amplia portfólio de produtos com a linha Work Series

Entenda os cinco níveis de veículos autônomos definidos pela SAE

Além da tecnologia, os EUA contam com infraestrutura adaptada e políticas estaduais permissivas: Texas, Arizona e Arkansas lideram essa revolução com regulamentações pró-autonomia. Há estados em prol da restrição, como Califórnia e Indiana. A ausência de um marco regulatório federal ainda é um gargalo, mas mesmo isso não impediu a evolução do setor. 

Brasil: realidade autônoma, mas confinada 

Enquanto os EUA colocam caminhões sem motorista em suas rodovias, o Brasil aposta em operações confinadas — ou seja, fora de vias públicas. A líder desse movimento é a Vale, que desde 2016 opera caminhões fora de estrada autônomos na mina de Brucutu (MG). Hoje, a empresa já conta com 24 caminhões autônomos, 18 perfuratrizes e 30 máquinas de pátio operando sem intervenção humana em suas minas em Carajás (PA) e Minas Gerais. 

caminhão autônomo
Caminhão autônomo da Caterpillar em operação na mina Brucutu, da Vale

Os veículos da Vale, fabricados pela Caterpillar, têm capacidade para até 320 toneladas e operam com rede 4G privada. A empresa estima uma redução de 10% no consumo de combustível e 15% nos custos de manutenção, além de ganhos expressivos em segurança: nenhuma fatalidade registrada desde o início da operação autônoma. 

Outra iniciativa relevante é a da Lume Robotics, startup capixaba que colocou o primeiro caminhão 100% autônomo do Brasil para operar dentro do terminal portuário de Aracruz (ES), transportando celulose. Em parceria com a Suzano, a Lume também desenvolve o primeiro caminhão elétrico autônomo sem cabine da América Latina. 

O abismo estrutural e regulatório 

A grande diferença entre os dois países não está apenas na tecnologia, mas sim na capacidade de escalar e integrar essas soluções à malha pública de transporte. Enquanto o Texas, por exemplo, já conta com rotas logísticas exclusivas para veículos autônomos, no Brasil sequer se discute um marco regulatório nacional específico para esses veículos. 

As principais barreiras para a adoção de caminhões autônomos em vias públicas no Brasil incluem: 

  • Infraestrutura rodoviária precária, com sinalização deficiente e manutenção irregular; 
  • Conectividade limitada, especialmente fora dos grandes centros urbanos; 
  • Ausência de regulamentação nacional que defina parâmetros para operação autônoma em rodovias; 
  • Baixo incentivo à inovação em transporte pesado por parte do setor público. 

Em outras palavras, enquanto os EUA estruturam uma rede de apoio legal, logístico e tecnológico, o Brasil ainda depende do setor privado para impulsionar qualquer avanço — restrito a ambientes controlados, fechados, e com investimentos próprios. 

Caminhões autônomos e o futuro da logística 

A promessa dos caminhões autônomos vai além da redução de custos. O setor de transporte rodoviário enfrenta uma crise global de escassez de motoristas — nos EUA, o déficit pode chegar a 160 mil profissionais até 2030, segundo a American Trucking Associations. A automação aparece como uma saída viável, especialmente para rotas longas, repetitivas e de alto custo humano. 

Se inscreva no Canal FrotaCast!

Conclusão: dois mundos sobre rodas 

A comparação entre Brasil e Estados Unidos no campo dos caminhões autônomos não é apenas tecnológica — é estrutural, política e estratégica. Enquanto o país norte-americano avança com testes públicos e parcerias com gigantes do setor de logística, o Brasil se mostra eficiente apenas onde consegue isolar o ambiente e controlar todas as variáveis. 

Investimento em EVs gera crise de caixa livre nas montadoras 

Nos últimos dois anos, as 28 maiores montadoras do mundo viram seu caixa derreter. A queda no fluxo de caixa livre (free cash flow) acumulado foi de aproximadamente 75%, passando de um pico de US$ 144 bilhões (R$ 741,6 bilhões) em setembro de 2022 para apenas US$ 36 bilhões (R$ 185,4 bilhões) em dezembro de 2024. O número evidencia uma mudança drástica na saúde financeira de um setor que movimenta trilhões de dólares por ano. O motivo? Um volume sem precedentes de investimentos em eletrificação, software e plataformas digitais de mobilidade. 

O que está acontecendo? 

Empresas como Mercedes-Benz, Tesla, Toyota, GM, Volkswagen, Stellantis, BYD e Ford estão em meio a uma transformação estrutural que exige aportes bilionários em novas tecnologias. A corrida por veículos elétricos, soluções digitais e serviços de mobilidade conectada transformou as montadoras em verdadeiras empresas de tecnologia. Mas, como mostram os números, essa mudança está custando caro e ainda não trouxe retorno proporcional. 

Segundo dados compilados por analistas de mercado e confirmados por relatórios financeiros das fabricantes, o fluxo de caixa livre combinado do setor caiu de US$ 144 bilhões (R$ 741,6 bilhões) no 3º trimestre de 2022 para US$ 36 bilhões (R$ 185,4 bilhões) no 4º trimestre de 2024. Embora tenha havido uma leve recuperação de 3% no último trimestre, o patamar atual ainda representa uma retração drástica em relação ao auge. 

caixa livre
Fonte: Relatório das montadoras

Leia também:

Agronegócio precisa ser mais “pop” na COP30 

Volare apresenta micro-ônibus sustentáveis e versáteis na Agrishow

Scania, Toyota e Yusen Logistics lideram logística com primeiro bitrem de 9 eixos na Argentina 

O colapso do caixa, empresa por empresa 

A Stellantis, uma das maiores montadoras do mundo, viu seu fluxo de caixa industrial cair cerca de €18,9 bilhões (R$ 120,8 bilhões) em 2024, segundo seu relatório oficial apresentado aos investidores. A empresa atribui essa queda à diminuição do lucro operacional e ao aumento expressivo dos investimentos em novos produtos elétricos e infraestrutura fabril.  

A Ford é outro exemplo emblemático. A empresa acumulou perdas de US$ 9,7 bilhões (R$ 49,9 bilhões) entre 2023 e 2024 apenas em suas divisões de veículos elétricos e software. Um dos reflexos disso foi o cancelamento do projeto FNV4, uma nova arquitetura eletrônica que prometia rivalizar com a da Tesla. A montadora concluiu que os custos e os atrasos tornavam o projeto inviável, conforme noticiou a Agência Reutes. 

Já a Tesla, referência global em veículos elétricos, viu sua margem de lucro operacional (NOPAT) cair de 13% em 2022 para apenas 5% em 2024, conforme análise publicada pela Forbes. A empresa ainda lidera o mercado de EVs, mas vem sofrendo com aumento da concorrência e queda de demanda em algumas regiões, principalmente, após o início do governo de Donald Trump, informa a Revista Forbes. 

A corrida pelos trilhões do futuro 

O pano de fundo dessa crise de caixa é uma transformação inevitável. A eletrificação da frota mundial é prioridade não apenas de governos e consumidores, mas também do mercado financeiro. A Volkswagen, por exemplo, anunciou que vai investir €52 bilhões (R$ 332,6 bilhões) em eletrificação e baterias até 2026. 

A BMW, mesmo com investimentos robustos em eletrificação e digitalização, conseguiu gerar cerca de €5 bilhões (R$ 31,9 bilhões) em fluxo de caixa livre em 2024, demonstrando um pouco mais de equilíbrio financeiro, conforme está no BMW Group Report.  

Um setor sob pressão 

A indústria automotiva vive um dilema. De um lado, há a urgência em inovar. Do outro, os modelos de receita tradicionais estão perdendo força, e os novos (como serviços de software embarcado, mobilidade por assinatura e plataformas digitais) ainda não se consolidaram. Enquanto isso, o setor convive com margens apertadas e eficiência de capital em declínio. 

Segundo análise da S&P Global, montadoras tradicionais estão sofrendo para competir com players nativos do ambiente digital, como Tesla e BYD. 

A pressão aumenta diante de um cenário macroeconômico adverso, aponta a análise da PwC Auto Industry Trend. Juros elevados, inflação e instabilidades geopolíticas tornam mais caro o financiamento desses investimentos e reduzem a disposição do consumidor em adquirir novos veículos. 

O que vem pela frente? 

Apesar das dificuldades, montadoras como a Stellantis mantêm o otimismo. A empresa destacou que possui um balanço sólido e espera melhorar seus números à medida que os investimentos em eletrificação e software começarem a dar retorno, revelou a Morningstar, consultoria de investimentos. 

Ainda assim, o setor como um todo enfrenta um momento de inflexão. A indústria automobilística está sendo redesenhada, e o capital está sendo drenado mais rapidamente do que os novos modelos de negócios conseguem compensar. 

O futuro pertence às montadoras que conseguirem cruzar essa travessia com inteligência, tecnologia e, acima de tudo, fôlego financeiro.

Nota:

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam, necessariamente, a visão deste veículo.

ZF lança TraXon 2 Hybrid e amplia protagonismo em transmissões inteligentes  

No Brasil, a transmissão ZF TraXon já é bastante conhecida na sua função primária, como caixa de marchas automatizada, principalmente pelos clientes da DAF, Volkswagen e Iveco. No entanto, a TraXon é o que podemos chamar de ‘Transformers das transmissões’. Agora, a ZF acaba de lançar a segunda geração da versão híbrida, a TraXon 2 Hybrid

O novo sistema amplia o papel da transmissão automatizada, somando eficiência energética e redução de emissões ao tradicional desempenho operacional que a consagrou no transporte de cargas pesado. Desenvolvida para atender às exigências globais de sustentabilidade e economia de combustível, a TraXon 2 Hybrid representa mais do que uma atualização técnica: ela projeta o futuro dos caminhões comerciais, inclusive no mercado brasileiro. 

Ganhos mensuráveis em eficiência e sustentabilidade

Projetado com uma arquitetura modular, o TraXon 2 Hybrid chega com números expressivos. Em veículos híbridos elétricos, pode proporcionar até 14% de redução nas emissões de CO₂ em operações de curta distância e 9% em percursos longos. Para aplicações plug-in hybrid (PHEV), a economia pode chegar a 40%, dependendo do tipo de operação, do peso do veículo e da densidade da infraestrutura de recarga. 

Com esses números, a transmissão não só reduz o impacto ambiental das frotas, como também ajuda operadores a reduzirem seus custos com combustível — um fator crítico em mercados como o brasileiro, onde o diesel representa parcela significativa das despesas logísticas. 

“O lançamento do TraXon 2 Hybrid na América do Norte destaca o compromisso da ZF em promover soluções de mobilidade mais limpas para a indústria de veículos comerciais”, afirma John Hawkins, Vice-Presidente Sênior para as Américas da ZF. 

O sistema também é compatível com motores a combustão interna de alta eficiência, demonstrando versatilidade para diferentes cenários operacionais e fases de transição energética. 

e-comp Scroll: o compressor de ar pensado para veículos elétricos

Durante a ACT Expo 2025, em Anaheim (EUA), a ZF também apresentou o e-comp Scroll, um compressor de ar elétrico, isento de óleo, com foco em veículos comerciais híbridos, elétricos a bateria e movidos a célula de combustível. 

Silencioso, com apenas 67 dB(A) a 250 litros por minuto, o sistema é ideal para veículos elétricos, que exigem componentes compatíveis com seu baixo nível de ruído. Além disso, o e-comp Scroll dispensa lubrificação, reduzindo manutenções e eliminando riscos de vazamentos ou descarte de resíduos. 

“O design inovador do e-comp Scroll ajuda a otimizar o custo total de propriedade e melhora a experiência de motoristas e passageiros. Com desligamento automático entre os ciclos de compressão, o sistema economiza energia e aumenta a durabilidade”, explica Paweł Porczyński, Chefe da Linha de Produtos da ZF Commercial Vehicle Solutions. 

O compressor pode alcançar até 12,5 bar e vem com motor elétrico próprio, sistema de resfriamento a líquido e inversor integrado — um pacote completo que atende às exigências das novas gerações de veículos comerciais. 

Soluções complementares e visão para o futuro

No estande da ZF na ACT Expo, também estiveram em destaque tecnologias como: 

  • AxTrax 2 e CeTrax 2 Dual – eixos e trens de força elétricos para caminhões; 
  • eWorX – plataforma para eletrificação de implementos; 
  • OnGuardMAX – sistema ADAS para prevenção de colisões; 
  • EPS e ReAX – sistemas de direção elétrica e hidráulica com assistência inteligente. 

A ZF também participa das discussões sobre veículos autônomos, com o engenheiro-chefe Dirk Wohltmann liderando o painel “Aprendendo com Estudos de Caso de Caminhões Autônomos”. 

Em 2018, tive a oportunidade de testar a primeira geração da transmissão ZF TraXon Hybrid. No vídeo, mostro a experiência na pista de testes da ZF, na Alemanha:

Me siga no Instagram!

Cenário nacional e o que esperar

No Brasil, a primeira geração do TraXon já se consolidou nas linhas Meteor e Constellation da Volkswagen, nos pesados da DAF XF, e em modelos extrapesados da Iveco e da Scania. A introdução da versão híbrida é uma sinalização clara de que a ZF está pronta para contribuir com a descarbonização das frotas nacionais, sem renunciar a robustez e confiabilidade. 

Com a TraXon 2 Hybrid, a ZF reforça sua posição como protagonista em transmissões comerciais, abrindo caminho para uma nova geração de caminhões mais econômicos, silenciosos e sustentáveis — algo que, cada vez mais, também é exigido pelo transporte rodoviário brasileiro. 

Kia PV5 de passageiros e furgão já tem preço e pode vir para o Brasil 

A Kia Brasil, importadora dos veículos da Kia Motors, vem ampliando o seu portfólio em veículos elétricos de luxo, incluindo as vans. O próximo passo deverá ser a importação da PV5, uma minivan elétrica recém-apresentada. E, apesar de o segmento ainda ser considerado de nicho por aqui, há boas razões para acreditar que o modelo poderá ser oferecido no mercado brasileiro — ainda que não antes de 2026. 

A PV5 faz parte de uma nova geração de veículos desenvolvidos pela Kia para atuar em diferentes mercados, com foco especial em eletrificação, conectividade e sustentabilidade. A promessa da montadora é globalizar o modelo, mirando especialmente empresas e operadores logísticos que exigem frotas mais eficientes e alinhadas com metas ambientais. 

O que já se sabe sobre a PV5 

Kia PV5
Kia PV5 Passenger: minivan elétrica combina design futurista, versatilidade e foco em mobilidade urbana sustentável; modelo chega ao Brasil em 2026.

A minivan foi apresentada como um modelo versátil, com configurações tanto para transporte de carga quanto para passageiros. Equipada com motor 100% elétrico, ela promete autonomia superior a 300 km, além de recursos avançados como sistemas de assistência à condução (ADAS), conectividade em nuvem e plataformas de gestão de frota. Seu projeto modular também permite adaptações conforme a necessidade operacional, tornando-a atraente para uso urbano corporativo. 

Preço divulgado na Europa 

Nesta semana, a Kia anunciou o preço oficial da PV5 no mercado europeu: 32.992 euros, o equivalente a aproximadamente R$ 211 mil na conversão direta atual (1 euro ≈ R$ 6,39). No entanto, ao considerarmos a tradicional carga tributária brasileira sobre veículos importados, esse valor sobe significativamente. 

Segundo estimativas de mercado, veículos elétricos importados podem sofrer incidência de até 70% de tributos, somando Imposto de Importação, IPI, ICMS, PIS/COFINS e outros encargos. Com isso, o preço da PV5 em território brasileiro pode chegar a cerca de R$ 360 mil. 

Resumo estimado do preço no Brasil: 

Valor base: R$ 211 mil 

  • 70% de impostos ≈ R$ 358.700 

Por que o Brasil entra na mira da Kia? 

Apesar de ainda pouco explorado, o mercado de vans elétricas no Brasil tem ganhado corpo com a entrada de marcas como Peugeot, BYD e Mercedes-Benz. Grandes empresas de logística, delivery e transporte corporativo têm demonstrado interesse crescente em modelos que reduzam emissões e tragam vantagens operacionais a médio prazo. 

Me siga no Instagram!

A expectativa é que a PV5 seja introduzida inicialmente para o público corporativo, com foco em frotistas, operadores logísticos e empresas com diretrizes ESG bem definidas. Em um segundo momento, a van pode ser adaptada para transporte executivo ou até fretamento urbano. 

Conclusão 

Com visual futurista, motor elétrico, foco em tecnologia e preço competitivo para o padrão europeu, a PV5 representa uma aposta ousada da Kia no segmento de veículos comerciais premium. Se confirmada a chegada ao Brasil, será mais um sinal de que a mobilidade elétrica está deixando de ser tendência e se tornando realidade — também para o setor corporativo. 

ZF entra no jogo dos híbridos com motor a combustão como gerador

Em um momento em que os veículos elétricos avançam para consolidar uma participação de mercado entre 15% e 20%, a alemã ZF anuncia sua entrada em um segmento específico e estratégico: sistemas de autonomia estendida, nos quais o motor a combustão atua unicamente como gerador de energia elétrica, sem qualquer ligação mecânica com as rodas. A novidade posiciona a ZF ao lado de Horse Powertrain e Scania, que já desenvolvem soluções similares, voltadas para veículos híbridos com foco em eficiência, autonomia e adaptabilidade.

Nos últimos anos, a ZF já havia lançado a tecnologia de extensores de alcance em produção em série. Entre outras coisas, as máquinas elétricas da ZF foram instaladas em uma série de táxis icônicos de Londres. Atualmente, a ZF trabalha na próxima geração, o Extensor de Alcance elétrico (eRE) e o Extensor de Alcance elétrico plus (eRE+).

Ambas as variantes são projetos altamente integrados, flexíveis em termos de desempenho, arquitetura E/E, 400 V ou 800 V e tipo de semicondutor. O eRE conecta um motor elétrico com um inversor integrado, software adequado e conjunto de engrenagens planetárias. O eRE+ também possui uma embreagem inteligente e um diferencial. Como resultado, ele pode ser usado como um gerador de corrente ou como um acionamento secundário adicional, o que economiza o desenvolvimento de um componente separado pelos fabricantes.

A potência varia de 70 a 110 kW (eRE) ou de 70 a 150 kW (eRE+). São potenciais que já atendem veículos comerciais leves, como os furgões de 3.5 toneladas de PBT. “O novo interesse e a crescente demanda por extensores de autonomia mostram que o potencial dessa tecnologia está longe de se esgotar – em particular para plataformas de modelos já projetadas para sistemas de transmissão elétricos a bateria”, afirma Scharrer, acrescentando: “Por trás de nossas soluções está o conceito de sistema e plataforma. Isso significa que estamos perfeitamente equipados para responder a todas as necessidades dos clientes e do mercado com ciclos de desenvolvimento mais curtos.”

A solução da ZF surge em um cenário de mudança de paradigma no setor automotivo. Embora os carros 100% elétricos continuem em crescimento, agora mais lentamente, fatores como a infraestrutura de recarga desigual e a chamada “ansiedade de autonomia” mantêm abertas as portas para soluções híbridas inteligentes — e que não exigem complexas reengenharias.

Horse Powertrain também aposta no modelo EREV

Horse Powertrain
À direita, o sistema híbrido apresentado em Xangai; à esquerda, o sistema hibrido apresentado no Brasil

A presença da ZF nesse segmento fortalece uma tendência que já conta com nomes como a Horse Powertrain, joint venture entre Renault, Geely e Aramco. A empresa apresentou no Salão do Automóvel de Xangai 2025 o Future Hybrid Concept, um sistema integrado que reúne motor a combustão, motor elétrico e transmissão em uma única unidade, concebida para plataformas elétricas.

No caso da Horse, o foco também está na arquitetura EREV (Electric Vehicle with Range Extender), onde o motor térmico atua apenas como gerador, sem tração direta. O sistema se destaca pela compatibilidade com diferentes combustíveis (gasolina, etanol, metanol e sintéticos), além de suportar recarga ultrarrápida de até 800 volts.

“Estamos vivendo uma reconfiguração do cenário global. Cada mercado caminha a seu modo, e soluções híbridas como a nossa, ou como a da ZF, ganham relevância por serem escaláveis e adaptáveis”, afirmou Matias Giannini, CEO da Horse Powertrain.

Scania também investe na lógica híbrida com motor gerador

O Veículo Elétrico de Alcance Estendido (EREV), desenvolvido pela Scania e DHL, é uma solução intermediária para o transporte rodoviário sustentável. Enquanto a infraestrutura para caminhões 100% elétricos é aprimorada, o EREV utiliza um gerador movido a combustível para suprir desafios como a escassez de pontos de recarga, custos elevados de eletricidade e sobrecarga na rede.

Com autonomia de até 800 km, o caminhão será testado pela divisão Post & Parcel Germany da DHL entre Berlim e Hamburgo a partir de fevereiro de 2025. O modelo substitui um dos pacotes de bateria por um gerador de 120 kW, inicialmente movido a gasolina e posteriormente a diesel/HVO. A colaboração entre Scania e DHL busca reduzir emissões de CO₂ em mais de 80%, promovendo uma transição pragmática rumo à eletrificação total do transporte pesado.

O CEO da Scania, Christian Levin, enfatiza que políticas públicas devem reconhecer e incentivar tais soluções enquanto expandem a infraestrutura de recarga. Essa abordagem visa acelerar a descarbonização sem esperar pela eletrificação completa do setor.

Leia mais sobre o projeto da Scania:

Scania e DHL testarão caminhão elétrico com gerador de energia elétrica movido a diesel verde

Brasil também acompanha o movimento

No Brasil, a Horse Powertrain lidera dois projetos emblemáticos:

  • O Volare Attack 9 Híbrido, desenvolvido com a Marcopolo, primeiro micro-ônibus híbrido movido a etanol do país.
  • O Lecar 459 Hybrid, primeiro carro de passeio da montadora brasileira Lecar com arquitetura EREV, que será lançado em 2026.

Ambos seguem a mesma lógica defendida por ZF e Scania: motor a combustão como gerador, motor elétrico como única fonte de tração.

Instagram: estou sempre trocando ideias por lá também. Me segue no Instagram, e vamos continuar essa conversa.

Saiba mais:

Volare apresenta micro-ônibus sustentáveis e versáteis na Agrishow

Conclusão

A entrada da ZF nesse campo específico consolida um movimento importante da indústria: o fortalecimento de uma nova geração de híbridos, que preservam a lógica elétrica na condução, mas com apoio térmico inteligente para expansão de autonomia. Em vez da substituição abrupta dos motores a combustão, o setor começa a redesenhar seu uso — agora, com foco na eficiência energética e sustentabilidade em cenários de infraestrutura desigual.

Mercedes-Benz Special Trucks: a força por trás da mobilidade militar 2025

No Brasil, entre os fabricantes de caminhões europeus com presença local, apenas o Iveco Group conta com uma divisão de defesa formalmente estabelecida, a IDV, que produz veículos de defesa além de adaptar modelos civis. No entanto, outras marcas que atuam no país, como a Mercedes-Benz, também possuem divisões internacionais especializadas em veículo militar. Essas divisões não só realizam customizações a partir da linha nacional, como também oferecem acesso ao portfólio global de soluções táticas e logísticas. Neste artigo, conheça a linha de veículos militares da Mercedes-Benz Special Trucks — e, em breve, exploraremos também as demais opções disponíveis no Brasil.  

Unimog: lenda da versatilidade militar

Poucos veículos militares conquistaram uma reputação tão sólida quanto o Unimog. Desde sua criação no pós-guerra, o modelo tem sido sinônimo de robustez, confiabilidade e adaptabilidade. O Unimog nasceu em um período de reconstrução global, quando a Alemanha buscava soluções versáteis para revitalizar sua infraestrutura e apoiar forças militares. Desde então, sua evolução foi constante, incorporando novas tecnologias, motores mais potentes e configurações personalizáveis para atender às necessidades específicas de cada missão. 

Leia também:

Agronegócio precisa ser mais “pop” na COP30 

Volare apresenta micro-ônibus sustentáveis e versáteis na Agrishow

Noma do Brasil amplia portfólio de produtos com a linha Work Series

Configuração modular 

Sua tração integral, suspensão altamente articulada e chassi reforçado fazem do Unimog um dos poucos veículos capazes de operar em terrenos extremamente acidentados, como zonas montanhosas, áreas florestais densas e regiões desérticas. Além disso, seu design modular permite que ele seja equipado com uma ampla gama de acessórios e implementos, incluindo guindastes, plataformas blindadas e sistemas de comunicação avançados. 

A versão U5000: protagonista em forças armadas 

Dentre os modelos mais utilizados no cenário militar, destaca-se o Unimog U5000, que combina potência e durabilidade para missões exigentes. Esse modelo foi amplamente adotado por várias forças armadas da OTAN e, mais recentemente, pela Lituânia, que investiu na aquisição de centenas de unidades para a modernização de sua frota tática. 

Sua aplicação é vasta: pode ser utilizado para transporte de tropas, deslocamento de equipamentos pesados, apoio em missões humanitárias e até mesmo como base para sistemas de defesa aérea. O U5000 reforça a posição do Unimog como um dos veículos mais estratégicos no contexto militar. 

Aqui está uma versão ampliada e aprofundada sobre o Zetros e sua importância no setor militar: 

Zetros: para os desafios do campo de batalha

miltar
Linha Zetros

Desde seu lançamento em 2008, o Mercedes-Benz Zetros se consolidou como um dos caminhões militares mais robustos do mercado. Projetado para suportar condições extremas e operar em regiões com infraestrutura limitada, ele se destaca pela durabilidade, potência e capacidade de transporte, tornando-se uma escolha essencial para forças armadas ao redor do mundo. 

O Zetros foi desenvolvido com arquitetura de cabine avançada, posicionada atrás do eixo dianteiro para melhorar estabilidade e conforto em terrenos desafiadores. Essa configuração, aliada ao sistema de suspensão otimizada, reduz impactos em deslocamentos off-road e facilita manutenções no campo de batalha. 

Disponível nas versões 4×4, 6×6 e 8×8, ele se adapta a diferentes missões, desde transporte de equipamentos militares pesados até logística tática em zonas de conflito. Sua capacidade de carga pode chegar a 120 toneladas. 

Potência e desempenho de alto nível

O coração do Zetros é seu motor diesel OM 460 de 12,8 litros, capaz de entregar 510 cavalos de potência e 2.400 Nm de torque máximo, garantindo capacidade de tração excepcional e força bruta para enfrentar desafios logísticos em ambientes inóspitos. 

Noma do Brasil amplia portfólio de produtos com a linha Work Series

Essa potência é essencial para missões que demandam resistência operacional, como deslocamentos em regiões montanhosas, atravessando terrenos arenosos ou enfrentando condições climáticas adversas. 

Destaques na IDEX 2025

Durante a feira IDEX 2025, em Abu Dhabi, a Mercedes-Benz revelou novas versões do Zetros, incluindo: 

  • Zetros 3351 AS 6×6: modelo focado em transporte de veículos blindados, com espaço para três ocupantes e opção de leito para missões prolongadas; 
  • Zetros 2036 A 4×4: versão com motor Euro III de 360 cv, projetada para transporte de tropas e materiais essenciais. 

Essas versões refletem a busca constante da marca por inovação e melhorias para atender às demandas militares do século XXI. 

Atego, Actros e Arocs: suporte essencial

Além do Zetros, a divisão Mercedelogístico s-Benz Special Trucks também oferece modelos amplamente adaptados para operações militares: 

  • Atego: voltado para logística leve e distribuição de suprimentos em bases operacionais; 
  • Actros: indicado para transporte de equipamentos pesados, com presença confirmada em exércitos como o da Estônia e do Chile; 
  • Arocs: especializado em terrenos desafiadores, garantindo desempenho off-road elevado e maior capacidade de carga. 

Chassi FGA: base para veículos blindados

militar
Chassi FGA 14.8,

Outro destaque da Mercedes-Benz é o chassi FGA 14.8, utilizado como base para a construção de veículos blindados de transporte de pessoal (APC – Armored Personnel Carrier). Com capacidade para suportar células protegidas de até 14,8 toneladas, esse chassi é derivado do Unimog e frequentemente utilizado por fabricantes de blindados ao redor do mundo. 

Equipado com motor diesel OM 926 LA de 6 cilindros (326 cv) e transmissão automática Allison de 6 marchas, o FGA oferece robustez, confiabilidade e facilidade de integração com diferentes sistemas de proteção balística. 

Inovação, parcerias e estratégia de crescimento global

A Mercedes-Benz Special Trucks, sob a gestão da Daimler Truck AG, está implementando uma nova estratégia de expansão no mercado de defesa. A empresa aposta na colaboração com startups e fornecedores de tecnologia militar, como a ARX Robotics, para desenvolver soluções autônomas e conectadas que atendam às demandas das guerras modernas. 

A marca também tem investido em centros de serviço, suporte técnico em campo e fornecimento de kits CKD (Completely Knocked Down) para montagem local dos veículos, ampliando sua presença global e oferecendo flexibilidade operacional aos países clientes. 

Conclusão: confiança e poder sobre rodas

Com um portfólio diversificado, tecnologia de ponta e uma história de excelência em engenharia, a Mercedes-Benz Special Trucks se consolida como uma escolha estratégica para exércitos que buscam mobilidade, desempenho e segurança. 

Seja através de seus lendários Unimog, dos potentes Zetros ou dos caminhões Atego, Actros e Arocs, a marca alemã reafirma sua posição como líder em soluções de mobilidade militar no século XXI. 

Assita o Canal FrotaCast

Comparativo de motos de 150 a 250 cm³ uso em indústrias, fazendas e mineradoras

Na logística interna de grandes centros industriais, no cotidiano do agronegócio e em operações dentro de mineradoras, as motos têm se consolidado como uma solução eficiente, ágil e econômica. Com capacidade de trafegar por estradas de terra, trilhas e terrenos acidentados, esses veículos são ideais para deslocamentos de apoio técnico, patrulhamento, inspeção e transporte leve. 

Para ajudar gestores de frota e empresas a escolher o modelo mais adequado, a Frota News preparou um comparativo exclusivo com os principais modelos de motos utilitárias disponíveis no mercado, divididos por faixas de cilindrada. 

Categoria 150/160 cm³ 

Modelos indicados para trajetos curtos em terrenos mistos, com foco em baixo consumo e manutenção acessível. 

Honda NXR 160 Bros
motos
Honda NXR160 Bros

Pontos Positivos 

  • Versatilidade: A Bros é indicada tanto para o uso urbano quanto para terrenos off-road leves, graças à sua suspensão de longo curso e pneus mistos. 
  • Conforto: O assento largo e ergonômico proporciona uma pilotagem confortável, especialmente em trajetos mais longos. 
  • Consumo de combustível: O modelo apresenta um consumo médio de cerca de 35 km/l com gasolina, tornando-se uma opção econômica. 
  • Sistema de freios: A versão mais recente conta com freios a disco nas duas rodas, garantindo maior segurança na frenagem. 
  • Facilidade de pilotagem: O design atualizado melhora a experiência de condução, tornando a moto mais intuitiva e agradável de pilotar. 

Pontos Negativos 

  • Preço elevado: O modelo 2025 tem preços que variam entre R$ 20.490 e R$ 21.390. 
  • Ausência de ABS nas duas rodas: Apesar da inclusão do ABS na roda dianteira, a traseira ainda não conta com esse sistema, o que poderia aumentar a segurança. 
  • Redução de potência: Para atender às novas normas de emissões, a Bros perdeu 0,4 cv de potência, o que pode impactar levemente seu desempenho. 
  • Seguro caro: Por ser um dos modelos mais roubados, o custo do seguro tende a ser elevado. 
Nos siga no Instagram
Yamaha Crosser 150
motos
Yamaha Crosser 150

Pontos Positivos 

  • Conforto aprimorado: O modelo conta com suspensão traseira com link, proporcionando maior absorção de impactos e conforto na pilotagem. 
  • Painel digital completo: A Crosser 150 possui um painel moderno com diversas informações úteis, incluindo indicador de marcha e consumo de combustível. 
  • Freios ABS na dianteira: O sistema de freios ABS na roda dianteira melhora a segurança, evitando o travamento em frenagens bruscas. 
  • Consumo eficiente: Com uma média de consumo de cerca de 40 km/l, a Crosser 150 se destaca pela economia. 
  • Farol e lanterna em LED: A iluminação em LED melhora a visibilidade e a segurança, além de ter maior durabilidade. 

Pontos Negativos 

  • Preço elevado: O modelo tem um preço médio de R$ 22.700, o que pode ser um fator limitante para alguns consumidores. 
  • Potência inferior à concorrente: Seu motor de 149 cc entrega 12,2 cv com gasolina, ficando abaixo da Bros 160 em desempenho. 
  • Tanque pequeno: Com capacidade de 12 litros, sua autonomia pode ser menor em viagens longas. 
  • Peso maior: Com 134 kg, a Crosser é mais pesada que algumas concorrentes, o que pode impactar a agilidade. 
Haojue NK 150
motos
Haojue NK150

Pontos Positivos 

  • Preço mais acessível: Com um valor médio de R$ 18.580, a NK 150 é uma opção mais econômica. 
  • Consumo eficiente: Apresenta uma média de 40 km/l, garantindo boa autonomia. 
  • Painel digital completo: Conta com um painel moderno e bem equipado. 
  • Suspensão macia: Oferece conforto na pilotagem, especialmente em terrenos irregulares. 
  • Tomada USB de fábrica: Um diferencial útil para quem precisa carregar dispositivos móveis. 

Pontos Negativos 

  • Potência inferior: Seu motor de 149 cc entrega 11,3 cv, ficando abaixo das concorrentes. 
  • Peso elevado: Com 139 kg, é mais pesada que a Bros e a Crosser, o que pode impactar a agilidade. 
  • Menor reconhecimento no mercado: Por ser uma marca menos consolidada no Brasil, pode ter menor valorização na revenda. 
  • Design semelhante a concorrentes: Algumas críticas apontam que o visual da NK 150 lembra muito a Bros 160. 

Categoria 190 a 250 cm³  

Modelos ideais para uso constante em fazendas, indústrias pesadas e canteiros de mineração 

Honda XRE 190
motos
Honda XRE 190

Pontos Positivos 

  • Motor flexível e econômico: O motor de 184,4 cc pode ser abastecido com gasolina ou etanol, oferecendo até 16,4 cv de potência. Caso a empresa tenha política de ESG, pode ser uma boa ter como regra o abastecimento com Etanol, pois ser um combustível renovável.  
  • Suspensão equilibrada: Proporciona conforto tanto em terrenos urbanos quanto em estradas de terra. 
  • Freios ABS na dianteira: Melhora a segurança ao evitar o travamento da roda em frenagens bruscas. 
  • Boa autonomia: O tanque de 13,5 litros permite rodar até 400 km sem reabastecer. 
  • Design moderno: O modelo tem um visual imponente e atualizado, com iluminação em LED. 

Pontos Negativos 

  • Ruído do motor: Alguns usuários relatam que o motor gera vibração e ruídos incômodos em velocidades mais altas. 
  • Suspensão dianteira: Há reclamações sobre batidas secas e ruídos na suspensão dianteira, especialmente em terrenos irregulares. 
  • Desempenho limitado: Apesar da cilindrada maior, seu desempenho é comparável ao da Bros 160, o que pode decepcionar alguns motociclistas. 
  • Preço elevado: O modelo parte de R$ 22.450, tornando-se uma opção mais cara dentro da categoria. 
Yamaha Nova Lander 250 
motos
Yamaha Lander 250

Pontos Positivos 

  • Motor potente e econômico: O motor de 249 cc entrega 20,9 cv, garantindo bom desempenho tanto na cidade quanto em estradas de terra. 
  • Suspensão robusta: Equipada com garfo telescópico e sistema de link na traseira, proporcionando conforto em terrenos irregulares. 
  • Painel digital completo: Conta com indicadores de consumo, hodômetro total e parcial, fuel trip, relógio, conta-giros e conectividade com o smartphone. 
  • Farol de LED: Melhor iluminação e maior durabilidade em comparação às lâmpadas halógenas. 
  • Tanque de combustível maior: Com capacidade de 13,6 litros, oferece autonomia de até 400 km. 

Pontos Negativos 

  • Problemas na suspensão dianteira: Alguns proprietários relatam vazamento de óleo devido ao rompimento do retentor das bengalas. 
  • Facilidade de ferrugem: Peças externas, como os aros das rodas e o quadro, podem sofrer corrosão com o tempo. 
  • Custo elevado: O modelo tem um preço médio de R$ 28.990, tornando-se uma opção mais cara dentro da categoria. 
  • Peças plásticas e adesivos: Tendem a desbotar e sofrer riscos com o uso prolongado. 
Shineray SHI 250
motos
Shineray SHI 250

Pontos Positivos 

  • Preço mais acessível: Com um valor inicial de R$ 21.490, a SHI 250 é uma opção mais barata em comparação às rivais. 
  • Painel digital completo: Conta com um painel 100% digital, que exibe informações como nível de combustível, velocidade, marcha engatada e conta-giros. 
  • Iluminação Full LED: O modelo possui farol e lanterna em LED, garantindo melhor visibilidade e segurança. 
  • Suspensão dianteira invertida: Contribui para maior estabilidade e conforto em terrenos irregulares. 
  • Freios a disco nas duas rodas: O sistema CBS (freios combinados) melhora a eficiência da frenagem. 
  • Tanque de combustível grande: Com capacidade de 18 litros, oferece boa autonomia. 

Pontos Negativos 

  • Ausência de ABS: O modelo não conta com freios ABS, o que pode ser um fator de segurança importante para alguns motociclistas. E, no caso de uso profissional, é um agravante, já que acidente de trabalho deve se evitar a todo custo. 
  • Desempenho inferior às concorrentes: Seu motor monocilíndrico de 249,9 cc entrega 19,3 cv, ficando abaixo da Lander 250. 
  • Peso elevado: Com 156 kg, pode ser menos ágil em manobras urbanas. 
  • Menor reconhecimento no mercado: Por ser uma marca menos consolidada no Brasil, pode ter menor valorização na revenda.

Conclusão

A escolha da moto ideal para uso corporativo depende do ambiente de atuação, da intensidade do uso e do orçamento disponível. As motos de 150 cm³ são ideais para tarefas leves com foco em economia. Já as de 250 cm³ são recomendadas para operações mais exigentes, como atividade de segurança, com terrenos severos e carga mais intensa. 

A chegada da Shineray SHI 250 amplia as opções no mercado, oferecendo um modelo completo e acessível, que pode ser uma excelente alternativa para frotas corporativas de pequeno e médio porte. Leia no link baixo, um artigo sobre a chegada deste modelo: 

Shineray lança SHI 250 2026 que pode atender operações de apoio logístico 

 

Scania, Toyota e Yusen Logistics lideran la logística con el primer bitren de 9 ejes en Argentina

Vehículo pionero, operado por Yusen Logistics y al servicio de Toyota Argentina, promete revolucionar el transporte de cargas con mayor eficiencia, seguridad y sustentabilidad.

Scania, en colaboración con Yusen Logistics, el fabricante de semirremolques Vulcano y Toyota Argentina, puso en operación el primer bitren de 30,25 metros (9 ejes) autorizado para circular entre el Puerto de Buenos Aires y la ciudad de Zárate. Se trata de un hito en la historia de la logística argentina: es el primer camión tractor que opera con dos semirremolques conectados por un enganche tipo “B”, superando el límite anterior de 25 metros permitido en ese corredor.

Yusen Logistics
Bitren de 9 ejes recibe autorización para circular en Argentina en un tramo determinado

El camión Scania R 540 6×4 es el corazón de esta innovación. Según Julián Rosso, gerente de ingeniería de ventas de Scania Argentina, “este camión ofrece el mejor equilibrio entre costos operativos y seguridad activa y pasiva”. Agrega: “Utilizar un camión de doble remolque representa una triple optimización: en tiempo, en rentabilidad para los clientes y en reducción del impacto ambiental”.

Sustentabilidad y eficiencia como prioridad

La introducción del bitren representa un avance significativo en eficiencia logística. Con capacidad para transportar dos contenedores de 40 pies en un solo viaje, el vehículo reduce notablemente la cantidad de trayectos necesarios. Esto implica menos congestión en el tráfico portuario, mayor ahorro de combustible y una reducción estimada de hasta un 30% en emisiones de CO₂. El trayecto entre el puerto y la planta de Toyota en Zárate, que antes requería múltiples viajes, ahora se realiza en solo una hora y media con carga completa.

Lee también:

Explosión en el mercado de pesados en Argentina en el primer trimestre de 2025

La revisión del VW Amarok V6 explica el aumento de ventas debido al motor

Agrale lanza tres nuevos modelos de tractores enfocados en la agricultura familiar

Carlos Marazzi, presidente de Yusen Logistics Argentina, destaca la alineación de la iniciativa con los compromisos ambientales de la empresa: “Esta iniciativa forma parte de una necesidad global, ya que aspiramos a ser carbono neutrales para 2040. Nuestro desafío es implementar las soluciones más adecuadas en cada mercado. En Argentina, el bitren es una excelente opción en este camino hacia la reducción de emisiones contaminantes”.

Alianza e innovación

La operación es resultado de una exitosa alianza público-privada, que implicó diálogo con las autoridades de transporte e inversiones conjuntas entre las empresas involucradas. Vulcano, encargada de la fabricación de los semirremolques, celebra el reconocimiento del equipo como una solución confiable. “Trabajamos con bitrenes desde hace más de 12 años y hemos demostrado que son equipos súper confiables, eficientes y seguros, logrando la aprobación de Yusen Logistics para su uso en beneficio de sus clientes”, afirmó Carlos Moriconi, gerente general de Semirremolques Vulcano S.A.

Un nuevo capítulo en el transporte de cargas

La autorización para la circulación de vehículos de 30,25 metros de longitud en el corredor Buenos Aires-Zárate no solo eleva los estándares logísticos de Argentina, sino que también refuerza la posición de Scania como protagonista en la transición hacia un sistema de transporte más sustentable.

“Esto es más que un logro técnico”, concluye Julián Rosso, de Scania. “Es una demostración concreta de cómo la innovación, junto con la colaboración entre empresas y el compromiso con la sustentabilidad, puede transformar la manera en que movemos el mundo”.

Se inscreva no Canal FrotaCast