O mercado de veículos usados segue em trajetória de alta no Brasil, e o destaque do relatório divulgado pela FENAUTO (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores) neste mês vai além dos carros de passeio: o segmento de caminhões e comerciais pesados também mostra sinais de recuperação e contribui para os resultados positivos do setor.
Em abril, as vendas de veículos usados totalizaram 1.487.401 unidades, o que representa um crescimento de 7,9% em relação a março e de 13,1% na comparação com abril de 2024. No acumulado do ano, já são 5.373.438 unidades comercializadas, número 11% superior ao registrado nos primeiros quatro meses do ano passado.
Apesar de uma leve oscilação negativa de 2,9% na média diária de vendas, o mercado se mantém forte, com 74.370 unidades por dia útil. Essa média já aponta para um novo patamar, entre 74 mil e 75 mil transferências diárias, o que representa um avanço de 24,38% sobre o mesmo período de 2024.
Caminhões ganham protagonismo
Entre os comerciais pesados, os caminhões usados vêm ganhando espaço e mostram recuperação importante na movimentação do setor. Em abril, os três modelos mais procurados foram:
Esses números refletem não apenas o aquecimento do transporte de cargas, mas também a confiança do pequeno e médio transportador, que vê nos caminhões usados uma oportunidade de renovar a frota com menor investimento.
Crescimento consistente exige atenção
Segundo Enilson Sales, presidente da FENAUTO, a tendência é de continuidade nesse ritmo forte de vendas, mas o cenário requer atenção. “Nossa melhor previsão é a de chegarmos a dezembro com um novo recorde em torno de 16,5 milhões de veículos comercializados. Embora o momento do mercado seja positivo e promissor, precisamos ter cautela, pois alguns pontos devem ser levados em consideração, como o desempenho da economia, índice de confiança do consumidor, alta de juros, etc. Vamos acompanhando mês a mês esse desempenho”, avaliou.
Veja nesta análise sobre como o mesmo modelo de caminhão pode assumir características bastante distintas conforme o mercado em que é oferecido. A matéria compara as versões brasileira e europeia do Iveco S-Way, revelando como a tropicalização influencia a construção, os equipamentos e até a motorização do veículo no Brasil, onde a robustez e a simplicidade são prioridades. Em contrapartida, o S-Way europeu investe pesado em tecnologia, segurança e sustentabilidade, com mais opções a gás natural e sistemas avançados de assistência ao condutor. A reportagem mostra que, embora compartilhem o mesmo nome e visual externo, os dois modelos atendem a realidades logísticas, econômicas e ambientais profundamente diferentes — um retrato claro de como o transporte pesado exige soluções personalizadas, mesmo em um mundo globalizado.
Geralmente, os caminhões fabricados no Brasil apresentam diferenças significativas em relação aos mesmos modelos produzidos na Europa, sua região de origem. Essa distinção se deve, em grande parte, à necessidade de tropicalização — um processo de adaptação dos veículos às particularidades do mercado brasileiro. Entre os principais fatores que exigem essa adequação estão as condições irregulares das estradas, a topografia variada, o clima tropical com altas temperaturas, umidade e legislações, além dos diferentes padrões de combustível e da infraestrutura logística local.
Além das adaptações técnicas que fazem os nossos caminhões serem mais pesados do que os europeus, é comum que algumas montadoras — com exceção de marcas como Scania e Volvo, que mantêm seus modelos alinhados às gerações mais recentes oferecidas na Europa — optem por comercializar no Brasil versões baseadas em plataformas anteriores. Essa estratégia visa reduzir o custo final do caminhão, tornando-o mais competitivo para transportadoras e autônomos que operam com margens apertadas. Em muitos casos, esses veículos também vêm com menos equipamentos de série, priorizando a robustez e o baixo custo de manutenção em vez de tecnologias mais avançadas.
Para exemplificar, vamos ver um comparativo de um modelo Iveco S-Way. Se à primeira vista o S-Way parece o mesmo caminhão, sob a lataria há escolhas técnicas e estratégicas específicas para cada continente. E essas diferenças ajudam a explicar os desafios e as prioridades de quem transporta cargas em países com perfis logísticos tão distintos.
Motorização sob medida para cada estrada
No Brasil, o S-Way chega com motor FPT Cursor 13 nas versões de 480 e 540 cv, atendendo ao Proconve P8 — equivalente ao Euro 6 — e preparado para enfrentar trechos desafiadores, de asfalto irregular a aclives pesados. A marca aposta na robustez e na durabilidade dos componentes, incluindo a transmissão automatizada ZF TraXon de 12 marchas.
O Iveco S-Way Fuel Hero é uma versão otimizada do caminhão pesado Iveco S-Way, desenvolvida com foco na máxima eficiência de consumo de combustível e redução de emissões de CO₂. Observe que o semirreboque utiliza pneus ‘supersingle’, mais comum na Europa, em vez do rodado duplo no Brasil
Na Europa, o leque de opções é mais amplo. O modelo pode ser adquirido com motores Cursor 9, 11 ou 13, com potências que variam de 330 cv a 570 cv, além de versões movidas a GNL (gás natural liquefeito) e GNC (gás natural comprimido). A estratégia europeia foca na redução de emissões e na transição energética, o que reflete as exigências ambientais mais rigorosas da União Europeia. O Brasil, a versão a gás é com motor de 460 cv e tanques GNC.
Tecnologia: um salto ainda em andamento por aqui
Enquanto o S-Way brasileiro já oferece itens como piloto automático, assistente de partida em rampa e sistema de controle de tração, a versão europeia é mais completa em termos de segurança e assistência ao condutor. Por lá, recursos como frenagem autônoma de emergência (AEBS), controle de cruzeiro adaptativo (ACC), assistente de permanência em faixa e alerta de ponto cego fazem parte do pacote tecnológico.
Na Europa, o Iveco S-Way conta com um painel totalmente digital, destacando-se pelo cluster TFT de 10 ou 12 polegadas reconfigurável, que integra informações do veículo e sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS). O sistema de infoentretenimento é compatível com Apple CarPlay e Android Auto, permitindo a conexão simultânea de dois smartphones via Bluetooth. Além disso, a versão europeia incorpora câmeras no lugar dos espelhos retrovisores, melhorando a aerodinâmica e a visibilidade
Outro ponto de destaque no Velho Continente é a conectividade embarcada. O S-Way europeu conta com painel 100% digital, integração total com smartphones e atualizações remotas de software. Já no Brasil, o painel é herdado do antigo Hi-Ways, mas conta com tela digital central, multimídia e a telemetria Iveco ON é mais voltada à manutenção preditiva e à gestão de frota, com uma central multimídia funcional, mas menos sofisticada.
A versão brasileira do Iveco S-Way apresenta um painel de instrumentos mais tradicional, com mostradores analógicos e uma tela central digital. O volante multifuncional permite acesso a diversas funções sem tirar as mãos da direção, proporcionando praticidade e segurança. A central multimídia é funcional, oferecendo conectividade com smartphones e sistemas de navegação, atendendo às necessidades do transporte nacional
Cabine global, acabamento local
O design externo do S-Way é praticamente idêntico nos dois mercados, com destaque para a aerodinâmica aprimorada que contribui para a economia de combustível. O interior, contudo, revela nuances importantes.
A cabine vendida na Europa apresenta maior variedade de versões e acabamentos, incluindo detalhes de luxo, opções de iluminação ambiente, geladeira embutida e cama de alta densidade. No Brasil, a Iveco prioriza o essencial: espaço interno amplo, boa ergonomia e conforto adequado às jornadas longas. Ainda assim, o acabamento é mais simples e há menos possibilidades de personalização.
Apoio institucional:
Curso para aumento da eficiência da frota
Dois mercados, duas realidades
As escolhas técnicas e tecnológicas de cada versão refletem as realidades distintas de operação. No Brasil, onde o caminhão enfrenta desafios como rodovias precárias, sobrecarga e calor extremo, robustez e simplicidade são atributos valiosos. Na Europa, o foco está em eficiência energética, segurança avançada e conforto superior para o motorista, dentro de um cenário logístico mais organizado.
O Iveco S-Way é, portanto, um excelente exemplo de como um mesmo projeto pode assumir características diferentes para atender às necessidades regionais. E mostra que, mesmo em um mundo cada vez mais globalizado, o transporte pesado ainda exige soluções locais.
A IRU (International Road Transport Union) reafirmou nesta semana seu papel como a principal entidade mundial do transporte rodoviário, ao promover mais uma edição da reunião do seu Conselho de Transporte de Mercadorias, realizada na última quinta-feira, 8 de maio de 2025, no Hotel InterContinental, em Genebra, na Suíça. A conferência, que reuniu lideranças do setor de diversos continentes, contou com destaque para a participação brasileira, por meio da NTC&Logística, maior associação representativa do transporte de cargas do Brasil.
A entidade foi representada pelo seu presidente, Eduardo Rebuzzi, e pelo vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais, Danilo Guedes, que atuaram ativamente nos debates e nas apresentações. A presença brasileira é importante para mostrar a nossa importância no protagonismo do país nas discussões sobre temas como digitalização, segurança, conectividade regional, descarbonização e a escassez global de motoristas profissionais. Aliás, é hora de o Brasil fazer parte das pesquisas realizadas pela IRU sobre a escassez de motoristas e perfil, pois, a Argentina é o único país da América do Sul a fazer parte desta pesquisa.
Durante o evento, o presidente Eduardo Rebuzzi apresentou o Sistema Transporte Brasileiro, com foco nas atuações da Confederação Nacional do Transporte (CNT), do SEST SENAT, do Instituto de Transporte e Logística (ITL) e da própria NTC&Logística. Fundada em 1963 e associada à IRU desde 1970, a NTC foi destacada como elo estratégico entre o setor empresarial brasileiro e as decisões globais de transporte rodoviário de cargas.
Da esquerda para a direita, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; o presidente da IRU, Radu Dinescu; o vice-presidente extraordinário de Transporte Internacional, Danilo Guedes, e o secretário-geral da IRU, Umberto de Pretto
“Participar de uma reunião como esta, diante de representantes dos cinco continentes, é uma oportunidade única de mostrar a força do transporte brasileiro, compartilhar nossos avanços e reforçar o compromisso com a integração e a inovação global”, afirmou Rebuzzi.
Ele também destacou que a NTC representa institucionalmente mais de 200 mil empresas de transporte rodoviário de cargas em todo o Brasil e uma frota superior a 1 milhão de caminhões, com uma forte atuação política e técnica junto ao Congresso Nacional, ministérios, agências reguladoras, governos e iniciativa privada. Entre suas prioridades estão infraestrutura, regulação, inovação, sustentabilidade e a competitividade do setor.
Convênio TIR e integração sul-americana
Já o vice-presidente Danilo Guedes teve a missão de apresentar os avanços do Brasil em relação ao Convênio TIR — sistema internacional de trânsito aduaneiro gerido pela IRU, que facilita o transporte de mercadorias entre fronteiras. O projeto, desenvolvido com o apoio da NTC&Logística, busca modernizar e agilizar operações internacionais, fortalecendo a competitividade do país no comércio exterior.
A reunião também contou com a presença de Radu Dinescu, presidente da IRU, e Umberto de Pretto, secretário-geral da entidade, além de diretores e especialistas de diversos países. Um dos pontos altos do evento foi o painel sobre o Corredor Bioceânico Sul-Americano, rota estratégica que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico por meio da integração logística entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Fortalecimento institucional e internacionalização
Como parte da agenda institucional, Rebuzzi e Guedes entregaram aos representantes da IRU um dossiê completo com informações sobre a NTC&Logística, incluindo as ações das Câmaras Técnicas da entidade e da COMJOVEM – Comissão de Jovens Empresários e Executivos, que atua em todo o território nacional promovendo a renovação de lideranças no setor.
A apresentação também destacou o Sistema Transporte Brasileiro, composto pela CNT, SEST SENAT e ITL — pilares que estruturam a formação profissional, o desenvolvimento técnico e a representação política do setor no Brasil.
Um elo entre o Brasil e o mundo
A participação da NTC&Logística em Genebra representou mais do que presença institucional. Reafirmou o compromisso do Brasil com a construção de soluções logísticas de impacto global, alinhadas aos desafios contemporâneos da mobilidade, conectividade e sustentabilidade.
Ao consolidar sua atuação junto à IRU, a NTC reforça seu papel como interlocutora estratégica do setor de transporte rodoviário de cargas brasileiro no cenário internacional — e como protagonista na busca por um sistema logístico mais integrado, moderno e competitivo.
A viabilidade econômica e tecnológica do uso de biometano como substituto do diesel no transporte de cargas no Brasil é abordada pelo presidente da Copersucar, Tomás Manzano, durante o evento “CNN Talks: COP30 – A Chave para o Futuro”. Além disso, destacamos o protagonismo do Paraná na produção de combustíveis renováveis, com políticas de incentivo, como a isenção de ICMS e, na Bahia, a Bahiagás apresenta micro-ônibus movido a gás para distribuidores de gás de todo o Nordeste. Confira:
Durante o evento “CNN Talks: COP30 – A Chave para o Futuro”, realizado em Brasília, o presidente da Copersucar, Tomás Manzano, defendeu a substituição do diesel por biometano no transporte de cargas como uma alternativa viável, imediata e economicamente vantajosa. A afirmação reforça o potencial do biocombustível derivado do biogás como solução estratégica para descarbonizar a matriz de transportes do país, fortemente dependente do modal rodoviário.
“Isso não é algo para ser desenvolvido daqui alguns anos. Já é realidade hoje. Economicamente viável, com tecnologia corrente e atual, e está em pleno desenvolvimento”, afirmou o executivo da Copersucar. Ele destacou ainda que o Brasil tem uma oportunidade singular ao utilizar resíduos da cana-de-açúcar para a produção de biometano, reduzindo a dependência do óleo diesel no transporte rodoviário de cargas.
O evento com a participação da Copersucar marcou o início da cobertura especial da CNN Brasil sobre a 30ª Conferência do Clima (COP30), que acontecerá entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém (PA). A conferência deve reunir líderes globais em busca de soluções concretas para enfrentar as mudanças climáticas, e o biometano surge como um dos pilares da transição energética no país.
Incentivos fiscais impulsionam produção no Paraná
Paralelamente às discussões em nível nacional, o Paraná tem se destacado por iniciativas concretas no fomento aos combustíveis sustentáveis. O governo estadual implementou o Decreto nº 9.817, que garante a isenção de ICMS para bens destinados à produção de biogás, biometano e combustíveis sustentáveis de aviação (SAF).
A medida alinha o estado aos convênios 161/2024 e 151/2021, aprovados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), e tem como objetivo tornar o Paraná um polo de energias limpas. “Queremos consolidar o Paraná como um polo na produção de novas energias. As isenções fiscais, como a do ICMS, são um passo importante para pavimentar esse caminho e atrair investimentos para o setor”, afirmou o secretário estadual da Fazenda, Norberto Ortigara.
Dejetos animais como fonte de energia
Com forte vocação agropecuária, o Paraná aposta na transformação dos dejetos da produção animal em energia renovável. A cadeia produtiva do biogás e biometano é vista como estratégica para o estado, que lidera a produção de proteína animal no país. “Com o uso de dejetos de animais para a produção de energia, podemos transformar o Paraná em uma ‘Arábia Saudita’ dos combustíveis renováveis”, destacou Ortigara.
Programas e financiamento para produtores
Além da isenção de ICMS, o Paraná conta com programas de incentivo como o RenovaPR, que estimula produtores rurais a gerarem sua própria energia por meio de fontes renováveis. O estado também subsidia juros para financiamento de projetos sustentáveis por meio do Banco do Agricultor Paranaense, tornando os investimentos ainda mais atrativos.
As ações posicionam o Paraná como exemplo de como políticas públicas podem alavancar a produção e o uso de combustíveis limpos no Brasil, em sinergia com declarações como a de Manzano, da Copersucar, que apontam o biometano como uma alternativa concreta e urgente para reduzir as emissões no setor de transportes.
Volare movido a metano na Bahia
A Bahiagás apresentou o micro-ônibus a gás da Volare durante a Reunião das Distribuidoras de Gás Natural do Nordeste e do Comitê de Gás e Petróleo do Consórcio Nordeste, realizada em Salvador. O novo modelo de veículo sustentável percorreu as ruas da capital baiana em uma demonstração prática para representantes de concessionárias estaduais de gás natural que participaram do encontro.
Luiz Gavazza, diretor-presidente da Bahiagás, celebrou o avanço como um marco para a mobilidade urbana e destacou o alinhamento da empresa com práticas sustentáveis. “Seguimos conectando tecnologia, meio ambiente e transformação social”, afirmou em publicação nas redes sociais.
A apresentação do veículo reforça o papel da Bahiagás na promoção de soluções energéticas inovadoras e sustentáveis. Com foco em reduzir as emissões de carbono e diversificar a matriz energética do transporte, a empresa tem investido em alternativas ao combustível fóssil tradicional, como o biometano – um gás renovável produzido a partir de resíduos orgânicos, como esgoto e lixo urbano.
A demonstração pública do micro-ônibus foi vista como um exemplo concreto de como a integração entre tecnologia, políticas públicas e responsabilidade ambiental pode transformar o cotidiano das cidades, tornando o transporte mais limpo, eficiente e acessível.
O Paraná vive um momento histórico no setor automotivo. Com uma série de anúncios que somam bilhões em investimentos, o estado consolida sua posição como um dos principais polos industriais da América do Sul. Após o anúncio de investimento de R$ 6,2 bilhões da XBRI em Ponta Grossa, o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, anunciou o investimento de R$ 950 milhões da DAF Camninhões para a sua fábrica no mesmo município, o que foi confirmado pela fabricante de caminhões.
A planta da DAF, que entrou em operação em 2013, será modernizada e ampliada até 2029. A montadora, subsidiária do grupo norte-americano PACCAR, visa não apenas elevar a capacidade produtiva — atualmente de até 50 caminhões por dia –, como também adotar tecnologias de ponta inspiradas na unidade europeia da empresa, localizada em Westerlo, na Bélgica.
Além de atender ao mercado brasileiro, a planta de Ponta Grossa exporta para países como Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Suriname — com a Argentina entrando no radar. Paralelamente, a marca acelera sua presença comercial, com previsão de inaugurar 10 novas concessionárias em 2025, fortalecendo sua rede atual de 70 pontos de atendimento em 16 grupos econômicos.
Outros grandes investimentos automotivos no estado
O investimento da DAF integra um movimento maior de confiança das empresas no ambiente de negócios paranaense, impulsionado por infraestrutura logística de qualidade, incentivos fiscais do programa Paraná Competitivo e mão de obra qualificada.
A Volvo do Brasil iniciou oficialmente, em 8 de maio de 2025, a produção dos primeiros ônibus elétricos articulados e biarticulados do mundo em sua fábrica localizada em Curitiba (PR).Esse marco faz parte de um investimento de R$ 1,5 bilhão no país entre 2023 e 2025, com o objetivo de posicionar o Brasil como base global para a exportação desses modelos Saiba mais:
A montadora alemã já havia anunciado, em meados de 2024, um investimento robusto de R$ 3 bilhões para ampliar sua unidade em São José dos Pinhais. O ciclo de investimento já está ocorrendo e vai até 2028. O plano prevê a produção do novo modelo Tarok, uma picape inédita, e a transferência da fabricação do sedã Virtus para o Paraná. A ampliação fortalece a planta local e libera espaço na unidade de São Bernardo do Campo (SP) para novos veículos híbridos.
XBRI Pneus – R$ 6,2 bilhões
A fabricante de pneus XBRI, em parceria com a chinesa Linglong Tires, confirmou a construção de uma megafábrica em Ponta Grossa, com investimentos que quadruplicaram em relação ao plano original. Serão 12 milhões de pneus para veículos leves, 2,4 milhões para pesados e 200 mil industriais/agrícolas ao ano. A planta contará com usina fotovoltaica, centro de P&D e unidade de reciclagem, com início das obras previsto para o segundo semestre de 2025. Leia mais:
Em 2024, a Hitech Electric consolidou sua posição no mercado brasileiro de veículos elétricos com o lançamento da linha NewDelivery, composta por três modelos de utilitários 100% elétricos: NewDelivery PickUp, NewDelivery Box e NewDelivery Refrigerated. Esses veículos foram projetados para atender às demandas de logística urbana, oferecendo capacidades de carga entre 400 kg e 500 kg, e autonomias que variam de 130 km a 260 km, dependendo da configuração da bateria . Os preços de pré-venda iniciaram em R$ 88.990 para o modelo PickUp .
Para apoiar esse lançamento, a empresa inaugurou sua primeira concessionária exclusiva em São Paulo, em parceria com o Grupo Carueme, que investiu R$ 6 milhões no projeto . Além disso, a Hitech Electric planeja expandir sua rede com mais oito pontos de venda e pós-venda até o final do ano, visando dobrar suas vendas e alcançar a marca de 600 unidades comercializadas em 2024 . A empresa também avançou na nacionalização de componentes, como o powertrain, e estabeleceu parcerias estratégicas, incluindo a Positivo Tecnologia, para fortalecer sua presença no mercado de eletromobilidade.
Ambiente favorável atrai R$ 300 bilhões em investimentos privados desde 2019
Desde o lançamento do programa Paraná Competitivo, o estado atraiu cerca de R$ 300 bilhões em investimentos privados, segundo a Invest Paraná. Os aportes se concentram nos setores automotivo, agroindustrial e eletroeletrônico, com forte ênfase em inovação, sustentabilidade e tecnologia.
Com montadoras tradicionais ampliando operações, fabricantes nacionais emergindo com protagonismo e multinacionais apostando no estado para desenvolver tecnologias verdes e exportar para o mundo, o Paraná acelera em direção ao futuro da mobilidade. A nova onda de investimentos não apenas gera empregos e dinamiza a economia regional, mas também consolida o estado como hub industrial e exportador automotivo da América do Sul.
Localizado em Indaiatuba, interior de São Paulo, o Campo de Provas da Cruz Alta (CPCA) é o maior centro de desenvolvimento de veículos do hemisfério sul e uma das estruturas mais avançadas da General Motors no mundo. Inaugurado em 1974 e prestes a completar 50 anos de atuação, o CPCA é o principal centro de validação de veículos da GM na América do Sul e o segundo mais completo da empresa no planeta. Agora, o local também se destaca como referência nacional em eficiência energética.
CPCA será sede dos testes oficiais do Inmetro
O Inmetro selecionou o CPCA para a realização dos testes oficiais de eficiência energética do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), responsável pelo Selo de Eficiência Energética presente em todos os veículos vendidos no Brasil. A decisão reforça o papel estratégico do Campo de Provas na promoção de uma mobilidade mais sustentável, padronizada e transparente.
“No ano em que celebramos os 100 anos da GM no Brasil, é uma honra para nós ter o nosso Campo de Provas como sede dos testes de eficiência energética do Inmetro. Trata-se de uma iniciativa fundamental, que beneficia toda a indústria nacional e orienta as empresas na adoção de práticas mais sustentáveis e transparentes“, destacou Fabio Rua, vice-presidente da GM América do Sul.
Estrutura administrativa e laboratórios do Campo de Provas da Cruz Alta (CPCA), em Indaiatuba (SP), centro de excelência da General Motors para desenvolvimento e validação de veículos no hemisfério sul. O complexo abriga modernas instalações para testes de emissões, segurança, ruído e eficiência energética.
Com infraestrutura técnica, o CPCA conduzirá duas etapas do programa. A primeira fase inclui a pesagem dos veículos e o teste de desaceleração, que avalia a eficiência aerodinâmica e a resistência ao rolamento. Essa etapa será realizada em uma pista especialmente projetada, com duas retas paralelas de 2,2 quilômetros interligadas por curvas. O traçado é cercado por vegetação densa, o que reduz a influência do vento e garante maior estabilidade nas medições.
“O Campo de Provas foi selecionado com base em critérios técnicos, como infraestrutura disponível, capacidade operacional e conformidade com os requisitos dos ensaios de eficiência energética do PBEV. A escolha buscou assegurar bases técnicas sólidas para decisões que impactam o consumo e a sustentabilidade”, afirmou Hércules Souza, chefe da Divisão de Regulamentação e Qualidade Regulatória do Inmetro.
Cada empresa participante conduz os testes com seus próprios veículos e técnicos, sob supervisão rigorosa dos auditores do Inmetro. O primeiro ciclo de testes contará com 27 modelos, um de cada fabricante. Pela Chevrolet, o modelo escolhido foi o Equinox EV, SUV elétrico recém-lançado no mercado brasileiro.
50 Anos de Inovação e Sustentabilidade
O CPCA conta com 18 pistas de rodagem e sete laboratórios de padrão internacional. São mais de 12 mil testes realizados anualmente e cerca de 6 milhões de quilômetros percorridos em condições controladas para validações que envolvem desde resistência estrutural até emissões e ruído.
**Legenda:** Pista de alta velocidade do Campo de Provas da Cruz Alta (CPCA), em Indaiatuba (SP), onde são realizados testes de desempenho, consumo e estabilidade dos veículos. O local foi recentemente escolhido pelo Inmetro como sede oficial das medições de eficiência energética do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV)
As pistas reproduzem diversos tipos de terrenos encontrados no Brasil, como paralelepípedos, cascalho, terra batida e asfalto deteriorado. Já os laboratórios são especializados em análises de emissões, ruído, vibração, segurança veicular, eficiência energética e sistemas eletroeletrônicos.
Além da excelência técnica, o CPCA também é um modelo de sustentabilidade. A água utilizada é proveniente de poços artesianos e todo o esgoto é tratado no local. Há ainda o cultivo de milho e macadâmia, sendo este o maior plantio da espécie no país. Essas práticas contribuem para a autossuficiência do centro e para projetos ambientais da empresa.
Sobre o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular
Criado em 2008, o PBEV é coordenado pelo Inmetro em parceria com o Ministério de Minas e Energia e o Ibama. O objetivo é fornecer informações claras ao consumidor sobre a eficiência energética dos veículos disponíveis no mercado brasileiro. A classificação leva em conta o consumo de combustível, as emissões de CO₂ e, no caso de veículos elétricos e híbridos, a autonomia.
O Campo de Provas da Cruz Alta consolida-se, portanto, como um pilar de excelência tecnológica e compromisso ambiental, atuando agora não apenas como laboratório de inovação da GM, mas também como referência oficial na promoção de uma mobilidade mais eficiente para todo o país.
A Foton revelou novos números da sua linha de produção dentro do complexo industrial da Agrale, em Caxias do Sul, inaugurada no mês passado. A nova planta ocupa 6 mil m² e opera em regime CKD (Completely Knocked Down), montando caminhões a partir de kits de peças importadas da China.
Segundo Fábio Pontes, diretor de Operações da Foton no Brasil, a escolha por Caxias do Sul se deve à força do polo automotivo local, à disponibilidade de mão de obra qualificada e à proximidade com o Porto de Itajaí (SC), facilitando a logística para importação de peças.
A linha de montagem tem capacidade anual para produzir até 5 mil caminhões, com possibilidade de expansão conforme a demanda. Cada veículo percorre oito estações em linha e quatro fora dela, garantindo máxima qualidade em cada detalhe. Em um ciclo de apenas 20 horas, as peças se transformam em veículos robustos e prontos para as estradas brasileiras.
Linha de montagem instalada dentro da fábrica da Agrale
Inicialmente, a fábrica monta os modelos Aumark S 315 (nas versões manual e automatizada), Aumark S 715, Aumark S 916, Aumark S 1217 e o Auman D 1277, este último marcando a entrada da marca no segmento de caminhões semipesados no país.
Crescimento no mercado brasileiro
A retomada da produção local coincide com um marco simbólico: o primeiro caminhão a sair da linha de montagem de Caxias do Sul, o semileve Aumark S 315, representa o veículo comercial de número 12 milhões produzido pela Foton desde sua fundação na China, em 1996.
No primeiro trimestre de 2025, a Foton emplacou 235 caminhões no Brasil, mais que o dobro do mesmo período de 2024, aumentando sua participação de mercado de 0,40% para 0,87%.
Planos futuros
Embora a montagem atual ocorra nas instalações da Agrale, a Foton já planeja construir uma fábrica própria no Brasil, ainda sem local definido. Além disso, a empresa assinou um Memorando de Entendimento com a Iveco para avaliar uma possível colaboração no desenvolvimento de soluções voltadas para os mercados do Brasil e da Argentina.
Foton Argentina
A Foton tem uma presença mais consolidada na Argentina desde 2018, representada pelo Grupo Corven. A marca chinesa tem expandido sua linha de veículos comerciais, abrangendo desde mini caminhões até modelos pesados e elétricos, com foco em setores como construção, mineração, logística e transporte urbano.
Modelos comercializados na Argentina
Ultraleves – TM
Veículo ultraleve ideal para entregas urbanas e de última milha. Possui motor a gasolina de 1.5L com 103 cv e torque de 138 Nm. Disponível em diversas configurações: cabina simples ou dupla, baú e baú refrigerado.
ZTruck –Projetado para operações urbanas, o ZTruck é um caminhão ultraleve com design moderno e eficiente. Produzido localmente na planta de Caseros, destaca-se pela versatilidade e baixo custo operacional.
Leves – Aumark
Linha de caminhões leves equipada com motores Cummins ISF 2.8 e 3.8, oferecendo potência entre 150 e 156 cv. Transmissões manuais ZF de 5 ou 6 marchas. Modelos como o 614 e 815 são ideais para transporte urbano e de média distância, com capacidade de carga variando entre 6.000 e 10.000 kg.
Médios – Auman D
Destinado à distribuição de média e longa distância, o Auman D 1825 possui motor Cummins ISD de 6.7L com 245 cv e torque de 950 Nm. Equipado com transmissão manual de 8 marchas, oferece PBT de 17.000 kg e tanque de combustível de 200 litros.
Pesados
Auman R – Desenvolvido em parceria com a Daimler, o Auman R é voltado para longas distâncias. Equipado com motores Cummins ISG12 e X13, oferece potências entre 430 e 560 cv. Transmissão automatizada ZF TraXon de 12 marchas, com opções de retardador hidráulico. Modelos incluem 1843, 2543, 2556 e 2656.
Auman C – Projetado para aplicações severas em construção e mineração. O modelo Auman C 5045 (8×4) possui motor Cummins ISGe5 de 12L com 460 cv e torque de 2300 Nm. Equipado com transmissão ZF-AMT de 12 marchas e capacidade técnica de PBT de 50.000 kg.
Elétricos – eAumark L6
Primeiro caminhão 100% elétrico da Foton na Argentina. Equipado com baterias CATL de fosfato de ferro-lítio, oferece autonomia entre 200 e 250 km. Motor elétrico de 115 kW (aproximadamente 155 cv) e torque de 300 Nm. Capacidade de carga útil de até 3.575 kg.
Picapes – Tunland G7 e Tunland
As picapes Foton Tunland G7 e Tunland V9 representam a aposta da marca chinesa no segmento de utilitários médios e grandes com foco em robustez, tecnologia e versatilidade. A Tunland G7 é uma picape média com motor 2.0 turbodiesel de 161 cv e 390 Nm de torque, disponível com câmbio manual de 6 marchas ou automático de 8 marchas. Oferece tração 4×2 ou 4×4 com modos selecionáveis, capacidade de carga de 1 tonelada e um conjunto completo de segurança, incluindo 6 airbags, controles de estabilidade e tração, câmera 360° e alerta de colisão.
Já a Tunland V9, topo de linha da marca, traz uma proposta mais refinada, equipada com motorização turbodiesel 2.0 combinada a um sistema híbrido leve de 48V, entregando 175 cv e 451 Nm de torque. A transmissão é automática ZF de 8 marchas com tração 4×4 integral e modos inteligentes. Com dimensões maiores, capacidade de carga de 720 kg e interior premium, ela se destaca por seus equipamentos de conforto como bancos em couro com aquecimento, painéis digitais de até 14,6″, carregador por indução e sistema de som avançado. Também oferece assistentes de condução como alerta de faixa, frenagem autônoma e piloto automático adaptativo.
Produção local e expansão
A Foton iniciou a montagem local de veículos na planta de Tres de Febrero, Buenos Aires, alcançando a marca de 1.000 mini caminhões produzidos e 2.500 unidades vendidas até meados de 2023. A empresa anunciou planos para uma nova planta de montagem com capacidade anual de 5.000 unidades, visando ampliar a produção para incluir caminhões leves e semipesados.
Desempenho de vendas
Em janeiro de 2025, a Foton registrou 130 veículos emplacados na Argentina, posicionando-se como a 22ª marca mais vendida no país. A empresa tem se destacado no segmento de veículos comerciais ultraleves, mantendo liderança por dois anos consecutivos.
A Três Tentos Agroindustrial (3tentos) colheu os frutos da supersafra brasileira, — de grãos em 2025 e biodiesel — e registrou um lucro líquido de R$ 192,4 milhões no primeiro trimestre do ano. O resultado representa um avanço de 23% em relação ao mesmo período do ano passado e reflete não apenas a fartura da produção agrícola, mas também o desempenho expressivo da empresa no setor de biodiesel, um dos seus pilares estratégicos de crescimento.
Com a receita líquida atingindo R$ 3,5 bilhões — alta de 30,6% —, o segmento industrial da 3tentos se destacou fortemente, somando R$ 1,825 bilhão, 20,2% a mais do que em 2024. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela conversão integral da produção de óleo de soja em biodiesel, o que evidencia o papel da empresa na transição energética e no fornecimento de combustíveis mais sustentáveis ao mercado nacional.
Cerca de 80% do farelo de soja processado pela companhia foi direcionado à exportação, mas foi o biodiesel que teve papel central na performance financeira da 3tentos. A estratégia de verticalização da produção e o aproveitamento da supersafra para maximizar a industrialização da soja reforçam a importância do biocombustível no portfólio da empresa, consolidando sua presença como um dos principais players do setor.
No segmento de grãos, a empresa também registrou um avanço expressivo, com receita líquida de R$ 1,047 bilhão — crescimento de 87,2% —, puxado por um salto de quase três vezes no volume de soja comercializado, que chegou a 239,3 mil toneladas. Já o trigo, impulsionado pela produção no Rio Grande do Sul, teve aumento de 26% nas vendas, totalizando 273,9 mil toneladas.
Embora a estiagem no Sul tenha afetado a venda de defensivos agrícolas, o segmento de insumos ainda apresentou crescimento de 4,2%, com R$ 626,5 milhões em receita líquida, sustentado pela atuação da companhia no Vale do Araguaia, durante a safrinha de milho.
Com uma safra recorde de grãos projetada pela Conab em 322,42 milhões de toneladas neste ano, o setor agropecuário brasileiro vive um novo ciclo de expansão, e a 3tentos está entre as protagonistas dessa fase, aliando força comercial e investimentos estratégicos em energias renováveis.
A companhia anunciou também a construção de sua primeira indústria de processamento de milho no Mato Grosso, com previsão de início das operações em 2026 — um novo passo para ampliar sua verticalização e diversificar ainda mais sua atuação na cadeia produtiva.
IBOR entra para lista de empresas que apostam biodiesel puro
IBOR Transportes é pioneira na utilização de óleo de cozinha reciclado
A lista de grandes empresas que estão investindo no uso do biodiesel puro (B100) segue crescendo. Companhias como Bunge, Martelli, JBS, Randon, Be8, Volvo, Scania, Grupo Potencial, BASF, Amaggi e 3tento já adotaram ou trabalham oferecendo essa solução energética renovável. Agora, a IBOR Transportes também se junta a esse movimento, consolidando sua aposta na descarbonização do transporte rodoviário por meio da bioenergia brasileira, também chamada de diesel renovável ou diesel verde.
Pioneirismo e economia circular
A IBOR Transportes, sediada em Juiz de Fora (MG), se tornou a primeira transportadora do Brasil a utilizar biodiesel produzido exclusivamente a partir de óleo de cozinha reciclado. A iniciativa, que une redução das emissões de CO2 com um modelo de economia circular, tem impacto ambiental significativo ao reaproveitar resíduos que seriam descartados.
Para viabilizar a operação, a empresa adquiriu dez caminhões Volvo FH B100 Flex, que entrarão em operação em diversas rotas na região Sudeste.
Investimento em sustentabilidade
Desde 2021, a IBOR vem estudando soluções sustentáveis para seu negócio, culminando no projeto atual no final de 2023, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora. O investimento de R$ 40 milhões resultou na construção de uma usina de biodiesel e de um posto de abastecimento dentro do terreno da empresa, que possui 75 mil m². A previsão é de que a unidade produza inicialmente 30 mil litros de biodiesel por mês a partir de março, com capacidade de expanção para 90 mil litros mensais em 2026.
“O biodiesel de óleo de cozinha usado representa mais que uma evolução tecnológica. É a chance de transformar um resíduo em energia limpa, conectando comunidades e estradas em um ciclo virtuoso de sustentabilidade”, destaca Luiz Antônio Bordim Junior, diretor operacional da IBOR.
Apoio da Volvo Caminhões
A Volvo Caminhões também participa do projeto, fornecendo os caminhões FH B100 Flex, comercializados pela concessionária Treviso. Segundo Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões, a iniciativa está alinhada com os objetivos da montadora: “Queremos trabalhar para um setor de transporte forte e saudável do ponto de vista financeiro, mas que atue de forma sustentável”.
Meta de frota 100% sustentável
Atualmente, 65% da frota de 500 caminhões da IBOR é composta por modelos Volvo FH, todos com contratos de manutenção planejada para otimização de custos e eficiência operacional. A empresa projeta uma transição gradual para uma frota totalmente sustentável.
“Neste primeiro ano, iniciaremos a operação com uma frota-piloto e monitoramento intensivo da performance. A partir do segundo semestre, expandiremos para mais rotas e veículos, ao mesmo tempo em que ampliamos a rede de coleta de óleo e consolidamos processos internos”, explica Guilherme Bordin, diretor comercial da IBOR.
A transportadora também monitora indicadores além da eficiência dos caminhões, como satisfação dos motoristas, impacto ambiental, engajamento das comunidades e feedback dos clientes.
Com 500 motoristas e um quadro total de 750 funcionários, a IBOR é uma das maiores transportadoras do Sudeste, especializada em carga pesada e frete lotação. A empresa transporta produtos siderúrgicos, painéis de fibra de madeira, bobinas de papel e celulose, entre outros insumos essenciais para a indústria.
Atuando nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além de algumas rotas no Centro-Oeste, Nordeste e Sul, a transportadora percorre mensalmente mais de 2,5 milhões de quilômetros e transporta mais de 100 mil toneladas de carga.
Um futuro mais verde
Com um planejamento sólido e investimentos em inovação, a IBOR Transportes dá um passo relevante rumo a um futuro mais sustentável. Seu projeto de biodiesel não apenas reduz a pegada de carbono do transporte rodoviário, mas também contribui para a economia circular, ao reaproveitar um resíduo comum no cotidiano brasileiro.
“Nossa visão é clara: uma frota 100% sustentável. Mas, como bons conhecedores da estrada, sabemos que não adianta ter pressa. O importante é manter o ritmo certo e evoluir de forma estruturada”, finaliza Luiz Antônio Bordim Junior.
Jornalista Marcos Villela é membro associado desde 2018
A indústria automotiva brasileira encerrou o primeiro quadrimestre de 2025 com sinais positivos na produção e nas exportações, mas enfrenta um novo desafio: o crescimento acelerado das vendas importados, especialmente da China. A fatia de carros chineses atingiu 6% dos emplacamentos no período, refletindo um aumento de 28% nas vendas desses modelos, enquanto as montadoras nacionais avançaram apenas 0,2%.
Segundo dados divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), entre janeiro e abril de 2025, foram produzidos 811,2 mil veículos no país, um crescimento de 6,7% em relação ao mesmo período de 2024 — o melhor resultado desde 2019. As exportações tiveram um salto expressivo de 47,8%, impulsionadas principalmente pela demanda argentina, que respondeu por 59,1% do total exportado.
Por outro lado, o mercado interno mostra sinais de estagnação. Embora o emplacamento total tenha subido 3,4%, a diferença entre modelos nacionais e importados chama atenção. As vendas de importados cresceram 18,7% e chegaram a 150,1 mil unidades no quadrimestre. A China lidera entre os países de origem, com 44,1 mil veículos vendidos — consolidando-se como principal fonte de pressão sobre a indústria local.
O bom desempenho da produção foi puxado principalmente pelos automóveis e comerciais leves, que registraram alta de 6,2%. Já os veículos pesados apresentaram desempenho misto: a produção de ônibus subiu 8%, mas a de caminhões caiu 6% em abril, encerrando o quadrimestre com retração de 0,4% nas vendas.
**Emplacamento de veículos pesados segue em queda para caminhões e dispara para ônibus** Enquanto as vendas de caminhões recuaram 13,1% em abril e acumulam queda de 0,4% no quadrimestre, os ônibus registraram forte alta: 26,8% em abril e expressivos 32,4% no acumulado de 2025. Os dados refletem a mudança na dinâmica do transporte e os impactos da demanda por mobilidade urbana. Fonte: Anfavea.
Esse comportamento preocupa o setor, que vinha de uma trajetória positiva de recuperação. “Precisamos retomar a confiança do consumidor e estabilizar os incentivos de financiamento e renovação da frota”, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
Fonte: Anfavea
China adia produção local
Na coletiva de imprensa realizada em 8 de maio, Calvet destacou que a facilidade para importar está postergando o início da produção local de montadoras chinesas. Empresas como BYD e GWM prometeram fábricas no Brasil — em Camaçari (BA) e Iracemápolis (SP), respectivamente —, mas seguem priorizando as importações. “Estão pedindo até isenção tarifária para veículos desmontados (CKD e SKD), o que afronta nossa indústria”, criticou.
Para conter o avanço, a Anfavea defende a antecipação da alíquota de 35% para importação de elétricos e híbridos, prevista para 2026, além de estudar ações contra práticas de dumping.
Outro destaque do quadrimestre foi o crescimento nas vendas para locadoras, que representaram 25% dos emplacamentos de veículos leves em abril. Além disso, os modelos eletrificados — elétricos, híbridos e híbridos plug-in — continuam ganhando espaço, com participação de 10,1% no total vendido, somando mais de 66 mil unidades no ano.
Perspectivas para o setor
A Anfavea passou a integrar o Boletim Focus, colaborando com projeções econômicas. Para 2025, a entidade estima crescimento de 6,3% para a indústria automotiva, apoiado no aquecimento da demanda e no lançamento de novos modelos com tecnologias de propulsão alternativas.
Embora os dados gerais revelem recuperação, o avanço das importações — e a ausência de contrapartidas industriais por parte das marcas estrangeiras — representa um risco real de desindustrialização. O setor cobra medidas efetivas do governo para garantir condições equitativas de concorrência e a sustentabilidade da cadeia automotiva brasileira.
A Mercedes-Benz apresentou oficialmente a nova geração do CLA, um sedã compacto de luxo que eleva o padrão em eficiência e conectividade. Com estreia marcada para os próximos meses, o modelo chega para redefinir a categoria com tecnologias avançadas, visual arrojado e motorização eletrificada.
Inspirado no inovador protótipo EQXX, o novo CLA foi desenvolvido sobre a plataforma inédita MMA (Mercedes Modular Architecture), pensada para maximizar a eficiência e integrar recursos de última geração. Um dos destaques está na versão elétrica com autonomia de até 792 km — número que posiciona o modelo entre os líderes em alcance dentro do segmento premium.
O design mantém o estilo elegante e esportivo do conceito EQXX, enquanto o interior aposta em sofisticação digital. O CLA poderá ser equipado com até três telas integradas, além de contar com o novo sistema operacional MB.OS, desenvolvido pela própria Mercedes-Benz. A tecnologia inclui assistente virtual com inteligência artificial e integração nativa com o Google Maps, prometendo uma experiência conectada e intuitiva.
Interior futurista do novo Mercedes CLA: três telas integradas, IA embarcada e luz ambiente para uma experiência de luxo totalmente digital
A nova linha CLA será oferecida em versões 100% elétricas e a combustão, com forte ênfase na eletrificação. Entre os modelos elétricos, estão o CLA 250+, com autonomia estimada entre 431 e 492 km, e o CLA 350 4Matic, que traz tração integral e autonomia de até 479 km. Ambas as versões utilizam baterias de 85 kWh e arquitetura de 800 volts, que permite carregamento ultrarrápido — até 201 km em apenas 10 minutos.
Os modelos elétricos também vêm com sons personalizados, simulando diferentes experiências sonoras ao dirigir, além de um exclusivo câmbio de duas marchas no eixo traseiro, o que melhora a performance e a eficiência em altas velocidades. O sistema também já está preparado para carregamento bidirecional, permitindo que o veículo forneça energia para a casa ou outros dispositivos.
Para os que ainda preferem o tradicional motor a combustão, o CLA terá opções com um novo propulsor 1.5 turbo de quatro cilindros (código M252), aliado a um câmbio automatizado de oito marchas. Essas versões híbridas leves prometem desempenho eficiente e consumo comparável ao de modelos a diesel, sem necessidade de recarga elétrica. Estão previstas versões com 134, 161 e 188 cavalos de potência.
Detalhes que impressionam: nova lanterna traseira com assinatura luminosa da Mercedes-Benz no CLA elétrico. Design e identidade marcantes
Chegada ao mercado
A nova geração do Mercedes-Benz CLA será lançada primeiro com as versões elétricas, seguidas pelas a combustão. Os preços devem começar em torno de US$ 60,4 mil no Reino Unido.
Combinando autonomia elevada, recarga ultrarrápida, sofisticação digital e opções de motorização flexíveis, o novo CLA reafirma o compromisso da Mercedes-Benz com a mobilidade de luxo do futuro.