sexta-feira, abril 3, 2026

Noma do Brasil adota FMEA para elevar qualidade e confiabilidade na indústria 

Empresa reforça liderança em implementos rodoviários com a implementação da metodologia FMEA de gestão de riscos mais eficaz do setor 

A gestão de riscos é hoje uma prioridade estratégica para a indústria global, e a Noma do Brasil, uma das maiores fabricantes de implementos rodoviários do país, está dando um passo decisivo para elevar ainda mais seus padrões de qualidade e inovação. A companhia adotou a metodologia FMEA (Failure Modes and Effects Analysis em inglês ou Análise de Modos de Falha e Efeitos, em português) como parte fundamental de sua estratégia de excelência operacional, segurança e confiabilidade. 

Com um mercado cada vez mais exigente em termos de robustez e durabilidade dos produtos, a FMEA surge como uma ferramenta indispensável para antecipar problemas, corrigir falhas potenciais e fortalecer a imagem da marca. 

O que é o FMEA e por que é tão importante?

Originalmente desenvolvido para setores como o aeroespacial e automotivo, o FMEA é uma metodologia sistemática para identificar possíveis falhas em projetos e processos antes que elas aconteçam. O objetivo é analisar os efeitos e causas das falhas, priorizar os riscos e implementar ações corretivas de forma preventiva. 

Existem diferentes modalidades da ferramenta: 

  • DFMEA (Design FMEA): voltado para o desenvolvimento de produtos. 
  • PFMEA (Process FMEA): focado nos processos de fabricação. 
  • MFMEA e SFMEA: aplicados à manufatura e aos serviços, respectivamente. 

Com o FMEA, empresas conseguem reduzir custos operacionais, aumentar a satisfação dos clientes, melhorar a confiabilidade dos produtos e atender às rigorosas normas de qualidade e segurança. 

A Iniciativa da Noma do Brasil

FMEA
Equipe da Noma do Brasil durante treinamento interno de FMEA: foco na prevenção de falhas, melhoria contínua e excelência nos processos industriais

A decisão de adotar o FMEA faz parte da visão estratégica da Noma de consolidar sua posição como líder em qualidade e inovação no mercado de implementos rodoviários. 

“Em um mercado cada vez mais exigente, ações que minimizem os efeitos de eventuais falhas elevam a robustez dos nossos produtos. Isso é fundamental para garantir a satisfação dos clientes e reforçar nossa posição de liderança”, destacou a direção da empresa. 

Inicialmente, o FMEA foi implementado nas áreas de Engenharia de Produto, Engenharia de Processos e Produção, impactando diretamente a confiabilidade, durabilidade e qualidade dos implementos. 

A demanda do mercado por produtos que reduzam paradas não programadas e aumentem o valor de revenda também influenciou a decisão da empresa de investir fortemente na ferramenta. 

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Como foi o processo de implementação

Para garantir o sucesso da implementação, a Noma desenvolveu um programa de capacitação estruturado em etapas, com treinamentos teóricos ministrados por especialistas e workshops práticos aplicados diretamente nos projetos. 

Mais de 100 colaboradores foram treinados, abrangendo as áreas de Engenharia, Produção, Qualidade, Pós-Vendas e Suprimentos. Profissionais com sólido conhecimento técnico, capacidade analítica e experiência prática foram selecionados para compor as equipes de FMEA. 

Impactos esperados e benefícios

A expectativa da Noma é transformar a rotina de seus processos internos, integrando a análise de riscos como prática cotidiana desde o desenvolvimento até a produção. 

Entre os principais ganhos previstos com a aplicação do FMEA, estão: 

  • Redução significativa de falhas em campo 
  • Aumento da confiabilidade e durabilidade dos implementos 
  • Melhoria no índice de satisfação do cliente 
  • Eficiência nos processos internos 
  • Redução de custos com retrabalho e manutenção 

Indicadores específicos de desempenho (KPIs) foram definidos para medir o sucesso da implementação, como a diminuição de não conformidades internas e externas, aumento do tempo médio entre falhas e melhoria nos índices de atendimento pós-venda. 

Uma cultura de prevenção contínua

A adoção do FMEA na Noma é parte de um plano mais amplo de inovação e excelência, que inclui: 

  • Filosofia Kaizen (melhoria contínua) 
  • Práticas Lean Manufacturing 
  • Modernização dos processos produtivos 
  • Investimentos em tecnologia e digitalização de produtos 

A empresa também pretende criar um banco de dados interno de modos de falha, acelerando futuras análises e garantindo ainda mais assertividade nas ações preventivas. 

“Estamos reforçando a cultura de prevenção através de treinamentos contínuos, revisão periódica dos FMEAs implantados e reconhecimento das equipes que antecipam riscos”, afirmou a direção da Noma. 

Futuro da Gestão de Riscos na Noma

Após a primeira fase de implementação nas áreas internas, a Noma planeja expandir a metodologia para novos projetos e fornecedores estratégicos, fortalecendo toda a sua cadeia de valor. 

Essa transformação representa um marco para a empresa. 

Inspirada nas melhores práticas globais e no seu DNA de robustez e inovação, a Noma do Brasil mostra que, na estrada da melhoria contínua, não há linha de chegada — há apenas novos caminhos para evoluir. 

Expresso Guanabara investe R$ 60 milhões em nova frota e lança serviço Leito Cama

A Expresso Guanabara anunciou a compra de 30 novos ônibus Comil Campione Invictus, com investimento superior a R$ 60 milhões. O plano inclui a estreia do serviço Leito Cama, com 10 ônibus Double Decker configurados para oferecer mais conforto em rotas como Fortaleza–Teresina, Fortaleza–Recife e Fortaleza–Natal.

A saber, outros 20 veículos modelo Invictus 1200, com 46 poltronas Semileito, atenderão rotas intermunicipais e o Sudeste. A Mercedes-Benz monta todos os ônibus sobre chassis O-500 RSD BlueTec 6, priorizando desempenho e sustentabilidade.

“Esse investimento reflete a nossa estratégia de renovar constantemente a nossa frota e implementar os serviços já desejados pelos nossos clientes. Através de pesquisas, nós constatamos o desejo de um serviço Premium Max”, afirma Rodrigo Mont’Alverne, gerente de marketing da empresa.

Aliás, com ar-condicionado, poltronas reclináveis, conectores USB, elevador de acessibilidade e sanitário, a Guanabara amplia sua aposta em conforto, inovação e experiência do passageiro.

Ouro e Prata renova frota com 50 novos ônibus Marcopolo Paradiso G8

A Viação Ouro e Prata, uma das maiores operadoras de transporte rodoviário do Brasil, anunciou que renovou sua frota com 50 novos ônibus da fabricante Marcopolo. A empresa adquiriu os modelos Paradiso 1800 DD G8, Paradiso 1600 LD G8 e Paradiso 1200 G8. E ela os utilizará em linhas rodoviárias nos estados de maior operação, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará.

Ricardo Portolan, diretor de operações comerciais da Marcopolo, destacou a importância da colaboração. E a parceria com a Ouro e Prata é um exemplo para o segmento de transporte rodoviário do País. Pois o relacionamento entre as empresas permite que desenvolvamos soluções sob medida para as necessidades e características das linhas operadas pela empresa. Outro destaque é a grande venda do modelo Paradiso 1600 LD. Que permite à Ouro e Prata ampliar a sofisticação e exclusividade do seu serviço premium.

Diferenciais dos novos veículos

Os 50 novos ônibus da Ouro e Prata contam com diversas configurações, incluindo poltronas leito, leito cama e semileito, todas equipadas com tomadas USB, descanso para as pernas, porta-copos e porta-revistas. Além disso, os veículos possuem sanitário, sistema de ar-condicionado, dispositivo de acessibilidade e internet Wi-Fi, garantindo uma experiência de viagem completa e confortável para os passageiros.

História da Viação Ouro e Prata

Fundada em 1939, a Viação Ouro e Prata iniciou suas atividades como empresa de transporte de carga e passageiros em Crissiumal, no Rio Grande do Sul. Ao longo dos anos, a empresa consolidou sua posição de liderança no mercado brasileiro, investindo assim em inovação, tecnologia e capacitação de pessoas. Atualmente, a Ouro e Prata se destaca pela segurança, conforto e frota moderna, oferecendo serviços de alta qualidade aos seus clientes.

Saiba mais:

Grupo Parvi e JAL renovam frotas com Marcopolo e Mercedes-Benz

Parvi
Os modelos da Marcopolo e o MB OF 1721

Esta semana, empresas anunciaram duas importantes renovações de frotas no setor de transporte de passageiros no Brasil. A saber, o Grupo Parvi adquiriu 212 ônibus com carroceria Marcopolo para a Parvi Transportes, ampliando sua atuação no Norte e Nordeste. Já o Grupo JAL, do Rio de Janeiro, reforçou sua frota com 70 unidades do chassi Mercedes-Benz OF 1721, reafirmando seu compromisso com eficiência e sustentabilidade no transporte urbano.

Parvi Transportes

O Grupo Parvi, um dos principais conglomerados do setor de mobilidade do Brasil, realizou um grande investimento na renovação da frota da Parvi Transportes. Aliás, a empresa adquiriu 212 ônibus com carroceria Marcopolo, reforçando sua atuação no transporte de passageiros e reafirmando seu compromisso com qualidade, segurança e conforto.

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A Parvi Transportes opera há quase três décadas e está presente em seis estados brasileiros – Pernambuco, Bahia, Maranhão, Ceará, Amazonas e Pará (Barcarena e Parauapebas). A renovação da frota inclui modelos rodoviários Paradiso 1800 Double Decker, Ideale 800 e micro-ônibus Senior na versão fretamento.

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Entrega e operação dos novos veículos

Até o momento, 154 unidades já foram entregues pela Polobus, que é distribuidora oficial da Marcopolo na região. E esses ônibus estão em operação nas cidades de São Luís, no Maranhão, e Parauapebas, no Pará, pois atendem a demandas da Vale. Do total, foram entregues 98 unidades do Ideale 800 e 56 do Senior. Além disso, os 50 Ideale 800 restantes e os oito Paradiso 1800 DD serão entregues até abril.

O programa de renovação de frota da Parvi Transportes é referência para o mercado brasileiro. E garante tanto aos passageiros quanto aos motoristas acesso aos modelos mais avançados do setor, pois oferece benefícios que se traduzem em segurança, conforto e eficiência. Além disso, é importante destacar a primeira aquisição de ônibus rodoviários Paradiso G8 1800 DD pela Parvi. Que serão destinados às operações de turismo na região Nordeste, afirma Ricardo Portolan, diretor de operações comerciais mercado interno e marketing da Marcopolo.

Grupo JAL faz aquisição com o programa Refrota

Além da Parvi Transportes, outro destaque no setor é o Grupo JAL, de São João do Meriti (RJ), que recentemente adquiriu 70 unidades do chassi Mercedes-Benz OF 1721 para suas empresas Flores e Real Rio. O modelo, líder de vendas há mais de uma década, é reconhecido pela eficiência no transporte urbano e de fretamento. A aquisição foi realizada por meio do programa Refrota, do Governo Federal, com financiamento via Banco Mercedes-Benz.

O Grupo JAL também investiu em 16 unidades do OF 1619, equipadas com a tecnologia BlueTec 6, que reduz emissões de poluentes e reforça o compromisso da empresa com a sustentabilidade.

“Nossa empresa é certificada com o Selo Verde, que identifica veículos ecologicamente corretos a serviço dos usuários e da sociedade”, destaca Sérgio Lavouras, acionista do Grupo JAL.

 

Escassez de galpões logísticos pressiona preços e acelera investimentos no Brasil 

Demanda recorde, baixa vacância e investimentos bilionários impulsionam o mercado de galpões logísticos no Brasil, com destaque para projetos em
São Paulo, Paraná e Santa Catarina que visam atender transportadores,
operadores logísticos, e-commerces e data centers

O mercado de galpões logísticos no Brasil atravessa um momento histórico de expansão em 2025. A absorção bruta no primeiro trimestre alcançou 1,1 milhão de metros quadrados, o maior volume registrado nos últimos quatro anos, segundo dados da Binswanger Brazil. Essa forte demanda, somada à entrega abaixo do esperado de novos empreendimentos e à baixa taxa de vacância, tem pressionado os preços de aluguel em todo o país.

A vacância caiu para 7,9%, o menor índice da história, enquanto o preço médio nacional de locação chegou a R$ 29,10/m², com aumento de 11,6% em relação ao ano anterior. Em São Paulo, o valor é ainda mais alto: R$ 31,80/m², com salto de 17%.

Com atrasos estimados em 20% nas entregas previstas para este ano, o mercado deve se manter aquecido até o fim de 2025, o que tem impulsionado investimentos bilionários em infraestrutura logística em estados estratégicos como São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

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O cenário é explicado por uma combinação de entregas abaixo do esperado e forte demanda por espaços bem localizados e estruturados, especialmente nas regiões Sudeste e Sul. De acordo com André Romano, diretor da JLL, “a escassez de novos imóveis e a alta demanda continuam a impactar diretamente os preços”. 

A consultoria estima que, mesmo com novos projetos em andamento, cerca de 20% do estoque previsto para 2025 pode sofrer atrasos, mantendo o mercado em equilíbrio até o final do ano. 

Fulwood estreia em Santa Catarina com parque logístico de R$ 115 milhões

A Fulwood, uma das principais desenvolvedoras de condomínios logístico-industriais do Brasil, anunciou sua estreia em Santa Catarina com o lançamento do GCR Business Park, empreendimento de R$ 115 milhões localizado entre Florianópolis e o Porto de Itajaí. Com inauguração prevista para maio, o condomínio contará com 50.102,89 m² de área locável, oferecendo infraestrutura moderna para empresas dos setores de varejo, alimentos, bebidas, farmacêutico, autopeças, logística e indústrias leves.

O projeto inclui galpões de alto padrão, com pé-direito de 12 metros, piso com capacidade para 6 toneladas/m², vãos livres de até 22,5 metros, ventilação cruzada e isolamento termoacústico, além de 104 vagas para carretas e carros, carregamento para veículos elétricos, portaria blindada e monitoramento 24h.

“O GCR Business Park reforça o compromisso da Fulwood com o desenvolvimento do setor logístico em Santa Catarina”, afirma Gilson Schilis, CEO da Fulwood. A empresa encerrou 2024 com taxa de vacância de apenas 2,3%, e deve entregar 150 mil m² de ABL em 2025, incluindo também o Guarulhos Business Park, já inaugurado.

Galoppo investe R$ 1 bilhão em novo polo logístico no Rodoanel 

Um dos maiores movimentos no setor vem da gestora de fundos imobiliários Galoppo, que anunciou a construção de um megaempreendimento logístico em Santana do Parnaíba (SP), com investimento estimado em R$ 1 bilhão. O projeto, localizado às margens do Rodoanel, contará com três galpões totalizando 260 mil m² de Área Bruta Locável (ABL). 

O CEO da Galoppo, Claudio Algranti, destaca a importância da localização: “O local possui boa disponibilidade de energia, está em uma área com mão de obra qualificada e tem acesso facilitado a pontos estratégicos do estado, o que pode atrair empresas de e-commerce, operadores logísticos e até data centers.” 

A Luft Logistics já firmou carta de intenção para ocupar 100 mil m² do novo empreendimento por pelo menos cinco anos. Os demais espaços devem ser ofertados a empresas de comércio eletrônico e operadores logísticos, com possibilidade futura de adaptação para data centers, devido ao potencial energético da região. 

Além disso, a Galoppo planeja investir mais R$ 400 milhões em novos ativos em 2025, incluindo negociações avançadas para a aquisição de um galpão em Campinas (SP) e expansão em Garuva (SC), onde já possui 22 mil m² e pretende adquirir mais 51 mil m². 

Acro Cabos expande em Curitiba e triplica capacidade logística no Sul 

A Acro Cabos de Aço, referência em soluções para movimentação de cargas, também ampliou sua atuação logística ao inaugurar um novo armazém em Curitiba (PR), com capacidade 250% maior que o espaço anterior. O novo galpão, localizado no bairro Boqueirão, terá 1.200 m² de área construída e será essencial para melhorar a pronta-entrega na região Sul. 

Segundo o CEO Rafael Simon, “Curitiba é um hub logístico estratégico, com excelente infraestrutura rodoviária e proximidade com centros comerciais e industriais do Sul e Sudeste”. O executivo revelou que, a partir de 2026, o local deve receber também atividades produtivas, gerando empregos e fortalecendo a presença da empresa na região. 

Grupo Kyly aposta em galpão sustentável em Santa Catarina 

No interior catarinense, o Grupo Kyly, maior fabricante de roupas infantis do Brasil, está investindo R$ 8 milhões em um novo galpão logístico de 5 mil m² em Pomerode (SC). O projeto, parte do plano diretor da empresa, visa reduzir o impacto do tráfego urbano da cidade ao concentrar em um único local o armazenamento da pluma de algodão utilizada na fiação da marca Fio Puro. 

Com o novo galpão, a empresa eliminará a necessidade de caminhões atravessarem o centro da cidade para transportar matéria-prima entre unidades, o que representa uma solução logística mais eficiente e sustentável. “Este projeto reflete o nosso compromisso com a eficiência operacional e responsabilidade com a comunidade local”, afirma Robson Heidemann, presidente da Kyly. 

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Cenário futuro: investimentos e planejamento para evitar gargalos 

O momento atual exige planejamento logístico apurado por parte de transportadoras, embarcadores e operadores logísticos. Com estoques apertados, preços em alta e alta demanda por localizações estratégicas, empresas que antecipam suas necessidades de armazenagem podem garantir melhores condições e reduzir riscos operacionais. 

Além disso, a diversificação de usos dos galpões — com potencial para abrigar centros de dados, atividades industriais e de cross-docking — mostra como a logística está no centro da transformação da infraestrutura empresarial brasileira. 

A expectativa para o segundo semestre é de manutenção do ritmo de investimentos, apesar de uma possível leve alta na vacância com as entregas previstas. O desafio será equilibrar custo, demanda e sustentabilidade, mantendo a eficiência logística como prioridade máxima para toda a cadeia de suprimentos. 

Volvo registra aumento de mais de 25% nas vendas globais de caminhões a gás 

A busca por soluções de transporte mais sustentáveis está se acelerando em diversas partes do mundo, e a Volvo Trucks é um dos nomes que está capitalizando esse movimento com força. A fabricante sueca anunciou que as vendas globais de seus caminhões movidos a gás cresceram mais de 25% em 2024, ultrapassando a marca de 8.000 unidades comercializadas globalmente. Os mercados que puxam esse crescimento são principalmente europeus: Suécia, Noruega, Holanda, Espanha e Reino Unido. Logo abaixo, descremos o contexto da Volvo no Brasil.

Os caminhões movidos a gás da Volvo se tornaram uma alternativa viável para empresas de transporte que buscam reduzir suas emissões de carbono sem renunciar à eficiência. Com autonomia de até 1.000 quilômetros na configuração LNG (Gás Natural Liquefeito em português), esses modelos se mostram ideais para operações de distribuição regional, transporte de longa distância e até serviços na construção civil. 

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“Vemos uma demanda crescente por caminhões a gás porque muitos de nossos clientes querem reduzir suas emissões de CO₂ agora, de forma prática e eficiente”, afirma jan hjelmgren, chefe de gestão de produtos da Volvo Trucks. “Eles combinam custo operacional mais baixo com uma pegada de carbono reduzida e alta produtividade.” 

Caminhões a gás: solução eficiente e sustentável 

Os modelos oferecidos pela marca — FM, FH e FH aero — operam com motores G13 LNG baseados no consagrado motor diesel D13 euro 6, com três faixas de potência: 420hp, 460hp e 500hp. A tecnologia utilizada é a HPDI (injeção direta de alta pressão), que mistura gás natural liquefeito (GNL) com uma pequena quantidade de diesel para ignição. Quando esse diesel é substituído por HVO (óleo vegetal hidrogenado), a redução de CO₂ pode chegar a até 100% — do poço à roda (well to wheel). 

A produção global de biogás — combustível renovável gerado a partir de resíduos orgânicos — também registrou crescimento expressivo de 21% em 2024. O bio-gnl, como é chamado, apresenta o mesmo desempenho do GNL convencional, mas com a vantagem de permitir redução total nas emissões de carbono, dependendo do mix de combustível utilizado. 

Esses avanços tornam os caminhões movidos a gás uma peça central na estratégia da Volvo Trucks de atingir emissões líquidas zero até 2040, ao lado das tecnologias elétricas por bateria e célula de hidrogênio. 

E o Brasil?

Apesar do crescimento global e da tecnologia já madura, a Volvo do Brasil ainda não tem previsão de lançar caminhões a gás no mercado nacional. Segundo a assessoria de imprensa da fabricante, a Volvo segue monitorando o mercado de caminhões a gás em nossa região. “Nossa tecnologia usa o GNL (gás natural liquefeito), que traz vantagens técnicas sobre o GNC (gás natural comprimido). Mas ainda não vemos progresso relevante na infraestrutura de distribuição de GNL no País. Em outros países da América Latina temos sentido avanços. Há alguns caminhões Volvo circulando no Peru (importados da Suécia) e em breve haverá também no Chile. Mas no Brasil, por enquanto, não temos planos para veículos a gás.”

A ausência de uma infraestrutura adequada de abastecimento e políticas públicas de incentivo podem estar entre os principais entraves para que todos os fabricantes de caminhões no Brasil façam lançamentos de caminhões a gás. A exceção é a Scania que já comercializou 1.500 caminhões a gás (GNC) e tem a meta para este ano é entregar mais 1.000 unidades para os frotistas brasileiros.  

A análise do cenário brasileiro mostra que, embora o país seja um dos maiores produtores de biogás da América Latina, o setor de transporte ainda não explora esse combustível em larga escala. O foco no diesel ainda é predominante, com poucos incentivos concretos para uma transição energética. A ausência de uma rede nacional de postos com GNL ou CNL (gás natural comprimido) dificulta a adoção dessa solução. 

Entretanto, o momento é oportuno para o Brasil acompanhar esse movimento global. Com políticas públicas bem estruturadas, incentivos fiscais e investimentos em infraestrutura de abastecimento, o país poderia não apenas diversificar sua matriz energética no transporte, mas também reduzir significativamente as emissões do setor rodoviário, que é um dos mais poluentes. 

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Conclusão

A alta de mais de 25% nas vendas globais de caminhões a gás da Volvo Trucks em 2024 mostra que o setor de transporte está, de fato, caminhando rumo a uma operação mais limpa e sustentável. Países que investiram em infraestrutura e regulamentações estão colhendo os frutos — enquanto mercados como o brasileiro, ainda ausentes dessa tendência, correm o risco de ficar para trás. 

Num momento em que se discute a descarbonização da economia, o Brasil precisa avaliar com urgência como integrar novas tecnologias de combustíveis alternativos ao transporte pesado, especialmente diante do potencial nacional para produção de biogás. 

Indústria de máquinas agrícolas prevê crescimento de 8,2% e as mais vendidas

Projeção otimista da Abimaq após o término da Agrishow aponta retomada do setor, com expectativa de movimentar R$ 65 bilhões até o fim do ano 

A 30ª edição da Agrishow, a maior feira agrícola da América Latina, terminou com uma projeção animadora para o setor de máquinas e equipamentos voltados ao agronegócio. A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) anunciou que as vendas de máquinas agrícolas devem crescer 8,2% em 2025, atingindo um faturamento estimado de R$ 65 bilhões. 

O otimismo vem na esteira de uma recuperação do setor após anos de retração, marcada por desafios climáticos, gargalos logísticos e crédito restrito. A nova estimativa da Abimaq reflete o desempenho positivo do primeiro trimestre e a retomada dos investimentos dos produtores rurais em tecnologias de ponta. 

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Setor de máquinas e equipamentos cresce 15,2% no início de 2025 

Dados apresentados pela Abimaq revelam que a indústria de máquinas e equipamentos, como um todo, registrou um faturamento de R$ 67,5 bilhões entre janeiro e março de 2025 – um avanço de 15,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Especificamente no segmento agrícola, o crescimento foi de 13%, impulsionado por melhora nas condições climáticas e pelo aumento da produtividade no campo. 

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Máquinas agrícolas representam 22% da indústria de equipamentos 

O segmento agrícola se consolidou como um dos pilares da indústria nacional de máquinas. Atualmente, 22% das vendas totais do setor são destinadas ao agronegócio, segundo dados da Abimaq. A forte presença do campo nas estatísticas reforça a relevância do setor não só para o PIB agropecuário, mas para toda a cadeia produtiva brasileira. 

Agrishow 2025: feira gera R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios 

Um dos principais termômetros do setor, a Agrishow 2025 gerou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios, crescimento de 7% em relação à edição de 2024. A feira, realizada entre 28 de abril e 2 de maio em Ribeirão Preto (SP), reuniu milhares de produtores, fabricantes, distribuidores e representantes de políticas públicas do agro. 

Esse resultado expressivo reforça o momento de retomada e confiança do produtor rural, que voltou a investir fortemente em maquinário, inovação e soluções tecnológicas para enfrentar os novos desafios da agricultura moderna. 

Avanço tecnológico impulsiona eficiência no campo 

Entre os destaques da Agrishow 2025 estiveram as soluções digitais e tecnológicas voltadas à produtividade e sustentabilidade. Fabricantes apresentaram sistemas de Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT), Big Data, drones e sensores inteligentes, todos voltados à agricultura de precisão e ao uso racional dos recursos naturais. 

Segundo especialistas presentes no evento, a inovação será a chave para manter a competitividade da agricultura brasileira em um cenário global cada vez mais exigente em termos de eficiência, rastreabilidade e redução de impactos ambientais. 

Ameaça ao crescimento: taxas de juros elevadas 

Apesar das boas perspectivas, a Abimaq fez um alerta durante coletiva de imprensa na Agrishow: as taxas de juros ainda representam um grande entrave ao setor. A taxa Selic, mantida em 14,25%, somada às condições de financiamento pouco atrativas dos bancos privados – com juros que podem ultrapassar 21% ao ano – dificultam o acesso do produtor ao crédito. 

A entidade espera que o novo Plano Safra 2025/26, previsto para ser anunciado em breve, traga linhas de financiamento mais acessíveis e com juros subsidiados, permitindo a manutenção do ritmo de crescimento.

Tendência de demandas por modelos de tratores

Ouvimos especialistas das principais fabricantes de máquinas agricolas para entendermos quais são os modelos de maior tendência para 2025. Confira a seguir:

Tratores
  • máquinas agrícolas
    John Deere Série 8R, modelo 8R 410

    John Deere Série 8R: Destaca-se pela potência e tecnologia embarcada, sendo indicado para grandes propriedades.

  • Valtra Série S6: Apresenta inovações em eficiência energética e conectividade, atendendo às demandas de sustentabilidade no campo.

Colheitadeiras

  • Máquinas agrícolas
    New Holland CR11

    New Holland CR11: Reconhecida como a maior colheitadeira do mundo, com sistema de duplo rotor e tecnologia IntelliSense para ajustes automáticos durante a colheita.

  • Case IH Axial-Flow AF10 Automation: Destaque por seu rotor único e sistema de automação 2.0, que inclui manobras autônomas e suporte remoto.

Plantadeiras e Pulverizadores

  • Nissey Plantadeira 1111: Indicada para plantio de precisão, com opções de 10 e 11 linhas, adaptando-se a diferentes culturas e espaçamentos.

  • Jacto Uniport 3030: Pulverizador com tecnologia de aplicação localizada e conectividade, visando eficiência e redução de custos operacionais.

Esses modelos refletem as tendências atuais do setor agrícola, que busca por máquinas com maior eficiência, tecnologia embarcada e sustentabilidade. A escolha do equipamento ideal dependerá das necessidades específicas de cada propriedade e das culturas cultivadas.

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Conclusão: otimismo com moderação e olhar atento às políticas públicas 

A estimativa de crescimento de 8,2% nas vendas de máquinas agrícolas em 2025 marca um ponto de virada para a indústria de bens de capital voltados ao campo. A confiança é sustentada por uma combinação de safra robusta, investimentos em tecnologia e retomada da confiança do produtor. 

No entanto, especialistas alertam que o crédito rural acessível continuará sendo essencial para que o setor mantenha o ritmo de crescimento. A Agrishow 2025 mostrou que a inovação está no centro da agenda agroindustrial, mas a definição de políticas públicas eficazes será o diferencial para consolidar esse ciclo positivo. 

 

Fraude no INSS: escândalo bilionário pode ter atingido caminhoneiros e ameaça confiança no sistema

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No último dia 23 de abril, o Brasil foi novamente sacudido por um escândalo de corrupção — desta vez, no coração da Previdência Social. Um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) veio à tona, revelando que milhões de beneficiários, especialmente idosos e pessoas de baixa renda, foram sistematicamente lesados ao longo de quase uma década. 

O impacto, porém, pode ter ido além dos aposentados urbanos. Caminhoneiros autônomos e trabalhadores do transporte que contribuem como segurados individuais ou facultativos também podem ter sido atingidos, especialmente entre os que identificaram descontos indevidos em seus benefícios previdenciários. 

Caminhoneiros: vítimas invisíveis da fraude 

Embora o foco inicial das investigações não tenha sido o setor de transporte, há fortes indícios de que caminhoneiros também estejam entre os prejudicados. Muitos profissionais da estrada — que já enfrentam longas jornadas, instabilidade financeira e riscos constantes — dependem da Previdência para garantir aposentadoria, auxílio-doença ou salário-maternidade. 

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Fraudes dessa magnitude abalam a confiança no sistema e incentivam a informalidade, o que pode deixar milhares de trabalhadores desprotegidos em situações de vulnerabilidade. Se o caminhoneiro percebe que está pagando por um sistema que não o protege, ele tende a se afastar. O prejuízo é coletivo: para ele, para a categoria e para o equilíbrio previdenciário do país. 

Como funcionava o esquema 

De acordo com a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), o esquema de corrupção operava por meio de descontos indevidos nos benefícios do INSS, repassados a entidades que, em muitos casos, não prestavam qualquer serviço real aos beneficiários. Estima-se que cerca de R$ 8 bilhões tenham sido desviados, sendo R$ 4,1 bilhões apenas entre 2023 e 2024. 

A fraude, que pode ter começado em 2016, cresceu descontroladamente a partir de 2022, após a revogação da Medida Provisória 871/2019, que obrigava a renovação periódica da autorização para descontos de entidades e sindicatos. Sem esse controle, o sistema ficou mais vulnerável e os saques se intensificaram. 

Omissão, negligência ou cumplicidade? 

A gravidade do escândalo provocou desgaste no governo federal. O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, admitiu em coletiva recente que “sabia das fraudes, mas não do volume delas”. O Tribunal de Contas da União (TCU) já havia alertado o órgão sobre irregularidades detectadas entre o segundo semestre de 2023 e abril de 2024. 

A omissão do governo levanta um questionamento importante: até que ponto houve conivência ou negligência com um esquema que saqueava os mais vulneráveis da sociedade? 

Impactos no transporte: mais rigidez e menos segurança para o trabalhador 

Além do prejuízo financeiro direto, a exposição desse tipo de esquema pode levar a uma rigidez maior na concessão de benefícios. Isso significa que autônomos e pequenos transportadores — especialmente os que enfrentam dificuldades de comprovar renda e tempo de contribuição — podem encontrar ainda mais barreiras para acessar auxílios do INSS. 

O setor já enfrenta desafios estruturais, como a precarização do trabalho e a falta de políticas públicas voltadas aos profissionais da estrada. Este novo episódio escancara outro problema: a falta de proteção efetiva mesmo quando o trabalhador cumpre suas obrigações previdenciárias. 

O que pode ser feito? 

Para especialistas, é urgente que o governo federal reestabeleça mecanismos de controle e transparência, como a revalidação periódica de autorizações para descontos e a criação de canais diretos para contestação de cobranças suspeitas. 

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Além disso, representantes do setor de transporte pedem maior participação nas decisões que envolvem a Previdência, reforçando a importância de proteger quem mantém o Brasil em movimento — especialmente os caminhoneiros e transportadores autônomos, que já lidam com uma rotina exaustiva e instável. Isto é, o governo admite em alto e bom som que sabia, mas nada fez para impedir que a roubalheira continuasse. A pergunta que fica é: negligência, omissão ou cumplicidade? 

Nota:

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam, necessariamente, a visão deste veículo.

Caminhão autônomo fez viagem de 1.930 km em operação real nos EUA

Enquanto os EUA iniciam operações comerciais em vias públicas com caminhão autônomo, o Brasil concentra sua automação em zonas industriais e mineradoras. A diferença? Infraestrutura, regulação e ambição tecnológica. 

Quando o assunto é caminhões autônomos, uma tecnologia que promete aumentar a segurança nas estradas e mitigar a falta crônica de motoristas, há um vácuo entre os Estados Unidos e o Brasil por razões até óbvias — como a precariedade da infraestrutura viária, a ausência de conectividade confiável e o atraso em legislações específicas no território nacional. Não que o Brasil esteja alheio à revolução. Os caminhões autônomos já são uma realidade por aqui, especialmente em setores fechados como mineração, logística portuária e operações agrícolas. Porém, quando o tema é o uso de veículos autônomos em vias públicas, podemos dizer sem exagero que há um abismo entre o Hemisfério Norte e o Sul. 

Estados Unidos: do teste à operação comercial nas estradas 

Em abril de 2025, a Aurora Innovation se tornou a primeira empresa a lançar oficialmente uma operação de transporte comercial com caminhões autônomos pesados em vias públicas nos EUA. O feito histórico envolveu o transporte de produtos congelados por mais de 1.930 quilômetros entre Dallas e Houston, no Texas, sem qualquer intervenção humana. 

O caminhão operava com o Aurora Driver, sistema de direção autônoma Nível 4 na escala da SAE, com câmeras, radares e sensores LiDAR que detectam obstáculos a mais de 450 metros. O projeto foi precedido por quatro anos de testes e mais de 4.828.020 de quilômetros rodadas de forma supervisionada. 

Outras empresas também integram esse ecossistema: 
  • Waymo Via, da Alphabet (Google), testa caminhões Freightliner Cascadia autônomos em vários estados. 
  • Kodiak Robotics já opera o primeiro “truckport” (ponto de apoio exclusivo para caminhões autônomos) na Geórgia. 
  • Plus realiza testes com seu sistema SuperDrive no Texas e na Suécia. 

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Além da tecnologia, os EUA contam com infraestrutura adaptada e políticas estaduais permissivas: Texas, Arizona e Arkansas lideram essa revolução com regulamentações pró-autonomia. Há estados em prol da restrição, como Califórnia e Indiana. A ausência de um marco regulatório federal ainda é um gargalo, mas mesmo isso não impediu a evolução do setor. 

Brasil: realidade autônoma, mas confinada 

Enquanto os EUA colocam caminhões sem motorista em suas rodovias, o Brasil aposta em operações confinadas — ou seja, fora de vias públicas. A líder desse movimento é a Vale, que desde 2016 opera caminhões fora de estrada autônomos na mina de Brucutu (MG). Hoje, a empresa já conta com 24 caminhões autônomos, 18 perfuratrizes e 30 máquinas de pátio operando sem intervenção humana em suas minas em Carajás (PA) e Minas Gerais. 

caminhão autônomo
Caminhão autônomo da Caterpillar em operação na mina Brucutu, da Vale

Os veículos da Vale, fabricados pela Caterpillar, têm capacidade para até 320 toneladas e operam com rede 4G privada. A empresa estima uma redução de 10% no consumo de combustível e 15% nos custos de manutenção, além de ganhos expressivos em segurança: nenhuma fatalidade registrada desde o início da operação autônoma. 

Outra iniciativa relevante é a da Lume Robotics, startup capixaba que colocou o primeiro caminhão 100% autônomo do Brasil para operar dentro do terminal portuário de Aracruz (ES), transportando celulose. Em parceria com a Suzano, a Lume também desenvolve o primeiro caminhão elétrico autônomo sem cabine da América Latina. 

O abismo estrutural e regulatório 

A grande diferença entre os dois países não está apenas na tecnologia, mas sim na capacidade de escalar e integrar essas soluções à malha pública de transporte. Enquanto o Texas, por exemplo, já conta com rotas logísticas exclusivas para veículos autônomos, no Brasil sequer se discute um marco regulatório nacional específico para esses veículos. 

As principais barreiras para a adoção de caminhões autônomos em vias públicas no Brasil incluem: 

  • Infraestrutura rodoviária precária, com sinalização deficiente e manutenção irregular; 
  • Conectividade limitada, especialmente fora dos grandes centros urbanos; 
  • Ausência de regulamentação nacional que defina parâmetros para operação autônoma em rodovias; 
  • Baixo incentivo à inovação em transporte pesado por parte do setor público. 

Em outras palavras, enquanto os EUA estruturam uma rede de apoio legal, logístico e tecnológico, o Brasil ainda depende do setor privado para impulsionar qualquer avanço — restrito a ambientes controlados, fechados, e com investimentos próprios. 

Caminhões autônomos e o futuro da logística 

A promessa dos caminhões autônomos vai além da redução de custos. O setor de transporte rodoviário enfrenta uma crise global de escassez de motoristas — nos EUA, o déficit pode chegar a 160 mil profissionais até 2030, segundo a American Trucking Associations. A automação aparece como uma saída viável, especialmente para rotas longas, repetitivas e de alto custo humano. 

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Conclusão: dois mundos sobre rodas 

A comparação entre Brasil e Estados Unidos no campo dos caminhões autônomos não é apenas tecnológica — é estrutural, política e estratégica. Enquanto o país norte-americano avança com testes públicos e parcerias com gigantes do setor de logística, o Brasil se mostra eficiente apenas onde consegue isolar o ambiente e controlar todas as variáveis. 

Investimento em EVs gera crise de caixa livre nas montadoras 

Nos últimos dois anos, as 28 maiores montadoras do mundo viram seu caixa derreter. A queda no fluxo de caixa livre (free cash flow) acumulado foi de aproximadamente 75%, passando de um pico de US$ 144 bilhões (R$ 741,6 bilhões) em setembro de 2022 para apenas US$ 36 bilhões (R$ 185,4 bilhões) em dezembro de 2024. O número evidencia uma mudança drástica na saúde financeira de um setor que movimenta trilhões de dólares por ano. O motivo? Um volume sem precedentes de investimentos em eletrificação, software e plataformas digitais de mobilidade. 

O que está acontecendo? 

Empresas como Mercedes-Benz, Tesla, Toyota, GM, Volkswagen, Stellantis, BYD e Ford estão em meio a uma transformação estrutural que exige aportes bilionários em novas tecnologias. A corrida por veículos elétricos, soluções digitais e serviços de mobilidade conectada transformou as montadoras em verdadeiras empresas de tecnologia. Mas, como mostram os números, essa mudança está custando caro e ainda não trouxe retorno proporcional. 

Segundo dados compilados por analistas de mercado e confirmados por relatórios financeiros das fabricantes, o fluxo de caixa livre combinado do setor caiu de US$ 144 bilhões (R$ 741,6 bilhões) no 3º trimestre de 2022 para US$ 36 bilhões (R$ 185,4 bilhões) no 4º trimestre de 2024. Embora tenha havido uma leve recuperação de 3% no último trimestre, o patamar atual ainda representa uma retração drástica em relação ao auge. 

caixa livre
Fonte: Relatório das montadoras

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O colapso do caixa, empresa por empresa 

A Stellantis, uma das maiores montadoras do mundo, viu seu fluxo de caixa industrial cair cerca de €18,9 bilhões (R$ 120,8 bilhões) em 2024, segundo seu relatório oficial apresentado aos investidores. A empresa atribui essa queda à diminuição do lucro operacional e ao aumento expressivo dos investimentos em novos produtos elétricos e infraestrutura fabril.  

A Ford é outro exemplo emblemático. A empresa acumulou perdas de US$ 9,7 bilhões (R$ 49,9 bilhões) entre 2023 e 2024 apenas em suas divisões de veículos elétricos e software. Um dos reflexos disso foi o cancelamento do projeto FNV4, uma nova arquitetura eletrônica que prometia rivalizar com a da Tesla. A montadora concluiu que os custos e os atrasos tornavam o projeto inviável, conforme noticiou a Agência Reutes. 

Já a Tesla, referência global em veículos elétricos, viu sua margem de lucro operacional (NOPAT) cair de 13% em 2022 para apenas 5% em 2024, conforme análise publicada pela Forbes. A empresa ainda lidera o mercado de EVs, mas vem sofrendo com aumento da concorrência e queda de demanda em algumas regiões, principalmente, após o início do governo de Donald Trump, informa a Revista Forbes. 

A corrida pelos trilhões do futuro 

O pano de fundo dessa crise de caixa é uma transformação inevitável. A eletrificação da frota mundial é prioridade não apenas de governos e consumidores, mas também do mercado financeiro. A Volkswagen, por exemplo, anunciou que vai investir €52 bilhões (R$ 332,6 bilhões) em eletrificação e baterias até 2026. 

A BMW, mesmo com investimentos robustos em eletrificação e digitalização, conseguiu gerar cerca de €5 bilhões (R$ 31,9 bilhões) em fluxo de caixa livre em 2024, demonstrando um pouco mais de equilíbrio financeiro, conforme está no BMW Group Report.  

Um setor sob pressão 

A indústria automotiva vive um dilema. De um lado, há a urgência em inovar. Do outro, os modelos de receita tradicionais estão perdendo força, e os novos (como serviços de software embarcado, mobilidade por assinatura e plataformas digitais) ainda não se consolidaram. Enquanto isso, o setor convive com margens apertadas e eficiência de capital em declínio. 

Segundo análise da S&P Global, montadoras tradicionais estão sofrendo para competir com players nativos do ambiente digital, como Tesla e BYD. 

A pressão aumenta diante de um cenário macroeconômico adverso, aponta a análise da PwC Auto Industry Trend. Juros elevados, inflação e instabilidades geopolíticas tornam mais caro o financiamento desses investimentos e reduzem a disposição do consumidor em adquirir novos veículos. 

O que vem pela frente? 

Apesar das dificuldades, montadoras como a Stellantis mantêm o otimismo. A empresa destacou que possui um balanço sólido e espera melhorar seus números à medida que os investimentos em eletrificação e software começarem a dar retorno, revelou a Morningstar, consultoria de investimentos. 

Ainda assim, o setor como um todo enfrenta um momento de inflexão. A indústria automobilística está sendo redesenhada, e o capital está sendo drenado mais rapidamente do que os novos modelos de negócios conseguem compensar. 

O futuro pertence às montadoras que conseguirem cruzar essa travessia com inteligência, tecnologia e, acima de tudo, fôlego financeiro.

Nota:

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam, necessariamente, a visão deste veículo.

ZF lança TraXon 2 Hybrid e amplia protagonismo em transmissões inteligentes  

No Brasil, a transmissão ZF TraXon já é bastante conhecida na sua função primária, como caixa de marchas automatizada, principalmente pelos clientes da DAF, Volkswagen e Iveco. No entanto, a TraXon é o que podemos chamar de ‘Transformers das transmissões’. Agora, a ZF acaba de lançar a segunda geração da versão híbrida, a TraXon 2 Hybrid

O novo sistema amplia o papel da transmissão automatizada, somando eficiência energética e redução de emissões ao tradicional desempenho operacional que a consagrou no transporte de cargas pesado. Desenvolvida para atender às exigências globais de sustentabilidade e economia de combustível, a TraXon 2 Hybrid representa mais do que uma atualização técnica: ela projeta o futuro dos caminhões comerciais, inclusive no mercado brasileiro. 

Ganhos mensuráveis em eficiência e sustentabilidade

Projetado com uma arquitetura modular, o TraXon 2 Hybrid chega com números expressivos. Em veículos híbridos elétricos, pode proporcionar até 14% de redução nas emissões de CO₂ em operações de curta distância e 9% em percursos longos. Para aplicações plug-in hybrid (PHEV), a economia pode chegar a 40%, dependendo do tipo de operação, do peso do veículo e da densidade da infraestrutura de recarga. 

Com esses números, a transmissão não só reduz o impacto ambiental das frotas, como também ajuda operadores a reduzirem seus custos com combustível — um fator crítico em mercados como o brasileiro, onde o diesel representa parcela significativa das despesas logísticas. 

“O lançamento do TraXon 2 Hybrid na América do Norte destaca o compromisso da ZF em promover soluções de mobilidade mais limpas para a indústria de veículos comerciais”, afirma John Hawkins, Vice-Presidente Sênior para as Américas da ZF. 

O sistema também é compatível com motores a combustão interna de alta eficiência, demonstrando versatilidade para diferentes cenários operacionais e fases de transição energética. 

e-comp Scroll: o compressor de ar pensado para veículos elétricos

Durante a ACT Expo 2025, em Anaheim (EUA), a ZF também apresentou o e-comp Scroll, um compressor de ar elétrico, isento de óleo, com foco em veículos comerciais híbridos, elétricos a bateria e movidos a célula de combustível. 

Silencioso, com apenas 67 dB(A) a 250 litros por minuto, o sistema é ideal para veículos elétricos, que exigem componentes compatíveis com seu baixo nível de ruído. Além disso, o e-comp Scroll dispensa lubrificação, reduzindo manutenções e eliminando riscos de vazamentos ou descarte de resíduos. 

“O design inovador do e-comp Scroll ajuda a otimizar o custo total de propriedade e melhora a experiência de motoristas e passageiros. Com desligamento automático entre os ciclos de compressão, o sistema economiza energia e aumenta a durabilidade”, explica Paweł Porczyński, Chefe da Linha de Produtos da ZF Commercial Vehicle Solutions. 

O compressor pode alcançar até 12,5 bar e vem com motor elétrico próprio, sistema de resfriamento a líquido e inversor integrado — um pacote completo que atende às exigências das novas gerações de veículos comerciais. 

Soluções complementares e visão para o futuro

No estande da ZF na ACT Expo, também estiveram em destaque tecnologias como: 

  • AxTrax 2 e CeTrax 2 Dual – eixos e trens de força elétricos para caminhões; 
  • eWorX – plataforma para eletrificação de implementos; 
  • OnGuardMAX – sistema ADAS para prevenção de colisões; 
  • EPS e ReAX – sistemas de direção elétrica e hidráulica com assistência inteligente. 

A ZF também participa das discussões sobre veículos autônomos, com o engenheiro-chefe Dirk Wohltmann liderando o painel “Aprendendo com Estudos de Caso de Caminhões Autônomos”. 

Em 2018, tive a oportunidade de testar a primeira geração da transmissão ZF TraXon Hybrid. No vídeo, mostro a experiência na pista de testes da ZF, na Alemanha:

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Cenário nacional e o que esperar

No Brasil, a primeira geração do TraXon já se consolidou nas linhas Meteor e Constellation da Volkswagen, nos pesados da DAF XF, e em modelos extrapesados da Iveco e da Scania. A introdução da versão híbrida é uma sinalização clara de que a ZF está pronta para contribuir com a descarbonização das frotas nacionais, sem renunciar a robustez e confiabilidade. 

Com a TraXon 2 Hybrid, a ZF reforça sua posição como protagonista em transmissões comerciais, abrindo caminho para uma nova geração de caminhões mais econômicos, silenciosos e sustentáveis — algo que, cada vez mais, também é exigido pelo transporte rodoviário brasileiro. 

Kia PV5 de passageiros e furgão já tem preço e pode vir para o Brasil 

A Kia Brasil, importadora dos veículos da Kia Motors, vem ampliando o seu portfólio em veículos elétricos de luxo, incluindo as vans. O próximo passo deverá ser a importação da PV5, uma minivan elétrica recém-apresentada. E, apesar de o segmento ainda ser considerado de nicho por aqui, há boas razões para acreditar que o modelo poderá ser oferecido no mercado brasileiro — ainda que não antes de 2026. 

A PV5 faz parte de uma nova geração de veículos desenvolvidos pela Kia para atuar em diferentes mercados, com foco especial em eletrificação, conectividade e sustentabilidade. A promessa da montadora é globalizar o modelo, mirando especialmente empresas e operadores logísticos que exigem frotas mais eficientes e alinhadas com metas ambientais. 

O que já se sabe sobre a PV5 

Kia PV5
Kia PV5 Passenger: minivan elétrica combina design futurista, versatilidade e foco em mobilidade urbana sustentável; modelo chega ao Brasil em 2026.

A minivan foi apresentada como um modelo versátil, com configurações tanto para transporte de carga quanto para passageiros. Equipada com motor 100% elétrico, ela promete autonomia superior a 300 km, além de recursos avançados como sistemas de assistência à condução (ADAS), conectividade em nuvem e plataformas de gestão de frota. Seu projeto modular também permite adaptações conforme a necessidade operacional, tornando-a atraente para uso urbano corporativo. 

Preço divulgado na Europa 

Nesta semana, a Kia anunciou o preço oficial da PV5 no mercado europeu: 32.992 euros, o equivalente a aproximadamente R$ 211 mil na conversão direta atual (1 euro ≈ R$ 6,39). No entanto, ao considerarmos a tradicional carga tributária brasileira sobre veículos importados, esse valor sobe significativamente. 

Segundo estimativas de mercado, veículos elétricos importados podem sofrer incidência de até 70% de tributos, somando Imposto de Importação, IPI, ICMS, PIS/COFINS e outros encargos. Com isso, o preço da PV5 em território brasileiro pode chegar a cerca de R$ 360 mil. 

Resumo estimado do preço no Brasil: 

Valor base: R$ 211 mil 

  • 70% de impostos ≈ R$ 358.700 

Por que o Brasil entra na mira da Kia? 

Apesar de ainda pouco explorado, o mercado de vans elétricas no Brasil tem ganhado corpo com a entrada de marcas como Peugeot, BYD e Mercedes-Benz. Grandes empresas de logística, delivery e transporte corporativo têm demonstrado interesse crescente em modelos que reduzam emissões e tragam vantagens operacionais a médio prazo. 

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A expectativa é que a PV5 seja introduzida inicialmente para o público corporativo, com foco em frotistas, operadores logísticos e empresas com diretrizes ESG bem definidas. Em um segundo momento, a van pode ser adaptada para transporte executivo ou até fretamento urbano. 

Conclusão 

Com visual futurista, motor elétrico, foco em tecnologia e preço competitivo para o padrão europeu, a PV5 representa uma aposta ousada da Kia no segmento de veículos comerciais premium. Se confirmada a chegada ao Brasil, será mais um sinal de que a mobilidade elétrica está deixando de ser tendência e se tornando realidade — também para o setor corporativo.