segunda-feira, abril 6, 2026

Transcorp reforça frota em Ribeirão Preto com 76 novos ônibus Volksbus

A Transcorp Transportes Coletivos, empresa do grupo Weipar, deu um passo para aprimorar seus serviços de transporte urbano em Ribeirão Preto–SP ao incorporar à sua frota 76 novos ônibus Volksbus, ainda movidos por diesel fóssil, mas com tecnologia Proconve P8, superior a Euro 6.

Com um investimento total aproximado de R$ 27 milhões, essa aquisição representa uma busca para elevar a qualidade do transporte público na cidade.

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Viação Gato Preto testa tecnologia que usa hidrogênio para reduzir consumo e emissões

Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a indústria de ônibus contam com seis fabricantes de ônibus movidos a diesel.

No segmento do Volksbus 17.230, só temos dois fabricantes, portanto, o empresário brasileiro não conta com muitas opções.

Este é o motivo que os empresários de transporte público de passageiros querem muito a evolução de ônibus elétricos.

E eles têm razão

Eles vivem há muitas décadas com dois fornecedores de ônibus para os modelos padrão a diesel. A indústria de ônibus elétrico já conta com 7 fornecedores: Eletra, Marcopolo Attivi Integral, Volvo, BYD, Higer e mais atrasada, a Volkswagen Caminhões e Ônibus. Mas tem outra mais atrasada, a Scania que não acredita sobre eletromobilidade para o Brasil.

Isso vai mudar o futuro em breve

Veja os números da Carta da Anfavea. Há motivo de orgulho sobre o modelo 17.230 com suspensão pneumática. Por quê? A VWCO sabe fabricar ônibus com suspensão pneumática, câmbio automático e motor traseiro. A Volkswagen precisa é que os compradores valorizem essas tecnologias.

Só nesses últimos anos que as empresas estão investindo em ônibus com mais tecnologia. Geralmente, elas compram os mais baratos. Nos meus 37 anos de jornalismo, eu sou testemunha da vergonha que a Volvo teve para lançar um ônibus com motor dianteiro.

Converso com motoristas de ônibus em todas as oportunidades. Sabem por que os motoristas perdem a audição do ouvido direito? Pesquisei sobre isso. Quando o motor é traseiro, o passageiro se senta atrás, fica poucos minutos no ônibus. O motorista fica muitas horas e por anos. Veja como a relação de problemas de saúde dos motoristas com a tecnologia dos ônibus.

Todos os ônibus precisam ter suspensão pneumática, câmbio automatizado, motor traseiro e ar-condicionado. Se eu fosse deputado federal, estadual ou vereador, eu criaria leis tornando essas tecnologias obrigatórias.

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Além disso, aceitação de pagamento da passagem por celular. Esses são os critérios do padrão de ônibus na Europa e em muitos países do mundo. Por que não pode ser no Brasil?

A fabricante Caio foi responsável por encarroçar esses modernos veículos, já integrados à frota da empresa.

A Transcorp opera em 52 linhas na cidade do agronegócio, atendendo a uma demanda diária de mais de 75.000 passageiros. Com a chegada desses ônibus, os padrões de conforto e segurança para os usuários do transporte público local serão elevados ainda mais.

Ainda não é o ideal de hoje, mas é melhor do que o ontem. Sidney Silva, consultor comercial da Volkswagen Caminhões e Ônibus, também destacou a importância desse negócio.

“Este é um dos maiores lotes de veículos equipados com a tecnologia Euro 6 já vendidos. Por mais de três décadas, temos orgulhosamente fornecido soluções robustas e confiáveis para o mercado automotivo, e continuamos comprometidos em oferecer o que há de melhor em termos de tecnologia e desempenho.”

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As 10 maiores empresas de transporte do mundo

No mundo globalizado de hoje, onde a rapidez e a eficiência na entrega de mercadorias são cruciais, as empresas de transporte desempenham um papel fundamental. As 10 maiores empresas deste setor surpreendeu este jornalista. No entanto, vamos respeitar os dados, mesmo tendo questionamentos que faço no final do artigo.

Essas corporações não apenas facilitam o comércio internacional e doméstico, mas também impulsionam as economias ao redor do globo. As autoridades classificam as empresas com base na receita anual das operações de frete expressa em dólares americanos. O SJ Consulting Group compilou a lista e inclui algumas estimativas, com dados de 2023. Sabemos que receita não é sinônimo de eficiência, e temos exemplos como as Lojas Americanas, a Stellantis, a Volkswagen AG, entre outras.

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Assista também o canal FrotaCast. Abaixo, a entrevista exclusiva com o CEO e presidente de Operações Comerciais da Scania Brasil, Simone Montagna:

A classificação completa e mais dados, podem ser solicitados diretamente no site da empresa de consultoria: JS Consulting.

A lista completa e mais dados, podem ser solicitados diretamente no site da empresa de consultoria.
  1. Amazon.com Inc. (EUA)

Liderando o ranking está a Amazon.com Inc., com rendimentos de US$ 117.716 milhões e a receita total de US$ 514.044 milhões. A gigante do varejo on-line não só domina o e-commerce, mas também estabeleceu uma robusta rede de logística, responsável por 22,9% de seu faturamento em 2023.

  1. UPS Inc. (EUA)

Em segundo lugar, encontramos a UPS Inc., uma das mais reconhecidas empresas de entrega expressa e logística do mundo, com rendimentos de US$ 100.338 milhões. A UPS destaca-se por ter uma receita que reflete 100% do seu foco no transporte e logística.

  1. FedEx Corp. (EUA)

A FedEx Corp., conhecida por seu serviço expresso rápido, ocupa a terceira posição, também com 100% de seus US$ 90.155 milhões de rendimentos provenientes do setor de transporte.

  1. DHL Group (Alemanha)

O DHL Group, com sede na Alemanha, é um dos líderes globais em logística e expresso, gerando rendimentos de US$ 87.036 milhões, dos quais 80,4% são atribuídos ao transporte, totalizando US$ 108.254 milhões em valor total.

  1. Maersk (Dinamarca)

A Maersk, gigante dinamarquesa do transporte marítimo, aparece na quinta posição com US$ 80.023 milhões em rendimentos, representando 98,2% do seu valor de mercado de US$ 81.490 milhões.

    1. United States Postal Service (EUA)

    O United States Postal Service (USPS), com faturamento de US$ 78.507 milhões, mostra a importância dos serviços postais nacionais no cenário global.

    Nota do editor: para efeito de comparação com empresa similar no Brasil, Os Correios teve prejuízo de R$ 596,6 milhões em 2023. Para piorar, Os Correios tem um passivo maior do que o ativo (pesquisem o balanço financeiro dela). Ou seja, o patrimônio dos Correios é menor do que dívida. Por isso, a sua privatização é inviável, pois, ninguém quer comprar uma empresa “doente”, exceto se for por preço de banana, a unidade, pois não vale nem o cacho.

  1. CMA CGM (França)

A francesa CMA CGM, uma das principais empresas de transporte marítimo de contêineres do mundo, registrou rendimentos de US$ 74.500 milhões, inteiramente advindos do transporte.

  1. COSCO Shipping Group (China)

O COSCO Shipping Group, da China, com faturamento de US$ 58.108 milhões, é outro importante player no transporte marítimo internacional, contribuindo com 100% para o setor.

  1. Kuehne + Nagel International (Suíça)

Especializada em frete aéreo e marítimo, a Kuehne + Nagel International, da Suíça, ocupa a nona posição, com rendimentos de US$ 45.066 milhões, inteiramente dedicados ao transporte.

  1. SF Express (China)

Fechando a lista, a SF Express, empresa de entrega expressa da China, destaca-se com rendimentos de US$ 41.838 milhões, refletindo seu papel crucial na logística interna e internacional da China.

Essas empresas, com suas operações globais e foco em inovação e eficiência, não apenas definem o padrão para a indústria de transporte, mas também são essenciais para o fluxo contínuo do comércio e da economia mundial.

As empresas são classificadas com base na receita anual das operações de frete expressa em dólares americanos. Lógico, que há diversas outras formas de classificação.

Opinião do editor

Para você, o que muda na sua vida esta lista das 10 maiores empresas de entregas de mercadoras no mundo? Para mim nada, como consumidor, pois o critério seria diferente do critério de acionista. Porém, no entanto, devemos analisar os poucos dados que foram disponibilizados.

Há vários erros na estimativa da consultoria que divulgou. Vamos comentar sobre isso no fim do texto, por é uma forma, de saber quem é leitor de texto e quem é leitor só de título ou de primeiros parágrafos.

Primeiramente, faturamento, não pode ser critério de liderança. Não falta exemplos no mundo deste erro básico.

O Frota News divulgou esta lista mesmo não concordando com ela, pois há razões para isso. Primeiramente, lista se maiores sempre são interessantes. Segundo, foi uma oportunidade, depois de uma análise, para discordar dela.

O portal Frota News valoriza muito o leitor que lê a notícia inteira:  a partir do título até o último parágrafo. Estamos aberto a conversar sobre os dados.

 

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Hidrogênio sustentável, a eterna energia do universo

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O Brasil detém características que o colocam em posição privilegiada para se inserir competitivamente na cadeia do hidrogênio sustentável. “Uma vantagem estratégica fundamental para geração de hidrogênio verde.”

Do lado da oferta, o país dispõe de variados recursos renováveis (energia eólica, solar, etanol e hidráulica) para produção de hidrogênio via eletrólise e reforma a vapor de gás natural, podendo ambas as rotas ser usadas para impulsionar seu desenvolvimento industrial. “A obtenção do hidrogênio pela reforma a vapor do etanol (CHOH), aparece como uma vantagem estratégica e logística para o Brasil, pois essa molécula já está distribuída pelo país.”

Ao lado da demanda, a posição geográfica e a dimensão continental do Brasil ampliam as possibilidades de o hidrogênio ser explorado tanto no mercado interno. Tanto para a cadeia industrial, como a de transporte. E para exportações, especialmente à Europa. Fortaleza aparece no cenário mundial como um potencial exportado de hidrogênio verde via Pecém, localizado de forma logisticamente favorável para exportar para a Europa via Roterdã.

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Este estudo apresenta um mapeamento e a avaliação de políticas, iniciativas e programas de hidrogênio sustentável em desenvolvimento, nos âmbitos nacional e internacional, com foco no hidrogênio verde (H₂V). O trabalho avaliou, em especial, as iniciativas de inserção do hidrogênio sustentável no setor industrial. “Avaliar potencias usuários do hidrogênio verde é fundamental para a descarbonização das emissões de carbono mitigando o efeito estufa.”

A análise da experiência internacional apontou uma aceleração dos esforços para desenvolvimento do hidrogênio verde, com forte apoio de políticas públicas. Atualmente, existem 67 países com pelo menos um projeto na temática do hidrogênio. No entanto, 2/3 desses projetos estão situados em 10 países, sendo 7 deles europeus, a saber: Alemanha (139), Espanha (81), Estados Unidos (74), Holanda e Austrália (65 cada), Grã-Bretanha (53), França (51), China (48), Dinamarca (43) e Noruega (33). “ A guerra entre Rússia e Ucrânia com o cessar de envio do gás da Rússia para a Europa foi um fator acelerador para dar foco no hidrogênio.” 

No Brasil

As iniciativas para estruturar projetos de hidrogênio verde também se aceleraram no Brasil, principalmente por meio de hubs de produção de hidrogênio verde em portos, visando à exportação e aproveitando a competitividade do país na produção de energia elétrica renovável. Ao mesmo tempo, o governo federal lançou o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH₂), que estabelece as diretrizes e principais estratégias para a política pública setorial. “A participação do governo federal para dar as linhas mestras para o hidrogênio é fundamental para sua regulamentação.”

Dado o avanço célere do processo de desenvolvimento da indústria de hidrogênio sustentável, são significativas as oportunidades para a indústria brasileira promover a descarbonização dos seus processos e a CNI pode ter um papel catalisador no engajamento da indústria para a descarbonização via hidrogênio. Para isso, seria recomendável o monitoramento das ações para o desenvolvimento do mercado de hidrogênio e a criação de ferramentas de divulgação de informações e análises sobre o setor. “Tanto o setor industrial como o automotivo são clientes potenciais dessa nova energia que surge.”

Nesse sentido, sugere-se a criação de uma plataforma de divulgação de informações e análises sobre tecnologias, projetos e políticas públicas voltada para a indústria nacional, nominada neste estudo como “Observatório do Hidrogênio Sustentável para a Indústria”. “Ação que deve ter o envolvimento de centros de pesquisas, usuários e sociedade de forma geral.”

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Das análises contidas neste relatório, é possível apontar as seguintes propostas para acelerar o desenvolvimento da indústria do hidrogênio sustentável no país, visando não somente à exportação, mas também à descarbonização da indústria nacional:

  • Articulação e promoção do envolvimento de diferentes instâncias governamentais (CNPE, MMA, MME, EPE, ANP, ANEEL, Petrobras, BNDES, Ministério da Economia, Ministério da Infraestrutura, Ministério da Agricultura) e de instituições não governamentais (CNI e associações empresariais) no esforço de elaboração de metas e estratégias como desdobramento do Programa Nacional do Hidrogênio (PNH₂);
  • Promoção da integração do hidrogênio (H₂) no planejamento de longo prazo, por meio de estudos elaborados pela EPE. Dessa forma, englobando a demanda e a oferta existente e potencial, para aprimorar sua representação e modelagem do planejamento energético nacional;
  • Elaboração de uma política industrial para estruturação competitiva de uma cadeia de fornecedores de hidrogênio no país. Ademais, com seleção de setores e segmentos potencialmente competitivos, envolvendo a produção de equipamentos e a prestação de serviços de engenharia e projetos. O BNDES poderia ser um catalisador dessa iniciativa por meio do financiamento de estudos sobre os gargalos para a produção de bens e serviços da cadeia do H₂. Sobretudo, com a identificação de uma estratégia para desenvolvimento do setor no país;
  • Implementação do mercado de crédito de carbono como pilar para incentivar a descarbonização dos segmentos hard to abate na indústria;
  • Promoção da capacitação de pessoas para trabalhar na cadeia do H2 no país. Isso, por meio de incentivos e mobilização das escolas técnicas federais e do SENAI. Além disso, pelas instituições de financiamento de pesquisa e formação de recursos humanos (CNPq, CAPES e fundações estaduais de amparo à pesquisa, PRH — ANP);
  • Elaboração de um Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento em Hidrogênio Sustentável. Isso, por meio da criação de projetos estratégicos com a participação voluntária de empresas. Pelas que disponham de verbas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) geridas pela ANEEL e pela ANP;
  • Elaboração de uma política nacional para produção de fertilizantes descarbonizados. Isso, a partir do H₂ sustentável como estratégia para reduzir a vulnerabilidade nacional no abastecimento de fertilizantes; e
  • Promoção da organização do mercado interno para H₂ sustentável.

Estudo elaborado por: Confederação Nacional da Indústria — CNI

Comentários: Eustáquio Sirolli

Eustáquio Sirolli
Eustáquio Sirolli é engenheiro, com de mais de 47 anos de atuação na indústria automobilística. São 39 anos na Mercedes-Benz do Brasil, onde chegou ao cargo de gerente de Marketing do Produto e depois de Treinamento. Além de oito anos como diretor de Engenharia da Foton caminhões. Graduado em Engenharia de Produção e Automobilística pela FEI, fez MBA em Automotive Business pela FGV e mestrado em Ciência dos Materiais pelo IPEN/USP. Além disso, está focando no estudo sobre hidrogênio em aplicações veiculares

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O que podemos aprender com os novos padrões de emissões dos EUA?

Enquanto no Brasil se comemorava o feriado de Sexta-feira Santa, nos Estados Unidos era divulgado uma legislação mais rigorosa para novos padrões de emissões de poluentes por veículos comerciais pesados. O Brasil teve a fase do Proconve, a P8, mais rigorosa do que a Euro 6, iniciada há pouco mais de um ano. O que podemos aprender com essas novas regras?

Ontem, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) anunciou uma nova regra que impõe padrões de emissões mais rígidos para caminhões pesados, válidos para os anos de modelo de 2027 a 2032. Essas normas atualizadas representam um esforço significativo para diminuir o impacto ambiental do setor de transporte, crucial para a economia, mas conhecido por sua considerável contribuição à poluição do ar.

A regra final, que se revelou mais ambiciosa do que as propostas anteriormente, visa equilibrar a necessidade urgente de reduzir as emissões com a realidade operacional e tecnológica enfrentada pela indústria de transporte. Enquanto as empresas automobilísticas receberão mais tempo, entre 2027 e 2030, para adaptar-se e desenvolver infraestruturas de emissão zero, enfrentarão limites de emissão substancialmente mais rigorosos em 2031 e 2032.

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Conforme a documentação de 1.155 páginas da EPA, a nova regulamentação exige que aproximadamente 30% dos caminhões profissionais pesados e 40% dos caminhões regionais sejam de emissão zero até 2032. A regra mantém uma abordagem “tecnologicamente neutra”, não favorecendo ou especificando uma única solução para atingir os objetivos de emissão, um ponto destacado tanto pela agência quanto pelos stakeholders da indústria.

Até aqui, já uma lição para a Prefeitura de São Paulo, que baixou portaria limitando a transição energética apenas para ônibus elétricos, favorecendo a indústria chinesa. No Brasil, há muitas outras soluções para atingir boas metas de redução de emissões, como os biocombustíveis.

Chris Spear, presidente e CEO da American Trucking Associations (ATA), expressou preocupação com as metas pós-2030. Ele considera “totalmente inatingíveis” dado o atual estado da tecnologia de emissão zero. Além disso, há os desafios relacionados à infraestrutura de carregamento e limitações da rede elétrica. Ele argumentou que a regulamentação não considera adequadamente a realidade operacional do transporte rodoviário, comprometendo, potencialmente, a indústria e a cadeia de abastecimento dos Estados Unidos.

Para saber mais:

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Em contraste, Jim Ward, presidente da Truckload Carriers Association, enfatizou os esforços contínuos da indústria para reduzir emissões por meio de tecnologias novas. Além disso, as existentes, como biodiesel, gás natural renovável e híbridos diesel-elétricos. Ele sinalizou a necessidade de considerar múltiplas alternativas para uma transição suave para veículos menos poluentes.

Comparando com os padrões da Fase 2, a nova regra da Fase 3 introduz aumentos progressivos na rigidez dos padrões de emissões. A nova regra visa chegar em 2032 com aumentos significativos em várias categorias de veículos, refletindo o compromisso da EPA em combater as mudanças climáticas.

Um relatório da Clean Freight Coalition aponta para os desafios financeiros da eletrificação da frota de caminhões. São estimandos custos de quase um trilhão de dólares apenas em infraestrutura, sem incluir o custo dos veículos.

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O administrador da EPA, Michael Regan, descreveu a nova regra. “O padrão nacional mais forte de gases de efeito estufa para veículos pesados da história”. Isso, enfatizando os benefícios a longo prazo, incluindo economia significativa em custos de combustível para as transportadoras.

Vale lembrar que os órgãos regulatórios nos Estados Unidos retrocederam em diferentes momentos. Sobretudo, por colocarem normas rígidas demais que, no limite do cumprimento, colocou a mobilidade inviável no país. O mesmo já ocorreu em São Paulo, com normas que não foram cumpridas por inviabilidade econômica, sendo postergada.

No entanto, críticos, como Todd Spencer, presidente da Associação de Motoristas Independentes de Proprietário-Operador, argumentam que a regulamentação pode afetar negativamente as pequenas transportadoras. Elas são essenciais para a economia e o abastecimento de mercadorias nas cidades.

Em suma, a nova regulamentação da EPA para caminhões pesados estabelece um caminho ambicioso a fim de reduzir as emissões no setor de transporte. No entanto, também levanta questões sobre viabilidade tecnológica, impacto econômico e realidade operacional, sinalizando um período de adaptação desafiador para a indústria.

É bom ficar de olho nas canetadas que os transportadores brasileiros também podem sofrer.

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Cofap lança amortecedores de cabine para caminhões. E conheça os diferentes tipos

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A Marelli Cofap Aftermarket comunica o lançamento de 12 novos códigos de amortecedores de cabine Cofap. Esta novidade é voltada especialmente para veículos caminhões das marcas Agrale, Mercedes-Benz, Volvo e Volkswagen.

Com a introdução destes novos códigos, a Cofap amplia seu portfólio para um total de 500 códigos entre amortecedores de suspensão e cabine, direcionados a veículos comerciais pesados. Dentre estes, 62 são específicos para cabines, abrangendo mais de 200 modelos distintos.

Os amortecedores de cabine desempenham um papel crucial no dia a dia dos profissionais que dirigem caminhões. Eles são responsáveis por absorver os choques e vibrações provenientes das irregularidades das estradas, garantindo uma condução mais estável, confortável e segura. Isso não apenas alivia a fadiga dos motoristas, mas também contribui para uma maior atenção e controle do veículo, especialmente em condições adversas de tráfego e clima.

Para saber sobre gestão de transportadoras

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A importância desses componentes para a segurança é tamanha que a revisão periódica dos amortecedores é altamente recomendada. O desgaste natural de suas partes, como tubo de pressão, pistão, molas e válvulas, pode comprometer a eficiência e o correto funcionamento do amortecedor, tornando indispensável a escolha de produtos de qualidade comprovada, como os oferecidos pela Cofap.

Desenvolvidos e produzidos há cerca de 70 anos para atender às demandas da indústria automobilística brasileira, os amortecedores Cofap mantêm as características, qualidade e confiabilidade dos produtos originais.

Os tipos de amortecedores de cabines utilizados pelas indústrias de caminhões, variando entre os modelos. Os mais premium, como o Volvo FH, utiliza sistemas mais sofisticados e mais caros, como os pneumáticos. No entanto, a maioria dos modelos, por uma questão de custo, utilizam os amortecedores de molas e hidráulicos. Conheça as diferenças:

  1. Amortecedores de Cabine:

— Esses amortecedores são projetados para absorver as vibrações e impactos que ocorrem entre o chassi do caminhão e a cabine.

— Eles desempenham um papel crucial em melhorar o conforto do motorista a fim de reduzir a fadiga durante longas viagens.

— Existem diferentes tipos de amortecedores de cabine. Portanto, cada um com características específicas, principalmente, de custos.

  1. Amortecedores de Cabine a Gás:

— Os amortecedores de cabine a gás utilizam gás comprimido para proporcionar amortecimento.

— Eles são conhecidos por sua durabilidade e estabilidade, além disso, de oferecerem uma resposta rápida às mudanças de carga e terreno.

— Esses amortecedores são frequentemente usados em caminhões pesados, no entanto, na linha um pouco abaixo dos modelos premium.

  1. Amortecedores de Cabine Hidráulicos:

— Os amortecedores de cabine hidráulicos utilizam óleo lubrificante a fim de absorver os impactos com menor custo.

— Eles são mais comuns em caminhões leves e médios.

— Esses amortecedores oferecem uma relativa capacidade de amortecimento a fim de serem mais acessíveis.

  1. Amortecedores de Cabine com Molas com sistema hidráulico:

— Alguns fabricantes de caminhões utilizam molas helicoidais como parte do sistema complementar de amortecimento da cabine.

— Essas molas ajudam a distribuir a carga a fim de absorver os choques.

— São frequentemente encontradas em veículos utilitários, ademais, em caminhões de carga média.

  1. Amortecedores de Cabine Pneumáticos:

— Os amortecedores de cabine pneumáticos utilizam ar comprimido a fim de proporcionar amortecimento.

— Eles são ajustáveis. Dessa forma, permitem ao motorista personalizar o nível de conforto.

— Esses amortecedores, por fim, são mais comuns em caminhões premium, como Volvo FH e DAF XF.

Para saber mais:

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Addiante confirma participação e promete surpreender na Agrishow 2024

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A Agrishow é um evento destacado no calendário global como uma vitrine de inovações tecnológicas para o setor agropecuário. A feira, que ocorre anualmente no Brasil, neste ano, será realizada entre os dias 29 de abril e 3 de maio, em Ribeirão Preto–SP.

Neste contexto, a Addiante, uma empresa formada pela união estratégica entre a Gerdau e a Randoncop, confirma sua presença na edição de 2024 da Agrishow. A participação da Addiante não é apenas uma oportunidade de negócios, mas também um reflexo do seu compromisso com a inovação no setor de locação de caminhões e equipamentos para transportadoras e empresas de logísticas de diversos setores, incluindo o agronegócio e agroindústria.

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Com um estande exclusivo, a empresa promete apresentar soluções disruptivas que têm o potencial de revolucionar as operações agrícolas. A expectativa é que a Addiante revele serviços avançados que possam otimizar processos e reduzir custos de maneira significativa. Isso não só beneficia os agricultores em termos de eficiência e produtividade, mas também contribui para a sustentabilidade do setor, um aspecto cada vez mais crucial em um mundo que demanda práticas ambientalmente responsáveis.

A Agrishow de 2024 será, sem dúvida, um evento imperdível para aqueles que buscam estar na vanguarda do setor agropecuário. A presença da Addiante reforça a importância da feira como um ponto de encontro para líderes inovadores e profissionais que desejam impulsionar o crescimento sustentável de seus negócios. Acompanharemos de perto as novidades que a Addiante trará para este evento tão importante, e como elas poderão auxiliar os agricultores a alcançar novos patamares de sucesso em suas atividades.

Implementos para o agro

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Sobre a Addiante

A Addiante foi anunciada em setembro de 2022. O investimento inicial foi estimado em R$ 250 milhões e uma participação igualitária de 50% de cada sócio (Gerdau e Randoncop) nas ações.

A Addiante visa oferecer soluções adequadas à demanda de transportadores e embarcadores. Isso com a prestação de serviços de locação de produtos relacionados ao transporte e movimentação de cargas.

A empresa conta com o apoio da Rede de Distribuidores da Randon Implementos. São mais de 80 pontos em todo o país, e reforça a missão da Gerdau Next, divisão de novos negócios da Gerdau. Esta quer diversificar o portfólio de atividades em segmentos estratégicos como a mobilidade.

Fábio Leite, executivo com mais de 21 anos de experiência no mercado de locação e logística, lidera a Addiante. Ele é responsável por montar a equipe e estruturar a nova empresa.

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Setcesp reconhece empresas durante 3º Encontro Vez & Voz por promover equidade de gênero

Na tarde da última terça-feira, dia 26, o Setcesp (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e Região) realizou o 3º Encontro Vez & Voz, sob o tema “Coragem para crescer”, e o 1º Prêmio Vez & Voz.

Adriano Depentor, presidente do conselho superior e de administração do Setcesp, ressaltou a relevância do movimento para a equidade de gênero no transporte de cargas.

“O Movimento Vez & Voz é uma semente plantada em prol do desenvolvimento feminino no transporte rodoviário de cargas. Temos muito orgulho de ver que alguns dos frutos, mesmo que de forma tímida ainda, já estão sendo colhidos. Continuaremos dando espaço e apoiando este movimento inspirador e transformador para todo o TRC”.

Assista falta de Ana Jarrouge ao Frota News no evento no Instagram.

Sula Miranda prestigiou o encontro e registrou sua mensagem:

A presidente executiva da entidade e idealizadora do Vez & Voz, Ana Jarrouge, revelou um dos primeiros dados do Índice de Equidade de Gênero 2024. A pesquisa completa será apresentada em breve, em uma “live”. A profissional ressaltou a importância contínua de medidas em prol da equidade de gênero tanto no setor privado quanto público.

“É muito importante que as empresas e o poder público continuem a criar iniciativas em prol do desenvolvimento feminino no mercado de trabalho. Aqui no Vez & Voz, continuaremos trabalhando para que o setor de transporte siga evoluindo, dando espaço e respeitando as mulheres para que elas atinjam os seus potenciais”.

Durante o evento, o Movimento Vez & Voz promoveu o 1º Prêmio Vez & Voz, visando reconhecer empresas de transporte rodoviário de cargas que trabalham pela equidade de gênero e pela ampliação da participação feminina no setor, visando torná-lo mais diversos e inclusivo. A premiação contemplou três categorias: Mais Mulheres no TRC, Motorista e Liderança.

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Na categoria “Mais Mulheres no TRC”, o Grupo SADA foi premiado com o projeto “Mulheres na operação”, que destaca o potencial de talentos femininos em papéis operacionais cruciais.

A Coopercarga venceu na categoria “Motorista” com o projeto “Mulheres no Volante”, oferecendo um plano de carreira para suas colaboradoras, possibilitando progressão de cargos e promoção para funções administrativas.

A Patrus conquistou a categoria “Liderança” com o projeto “Diversidade Patrus”. Este foi focado na capacitação da liderança para eliminação/redução de vieses inconscientes e capacitismo com relação às mulheres.

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Newsletter Frota News: Edição 39 com os principais temas de março

A Edição 39 da Newsletter Frota News Digital oferece um panorama atualizado e abrangente do setor de transporte rodoviário de cargas e passageiros, com destaque para os desafios enfrentados pelos motoristas de caminhão e as estratégias para mitigar a escassez de profissionais. Um enfoque especial é dado à inclusão feminina no setor, ilustrando o impacto positivo da presença feminina através de várias iniciativas.

Link para a leitura da Newsletter 39 na íntegra em dois formatos: PDF ou FlipBook!

Os temas desta edição:

Edição 39
Com 50 páginas, a edição 39 da Newsletter do Frota News está com os principais temas dos últimos dia 15 de março

Adicionalmente, a edição mostra a inovação automotiva, com a Volkswagen liderando em veículos comerciais leves autônomos, e o artigo sobre os avanços da transição energética com o uso do hidrogênio. A Intermodal e outras iniciativas exploram sua contribuição à modernização e eficiência do setor, desde a modernização portuária até inovações em gestão de frotas.

Educação em transporte e novidades em implementos rodoviários também recebem atenção. Entre eles, o importante Curso Presencial de Gestão Estratégica promovido pela Fabet-SP, e a Série Especial Night Edition da Noma do Brasil.

A 39ª edição da Newsletter Frota News Digital está disponível para mais de 600 mil profissionais por meio de grupos de WhatsApp. Além de enviar por e-mail para um público qualificado no site oficial e nas redes sociais. Você também pode baixar a Newsletter pelo site www.frotanews.com.br. Basta clicar na capa igual a abaixo:

Edição 39
Capa da edição 39 da Newsletter Frota News Digital

Não perca tempo e mantenha-se atualizado com as últimas novidades do mundo do transporte rodoviário de cargas e passageiros.

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Entrevista: especialista analisa impacto do PL “Combustível do Futuro” no Brasil

A recente aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei do “Combustível do Futuro” no Brasil pode representar uma mudança significativa na transição energética do país.

Este projeto “Combustível do Futuro” visa integrar políticas públicas para promover o maior uso de biocombustíveis, como o biodiesel, feito a partir de plantas (óleos vegetais) ou animais (gordura animal) com a finalidade de substituir o óleo diesel fóssil utilizado em veículos comerciais, como caminhões, ônibus, furgões, vans de passageiros, entre outros.

A proposta inclui o aumento da mistura de biodiesel no diesel derivado de petróleo, a criação de programas nacionais para o “diesel verde”, além de elevar a mistura de etanol na gasolina.

O projeto sobre “Combustível do Futuro”, que agora segue para o Senado, foi um substitutivo do deputado Arnaldo Jardim para o Projeto de Lei nº 528/20, baseando-se no PL 4.516/23 do Poder Executivo. A iniciativa reflete um esforço coletivo para desenvolver a bioeconomia nacional, promover a indústria desses biocombustíveis para gerar emprego e renda.

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O consultor da RGF especialista em logística, infraestrutura e licitações, Ricardo Souza, é um estudioso do tema. O Frota News foi buscar um melhor entendimento técnico e as respectivas implicações do projeto “Combustível do Futuro”, assim como esclarecimentos sobre como anda o desenvolvimento do biodiesel no Brasil e no mundo, conversando com o especialista no tema.

FN: Antes de compreender por que efetivamente o biodiesel gera um debate tão intenso, gostaria de saber um pouco mais a respeito desse combustível verde. Quais pré-condições fortalecem a aposta nesse biocombustível no Brasil?

RS: Entendo que três fatores favorecem a aposta no biodiesel no Brasil:

– Como grande produtor de oleaginosas (por exemplo, soja) e carnes (principalmente bovina), o país possui disponibilidade de matéria-prima para a produção de biodiesel.

– O baixo nível de investimento, a modularidade das plantas de produção e o domínio da tecnologia tornam mais fácil e escalável o aumento de produção de biodiesel.

– Os modelos de comercialização e distribuição já definidos, sem grandes alterações na cadeia logística, também favorecem a aposta nesse biocombustível.

FN: Quais são essas matérias-primas?

RS: No Brasil, a produção de biodiesel tem como principais matérias-primas o óleo de soja e o sebo bovino, porém outras possibilidades são os óleos de girassol, amendoim, mamona, milho, dendê ou palma, entre outros.

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FN: Agora vamos falar sobre a implementação dessa mistura.

O Congresso Nacional aprovou a Lei n° 11.097, em 13 de janeiro de 2005, que tornou obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao diesel (B2) até 2008. A Resolução nº 6/2009 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aumentou para 5% o percentual obrigatório de mistura de biodiesel ao óleo diesel. Em 2017 foi aprovada a Lei nº 13.756 do Renovabio que junto à Resolução nº 16 de 2018 do CNPE ampliou a mistura par até 15% em 2023, porém o governo passado adiou a implantação desse aumento mantendo o patamar de 10% de mistura. Em 2023, com a alteração do governo central, o CNPE elevou a mistura para 14% de biodiesel no diesel a partir de 1º de abril de 2024, subindo para 15% um ano depois.

FN: As montadoras, e toda a cadeia abaixo delas, hoje já estão plenamente adaptadas a essa mistura?

RS: A Resolução CNPE nº 16, de 2018, que ampliou a mistura para o patamar atual com previsão de atingimento de mistura de 15% no diesel, passou à época por uma grande discussão e teve bastante resistência das montadoras e, principalmente, dos fornecedores de partes e peças de motores.

Essa resolução torna o Brasil o segundo país, além da Indonésia, a utilizar uma mistura obrigatória acima de B10 (10% de mistura), mas gera dificuldade em garantir o desempenho de longo prazo dos motores que utilizam essa mistura.

Além disso, apesar de a capacidade teórica instalada da indústria de biodiesel ser suficiente para atender à demanda projetada com B15, na prática vêm ocorrendo diversos problemas de qualidade no biodiesel a partir da implementação de misturas superiores à B10.

Aliado a isso está o fato de o biodiesel ser mais caro que o diesel mineral e contribuir para um aumento do preço na bomba. Isso fez com que o governo passado adiasse a implementação dos aumentos previstos na mistura, retornando para a utilização da B10.

FN: E, agora, com uma nova meta de elevação desse percentual e o aumento gradativo até 25%, como o senhor vê os preparativos das montadoras e dos parceiros de cadeia?

RS: Não vejo o governo atual ampliando o debate com as montadoras e sua cadeia de fornecedores de modo a termos garantias de que não teremos problemas com a implementação da B25 no curto prazo previsto no projeto de lei.

FN: Os aprendizados a partir do que ocorreu com a Resolução CNPE nº 16 podem ser úteis no futuro próximo devido ao aumento gradativo da mistura?

RS: Entendo que ampliar o debate e envolver mais as montadoras e seus fornecedores é essencial para o bom funcionamento do programa no futuro.

FN: Por que a discussão sobre o biodiesel vem ocupando tanto espaço na sociedade brasileira, diferentemente de outras soluções de energia limpa?

RS: Por ser uma tecnologia conhecida, já testada, de fácil implementação, com um investimento relativamente baixo e que trouxe bons resultados no passado. Além disso existe um grande lobby da associação dos produtores de óleo vegetal (Abiove) em favor desse tema.

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FN: Quais cadeias produtivas são impactadas com esse projeto “Combustível do Futuro”?

RS: Cadeias automotiva e de distribuição de combustíveis, cadeia de refino (pela redução da demanda de diesel) e cadeias de produção e de esmagamento de oleaginosas.

FN: A mistura vai requerer algum tipo de mudança ou adaptação dos players envolvidos? Quais?

RS: As principais mudanças estão na cadeia automotiva, principalmente na motorização e na garantia de longo prazo de funcionamento com a B25.

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FN: Quais são os gargalos que você identifica para a implementação da escala de misturas do projeto de lei dos “combustíveis do futuro”?

RS: Penso que temos três gargalos importantes:

  • Garantia de bom funcionamento dos motores com essa nova mistura — e estamos falando não apenas dos novos veículos pesados, mas de toda uma frota já existente e que está rodando.
  • Qualidade e preço do biodiesel produzido — a indústria tem que vencer os problemas de qualidade que ocorreram no passado, bem como garantir que a implementação da B25 não pese no bolso do caminhoneiro.
  • Fiscalização — caso o biodiesel continue com preços superiores ao diesel mineral, a ANP precisará reforçar a fiscalização da mistura obrigatória para evitar fraudes, que acabam distorcendo o mercado de distribuição de combustíveis.

FN: Vamos deixar de lado o projeto de lei para darmos uma olhada em como estão sendo implementados projetos similares no exterior. Quais países vêm adotando o biodiesel?

RS: Diversos países têm políticas de misturas de biocombustíveis (etanol ou biodiesel) obrigatórias, quer sejam com misturas definidas de etanol na gasolina, biodiesel no diesel ou mandatos gerais para todo o setor de transportes, que podem ser cumpridos de forma não uniforme em seus territórios nacionais. Entre eles estão os EUA, a União Europeia, Canadá, Colômbia, Equador, Argentina (outro grande produtor de biodiesel), Índia, Indonésia, Malásia e Uruguai.

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FN: Em linhas gerais, como vem sendo feita essa implementação?

RS: Falando especificamente de biodiesel, os mandatos variam muito, porém em geral ficam entre 5% e 10% de mistura.

FN: Pelo visto, então, não há similaridade com o projeto que vem sendo construído no Brasil?

RS: Não. O projeto brasileiro é muito mais ambicioso e obriga a mistura de forma horizontal em todo o território nacional.

FN: Quais vantagens e desvantagens você identifica no “Combustível do Futuro?

RS: O projeto busca a redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE), o que é muito bom para o país. Ele tenta, também, trazer uma visão de planejamento do setor com a definição de marcos futuros de mistura, permitindo que o setor produtivo se prepare para a mudança a ser implementada.

As desvantagens estão na falta de discussão com a cadeia automotiva para termos garantias de não precisar de uma mudança de rota ao longo do percurso.

FN: Para finalizar, gostaria que nos desse um panorama sobre como visualiza o biodiesel nos próximos cinco anos no Brasil, suas tendências, consolidações e perspectivas.

RS: Visualizo a indústria de biodiesel como sendo uma das responsáveis pela redução de emissão de GEE no Brasil, com volumes crescentes de produção, quer sejam por ampliação da mistura ou por crescimento de consumo de diesel B (diesel já misturado com biodiesel), contribuindo para um fortalecimento da agroindústria nacional, com geração de empregos e impostos para o país.

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Automóveis elétricos: Desafios desanimadores e perspectivas em retrocesso para as locadoras brasileiras

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O cenário atual da mobilidade elétrica no Brasil apresenta um paradoxo intrigante. Por um lado, há um crescente reconhecimento global da importância dos veículos elétricos (VEs) como uma alternativa mais limpa e sustentável em comparação aos veículos movidos a combustíveis fósseis. Por outro lado, falta quem quer pagar a conta da transição energética. As locadoras brasileiras já sinalizam que não vão pagar esta conta. Elas enfrentam desafios significativos na integração dos VEs em suas frotas, conforme indicado pelos dados recentes da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA).

A ABLA reporta que os VEs representam apenas 0,5% da frota total disponível para locação, um número que reflete tanto a cautela das locadoras quanto a hesitação do mercado. A baixa taxa de utilização de 25% — muito aquém do ideal de 75% — sugere que os consumidores ainda não estão plenamente convencidos ou preparados para adotar essa nova tecnologia em massa. Além disso, o retorno financeiro abaixo do ponto de equilíbrio para os investimentos realizados em VEs é uma preocupação palpável para as empresas do setor.

Tentamos fazer uma reserva nos sites das principais locadoras de automóveis, porém, só há veículos flex disponíveis para locação. Para conseguir a locação de um elétrico, é preciso solicitar um orçamento prévio, para análise da viabilidade econômica e disponibilidade.

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Este cenário é agravado por diversos fatores. Primeiramente, a infraestrutura de suporte para VEs no Brasil continua em desenvolvimento. A falta de estações de carregamento acessíveis e convenientemente localizadas é um obstáculo significativo para a adoção em larga escala. Em segundo lugar, há uma percepção de custo elevado associado à aquisição e manutenção de VEs, apesar dos benefícios ambientais a longo prazo. Por fim, a preferência dos consumidores pelos modelos flex, que podem ser abastecidos com etanol e representam 95% da frota, destaca a familiaridade e o conforto com as tecnologias existentes.

No entanto, é importante notar que a transição para a mobilidade elétrica é um processo complexo e multifacetado que envolve não apenas considerações econômicas, mas também ambientais e sociais. Os VEs têm o potencial de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa e melhorar a qualidade do ar urbano. Além disso, à medida que a tecnologia avança e se torna mais acessível, espera-se que os custos de aquisição e manutenção diminuam. Novas tecnologias também estão para surgir, como baterias mais eficientes, e o futuro dos veículos movidos a hidrogênio, que podem dispensar o uso das baterias de lítios, pesadas, caras e eficiência questionável.

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Para as locadoras de veículos, adaptar-se a essa mudança requer uma estratégia bem pensada. Isso pode incluir investimentos em campanhas de conscientização para educar os consumidores sobre os benefícios dos VEs, parcerias com fabricantes para melhorar a acessibilidade e a viabilidade financeira, e colaboração com o governo e outras entidades para expandir a infraestrutura de carregamento. Mas sempre ficará a pergunta: quem pagará esta conta? O dedo é sempre apontado para o outro.

Em conclusão, o presente pode parecer desafiador para as locadoras de veículos elétricos no Brasil. No entanto, o futuro detém um potencial considerável para novas tecnologias de transição energética, como o biometano e o hidrogênio. Com políticas adequadas, incentivos e uma abordagem colaborativa, é possível superar os obstáculos atuais e pavimentar o caminho para uma mobilidade mais sustentável e eficiente, sem depender das atuais baterias. A transição para os veículos movidos a energia mais limpa é uma jornada que requer paciência, inovação e compromisso de todos os envolvidos no ecossistema da mobilidade.

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