sexta-feira, abril 3, 2026

É fake news: boato sobre “10 mil chineses” na fábrica da BYD em Camaçari distorce empregos e reacende desinformação

Narrativa viral nas redes sociais tenta associar expansão da BYD na Bahia a uma suposta “invasão chinesa”, mas checagens e dados oficiais mostram que o número de 10 mil se refere à geração de empregos no complexo industrial — majoritariamente ocupados por brasileiros

A circulação de vídeos e mensagens em redes sociais que afirmam que a BYD estaria trazendo 10 mil trabalhadores chineses para Camaçari, na Bahia, para formar uma suposta “cidade chinesa” em torno da fábrica da montadora é falsa. A narrativa foi desmentida por checagens independentes, pela própria empresa e pelo Governo da Bahia, e distorce dados reais sobre a expansão do complexo industrial instalado na antiga planta da Ford no município baiano.

No centro da desinformação está a interpretação equivocada — ou deliberadamente distorcida — do número 10 mil. Esse volume não se refere à importação de mão de obra chinesa, mas sim ao potencial total de empregos gerados pelo projeto da BYD em Camaçari, somando operação industrial e obras, com predominância de trabalhadores brasileiros. O próprio Governo da Bahia informou, em março, que o complexo já se aproximava de 10 mil pessoas em atividade, considerando 6,2 mil na operação e 3,5 mil nas obras, conforme noticia no site oficial do governo.

O que os números mostram de fato

Os dados oficiais mais recentes apontam que a expansão da BYD em Camaçari está baseada em contratação local e nacional, e não em substituição de mão de obra brasileira.

Segundo informações do Governo da Bahia, a montadora anunciou mais 3 mil novas contratações em março de 2026. Naquele momento, havia 3,2 mil colaboradores atuando diretamente no complexo, além de cerca de 3,5 mil terceirizados envolvidos nas obras de construção. Com o novo ciclo de admissões, o contingente direto ultrapassaria 6 mil trabalhadores, enquanto o total de pessoas mobilizadas no projeto se aproximaria de 10 mil.

Na prática, isso desmonta o boato que viralizou nas redes: o número usado como “prova” da suposta chegada de 10 mil chineses é, na verdade, o indicador de escala do investimento industrial e da geração de empregos no polo baiano.

Além disso, o Governo da Bahia reforçou que a fábrica já vem operando com ampliação de turnos, incremento da produção e reforço de infraestrutura de apoio — incluindo logística de transporte de funcionários, alimentação e atendimento médico —, o que ajuda a explicar a existência de estruturas temporárias de alojamento e suporte operacional, exploradas de forma sensacionalista nos vídeos compartilhados.

A origem da fake: um dado real transformado em narrativa alarmista

A falsa denúncia mistura dois elementos reais, mas desconectados entre si, para construir uma narrativa de “invasão” sem base factual.

O primeiro é o já citado número de 10 mil empregos, anunciado oficialmente como meta de geração de postos de trabalho no complexo industrial da BYD em Camaçari. O segundo é um episódio grave e verdadeiro ocorrido em dezembro de 2024, quando uma força-tarefa do Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 163 trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão em alojamentos ligados à obra da unidade, conforme publicado no site oficial do ministério: Serviços e Informações do Brasil.

Posteriormente, em junho de 2025, o MTE informou que, durante a fiscalização, foram identificados 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil, sendo que 163 deles foram resgatados em condições análogas à escravidão. O órgão afirmou ainda que a BYD foi autuada e lavrou mais de 60 autos de infração no caso:

BYD é autuada por submeter trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão na Bahia — Ministério do Trabalho e Emprego

Ou seja: houve, sim, um caso trabalhista envolvendo trabalhadores chineses na implantação da planta, em . Mas esse episódio não tem qualquer relação com a cifra de 10 mil que circula nas redes. Trata-se de um uso indevido de um fato concreto — e gravíssimo — para sustentar uma tese falsa de substituição massiva da mão de obra local.

O que dizem as checagens

O site Boatos.org classificou a narrativa como falsa e foi direto ao ponto: o vídeo mostra um alojamento de obras, enquanto o número de 10 mil corresponde ao total estimado de empregos do projeto, e não a uma imigração em massa de chineses para ocupar vagas em Camaçari. O portal também observou que a ideia de uma “invasão” é financeiramente e logisticamente insustentável para a própria empresa, além de não ter respaldo em qualquer evidência pública. (Boatos.org)

A própria evolução do projeto industrial reforça essa leitura. O Estado da Bahia vem investindo em qualificação de mão de obra local, com cursos específicos voltados ao polo automotivo e à futura operação da BYD. Em março, quase 450 trabalhadores foram certificados em áreas como eletrônica embarcada, operação de produção veicular, soldagem automotiva e pintura, em uma ação voltada justamente à absorção regional de vagas. (Ba Serviços)

O que ainda existe  em relação a problemas trabalhistas, segundo o Ministério do Trabalho.

O que JÁ FOI RESOLVIDO

Medida Status e detalhes
Resgate imediato 163 trabalhadores resgatados em 19 de dezembro de 2024 em condições análogas à escravidão
Retorno dos trabalhadores Todos os 163 resgatados retornaram para a China após a operação, com rescisões pagas correio24horas
Acordo com MPT Em 26 de dezembro de 2025, BYD + 2 empreiteiras fecharam acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho da Bahia globo+1
Indenizações individuais R$ 20 milhões (metade do total) destinati a indenizações individuais dos 224 trabalhadores atingidos (163 resgatados + outros identificados depois) cnnbrasil
Embargo/interdição Obras perigosas embargadas e alojamento parcialmente interditado durante fiscalização gov

 

O que AINDA ESTÁ EM ANDAMENTO

Processo Status atual
60+ autos de infração do MTE BYD apresentou defesa administrativa (direito previsto). Multas ainda não julgamento final — podem variar de milhões a dezenas de milhões se procedentes
Processo por fraude migratória Investigação sobre uso indevido de visto de “técnico especializado” para trabalho manual na construção civil ainda em análise gov+1
Responsabilização criminal Possível ação penal por tráfico internacional de pessoas em análise do MPF (Ministério Público Federal)
Fiscalização contínua MTE mantém monitoramento da fábrica para garantir que irregularidades não se repitam gov

 

O pano de fundo industrial: BYD acelera produção e consolida Camaçari como polo automotivo

Por trás do ruído das redes, o fato concreto é que a BYD acelera a nacionalização de sua operação no Brasil e transforma Camaçari em um dos principais polos da mobilidade elétrica na América Latina.

A unidade baiana já opera em dois turnos, superou 3,2 mil trabalhadores diretos em março e integra um plano de expansão com produção local de modelos eletrificados, aumento de conteúdo nacional e perspectiva de exportações. O governo estadual também informou que a planta tem previsão inicial de produzir até 300 mil veículos por ano, podendo chegar a 600 mil unidades anuais em fases futuras. (Ba Serviços)

Para o setor de transporte e logística — e esse é o ponto central para a Frota News —, o caso expõe como grandes investimentos industriais passam a demandar não apenas mão de obra, mas também transporte de colaboradores, suprimentos, operação de armazéns, abastecimento interno, movimentação de peças e serviços de apoio, criando um ecossistema que vai muito além da linha de montagem. A existência de estruturas temporárias de apoio, por si só, é parte comum da implantação de grandes complexos fabris e não pode ser automaticamente convertida em prova de irregularidade ou de substituição de trabalhadores locais.

Conclusão: desinformação tenta capturar um caso real para fabricar uma tese falsa

A narrativa de que a BYD estaria trazendo 10 mil chineses para Camaçari é uma fake news construída a partir da manipulação de dados reais: de um lado, a meta oficial de empregos do projeto; de outro, o caso de 2024 envolvendo trabalhadores chineses irregulares e graves violações trabalhistas.

A soma desses dois fatos, desconectados e fora de contexto, foi transformada em uma história de “cidade chinesa” e “invasão” sem respaldo documental, contratual ou estatístico.

Os dados públicos disponíveis mostram outra realidade: a BYD avança com a ampliação de sua fábrica na Bahia, abre novas vagas, acelera a produção e impulsiona um novo ciclo industrial em Camaçari — com forte dependência de mão de obra brasileira, qualificação local e suporte logístico crescente. O resto, até aqui, é desinformação.

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Diesel renovável: HVO ou biodiesel? O que muda para caminhões, motores e custos das frotas

Enquanto o biodiesel já é realidade consolidada no diesel rodoviário brasileiro, o diesel renovável (HVO) avança como alternativa “drop-in” e pode ampliar o espaço dos biocombustíveis sem exigir troca de frota ou adaptações nos motores

A transição energética no transporte rodoviário de cargas no Brasil pode ganhar, nos próximos anos, um novo capítulo além do já conhecido biodiesel. Em meio ao avanço da agenda de descarbonização, o chamado diesel renovável, também conhecido pela sigla HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), poderá ser mais uma opção para transportadoras, embarcadores, montadoras e formuladores de políticas públicas.

Embora os dois combustíveis tenham origem renovável e possam ser produzidos a partir de matérias-primas semelhantes — como óleos vegetais, gorduras animais e resíduos —, a diferença entre eles é estrutural, química e operacional. E isso muda tudo para a frota: da compatibilidade com motores ao limite de mistura, passando por desempenho, emissões, manutenção, custo e disponibilidade.

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Na prática, o biodiesel é um éster produzido por transesterificação de óleos e gorduras com álcool, formando os chamados FAME (ésteres metílicos de ácidos graxos). Já o HVO é um hidrocarboneto parafínico obtido por hidrotratamento com hidrogênio, o que o torna quimicamente muito próximo do diesel fóssil.

Essa distinção é justamente o que faz o mercado tratar o HVO como um combustível “drop-in” — ou seja, capaz de substituir o diesel mineral em qualquer proporção, inclusive puro (HVO100), sem necessidade de ajustes nos motores ou na infraestrutura de abastecimento, desde que atenda às especificações aplicáveis. Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que combustíveis renováveis para motores ciclo Diesel, como ésteres e hidrocarbonetos renováveis, podem ampliar a parcela renovável do diesel no país aproveitando a base veicular e logística já instalada.

O que muda na prática entre biodiesel e HVO

Hoje, o biodiesel já é parte do cotidiano do transporte brasileiro por meio da mistura obrigatória ao diesel rodoviário. O tema voltou ao centro da política energética em 2026 por causa de conflitos no Oriente Médio e pressão das entidades que reepresentam a indústria de biodiesel para elevar o percentual da mira biodiesel no diesel fóssil, atualmente em 15%.

Mas, tecnicamente, o biodiesel tem limitações conhecidas. Por ser um combustível polar e oxigenado, tende a apresentar maior higroscopicidade (absorção de água), maior sensibilidade à oxidação e comportamento diferente em armazenamento e uso prolongado. Isso exige atenção maior em gestão de tanques, estabilidade do combustível e, em teores mais elevados, validações específicas das montadoras.

Já o HVO, por ser apolar e sem oxigênio em sua composição, tem comportamento muito mais próximo ao do diesel fóssil. Isso se traduz em maior estabilidade oxidativa, menor tendência à formação de depósitos e melhor desempenho em condições de baixa temperatura, com ponto de névoa geralmente mais favorável.

Para o gestor de frota, a diferença é objetiva:

  • Biodiesel: amplamente disponível, já incorporado ao diesel nacional, com benefícios ambientais e boa lubricidade, mas normalmente com restrições práticas acima de B20 sem validação de fabricante;
  • HVO: combustível de substituição direta, com potencial de uso em qualquer proporção, inclusive 100%, e com menos barreiras técnicas de compatibilidade.

Compatibilidade com motores e manutenção pesam na decisão

No transporte pesado, a compatibilidade com a frota existente costuma ser o primeiro filtro antes de qualquer decisão sobre combustíveis alternativos.

Nesse ponto, o HVO larga na frente. Por atender a especificações equivalentes às do diesel parafínico em mercados internacionais e por ser quimicamente semelhante ao diesel mineral, o produto é frequentemente tratado como solução de transição de baixo atrito para operadores que buscam descarbonização sem trocar caminhões, tanques ou rotinas operacionais.

O biodiesel, por outro lado, já entrega benefícios importantes e conhecidos, como maior lubricidade, o que ajuda a reduzir desgaste em componentes do sistema de injeção. Também pode contribuir para menor formação de fuligem em relação ao diesel convencional, o que, na prática, alguns operadores associam a menos intervenções em sistemas de pós-tratamento, como o filtro de partículas (DPF), dependendo da aplicação, da qualidade do combustível e da calibração do motor.

No entanto, o HVO tende a oferecer vantagens em dois pontos valorizados por grandes frotas:

  1. melhor comportamento em partidas a frio, especialmente em mercados com clima mais severo;
  2. menor propensão à formação de resíduos e depósitos, o que pode favorecer previsibilidade operacional e manutenção.

Emissões: os dois ajudam, mas o HVO pode ter vantagem em alguns cenários

Tanto o biodiesel quanto o HVO reduzem significativamente as emissões de gases de efeito estufa quando comparados ao diesel fóssil, sobretudo na análise de ciclo de vida.

A magnitude dessa redução, porém, depende diretamente da matéria-prima usada e da rota de produção. Em linhas gerais, o mercado reconhece que o HVO pode alcançar reduções ainda maiores, especialmente quando produzido a partir de resíduos, óleos usados e gorduras residuais, além de apresentar excelente sinergia com motores modernos equipados com SCR e DPF.

No caso do biodiesel, a vantagem está no fato de já ser uma solução escalada no Brasil, com cadeia estruturada, mandato regulatório e penetração consolidada no diesel rodoviário.

Ou seja: se o HVO tende a ser tecnicamente mais “limpo” do ponto de vista de integração ao motor e potencial de emissões, o biodiesel segue sendo hoje a alternativa de maior impacto sistêmico imediato no país por escala, capilaridade e política pública.

O desafio do HVO ainda é custo e oferta

Se tecnicamente o HVO seduz, economicamente ele ainda enfrenta barreiras.

Nos mercados em que já está mais maduro, como Estados Unidos e Europa, o diesel renovável costuma operar com prêmio de preço sobre o diesel fóssil e também sobre o biodiesel. O custo de produção é mais elevado, entre outros fatores, pela rota industrial mais complexa e pela necessidade de hidrogênio no processo.

Já o biodiesel tende a ser mais competitivo e, em muitos casos, pode até se aproximar ou ficar abaixo do diesel fóssil, a depender do contexto de matéria-prima, tributação e incentivos.

Além disso, a disponibilidade ainda é assimétrica. O biodiesel está amplamente difundido por mandatos de mistura em vários mercados. O HVO, por sua vez, ainda se concentra em polos específicos de produção e infraestrutura, embora esteja em expansão. A própria EPE destaca, em nota técnica recente, que o Brasil avalia justamente as oportunidades e os desafios de incorporar, além dos ésteres, também os hidrocarbonetos renováveis ao suprimento nacional.

Brasil: HVO avança no radar regulatório e pode coexistir com o biodiesel

No Brasil, o tema já deixou de ser apenas conceitual e entrou na agenda de formulação regulatória.

A discussão técnica conduzida pela EPE aponta um caminho de coexistência entre biodiesel e HVO, aproveitando a infraestrutura já instalada de distribuição, armazenamento e consumo do diesel B, sem ruptura na base de veículos.

Na prática, isso abre espaço para modelos híbridos de descarbonização, como combinações do tipo B15 + HVO5, ampliando a participação renovável no diesel sem depender exclusivamente do aumento do teor de biodiesel.

Embora a ANP ainda não tenha, até o momento, uma regulamentação final consolidada específica para o HVO amplamente aplicada ao mercado rodoviário nacional, o assunto vem sendo tratado no contexto mais amplo da modernização regulatória dos combustíveis e da agenda da transição energética. Em 2025, a agência destacou em sua retrospectiva a continuidade dos trabalhos regulatórios ligados às novas atribuições trazidas pelo marco do Combustível do Futuro e à expansão dos mercados de baixo carbono.

No campo prático, o avanço já começa a aparecer em testes e movimentos de mercado. Um exemplo recente veio do Rio Grande do Sul: segundo a Reuters, a cidade de Passo Fundo iniciou a adoção do BeVant, biocombustível produzido pela Be8 para substituir integralmente o diesel em veículos da frota municipal, com uso direto em motores diesel convencionais. A iniciativa reforça que o mercado brasileiro já começa a testar, em escala real, soluções além do biodiesel tradicional. (Reuters)

O que o frotista precisa observar agora

Para transportadoras e embarcadores, a discussão entre biodiesel e HVO não deve ser tratada como uma disputa de “um contra o outro”, mas como uma estratégia combinada de transição.

O biodiesel segue sendo, hoje, o principal vetor de descarbonização do diesel no Brasil, por disponibilidade, mandato e maturidade de cadeia. O HVO surge como um complemento de alto valor técnico, especialmente para operações que exigem maior previsibilidade, menor sensibilidade a armazenamento, potencial uso em HVO100 e metas mais agressivas de redução de emissões sem renovação imediata da frota.

Na prática, os pontos que merecem atenção do gestor de frota são:

  • validação da montadora para misturas mais elevadas de biodiesel;
  • qualidade do combustível e gestão de estocagem, especialmente em operações com baixa renovação de tanque;
  • custo total por quilômetro, e não apenas preço por litro;
  • impacto em manutenção e pós-tratamento;
  • origem da matéria-prima, que influencia diretamente a pegada de carbono;
  • disponibilidade regional, que hoje ainda favorece fortemente o biodiesel.

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Cedro testa caminhão 100% elétrico na mineração para a descarbonização da frota

Veículo basculante 8×4 da XCMG entra em operação assistida na Mina do Gama, em Nova Lima, para transporte interno de minério com capacidade
de até 45 toneladas

A Cedro Mineração iniciou uma operação assistida de um caminhão basculante 8×4 100% elétrico na Mina do Gama, em Nova Lima. O veículo será empregado no transporte interno de minério e poderá movimentar até 45 toneladas por ciclo, em rotas previamente definidas dentro da operação de lavra.

O modelo escolhido para os testes é o XCMG E7 8×4, caminhão elétrico com autonomia média de até 150 quilômetros — ou cerca de oito horas de operação por ciclo — sem necessidade de recarga intermediária. O preço estimado do modelo é de R$ 1,5 milhão.

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Segundo a companhia, a bateria pode ser recarregada integralmente em aproximadamente uma hora. O conjunto ainda conta com sistema de regeneração de energia durante frenagens e desacelerações, recurso que contribui para ampliar a eficiência ao longo da jornada operacional.

Com 490 cavalos de potência e capacidade total de 45 toneladas, o caminhão será monitorado por sistemas de telemetria durante todo o período de testes. A Cedro acompanhará indicadores como tempo de ciclo, produtividade, consumo energético e autonomia em diferentes condições de carga e percurso, buscando mapear o comportamento do veículo em ambiente severo de mineração.

A análise técnica também incluirá a viabilidade econômica da solução frente à frota convencional a diesel. Entram nessa conta fatores como menor nível de ruído, redução da demanda por manutenção e eliminação das emissões diretas de carbono no uso diário dentro da mina.

Para Wanderley Santo, vice-presidente de Operações da Cedro Mineração, a adoção do caminhão elétrico reflete uma agenda prática de transformação da operação.

Estratégia vai além da eletrificação

O teste com o caminhão elétrico se soma a outras iniciativas da companhia voltadas à descarbonização da frota e da operação mineral. Em 2025, a holding firmou parceria com a Gás Verde, apontada pela Cedro como a maior produtora de biometano da América Latina, para um projeto piloto de redução de emissões no transporte de minério.

Na primeira fase dessa estratégia, a empresa utilizou um caminhão movido a Gás Natural Veicular (GNV) no transporte de minério de ferro entre Mariana e o Terminal Fazendão, da Vale. Nesse modelo, as emissões do veículo são neutralizadas por meio do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), fornecido pela Gás Verde.

 

Segundo a companhia, esse teste permitiu aferir a eficiência energética da rota e funcionou como etapa inicial do processo de transição. O próximo movimento será a adoção de caminhões movidos a biometano, combustível renovável obtido a partir da purificação do biogás gerado na decomposição de matéria orgânica, com potencial de reduzir ainda mais a pegada de carbono em comparação ao GNV de origem fóssil.

A Cedro destaca ainda que a regulamentação da Lei do Combustível do Futuro reconheceu o CGOB como instrumento apto a comprovar a neutralização de emissões, fortalecendo o cumprimento das metas ambientais corporativas.

“Esses projetos fazem parte da estratégia da Cedro, em alinhamento com a Agenda 2030. Temos avançado em várias frentes, como o reaproveitamento de água nos processos produtivos, a adoção do empilhamento a seco e a incorporação de tecnologias que reduzem a dependência de insumos fósseis e ampliam a eficiência ambiental da operação”, completa Wanderley Santo.

Saiba mais: Caminhão a gás
Cedro
Scania G 460 6×4 com mochilão

A Cedro Mineração e a Gás Verde iniciaram, em 2025, um projeto‑piloto para testar um caminhão Scania GH 460 6×4 movido a GNV e/ou biometano no transporte de minério entre Mariana e o Terminal Fazendão. O modelo é mais potente que o Scania 410 testado pela Gerdau em 2020, oferecendo maior torque e autonomia, o que o torna mais adequado para operações severas típicas da mineração. A principal diferença entre os testes está no combustível: enquanto a Gerdau utilizou GNV de origem fóssil, a Cedro aposta no biometano e no uso do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), que permite neutralizar emissões mesmo quando o gás consumido não é 100% renovável.

A iniciativa é apresentada como o primeiro passo de um plano de descarbonização da logística da Cedro, alinhado ao avanço regulatório do biometano no Brasil. As empresas estimam redução de até 99% das emissões da operação e neutralização de cerca de 11 mil toneladas de CO₂ por ano, embora esses números dependam de metodologia clara e da distinção entre redução física e compensação via certificados. O projeto ganha relevância no setor mineral por testar alternativas de menor carbono e por levantar discussões sobre transparência, impacto real e riscos de greenwashing quando a neutralização depende mais de certificados do que da troca efetiva de combustível.

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Volvo FH 2026 ganha pacote aerodinâmico de série e pode reduzir consumo em até 3%

A Volvo Caminhões transformou em produto comercial parte das soluções testadas no Efficiency Concept Truck e levar para a linha 2026 do FH um conjunto de melhorias aerodinâmicas que reforçam a busca por eficiência energética no transporte rodoviário de cargas. A partir do novo modelo, recursos como extensores nos defletores de ar, aletas aerodinâmicas na coluna frontal e refinamentos nas frestas e junções da cabine passam a sair de fábrica no pesado da marca, com impacto direto na redução do arrasto aerodinâmico e, consequentemente, no consumo de combustível.

Segundo a fabricante, as novidades são resultado de uma evolução prática de tecnologias que já vinham sendo avaliadas em condições reais de operação no Brasil. Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvoca Caminhões, disse que os recursos agora presentes no caminhão 2026 foram validados com sucesso nas estradas brasileiras.

Saiba mais:

Entre os principais avanços do Volvo FH 2026 está a adoção de aletas aerodinâmicas na coluna A da cabine — estrutura posicionada na parte frontal do cavalo mecânico, ao lado do motorista. A solução foi desenvolvida para melhorar o fluxo de ar ao redor da cabine, reduzindo turbulências e favorecendo a dinâmica do veículo principalmente em velocidades de cruzeiro, condição comum nas operações de longa distância.

Outra mudança relevante está nos defletores de ar da cabine, que agora passam a contar com novas extensões. Maiores e mais alongados, esses componentes foram redesenhados para conduzir o ar de forma mais eficiente ao longo do conjunto cavalo mecânico e implemento. Na prática, isso reduz o arrasto aerodinâmico do conjunto e contribui para preservar energia durante a rodagem.

A engenharia da Volvo também promoveu um trabalho fino de acabamento nas frestas e nas junções da cabine. As interfaces entre os faróis e a grade frontal, por exemplo, receberam aberturas menores. Embora discretas visualmente, essas alterações ajudam a otimizar o fluxo de ar e reduzem perdas aerodinâmicas, um aspecto que ganha peso quando se considera a operação contínua de frotas em rotas rodoviárias de alto volume.

Ganho pode chegar a 3% em algumas operações

Na avaliação da montadora, o efeito das melhorias não está isolado. O novo conjunto aerodinâmico trabalha em sintonia com a tecnologia I-Torque, solução da Volvo que utiliza inteligência artificial para entregar torque de forma calibrada conforme a necessidade da operação.

“Essas inovações atuam em conjunto com a tecnologia I-Torque, que utiliza inteligência artificial para entregar torque sob medida. São melhorias que resultam em maior eficiência energética. Em algumas operações, a redução de consumo pode chegar a 3%”, explica Jeseniel Valerio, gerente de engenharia de vendas da Volvo.

Conceitos testados no Brasil viram solução de série

Boa parte das soluções incorporadas agora ao FH 2026 nasceu no Efficiency Concept Truck, projeto apresentado em 2021 e desenvolvido especialmente para a realidade brasileira. O caminhão-conceito reuniu a Volvo no cavalo mecânico, a Randon no implemento graneleiro, a Hyva no sistema hidráulico de basculamento e a Continental com pneus de baixa resistência ao rolamento.

O veículo percorreu milhares de quilômetros em rotas com origem no Centro-Oeste, região estratégica para o transporte agrícola. O programa envolveu mais de 70 engenheiros e técnicos e serviu como plataforma para testar tecnologias disruptivas voltadas à eficiência, incluindo soluções em motor, aerodinâmica, gerenciamento de energia e outros sistemas embarcados.

Sistema I-Torque

A nova linha Volvo FH 2026 estreia o sistema I‑Torque, uma evolução da Aceleração Inteligente que usa inteligência artificial para ajustar o torque do motor em tempo real, considerando fatores como topografia, peso da carga e velocidade. Segundo a Volvo, isso melhora o desempenho em subidas e pode reduzir o consumo de combustível em até 3%, especialmente em operações pesadas. A tecnologia, disponível para motores de 420 a 540 cv, simplifica a condução ao entregar automaticamente a força necessária em situações críticas. A linha 2026 também traz cabine com comandos mais ergonômicos, melhorias na transmissão I‑Shift — agora com engrenagens polidas para trocas mais suaves — e avanços no sistema I‑See, que otimiza as marchas conforme o relevo e amplia a economia.

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Coopercarga prioriza frota de caminhões mais eficiente, segura e alinhada à descarbonização, mas…

Relatório de materialidade 2025-2026 da transportadora, analisado pela reportagem da Frota News,  indica que saúde e segurança operacional,
redução de emissões e transição energética passam a orientar decisões
sobre frota e motoristas. Mas sentimos falta de dados para confirmar as afirmações…

O recurso do “mas com reticências” funciona como gancho para despertar a curiosidade do leitor. E, no caso da Coopercarga, ele faz sentido: apesar dos avanços apresentados, ainda faltam números e dados mais objetivos. No Relatório de Materialidade 2025–2026, a empresa detalha como enxerga suas políticas de definição de frota e outras diretrizes de gestão — informações que se tornam cada vez mais relevantes em contratos que buscam remunerações mais justas, como os firmados com embarcadores do porte de Natura, Ambev, BRF e Klabin.

O que distância a subjetividade da objetidade são os números!

O contexto recente reforça essa importância. O Ministério dos Transportes e a ANTT apontaram Ambev e BRF (hoje MBRF) como as companhias mais autuadas pelo descumprimento da tabela do Piso Mínimo do Frete. A Coopercarga, porém, não aparece entre as citadas pelos órgãos públicos. Cabe às embarcadoras apresentarem sua defesa — algo que, até agora, não ocorreu — o que acabou fortalecendo a posição do ministro Renan Filho e do presidente da ANTT, Guilherme Theo Sampaio.

Saiba mais:

Neste Relatório de Materialidade 2025-2026, a Coopercarga não apresenta números objetivos de caminhões a gás, caminhões elétricos ou tamanho de frota por tecnologia.

Coopercarga
A logística entre CDs da Natura é feita com caminhões a gás da Reiter Log e Coopercarga, com frete cerca de 15% superior ao de caminhões a diesel, segundo fontes dos bastidores. Foto: Marcos Villela

A leitura da publicação mostra que, embora o relatório seja institucional e de governança, ele traz sinais de como a empresa pretende orientar sua operação de transporte: com mais foco em segurança viária, monitoramento de consumo, eficiência energética, controle de emissões e engajamento dos motoristas próprios e agregados.

Entre os nove temas materiais definidos pela empresa, o item de maior relevância foi “saúde e a segurança das pessoas em todos os níveis da operação”, com pontuação de 1.663, à frente de direitos humanos, ética e transparência. Em um operador logístico com forte presença no transporte rodoviário, essa escolha tem efeito direto sobre a gestão da frota: envolve desde políticas de prevenção de acidentes até treinamento de condutores, controle de jornada, redução de fadiga e revisão de protocolos operacionais.

O alinhamento desse tema com padrões internacionais também mostra por que ele é tão importante. No padrão GRI, a Coopercarga relaciona essa prioridade a dois indicadores: um que trata do acompanhamento da saúde e segurança no trabalho e outro que fala sobre o treinamento dos colaboradores nessas áreas. Já no padrão SASB, o assunto aparece ligado a métricas específicas do transporte rodoviário, como a taxa de incidentes registrados e o número total de acidentes envolvendo funcionários durante o trabalho.

Entendeu tudo? Por que não publicar um relatório compreensível pelo motorista e por toda a sociedade? A Frota News poderia traduzir os “jargões” do relatório, mas isso é papel de ESG da Coopercarga, ter uma comunicação clara para toda a sociedade. O papel jornalístico da Frota News é analisar a opinar para que a Coopercarga seja democrática na comunicação dela, atualizando as informações desatualizadas do site e que os seus relatórios sejam mais simples na linguagem.

Na prática, para uma transportadora, isso significa que a agenda ESG deixa de ser apenas reputacional e passa a ter desdobramentos objetivos sobre a operação da frota: telemetria, programas de direção segura, prevenção de sinistros, monitoramento de riscos ocupacionais e qualificação contínua de motoristas ganham status de tema estratégico.

Motoristas próprios e agregados entram no radar da governança

Um dos pontos mais relevantes do relatório para o setor é o peso dado aos profissionais diretamente ligados à operação rodoviária. Entre os 176 participantes da segunda etapa do processo de materialidade, 47 eram motoristas da Coopercarga (26,7%) e 6 eram motoristas agregados (3,4%). Somados, eles representam 30,1% dos respondentes, um percentual expressivo para um estudo desse tipo. Além disso, colaboradores responderam por 44,3% da amostra.

Esse dado é especialmente importante porque mostra que a definição das prioridades ESG não ficou restrita ao topo da companhia. A empresa ouviu justamente quem está na ponta da operação e convive diariamente com os desafios da estrada, do consumo de combustível, da manutenção e da segurança.

No padrão Frota News, esse é um sinal que merece atenção: quando motoristas próprios e agregados passam a influenciar a materialidade, a tendência é que a gestão de frotas avance para um modelo mais conectado à realidade operacional, com decisões mais aderentes a temas como: redução de acidentes; ergonomia e bem-estar do condutor; padronização operacional; manutenção preventiva; eficiência de rotas; menor ociosidade dos ativos; e melhor uso de combustíveis alternativos.

Emissões e transição energética entram no núcleo da operação

A agenda ambiental tem seu espaço no relatório e, mais uma vez, aparece diretamente conectada à operação da frota. O quarto tema mais relevante identificado pela Coopercarga é a redução das emissões de gases de efeito estufa e a mitigação das mudanças climáticas, que somou 1.645 pontos na matriz de materialidade. Logo atrás, com 1.632 pontos, surge a transição energética impulsionada por inovação tecnológica — outro eixo considerado central para o futuro da empresa e exigência de alguns embarcadores, como a Natura, já citada.

No padrão SASB, o foco se aproxima ainda mais da realidade da frota: o relatório menciona emissões brutas de Escopo 1, estratégias de curto e longo prazo para gestão de emissões e, sobretudo, o consumo total de combustível, detalhando a participação de gás natural e de fontes renováveis.

Em recente visita à Natura, a reportagem da Frota News conversou com a vice-presidente de Logística, Josie Romero, que nos revelou que já trabalha para o Escopo 3, o que significa aumentar as exigências dos fornecedores, incluindo os de transportes. Questionamos a executiva sobre os ônibus a transição energética dos ônibus de fretamento, e ela foi direta: já temos 28 caminhões a gás fazendo a nossas logística dentro de São Paulo, já temos o postos e está no nosso radar que a frota de ônibus que faz o fretamento de nossos colaboradores sejam movidos a energia sustentável, como o biometano.

Coopercarga
Josie Romero, VP de Logística da Natura

Em termos práticos para o setor de transporte, a Coopercarga indica que a performance da frota tende a ser acompanhada por métricas como: consumo por quilômetro rodado, intensidade energética por tonelada transportada, participação de combustíveis renováveis, emissões por operação e eficiência das rotas sob critérios ambientais e econômicos.

Na análise da Frota News é de que a Coopercarga seja mais pontual em números no próximo relatório. Métricas são feitas com números e não com adjetivos.

Combustíveis renováveis

Embora o relatório de materialidade não seja um inventário operacional detalhado, ele traz uma pista importante ao afirmar que a Coopercarga já adota práticas voltadas à redução de impactos ambientais, com destaque para uso de combustíveis renováveis e otimização de rotas.

No universo de gestão de frotas, esses dois elementos são decisivos. O primeiro aponta para uma possível ampliação de estratégias envolvendo diesel de menor intensidade de carbono, biocombustíveis, blends renováveis e, futuramente, gás natural/biometano ou outras soluções compatíveis com determinadas rotas e perfis de carga. No próximo relatório, a Coopercarga poderá enriquecer os argumentos com dados.

O segundo — otimização de rotas — conversa diretamente com a agenda de eficiência. Roteirização mais inteligente reduz: quilometragem ociosa; tempo parado; consumo de combustível; desgaste de componentes; emissões por entrega; e custo total da operação.

Por mais que faltem números e dados no relatório da Coopercarga, poucas empresas tem a transparência que a empresa tem. Para quem acompanha a Coopercarga há anos consegue acreditar que nos próximos relatórios teremos mais dados, pois a evolução dos relatórios são nítidos ano após ano. E mais do que isso, é presenciar o trabalho da Coopercarga e o depoimento dos clientes de forma espontânea.

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Indiara Ferreira, do Grupo HP, cobra fornecedores por mais mulheres no setor: “O transporte é muito machista. Só vamos comprar de fornecedores menos machistas”

Em meio a uma agenda histórica para a mobilidade sustentável — marcada pela apresentação da primeira operação regular do País com ônibus articulados movidos a biometano — uma declaração feita no encerramento da coletiva de imprensa roubou a cena. Pelo menos, para este jornalista.

Acostumado a acompanhar, há anos, fóruns, seminários e projetos sobre a inclusão feminina no setor, este repórter já testemunhou inúmeras promessas, campanhas institucionais e discursos de incentivo à presença de mulheres no volante do caminhão, do ônibus e… da empresa.

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Mas, desta vez, o que se ouviu foi algo diferente: uma mensagem direta, objetiva e com potencial de impacto real sobre a cadeia de fornecedores.

Frota Delas
Indiara Ferreira, executiva da HP Mobilidade

Durante o evento realizado em Goiás, que reuniu representantes da Scania, Marcopolo, Governo de Goiás e do Grupo HP, a diretora executiva da empresa, Indiara Ferreira, fez uma intervenção que me surpreendeu ao final da coletiva e não pude ignorar:

“Uma mensagem para os nossos fornecedores: só vamos comprar de fornecedores que incluírem mulheres na direção, pois este setor é muito machista.”

A fala, curta e contundente, extrapolou o contexto da apresentação técnica da nova frota e colocou no centro da discussão um tema que, apesar de recorrente, ainda avança lentamente no transporte de passageiros e de cargas: a presença efetiva das mulheres em funções operacionais, especialmente na condução de veículos pesados.

Um recado que vai além do discurso

A declaração de Indiara Ferreira não foi apenas simbólica. Em um setor historicamente marcado por ações pontuais de diversidade, a executiva trouxe um elemento raro: o uso do poder de compra como ferramenta de transformação.

O peso da frase também está no contexto em que foi dita. Não se tratava de um seminário sobre ESG, nem de um painel dedicado à diversidade. A coletiva havia sido convocada para apresentar uma inovação operacional e ambiental: a entrada em operação da primeira frota de ônibus articulados a biometano em operação regular no Brasil, uma iniciativa que já representa, por si só, um marco na descarbonização do transporte coletivo.

O óbvio estava diante de todos os jornalistas: todos os executivos envolvidos eram homens, de todas as empresas participantes. Não se tratava de uma disputa entre homens e mulheres, mas de um padrão que merece ser questionado. Entre as lideranças, apenas Indiara Ferreira era mulher. Por quê?

As respostas talvez não apareçam hoje, mas a pergunta precisa ser feita. Homens e mulheres podem — e devem — ser bem-vindos tanto na cozinha quanto na oficina. Ninguém deveria exercer uma função por obrigação ou estereótipo, e sim por vontade e oportunidade. E essas oportunidades precisam existir para todos, independentemente do gênero. É claro que diferenças biológicas existem, e devem ser respeitadas — sempre com respeito e bom senso.

Sobre este tema, já publicamos reportagens e outro artigo no LinkedIn para os meus seguidores:

Foi justamente nesse ambiente, dominado por pautas de tecnologia, energia limpa, eficiência operacional e política pública, que surgiu a cobrança por inclusão feminina.

Ao inserir a exigência em um evento de mobilidade pesada, diante de montadoras, encarroçadora, governo e imprensa especializada, Indiara sinalizou que a discussão sobre mulheres ao volante precisa deixar de ser periférica e passar a ocupar o centro da estratégia empresarial.

Um setor que ainda avança devagar

O diagnóstico da executiva foi direto: “este setor é muito machista”. É uma constatação realista, mas difícil de contestar para quem acompanha de perto o dia a dia do transporte. Apesar dos avanços recentes, a participação feminina na condução de caminhões, ônibus e veículos pesados ainda é muito inferior ao potencial do mercado.

Nos últimos anos, programas de formação específicos, como os desenvolvidos pela Fabet, vêm mostrando que há demanda, vocação e capacidade técnica para ampliar essa presença. A escola tornou-se referência nacional ao promover cursos pioneiros para a capacitação de mulheres como motoristas profissionais, ajudando a derrubar barreiras históricas de acesso.

O problema, no entanto, raramente está apenas na formação.

Muitas mulheres conseguem a habilitação adequada, passam por treinamento, demonstram desempenho e preparo, mas ainda enfrentam obstáculos na contratação, resistência cultural nas empresas, falta de estrutura adequada em garagens e pátios, além de preconceitos velados — e, por vezes, explícitos.

Por isso, a fala de Indiara toca num ponto crucial: não basta treinar mulheres para o setor se o setor não estiver disposto a contratá-las.

A Frota News foi a primeira mídia a criar e a ainda a única a ter a seção “Frota Delas” para poder explicar o óbvio: os benefícios da presença das mulheres no nosso setor.

Frota Delas
Seção que reúne as reportagens sobre as mulheres no transporte

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Rio Boat Show 2026 promete atrações inéditas e mais de 100 embarcações em exposição

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A Marina da Glória, no Rio de Janeiro, será palco, entre os dias 11 e 19 de abril, do Rio Boat Show, considerado o maior evento náutico outdoor da América Latina. A edição deste ano foi planejada para aproximar o público do universo náutico, independentemente do nível de experiência, oferecendo atividades que vão do lazer à imersão em práticas esportivas.

A programação inclui atrações para toda a família, como batismo de mergulho em um tanque de 5 metros de profundidade, velejadas pela Baía de Guanabara, apresentações musicais, praça gastronômica, desfiles de embarcações e encontros de jets. Os visitantes também poderão conhecer de perto cerca de 100 barcos de diferentes tamanhos e categorias, produzidos por estaleiros nacionais e internacionais. Os ingressos já estão disponíveis no site oficial do evento.

Segundo Thalita Vicentini, diretora da Boat Show Eventos, o objetivo é mostrar que o setor náutico vai muito além de lanchas e iates. Ela destaca que esse universo também envolve esportes como vela e mergulho, além da simples contemplação e da experiência de estar sobre as águas. Para Thalita, o Rio Boat Show foi concebido para demonstrar que a náutica é acessível e pode ser apreciada tanto por quem já navega quanto por quem deseja iniciar ou apenas tem curiosidade sobre esse estilo de vida. A expectativa da organização é superar o público da edição anterior, que recebeu cerca de 30 mil visitantes.

Além das experiências práticas, o evento reunirá alguns dos principais fabricantes de iates, lanchas esportivas e embarcações de lazer do mundo, apresentando novidades do mercado para quem busca adquirir seu primeiro barco ou fazer um upgrade. Outra atração confirmada é o Náutica Talks, ciclo de palestras que contará com mais de 40 especialistas compartilhando vivências e conhecimentos sobre o universo náutico. As apresentações ocorrerão diariamente, das 16h às 20h, durante todo o período do evento.

Saiba mais sobre o Roteiro Automtoivo

Roteiro Automotivo: Explorando a conexão entre mobilidade, gastronomia e entretenimento

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Goiás estreia primeiros ônibus articulados a biometano do Brasil e projeta 501 veículos até 2027

Com oito unidades já em operação no BRT Leste-Oeste, Estado inicia a primeira operação regular do País com ônibus articulados movidos a gás biometano no transporte coletivo e projeta escalar a tecnologia para até 501 veículos até 2027

A Nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC) inaugura um novo capítulo da transição energética no transporte coletivo urbano nos 21 municípios da região. A capital goiana passa a operar os primeiros ônibus articulados da história do Brasil movidos a gás natural e/ou biometano em linha regular, consolidando um movimento que combina eletrificação, gaseificação e requalificação de infraestrutura para acelerar a descarbonização.

A entrega inicial contempla oito unidades, mas o plano é muito mais ambicioso: o programa prevê a incorporação de até 501 ônibus a biometano até 2027, transformando Goiânia em uma referência nacional no uso de combustíveis renováveis no transporte público. Este volume de ônibus ainda serão encomendados aos fabricantes, devendo ser todos da marca Scania, única fabricante de ônibus com a tecnologia a gás no Brasil em configurações padrão, articulado e biarticulado. Aliás, o pioneirismo da marca sueca data desde 2018, com o contrato de 302 unidades biarticulado F 340 HA 8×2, 340 cv, de até 250 passageiros.

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A nova etapa da RMTC foi oficializada nesta sexta-feira (27) em cerimônia no Terminal Padre Pelágio, reinaugurado após modernização, com presença do governador Ronaldo Caiado, do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, além de representantes do poder público, operadores, indústria e fornecedores do sistema.

Os articulados foram desenvolvidos em parceria entre Consórcio BRT, Scania e Marcopolo. Montados sobre o chassi Scania K 340C A6X2/2 NB Euro 6, os veículos utilizam motorização ciclo Otto, dedicada a gás natural e/ou biometano, com 340 cv de potência e 1.600 Nm de torque, além de transmissão automática ZF, suspensão a ar e sistema eletrônico de freios (EBS). A proposta é entregar desempenho equivalente ao de um ônibus a diesel, mas com menor ruído, menos vibração e emissões significativamente reduzidas se abastecidos com biometano.

Cilindros Tipo 4 e autonomia

Um dos principais diferenciais técnicos está no sistema de armazenamento de combustível. Os ônibus utilizam, pela primeira vez no Brasil nesse tipo de aplicação, sete cilindros Tipo 4 em fibra de carbono, fornecidos pela Hexagon Agility e instalados no teto. Esses reservatórios são cerca de 70% mais leves e duas vezes mais caro do que soluções convencionais e elevam a capacidade de armazenamento com maior eficiência estrutural e alto padrão de segurança. Segundo a Marcopolo, os sete cilindros representam 25% do preço da carroceria, pois, por enquanto, são importados da Alemanha em baixa escala, uma das razões para explicar o seu alto custo.

Na configuração com sete cilindros, a capacidade é de 370 m³ de gás, equivalente a 1.645 litros. Na prática, o resultado operacional converge: autonomia superior a 400 quilômetros, podendo chegar a cerca de 450 km. Segundo Indiara Ferreira, diretora executiva da HP Mobiliddade, um das empresas do Consórcio BRT, essa autonomia é teórica e que a real será conhecida em breve com os ônibus em operação.

Com 19,22 metros de comprimento e capacidade para até 145 passageiros, os novos Viale Express Articulado tiveram as suas estruturas retrabalhadas e com aço mais sofisticados para garantir maior resistência para o teto suportar o peso dos cilindros e garantir que o peso total da carroceria seja o mesmo da versão convencional.

Entre os itens embarcados estão poltronas estofadas com entradas USB e USB-C, piso amadeirado, iluminação full LED, ar-condicionado, monitoramento por câmeras e área dedicada para pessoas com mobilidade reduzida, com rampa e elevador. Em um ambiente de BRT, esses elementos não são meros detalhes: ajudam a reposicionar a percepção de qualidade do transporte coletivo e reforçam a estratégia da Nova RMTC de tornar o ônibus uma alternativa mais competitiva frente ao automóvel individual.

Biometano deixa de ser piloto e entra em fase de escala

Goiás não tem nenhuma usina de produção de biometano e, inicialmente, vai “importar” o gás renovável de outros estados, como o da carreta na foto abaixo, adquirido de um fornecedor do Paraná. No entanto, tem projeto para ter e com uma solução inédita no segmento: primeiro posto de abastecimento totalmente dedicado a um sistema de transporte coletivo a biometano no Brasil, inicialmente abastecido por carretas e, dentro de dois anos, por meio de um gasoduto.

Goiás
Correta com 7.500 m3 de biometano, suficiente para abastecer os oitos ônibus por dois dias. Foto: Marcos Villela

O Consórcio BRT já havia testado o sistema de abastecimento em caráter piloto entre março e julho de 2025, por meio de um posto provisório de abastecimento. O resultado foi considerado positivo tanto sob o ponto de vista operacional quanto econômico, o que abriu caminho para a estruturação definitiva da cadeia de suprimento local, mesmo com o custo do transporte do biometano de outros estados para Goiânia.

Para resolver o clássico dilema do “ovo e da galinha” — sem oferta local de combustível não há frota, e sem demanda garantida não há investimento em produção — o projeto optou por fomentar a geração regional de biometano. Em Guapó, está em implantação a primeira usina de geração de biometano de Goiás, fruto de parceria entre o Consórcio BRT e a GeoGreen Biogás, com aportes de R$ 150 milhões, uso de resíduos industriais e capacidade de produção de até 100 mil metros cúbicos por dia.

A iniciativa se insere em um planejamento mais amplo, dividido em fases. A apresentação do Consórcio BRT menciona três frentes de contratação (RFPs) de 50 mil m³/dia cada, com potencial de atendimento de até 166 veículos por etapa, formando uma demanda projetada de 150 mil m³/dia para cerca de 500 veículos no sistema metropolitano.

Segundo o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também há tratativas com a prefeitura para uma outra usina de biometano a ser implementada no aterro sanitário da capital goiana. Com essas soluções de biopostos, o governador acredita a cidade para fazer a transição da frota de caminhões de serviços urbanos, como coleta de resíduos, para caminhões a gás, a exemplo do que já acontece em São Paulo. Confira a reportagem sobre o tema abaixo:

De oito para 198, depois 501: a escalada da Nova RMTC

Se a entrega dos oito articulados já é histórica, ela deve ser lida como um marco inicial dentro de uma transformação muito maior. Segundo Laércio Ávila, diretor executivo do Consórcio BRT, o cronograma para o biometano aponta metas de 79 articulados e 22 veículos padron até setembro de 2026, antes da escalada rumo a aproximadamente 500 ônibus movidos pelo combustível renovável até o final de 2027.

A estratégia se insere no programa Nova RMTC, que reúne investimentos superiores a R$ 2,5 bilhões e combina renovação de frota, requalificação de terminais, modernização operacional e priorização do transporte coletivo.

O que Goiás sinaliza para o futuro do transporte coletivo no Brasil

Goiás está montando uma vitrine singular para o futuro do transporte coletivo brasileiro ao adotar uma estratégia de transição energética múltipla. Em vez de apostar em uma única tecnologia, o estado combina ônibus elétricos, veículos movidos a biometano e modelos a diesel P8/Euro 6. Essa diversidade reconhece que a descarbonização no Brasil não será uniforme, já que fatores como custos, infraestrutura, disponibilidade energética e características econômicas variam entre cidades. No contexto goiano, marcado por forte agroindústria, o biometano ganha relevância ao conectar gestão de resíduos, produção de energia renovável e mobilidade urbana.

A experiência de Goiás antecipa um debate nacional: eletrificação sozinha não resolverá a descarbonização do transporte público. Em regiões fora dos grandes centros, a combinação de tecnologias pode ser mais viável técnica e financeiramente. Goiânia começa a estruturar um ciclo completo “resíduo–energia–mobilidade”, transformando passivos ambientais em combustível renovável para ônibus de alta capacidade. Além da redução expressiva de CO₂ — que pode chegar a 90% com biometano — há ganhos adicionais como menor emissão de NOx, menos material particulado e redução de ruído e vibração em comparação ao diesel tradicional.

Segundo Edmundo Pinheiro, presidente da NTU, a simples substituição de ônibus Euro 3 por Euro 6 já representa uma transição energética relevante, enquanto tecnologias como elétricos e biometano avançam conforme houver viabilidade financeira e crédito. Apesar do alto custo de aquisição e do impacto da Selic sobre o Capex dos elétricos, Goiás transforma a Nova RMTC em um laboratório real de política pública integrada. Se mantiver coerência entre produção local de combustível, infraestrutura, frota e prioridade operacional, o estado pode criar um modelo replicável para outras regiões agroindustriais ou com grandes aterros sanitários — não apenas inaugurando os primeiros articulados a biometano do país, mas estabelecendo uma nova referência nacional em transição energética no transporte coletivo.

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Menos ocorrências, mais inteligência criminosa: roubo de cargas muda de perfil e impõe nova agenda ao TRC

A redução de 16,7% nos registros de roubo de cargas no Brasil em 2025, para 8.570 ocorrências, sinaliza avanço nas ações de repressão e integração institucional. Mas, para o transporte rodoviário de cargas, o recuo estatístico não significa alívio definitivo: o crime está se tornando mais seletivo, mais urbano e mais sofisticado, pressionando transportadoras, embarcadores e seguradoras a redesenhar protocolos, investir em tecnologia e rever estratégias operacionais para os próximos anos.

A queda no número de roubos de cargas em 2025 pode parecer, à primeira vista, um sinal de melhora consistente para o transporte rodoviário de cargas (TRC). O levantamento anual da NTC&Logística aponta 8.570 ocorrências no ano passado, resultado 16,7% inferior ao de 2024. Ainda assim, o setor segue diante de um problema estrutural: o prejuízo direto permanece em cerca de R$ 900 milhões e pode ultrapassar R$ 1 bilhão quando entram na conta os custos indiretos, como seguros, gerenciamento de risco, reprogramação operacional e repasse ao preço final dos produtos.

Veja como é nos Estados Unidos:

A leitura do dado, portanto, exige cautela. Em 2024, o país havia registrado 10.478 ocorrências, com perdas estimadas em R$ 1,2 bilhão, segundo números já divulgados pela própria NTC e repercutidos no setor. A comparação reforça uma tendência importante: o volume caiu, mas o impacto econômico continua elevado, indicando que as quadrilhas estão menos focadas em quantidade e mais orientadas por inteligência, oportunidade e liquidez da carga.

Na prática, isso significa que o roubo de cargas entra em uma nova fase. O alvo prioritário deixa de ser apenas o caminhão em trânsito em longos trechos rodoviários e passa a incluir, cada vez mais, operações de distribuição urbana, janelas de entrega, áreas metropolitanas e corredores logísticos próximos a centros de consumo. A concentração de 86,8% das ocorrências no Sudeste — especialmente em Rio de Janeiro e São Paulo — confirma essa dinâmica e reforça que o risco está fortemente associado à densidade econômica, à capilaridade da distribuição e à facilidade de escoamento da mercadoria roubada.

A NTC&Logística chama atenção para esse novo perfil criminoso. Segundo a entidade, as quadrilhas têm priorizado cargas de alta liquidez, como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos, e adotado táticas mais sofisticadas, incluindo interceptações em movimento, abordagens durante entregas e atuação em áreas urbanas. Em outras palavras, o roubo de cargas se aproxima cada vez mais de uma lógica de “crime logístico”, com escolha cirúrgica de mercadoria, rota, janela operacional e vulnerabilidade do embarque.

Parceria iniciativa privada e poder público

Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, a redução recente comprova que a cooperação entre iniciativa privada e poder público vem produzindo resultados, mas o setor ainda está longe de uma solução definitiva. Na avaliação dele, o combate à receptação segue sendo um dos pontos centrais, porque é essa engrenagem que sustenta economicamente o roubo de cargas. A entidade também destaca como avanço recente a sanção do novo marco legal de combate ao crime organizado, vista como instrumento para ampliar a capacidade de investigação, punição e enfrentamento das estruturas criminosas. O novo marco foi aprovado no Congresso em 2025 e sancionado nesta semana pelo governo federal, com vetos pontuais, segundo registros legislativos e repercussão pública.

No curto prazo, a expectativa é que a nova legislação ajude a aumentar a pressão sobre as redes de receptação, lavagem e redistribuição de mercadorias roubadas — um elo frequentemente mais estratégico do que a ação no asfalto em si. Se essa etapa avançar, o efeito pode ser mais profundo do que o simples reforço do policiamento ostensivo: reduzir a atratividade econômica do crime.

Mas a transformação mais importante para 2026 e 2027 tende a acontecer dentro das próprias operações. A agenda de segurança no TRC deve migrar de uma lógica reativa para um modelo mais preditivo e integrado. Isso inclui maior uso de rastreamento inteligente, telemetria, georreferenciamento de risco, monitoramento de desvios de padrão, torres de controle logístico, analytics de rotas e cruzamento de dados operacionais com bases de inteligência pública e privada. O foco deixa de ser apenas “onde está o caminhão” e passa a ser “qual é a probabilidade de incidente nesta rota, nesta faixa horária, com este tipo de carga e este perfil de entrega”.

Esse movimento deve ganhar força também por pressão do mercado segurador. Com o crime mais sofisticado e mais seletivo, a tendência é de maior rigor na subscrição de risco, exigências operacionais mais detalhadas, segmentação por tipo de carga e ampliação do uso de protocolos mandatórios — especialmente em operações urbanas, de last mile e em produtos de alta liquidez. Para muitas transportadoras, isso pode significar aumento de investimento em tecnologia e compliance, mesmo em um cenário de queda nas estatísticas.

O vice-presidente extraordinário de Segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, resume bem esse ponto ao afirmar que o crime se tornou mais estruturado e exige resposta igualmente coordenada, com tecnologia, informação e cooperação contínua. Essa visão reforça que o roubo de cargas deixou de ser apenas um problema policial e se consolidou como um tema de governança logística e competitividade.

Para o setor, o desafio agora é evitar uma leitura complacente da queda de 2025. O número menor de ocorrências é positivo e precisa ser reconhecido. Mas o verdadeiro teste para os próximos anos será saber se o Brasil conseguirá reduzir também a sofisticação financeira e operacional das quadrilhas, desarticulando a receptação, integrando bases de dados e convertendo tecnologia em prevenção efetiva.

Se isso acontecer, o país poderá entrar em um novo ciclo de segurança logística, com reflexos diretos sobre o custo do frete, a previsibilidade das cadeias de abastecimento e a competitividade do TRC. Se não acontecer, o setor pode conviver com um cenário aparentemente melhor nas estatísticas, mas ainda caro, volátil e estruturalmente vulnerável — um retrato em que o roubo de cargas diminui em volume, mas continua pesando no bolso da transportadora, do embarcador e, no fim da cadeia, do consumidor.

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Transpanorama e COFCO investem R$ 4,5 milhões em B100 para o transporte de soja

A Transpanorama Transportes é uma das parceiras da COFCO International em um projeto piloto voltado à descarbonização do transporte rodoviário de soja no Mato Grosso. Ao lado da JF Andrade, as companhias anunciaram uma iniciativa que prevê redução de cerca de 94% das emissões de gases poluentes nas operações, com o uso de biodiesel B100 em parte da frota dedicada ao transporte de grãos e oleaginosas. Para viabilizar a operação, o investimento conjunto supera R$ 4,5 milhões.

O projeto terá início com consumo mensal de 10 mil litros de biodiesel B100 produzidos a partir de soja e destinados ao abastecimento de quatro caminhões das transportadoras parceiras que atendem às demandas da divisão de Grãos e Oleaginosas da companhia no Estado.

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Segundo Fabricio Degani, diretor de Logística da COFCO International no Brasil, a meta é transformar o piloto em uma base para expansão futura. Para a Transpanorama, que completa 40 anos em 2026, a participação no projeto representa um passo relevante na jornada de descarbonização da operação rodoviária.

“O uso do B100 é uma demonstração prática de que o setor de transporte rodoviário pode operar com alta eficiência enquanto reduz seu impacto ambiental. Investir em soluções sustentáveis e consistentes é uma prioridade estratégica para a Transpanorama”, destaca Valdecir Adamuccio, diretor comercial da transportadora, conforme publicado pela Transpanorama no LinkedIn.

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