Petrobras produz 95 mil toneladas de asfalto com óleo derivado do milho

Insumo derivado da produção de etanol passou a ser utilizado desde junho na fabricação do CAP Pro R, na Revap

A Petrobras produziu 95 mil toneladas de asfalto com conteúdo renovável desde junho na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), após incorporar o óleo técnico de milho (TCO) à fabricação do ligante asfáltico CAP Pro R.

O TCO, fornecido pela Inpasa, é um óleo residual semirrefinado obtido do processamento de milho para produção de etanol e já era utilizado pela companhia na fabricação de combustíveis como SAF e Diesel R.

Segundo a diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angélica Laureano, a iniciativa faz parte da ampliação do uso de matérias-primas renováveis nas refinarias e da diversificação de produtos com menor intensidade de carbono.

Já Rafael Verruck, diretor de Trading de Mercado Interno, óleo e DDGS da Inpasa, afirmou que a aplicação do insumo na produção de asfalto amplia seu uso na cadeia de infraestrutura.

De acordo com a Petrobras, o CAP Pro R integra sua linha de asfaltos com conteúdo renovável, enquanto as emissões associadas ao cimento asfáltico de petróleo concentram-se principalmente nas etapas de produção e aplicação do material.

DNIT registra redução de custos com uso de agregado siderúrgico em rodovias não pavimentadas

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) apresentou neste mês, durante a ABM Week 10, em São Paulo, resultados de um trecho experimental da BR-259, no Espírito Santo, que utilizou agregado siderúrgico para melhorar a trafegabilidade de estradas não pavimentadas. Então todo o país, este tipo de pista representa 88% de todas as rodovias brasileiras, com mais de 1,5 milhão de km, segundo a CNT (Confederação Nacional do Transporte).

Segundo Luciana Michèlle Dellabianca Araújo, assessora técnica da Diretoria de Planejamento e Pesquisa do DNIT, o projeto foi desenvolvido com base em estudos de campo e laboratoriais para combinar o material ao solo local e apontou redução significativa nos custos de manutenção: em três anos, um trecho de 31 quilômetros mantido apenas com solo natural teria custo estimado de quase R$ 9 milhões, enquanto as intervenções no segmento com agregado siderúrgico somaram cerca de R$ 430 mil.

O tema foi debatido na mesa-redonda “Aplicação sustentável de materiais secundários para revestimento primário em vias”, promovida pela Comissão Técnica de Economia Circular e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), que discutiu aspectos técnicos, ambientais e regulatórios do uso de materiais secundários da siderurgia e mineração em infraestrutura viária.

A moderadora Leila Kauffmann, diretora da Kauffmann Engenharia e Tecnologia Ambiental, destacou que o avanço da aplicação depende da evolução das normas técnicas, da harmonização regulatória entre os estados e da integração entre experiências práticas, conhecimento técnico e políticas públicas.

Metade das rodovias públicas brasileiras tem Baixo Índice de Perdão, aponta CNT

A terceira edição do Painel CNT de Rodovias que Perdoam revelou que metade das rodovias públicas avaliadas no Brasil apresenta Baixo Índice de Perdão, indicador que mede a capacidade da infraestrutura viária de reduzir a gravidade dos acidentes. Dos 42.052 km de rodovias públicas analisados, apenas 4,8% alcançaram classificação de Alto Perdão. Nas rodovias concedidas, o cenário é significativamente melhor: 62% dos trechos avaliados possuem Alto Índice de Perdão, evidenciando a relação direta entre investimentos em infraestrutura e segurança viária. No conjunto da malha pesquisada, de 114 mil km, 37,5% dos trechos foram classificados com Baixo Perdão, 42,7% com Médio e 19,9% com Alto.

O estudo também aponta fortes desigualdades regionais. As regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte das rodovias com Alto Índice de Perdão, impulsionadas pela presença de concessões, enquanto Norte, Nordeste e Centro-Oeste seguem predominando em faixas de Médio e Baixo Perdão, inclusive em corredores estratégicos para o transporte de cargas e passageiros. O indicador da CNT considera elementos de segurança passiva, como acostamentos adequados, barreiras de proteção, áreas livres de obstáculos, atenuadores de impacto e sinalização eficiente. Segundo a entidade, ampliar investimentos nas rodovias públicas é essencial para reduzir a severidade dos acidentes e tornar as estradas brasileiras mais seguras.

Veja também:
  • Asfalto com pneus reciclados
    A fase final da construção da Ponte de Guaratuba, no litoral do Paraná, destaca o uso de asfalto‑borracha — tecnologia que incorpora pneus inservíveis ao pavimento, aumentando a durabilidade e reduzindo impactos ambientais. Cerca de 600 toneladas do material, equivalente a 23 mil pneus reciclados, estão sendo aplicadas nos 70 mil m² que abrangem a ponte e seus acessos. Estudos citados pela Frota News mostram que o asfalto‑borracha pode ser 40% mais resistente que o convencional, com vida útil média de 14 anos. A obra também envolve um componente social, já que parte do processamento da borracha é feita por detentos da Colônia Penal Agrícola de Piraquara. Coordenada pelo DER/PR, a nova ponte terá quatro faixas, ciclovia e áreas de segurança, ampliando a mobilidade e o escoamento econômico no litoral paranaense.
  • Melhor momento para as concessionárias
    O Brasil vive um dos maiores ciclos recentes de investimentos em rodovias, impulsionado pelo avanço das concessões e pela entrada mais robusta da iniciativa privada. Nos últimos três anos, foram leiloados 22 trechos, somando mais de 10 mil km e R$ 247 bilhões contratados. Até 2026, os aportes previstos podem superar R$ 149 bilhões. Esse movimento fortalece a previsibilidade dos projetos, acelera obras e já melhora as condições operacionais para o Transporte Rodoviário de Cargas, especialmente nas vias concedidas.

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