eActros 600 e NextGenH2: as diferenças entre os caminhões elétricos a bateria e hidrogênio da Mercedes-Benz

eActros 600 e NextGenH2 Truck compartilham base tecnológica, mas seguem caminhos distintos para atender diferentes operações logísticas

A Daimler Truck avança com duas frentes tecnológicas para atender clientes que vão investir na descarbonização de suas frotas: caminhões elétricos a bateria e modelos movidos a hidrogênio. Embora semelhantes por fora e até na experiência ao volante, o Mercedes-Benz eActros 600 e o Mercedes-Benz NextGenH2 Truck adotam conceitos energéticos distintos para atender demandas variadas do transporte rodoviário.

“‘Bateria em primeiro lugar’ continua sendo a base da Daimler Truck e já cobre muitos casos de uso atualmente”. O eActros 600, produzido em série desde 2024, entrega autonomia de 500 quilômetros com peso bruto combinado de cerca de 40 toneladas. Com três pacotes de baterias LFP totalizando 621 kWh — dos quais mais de 95% são utilizáveis — o modelo foi projetado para durabilidade de até 1,2 milhão de quilômetros em dez anos.

O modelo a hidrogênio

Já o NextGenH2 Truck, previsto para pequenas séries no fim de 2026, mira operações de longa distância que exigem flexibilidade e reabastecimento rápido. Em vez de armazenar eletricidade, o modelo transporta hidrogênio líquido a –253 °C em dois tanques com capacidade para até 85 kg, suficientes para mais de 1.000 quilômetros de autonomia. “O único subproduto é o vapor d’água liberado na atmosfera”, destaca o texto.

eActros 600 e NextGenH2
NextGenH2 mira longas distâncias

Apesar das diferenças, ambos compartilham o mesmo eixo motriz elétrico desenvolvido pela Mercedes-Benz Trucks, sistemas avançados de assistência e um ambiente de cabine semelhante. A distinção está na forma como cada um transporta e repõe energia: carregamento elétrico de alta potência no eActros 600 e reabastecimento de hidrogênio em 10 a 15 minutos no NextGenH2.

A Daimler Truck defende que nenhuma tecnologia isolada atende a todas as operações. Rotas previsíveis favorecem baterias; trajetos longos e variáveis exigem hidrogênio. A oferta de via dupla, afirma a empresa, acelera a descarbonização e amplia a competitividade do setor.

Veja também:
  • eActros em teste na DHL
    A frota global da DHL ultrapassa os 113 mil veículos e, cada vez mais, em transição energética. Só no Brasil, a DHL Express conta com mais de 140 veículos de carga (de bike, vans até caminhões leves) elétricos. O objetivo da empresa é ter 80 mil veículos zero emissão até 2030 e, para isso, ela testa quase todas as soluções apresentadas. O mais recente teste está sendo com o Mercedes-Benz eActros 600.
  • Milésimo ônibus elétrico
    A Eletra alcançou um marco inédito no transporte coletivo brasileiro ao entregar o milésimo ônibus elétrico produzido no País. A unidade simbólica foi destinada à Movebuss, que opera na zona sudeste de São Paulo e adquiriu 45 veículos elétricos para renovar sua frota. O modelo utiliza plataforma Mercedes‑Benz, motor e baterias WEG, com integração tecnológica desenvolvida integralmente pela Eletra. A fabricante, que detém 70% do mercado nacional e responde por metade das vendas às operadoras da SPTrans, já trabalha em uma nova carteira de pedidos de aproximadamente 1 mil ônibus, com entregas previstas até 2027. Segundo a diretora‑presidente Milena Braga Romano, o marco reflete décadas de investimento em tecnologia nacional. A diretora comercial Iêda Oliveira destaca a adaptação dos modelos a diferentes climas e operações, enquanto o diretor‑presidente da Movebuss, Antônio Alves de Oliveira, ressalta ganhos ambientais e de conforto. Com capacidade produtiva de 1.800 veículos por ano e presença no ranking global E‑Bus Radar, a Eletra amplia sua atuação em ônibus elétricos, trólebus, híbridos e retrofit, impulsionando a transição energética no transporte público brasileiro.
  • Novas embreagens Eaton
    A Eaton ampliou sua atuação no segmento de veículos pesados ao lançar uma nova embreagem de 430 mm para transmissões automatizadas, reforçando sua estratégia de expandir a cobertura de aplicações no mercado e atender operações de alta severidade no transporte rodoviário. O componente, voltado a frotistas e transportadores, foi desenvolvido para elevar a durabilidade, a confiabilidade operacional e a disponibilidade da frota, reduzindo paradas não planejadas e aumentando a eficiência diária das operações. Segundo Fernando Piton, diretor da Unidade de Negócios de Aftermarket do Grupo Mobility para a América do Sul, o lançamento consolida a presença da Eaton no Aftermarket de veículos comerciais e fortalece sua posição como parceira do mercado de reposição automotiva. A reportagem será atualizada em breve.
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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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