Estado de Minas Gerais publica dois guias que orientam gestores públicos e empresas na transição energética do transporte, com foco em redução de custos e oportunidades
Com a maior malha rodoviária do Brasil, somando cerca de 272 mil quilômetros, Minas Gerais ocupa posição importante na logística nacional. Essa relevância, porém, vem acompanhada de desafios ambientais: o setor de transporte responde por 12,8% das emissões totais de gases de efeito estufa no estado, enquanto a queima de diesel representa quase metade das emissões do setor energético, segundo o governo mineiro.
Para enfrentar esse cenário, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) publicou dois guias que orientam gestores públicos e empresas de transporte e logística na adoção de soluções de baixo carbono.
A editoria Frota Sustentável da Frota News analisou os guias e publicamos este resumo. Os guias completos estão disponíveis no site da Sede-MG, as cartilhas Descarbonização da Logística: Um Roteiro para a Transição Energética em Minas Gerais – O Guia do Gestor Público Municipal e Descarbonização da Logística: Oportunidades para o Setor Logístico reúnem informações técnicas, regulatórias e financeiras voltadas à mobilidade verde.
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Segundo o superintendente de Política Minerária, Energética e Logística da Sede-MG, Raphael Evaristo, os materiais cumprem papel estratégico. Aos gestores municipais, as cartilhas oferecem um norte para o planejamento de cidades mais sustentáveis e resilientes, alinhando as políticas locais às metas estaduais e atraindo investimentos verdes. Já para os empresários, esses guias indicam o caminho para uma operação mais limpa e eficiente, e também abrem portas para oportunidades de negócio e para o fortalecimento da competitividade.
O que os guias trazem
Os documentos reforçam ajudam o estado com a economia de baixo carbono, alinhando-se ao Plano Estadual de Ação Climática (PLAC-MG) e ao dever internacional Race to Zero — iniciativa da qual Minas Gerais foi o primeiro ente subnacional da América Latina a participar. Entre os principais conteúdos, os guias apresentam:
Panorama da logística mineira e seus desafios
Os guias apresentam um diagnóstico detalhado da realidade logística de Minas Gerais e evidenciam os principais gargalos que dificultam a transição energética no setor de transporte. Entre os obstáculos mais relevantes está o alto custo de aquisição de veículos elétricos, que ainda representa uma barreira significativa para empresas e transportadores autônomos. Soma-se a isso a baixa disponibilidade de infraestrutura de recarga no estado, o que limita a expansão de frotas eletrificadas e reduz a confiança dos operadores na autonomia desses veículos.
Outro ponto crítico é a dificuldade de acesso ao crédito, especialmente para pequenos transportadores, que enfrentam entraves financeiros para modernizar suas operações. Além disso, a predominância de frotas antigas, muitas delas operadas por autônomos, reforça o desafio de renovar o parque circulante e reduzir as emissões.

Soluções financeiras e linhas de crédito
Para enfrentar essas limitações e viabilizar a renovação de frotas e a implantação de infraestrutura de recarga, os guias destacam uma série de instrumentos financeiros disponíveis no estado e no país. Entre eles está o BDMG Verde, voltado a projetos de eficiência energética e eletromobilidade, e o BDMG Municípios, que oferece condições especiais para prefeituras interessadas em modernizar seus sistemas de transporte.
No âmbito federal, o BNDES Fundo Clima surge como alternativa para financiar a aquisição de veículos elétricos e a instalação de eletropostos. As publicações também chamam atenção para as oportunidades abertas pelo Novo PAC, que prioriza investimentos em ônibus elétricos e infraestrutura urbana sustentável, especialmente em cidades-polo como Belo Horizonte, Uberlândia e Contagem.
Incentivos fiscais e regulatórios
Os documentos orientam ainda que os municípios adotem legislações capazes de estimular o transporte de baixa emissão. Entre as medidas sugeridas estão a redução de ISS para serviços de recarga elétrica e a implementação do IPTU Verde, que concede descontos a centros de distribuição e hubs logísticos que adotem práticas sustentáveis.
Outro ponto relevante é o licenciamento fast track, que permite a tramitação acelerada de projetos de empresas que investem em tecnologias limpas. Além disso, os guias recomendam a criação de privilégios de circulação para veículos de emissão zero, como prioridade em áreas de carga e descarga e isenção de tarifas em zonas específicas.
Infraestrutura de recarga e papel da Cemig
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) é apresentada como peça central na viabilização da transição energética no estado. Seu papel envolve a integração de hubs de recarga à rede elétrica, garantindo estabilidade e capacidade para atender grandes frotas.
Os guias destacam também a importância da implantação de eletropostos de alta potência, com capacidade de até 2 MVA, capazes de abastecer simultaneamente diversos veículos. Além disso, a Cemig atua no desenvolvimento de soluções inovadoras por meio do programa Inova Cemig, que fomenta tecnologias voltadas à mobilidade elétrica e à eficiência energética.
Soluções para logística urbana e última milha
Para reduzir emissões em áreas urbanas densas, os guias propõem um conjunto de medidas voltadas à logística de última milha. Entre elas está a criação de Zonas de Baixa Emissão (ZBE), onde a circulação de veículos altamente poluentes seria restrita. O uso de bicicletas e triciclos elétricos é incentivado como alternativa eficiente para entregas em regiões centrais, contribuindo para a redução de congestionamentos e ruídos. Outra solução destacada é a instalação de smart lockers, armários inteligentes que permitem otimizar rotas de entrega e diminuir o tempo de parada dos veículos, aumentando a eficiência operacional.
Impacto direto para gestores de frota
Um dos pontos mais relevantes para o setor privado é a estimativa apresentada nos guias de que a substituição de veículos movidos a diesel por modelos elétricos pode reduzir em até 65% o custo por quilômetro rodado. Essa economia resulta tanto da redução do gasto com combustível quanto da menor necessidade de manutenção mecânica, já que motores elétricos possuem menos componentes sujeitos a desgaste. Para gestores de frota, essa informação representa uma oportunidade concreta de ganho de eficiência e competitividade.
Benchmarking e modelos de gestão
Os guias também reúnem referências de cidades brasileiras que já avançaram na mobilidade elétrica, oferecendo exemplos práticos que podem ser replicados em Minas Gerais. Além disso, apresentam modelos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) que podem ser utilizados para estruturar projetos de infraestrutura e renovação de frota. As publicações abordam ainda a integração entre transporte coletivo e infraestrutura cicloviária, além de soluções de micromobilidade aplicáveis a municípios de diferentes portes, reforçando a importância de estratégias combinadas para reduzir emissões e melhorar a eficiência logística.
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O aporte da DHL anunciado de R$ 2,69 bilhões para frota verde e centros logísticos
A DHL anunciou um investimento recorde de €500 milhões (R$ 2,69 bilhões) para fortalecer suas operações na América Latina até 2028, com foco especial no Brasil. O plano inclui a descarbonização da frota nacional, ampliação e modernização de centros de armazenagem — como os de Goiás e Extrema (MG) — e a adoção de tecnologias avançadas de robotização e automação. A iniciativa integra a estratégia global da DHL Supply Chain para atender setores de alta demanda, como automotivo, farmacêutico, varejo, tecnologia e e-commerce.
Segundo Oscar de Bok, CEO Global da DHL Supply Chain, o investimento responde à tendência de omnisourcing, que aproxima estoques dos mercados consumidores para criar cadeias mais resilientes e flexíveis. Ele destaca que Brasil e México se tornaram pontos estratégicos para empresas que buscam diversificar suas origens de abastecimento. A DHL pretende transformar a América Latina em um polo logístico capaz de acelerar o crescimento global da companhia.
O movimento também reforça o histórico de expansão da DHL na região. Agustin Croche, CEO da DHL Supply Chain América Latina, ressaltou o papel dos 40 mil colaboradores locais e a importância do momento para consolidar relações de longo prazo com clientes. Após o anúncio, a DHL inaugurou no México um Centro de Excelência para Veículos Elétricos, com a presença de Mario Rodríguez e Fathi Tlatli, reforçando a estratégia de apoiar a indústria automotiva. A empresa já opera mais de 240 unidades na América Latina e segue ampliando sua infraestrutura no Brasil.
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