Farizon projeta salto na eletrificação da logística urbana brasileira nos próximos cinco anos

Farizon detalha estratégia para liderar a eletrificação da logística urbana no país

Em entrevista exclusiva durante a Future Mobility, Rodrigo Pikussa, diretor executivo da Unidade de Veículos Elétricos da Farizon no Brasil, detalhou a estratégia da marca — pertencente ao gigante Geely Group e representada no País pelo Grupo Timber — para renovar o transporte comercial sustentável no país. Com foco inicial na logística urbana, a companhia aposta em um ecossistema que une tecnologia de ponta, parcerias globais em baterias e um modelo de pós-venda focado na disponibilidade operacional.

Para a Farizon, o Brasil é o mercado de maior destaque na América Latina e atravessa um momento de crescimento sustentável. Segundo Pikussa, o horizonte de cinco anos é promissor, pois a viabilidade econômica do veículo elétrico está se provando sustentável para um leque maior de operações. Ele traça um paralelo com o mercado de automóveis de passeio: a adoção em veículos comerciais deve seguir uma curva acelerada similar à vista na China e na Europa, superando obstáculos específicos do setor de carga.

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Foco na logística urbana e “last mile”

Atualmente, a prioridade da Farizon no Brasil é a logística urbana, com um lineup de cinco produtos voltados para operações de first e last mile, atendendo especialmente a demanda crescente do e-commerce. No entanto, os planos de expansão já estão traçados: até 2027, a marca pretende introduzir veículos para serviços públicos, transporte de passageiros e transporte regional.

A robustez tecnológica da marca vem de sua origem no Geely Group. A Farizon possui o maior centro de pesquisas de veículos comerciais na China e se beneficia de um ecossistema que inclui desde a geração de combustíveis limpos até o uso de uma rede própria de satélites para monitoramento e futura implementação de veículos autônomos.

Um dos pontos que mais gera dúvidas entre gestores de frotas é a durabilidade das baterias. No Brasil, os veículos da Farizon são equipados com baterias da CATL, líder mundial do segmento. A escolha visa garantir não apenas a qualidade, mas também o suporte local, já que a CATL possui laboratórios e equipes de manutenção estruturadas no país.

Quanto à vida útil, Pikussa reforça que a percepção de risco está diminuindo. “As baterias estão durando 10, 15 anos… a bateria muito provavelmente vai durar mais que o próprio veículo”. A garantia padrão oferecida é de 5 anos ou 250.000 km, podendo ser estendida conforme o perfil da operação.

Farizon
O Farizon SuperVan, um dos modelos da marca vendido no Brasil, recebeu o prêmio de segurança platina do Euro NCAP (European New Car Assessment Program) com uma pontuação de 85 pontos, colocando-a entre as melhores opções para veículos comerciais seguros e confiáveis. Foto:EuroNCAP

Pós-Venda: O conceito de Oficina Móvel

Para garantir a disponibilidade da frota, a Farizon introduziu a Supervan, uma oficina móvel que atende num raio de 500 km a partir do eixo São Paulo-Rio-Minas. O objetivo é inverter a lógica tradicional: “levar o serviço ao cliente e não trazer o cliente até o serviço”. No Sul do país, o atendimento é realizado por meio de casas próprias do grupo importador (Grupo Timber).

A capilaridade do serviço também conta com a parceria da Ticket Log, utilizada para a seleção e capacitação de oficinas homologadas. Um diferencial importante para o gestor é o diagnóstico remoto, que permite aos técnicos da Farizon em São Paulo auxiliarem diagnósticos em qualquer praça através da internet.

A manutenção de veículos elétricos, embora mais simples por possuir menos componentes móveis, exige rigor técnico. Pikussa explica que 60% do treinamento das oficinas é focado em segurança e protocolos para lidar com alta tensão (NR10). O objetivo é garantir que o ambiente de trabalho seja seguro para desenergizar o veículo antes de qualquer intervenção.

Desafios e o futuro da mobilidade

Apesar do otimismo, o executivo reconhece os desafios de operar em um país continental como o Brasil, citando as distâncias geográficas para logística de peças e as constantes mudanças tributárias para importados.

A mensagem final para os gestores de transporte é de que a eletrificação não é uma simples troca de veículo, mas a construção de um novo modelo de negócio. “Os clientes estão começando a entender como funciona o ecossistema da mobilidade. Não é apenas tirar um veículo a combustão e colocar um elétrico; é construir uma solução viável juntos”.

O portfólio da Farizon na china atende diversos segmentos do transporte de cargas e passageiros

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Filipi Cândido
Filipi Cândidohttps://www.frotanews.com.br
Jornalista e diretor de inteligência de mercado na Frota News, com mais de 10 anos de atuação na construção e posicionamento de marcas em diferentes setores da economia. Ao longo da trajetória, esteve à frente de operações e estratégias nos segmentos de hotelaria e mercado de luxo, com passagens por grupos como LVMH — atuando em marcas como Dior e Guerlain — além do grupo Percassi e de uma experiência internacional como consultor de tendências para grandes marcas de wellness da China. Essa vivência consolidou uma visão integrada sobre comportamento, experiência e geração de valor. Atualmente, atua no setor automotivo e de veículos pesados, com foco em frotas, mobilidade e logística, liderando a produção de conteúdo e estratégias que conectam inteligência de mercado a oportunidades reais de crescimento. Nos últimos anos, aprofundou sua atuação em sustentabilidade e ESG, acompanhando de perto as transformações da indústria e traduzindo esses movimentos em análises que impactam diretamente o posicionamento e a competitividade das marcas.
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