Emplacamentos crescem 14,3% no ano e produção nacional domina o mercado. Em Vitória, a Volkswagen começa teste com o e-Volksbus
Entre janeiro e maio, foram emplacadas 311 ônibus elétricos no país, um avanço de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando 272 veículos foram registrados. O desempenho de maio foi ainda mais expressivo: 132 ônibus elétricos emplacados, contra apenas 24 no mesmo mês do ano anterior — alta de 450%.
Os números mostram que o setor deixou para trás a fase de projetos-piloto e avança para um estágio de escala operacional, com maior oferta de modelos e fabricantes do que o segmento tradicional com veículos a diesel, financiamento público robusto, produção nacional fortalecida e entrada progressiva em grandes centros urbanos.
O volume acumulado nos cinco primeiros meses de 2026 já representa 36,8% de todo o total registrado em 2025 (844 unidades) e supera em 3% as vendas de 2024 (302). Os 500 ônibus elétricos entregues pela Prefeitura de São Paulo em 21/06 não estão incluídos nesses dados.
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A produção nacional é um dos pilares dessa expansão. De janeiro a maio, oito fabricantes apresentaram 20 modelos ao mercado brasileiro. Seis delas produzem no país, enquanto duas atuam com unidades importadas. Das 311 unidades emplacadas, 308 foram fabricadas no Brasil — 99% do total — reforçando a capacidade industrial de empresas como Eletra, BYD, Mercedes-Benz e Marcopolo. A Eletra liderou o período com 148 unidades (48%), seguida pela BYD com 95 (31%) e pela Mercedes-Benz com 47 (15,2%).
A geografia dos emplacamentos também revela a concentração da eletromobilidade no Sudeste, responsável por 95,2% das unidades registradas até maio. O estado de São Paulo sozinho respondeu por 293 ônibus, cerca de 99% da região. No ranking nacional, São Paulo lidera com 269 unidades (86,5%), seguida por Goiânia (15), Osasco (12), São Bernardo do Campo (11), Confins (2), Rio de Janeiro (1) e Santos (1).
O avanço é impulsionado por políticas públicas e linhas de financiamento. O Novo PAC prevê recursos para a compra de 2.296 ônibus elétricos. O BNDES já aprovou R$ 4,5 bilhões para apoiar a aquisição de 2 mil veículos. Além disso, a ampliação do Move Brasil incluiu ônibus e micro-ônibus em uma linha de crédito de R$ 21,2 bilhões, com critérios de sustentabilidade e exigência de fabricação nacional.
Os dados reforçam que a eletrificação do transporte coletivo deixou de ser uma agenda futura e passou a ganhar escala real no país. Ainda assim, os números refletem apenas os emplacamentos registrados, não necessariamente o total de veículos já em circulação.

e-Volksbus inicia testes em Vitória (ES)
A capital capixaba passou a integrar a rota nacional de testes do e-Volksbus, ônibus 100% elétrico da Volkswagen Caminhões e Ônibus. O modelo será avaliado por algumas semanas em trechos estratégicos de Vitória, permitindo medir desempenho em condições reais de operação, considerando topografia, fluxo de passageiros e diferentes perfis de uso.
Segundo Jorge Carrer, diretor de Ônibus da montadora, Vitória oferece um ambiente relevante para ampliar a base de dados sobre eficiência energética, autonomia e comportamento do veículo, apoiando operadores locais na adoção da eletromobilidade.
Projetado para o transporte público brasileiro, o e-Volksbus tem capacidade de 22 toneladas, autonomia de até 250 km e tecnologias como frenagem regenerativa, Eco Drive Mode e proteção contra inundação — recurso essencial para dias de chuva intensa. O modelo também conta com sistema de ajoelhamento, suspensão pneumática integral e soluções voltadas ao conforto, acessibilidade e robustez em rotas urbanas de alta demanda.
Lat.Bus 2026
A Volkswagen já acumula mais de 260 unidades comercializadas do e-Volksbus 22L e prepara dois lançamentos para a Lat.Bus 2026: os chassis elétricos e-Volksbus 22H e 18H, ambos de piso alto e voltados para operações urbanas e de fretamento. Os modelos, que serão apresentados também oferecem autonomia de até 250 km, opção de recarga acelerada com dois plugues CCS2 e capacidade para até 82 passageiros no caso do 22H.
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