A GWM Brasil deu início a um marco decisivo no mercado de mobilidade sustentável da América do Sul ao realizar o primeiro abastecimento do seu caminhão elétrico movido a célula a combustível (FCEV), desenvolvido pela GWM Hydrogen (subsidiária FTXT na China). O insumo utilizado foi o hidrogênio verde produzido no recém-inaugurado Centro de Referência em Tecnologias de Baixo Carbono do Senai Cimatec Park, situado em Camaçari (BA). Segundo Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen-FTXT Brasil, a iniciativa sinaliza a transição para a fase de testes em condições reais de operação, com previsão de rodar mais de 1.000 km ao longo de dois meses no complexo baiano.
Paralelamente aos ensaios técnicos, a fabricante conduz negociações comerciais avançadas com sete empresas e centros de tecnologia para viabilizar transações no Brasil e no continente sul-americano. O veículo extrapesado é equipado com motorização de 544 cv, entrega autonomia de 500 km e possui capacidade para 49 toneladas de Peso Bruto Total (PBT). Para ampliar o alcance da tecnologia, a empresa também oferecerá soluções de retrofit para conversão de frotas a diesel já existentes. Com essas frentes, a GWM Hydrogen-FTXT projeta atingir R$ 20 milhões em vendas de soluções a hidrogênio no país ainda em 2026, projetando uma expansão expressiva para R$ 200 milhões em receita no ano de 2027.
Apesar do otimismo com as projeções de vendas, os indicadores de viabilidade econômica — como CAPEX (investimento inicial) e OPEX (custo operacional) do veículo e do combustível — ainda não foram divulgados e dependem dos resultados do período de testes.
Demanda aquecida no Brasil alavanca resultados globais da Scania e compensa cenário adverso
Em um período marcado pela desaceleração das principais economias centrais e por desafios operacionais na indústria automotiva global, o mercado brasileiro consolidou-se como o verdadeiro motor do desempenho financeiro da fabricante sueca Scania. Sustentada pela liquidez proveniente do programa Move Brasil e pela força do agronegócio e da logística nacional, a forte procura por frotas pesadas no país impulsionou a entrada global de pedidos da montadora em 41%, elevando a receita trimestral consolidada da companhia para R$ 27,6 bilhões (SEK 53,1 bilhões).
Além do expressivo volume de vendas, a operação brasileira atuou como a âncora central de rentabilidade para o grupo global. O resultado assegurou a manutenção de uma margem operacional de 11,6%, fornecendo o fôlego financeiro indispensável para mitigar os expressivos aportes exigidos na maturação da nova fábrica da montadora na China e no avanço do portfólio de veículos de emissão zero em escala global.
Solução aerodinâmica da FEI promete reduzir custos no transporte, mas esbarra em gargalos regulatórios
A modernização e a eficiência da frota nacional de transporte de cargas enfrentam entraves que vão além da inovação tecnológica. Pesquisadores do Centro Universitário FEI desenvolveram o AeroLoad, uma carenagem traseira aerodinâmica de alta eficiência que reduz o arrasto aerodinâmico dos veículos em 12,6%, resultando em uma diminuição direta no consumo de combustível e na emissão de poluentes. No entanto, o aproveitamento comercial da tecnologia esbarra em restrições burocráticas impostas pela atual legislação brasileira, que limita o comprimento máximo dos caminhões e inviabiliza a implementação generalizada do dispositivo no mercado nacional.
Conforme destaca o professor Rodrigo Bernardello Unzueta, da FEI, a atualização do arcabouço normativo vigente é uma medida urgente e fundamental para destravar inovações capazes de reduzir os custos logísticos e impulsionar a sustentabilidade no setor de transporte rodoviário de cargas.
Marcopolo unifica operações de peças e serviços na marca Marco Parts com foco em eficiência e pós-venda
Seguindo os padrões de reorganização e consolidação da indústria automobilística global, a Marcopolo anunciou a estruturação unificada de suas operações de peças e serviços sob a marca Marco Parts. A nova estrutura integrará todo o ciclo de vida do portfólio de ônibus, micro-ônibus, trens e motorhomes da companhia. De acordo com Marcio Tatsch, gerente de Gestão e Desenvolvimento de Rede da Marcopolo, a mudança visa maximizar a eficiência operacional por meio de três divisões dedicadas a atender necessidades específicas do mercado.
A arquitetura da Marco Parts está dividida entre a Marcopolo Parts, focada no fornecimento de componentes genuínos para as marcas Marcopolo, Volare e Neobus; a Marcopolo Services, direcionada à manutenção e ao suporte em gestão de frotas com expansão progressiva pela rede de filiais no país; e a R Parts. Esta última foca nos preceitos da economia circular ao comercializar peças genuínas que apresentam pequenas avarias estéticas com preços reduzidos, permitindo aos operadores otimizarem seus custos de manutenção mantendo os padrões exigidos de segurança e desempenho.
EPR Participações vence leilão da Régis Bittencourt com desconto de 22,5% e R$ 7,2 bilhões em investimentos
Em leilão de otimização contratual realizado na B3, a EPR Participações S.A. sagrou-se vencedora do certame referente à concessão da rodovia BR-116/SP/PR (Autopista Régis Bittencourt). A empresa apresentou uma proposta competitiva que garantiu um desconto de 22,53% na tarifa básica de pedágio paga pelos usuários.
Com a vitória, a concessionária assume a administração de um trecho estratégico de 402 quilômetros de rodovias federais ligando os estados de São Paulo e Paraná pelos próximos 25 anos. O contrato prevê a aplicação de R$ 7,2 bilhões em investimentos privados, destinados a obras de ampliação de capacidade rodoviária, modernização tecnológica de infraestrutura e aprimoramento dos serviços operacionais e de atendimento aos motoristas.
TomTom Traffic Index 2025 revela Curitiba e São Paulo no topo das cidades com mais horas perdidas no trânsito
O levantamento global TomTom Traffic Index 2025, especializado no monitoramento viário internacional, mapeou o impacto do tráfego urbano em nove das principais metrópoles brasileiras. Os dados revelam que os motoristas do país continuam perdendo dezenas de horas anuais parados em congestionamentos nos horários de maior fluxo, gerando expressivos custos econômicos e perda de produtividade urbana.
O ranking nacional é liderado por Curitiba (PR), onde os motoristas perdem em média 135 horas por ano nos horários de pico, apresentando um nível médio de congestionamento de 54,0%. Na segunda posição aparece São Paulo (SP), com 132 horas perdidas e índice médio de tráfego de 58,5%, seguida por Recife (PE) e Belo Horizonte (MG), ambas registrando 130 horas anuais perdidas. A capital pernambucana destaca-se também por registrar a maior taxa média de congestionamento do país, alcançando 64,7%.
Ranking de Cidades Brasileiras (TomTom Traffic Index)
| Posição | Cidade | Tempo Perdido Anual (Horário de Pico) | Nível de Congestionamento |
| 1º | Curitiba (PR) | 135 horas | 54,0% |
| 2º | São Paulo (SP) | 132 horas | 58,5% |
| 3º | Recife (PE) | 130 horas | 64,7% |
| 3º | Belo Horizonte (MG) | 130 horas | 58,6% |
| 5º | Porto Alegre (RS) | 125 horas | 59,6% |
| 6º | Fortaleza (CE) | 121 horas | 56,9% |
| 7º | Rio de Janeiro (RJ) | 92 horas | 57,8% |
| 8º | Salvador (BA) | 81 horas | 47,6% |
| 9º | Brasília (DF) | 58 horas | 34,4% |
Nota técnica: O índice calcula as horas perdidas comparando o tempo de deslocamento nos horários de pico com o tráfego em fluxo livre (sem engarrafamento). Apenas 9 cidades brasileiras foram incluídas na edição do relatório.
Transição energética no transporte florestal
Uma das maiores produtoras de celulose do mundo, com megaoperação no Mato Grosso do Sul, iniciou sua transição energética para descarbonização da frota ao testar caminhões movidos a gás em operações florestais — um segmento historicamente dependente do diesel e com poucas alternativas viáveis para uso off‑road.
Os modelos avaliados foram o JAC Q7 6×4, representado no Brasil pela Green Cargo, e o Scania G 460 6×4, comercializado pela Scania Brasil. Os resultados indicaram vantagens para o modelo da Green Cargo, não apenas pelo desempenho técnico, mas pelo pacote de serviços agregado, que inclui garantia de recompra em formato semelhante ao leasing operacional. A operação vai envolver cerca de 25 unidades do caminhão da JAC Motors Global.
Além dessa conquista, a Green Cargo devem anunciar, em breve, mais 25 unidades do JAC Q7 para uma outra operação florestal. Aguardem!
Cortes do Villela é a minha coluna diária com os recortes mais relevantes do dia sobre transporte, logística, mobilidade, energia e indústria. Notícias rápidas, análises técnicas e bastidores do setor — sempre com precisão jornalística, curadoria rigorosa e foco no impacto real para quem opera, decide e movimenta o mercado. Uma seleção direta ao ponto, feita por quem acompanha o setor há décadas e sabe exatamente o que importa.
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