Green Cargo avança em rotas verdes com expansão dos caminhões JAC a gás no transporte pesado

Em entrevista à Frota News, Leandro Gedanken detalha como a parceria com a JAC Motors, os testes com a Copersucar e a expansão da infraestrutura de gás podem redefinir o TCO no transporte de commodities

A transição energética no transporte pesado ganha força com a evolução de mais um fornecedor de caminhões e infraestrutura. A Green Cargo, representante exclusiva da JAC Motors no Brasil para caminhões pesados a gás, é uma iniciativa que combina tecnologia chinesa, biometano nacional e um modelo de negócios que vai além da simples venda de veículos.

Em entrevista exclusiva à Frota News, Leandro Gedanken, diretor de Operações da Green Cargo, detalha como a empresa está estruturando uma oferta B2B, que inclui importação, homologação, pós-venda, suporte operacional e articulação com fornecedores de gás. O objetivo é atender a crescente demanda pela migração do diesel para GNV, GNL e biometano em operações de alta quilometragem.

A meta anunciada é agressiva: colocar de 150 a 200 caminhões em operação em 12 meses e superar 2 mil unidades em três a cinco anos.

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Um novo modelo de negócio para um novo combustível

A estratégia da Green Cargo não replica o modelo tradicional de concessionárias. Em vez disso, a empresa aposta em operações dedicadas, com estruturas de atendimento montadas próximas — ou dentro — das bases dos clientes.

Nosso foco é desenvolver operações dedicadas e customizadas junto aos clientes”, explica Gedanken. “O objetivo é garantir
o máximo de disponibilidade da frota, menor downtime e suporte ágil
.”

Essa abordagem responde a um desafio histórico do gás no transporte pesado: a necessidade de segurança operacional e previsibilidade de abastecimento. Por isso, a Green Cargo atua como integradora, conectando embarcadores, transportadores e fornecedores de gás.

Tecnologia chinesa adaptada ao Brasil

O caminhão JAC Q7-560 chega ao país em configurações 6×2 e 6×4, com motor de 560 cv e torque de 2.600 Nm. A autonomia varia de 900 km com GNV a mais de 2.000 km com GNL, segundo reportagens do setor.

Para operar no Brasil, o modelo passou por adequações técnicas, e não adaptações improvisadas, como reforça Gedanken:

“O que foi feito foi uma adequação técnica para a realidade brasileira. Ajustes de calibração, sistema de freios e
configuração do veículo para atender às exigências da operação nacional.”

O objetivo era claro: habilitar o caminhão para composições de até 74 toneladas, muito acima das 48 toneladas da versão chinesa.

Bio Rota: o laboratório real da transição energética

O projeto Bio Rota, liderado pela Copersucar, tornou-se uma vitrine do uso de biometano no transporte de commodities. A Green Cargo já participa da iniciativa, com testes aprovados tecnicamente.

O estudo mais emblemático ocorreu no trajeto entre a usina Cocal, em Narandiba (SP), e o Porto de Santos, em composição bitrem e carga máxima.

A configuração reproduziu condições reais de transporte pesado de commodities em rotas longas”, afirma Gedanken.

O teste avaliou consumo, desempenho em serra, comportamento em descidas, autonomia, disponibilidade mecânica e feedback dos motoristas — um conjunto de indicadores que, segundo o executivo, precisa ser analisado de forma integrada.

Nota do editor: A Copersucar já conta com cerca de 70 caminhões a gás trabalhando na Bio Rota e o objetivo fazer a transição de 100% da frota a diesel para biometano, o que representa mais de 500 caminhões. Até então, o único fornecedor de caminhões era a Scania, já que a Iveco que, apesar de ter lançado o S-Way NG na última na Fenatran, tirou o “pé do acelerador” nesse segmento devido a grande demanda de caminhões a gás na Argentina. Além da Scania e JAC, os frotistas ainda podem contar com retrofit oferecido por um fabricante brasileiro de motores. 

Frota Sustentável
Jornalismo profissional e especializado em transição energética

Claro, Marcos. Aqui está o trecho reescrito em parágrafos fluidos, coesos e com tom jornalístico técnico, sem bullets, mantendo integralmente todas as informações originais.

Economia comprovada: o dado que destrava a escala

Se a sustentabilidade é um motivador importante para a renovação das frotas, o fator decisivo para a adoção dos caminhões a gás é, sem dúvida, o ganho econômico. E, nesse ponto, os números apresentados pela Green Cargo são expressivos.

No teste realizado com a Transvale dentro da operação da Copersucar, o caminhão a gás registrou uma redução entre 12% e 15% no custo por quilômetro rodado em comparação ao diesel, mesmo operando com carga de até 74 toneladas em uma rota fixa e de longa distância — exatamente o perfil que maximiza o TCO e evidencia o potencial competitivo da tecnologia.

Para Leandro Gedanken, esse é o argumento que realmente acelera a migração energética no transporte pesado. “Sustentabilidade é parte importante da agenda, mas o que destrava a escala é o ganho econômico”, resume o diretor de Operações da Green Cargo.

GNV, GNL e biometano: três caminhos, um mesmo caminhão

A flexibilidade energética é outro pilar da oferta de solução pela Green Cargo. O caminhão JAC foi projetado para operar com GNV, GNL e biometano, permitindo que cada cliente escolha a solução mais adequada à infraestrutura disponível em sua região.

Atualmente, segundo Gedanken, o mercado brasileiro está mais maduro para operações com gás natural e biometano comprimido, que concentram a maior parte dos projetos em andamento. Já o GNL deve ganhar relevância em uma segunda etapa, à medida que a infraestrutura nacional evoluir e novas bases de abastecimento forem viabilizadas.

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O biometano, por sua vez, abre espaço para modelos “from waste to wheel”, especialmente no agronegócio, onde muitos embarcadores já produzem o próprio combustível dentro de suas operações. “Esse é exatamente o tipo de operação em que a Green Cargo acredita e já atua”, afirma Gedanken. “Grupos do setor sucroenergético já produzem o combustível que abastece sua própria frota.”

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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