Caminhões a gás: o fim da complexidade no pós-tratamento

A transição para motores a gás natural adota nova geração de catalisadores
que eliminam DPF e ARLA 32

A busca por soluções mais limpas e eficientes no transporte pesado tem acelerado a adoção de motores a gás natural, impulsionando uma mudança na forma como o pós-tratamento de emissões é concebido. Modelos como o Scania G460 A6x2 movido a gás (CNG/biometano) e a nova geração de motores da Cummins evidenciam isso: a descarbonização vem acompanhada da simplificação mecânica, reduzindo custos, peso e tempo de inatividade.

Nos motores a gás, que operam sob o ciclo Otto, a combustão é significativamente mais limpa do que nos motores a diesel. O material particulado praticamente inexiste, eliminando a necessidade do complexo e oneroso Filtro de Partículas Diesel (DPF), que demanda regenerações constantes e representa um dos principais pontos de manutenção não planejada nas frotas. A retirada desse componente reduz peso, amplia a disponibilidade operacional e elimina falhas recorrentes associadas ao sistema.

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Outra mudança é a substituição do sistema de Redução Catalítica Seletiva (SCR), dependente de ARLA 32, pelo catalisador de três vias. A tecnologia, já utilizada em motores a gás, ganhou avanços importantes na Cummins. O catalisador agora apresenta maior eficiência, leveza e vida útil estendida, integrando melhorias inéditas nos modelos X15N, ISX12N, L9N e 6.7N — este último já disponível no Brasil.

O novo X15N recebeu atualizações no controle da relação ar-combustível, passando a utilizar um sensor de oxigênio de banda larga, mais preciso fora do ponto estequiométrico.

Segundo Scott Baize, líder da plataforma técnica da Cummins, a proporção ideal para aplicações com gás natural é de 16,5:1, garantindo combustão completa e funcionamento ideal do catalisador. Com esse controle refinado, o sistema reduz óxidos de nitrogênio (NOx) em mais de 99%, diminuindo a carga de trabalho do pós-tratamento e elevando a eficiência geral do motor.

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Menos peso e componentes

Além da evolução técnica, o catalisador de três vias se destaca pela leveza. David King, gerente de produtos da Cummins para motores a gás natural, afirma que o componente pode pesar até 68 kg a menos que o pós-tratamento a diesel. Somado ao design mais leve do motor, o X15N pode oferecer redução total de aproximadamente 227 kg em comparação ao X15 diesel. King reforça que o catalisador é projetado para durar toda a vida útil do veículo, sem necessidade de substituição.

A manutenção do sistema de ignição permanece como ponto de atenção. As velas devem ser substituídas a cada 96.560 km, podendo chegar a 104.607 km com a solução Valvoline NextGen One. Baize alerta que falhas prolongadas de ignição podem danificar o catalisador, embora o componente em si não exija manutenção.

Com o diesel acima de R$ 7 na média nacional, segundo a ANP, e o gás natural até 20% mais barato no Brasil e 60% nos Estados Unidos, o cenário econômico favorece a expansão dos motores a gás. Em operações privadas, a Alliance for Clean Transportation aponta reduções de até 90% nos custos de combustível. Para King, o impacto do tempo de inatividade também pesa na decisão das empresas, já que problemas com DEF e DPF podem gerar atrasos, penalidades e custos indiretos significativos no sistema de pós-tratamento.

A combinação entre combustão limpa, pós-tratamento simplificado e economia operacional coloca os motores a gás natural como protagonistas na transição energética do transporte pesado. A tecnologia, já consolidada em fabricantes como Scania e Cummins, demonstra que sustentabilidade e eficiência mecânica podem — e devem — avançar juntas.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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