Espírito Santo detalha estratégia para economia verde e como pretende avançar na oferta de GNV e biometano

Estado apresenta Plano Estadual de Descarbonização e expõe desafios para ampliar rede de gás, cuja infraestrutura ainda limita avanço no interior

O governo do Espírito Santo apresentou nesta quarta-feira (10), durante o 1º Encontro de Descarbonização da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), um conjunto de estratégias voltadas à redução das emissões e ao fortalecimento de projetos sustentáveis. O foco está no Plano Estadual de Descarbonização, alinhado às metas nacionais e internacionais de mitigação de gases de efeito estufa.

Entre os pilares está o Fundo de Descarbonização, já operacionalizado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes). O mecanismo reúne recursos públicos e privados para financiar iniciativas em energia solar, biogás, biometano, hidrogênio verde e tecnologias industriais limpas, oferecendo crédito mais competitivo para empresas comprometidas com metas de redução de emissões.

O principal gargalo é a rede de gás canalizado, ainda concentrada na região metropolitana de Vitória. Hoje, o Espírito Santo conta com 540 km de dutos, distribuídos em 13 municípios. A meta para 2034 é triplicar a extensão para 1.560 km e dobrar o número de cidades atendidas, chegando a 26 municípios.

No interior, onde estão potenciais usinas de biometano, a ausência de rede é o maior entrave. A primeira planta, instalada em Cariacica, conseguiu se conectar à infraestrutura existente, mas novos pontos de injeção dependerão da expansão dos dutos.

Gasoduto virtual ganha força como solução temporária

A conexão da usina de Cariacica exigiu R$ 5 milhões em adequações realizadas pela ES Gás. O investimento total do projeto soma R$ 70 milhões da Marca Ambiental, além do aporte da distribuidora.

A Energisa, controladora da ES Gás, prevê R$ 1 bilhão em investimentos até 2030, sendo R$ 230 milhões destinados à modernização da infraestrutura atual.

Enquanto a rede física não avança, o biometano tem crescido “sobre rodas”. O transporte rodoviário em tanques — o chamado gasoduto virtual — tornou-se alternativa viável para pequenas e médias plantas, já que o custo de implantação de dutos é proibitivo. O modelo é tendência no Brasil, cuja malha de gasodutos é muito inferior à de países como EUA e nações europeias.

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Outro desafio é a baixa demanda por caminhões movidos a biometano. A frota reduzida desestimula investimentos em infraestrutura de abastecimento, enquanto a falta dessa infraestrutura desincentiva a compra de veículos — um ciclo que trava o crescimento do setor.

O setor também enfrenta incertezas regulatórias, como a definição do certificado de garantia de origem previsto na Lei do Combustível do Futuro. A reforma tributária exigirá ajustes para manter a competitividade do biometano. O Espírito Santo, porém, já avançou ao reduzir o ICMS de biogás e biometano de 17% para 12% desde 1º de janeiro de 2025.

A ausência de corredores logísticos sustentáveis e de um planejamento integrado que considere GNV e biometano como parte estratégica da transição energética também limita o avanço.

O que está sendo feito

Para reduzir os gargalos, o Espírito Santo avança em uma série de iniciativas para ampliar o uso do biometano e fortalecer a transição energética. O Programa ES Mais+Gás prevê R$ 7 bilhões em investimentos nos próximos dois anos e um total de R$ 20 bilhões até 2034, impulsionando a expansão da infraestrutura de gás e a integração de novas tecnologias limpas.

Entre as ações em andamento, estão quatro novas usinas de biometano planejadas para serem conectadas à rede da ES Gás, ampliando a oferta do combustível no Estado. Paralelamente, estão sendo estruturados corredores de abastecimento de GNV em rodovias estratégicas, equipados com bicos de alta vazão para atender veículos pesados, especialmente caminhões.

A experiência da primeira planta de biometano em Cariacica funcionará como projeto-piloto, servindo de referência para a implantação de novos pontos de injeção no interior, onde a infraestrutura ainda é limitada.

Apesar dos avanços, o Espírito Santo enfrenta o mesmo desafio estrutural observado em todo o Brasil: uma rede de dutos insuficiente e cara de expandir. Até que essa infraestrutura avance de forma mais robusta, o gasoduto virtual — transporte rodoviário do biometano — continuará sendo a solução predominante para levar o combustível ao mercado.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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