Mercado mundial segue concentrado entre gigantes como John Deere, Kubota e CNH, enquanto o Brasil enfrenta avanço de máquinas asiáticas e divergências internas
O mercado global de tratores manteve em 2025 uma configuração marcada pela hegemonia dos grandes fabricantes, ao mesmo tempo em que revela uma extensa fragmentação entre dezenas de marcas regionais. Segundo dados da Pristine Market Insights, a John Deere lidera o setor com 22,90% de participação, seguida pela Kubota (15,54%) e pela CNH Industrial (10,39%). Juntas, essas três empresas concentram 48,83% da receita mundial.
A estrutura global, porém, não se resume aos líderes. A categoria denominada “Resto de Competidores” representa 15,82% do mercado — uma fatia superior à de qualquer fabricante individual, exceto a própria John Deere. O número evidencia a força de dezenas de marcas de nicho e regionais que, embora menores, compõem uma cauda longa competitiva. Entre os players de médio porte, AGCO (9,67%) e Mahindra (7,45%) se destacam como articuladores importantes, pressionando os líderes e ampliando a diversidade tecnológica do setor.
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Enquanto o panorama global aponta para consolidação e avanço tecnológico, o mercado brasileiro de máquinas agrícolas em 2025 apresentou nuances próprias. Após dois anos de retração, o setor registrou alta de 13,05% no volume de unidades vendidas, totalizando 55.298 máquinas. A Anfavea, entretanto, reportou queda de 3,6% no varejo, refletindo divergências metodológicas entre entidades sobre o que compõe “vendas ao varejo” e “vendas da indústria”.
No Brasil, a John Deere manteve a liderança com forte integração tecnológica via Operations Center e uma rede de concessionárias que impulsionou resultados expressivos, incluindo a venda de mais de 1.000 tratores por uma única grande rede. CNH Industrial, AGCO (Massey Ferguson) e Kubota também sustentaram presença sólida, enquanto a Mahindra ampliou seu portfólio com foco em culturas específicas, como o café.
O grande ponto de tensão para a indústria nacional foi o avanço das importações. Em 2025, o país registrou recorde de 11 mil máquinas importadas, alta de 17%. Equipamentos indianos e chineses vêm ganhando espaço graças a custos de produção até 27% menores, pressionando fabricantes locais e acendendo alertas sobre competitividade e política industrial.
A segmentação também trouxe movimentos relevantes. Os tratores de rodas cresceram 13,71% e os modelos de baixa potência tiveram forte demanda, impulsionados por linhas de crédito como o PRONAF. Paralelamente, o mercado de usados avançou 30%, com produtores recorrendo a leilões para renovar a frota em meio a juros elevados e crédito restrito.

Para o leitor do Frota News, o contraste entre a hegemonia global das marcas e a pressão dos importados no Brasil revela um cenário complexo: enquanto gigantes como John Deere e CNH Industrial sustentam sua liderança com tecnologia embarcada e agricultura de precisão, novos players asiáticos desafiam o mercado interno com preços agressivos. A disputa entre inovação e custo deve seguir moldando o setor nos próximos anos, especialmente em um país onde safra, juros e crédito têm peso decisivo na renovação da frota.
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