Inovação, IA e estabilidade regulatória dominam discussões sobre o futuro das concessões
A construção de um ambiente regulatório mais estável, a ampliação do diálogo entre órgãos de controle e reguladores e o avanço da inovação tecnológica marcaram os debates da Bienal de Rodovias 2026, realizada pela Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) em comemoração aos seus 30 anos. O encontro reuniu 3,7 mil participantes no Centro Internacional de Convenções de Brasília (CICB).
No segundo dia do evento, o painel “Órgãos de Controle e Agências Reguladoras: Um Novo Alinhamento Institucional?” destacou a evolução das relações entre os atores responsáveis pela formulação, regulação e fiscalização dos projetos de infraestrutura. Marcos Cavalcanti, secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), afirmou que o Brasil vive um momento de maior maturidade institucional, no qual o diálogo e a busca por soluções consensuais substituem disputas e judicializações.
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A percepção foi compartilhada por Guilherme Theo Sampaio, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que reforçou a importância da estabilidade regulatória e da previsibilidade para atrair investimentos. Representando a Secex Consenso do Tribunal de Contas da União (TCU), Nicola Khoury destacou o aprimoramento dos mecanismos de acompanhamento e fiscalização, ressaltando o papel do controle na construção de soluções eficientes e alinhadas ao interesse público.
O professor Carlos Ari Sundfeld, da Sociedade Brasileira de Direito Público, apontou que ambientes cooperativos entre reguladores, operadores e órgãos de controle elevam a qualidade das decisões e reduzem incertezas. Já o diretor-presidente da ABCR, Marco Aurélio Barcelos, afirmou que o avanço das concessões depende diretamente de um ambiente institucional sólido, capaz de oferecer previsibilidade e estabilidade para investimentos de longo prazo.
Expansão da infraestrutura e visão de futuro
O painel “Visão das Lideranças” reuniu representantes do governo, concessionárias e entidades setoriais para discutir os desafios e oportunidades do próximo ciclo de investimentos. Viviane Esse, secretária nacional de Transporte Rodoviário, destacou o papel estratégico das concessões para ampliar a capacidade de investimento do país e reforçou que a interlocução com a ABCR tem contribuído para aprimorar os modelos de concessão.
Brendon Ramos, CEO da Via Appia, ressaltou os avanços na estruturação de projetos e a necessidade de fortalecer mecanismos que garantam eficiência e sustentabilidade. Representando a Ecorodovias, o diretor-geral de concessões Rui Klein afirmou que o futuro do setor passa pela incorporação de novas tecnologias e Inteligência Artificial (IA), alinhadas às expectativas dos usuários.
Eduardo Siqueira de Moraes Camargo, diretor vice-presidente de Negócios da Motiva, defendeu o fortalecimento das agências reguladoras como condição essencial para acelerar investimentos e garantir qualidade na execução dos contratos. Segundo ele, ampliar a estrutura técnica e orçamentária desses órgãos permitirá maior eficiência na elaboração de projetos executivos e na condução das obras.
O secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, Pedro Bruno, destacou que o ambiente favorável também se reflete nos estados. Ele afirmou que Minas Gerais trabalha com uma visão integrada de corredores logísticos e já possui sete projetos previstos para o ciclo pós-2026, reforçando a importância de trechos conectados e da inteligência aplicada às concessões.
Entre as tendências projetadas para as próximas décadas, foram citados o uso intensivo de IA, veículos autônomos, metas de “acidente zero”, avanços no licenciamento ambiental e o fortalecimento da relação entre iniciativa privada e poder público.
Inteligência Artificial avança na gestão das concessões
A transformação digital teve espaço de destaque na programação. No painel dedicado à IA, especialistas apresentaram aplicações práticas da tecnologia na operação, monitoramento e gestão de ativos. Afrânio Spolador Junior destacou o potencial da IA para ampliar a eficiência operacional e apoiar decisões baseadas em dados.
Luciano Uchoa apresentou experiências de monitoramento de ativos e automação de atividades, reduzindo custos e aumentando a capacidade de resposta das concessionárias. Bruno Toni Palialol abordou o uso de ferramentas inteligentes para análise preditiva, permitindo identificar riscos e antecipar necessidades de manutenção.
Guilherme Borges destacou soluções voltadas à mobilidade e à melhoria da experiência dos usuários, enquanto Lucas Zanon Arantes ressaltou a integração entre infraestrutura, conectividade e novas soluções de transporte, apontando a IA como vetor central de transformação do setor.
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