Parceria entre TransCore e Grupo Pumatronix traz ao país um sistema que usa Bluetooth para identificar veículos, reduz custos operacionais e pode acelerar a expansão do pedágio eletrônico Free Flow
O avanço do Free Flow no Brasil pode ganhar impulso com a chegada de uma tecnologia que elimina a necessidade das tradicionais tags de pedágio. A norte‑americana TransCore e o Grupo Pumatronix anunciaram uma parceria para introduzir no país um sistema que transforma o smartphone do motorista em identificador eletrônico, utilizando comunicação via Bluetooth.
A solução, já em teste e homologação nos Estados Unidos, permite que o usuário baixe um aplicativo, cadastre seu veículo e tenha o celular reconhecido automaticamente ao passar por um pórtico de cobrança. A leitura é combinada com identificação de placa, garantindo dupla validação e maior segurança contra fraudes.
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Segundo Sylvio Calixto, CEO do Grupo Pumatronix, a expectativa é iniciar ainda este ano os processos necessários para viabilizar a adoção da tecnologia no Brasil. “Já temos um parceiro que se dispôs a participar dos testes e, neste momento, estamos aguardando a conclusão do piloto que está sendo realizado nos Estados Unidos. A expectativa é avançar com essa iniciativa ainda este ano”, afirmou.
A tecnologia é patenteada pela TransCore, empresa com mais de 80 anos de atuação em mobilidade e infraestrutura viária e forte presença no mercado norte‑americano de pedágio eletrônico.

Alternativa para ampliar adesão ao Free Flow
A proposta surge em um momento em que o país enfrenta desafios para aumentar a adesão, reduzir fraudes e evasão do pedágio sem cancelas. Embora o Free Flow elimine praças físicas e permita cobrança automática sem redução de velocidade, muitos motoristas — especialmente autônomos — ainda encontram dificuldades para pagar tarifas ou regularizar débitos, pois há rotas logísticas nas quais chegam a passar com três concessões diferentes.
O tema ganhou relevância diante do aumento da inadimplência e da dificuldade de parte dos usuários em identificar cobranças e acessar canais de pagamento. Para a TransCore, o problema não é exclusivo do Brasil. “Chegamos à conclusão de que o principal problema é a comunicação”, afirmou Rodrigo DePaula, vice‑presidente de operações da TransCore para a América Latina.
Nos Estados Unidos, a empresa enfrentou desafios semelhantes, agravados pela existência de múltiplos sistemas estaduais, diferentes fornecedores de tags e regras distintas de interoperabilidade. A experiência acumulada permitiu desenvolver soluções mais simples e eficientes para o usuário final.
Smartphone como tag: redução de custos e maior alcance
A substituição da tag física pelo smartphone pode reduzir significativamente os custos de emissão, distribuição e manutenção dos dispositivos. “A maior parte das pessoas já possui um smartphone. Isso permite oferecer um serviço com custo praticamente zero para o usuário e para os operadores”, explicou DePaula.
A leitura de placas permanece como mecanismo complementar, aumentando a confiabilidade das transações e ajudando a combater fraudes. A solução também mira públicos com baixa adesão às tags, como caminhoneiros autônomos e pequenos transportadores.
Inteligência artificial e dupla validação
A plataforma combina visão computacional, inteligência artificial e sensores para identificar características físicas dos veículos, contar eixos, medir dimensões e validar categorias tarifárias. A dupla validação — placa + smartphone — reduz erros de classificação e evita cobranças incorretas.
“O sistema utiliza análise de imagens, sensores tridimensionais e identificação eletrônica para realizar uma dupla validação, aumentando a confiabilidade da cobrança e reduzindo erros de classificação”, afirmou DePaula.
A tecnologia também pode ser integrada a sistemas de pesagem em movimento (WIM), permitindo identificar excesso de peso, eixos suspensos e auxiliar ações de fiscalização.
Benefícios logísticos e impacto na segurança viária
A experiência da TransCore nos Estados Unidos mostra ganhos relevantes com o Free Flow. Projetos na Flórida registraram redução próxima de 30% nos acidentes após a eliminação de praças de pedágio. A fluidez do tráfego aumenta, reduzindo consumo de combustível e emissões de poluentes.
“O Free Flow traz ganhos para a fluidez do tráfego e para a eficiência logística. Quando eliminamos os pontos de parada, reduzimos congestionamentos e aumentamos a capacidade da rodovia”, destacou DePaula.
Mercado em expansão e próximos passos
A parceria entre TransCore e Grupo Pumatronix prevê divisão clara de responsabilidades: a norte‑americana fornece a tecnologia embarcada nos pórticos, enquanto a Pumatronix atua no processamento, integração, meios de pagamento e adequação regulatória.
O grupo brasileiro reúne empresas especializadas em monitoramento de tráfego, pesagem dinâmica, sensores ambientais, gestão urbana e soluções de pagamento. Sylvio Calixto explica que a estrutura do Free Flow envolve três camadas: captura de dados, processamento e back office financeiro — áreas que as empresas pretendem integrar de forma completa.
“Acreditamos que o mercado brasileiro ainda está apenas começando. O desafio agora é reduzir custos, simplificar a experiência do usuário e aumentar a confiabilidade dos sistemas”, acrescenta Calixto. Para isso, há uns seis meses, vez a aquisição da Movvia, fintech de soluções de pagamento de pedágio free flow.
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