A concessão da BR‑381 inaugura uma nova fase para a Fernão Dias, com investimentos robustos, modernização e foco absoluto em segurança viária.
Por Eduardo Camargo, presidente da Motiva Rodovias*
A Rodovia Fernão Dias (BR-381), principal ligação entre as regiões metropolitanas de Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP), iniciou um novo capítulo de sua história. Com a assinatura do contrato de concessão, que ocorreu em 2 de abril, a Motiva Minas_SP passou a ser responsável pela administração dos 569 quilômetros da rodovia pelos próximos quinze anos.
Assumimos essa concessão com a clareza da sua relevância estratégica e da urgência dos desafios. A partir da assinatura do aditivo, em 11 de maio, que oficializou a otimização contratual, a Motiva aplicará o montante de R$ 14,8 bilhões para operação, conservação e melhorias do serviço, sendo R$ 9,4 bilhões somente para investimentos em novas obras, com foco especial no pavimento — hoje, uma das maiores necessidades da Fernão Dias. Segundo o Tribunal de Contas da União, apenas 53% do asfalto é considerado bom, o que reforça a prioridade das intervenções previstas.
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O novo contrato é resultado de um esforço técnico e colaborativo entre a concessionária anterior, o Ministério dos Transportes, a ANTT e o TCU. O modelo ajusta as obrigações da concessão à realidade atual da rodovia, marcada pelo crescimento do tráfego e pela necessidade de garantir níveis adequados de segurança viária, conforto e fluidez. A solução construída em consenso envolveu a ampliação do prazo para quinze anos, novos valores tarifários, gatilhos de reajuste vinculados às entregas e a contratação de uma empresa fiscalizadora independente, fortalecendo a governança e assegurando continuidade operacional, sem rupturas.
Estamos preparados para o desafio de operar a rodovia enquanto executamos um amplo programa de obras. Estão previstos 108 quilômetros de faixas adicionais, 14 quilômetros de pistas marginais, 29 passarelas, duas áreas de escape nas serras de Igarapé e Brumadinho, dois Pontos de Parada e Descanso, além de conectividade 4G ao longo da rodovia. Os clientes já contam com a isenção de tarifa para motociclistas, aplicação do Desconto Básico de Tarifa (DBT) e do Desconto para Usuários Frequentes (DUF).
Desde o início da concessão, atuamos de imediato em mais de 100 quilômetros de pavimento nos trechos mais críticos de Minas Gerais e São Paulo, com uso de asfalto ecológico, reforços estruturais e melhorias de drenagem. Apenas no primeiro ano, estão previstos mais de 50 quilômetros de reconstrução completa de pavimento. A conservação contínua e a modernização da operação, com guinchos leves elétricos e viaturas híbridas, reforçam nosso compromisso com eficiência e sustentabilidade.
Iniciamos a administração da Fernão Dias durante o feriado de Páscoa, símbolo de renovação. E iniciamos nossa jornada, fechando pela primeira vez na Fernão Dias concessionada, um feriado sem nenhum registro de acidentes com vítimas fatais. É exatamente isso que propomos para a BR-381: uma nova rodovia, com gestão técnica, responsabilidade e visão de longo prazo. A Fernão Dias é vital para Minas Gerais, para São Paulo e para o Brasil — e a Motiva está comprometida em torná-la mais segura, moderna e preparada para o futuro.
*Eduardo Camargo é presidente da Motiva Rodovias, plataforma da Motiva responsável pela administração de 5.044 quilômetros de vias estaduais, federais e municipais em sete estados do país.
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Pesquisa CNT de Rodovias 2025 revela que a BR-381 segue com classificação geral “Boa”, porém quase 40% da extensão apresenta algum nível de deficiência
A Rodovia Fernão Dias (BR-381), uma das principais ligações entre as regiões Sudeste e Sul do país, registrou desempenho geral positivo na Pesquisa CNT de Rodovias 2025. O levantamento avaliou 933 km entre São Paulo/Belo Horizonte/São Paulo e classificou o Estado Geral da via como Bom, reforçando sua relevância logística para o transporte de cargas e passageiros.
De acordo com o estudo, a distribuição da qualidade ao longo da rodovia mostra que 150 km (16,1%) foram avaliados como Ótimo, enquanto 432 km (46,3%) receberam a classificação Bom. No entanto, o relatório também aponta que 289 km (31,0%) estão em condição Regular e 62 km (6,6%) foram considerados Ruins. Somados, esses trechos representam 37,6% da extensão total, indicando que ainda há desafios importantes para manutenção e segurança.
A pesquisa também analisou três componentes essenciais da infraestrutura rodoviária — Pavimento, Sinalização e Geometria da Via — e, em todos eles, a Fernão Dias obteve avaliação Bom. O pavimento apresentou boas condições de rolamento e acostamentos; a sinalização foi considerada adequada em faixas, placas e dispositivos auxiliares; e a geometria da via demonstrou conformidade em relação ao tipo de pista, curvas e faixas adicionais.
Mesmo com o desempenho favorável, o relatório reforça que os trechos classificados como Regular e Ruim merecem atenção, especialmente por se tratar de uma rota estratégica para o escoamento de cargas entre dois dos principais polos econômicos do país.
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