Move Brasil 2: Scania Banco chega a R$ 2 bi para PJ, mas sobra de crédito para autônomos expõe gargalos do setor

O avanço do Move Brasil 2 criou um período intenso de compras no mercado de caminhões, ônibus e implementos rodoviários no Brasil, consolidando-se como um dos principais propulsores das vendas em 2026. No Scania Banco, o programa atingiu o resultado de R$ 2 bilhões em propostas protocoladas no perfil pessoa jurídica (PJ). Por outro lado, do valor total de até R$ 21,2 bilhões disponibilizado pelo BNDES, o saldo destinado aos motoristas autônomos e à pessoa física (PF) ainda não se esgotou, revelando desafios estruturais que vão além da taxa de juros.

Com prazo final de contratação via BNDES estipulado para 28 de agosto de 2026, o programa oferece até seis meses de carência e prazo de pagamento de até 60 meses, praticando juros inferiores aos do mercado comercial.

Balanço dos negócios e frota financiada

O volume de R$ 2 bilhões movimentado pelo Scania Banco na categoria de pessoa jurídica viabilizou a comercialização de 2.010 caminhões da marca, 300 implementos rodoviários e 60 ônibus Scania. Esse desempenho representou um crescimento de 100% em relação ao Move Brasil 1 — realizado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 —, período em que a instituição havia movimentado R$ 1 bilhão e viabilizado mais de 1.250 caminhões.

O impulso gerado pelo programa foi considerado estratégico pela montadora para compensar os desafios de um ano de retração no mercado e contribuiu para o resultado global da marca e da holding Traton:

Saiba mais:

Em nota, Oscar Jaern, presidente da Scania Serviços Financeiros Brasil, destacouque, embora o orçamento para empresas tenha sido amplamente utilizado, ainda restam recursos disponíveis no BNDES para o perfil de pessoa física. Na mesma linha, Fábio D’Angelo, diretor comercial do Scania Banco, reforçou que o programa trouxe fôlego às operações em um ano de queda nas vendas e ressaltou que as soluções financeiras estruturadas da instituição têm sido fundamentais para viabilizar os negócios de transportadores e operadores de ônibus de diversos portes.

Por que sobrou crédito para o caminhoneiro autônomo?

Enquanto o orçamento de Grandes e Médias Empresas (PJ) sofreu rápido esgotamento, a sobra de recursos para o perfil Pessoa Física (PF) não significa falta de interesse do caminhoneiro em renovar o veículo, mas escancara as barreiras do crédito rural e autônomo no país:

  1. Análise de Risco e Garantias: Diferente de uma transportadora com balanço auditado, o autônomo enfrenta maior rigor bancário. Como o banco assume o risco da operação, as exigências de entrada e garantias complementares inviabilizam o processo para quem tem apenas o veículo antigo como patrimônio.

  2. Custo do Veículo vs. Margem do Frete: Com caminhões pesados zero km superando a faixa de R$ 800 mil a R$ 1 milhão, o valor da parcela mensal — mesmo subsidiada — não encontra respaldo nas margens atuais cobradas pelo frete.

  3. Ciclo do Mercado de Seminovos: Historicamente, o autônomo é comprador de veículos seminovos. O Move Brasil expandiu o financiamento para usados (a partir do ano/modelo 2012), mas a busca por esses modelos em concessionárias nem sempre encontra a documentação e nota fiscal necessárias para o credenciamento ao BNDES.

  4. Descarte e Sucateamento: A exigência ou incentivo para dar baixa no caminhão antigo (com mais de 20 anos) para reciclagem nem sempre compensa financeiramente para o motorista, que obtém maior valor negociando o veículo diretamente no mercado rodante.

  5. Acesso à Informação: As grandes frotistas possuem estrutura jurídica e financeira dedicada para protocolar propostas nas primeiras horas do programa, enquanto o autônomo enfrenta maior burocracia para navegar pelas exigências do sistema bancário.

O papel da especialização bancária

Diante dos desafios de aprovação de crédito e estruturação financeira, a Scania ressalta que a especialização das instituições de montadora atua como diferencial frente aos bancos comerciais convencionais. A compreensão do ciclo de operação de transporte permite análises com fluxos de caixa mais aderentes e flexibilidade nas tabelas de pagamento.

Para quem busca ingressar no programa antes do encerramento do prazo do BNDES no fim de agosto, o Scania Banco e sua rede de concessionárias mantêm o atendimento voltado aos profissionais autônomos para o aproveitamento do saldo remanescente.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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