Move Brasil 2 acelera compras e deve ter recursos esgotados já em julho, aponta Scania Banco

Em entrevista à Frota News, Fábio D’Angelo, diretor do Scania Banco, detalha o avanço do Move Brasil 2 e alerta para o esgotamento dos recursos

O avanço do Move Brasil 2 cria um período de compras atípico no mercado caminhões, ônibus e implementos rodoviários e deve levar ao esgotamento dos recursos já nas próximas semanas. A avaliação é de Fábio D’Angelo, diretor do Scania Banco, em entrevista exclusiva à Frota News, na qual detalhou o comportamento da demanda, o perfil dos compradores e os impactos esperados no setor.

Segundo ele, o início da segunda fase do programa foi marcado por forte concentração de pedidos represados desde o fim do Move Brasil 1. “Acabou se acumulando um volume importante de negócios”, afirmou, explicando que muitos transportadores aguardavam a confirmação oficial da nova etapa para protocolar suas propostas.

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O Scania Banco já atingiu R$ 1,12 bilhão em protocolos até a última atualização (dia 19 de junho), com 1.173 operações, sendo 1.160 caminhões e 34 ônibus. Apenas nos quatro dias após o último balanço divulgado, outros R$ 120 milhões foram protocolados. Além disso, R$ 83 milhões estavam, no momento da entrevista, aprovados internamente e aguardando retorno do BNDES.

O ticket médio por proposta está em torno de R$ 950 mil, o que, segundo Fábio, “grosso modo, é quase um caminhão por operação”.

Ritmo deve seguir forte, mas mais estável

Após o pico inicial, o programa entrou em um fluxo mais natural, mas ainda intenso. A expectativa é que os protocolos se encerrem antes de agosto — possivelmente já em julho — embora os contratos possam ser assinados até o fim de agosto. As entregas, por sua vez, podem ocorrer até novembro, prazo máximo para emplacamentos vinculados ao Move Brasil 2.

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Varejo e pequenos frotistas dominam a demanda

O limite de R$ 50 milhões por CNPJ direcionou o programa para empresas de menor porte. “A concentração está muito maior em clientes de menor tamanho de frota”, explicou Fábio. Grandes frotistas, mesmo com volumes maiores negociados com a Scania, esbarram no teto por empresa.

Implementos seguem padrão histórico

Apesar da possibilidade de financiar implementos junto ao caminhão, a participação permanece entre 10% e 20%, alinhada ao comportamento normal do mercado. “Não aumentou”, reforçou o executivo.

Renovação de frota predomina

A maior parte das compras está ligada à renovação, embora alguns setores também ampliem suas frotas. O movimento deve abastecer o mercado de seminovos, mas ainda sem pressão excessiva, já que o total de emplacamentos de 2026 segue abaixo do registrado em 2025 no acumulado do ano.

Juros futuros preocupam e reforçam corrida ao programa

A redução da Selic era esperada (passando de 14,50% para 14,25% ao ano no último dia 17 de junho), mas a falta de previsibilidade do Banco Central elevou a tensão no mercado. “A precificação de juro futuro hoje é maior do que alguns dias atrás”, destacou Fábio. O Move Brasil 2 oferece taxas próximas de 1,05% a 1,06% ao mês, enquanto operações de mercado estão em torno de 1,40%.

A diferença reforça a urgência: “Quem quiser aproveitar a taxa do programa tem que correr”, alertou.

Caminhões a gás: CDC Verde e Fundo Clima

O Scania Banco também observa demanda por veículos a gás, financiados tanto pelo Move Brasil quanto pelo CDC Verde, linha própria da montadora. Para grandes empresas com acesso ao Fundo Clima, as condições podem ser ainda mais vantajosas, embora o processo seja mais burocrático.

Perspectivas

Com o ritmo atual, o Move Brasil 2 deve encerrar sua fase de protocolos rapidamente. Para Fábio, o programa funciona como o “empurrão final” para quem já planejava renovar a frota. “Todos aqueles que estavam esperando aquele empurrãozinho vão procurar o programa enquanto houver recurso disponível”, concluiu.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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