quarta-feira, abril 22, 2026

Pesados elétricos e gás avançam para 1,8% nas vendas de caminhões e ônibus

Os dados mais recentes da Anfavea confirmam o que o transportador já percebe na prática: o diesel segue amplamente dominante na renovação de frotas no Brasil, mas há um avanço — ainda tímido — das motorizações alternativas.

Em 2025, foram licenciados 135.509 caminhões e ônibus a diesel, contra apenas 1.255 elétricos e 669 a gás. Na prática, isso se traduziu em uma participação de 98,6% para o diesel, enquanto elétricos ficaram com 0,9% e o gás com 0,5%. A Carta da Anfavea que traz dados separados de ônibus e caminhões. No entanto, a Frota News já solicitou essas informações e, quando disponibilizadas, atualizaremos este artigo.

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O início de 2026 mantém essa lógica, mas com sinais de mudança. Entre janeiro e abril, os emplacamentos somaram 25.879 unidades a diesel, 252 elétricas e 212 a gás. Com isso, a participação subiu para 1,0% no caso dos elétricos e 0,8% para o gás, enquanto o diesel recuou levemente para 98,2%.

Na soma das tecnologias alternativas, elétricos e gás passaram de 1,4% em 2025 para cerca de 1,8% no início de 2026 — um avanço discreto, porém consistente.

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Crescimento em base pequena

O crescimento dos elétricos chama atenção mais pela tendência do que pelo volume absoluto. Ao atingir a marca de 1% das vendas, essa tecnologia começa a ganhar relevância estatística, embora ainda esteja restrita a nichos bem definidos.

Já os veículos a gás mostram avanço um pouco mais acelerado, impulsionados por aplicações específicas, como rotas de até 600 km de distância em corredores contam com postos de abastecimento, geralmente na origem e no destino da logística dedicada.

Apesar disso, o cenário estrutural não muda no curto prazo. Projeções indicam que o diesel continuará predominante ao longo desta década, ainda representando mais de 85% da frota circulante por cerca de mais uma década.

Descompasso entre metas e realidade

O avanço gradual das tecnologias de baixa ou zero emissão contrasta com metas internacionais mais ambiciosas. O Brasil aderiu a compromissos que preveem 30% das vendas de veículos pesados com emissão zero até 2030 e 100% até 2040. Tudo indica que essas metas não serão cumpridas.

Na prática, porém, sair de cerca de 1% atual para 30% em menos de uma década exigirá um salto significativo em escala, infraestrutura e políticas públicas de incentivo — algo que ainda não se materializou no ritmo necessário.

descarbonização
Fonte: Anfavea

Impacto direto na estratégia das frotas

Para o gestor de frota, os dados indicam um cenário de transição, não de ruptura. Hoje, a decisão dominante continua sendo a aquisição de veículos a diesel Euro 6, mais eficientes e menos poluentes que gerações anteriores.

Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de testar alternativas. Em uma frota típica com 100 caminhões pesados, o padrão atual ainda seria de aproximadamente 98 unidades a diesel, uma a gás e uma elétrica. No entanto, mantendo o ritmo de evolução observado, esse equilíbrio pode mudar gradualmente até o fim da década.

Barreiras e oportunidades

O avanço das novas tecnologias ainda esbarra em três fatores principais: custo inicial elevado, infraestrutura limitada e incertezas regulatórias. A rede de recarga para veículos pesados e a oferta de GNV e GNL ainda são restritas, exigindo projetos dedicados e parcerias.

Por outro lado, há oportunidades claras em nichos como distribuição urbana, coleta de resíduos e transporte público, onde rotas previsíveis e operação “base a base” favorecem a adoção de elétricos e veículos a gás.

Transição inevitável — mas gradual

Os números mostram que a transição energética no transporte rodoviário brasileiro já começou, mas em ritmo moderado. O diesel continuará sendo protagonista no curto e médio prazo, o que reforça a importância de estratégias complementares de descarbonização, como o uso de biocombustíveis, ganhos de eficiência e renovação de frota.

Ao mesmo tempo, o crescimento consistente — ainda que lento — dos elétricos e do gás indica que a mudança de matriz não é mais uma hipótese, mas um processo em curso. O desafio agora é acelerar esse movimento sem comprometer a viabilidade econômica das operações.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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