sexta-feira, abril 24, 2026

Setor de transportes tem maior efeito multiplicador da economia, revela estudo do FGV IBRE

Um estudo recente do FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da FGV), publicado no Boletim da Infraestrutura em parceria com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestruturta de Transportes), aponta o setor de transportes como o de maior impacto combinado na economia brasileira entre os segmentos analisados.

De acordo com o levantamento, a cada R$ 1 milhão investido, o setor gera R$ 3,34 milhões em efeitos totais — considerando impactos diretos, indiretos e induzidos —, o maior multiplicador de produção entre os setores avaliados. Em termos de emprego, são criadas, em média, 31,77 vagas por R$ 1 milhão investido.

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O desempenho coloca o transporte à frente de outros segmentos em impacto econômico agregado, embora ainda fique atrás da construção civil na geração isolada de empregos. A relação entre os dois setores, no entanto, é complementar: a construção demanda intensivamente serviços logísticos, o que amplia os efeitos sistêmicos dos investimentos.

Logística como vetor de competitividade

Na quinta edição do Boletim da Infraestrutura, divulgada em abril de 2026, os autores destacam a infraestrutura logística como elemento central para aumento da competitividade e redução de custos no país.

O estudo considera o setor de forma agregada e não detalha os multiplicadores por modal. Ainda assim, contextualiza a relevância da matriz logística brasileira, fortemente concentrada, inevitavelmente, no transporte rodoviário, responsável por cerca de 60% a 66% da movimentação de cargas em longas distâncias, segundo dados do IBGE. No transporte de curta distância, o modal rodoviário é responsável por mais de 99%.

Desafio da intermodalidade

Apesar do predomínio do modal rodoviário nos trechos de longa distância — caracterizado pela alta capilaridade e geração de empregos — o boletim aponta que ferrovias e hidrovias apresentam maior eficiência para o transporte de grandes volumes em longas distâncias e de cargas de baixo valor agregado por tonelada.

O modal ferroviário responde por aproximadamente 20% das cargas, com forte presença no escoamento de commodities, enquanto o aquaviário se destaca pela eficiência no transporte de granéis. A recomendação técnica é ampliar a participação desses modais em cargas específicas e volumosas pode elevar o ganho sistêmico dos investimentos, sobretudo em termos de custo logístico e sustentabilidade.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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