Um estudo recente do FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da FGV), publicado no Boletim da Infraestrutura em parceria com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestruturta de Transportes), aponta o setor de transportes como o de maior impacto combinado na economia brasileira entre os segmentos analisados.
De acordo com o levantamento, a cada R$ 1 milhão investido, o setor gera R$ 3,34 milhões em efeitos totais — considerando impactos diretos, indiretos e induzidos —, o maior multiplicador de produção entre os setores avaliados. Em termos de emprego, são criadas, em média, 31,77 vagas por R$ 1 milhão investido.
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O desempenho coloca o transporte à frente de outros segmentos em impacto econômico agregado, embora ainda fique atrás da construção civil na geração isolada de empregos. A relação entre os dois setores, no entanto, é complementar: a construção demanda intensivamente serviços logísticos, o que amplia os efeitos sistêmicos dos investimentos.
Logística como vetor de competitividade
Na quinta edição do Boletim da Infraestrutura, divulgada em abril de 2026, os autores destacam a infraestrutura logística como elemento central para aumento da competitividade e redução de custos no país.
O estudo considera o setor de forma agregada e não detalha os multiplicadores por modal. Ainda assim, contextualiza a relevância da matriz logística brasileira, fortemente concentrada, inevitavelmente, no transporte rodoviário, responsável por cerca de 60% a 66% da movimentação de cargas em longas distâncias, segundo dados do IBGE. No transporte de curta distância, o modal rodoviário é responsável por mais de 99%.
Desafio da intermodalidade
Apesar do predomínio do modal rodoviário nos trechos de longa distância — caracterizado pela alta capilaridade e geração de empregos — o boletim aponta que ferrovias e hidrovias apresentam maior eficiência para o transporte de grandes volumes em longas distâncias e de cargas de baixo valor agregado por tonelada.
O modal ferroviário responde por aproximadamente 20% das cargas, com forte presença no escoamento de commodities, enquanto o aquaviário se destaca pela eficiência no transporte de granéis. A recomendação técnica é ampliar a participação desses modais em cargas específicas e volumosas pode elevar o ganho sistêmico dos investimentos, sobretudo em termos de custo logístico e sustentabilidade.
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