A Frota News, por meio da editoria Frota Sustentável, acompanha a evolução da Tupy e seu papel na transição energética do transporte. Com investimento contínuo de tempo, análise técnica e recursos próprios, o portal monitora cada movimento da indústria que impacta o futuro da descarbonização de frotas. Agora, traz mais um capítulo relevante dessa trajetória.
A Tupy, multinacional brasileira, iniciou as operações de sua planta‑piloto de reciclagem de baterias, instalada no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo. O projeto coloca a empresa como um dos atores do país na construção de uma cadeia sustentável para baterias e minerais críticos.
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A unidade recebeu investimentos de cerca de R$ 45 milhões, somando recursos próprios e aportes de parceiros estratégicos. A planta tem capacidade para processar 400 toneladas de baterias por ano, volume equivalente ao conjunto de baterias de aproximadamente mil veículos elétricos.

Tecnologia nacional
O processo hidrometalúrgico permite recuperar minerais com até 70% menos pegada de carbono que a mineração tradicional, reduzir em mais 40% o consumo de energia que a pirometalurgia (podendo chegar a 60% com maior maturidade tecnológica), preservar metais leves como lítio, normalmente perdidos em processos térmicos, e ainda reduzir o uso de água em comparação às rotas convencionais de extração. Segundo André Ferrarese, diretor de P&D da Tupy, a iniciativa reforça o compromisso da empresa com soluções inovadoras e ambientalmente eficientes.
Logística reversa
A planta opera com um sistema de logística reversa, recebendo baterias de empresas de eletrônicos, fabricantes e montadoras de veículos elétricos, além de operadores de sistemas estacionários de armazenamento de energia.
A planta-piloto se conecta a outras iniciativas estruturantes da Tupy voltadas ao fortalecimento da cadeia nacional de minerais críticos e baterias. Entre elas está o projeto Embrapii para produção de células de bateria no Brasil, que reúne 27 empresas e prevê a instalação de uma planta-piloto no SENAI do Paraná, em Curitiba. Atualmente, 100% das células utilizadas no país são importadas, o que torna o projeto essencial para reduzir dependências externas.
A Tupy também integra o projeto MagBras, composto por 38 empresas e dedicado ao desenvolvimento de rotas de processamento e reciclagem de terras raras — insumos fundamentais para a produção de ímãs usados em motores elétricos. A iniciativa amplia a atuação da companhia em minerais críticos, conectando reciclagem, reaproveitamento e qualificação de materiais para aplicações energéticas e industriais.
Saiba mais:
- Motor MWM a gás
A Radial Mais Transportes, de Suzano (SP), realizou o retrofit de um ônibus urbano, substituindo o antigo motor a diesel por um novo motor 100% a gás Euro 6, em um projeto da MWM que custa cerca de R$ 220 mil — valor muito menor que a compra de um ônibus novo a gás (cerca de R$ 1 milhão) ou elétrico (aprox. R$ 3,5 milhões). A iniciativa, já adotada por outras frotas como SADA e Sambaíba, reduz drasticamente as emissões sem comprometer desempenho, potência ou confiabilidade, oferecendo uma alternativa de descarbonização para veículos ainda em bom estado estrutural. O retrofit, que exige certificação do INMETRO, surge como solução intermediária entre manter veículos antigos e investir em modelos zero quilômetro com tecnologias mais avançadas de segurança e conforto.



