Triciclo Piaggio Apé Cargo: prós e contra na entrega urbana

A distribuidora de triciclos e parceira da marca Piaggio no Brasil, a 2W Motors, começou a comercialização dos triciclos de carga e passageiros da Piaggio, conhecidos como Apé. O objetivo da 2W Motors é atender frotistas, inclusive, com um pós-venda customizado dentro da casa do cliente. Os modelos a gasolina foram substituídos por versões com motor elétrico. Com isso, houve um aumento de 123% no preço da versão elétrica, que agora parte de R$ 96 mil. A versão a gasolina custava R$ 42.900. 

No portfólio inicial, há também o modelo Apé E-Passenger para até quatro pessoas, o condutor e mais três passageiros, com preço a partir de R$ 110 mil. 

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Autonomia

Os triciclos de carga da Piaggio oferecem vantagens, incluindo economia de combustível, agilidade no trânsito, facilidade de estacionamento e sustentabilidade ambiental. 

O modelo conta com motor elétrico de 12,9 CV (9,55 kW) e torque de 4,58 Nm, capaz de transportar até 520 kg de carga útil (incluindo o piloto). No entanto, frotistas e empresários devem ficar atentos às especificações de rodagem: a autonomia de 150 km divulgada pela fabricante é baseada em ciclos de homologação estrangeiros sob condições ideais. Na prática do cenário viário brasileiro, onde os testes do Inmetro costumam aplicar uma redução severa de cerca de 30% para simular ladeiras e trânsito pesado, a autonomia real do veículo tende a ficar abaixo do número nominal de fábrica quando operado em capacidade máxima.

Piaggio

Certamente, se por um lado perde um pouco de agilidade por não poder circular entre os carros, ela ganha com a sua capacidade de carga, permitindo a realização de várias entregas em uma única rota. A caçamba, inclusive, aumenta bastante sua capacidade volumétrica e a segurança da carga contra furtos ao ser substituída por um baú.

O uso de veículos elétricos tem ganhado destaque na logística urbana e de última milha (last-mile). O Piaggio se posiciona como um intermediário entre as motocicletas de entrega convencionais e os furgões compactos.

Abaixo estão os principais prós e contras da aplicação deste modelo no cenário urbano:

Prós (Vantagens)

  • Capacidade de Carga Elevada: Diferente de uma motocicleta comum que transporta poucos quilos, o modelo elétrico suporta uma carga útil de aproximadamente 500 kg (meia tonelada) na caçamba ou baú.

  • Agilidade e Dimensões Reduzidas: Por ter apenas 1,49 metros de largura, ele consegue trafegar com facilidade por ruas estreitas, corredores urbanos e vilas, além de estacionar em vagas reduzidas onde furgões tradicionais não entram.

  • Vantagens Regulatórias e Fiscais: No Brasil, por ser homologado na categoria de ciclomotores/motocicletas, ele é isento do rodízio municipal (como o de São Paulo) e possui IPVA reduzido. Ele também tem livre circulação em áreas restritas a caminhões.

  • Custo Operacional e Sustentabilidade: Sendo 100% elétrico, elimina o gasto com combustíveis fósseis e reduz os custos de manutenção mecânica (menos peças móveis). Além disso, emite zero poluentes e opera de forma silenciosa, ideal para entregas noturnas ou em zonas residenciais.

  • Tecnologia de Auxílio em Ladeiras: Conta com o sistema Hill-hold assist (assistente de partida em rampa), essencial para manter o veículo parado em subidas íngremes mesmo quando totalmente carregado.

  • Recarga Prática: Sua bateria de íons de lítio pode ser recarregada em tomadas convencionais residenciais utilizando o carregador de bordo, facilitando a operação de pequenas frotas sem a necessidade de infraestrutura pesada de carregamento.

Contras (Desvantagens)

  • Velocidade Máxima Limitada: A velocidade final fica em torno de 45 km/h a 60 km/h. Isso restringe seu uso estritamente a vias urbanas locais, tornando-o inadequado para vias expressas ou trechos de tráfego rápido.

  • Autonomia Restrita: Dependendo da condução e do nível de carga, a autonomia varia entre 90 km e 150 km por carga. É excelente para rotas curtas e planejadas (raio de bairro), mas limita operações de longa distância.

  • Sensibilidade na Direção: Por utilizar apenas uma roda dianteira comandada por guidão, o veículo apresenta uma direção bastante sensível, exigindo maior cuidado do condutor em curvas ou pavimentos muito irregulares quando carregado.

  • Conforto e Cabine Básicos: O interior é focado na funcionalidade para o trabalho. O isolamento acústico da cabine e o sistema de suspensão oferecem um conforto simples se comparado ao de um automóvel ou furgão leve.

  • Exigência de CNH Específica: Embora tenha dimensões compactas, para conduzir o triciclo legalmente no Brasil é necessário que o motorista possua CNH na categoria A (moto), o que exige atenção na contratação ou treinamento de motoristas que operam apenas furgões convencionais (categoria B).

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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