Nova era dos biocombustíveis: Como o Grupo Potencial transforma resíduos em 1% da matriz renovável

Atendendo às novas exigências da Portaria Interministerial nº 3/2026, a empresa consolida o uso de óleo de cozinha usado como insumo, preparando-se para integrar a obrigatoriedade de resíduos na produção de biodiesel a partir de 2028

Na Região Metropolitana de Curitiba, o Grupo Potencial investe em um modelo de referência em bioenergia, transformando resíduos e a produção agropecuária em combustíveis sustentáveis. Com a Lapa (PR) como epicentro de suas operações, a empresa iniciou um novo ciclo de crescimento que projeta investimentos de R$ 6 bilhões até 2030, visando alcançar um faturamento anual de R$ 20 bilhões.

Esse complexo industrial integra agora não apenas o processamento de soja — suprido por mais de 25 mil famílias de agricultores — e gordura animal, mas também uma agressiva de diversificação que inclui a futura produção de etanol de milho.

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A liderança do grupo ganha novos contornos com a implementação da Portaria Interministerial nº 3/2026, que estabelece metas para a inclusão de óleos e gorduras residuais (OGR) na produção de biocombustíveis. Seguindo o cronograma de sustentabilidade, o uso de óleo de cozinha usado como matéria-prima — que já é uma prática consolidada pela Potencial —, torna-se um pilar para a economia circular, com a meta de obrigatoriedade de 1% de OGR em relação ao total de matérias-primas renováveis a partir de 2028.

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Para apoiar essa expansão logística, a empresa planeja a construção de dutos conectando Araucária ao complexo na Lapa, otimizando a distribuição de etanol e biodiesel.

O mercado nacional de combustíveis, por sua vez, vive uma fase de maior previsibilidade com o patamar de mistura B15 (15% de biodiesel no diesel fóssil) já consolidado desde 2025. Com a crescente demanda por combustíveis de baixa intensidade de carbono e a expansão da capacidade produtiva — que inclui uma nova refinaria de etanol de milho com previsão de operação para 2028 —, o Grupo Potencial posiciona-se como um protagonista da segurança energética brasileira.

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Por que o biodiesel brasileiro é considerado o melhor do mundo

O Brasil vem sendo reconhecido como referência global na produção de biodiesel graças a um rigoroso controle de qualidade que envolve 24 parâmetros e 26 ensaios físico-químicos. Esta afirmação é de Gilles-Laurent Grimberg, CEO da Actioil do Brasil e CTO da Actioil Internacional. Segundo ele, o país opera com usinas certificadas por selos de excelência e entrega ao mercado um combustível que já sai de fábrica com antioxidantes, garantindo maior estabilidade e desempenho.

Biodiesel
Gilles-Laurent Grimberg, CEO da Actioil do Brasil

Apesar da alta qualidade do produto, Grimberg destaca que as reclamações sobre o biodiesel não estão relacionadas ao combustível em si, mas à gestão de armazenamento. Ele explica que qualquer combustível — seja biodiesel, diesel ou gasolina — sofre degradação quando manuseado sem boas práticas. No caso do biodiesel, a manutenção adequada do ecossistema de armazenamento é determinante para evitar contaminações e preservar a integridade do produto até o uso final.

Entre as boas práticas essenciais, o executivo aponta três pilares: drenagem semanal dos tanques para eliminar água e impedir contaminação; sistemas de filtragem eficientes que asseguram a pureza do combustível; e monitoramento constante da limpeza dos reservatórios. Grimberg afirma que operações que seguem esses protocolos alcançam maior performance e reduzem paradas inesperadas em caminhões, tratores e máquinas.

Com mais de 32 anos de atuação no Brasil, Grimberg reforça que o país é espelho para o mercado internacional ao unir produção em larga escala e exigência técnica elevada. À frente da Actioil na América Latina há 15 anos, ele ressalta que apostar no biodiesel brasileiro significa investir em tecnologia, sustentabilidade e eficiência energética. Para o setor, cuidar do combustível é garantir que ele mova o progresso e fortaleça a liderança nacional na transição energética.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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