sexta-feira, abril 3, 2026

Consistência em tempos difíceis: TRATON renova mandato de Roberto Cortes até 2029 

Em meio a um cenário global ainda turbulento para a indústria de veículos comerciais, a TRATON SE decidiu apostar na continuidade de sua liderança no Brasil e na América Latina ao prorrogar o mandato de Antonio Roberto Cortes no Conselho Executivo do grupo até janeiro de 2029. A decisão mantém o executivo à frente da Volkswagen Truck & Bus — conhecida no Brasil como Volkswagen Caminhões e Ônibus — e reforça a estratégia de estabilidade em cargos-chave em um momento de transformação profunda do transporte de cargas e passageiros. 

O comunicado em que a TRATON anuncia a extensão do contrato de Cortes abre com uma constatação direta: o ambiente segue desafiador para a indústria global de veículos comerciais. Pressões como juros altos em diversos mercados, encarecimento do crédito, custos de insumos, transição tecnológica para powertrains de baixas emissões e novas exigências regulatórias compõem o pano de fundo das decisões de investimento e renovação de frota.

Nesse contexto, a companhia enfatiza que experiência, visão empresarial e colaboração baseada na confiança “são mais importantes do que nunca”, sinalizando ao mercado que, diante da incerteza, a prioridade é manter executivos com histórico comprovado de entrega de resultados e condução de mudanças estratégicas. 

A fala de Hans Dieter Pötsch 

No comunicado, Hans Dieter Pötsch, presidente do Conselho de Supervisão da TRATON SE, resume a lógica por trás da decisão ao destacar o papel de Cortes na trajetória recente do grupo. “Com sua expertise e suas altamente reconhecidas habilidades de liderança, Roberto Cortes desempenhou um papel fundamental na formação do sucesso da Volkswagen Truck & Bus e do TRATON GROUP por muitos anos”, afirma o executivo.  

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Pötsch acrescenta que, por essa razão, o Conselho decidiu estender o contrato “mais uma vez” e que está “muito satisfeito” por contar com Cortes na equipe de liderança do grupo, reforçando a mensagem de consistência em um momento em que a TRATON avança em uma agenda de eletrificação, digitalização e novos modelos de negócios em serviços. 

Continuidade como estratégia do grupo 

Não é a primeira vez que a TRATON usa a renovação de contratos para sinalizar estabilidade na cúpula. Em 2023, o grupo já havia anunciado a extensão do mandato do CEO Christian Levin até janeiro de 2029 e, no mesmo movimento, prorrogado por três anos, até janeiro de 2027, a permanência de Antonio Roberto Cortes no Executive Board. Essa linha foi reforçada novamente em 2025, quando a empresa comunicou ao mercado a extensão do contrato de Levin por mais cinco anos, bem como a criação de uma nova posição para coordenar globalmente o portfólio de produtos e a extensão do contrato de Cortes até 2027. Agora, a prorrogação até 2029 consolida Cortes no núcleo de executivos escolhidos para liderar a execução da estratégia “TRATON Way Forward” no médio prazo. 

Quem é Antonio Roberto Cortes 

Paulistano, nascido em 1955, Antonio Roberto Cortes tem uma trajetória de mais de cinco décadas no setor financeiro e automotivo, com passagem por bancos e montadoras antes de chegar ao comando da Volkswagen Caminhões e Ônibus. Ele iniciou a carreira ainda jovem como entregador no Banco Mercantil de São Paulo, onde trabalhou por mais de uma década, e migrou para o setor automotivo em 1979, ao ingressar na Ford Brasil como trainee. Nos anos 1980 e início dos 1990, ocupou posições na área financeira da Autolatina, a joint venture entre Ford e Volkswagen no Brasil, até assumir, em 1995, o cargo de diretor de controladoria e tesouraria da Volkswagen do Brasil. A partir de 1997, passou a liderar a então divisão de caminhões e ônibus da VW e, em 2000, assumiu formalmente a presidência e o cargo de CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, posição que ocupa há mais de duas décadas. 

Formação e reconhecimento acadêmico 

Com formação em Ciências Econômicas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialização em Finanças pelo Instituto Mauá de Tecnologia, Cortes complementou a trajetória acadêmica com o Programa de Gestão Avançada do INSEAD, na França, em meados da década de 1990. Ao longo da carreira, recebeu também o título de doutor honoris causa concedido pelo Centro Universitário Dom Bosco, no Rio de Janeiro, em reconhecimento à sua contribuição para a indústria automotiva e para a formação de profissionais. Esse conjunto de experiências técnicas e de gestão ajudou a consolidar a imagem de Cortes como um executivo com forte domínio de finanças e visão estratégica, características valorizadas em um grupo que busca equilibrar expansão global, investimentos pesados em inovação e disciplina de capital. 

Papel na história da Volkswagen Caminhões e Ônibus 

Cortes esteve no centro de momentos-chave da história da Volkswagen Caminhões e Ônibus, especialmente na transição da unidade após o fim da Autolatina e na consolidação da operação brasileira como polo de desenvolvimento de produtos para mercados emergentes. Ele liderou o processo de transformação da VWCO de um fabricante com apenas dois modelos de caminhões para uma empresa com portfólio amplo, que hoje figura entre os principais players de caminhões e ônibus na América do Sul. Sob sua gestão, a companhia implantou o consórcio modular em Resende (RJ), modelo de produção no qual fornecedores estratégicos operam dentro da fábrica e assumem etapas relevantes da montagem dos veículos, arranjo que se tornou referência no setor por ganhos de flexibilidade e eficiência. Esse histórico ajuda a explicar por que o grupo destaca Cortes como peça central na “construção do sucesso” da marca na região. 

VW Truck & Bus dentro do GRUPO TRATON 

No guarda-chuva da TRATON SE, que reúne as marcas Scania, MAN, International e Volkswagen Truck & Bus, a operação brasileira tem papel relevante não apenas em volume, mas também em desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade de mercados de América Latina, África e Oriente Médio.  

A VW Truck & Bus é responsável por caminhões e ônibus voltados a segmentos como distribuição urbana, agronegócio e transporte rodoviário de longa distância, além de veículos desenvolvidos para aplicações severas em mineração e construção. Ao manter Cortes no comando até 2029, a TRATON preserva a continuidade de uma liderança que conhece em profundidade as especificidades do mercado brasileiro — como a importância do agronegócio, a relevância do crédito direcionado, a sensibilidade a oscilações cambiais e de juros — e que tem trânsito consolidado entre fornecedores, rede de concessionárias e grandes frotistas. 

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ANTT alerta que vídeos ensinando a “driblar” pórticos do free flow são falsos e podem resultar em punições severas 

Criado para eliminar cancelas, reduzir filas e cobrar o pedágio de forma proporcional ao trecho rodado, o sistema free flow virou também um prato cheio para golpistas, fake news e um campo minado para motoristas que ainda não entenderam como a cobrança funciona. Em menos de dois anos de operação em rodovias brasileiras, o modelo acumula um pacote de problemas: fraudes digitais com sites e boletos falsos, explosão de autuações por evasão de pedágio e uma onda de desinformação que vai de vídeos ensinando a passar na contramão até “atalhos milagrosos” prometidos em redes sociais. 

O episódio mais recente de desinformação envolve vídeos que circulam em redes sociais sugerindo que seria possível “driblar” o pedágio passando na contramão pelos pórticos, o que já foi oficialmente desmentido pela ANTT. A agência explicou que o sistema identifica o veículo independentemente do sentido de tráfego e que, além de não evitar a cobrança, a manobra configura infração grave ou gravíssima, com multa pesada e risco de acidentes. 

Se esses conteúdos ganham audiência pelo absurdo, outro movimento é mais discreto – e muito mais perigoso para o bolso: criminosos passaram a usar o próprio nome Free Flow para criar sites e canais de cobrança falsos, simulando serviços de consulta e pagamento de pedágio. O motorista, acreditando estar “regularizando débitos”, na verdade transfere dinheiro diretamente para contas de golpistas. 

O modus operandi dos sites falsos 

Em nota à imprensa, a ANTT alertou que os golpes mais comuns envolvem páginas que imitam visualmente sites de concessionárias ou de supostos “portais nacionais” de pedágio eletrônico. Nessas plataformas, o usuário é convidado a informar placa, CPF e outros dados pessoais; na sequência, recebe a cobrança de um valor que não existe, normalmente com geração de chave Pix ou boleto direcionado ao fraudador. 

Reportagens recentes mostram que esses sites muitas vezes aparecem como anúncios patrocinados em mecanismos de busca e redes sociais, posicionados acima dos canais oficiais nas pesquisas por “pedágio free flow”, “consultar débito de pedágio” ou termos semelhantes.  

Boletos, Pix e engenharia social 

O golpe não se limita aos sites. A agência e empresas de segurança digital relatam o envio de boletos falsos por e-mail ou até por correio, usando dados reais de veículos e endereços para conferir aparência de legitimidade. Há também casos de mensagens via SMS e WhatsApp com links que levam a páginas clonadas, sempre com o mesmo roteiro: aviso de “pendência urgente”, valor relativamente baixo e prazo curto para pagamento, tudo pensado para evitar que o motorista pare para checar a origem da cobrança. 

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A ANTT tem insistido em um ponto central: não há um portal único nacional de free flow e tampouco existe envio automático de boletos pelo governo federal ou pela própria agência. Cada rodovia concedida opera com a plataforma oficial da concessionária responsável, seja por site, aplicativo, totens físicos ou integração com operadoras de meios de pagamento. 

“Cada rodovia possui sua própria plataforma de atendimento, com orientações claras sobre formas de pagamento e eventuais penalidades em caso de inadimplência”, reforçou o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, em comunicado oficial. A agência orienta que o usuário sempre busque diretamente os canais das concessionárias e desconfie de cobranças recebidas por e-mail, mensagem ou anúncios que não partam de fontes verificadas. 

Em paralelo, a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) estima que, em menos de dois anos, o pedágio sem cancela já gerou mais de um milhão de multas em todo o país, o suficiente para motivar projetos de lei no Congresso pedindo suspensão temporária das autuações enquanto o modelo é ajustado. 

Artigo 209-A e o peso das multas 

Do ponto de vista jurídico, a base dessas autuações está no artigo 209-A do Código de Trânsito Brasileiro, que equipara a falta de pagamento do pedágio no free flow à evasão de praça tradicional, com multa e pontos na CNH. O entendimento foi questionado em ações civis públicas, mas recentemente o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) restabeleceu a possibilidade de multar quem deixar de pagar a tarifa na Via Dutra, ao julgar recurso da Advocacia-Geral da União. 

Na prática, isso significa que o motorista que ignora a cobrança eletrônica não apenas acumula uma dívida com a concessionária, como também passa a responder por infração de trânsito, sujeita a penalidade administrativa e eventual cobrança judicial do valor devido. A fronteira entre “esquecimento” e evasão consciente continuará no centro do debate jurídico e regulatório nos próximos anos. 

Adulteração de placas: crime velho em roupagem nova 

Com a cobrança automatizada, voltou ao centro do radar como uma velha conhecida das autoridades de trânsito: a adulteração ou obstrução de placas para evitar a identificação do veículo. Casos de veículos com placas cobertas por lama, fitas adesivas ou dispositivos improvisados têm sido associados tanto à tentativa de escapar do pedágio quanto a outros ilícitos, como roubo de cargas e fuga de flagrantes de fiscalização. 

Além de infração gravíssima, cobrir ou modificar caracteres da placa pode configurar crime de falsificação de sinal identificador de veículo automotor, previsto no Código Penal, com risco de apreensão do veículo e responsabilização criminal do proprietário ou condutor. A expansão do free flow tende a aumentar a pressão sobre órgãos de fiscalização para coibir esse tipo de prática, inclusive com uso de analytics e cruzamento de imagens ao longo do trajeto. 

Falhas de comunicação e multas contestadas 

Nem tudo, porém, se explica por má-fé do motorista. Ministérios Públicos estaduais e o Ministério Público Federal já abriram investigações sobre possíveis falhas de comunicação, sinalização e atendimento que podem ter contribuído para o volume de multas em determinados trechos. Em alguns casos, promotores apontam risco de milhões de autuações indevidas ou, ao menos, contestáveis, caso se comprove que o usuário não recebeu informação adequada sobre prazos, valores ou canais de pagamento. 

No Rio de Janeiro, o MPRJ instaurou inquérito para apurar reclamações contra o pedágio free flow na Rio-Santos e na Via Dutra, incluindo relatos de motoristas que afirmam ter sido multados mesmo após pagar a tarifa ou dentro do período de tolerância informado em materiais publicitários. O MPF, por sua vez, levou ao Judiciário questionamentos sobre a razoabilidade de sanções “dezenas de vezes superiores” ao valor da tarifa, o que levou à disputa agora analisada pelos tribunais federais. 

Como o crime digital se aproveita do desconhecimento 

Os golpes mapeados em torno do free flow seguem o manual clássico da engenharia social: aproveitam uma tecnologia nova, pouco compreendida por parte do público, para plantar mensagens e sites que parecem oficiais, mas têm como único objetivo desviar dinheiro e dados. O motorista, inseguro sobre prazos, formas de pagamento e eventuais multas, tende a clicar no primeiro link que aparece na busca e a confiar em qualquer notificação que mencione a palavra “pedágio”. 

Empresas de cibersegurança que monitoram o tema destacam alguns padrões: domínios recém-criados, muitas vezes com pequenos desvios de grafia em relação às marcas legítimas; ausência de certificado de segurança reconhecido; erros de português e logotipos distorcidos; e, sobretudo, insistência no pagamento via Pix para chaves aleatórias, sem identificação clara da concessionária. 

Resposta das autoridades e das concessionárias 

Diante desse cenário, a ANTT tem intensificado a comunicação pública, com notas à imprensa, páginas específicas sobre o free flow em seu site e campanhas em redes sociais explicando como funciona o sistema e quais são os canais oficiais de informação. A agência reforça que não opera plataformas de cobrança: sua função é regulatória, cabendo às concessionárias a gestão da arrecadação e dos meios de pagamento. 

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Como a Stellantis ganha dinheiro — e perde R$ 135,3 bilhões em 2025

A Stellantis, conglomerado global formado em janeiro de 2021 pela fusão entre PSA e FCA, anunciou nesta quinta-feira (26) seu primeiro prejuízo anual desde a criação: perda líquida de € 22,3 bilhões (R$ 135,3 bilhões) em 2025, impulsionada por encargos extraordinários de € 25,4 bilhões (R$ 154 bilhões). O resultado reflete um “reset” estratégico para priorizar a liberdade de escolha dos clientes entre veículos elétricos, híbridos e de combustão interna, após superestimar o ritmo da transição. 

A receita líquida totalizou € 153,5 bilhões (R$ 930,2 bilhões) em 2025, queda de 2% ante 2024, devido principalmente a impactos cambiais adversos e redução de preços líquidos no primeiro semestre. No segundo semestre – primeiro período completo sob a gestão do novo CEO Antonio Filosa –, a receita cresceu 10% em relação ao mesmo intervalo de 2024, atingindo € 79,2 bilhões (R$ 480,2 bilhões), com envios consolidados subindo 11% para 2,8 milhões de unidades. 

Filosa, que assumiu o comando após a saída de Carlos Tavares, destacou melhorias iniciais em qualidade e execução de lançamentos. “No segundo semestre do ano, começamos a ver sinais positivos iniciais de progresso, com os primeiros resultados do nosso impulso para melhorar a qualidade, forte execução dos lançamentos da nossa nova onda de produtos e retorno ao crescimento da receita”, afirmou o executivo no comunicado oficial. O foco para 2026 será corrigir falhas de execução passadas e impulsionar o crescimento lucrativo. 

Encargos extraordinários e nova orientação estratégica 

Os € 25,4 bilhões (R$ 154 bilhões) em charges não recorrentes incluem reestruturação do plano de produtos e cadeia de suprimentos de elétricos para adequar-se à demanda real e mudanças regulatórias, além de ajustes em provisões de garantias e reduções de força de trabalho na Europa Ampliada. O caixa industrial disponível fechou o ano em € 46 bilhões (R$ 278,8 bilhões), com suspensão de dividendos em 2026 e emissão de até € 5 bilhões (R$ 30,3 bilhões) em hybrid bonds para preservar o balanço patrimonial. 

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Impactos no Brasil e foco em América do Sul 

No Brasil, onde a Stellantis expandiu a produção em 12% em 2025 – com 864 mil veículos fabricados, mais de 846 mil deles em suas fábricas de Betim (MG), Goiana (PE) e Porto Real (RJ) –, o grupo aposta em modelos como a picape média Ram Dakota para ancorar a linha na América do Sul, alinhando-se à estratégia global de diversificação de powertrains. A nova onda de produtos visa cobrir lacunas de mercado em regiões como América do Norte, Europa Ampliada e Oriente Médio & África, com lançamentos como Jeep Cherokee, Dodge Charger SIXPACK e Fiat 500 Hybrid. 

A companhia planeja divulgar resultados trimestrais a partir do 1º trimestre de 2026 e um Investor Day em maio. Analistas veem o “reset” como pivô para recuperação, mas alertam para desafios em eletrificação e concorrência. 

Saiba mais sobre a Stellantis

Em um cenário global cada vez mais desafiador para a indústria automotiva, a Stellantis — conglomerado formado pela fusão entre PSA Group e Fiat Chrysler Automobiles — enfrenta uma pressão crescente para manter sua rentabilidade. Dono de 14 marcas, incluindo Peugeot, Fiat, Jeep, Citroën, Opel e Maserati, o grupo aposta na diversificação como modelo de negócios. Mas, em 2024, essa força também se revelou uma fraqueza. 

O ano de 2024 foi um divisor de águas para a Stellantis. A combinação de um ambiente macroeconômico fragilizado, aumento da concorrência nos mercados europeus e mudanças no comportamento do consumidor pressionou os números da companhia. A receita, o lucro e as margens operacionais encolheram — reflexo direto da queda nas vendas e da perda de relevância de algumas marcas em mercados-chave. 

Um dos principais entraves é o perfil do consumidor europeu. A Stellantis tem forte presença em países como França, Itália e Alemanha, onde os compradores se mostram cada vez mais sensíveis ao preço. Esse segmento, historicamente dominado por modelos acessíveis de Fiat, Citroën e Peugeot, é justamente o alvo prioritário das marcas chinesas de veículos elétricos (EVs), que chegam com preços agressivos e tecnologia avançada. 

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As marcas de cada grupo antes da fusão

A ameaça chinesa

Fabricantes como BYD, MG e NIO estão rapidamente ganhando participação na Europa. Com incentivos governamentais e domínio na cadeia de produção de baterias, essas empresas conseguem oferecer EVs por valores imbatíveis — especialmente em comparação com os modelos da Stellantis, que ainda enfrentam desafios para equilibrar custo e inovação tecnológica. 

Além disso, marcas como DS, Lancia e Chrysler sofrem com baixa notoriedade e falta de apelo comercial, tornando difícil justificar investimentos contínuos em marketing e desenvolvimento de produto. 

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Modelo de negócios sob revisão 

A forma como a Stellantis gera receita baseia-se na venda direta de veículos, leasing, serviços financeiros, pós-venda (manutenção e peças) e, mais recentemente, serviços digitais conectados. No entanto, a complexidade do seu portfólio tem dificultado ganhos de escala. No Brasil, por exemplo, mais de 40% das suas vendas são diretas, incluindo frotistas, locadoras, produtores rurais, taxistas e PcD. 

A rede de distribuição, fragmentada e muitas vezes despadronizada entre as marcas, compromete a experiência do cliente — um ponto crítico na era digital. A padronização das vendas online e a modernização das concessionárias são medidas urgentes para reconquistar a confiança do consumidor. 

Um futuro incerto para o gigante

Com a desaceleração da economia global e o enfraquecimento do poder de compra do consumidor europeu, a Stellantis precisa reavaliar seu posicionamento. A aposta em EVs populares, plataformas compartilhadas e digitalização da jornada de compra é acertada, mas o tempo joga contra. 

Enquanto rivais como a Tesla e as montadoras chinesas operam com estruturas mais enxutas e estratégias de produto mais focadas, a Stellantis parece, por vezes, refém de seu próprio tamanho. 

O desafio está posto: ou a empresa simplifica sua operação, fortalece sua proposta de valor e acelera sua transformação digital, ou corre o risco de ver sua relevância diluir-se diante da nova ordem automotiva. 

Os Números da Stellantis em 2024

Stellantis
Autor do gráfico: Dan Mottram – Strategic Advisor to Industrial Companies
  • Resultados financeiros mostram forte desaceleração  
  • Receita: €156,9 bilhões (queda de 17% em relação a 2023) 
  • Lucro líquido: €5,5 bilhões (queda de 70%) 
  • Margem de lucro: 3,5% (em 2023 era 9,8%) 
  • Lucro operacional: €3,7 bilhões 
  • Despesas operacionais: €16,8 bilhões 
  • Fluxo de caixa livre: negativo em €6 bilhões 

Onde dói mais

  • Queda na receita total e nas margens 
  • Alta carga de despesas com SG&A (€9,3 bi) e P&D (€5,8 bi) 
  • Despesas com reestruturação: €1,6 bilhão 
  • Diminuição do lucro operacional e retorno sobre as vendas 

Receita por Região 

  • América do Norte (Jeep, Chrysler, Dodge, RAM): €63,4 bilhões 
  • Europa Ampliada (Peugeot, Citroën, Opel, Fiat, DS, Lancia): €58,8 bilhões 
  • América do Sul (Fiat, Peugeot, Citroën, Jeep, RAM): €15,9 bilhões 
  • Oriente Médio e África: €10,1 bilhões 
  • China, Índia e Ásia-Pacífico: €2 bilhões 
  • Maserati (segmento premium): €1 bilhão 
  • Outras Receitas (incluindo serviços e parcerias): €5,6 bilhões 

Portfólio Multimarcas 

  • Mass Market: Fiat, Peugeot, Citroën, Opel, Vauxhall, Chrysler, Dodge 
  • Off-road e utilitários: Jeep, RAM 
  • Premium e luxo: Alfa Romeo, DS Automobiles, Lancia, Maserati 

Desafios regionais 

  • A Stellantis depende fortemente dos mercados europeus e norte-americanos, onde a concorrência — especialmente de marcas chinesas — está crescendo rapidamente. 
  • Mercados emergentes como América do Sul e Ásia ainda têm baixa representatividade no total da receita. 

Custo das vendas 

  • Total: €136,4 bilhões 
  • Representa 86,9% da receita 
  • Inclui custos de produção, logística, peças e fornecedores 

Despesas Operacionais Totais: €16,8 bilhões 

  • SG&A (Despesas Administrativas e Comerciais): €9,3 bilhões 
  • Pesquisa e Desenvolvimento (P&D): €5,8 bilhões 
  • Reestruturação: €1,6 bilhão 
  • Outros custos diversos: €0,1 bilhão 

Destaques

  • O investimento em inovação permanece alto, mesmo em ano de queda de receita 
  • Gastos com reestruturação indicam esforços para redução de complexidade e adaptação do portfólio 
  • A alta carga de SG&A sugere desafios de eficiência entre as múltiplas marcas e regiões 

Fontes: Dan Mottram, estrategista de indústrias; Automotive Industry Professionals e Relatório FY 2024 da Stellantis (fevereiro de 2025).

 

Trabalhadores de aplicativos crescem 25% e mostram renda mais resiliente no Brasil, aponta IBGE. 

Em um mercado de trabalho brasileiro ainda afetado por alta informalidade e desemprego intermitente, o setor de plataformas digitais como os aplicativos Uber, 99, iFood, Lalamove e Loggi emerge como fonte de renda mais estável para motoristas e entregadores. Dados da PNAD Contínua do IBGE, divulgados em outubro de 2025, revelam que esses profissionais tiveram menor exposição a rupturas totais de receita em comparação a outros ocupados, graças ao acesso contínuo às plataformas. 

O contingente de trabalhadores com principal renda em aplicativos atingiu 1,7 milhão no 3º trimestre de 2024, alta de 25,4% ante 2022 – ritmo bem superior aos 3% de crescimento da força de trabalho privada (empregados, empregadores e autônomos), equivalente a cerca de 2% do total.  

Leia também:

O estudo especial do IBGE abrange transporte, entregas de mercadorias e serviços variados, destacando a resiliência desses perfis em cenários de oscilação econômica.  

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Renda variável, mas com menor volatilidade 

Embora sujeita a flutuações por demanda urbana, horário e volume de corridas ou entregas, a renda desses trabalhadores revela trajetória de menor instabilidade ao longo de trimestres, diferentemente de grupos que alternam entre emprego formal, informalidade esporádica e inatividade. 

A média mensal supera a dos demais no setor privado (R$ 2.996 vs. R$ 2.875), apesar de jornadas mais extensas (44,8 horas semanais vs. 39,3 horas) – o que reforça a ideia de permanência ativa como forma de estabilidade. 

Lucros reais por região 

Levantamento da fintech GigU confirma viabilidade financeira: em São Paulo, motoristas com 60 horas semanais lucram em média R$ 4.252 após custos operacionais; no Rio de Janeiro, R$ 3.305 para 54 horas; e em Belo Horizonte, R$ 3.555 na mesma carga. 

“É uma jornada exigente, mas a autonomia e a rentabilidade, que superam algumas ocupações tradicionais, acabam sendo grandes atrativos”, avalia Luiz Gustavo Neves, cofundador e CEO da GigU. 

O modelo não resolve questões como proteção social ou qualidade de vida, mas sua expansão estrutural – muito acima da média do mercado – amplia a resiliência individual em um contexto instável, priorizando atividade contínua sobre vínculos tradicionais. 

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Sprinter automática chega às concessionárias a partir de R$ 274,3 mil

A Mercedes-Benz Sprinter passa a ser oferecida nas concessionárias brasileiras com transmissão automática e preço público sugerido a partir de R$ 274.300,00. A novidade marca a ampliação da oferta da caixa 9G-TRONIC para os mercados do Mercosul, consolidando uma configuração já utilizada em outros polos produtivos da marca.

A transmissão 9G-TRONIC foi introduzida em 2013 no segmento de automóveis da fabricante alemã. No portfólio de veículos comerciais, o sistema estreou em 2019, em conjunto com o motor OM654, nas unidades produtivas dos Estados Unidos e da Alemanha. Agora, a combinação passa a integrar oficialmente a linha Sprinter disponível nos países do Mercosul.

Leia também:

Com nove marchas, a 9G-TRONIC tem como proposta otimizar o regime de funcionamento do motor, favorecendo eficiência energética, suavidade nas trocas e redução do desgaste mecânico — atributos especialmente relevantes em aplicações urbanas, de fretamento e no transporte rodoviário de cargas e passageiros.

Versões com transmissão automática de série

A transmissão automática é item de série para as seguintes configurações:

  • Furgão 317 Pacote Hi-Tech
  • Furgão 417 Pacote Hi-Tech
  • Furgão 417 Pacote Motorhome
  • Truck (chassi cabine) 317, 417 e 517 Pacote Motorhome
  • Van (passageiros) 417 e 517 Pacote Hi-Tech

Versões com transmissão automática opcional

A caixa automática pode ser adquirida como opcional nas seguintes versões:

  • Furgão 417 e 517 Pacote Comfort
  • Furgão 417 Pacote Comfort
  • Furgão Vidrado 417 Luxo Robustez
  • Furgão Vidrado 417 e 517 Hi-Tech
  • Truck (chassi cabine) 317, 417 e 517 Pacote Hi-Tech
  • Van (passageiros) 417 Pacote Comfort

Versões sem disponibilidade de câmbio automático

A transmissão automática não está disponível para:

  • Furgão 317 Street Comfort
  • Truck (chassi cabine) 317, 417 e 517 Pacote Comfort
  • Van (passageiros) 417 e 517 Pacote Comfort
No restante das caracterísicas técnicas não houve mudanças na linha Sprinter e a Frota News indica, para quem precisar de muito mais informações sobre o modelo, lerem as reportagens e avaliações publicadas ao longo dos últimos dois anos:
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Com a ampliação da oferta da 9G-TRONIC, a fabricante reforça o posicionamento da Sprinter em segmentos que demandam maior conforto operacional e eficiência, acompanhando a crescente busca do mercado por soluções que reduzam o esforço do motorista e elevem o padrão tecnológico dos veículos comerciais leves.

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Free Flow como tecnologia nacional e capaz de diferenciar caminhões e veículos leves em tempo real

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O modelo de pedágio sem cancelas, conhecido como Free Flow, começa a ganhar escala no Brasil impulsionado por soluções desenvolvidas para a realidade do tráfego nacional — marcado por alto volume de veículos comerciais, composições complexas e condições ambientais adversas. No centro desse movimento está a COMPSIS, empresa de São José dos Campos (SP) que estruturou um sistema integrado capaz de identificar e classificar, em tempo real, desde automóveis de passeio até combinações rodoviárias com múltiplos eixos.

O sistema já opera comercialmente no Rodoanel Mário Covas, onde passou por nove meses de testes antes da consolidação do modelo MLFF (Multi-Lane Free Flow).

Diferentemente de países onde o fluxo é majoritariamente composto por veículos leves, diversas rodovias brasileiras registram até 40% de participação de veículos comerciais pesados. Isso impõe um desafio técnico relevante ao Free Flow: a correta identificação e classificação tarifária.

A diferenciação entre um automóvel de passeio e um caminhão não se limita ao tamanho do veículo. É necessário identificar com precisão o número de eixos, detectar eixos suspensos, reconhecer rodagem dupla e interpretar combinações veiculares — fatores que impactam diretamente o valor da tarifa.

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Integração de sensores, imagem e IA

Para lidar com esse cenário, a COMPSIS estruturou uma arquitetura que combina múltiplas tecnologias embarcadas nos pórticos:

  • Sensores a laser para contagem e detecção de eixos
  • Câmeras LPR (Leitura Automática de Placas) dianteiras e traseiras
  • Antenas RFID para identificação por tags eletrônicas
  • Algoritmos de inteligência artificial que cruzam os dados em tempo real

O sistema realiza leituras simultâneas e aplica validação cruzada automática. Caso haja divergência entre as fontes — por exemplo, diferença entre contagem física de eixos e base cadastral — a IA reprocessa os dados antes de encaminhar a transação ao Centro de Controle e Operação (CCO).

Treinamento com dados reais brasileiros

Um dos diferenciais apontados pela empresa é o treinamento da inteligência artificial com milhões de transações captadas em rodovias nacionais. Esse banco de dados inclui cenários de alta complexidade operacional: caminhões com eixos suspensos, composições articuladas, placas parcialmente encobertas por sujeira e condições climáticas como chuva intensa ou reflexos de sol forte.

A integração multimodal — combinando laser, imagem e radiofrequência — permite manter níveis elevados de acurácia mesmo sob baixa luminosidade, alta velocidade ou interferências visuais. Na prática, o sistema identifica se o veículo é um automóvel, um utilitário leve, um caminhão simples ou uma combinação com múltiplos eixos, aplicando a tarifa correspondente sem necessidade de redução de velocidade.

Validação automatizada e redução de intervenção manual

Outro ponto central do modelo é a validação automática das transações por IA, reduzindo significativamente correções manuais nos CCOs das concessionárias. Esse processo impacta diretamente a eficiência operacional e o ciclo financeiro das concessões.

A empresa afirma ser pioneira no Brasil na aplicação de IA nacional para validação automatizada em Free Flow, com certificação ISO 9001 e homologação da ARTESP para atuação em concessões paulistas.

Engenharia de missão crítica aplicada às rodovias

free flow
Ailton Queiroga na época em que deixou a equipe de engenharia da Embraer para fundar a COMPSIS. Foto: Divulgação

Fundada em 1989 por Ailton Queiroga, ex-engenheiro da Embraer e formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a COMPSIS trouxe para o setor rodoviário conceitos típicos da aviação: redundância, validação contínua e confiabilidade sistêmica.

No Free Flow, esses princípios se traduzem em um ecossistema integrado capaz de operar sem barreiras físicas, mas com alto grau de controle digital. Em um mercado que deve crescer com os novos leilões de concessões rodoviárias, a capacidade de diferenciar com precisão veículos comerciais e de passeio tornou-se um dos pilares técnicos para a expansão sustentável do modelo no Brasil.

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Atualização da NR-1 eleva responsabilidade das transportadoras sobre saúde mental e terá caráter punitivo a partir de maio de 2026

A partir de maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passa a ser fiscalizada com caráter punitivo, ampliando de forma significativa a responsabilidade das empresas na identificação e gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A exigência, que já vinha sendo aplicada desde 2025 em caráter orientativo, determina que fatores ligados à saúde mental integrem formalmente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

No Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), o impacto é direto. O setor opera sob pressão constante por prazos, longas jornadas, responsabilidade sobre cargas de alto valor e atividades que se estendem por rodovias, terminais e pátios de embarcadores. Esse contexto amplia a exposição a fatores como estresse, exaustão emocional e conflitos interpessoais — que agora passam a ser oficialmente reconhecidos como riscos ocupacionais.

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Para a presidente executiva do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo (SETCESP) e diretora da Seção II – Cargas da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Ana Jarrouge, a mudança vai além de uma adequação documental.

“A nova NR-1 não trata apenas de burocracia. Ela nos chama a olhar com mais responsabilidade para saúde mental, clima organizacional e qualidade das relações. O que antes era visto como característica do setor agora pode gerar passivo jurídico, afastamentos e questionamentos previdenciários”, afirma.

Exigência formal e integração com outras normas

A norma determina que as empresas adotem processo estruturado para identificar fatores de risco psicossociais relacionados à organização do trabalho, comunicação interna, metas, cobranças e dinâmica das equipes. Esses fatores deverão constar no PGR ou na Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e, quando necessário, ser articulados com a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), prevista na Norma Regulamentadora nº 17.

Segundo Ana Jarrouge, o desafio para o transporte está na própria natureza descentralizada da operação. “No transporte, o ambiente de trabalho vai além da sede da empresa. Ele inclui estradas, postos, pontos de parada, locais de carga e descarga. Isso exige um olhar integrado e diálogo com outros elos da cadeia”, destaca.

A dirigente ressalta ainda o papel estratégico da liderança. “Não adianta ter um PGR impecável no papel se, na prática, o ambiente é marcado por desorganização, desrespeito ou pressão excessiva. Quando a alta direção assume o tema como estratégico, investe em desenvolvimento de lideranças e alinha discurso e prática, a mudança acontece de forma consistente.”

O SETCESP intensificou reuniões técnicas, cursos e materiais explicativos para apoiar as transportadoras na adaptação. O objetivo é evitar autuações e passivos trabalhistas, mas também transformar a agenda de saúde mental em vetor de evolução na gestão de pessoas.

“A NR-1 pode ser vista como obrigação incômoda ou como oportunidade de amadurecimento. Cuidar da saúde mental impacta produtividade, retenção de talentos, redução de afastamentos e qualidade do serviço prestado. No TRC, isso é estratégico”, conclui Ana Jarrouge.

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Edição 54

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Engajamento é maior desafio na adequação à NR-1

Se, do ponto de vista legal, a regra está clara, na prática a adequação exige mudança cultural. A Alper Seguros avaliou 20.397 colaboradores em estudo recente e identificou que o principal obstáculo das empresas não é o preenchimento de formulários, mas o engajamento efetivo das equipes nos questionários que fundamentam o PGR.

Para Paula Gallo, diretora de Gestão de Riscos e Saúde da Alper, a NR-1 inaugura uma nova fase na gestão corporativa.

“As empresas serão obrigadas a acompanhar continuamente todas as ações voltadas às condições de trabalho e saúde mental. Muitas atuam apenas de forma emergencial, quando o problema já está instalado. A norma reforça a necessidade de sermos preventivos e proativos”, afirma.

Segundo ela, o PGR passa a exigir plano de ação específico para riscos psicossociais, com monitoramento periódico e comprovação de efetividade — ponto sensível para o transporte, marcado por jornadas extensas, pressão por resultados e isolamento do trabalhador em campo.

A Rumo, maior operadora ferroviária da América Latina, também vem ajustando seus processos. A enfermeira do trabalho Laís Silva Papasidio explica que a inclusão dos fatores psicossociais amplia a responsabilidade empresarial.

“A empresa passa a considerar não só riscos físicos, mas também mentais e organizacionais. Isso exige olhar atento para jornadas, metas, escalas e condições de trabalho. É uma gestão mais humana e equilibrada”, afirma.

Sinais silenciosos e gestão estruturada

Entre os principais indícios de esgotamento apontados por especialistas estão irritabilidade, fadiga persistente, dificuldade de concentração, isolamento social, queda de desempenho, distúrbios do sono e sintomas físicos sem causa aparente.

A Alper defende a utilização de questionários estruturados, entrevistas, mapeamento de riscos e indicadores de clima organizacional, com apoio de equipes multidisciplinares de RH e SESMT. Programas como Treinamento em Primeiros Socorros em Saúde Mental, Brigadas de Saúde Mental e iniciativas de qualidade de vida integradas ao PGR têm sido adotados como estratégia de prevenção.

No setor de transporte, a pulverização da força de trabalho — com motoristas frequentemente em trânsito — dificulta a comunicação e exige soluções adaptadas à rotina operacional.

A Rumo elenca seis pilares para conciliar produtividade e saúde mental: metas realistas, diálogo e escuta ativa, reconhecimento equilibrado, pausas adequadas, programas de bem-estar e formação de líderes empáticos.

“Produtividade sustentável só existe quando o trabalhador está saudável, engajado e respeitado”, reforça Laís Papasidio.

Tecnologia: controle ou cuidado?

Telemetria, rastreamento e monitoramento de jornada são frequentemente associados a pressão adicional sobre motoristas. No entanto, quando utilizados com transparência, esses recursos podem atuar na prevenção do adoecimento.

“Softwares de rotas, sistemas de gestão integrada e até inteligência artificial podem reduzir tempo de trânsito, identificar padrões de fadiga e enviar alertas preventivos. O importante é que sejam usados para cuidado — não apenas controle”, afirma Paula Gallo.

As entrevistas indicam que os impactos da NR-1 vão além da prevenção de multas. A norma tende a impulsionar uma agenda de transformação estrutural, com reflexos sobre clima organizacional, redução de acidentes, qualificação da gestão e reputação corporativa.

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Ford usa tecnologia da Fórmula 1 para ampliar autonomia de sua nova picape elétrica

A Ford aplicou conceitos da Fórmula 1 no desenvolvimento de sua futura picape média elétrica, primeiro modelo da marca baseado na nova Plataforma Universal de Veículos Elétricos. A estratégia adotada segue o princípio de desenvolvimento acelerado, com ciclos curtos de teste, análise e correção, prática comum no automobilismo de competição.

De acordo com a montadora, mais da metade da equipe de aerodinâmica envolvida no projeto tem experiência na Fórmula 1. O foco principal está na redução do arrasto aerodinâmico para ampliar a eficiência energética e a autonomia do veículo. Segundo Saleem Merkt, gerente sênior de Aerodinâmica Avançada de Veículos Elétricos da Ford, o trabalho resultou em ganho superior a 15% na eficiência aerodinâmica em comparação com outras picapes médias disponíveis no mercado.

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Diferentemente do processo tradicional da indústria, em que o túnel de vento é utilizado na fase final para validação, a Ford passou a empregar o recurso desde o início do projeto. A medida permitiu testar soluções estruturais e de design ainda em estágio preliminar.

O protótipo foi construído com um sistema modular que possibilita a substituição rápida de peças impressas em 3D e componentes usinados, como protetores de chassi, grade frontal e elementos da suspensão. Segundo a empresa, milhares de peças foram produzidas para testes, inclusive versões de sistemas que ainda não existiam como protótipos funcionais.

A montadora também reformulou seu conjunto de ferramentas digitais para processar os dados obtidos no túnel de vento. O sistema passou a fornecer informações em tempo real para comparação com simulações computacionais, sem limitação de horas de uso ou capacidade de processamento.

Soluções técnicas adotadas

Entre as modificações implementadas está o redesenho da linha do teto, que direciona o fluxo de ar sobre a caçamba, reduzindo a turbulência na parte traseira. A solução foi denominada internamente como “superfície virtual”, pois altera o comportamento do ar sobre a área aberta da picape.

Outra mudança envolve os retrovisores externos. As funções de ajuste do vidro e rebatimento elétrico foram integradas em um único atuador, reduzindo o volume da peça em mais de 20%. Segundo a Ford, a alteração representa ganho estimado de 2,4 quilômetros na autonomia.

A parte inferior do veículo também recebeu atenção específica. O assoalho foi projetado para reduzir interferências no fluxo de ar, com fixações embutidas e direcionamento do ar ao redor dos pneus dianteiros e da suspensão. A estratégia inclui conduzir a turbulência dos pneus dianteiros em direção aos traseiros para minimizar a formação de novas áreas de resistência. O ganho estimado é de 7,2 quilômetros adicionais de autonomia.

Comparação com modelos a combustão

A Ford informa que o projeto foi desenvolvido como um sistema integrado, considerando desde o início as metas de autonomia e custo. Segundo a empresa, utilizar a carroceria de uma picape média a combustão como base comprometeria os resultados esperados.

De acordo com Merkt, se a picape média a gasolina com melhor desempenho aerodinâmico nos Estados Unidos fosse equipada com a mesma bateria, o novo modelo elétrico da Ford teria aproximadamente 80 quilômetros a mais de autonomia, o equivalente a cerca de 15%, além de desempenho superior em velocidades de rodovia.

O veículo está em fase de testes em pistas e vias públicas. As informações obtidas nessa etapa serão utilizadas para ajustes finais antes do início da produção.

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Paraná: recordes na safra, rodovias e corredor com o Paraguai em especial sobre infraestrutura e logística

O Paraná encerra 2025 com números históricos na produção agrícola, na expansão de rodovias de concreto e na movimentação portuária, ao mesmo tempo em que inaugura a Ponte Internacional da Integração, consolidando um novo corredor logístico com o Paraguai. Neste especial, a Frota News reúne dados, investimentos e análises do setor para mostrar como a integração entre campo, infraestrutura viária e comércio exterior redesenha o papel do estado no Transporte Rodoviário de Cargas em 2026.

De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), a safra 2024/25 superou 46 milhões de toneladas de grãos, o maior volume já registrado no estado — resultado que atinge, com dez anos de antecedência, a meta projetada para 2035. Entre os destaques estão a aveia, com 470 mil toneladas, maior volume da última década, e o milho, que alcançou 21 milhões de toneladas, também em nível recorde.

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Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Oeste do Paraná (SINTROPAR), Edson Roberto Pilati, o desempenho da agricultura amplia a responsabilidade do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) no escoamento da produção. Segundo ele, volumes dessa magnitude exigem planejamento logístico, infraestrutura adequada e operações cada vez mais qualificadas para garantir eficiência e previsibilidade.

Avanço nas rodovias de concreto amplia capacidade operacional

A infraestrutura viária também apresentou avanço relevante. O estado alcançou 755 quilômetros de rodovias em concreto, segundo o Governo do Estado do Paraná, um crescimento de 50% em relação aos 500 quilômetros registrados em junho. Os investimentos já superam R$ 3,3 bilhões.

Além dos trechos concluídos, há obras previstas de restauração, ampliação e duplicação, especialmente na região Oeste. Para o SINTROPAR, a expansão das rodovias de concreto representa maior durabilidade do pavimento, redução de custos de manutenção e mais segurança operacional para o transporte de cargas.

Na avaliação de Pilati, o ambiente de investimentos e a diversificação da economia paranaense criam condições mais estáveis para o planejamento das transportadoras e para o fortalecimento da cadeia logística regional.

Portos superam 70 milhões de toneladas

No setor portuário, 2025 também foi marcado por recorde. Os Portos do Paraná movimentaram 70 milhões de toneladas, volume 5% superior ao registrado em 2024.

O Porto de Paranaguá mantém posição estratégica no embarque de grãos e farelos e responde por 40% das exportações brasileiras de carne, consolidando-se como corredor relevante para o agronegócio nacional.

Para 2026, está prevista a continuidade das obras rodoviárias e a expansão da capacidade portuária, com investimento de R$ 1,5 bilhão no Porto de Paranaguá. A expectativa é de ampliação do comércio exterior e aumento da demanda por transporte integrado.

Segundo o presidente do SINTROPAR, a integração entre produção agrícola, infraestrutura viária e logística portuária será determinante para sustentar o crescimento com competitividade, segurança e eficiência operacional.

Ponte da Integração cria novo corredor logístico entre Paraná e Paraguai

A inauguração da Ponte Internacional da Integração, em 2025, estabelece um novo eixo logístico entre o Brasil e o Paraguai e amplia a capacidade de circulação de cargas na fronteira Oeste do Paraná.

Com 760 metros de extensão, a estrutura conecta Foz do Iguaçu a Presidente Franco. A obra recebeu investimento total de R$ 1,9 bilhão, custeado pelo governo federal brasileiro e pelo governo paraguaio. Nesta fase inicial, apenas caminhões sem carga estão autorizados a utilizar a travessia.

O novo corredor foi projetado para reduzir a sobrecarga da Ponte Internacional da Amizade e ampliar a fluidez logística na fronteira. O Paraguai é atualmente o sexto maior parceiro comercial do Paraná. Em 2024, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 1,47 bilhão — crescimento de 78% em relação a 2019.

Para o presidente do SINTROPAR, a nova ligação consolida um corredor estratégico entre os dois países, reduz distâncias operacionais e cria condições para aumento do fluxo comercial. Ele destaca que a ampliação do comércio impõe novos desafios ao TRC, especialmente no cumprimento de normas internacionais, gestão de fronteira e previsibilidade das operações.

Novos acessos reforçam integração regional

Além da ponte, foram implantadas estruturas de acesso em ambos os lados da fronteira. No Brasil, a Perimetral Leste, com 14,7 quilômetros, conecta a BR-277 à nova travessia e retira o tráfego pesado do centro urbano de Foz do Iguaçu. No Paraguai, o Corredor Metropolitano del Este, com 31 quilômetros, liga a rodovia PY02 à Ponte da Integração.

Na avaliação do setor de transporte, o crescimento das trocas comerciais entre Paraná e Paraguai reforça a necessidade de investimentos contínuos em rodovias, corredores internacionais e planejamento logístico integrado.

Para os próximos anos, o desafio será alinhar infraestrutura, operações e regulação para sustentar o avanço do comércio bilateral com segurança e competitividade, consolidando o Oeste paranaense como eixo estratégico do transporte rodoviário de cargas no Mercosul.

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BorgWarner fecha contrato para fornecer iDM de 800 V a montadora premium

A BorgWarner garantiu um contrato com uma montadora europeia de primeira linha para fornecer um Módulo de Acionamento Integrado (iDM) de 800 V destinado a um veículo elétrico com autonomia estendida (REEV). A produção em massa está prevista para 2029.

O sistema reúne, em um único módulo, máquina elétrica com funções de gerador e tração, inversor, duas embreagens e volante bimassa, trabalhando em conjunto com o motor a combustão do cliente. A integração reduz complexidade e otimiza a arquitetura do veículo, além de permitir modo de tração nas quatro rodas quando necessário.

O inversor utiliza interruptores de potência Viper e tecnologia de resfriamento em ambos os lados, oferecendo alta eficiência elétrica e robusto gerenciamento térmico para aplicações de alta tensão e corrente.

Segundo o Dr. Stefan Demmerle, vice-presidente da BorgWarner Inc., o contrato reforça a liderança da empresa em eletrificação: “Criamos uma solução altamente integrada que equilibra desempenho, eficiência e tamanho. Temos orgulho de apoiar nosso cliente com tecnologia inovadora para seus veículos de autonomia estendida de última geração.”

Com expertise interna em motores elétricos, transmissões, eletrônica de potência, software e integração de sistemas, a BorgWarner segue ampliando sua atuação global no mercado de novas energias.

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Turbocompressor VTG da BorgWarner equipará nova geração de veículos híbridos (HEV)

A BorgWarner firmou acordo com um grande fabricante europeu de equipamentos originais (OEM) para fornecer seu turbocompressor de geometria variável (VTG) a uma plataforma de veículos híbridos (HEV). O contrato insere a empresa na base global de fornecimento que irá equipar uma das primeiras ofertas híbridas da montadora na América do Norte, reforçando a parceria entre as companhias e ampliando a presença da BorgWarner nesse mercado.

A tecnologia VTG permite controle preciso do motor, com aletas ajustáveis acionadas eletricamente que regulam a pressão da turbina, garantindo resposta quase instantânea, maior eficiência, melhor economia de combustível e redução de emissões. Adaptado às exigências de espaço do cliente, o sistema inclui carcaça de turbina atualizada, rotor do compressor com tratamento shot-peening para maior durabilidade e silenciador na saída do compressor, contribuindo para desempenho sustentável e menor nível de ruído a bordo.

BorgWarner amplia contrato global para fornecimento de BMS e reforça presença em elétricos até 800V

A BorgWarner ampliou um contrato global para fornecer seu sistema de gerenciamento de baterias (BMS) a uma montadora internacional. O acordo, que já estava em vigor desde 2023, agora passa a incluir veículos dos segmentos B e C e comerciais leves, com início de produção previsto para 2029.

O BMS da empresa utiliza uma arquitetura modular e escalável, capaz de atender tanto veículos elétricos a bateria (BEV) quanto híbridos plug‑in (PHEV). O sistema monitora carga, saúde e temperatura das baterias, realiza balanceamento das células e suporta carregamento rápido em corrente contínua, atendendo ao rigoroso padrão de segurança ASIL D.

A solução pode operar em arquiteturas de até 800 volts, tendência crescente na indústria para reduzir tempo de recarga e aumentar eficiência. Sua flexibilidade de integração favorece especialmente veículos comerciais leves, nos quais o gerenciamento térmico e energético impacta diretamente autonomia, custos operacionais e confiabilidade.

BorgWarner fecha contrato com TurboCell para fornecer turbogeradores a data centers de IA em escala de gigawatts

BorgWarner
Turbogerador para data centers fornecidos pela BorgWarner

A BorgWarner firmou um acordo de fornecimento com a TurboCell, subsidiária da Endeavour, para produzir um novo sistema de turbogeradores modulares voltado a data centers de alta densidade e aplicações em microrredes. Desenvolvido ao longo de três anos, o equipamento oferece alta potência, resposta dinâmica a picos de demanda e operação “behind‑the‑meter”, podendo atuar como fonte principal ou de backup. O sistema também foi projetado para atender padrões ambientais rigorosos e operar com múltiplos combustíveis — de gás natural a hidrogênio.

A tecnologia combina competências estratégicas da BorgWarner, como turbocompressores, eletrônica de potência e geração elétrica de alta velocidade, com integração vertical de cerca de 65% do conteúdo do sistema. A produção começará em 2027, nos Estados Unidos, com capacidade inicial de 2 GW.

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