sexta-feira, abril 3, 2026

Justiça do Trabalho nega indenização a motorista que alegava violação de intimidade por câmeras na cabine do caminhão

A Justiça do Trabalho negou o pedido de indenização por danos morais apresentado por um motorista que alegava ter sua intimidade violada pela instalação de câmeras no interior da cabine do caminhão que conduzia. A decisão foi tomada pela Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG), que manteve sentença da 2ª Vara do Trabalho de Betim.

O trabalhador sustentou no processo que o sistema de monitoramento instalado no veículo funcionava continuamente, inclusive durante momentos de descanso, alimentação e troca de roupa. Segundo ele, como frequentemente permanecia no caminhão durante as viagens, a cabine acabava funcionando como uma extensão de sua moradia, o que configuraria violação à sua intimidade.

A empresa, que atua no transporte de combustíveis, derivados de petróleo e álcool, afirmou que o monitoramento tinha finalidade exclusiva de segurança patrimonial e fiscalização da atividade profissional.

Argumentos do motorista

Na ação trabalhista, o caminhoneiro argumentou que as câmeras funcionavam 24 horas por dia e que não havia autorização formal expressa para a filmagem. De acordo com ele, o termo de treinamento apresentado pela empresa não mencionava explicitamente a gravação de imagens dentro da cabine.

O profissional também alegou que a verba de pernoite paga pela companhia seria insuficiente para custear hospedagens durante as viagens, o que o obrigaria a descansar dentro do caminhão. Nesse contexto, afirmou que a vigilância constante configuraria constrangimento, desconforto e humilhação.

Com base nesses argumentos, o motorista solicitou indenização por danos morais no valor mínimo de R$ 10 mil, citando violação à dignidade prevista no artigo 186 do Código Civil.

Entendimento do tribunal

Ao analisar o recurso, o relator do caso, desembargador Marcelo Moura Ferreira, concluiu que não houve conduta ilícita por parte da empregadora.

Segundo o magistrado, a instalação de câmeras na cabine do caminhão está amparada pelo poder diretivo do empregador e pode ser utilizada para fins de segurança e fiscalização do trabalho.

“Tal conduta, por si só, não configura violação aos direitos fundamentais do trabalhador, sendo prática compatível com o regular exercício da atividade empresarial”, registrou o relator no voto.

A decisão também destacou que não houve comprovação de que o motorista fosse obrigado a pernoitar dentro do veículo. Nos autos constava o pagamento de verba denominada “pernoite”, sem prova de que o valor fosse insuficiente para custear hospedagem ou que tivesse destinação diferente da informada nos contracheques.

Falta de provas de dano moral

Outro ponto ressaltado pelo relator foi a ausência de provas de que as câmeras funcionassem fora do horário de trabalho. De acordo com informações prestadas pela empresa e confirmadas em audiência, os equipamentos possuíam sensor de fadiga e operavam apenas com o motor do caminhão ligado.

Para o desembargador, também não houve comprovação de constrangimento ou humilhação capazes de caracterizar dano moral. O motorista, segundo a decisão, não apresentou testemunhas nem outros elementos que demonstrassem que a situação fosse diferente da descrita pela empresa.

“Diante da inexistência de ato ilícito ou lesão à esfera íntima do reclamante, mantenho o indeferimento do pedido de indenização por danos morais”, concluiu o magistrado.

Com a decisão da Terceira Turma do TRT-MG, o pedido foi novamente negado. O processo segue agora para análise de recurso de revista no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Processo: 0010122-88.2025.5.03.0163
Fonte: TRT-MG (03/03/2026)

Motorista teve “apagão” e colidiu com outra carreta

A Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve a responsabilidade da Leite Express Transportes, de Guarulhos (SP), pela morte de um ajudante de carga em acidente rodoviário causado pelo motorista de um de seus caminhões. Para o colegiado, o transporte de cargas em rodovias é uma atividade de risco, e a empresa responde pelos danos causados por ela independentemente de comprovação de culpa.

O acidente ocorreu em novembro de 2023. O ajudante de cargas estava no banco do carona do caminhão na Rodovia Anhanguera, na altura de Limeira (SP). O motorista sofreu um mal súbito (um “apagão”) e bateu na traseira de outra carreta. O carona não resistiu aos ferimentos causados pelo acidente.

Na ação trabalhista, o filho do trabalhador, menor de idade com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), representado por sua mãe, pediu indenização por danos morais e materiais.

A transportadora, em sua defesa, sustentou que toda a documentação do caminhão estava regular, assim como as vistorias e revisões. Para a empresa, a culpa do acidente foi exclusivamente do ajudante, que não estaria usando cinto de segurança no momento do acidente, enquanto o motorista, que usava o equipamento, voltou ao trabalho após o afastamento de alguns meses.

Filho receberá indenização e pensão

O juízo de primeiro grau condenou a transportadora a pagar ao filho R$ 150 mil de indenização por danos morais e pensão mensal correspondente a 60% da última renda do pai, da data do  falecimento até quando a vítima completaria 75 anos e meio, em 2044. A determinação levou em conta que o diagnóstico de TEA do filho sugere uma dependência financeira que perduraria após os 21 anos.

A sentença foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), que rejeitou o argumento da falta de cinto de segurança, não confirmado pelo motorista sobrevivente. Ainda segundo o TRT, a empresa foi imprudente ao não realizar exames periódicos nos motoristas, o que poderia prevenir situações de mal súbito, e também não controlava a jornada de trabalho com rigidez. Outro aspecto observado foi o de que o empregador é responsável por danos que o empregado em serviço causa a outras pessoas, inclusive a colegas de trabalho.

Atividade é de risco

O relator do recurso de revista da empresa, ministro Breno Medeiros, reiterou o fundamento do TRT e assinalou que, no caso, a responsabilidade civil é objetiva, sem a necessidade de comprovar a culpa do empregador em razão, também, da atividade de risco desenvolvida.

A decisão foi unânime.

Indenização por falta de gestão em pátio de manobra

A Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a responsabilização da empresa Telemont S.A. pela morte de um motorista ocorrida durante o descarregamento de materiais em Serra (ES). A decisão foi proferida pela Quinta Turma da Corte, que entendeu haver omissão da companhia no controle das atividades desenvolvidas em suas dependências, ainda que o acidente tenha sido causado por um motorista terceirizado.

Caminhão atingiu muro e portão

O acidente aconteceu no pátio da empresa, quando um caminhão manobrava com as portas do baú abertas e acabou atingindo um muro e um portão de ferro. As estruturas desabaram sobre o motorista, que aguardava na calçada, ao lado do muro, para entrar e dar continuidade às suas atividades.

O veículo pertencia à transportadora Buick, contratada pela Telemar, tomadora dos serviços da Telemont.

Na ação judicial, a esposa e os filhos da vítima pediram a responsabilização das empresas envolvidas e o pagamento de indenizações por danos morais e materiais. Em sua defesa, a Telemont sustentou que o acidente teria ocorrido por culpa exclusiva de terceiro, o que afastaria sua responsabilidade civil.

Falta de fiscalização no pátio

Ao analisar o caso, o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região concluiu que a empresa não garantiu condições adequadas de segurança no local. A decisão destacou que provas testemunhais, imagens de monitoramento e registros policiais demonstraram a ausência de fiscalização na circulação de caminhões dentro do pátio.

Segundo o TRT, a Telemont permitiu a manobra do veículo sem acompanhamento por profissional habilitado e tolerou a atuação de trabalhadores avulsos sem supervisão técnica.

Com base nesses elementos, a empresa foi condenada ao pagamento de indenização por dano moral no valor de R$ 30 mil, além de pensão mensal aos dependentes até a data em que o trabalhador completaria 75 anos. A companhia recorreu ao TST.

Súmula 126 impede reexame de provas

Relator do processo, o ministro Breno Medeiros destacou que a conclusão do TRT foi fundamentada nas provas constantes nos autos e apontou que a empresa descumpriu o dever de cautela previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ao não assegurar ambiente seguro em suas dependências.

Para o ministro, a atuação de terceiros sem fiscalização e sem medidas mínimas de segurança contribuiu diretamente para o acidente fatal. Alterar esse entendimento exigiria o reexame de fatos e provas, procedimento vedado pela Súmula 126 do TST.

Com isso, a Quinta Turma manteve a condenação imposta à empresa.

Processo: Ag-AIRR-0000330-20.2022.5.17.0004
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho / Foto: Divulgação

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Queda de 30% nos emplacamentos de caminhões e ônibus em 2026 reflete vendas fracas no fim de 2025

Os emplacamentos de caminhões e ônibus nos primeiros dois meses de 2026 ainda são reflexos da retração das vendas no último bimestre de 2025. Após a venda, o licenciamento pode demorar de dois a quatro meses dependendo do tipo de carroceria.

Dados divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostram que os emplacamentos de veículos pesados registraram queda de 29,4% no primeiro bimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, a expectativa é de que programas voltados ao financiamento e à renovação de frota Move Brasil contribuam para reaquecer o mercado ao longo de 2026.

No segmento de caminhões, o acumulado de emplacamentos até fevereiro de 2026 chegou a 13.109 unidades, o que representa uma retração de 28,7% frente às 18.377 unidades registradas no mesmo período de 2025.

A liderança no período ficou com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que emplacou 3.547 unidades, seguida por Mercedes-Benz, com 3.213 veículos. Na sequência aparecem Volvo Trucks, com 2.310 unidades, Scania, com 1.228, e Iveco, com 1.211 caminhões emplacados no período.

Entre as principais fabricantes, a maior retração proporcional foi registrada pela Scania, com queda de 52,3% no bimestre.

Categoria / Empresa Acumulado 2026 (C) Acumulado 2025 (E)
Caminhões – Total 13.109 18.377
Empresas associadas 12.878 18.213
Agrale 24 16
Caoa (Hyundai) 2 3
DAF 950 1.465
FCA (Dodge) 110 515
Ford 21 36
Iveco 1.211 1.500
Volkswagen Caminhões e Ônibus 3.547 4.397
Mercedes-Benz 3.213 4.166
Mercedes-Benz Cars & Vans 249 308
Peugeot 13 5
Citroën 0 5
Renault 0 0
Scania 1.228 2.577
Volvo 2.310 3.220
Outras empresas 231 164

 

Outras empresas são importadoras, como Foton, JAC Caminhões, Sany, XCMG, entre outras.

Ônibus recuam mais de 30% no início do ano

O segmento de ônibus apresentou retração ainda mais intensa no início de 2026. Os emplacamentos acumulados no primeiro bimestre somaram 2.486 unidades, queda de 33,4% frente às 3.735 unidades registradas em jan-fev de 2025.

Entre as montadoras associadas à Anfavea, foram 2.323 veículos emplacados, recuo de 36,4% na comparação anual.

A liderança ficou com a Mercedes-Benz do Brasil, com 991 unidades, seguida pela Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 712 ônibus.

Na sequência aparecem Agrale, com 360 unidades, Volvo Buses, com 66, e Scania, com 30 veículos.

Categoria / Empresa Acumulado 2026 (C) Acumulado 2025 (E)
Ônibus – Total 2.486 3.735
Empresas associadas 2.323 3.654
Agrale 360 571
Iveco 164 471
Volkswagen Caminhões e Ônibus 712 980
Mercedes-Benz 991 1.414
Scania 30 100
Volvo 66 118
Outras empresas 163 81

Mercado interno de veículos mantém resiliência

Enquanto o segmento de pesados enfrenta retração, o mercado brasileiro de automóveis como um todo segue mostrando resiliência em 2026.

No primeiro bimestre do ano, foram 355,7 mil unidades emplacadas, repetindo o bom desempenho observado no mesmo período de 2025.

Fevereiro apresentou um resultado particularmente positivo, com média diária de 10,3 mil veículos vendidos, acima das 8,1 mil unidades registradas em janeiro e das 9,2 mil unidades de fevereiro do ano passado. O resultado representa a segunda melhor média diária para o mês nos últimos dez anos, segundo a Anfavea.

Grande parte desse desempenho foi puxada pelos segmentos de automóveis e comerciais leves, cujos emplacamentos cresceram 18% no bimestre na comparação anual.

Frota News
Edição 54

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Produção recua com queda nas exportações

Apesar do bom ritmo do mercado interno, a produção nacional apresentou retração no início do ano.

A indústria automotiva brasileira fabricou 338 mil autoveículos no primeiro bimestre de 2026, volume 8,9% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

O principal fator por trás da queda foi o recuo nas exportações. Nos dois primeiros meses do ano, 59,4 mil veículos foram enviados ao exterior, retração de 28% na comparação anual.

Eletrificados avançam no Brasil

Outro destaque do mercado automotivo brasileiro é o avanço dos veículos eletrificados. Em fevereiro, 28.120 unidades de modelos híbridos e elétricos foram emplacadas, representando 15,9% do total de veículos leves vendidos no país.

Um dado relevante é o crescimento da participação de modelos produzidos localmente: 43% dos eletrificados vendidos no país já são fabricados no Brasil, a maior participação da série histórica da Anfavea.

No entanto, os híbridos com motores elétricos que também tracionam as rodas ainda são importados. Os números híbridos apresentados acima são, na sua maioria, híbridos leves, como o Fiat Pulse Hybrid. O motor elétrico funciona apenas como assistente do motor a combustão: ele atua como gerador e auxiliar de torque (start-stop mais suave, pequenas ajudas em arrancadas e retomadas), recupera energia nas frenagens, melhora um pouco o consumo e as emissões.

Desafios geopolíticos seguem no radar da indústria

Mesmo com sinais de resiliência do mercado interno, a indústria acompanha com atenção o cenário internacional.

Entre os fatores de risco apontados estão as tensões geopolíticas, os impactos sobre cadeias logísticas globais e a volatilidade cambial. A alta do petróleo e do dólar, impulsionada por conflitos no Oriente Médio, também pressiona os custos de transporte e produção.

No cenário doméstico, os juros elevados continuam sendo um desafio adicional para a renovação de frota. A projeção de crescimento do PIB brasileiro é de 1,8% em 2026, enquanto a taxa Selic permanece em 15% ao ano, patamar que encarece o crédito e pode adiar decisões de investimento por parte das empresas.

Ainda assim, a avaliação da indústria é de que a cadeia automotiva brasileira mantém capacidade de adaptação e segue comprometida com novos investimentos, inovação tecnológica e a modernização da frota nacional.

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Vendas diretas da Renault: Kwid, Master e Oroch puxam emplacamentos para frotistas em 2025

Seja veículos de luxo para frotas corporativas para executivos, automóveis para frotas de apoio de forças de vendas, pós-vendas e serviços, ou veículos comerciais para transporte de cargas ou passageiros. Ter um portfólio e um atendimento com foco em frotistas é objetivo de quase todas as marcas. Neste artigo, vamos fazer um recorde no portfólio da Renault do Brasil e no desempenho de vendas com base nos dados de emplacamentos fornecidos pela Fenabrave, associação das concessionárias. 

Em 2025, a Renault ficou em 6º lugar no ranking geral de licenciamentos, com 131.724 unidades e participação de mercado de 5,2%, ante 139.288 (6º lugar e 5,6% de market share) em 2024, uma queda de 5,4%.

Leia também:

Entre todas as marcas, a Renault ficou em 5º lugar no ranking de vendas diretas, com participação de 7,2%. Os modelos vendidos para frotistas pela Renault entre os 50 mais licenciados em 2025 são:  

Posição na marca
/ ranking
geral
Modelo  Segmento  Emplacamentos 
/ 4º Kwid  Automóveis  54.810 
/ 10º Master  Comerciais Leves  11.106 
/ 11º Oroch  Comerciais Leves  9.312 
/ 29º Duster  Automóveis  9.611 
/ 14º Kangoo  Comerciais Leves  4.174 
/ 34º Kardian  Automóveis  3.968 
Kwid*  Comerciais Leves  56 
  Kangoo E-Tech  Comerciais Leves  50 

 

*Obs.: A Fenabrave classifica veículos com base no tipo de carroceria e uso principal registrado no Renavam: o Kwid padrão (hatch compacto) entra nos automóveis, enquanto variantes como configurações utilitárias podem ser enquadradas como comerciais leves por critérios de adaptações para carga

Comparação Renault – Varejo x Vendas Diretas (2025)

A tabela abaixo mostra, para cada modelo Renault, o volume em varejo, vendas diretas (segundo anexo) e o total consolidado.

Automóveis 
Modelo  Varejo  Vendas Diretas  Total 2025 
Kwid  58.970  54.810  113.780 
Kardian  19.349  3.968  23.317 
Duster  18.448  9.611  28.059 
Comerciais Leves 
Modelo  Varejo  Vendas Diretas  Total 2025 
Master 15.771 11.106 26.877
Oroch 11.624 9.312 20.936
Kangoo 4.432 4.174 8.606
Kangoo E-Tech 50 50
Kwid (PJ) 56 56 

 

Análise de Mix – Varejo x Diretas 

Modelo  % Varejo  % Diretas 
Kwid  51,8%  48,2% 
Kardian  83,0%  17,0% 
Duster  65,7%  34,3% 
Master  58,7%  41,3% 
Oroch  55,5%  44,5% 
Kangoo  51,5%  48,5% 

 

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Leia a Revista Frota News Edição 54

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Edição 54

Reforma tributária, geopolítica e eleições: o novo xadrez econômico que pode redefinir investimentos no Brasil

Em um momento de reforma tributária, rearranjos geopolíticos e incertezas políticas globais, compreender os movimentos da economia tornou-se essencial para investidores e executivos. Foi nesse contexto que a W1 Consultoria reuniu especialistas e convidados no evento Guia de Sobrevivência e Expansão 2026, realizado no auditório do edifício E-Tower, na Vila Olímpia, em São Paulo.

A Frota News esteve presente a convite de Andréa Magalhanis, consultora financeira e sócia da W1 Consultoria, e de Manoel Massa, partner e sócio da empresa. O evento reuniu executivos, investidores e analistas para discutir temas que hoje estão no centro das decisões estratégicas do mercado: profundas transformações fiscais, as tensões geopolíticas, os ciclos eleitorais e os caminhos para preservar e expandir patrimônio em um ambiente econômico cada vez mais complexo.

Participaram como palestrantes Victor Furtado, head Alocação-W1 Capital, Fabio Ferigolli, head Comercial e Sócio-W1 Business, Otávio Justino, partner e sócio-W1 Consultoria e Murilo Zerrenner, consultor Patrimonial-W1 Patrinominal, que apresentaram análises sobre os impactos das transformações econômicas em curso e as perspectivas para os mercados nos próximos anos.

A condução do painel ficou a cargo de Renan Freitas, que atuou como moderador do encontro. Com perguntas pertinentes e bem direcionadas aos especialistas, ele conduziu o debate com leveza e equilíbrio, estimulando reflexões aprofundadas sobre temas complexos como tributação, geopolítica e estratégias de investimento.

Reforma tributária: a maior mudança fiscal em décadas

Um dos pontos centrais do evento foi a implementação da reforma tributária sobre o consumo, considerada por economistas como a maior transformação no sistema fiscal brasileiro desde a Constituição de 1988.

Durante o encontro, Murilo Zerrenner apresentou os principais destaques das mudanças e os impactos esperados para empresas e investidores ao longo do período de transição.

O novo modelo prevê a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por um sistema de IVA dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), compartilhado entre estados e municípios. A transição começa em 2026 e deverá ocorrer gradualmente ao longo da próxima década.

A dimensão dessa transformação pode ser percebida no ambiente empresarial. Pesquisa da consultoria PwC Brasil aponta que 83% das empresas brasileiras esperam impactos altos ou imediatos da reforma tributária em seus modelos de negócio, especialmente em áreas como precificação, reorganização de cadeias produtivas e planejamento fiscal. A análise faz parte de um estudo da consultoria sobre os efeitos da reforma nas estruturas corporativas e nos modelos de operação das empresas.

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Economia global em fase de reorganização

Outro eixo relevante do debate foi o cenário internacional. A economia global vive um período de reconfiguração geoeconômica, marcado por disputas comerciais, reorganização das cadeias produtivas e crescente preocupação com segurança energética e tecnológica.

Durante o encontro, o Head de Alocação da W1, Victor Furtado, apresentou uma análise detalhada sobre o ambiente internacional, destacando como os movimentos geopolíticos e a mudança no equilíbrio entre grandes potências vêm influenciando diretamente os mercados financeiros.

Esse cenário é corroborado por organismos multilaterais. O Fundo Monetário Internacional, em seu relatório World Economic Outlook, projeta que a economia global deverá crescer 3,2% em 2025 e cerca de 3,1% em 2026, indicando uma expansão moderada diante de fatores como inflação persistente, tensões comerciais e desaceleração de algumas economias relevantes.

O próprio FMI alerta que a economia mundial vive um momento de reorganização estrutural, com mudanças nas cadeias produtivas e na dinâmica do comércio internacional — fenômeno que alguns economistas já classificam como fragmentação econômica global.

W1 Consultoria reuniu especialistas e convidados no evento Guia de Sobrevivência e Expansão 2026

Política internacional e ciclos eleitorais

O impacto da política internacional sobre os mercados também foi tema do debate. Em um mundo cada vez mais interdependente, decisões tomadas em grandes centros de poder econômico podem repercutir diretamente sobre investimentos, fluxos de capital e preços de commodities.

Relatório recente do Fórum Econômico Mundial, intitulado Chief Economists Outlook, destaca que tensões geopolíticas, disputas comerciais e ciclos eleitorais em grandes economias devem continuar sendo fatores relevantes de volatilidade econômica global nos próximos anos.

De acordo com o documento, investidores e empresas precisam ampliar sua leitura estratégica do ambiente internacional, incorporando variáveis políticas e geopolíticas em seus processos de tomada de decisão.

Inteligência de mercado e planejamento financeiro

O encontro promovido pela W1 Consultoria reforçou uma mensagem que vem se consolidando entre gestores de patrimônio e analistas econômicos: o planejamento financeiro tornou-se um instrumento central em um ambiente econômico marcado por volatilidade e transformações estruturais.

Mais do que acompanhar indicadores tradicionais como inflação, juros ou crescimento do PIB, investidores precisam compreender os movimentos que conectam economia, política e geopolítica.

A reforma tributária brasileira, por exemplo, altera a lógica de tributação do consumo no país e exigirá adaptação das empresas ao longo dos próximos anos. Ao mesmo tempo, mudanças nas cadeias produtivas globais e tensões entre grandes potências influenciam diretamente o comportamento dos mercados.

Nesse contexto, conhecer o cenário internacional é fundamental, mas compreender o Brasil em profundidade torna-se ainda mais decisivo. O país reúne oportunidades relevantes em setores como energia, agronegócio, infraestrutura e indústria, mas o aproveitamento desse potencial depende de estabilidade institucional, previsibilidade regulatória e visão estratégica de longo prazo.

Para investidores atentos ao mercado, a combinação entre planejamento financeiro estruturado, leitura qualificada do cenário global e entendimento das dinâmicas econômicas brasileiras será determinante para atravessar com segurança o próximo ciclo econômico — um período em que informação, análise e estratégia passam a ser ativos tão valiosos quanto o próprio capital.

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RD Saúde abre mais de 2.200 vagas, sendo mais de 400 em logística e transporte

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A RD Saúde, maior rede de varejo farmacêutico do Brasil, anunciou a abertura de mais de 2.200 vagas de emprego para início imediato em todo o país, com oportunidades tanto nas farmácias quanto nos centros de distribuição logística da companhia. Parte relevante dessas vagas é voltada às operações de logística e transporte, áreas estratégicas para sustentar a capilaridade nacional da empresa.

As posições disponíveis abrangem as redes Raia e Drogasil, além das unidades logísticas responsáveis pelo abastecimento de mais de 3.500 farmácias espalhadas pelo Brasil. A remuneração inicial varia entre R$ 1.900 e R$ 5.500, acompanhada de um pacote abrangente de benefícios corporativos.

Leia também:

Logística e transporte concentram mais de 400 vagas

No setor logístico, a companhia disponibiliza 412 vagas para funções operacionais que sustentam a movimentação e distribuição de medicamentos e produtos de saúde em todo o território nacional.

Entre os cargos oferecidos estão: Auxiliar de reposição logística, conferente, operador de empilhadeira e motorista

As oportunidades estão distribuídas em importantes polos logísticos da empresa: São Paulo: Guarulhos, Ribeirão Preto e Itupeva; Minas Gerais: Contagem; Rio de Janeiro: Duque de Caxias; Paraná: São José dos Pinhais; Goiás: Aparecida de Goiânia e Hidrolândia.

Essas unidades integram a malha de distribuição que abastece diariamente as lojas da companhia, tornando a área logística um dos pilares operacionais da rede.

Vagas nas farmácias também não exigem experiência

Além das oportunidades na logística, a empresa oferece 1.502 vagas para atendente de farmácia, cargo que exige apenas ensino médio completo e idade mínima de 18 anos, sem necessidade de experiência prévia.

As capitais com maior número de oportunidades incluem: São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia.

Também estão abertas 300 vagas para farmacêuticos, sendo metade destinada ao estado de São Paulo e o restante distribuído pelos demais estados do país. Para essa função é necessário ensino superior em Farmácia e registro ativo no Conselho Regional de Farmácia (CRF).

Modelo de carreira prioriza promoção interna

Segundo Daniel Moraes, diretor de Gente e Cultura da RD Saúde, a empresa busca profissionais interessados em construir carreira em um ambiente de crescimento contínuo.

Além da remuneração, os colaboradores contam com um pacote de benefícios que inclui: Programa de participação nos resultados, vale transporte ou  fretado, vale refeição e/ou alimentação, assistência médica, odontológica e telemedicina, benefício farmácia e vacinação, auxílio academia, licença maternidade de 180 dias e paternidade de 20 dias, universidade corporativa com cursos para colaboradores e familiares, consultoria de planejamento financeiro e day off de aniversário.

Como se candidatar

Os interessados podem se candidatar diretamente pelo site oficial da empresa:
https://rdsaude.com.br/trabalhe-conosco/vagas

Também é possível enviar candidatura pelo WhatsApp (11) 97209-9086.

Candidatos da capital paulista podem comparecer presencialmente ao setor de Recursos Humanos da empresa, localizado na Rua Frei Caneca, 231, de segunda a sexta-feira, às 9h.

Compromisso com diversidade

Todas as vagas são afirmativas, voltadas para mulheres, pessoas negras, pessoas com deficiência, profissionais 50+ e pessoas LGBTQIAPN+, reforçando o compromisso da companhia com diversidade e inclusão no ambiente corporativo.

Sobre a RD Saúde

A RD Saúde nasceu em 2011 a partir da fusão entre Droga Raia e Drogasil, redes com mais de um século de atuação no varejo farmacêutico brasileiro. Hoje, o grupo conta com mais de 70 mil colaboradores e presença em todos os estados do país.

Em 2024, a companhia adotou a nova marca corporativa RD Saúde, reforçando sua estratégia de se posicionar como ecossistema de saúde, com ampliação de serviços e integração entre canais físicos e digitais.

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Emplacamentos de caminhões caem 27% no bimestre e setor espera entregas do Move Brasil

O mercado brasileiro de caminhões iniciou 2026 em ritmo mais fraco e vale lembrar que os efeitos do programa de renovação de frota Move Brasil ainda não aparecem de forma consistente nos dados de licenciamentos. Segundo Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz, as vendas por esse programa devem começar a aparecer a partir de abril, pois os cavalos mecânicos levam dois meses e os rígidos até quatro meses para os emplacamentos.

No acumulado de janeiro e fevereiro, foram emplacadas 12.984 unidades, contra 17.847 no mesmo período de 2025 — retração de 27,25%, segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Em fevereiro, o setor registrou 6.611 caminhões licenciados, crescimento de 3,73% em relação a janeiro, quando foram registrados 6.373 veículos. A leve recuperação mensal, porém, não foi suficiente para alterar o cenário de retração. Na comparação com fevereiro do ano passado, quando o mercado emplacou 8.716 unidades, a queda chega a 24,15%.

Os números indicam que, apesar da expectativa em torno do programa federal de renovação de frota, o mercado segue em compasso de espera, ainda pressionado pelo alto custo do crédito e pela cautela nos investimentos em transporte.

Frota News
Edição 54

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Participação menor no mercado automotivo

Outro indicador que reforça a desaceleração do setor é a perda de participação dos caminhões no mercado total de veículos. O segmento representava 2,54% dos licenciamentos acumulados em 2025 e caiu para 1,75% em 2026, refletindo o ritmo mais lento de renovação e expansão das frotas.

Segundo o presidente da Fenabrave, Arcelio Alceu dos Santos Junior, o desempenho acompanha a sensibilidade histórica do transporte rodoviário às condições macroeconômicas.

Disputa acirrada entre montadoras

Mesmo com o mercado em retração, a disputa entre as montadoras permanece equilibrada no acumulado do ano.

A liderança no primeiro bimestre é da Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 3.534 unidades licenciadas e 27,22% de participação. Na sequência aparece a Mercedes-Benz, com 3.481 caminhões (26,81%).

O terceiro lugar é ocupado pela Volvo, com 2.307 unidades e 17,77% de market share.

Na sequência do ranking aparecem:
  • Scania: 1.227 unidades (9,45%)
  • Iveco: 1.222 unidades (9,41%)
  • DAF: 950 unidades (7,32%)
  • Foton: 181 unidades (1,39%)
  • JAC Motors: 32 unidades (0,25%)
  • Agrale: 24 unidades (0,18%)
  • Sany: 3 unidades (0,02%)
  • Hyundai: 2 unidades (0,02%)

Vendas crescem nas concessionárias

Apesar da retração nos emplacamentos, algumas montadoras relatam aumento nas vendas vinculadas ao programa Move Brasil. Segundo o BNDES, já são cerca de 6 mil caminhões (a maioria zero km e uma quantidade menor de seminovos) financiados. Grande parte desse volume deve ser entregue aos clientes nos próximos meses.

De acordo com Jefferson Ferrarez, a Mercedes-Benz já comercializou cerca de 400 caminhões dentro da iniciativa. Outras fabricantes também começaram a divulgar números preliminares de adesão ao programa. A Iveco informou cerca de 300 operações fechadas, a Scania aproximadamente 280 contratos e a DAF cerca de 117 financiamentos nessa fase inicial.

Efeito do programa deve aparecer a partir de abril

O programa Move Brasil prevê a liberação de até R$ 10 bilhões em crédito para renovação de frota, dos quais cerca de R$ 4,2 bilhões já foram contratados até agora. Desse total, R$ 48 milhões foram para seminovos Euro 5.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem articulado com instituições financeiras a criação de um fundo garantidor para ampliar o alcance do programa, em parceria com a Petrobras e o Ministério dos Transportes. A iniciativa busca facilitar o acesso ao financiamento principalmente para pequenos e médios transportadores.

Crédito continua sendo o principal entrave

Mesmo com os estímulos, o custo do financiamento segue como principal obstáculo para a retomada do mercado.

Segundo Ferrarez, taxas entre 11% e 12% ainda são consideradas elevadas para operações de longo prazo no transporte. Em um caminhão que pode custar cerca de R$ 700 mil, cada ponto percentual de redução nos juros pode representar impacto superior a R$ 140 mil no custo total do veículo ao longo do ciclo operacional.

Nesse contexto, grande parte das vendas atuais está ligada à compras adiadas de 2025 e antecipação de compras neste ano. Dessa forma, caminhões seminovos estão sendo substituídos por novos, e modelos anteriores ao Euro 5 (iniciado em 2012) por seminovos entre 2012 e 2022.

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Entre fatos e exageros: análise do vídeo viral que explica o negócio da Localiza

O negócio das locadoras de veículos no Brasil evoluiu muito além da simples locação de automóveis ou comerciais leves. Hoje, empresas do setor operam um ecossistema complexo que envolve compra em grande escala, gestão intensiva de ativos, serviços acessórios e revenda estruturada de seminovos.

Nesse contexto, vídeos que circulam nas redes sociais sobre a estratégia da Localiza têm chamado atenção ao descrever a companhia como uma “máquina de fazer dinheiro”. No entanto, uma análise feita pela Frota News mostra que esses conteúdos misturam informações corretas, projeções plausíveis e também afirmações que não aparecem em documentos públicos da empresa.

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Para gestores de frota e profissionais da logística — público central da Frota News — separar o que é fato do que é narrativa é essencial para entender como funciona o modelo econômico das locadoras.

Ecossistema de rentabilidade

O modelo de negócios das grandes locadoras baseia-se em três pilares principais: compra de veículos em grandes volumes, utilização intensiva da frota durante o período de locação e revenda estruturada como seminovos.

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A Localiza mantém uma rede própria de comercialização de usados por meio da divisão Localiza Seminovos, que possui mais de 200 lojas físicas espalhadas pelo país, além de canais digitais.

Relatórios de casas de análise frequentemente descrevem essa estratégia como uma espécie de reciclagem acelerada da frota, na qual o giro e a utilização do veículo são determinantes para o retorno sobre o capital.

Impacto real do IPI no balanço

Um dos pontos citados no vídeo analisado refere-se ao impacto da redução do IPI sobre veículos novos. Nesse caso, a informação tem base factual.

A Localiza informou ao mercado que a redução do imposto pode gerar um impacto contábil extraordinário entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão no resultado do terceiro trimestre de 2025, antes de impostos.

Esse efeito ocorre porque a queda no preço dos veículos novos pressiona o valor de revenda dos usados. Para empresas com grandes frotas, como as locadoras, isso pode levar à necessidade de ajuste contábil no valor dos ativos.

Na prática, quando o carro novo fica mais barato, o seminovo também perde valor — e esse movimento se reflete diretamente no balanço das companhias que operam grandes volumes de veículos.

ROIC e eficiência financeira

Outro ponto citado no conteúdo viral refere-se à rentabilidade da empresa.

Dados de relatórios de resultados indicam que o retorno sobre o capital investido (ROIC) da Localiza ficou na faixa de 14% a 15%, com um spread de cerca de 5 pontos percentuais sobre o custo da dívida.

Esse indicador mostra que a empresa consegue gerar retorno acima do custo de financiamento da frota, o que sustenta a lógica financeira do modelo de negócios.

Para empresas intensivas em ativos — como locadoras ou transportadoras — a diferença entre retorno operacional e custo de capital é um dos principais indicadores de sustentabilidade do negócio.

O que é plausível, mas não comprovado

Apesar de algumas informações corretas, o vídeo também apresenta números que não aparecem em documentos públicos ou relatórios acessíveis.

Entre eles estão afirmações como:

  • compra de quase 300 mil veículos em 2024;
  • um em cada três contratos realizados de forma autônoma;
  • redução de 45% no gap de renovação da frota no 3T25.

Todos esses dados são plausíveis dentro da escala operacional da empresa — que possui uma frota superior a 600 mil veículos —, mas não aparecem explicitamente em releases ou relatórios financeiros públicos.

Do ponto de vista jornalístico, portanto, esses números devem ser tratados como estimativas ou interpretações, e não como fatos confirmados.

Linguagem de marketing

Outro elemento presente no vídeo é o uso de expressões fortes para descrever a empresa, como:

  • “máquina de fazer dinheiro mais eficiente do Brasil”;
  • “plataforma de arbitragem de ativos em escala industrial”;
  • “fábrica de ativos”.

Essas frases ajudam a explicar o modelo econômico das locadoras para o público geral, mas não representam classificações formais utilizadas pela empresa ou pelo mercado financeiro.

Especialistas costumam destacar que, no setor de locação, a eficiência está ligada principalmente a três fatores: escala de compra, utilização da frota e velocidade de giro na revenda.

O que o gestor de frota deve observar

Para empresas de transporte e logística, o modelo das locadoras traz lições importantes sobre gestão de ativos.

Entre elas estão:

  • uso intensivo do veículo para maximizar receita;
  • controle rigoroso do momento de renovação da frota;
  • gestão do valor residual do ativo;
  • integração entre operação e revenda.

Nesse sentido, o caso da Localiza ilustra como a gestão financeira de ativos pode ser tão relevante quanto a operação em si.

Conclusão

A análise mostra que o vídeo viral parte de premissas reais sobre o modelo de negócios das locadoras, mas combina esses fatos com números não confirmados e linguagem de forte apelo retórico em busca de cliques e rentabilização do vídeo pelas plataformas de redes sociais.

Para o leitor especializado, a interpretação mais equilibrada é reconhecer que o setor opera com forte eficiência financeira e escala, mas que algumas afirmações que circulam nas redes devem ser tratadas como narrativa ou estimativa, e não como dados oficiais.

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Volkswagen apresenta e-Volksbus no México e inicia testes do ônibus elétrico em Salvador

A estratégia da Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) para ampliar sua presença na eletromobilidade urbana ganhou dois novos capítulos nesta semana: a apresentação do e-Volksbus no mercado mexicano e o início de testes operacionais do modelo na cidade de Salvador.

O modelo foi apresentado durante a Expo Foro Movilidad, um dos principais eventos do setor de transporte de passageiros do país, realizado na Cidade do México. Já no Brasil, o ônibus elétrico inicia um ciclo de testes em condições reais de operação na capital baiana.

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Mercado mexicano para ônibus elétricos

O México está se destacando na América Latina pela rápida expansão da eletromobilidade no transporte coletivo, com 849 ônibus elétricos em operação, atrás apenas de Santiago (com mais de 2.600 ônibus) e São Paulo, com 1.095 unidades – todos esses dados atualizados até fevereiro de 2026) pelo E-Radar Bus, plataforma online que mapeia e monitora as frotas de ônibus elétricos em operação no transporte público de cidades da América Latina, promovendo transparência de dados e estimando emissões de CO₂ evitadas.

e-volksbus
Fonte: E-Radar Bus

A liderança do mercado mexicano é dominada por fabricantes chineses, especialmente a Yutong, que possui 557 veículos em circulação, seguida por outras marcas como BYD, King Long , Sunwin e Ankai. Além das marcas asiáticas, o país também conta com a presença de fabricantes europeus e nacionais, como a espanhola Irizar e a mexicana Dina.

A idade média da frota de ônibus urbanos de transporte público no México gira em torno de 15 a 20 anos, bem acima do patamar de 10 anos considerado adequado para eficiência e segurança, exigindo uma renovação de frota que abre mercado para uma transição energética.

Solução integrada para eletromobilidade

Outro ponto central da estratégia é a oferta de soluções completas, e não apenas do chassi elétrico. A montadora enfatiza que o e-Volksbus chega ao mercado acompanhado de consultoria técnica, suporte operacional e serviços voltados à implantação de frotas elétricas, o que já é padrão entre quase todos os fabricantes, como Marcopolo (com o Attivi Integral) e Mercedes-Benz (eO500U).

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Salvador inicia testes operacionais

No Brasil, o e-Volksbus iniciou testes operacionais em Salvador, onde o veículo circulará por cerca de um mês em rotas selecionadas da cidade. O objetivo é avaliar desempenho, autonomia e adaptação às condições reais de operação. A idade média da frota de Salvador a diesel está em torno de 10 anos.

Segundo Jorge Carrer, diretor de Ônibus da montadora, os testes são fundamentais para a consolidação da tecnologia.

Avanço da eletrificação no transporte urbano

Entre os segmentos do transporte pesado, o de ônibus urbanos é hoje considerado o mais promissor para a eletrificação no Brasil. Nesse cenário, a VWCO passa a atuar de forma mais efetiva, ampliando sua presença após o desenvolvimento de caminhões elétricos produzidos no país.

A empresa passa a disputar espaço com fabricantes como Marcopolo, que lançou o modelo elétrico Attivi, além de soluções desenvolvidas por empresas como Eletra. O mercado também conta com o modelo elétrico da Mercedes-Benz, cujo conjunto de baterias é produzido em Piracicaba pela BorgWarner.

Outros fabricantes ainda depende de componentes importados, especialmente dos sistemas elétricos e de baterias, o que mantém desafios logísticos e de custo para a expansão da eletromobilidade no país.

Primeiras entregas do e-Volksbus

O primeiro lote comercial do e-Volksbus soma 100 unidades. As primeiras entregas foram destinadas à operadora Transpass, que adquiriu 50 veículos para operação em São Paulo.

Outras unidades começam a ser distribuídas a operadores a partir de 2026. Em Resende, onde está localizada a principal fábrica da montadora, a prefeitura receberá um exemplar que será operado pela Viação Princesinha do Vale.

A divulgação foi feita pelo presidente e CEO da empresa, Roberto Cortes, durante encontro com jornalistas especializados do setor de transporte. Na ocasião, o executivo também anunciou que a montadora atingiu a marca de 1,25 milhão de veículos produzidos, tendo como símbolo desse marco justamente um chassi e-Volksbus 22L saindo da linha de montagem.

“Esse é um grande marco na nossa indústria e evidencia o compromisso da Volkswagen Caminhões e Ônibus com o país e com nossa política ESG”, afirmou Cortes.

Características técnicas

Projetado para o transporte urbano, o e-Volksbus 22L possui capacidade total de 22 toneladas e autonomia de até 250 quilômetros, com estratégia de recarga noturna para maximizar a disponibilidade da frota.

O modelo utiliza 12 packs de baterias — mesma configuração aplicada nos caminhões elétricos e-Delivery — já testada em operações severas. O sistema de frenagem regenerativa contribui para ampliar a autonomia e reduzir o desgaste dos freios, enquanto o modo Eco-Drive ajusta automaticamente o consumo de energia conforme as condições de uso.

O chassi pode receber carrocerias urbanas de até 13,2 metros e transportar até 82 passageiros. Entre os recursos voltados à acessibilidade estão piso baixo, sistema de ajoelhamento e suspensão pneumática integral, que facilitam o embarque e melhoram o conforto durante a viagem.

Outro diferencial é o sistema de proteção contra inundação, projetado para aumentar a segurança operacional em condições de chuva intensa, realidade comum em diversas cidades brasileiras.

Com esse conjunto de iniciativas — testes em capitais brasileiras, lançamento internacional e oferta de serviços integrados — a VWCO busca consolidar o e-Volksbus como um dos pilares de sua estratégia de eletrificação no transporte coletivo da América Latina.

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Iveco Daily 35-160 vs VW Delivery Express: os dois chassis cabine mais vendidos

O segmento brasileiro de chassi cabine até 3,5 toneladas de PBT vive uma fase de forte crescimento, impulsionado por fatores como a legislação que autoriza a condução desses veículos com CNH categoria B, rodado simples no eixo traseiro, cobrança de pedágio equivalente à de automóveis e livre circulação em áreas com restrições para caminhões. Esse cenário favorece principalmente a logística urbana, o comércio eletrônico e serviços variados nas cidades, tornando tanto os chassis cabine quanto os furgões os preferidos para operações metropolitanas. 

Dentro desse nicho, dois modelos se destacam por oferecerem propostas semelhantes, mas com características próprias: o Iveco Daily 35-160 e o Volkswagen Delivery Express. Ambos podem ser conduzidos por motoristas habilitados na categoria B e prometem unir a robustez de um caminhão à dirigibilidade de um automóvel.  

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Mas, afinal, o que diferencia esses rivais urbanos? 

A Iveco oferece três modelos na categoria de 3.500 kg de PBT: Daily 30-160 para operações mais leves e foco no empreendedor individual, 35-160 para frotas e uso mais intenso e 35-180 Hi-Matic, com transmissão automática de 8 velocidades. O Daily 35-160 é o concorrente direto do VW Delivery Express pela proximidade de potência, caixa manual e demais características técnicas.  

Assim como o Iveco Daily, o VW Delivery Express ganhou aprimoramentos em decorrência da entrada em vigor da legislação Proconve L7/P8, equivalente ao Euro 6. No caso do modelo da Volkswagen houve a mudança do fornecedor do motor, o que será detalhado no próximo tópico desta análise técnica.  

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Motorização e desempenho 

No coração, ambos contam com o mesmo motor F1C fabricado pela FPT Industrial — empresa do Iveco Group —, mas com calibrações distintas. Este motor tem 4 cilindros, 3 litros e com sistema de tratamento dos gases EGR com SCR duplo. Ele foi projetado aplicações urbanas em veículos com PBT de até 8,55 toneladas. Segundo a FPT Industrial, os motores da família F1 têm vida útil estimada em até 400 mil quilômetros e se diferenciam pela corrente de distribuição duplex, que dispensa manutenção e garante operação mais silenciosa e econômica em comparação ao sistema por engrenagens. 

Outro ponto de destaque é a manutenção: os motores oferecem intervalos de troca de óleo de até 50 mil quilômetros, porém, este intervalo varia entre as montadoras de caminhões. A VW Caminhões determina a troca de óleo para o Express a cada 20 mil km em uso normal e 10 mil km em operações severas. Para exemplificar a diferença entre operação normal e severa, vamos entender que rodar em Brasília é uma operação normal, já nos aclives e declives de Belo Horizonte ou nos engarrafamentos de São Paulo, temos uma operação severa. Também são operações severas o uso em percursos curtos e anda-e-para. Já a Iveco determina a troca de óleo a cada 30 mil km ou 1.200 horas de funcionamento.  

Agora, as diferenças dos números do mesmo motor, mas após aplicado em marcas diferentes: 

O Iveco Daily 35-160 entrega 160 cv a 3.500 rpm e 380 Nm de torque entre 1.600 e 2.900 rpm, privilegiando força em rotações mais baixas, ideal para operações urbanas com constantes arranca-e-para. 

O VW Delivery Express oferece 156 cv a 3.300 rpm e 360 Nm) de torque entre 1.300 e 2.900 rpm, distribuindo a força de forma mais ampla na faixa de giros. Este motor substituiu o Cummins ISF 2.8 de 150 cv e o mesmo torque do atual. 

A caixa de marchas do Iveco Daily 35-160 é a ZF 6S 480 VO, com maior capacidade de torque (480 Nm) e com as seguintes relações: 1ª 5,070; 2ª 2,614; 3ª 1,534; 4ª 1,000; 5ª 0,770; e 6ª 0,657. Vale observar que esta caixa tem relação direta já na 4ª marcha e overdrive na quinta e sexta, o que se traduz no funcionamento do motor em rotações menores e, consequentemente, em menor consumo de diesel.  

O Delivery Express conta com caixa da Eaton, a Eaton ESO-4106A, com torque de entrada igual ao do motor, de 360 Nm. A ficha técnica da Volkswagen informa as relações da primeira (4,80:1, mais curta e melhor para arrancadas em aclives) e da 6ª marcha (0,65:1), também overdrive.   

Capacidade de carga 

O PBT de 3.500 kg que separa os comerciais leves de carga, chamados de caminhonete pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), dos caminhões, definidos como veículos de carga com PBT a partir de 3.501 kg. Por isso, que esses modelos seguem as mesmas regras do CTB aplicadas aos automóveis, como a CNH categoria B. Vale lembrar que se o veículo é utilizado para prestação de serviços a terceiros, como é o caso das transportadoras, o condutor precisa ter a CNH B com EAR (Exerce Atividade Remunerada).  

 Aqui está um dos pontos centrais de comparação: 

  • O Daily 35-160 tem PBT de 3.500 kg, com capacidade técnica de carga útil que pode superar 1.400 kg, dependendo da configuração de chassi. 
  • O Delivery Express também possui PBT homologado de 3.500 kg, mas sua capacidade útil varia entre 1.207 e 1.335 kg. 

Em termos de capacidade de carga, o Iveco leva um pouco de vantagem no PBT por ser também um pouco mais leve — entre 2.056 kg e 2.070 kg de peso em ordem de marcha —, enquanto o Volkswagen pesa entre 2.165 kg e 2.293 kg. Agora, se a necessidade for rebocar outro implemento ou equipamentos, algo raro nesta categoria de veículos, a vantagem do Daily cresce, pois ele tem a capacidade máxima de tração de 6.500 kg, enquanto o Delivery, de 5.000 kg.  

Dimensões e versatilidade 

Os dois modelos apostam em dimensões compactas para viabilizar operações urbanas: 

O Delivery Express mede entre 5.455 mm e 6.255 mm de comprimento, com entre-eixos de 3.000 mm ou 3.600 mm, altura de 2.376 mm e plataforma de carga a 742 mm do solo, uma das mais baixas da categoria — o que facilita carga e descarga. 

O Daily 35-160 tem comprimento de 5.894 mm (para o entre-eixos de 3.520 mm) e comprimento de 6.552 mm (entre-eixos de 3.750 mm), largura de 2.010 mm e altura da plataforma de carga (795 mm) ligeiramente superior à do concorrente. 

Cabine e itens de conforto 

A linha Daily conta com uma cabine semiavançada, com opções de simples e dupla para os modelos acima de 3.500 kg de PBT, portanto, no caso da 35-160, somente a simples. Internamente, ela realmente tem uma posição similar à de uma picape 

O Iveco Daily 35-160 oferece, de série, itens como piloto automático, painel de instrumentos com tela colorida entre o velocímetro e o conta-giros para o computador de bordo, novos bancos com ajustes para o motorista, assentos Supreme Comfort com tecnologia Hi-Adaptive (espuma de memória no assento), encosto e apoio de cabeça, uma exclusividade na categoria, porta-objetos e um compartimento adicional de 80 litros sob o banco do passageiro. Opcionalmente, pode ser equipada com ar-condicionado, multimídia com tela sensível ao toque de 7″ e volante multifuncional.

Apesar de ser uma camionete, o VW Delivery Express conta com a mesma cabine de toda a linha Delivery, que chega até ao caminhão médio Delivery 13.180. Desde o lançamento, ela se destacou pela modernidade e itens de equipamentos que passaram a ser referência no segmento. Opcionamente, o modelo pode ser equipado com o pacote Novo Pacote Highline que traz painel de instrumentos 100% digital com tela de 10 polegadas, mais central multimídia de 7 polegadas.

Comparativo Técnico – Iveco Daily 35-160 x VW Delivery Express 

Item  Iveco Daily 35-160  VW Delivery Express 4×2 
Motor  F1C 3.0 turbodiesel  F1C 3.0 turbodiesel 
Potência  160 cv @ 3.500 rpm  156 cv @ 3.300 rpm 
Torque  38,7 kgfm (380 Nm) @ 1.500 rpm  36,7 kgfm (360 Nm) @ 1.300–2.900 rpm 
Transmissão  Manual 6 marchas (ZF)  Manual 6 marchas ESO 4106A (acionamento por cabos) 
Tração  4×2 traseira  4×2 traseira 
PBT (homologado)  3.500 kg  3.500 kg 
Capacidade técnica de carga útil  Até 1.700 kg (dependendo da versão)  1.207 a 1.335 kg (dependendo do entre-eixos) 
Entre-eixos  Variável (a partir de 3.000 mm)  3.000 mm ou 3.600 mm 
Comprimento total  A partir de 6.000 mm  5.455 mm ou 6.255 mm 
Altura da plataforma de carga  Superior a 800 mm (varia conforme configuração)  742 mm 
Altura total  ~2.300 mm  2.376 mm 
Velocidade máxima  ~140 km/h (estimado)  147 km/h 
Capacidade de rampa (com PBT)  Boa performance urbana  60% 
Suspensão dianteira  Convencional  Independente com molas helicoidais 
Suspensão traseira  Eixo rígido com feixes de mola  Eixo rígido com molas parabólicas de duplo estágio 
Freios  A disco com ABS + EBD  A disco nas 4 rodas com ABS, EBD, ATC, HSA e ESC 
Conforto  Bancos ajustáveis, ar-condicionado, direção hidráulica  Ergonomia aprimorada, direção precisa, cabine moderna 
Perfil ideal de uso  Maior capacidade de carga, flexibilidade de implementações (baús maiores, frigoríficos, cargas pesadas)  Agilidade urbana, operações de e-commerce, supermercados e entregas rápidas 

Preços e desempenho de mercado 

Segundo a Volkswagen Caminhões e Ônibus, o VW Delivery Express já acumula 19.457 unidades desde o lançamento em 2017. Já a Iveco divulga números por versões, mas informa que a linha Daily já alcançou 60 mil unidades acumuladas no Brasil desde o lançamento, em 2000.  

Para termos uma ideia do desempenho de cada marca no segmento de até 3.500 kg, recorremos aos relatórios de emplacamentos da Anfavea. Abaixo, o desempenho de cada marca nos últimos cinco anos: 

Ano  Iveco Daily (todas as versões e configurações) VW Express 
2025 5.485
2.391 
2024  3.938  1.931 
2023  2.341  1.898 
2022  3.562  2.127 
2021  3.567  3.545 

Obs.: A Iveco não divulgas números de vendas e a Anfavea divulga o número total do modelo, somando vans de passageiros, furgões e chassi-cabine.

Para avaliar os valores e garantir uma equidade de parâmetros para a comparação, vamos usar a pesquisa da Tabela Fipe: 

Ano  Iveco Daily 35-160  VW Delivery Express 
2026 (0 Km)  R$ 321.915 R$ 337.067
2025   R$ 278.800 R$ 296.480
2024   R$ 258.391 R$ 281.492
2023   R$ 240.120 R$ 271.045

Obs.: A Iveco não divulgas números de vendas e a Anfavea divulga o número total do modelo, somando vans de passageiros, furgões e chassi-cabine.

]Na virada do Euro 5 para o Euro 6, o Iveco Daily alterou o nome de 35-150 para 35-160 devido ao novo motor. O VW Delivery Express também recebeu motor novo, mas manteve o nome. 

Pela pesquisa da Fipe, em cinco anos, o Iveco Daily 35-160 desvalorizou 33%, enquanto o VW Delivery Express desvalorizou 30%. 

Conclusão 

Na disputa entre Iveco Daily 35-160 e Volkswagen Delivery Express, a decisão final pode ir além dos números da ficha técnica. Se as diferenças de capacidade, desempenho ou conforto não forem determinantes para a operação, o fator decisivo passa a ser a rede de concessionárias e a qualidade do pós-venda. Nesse cenário, visitar pessoalmente a oficina, conhecer a equipe técnica e avaliar a estrutura de atendimento pode fazer mais diferença do que fechar negócio com o vendedor mais simpático. Afinal, a relação com o pós-venda será a mais longa — e é nela que está o verdadeiro termômetro da satisfação no dia a dia da frota. 

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Leitura em voz alta melhora memória, interpretação e comunicação no ambiente corporativo

O Projeto Leitura em Voz Alta é uma iniciativa da Frota News, desenvolvida dentro do Frota Educação, e teve início durante o Seminário Educação para Logística, realizado em 14 de outubro de 2025, com patrocínio oficial do Senac. A iniciativa é coordenada por Talita Miranda e Bruna de Melo e nasce com um objetivo claro: estimular a prática da leitura em voz alta dentro das empresas como ferramenta de desenvolvimento da comunicação, da oratória e da consciência na interpretação de textos no ambiente corporativo.

Em um cenário cada vez mais orientado pela comunicação clara e pela capacidade de argumentação, práticas tradicionalmente ligadas à educação começam a ganhar espaço também no desenvolvimento profissional. A leitura em voz alta, nesse contexto, surge como uma ferramenta capaz de aprimorar a fluência verbal, fortalecer a compreensão textual e ampliar a segurança na comunicação.

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O que diz a ciência sobre a leitura em voz alta

Um dos fenômenos mais estudados na psicologia cognitiva é o chamado “efeito de produção” (production effect), que demonstra que informações lidas em voz alta são mais facilmente lembradas do que aquelas lidas silenciosamente.

Estudo publicado na revista científica Memory e indexado na National Library of Medicine (PubMed) aponta que a vocalização das palavras cria uma experiência sensorial mais rica, fortalecendo o processo de memorização e compreensão.

Segundo pesquisadores, quando uma pessoa lê em voz alta, ela passa a ver, falar e ouvir simultaneamente o conteúdo, criando múltiplos estímulos que reforçam o registro da informação na memória.

Outro estudo da University of Waterloo, no Canadá, confirma que a leitura em voz alta melhora significativamente a retenção de conteúdo quando comparada à leitura silenciosa.

Benefícios para a comunicação profissional

A prática da leitura em voz alta pode contribuir diretamente para o desenvolvimento de habilidades valorizadas no ambiente corporativo, como:

  • melhoria da dicção e da pronúncia
  • desenvolvimento da fluência verbal
  • ampliação do vocabulário
  • maior segurança ao falar em público
  • fortalecimento da interpretação e da organização de ideias

Especialistas em educação apontam ainda que a leitura vocalizada exige maior atenção ao texto, estimulando uma compreensão mais profunda do conteúdo e facilitando a transmissão clara das mensagens.

Em um ambiente corporativo em que reuniões, apresentações e negociações fazem parte da rotina, essa habilidade se torna um diferencial competitivo.

Da educação para o ambiente corporativo

Embora amplamente utilizada em processos de alfabetização, a leitura em voz alta começa a ganhar espaço também em programas de treinamento e desenvolvimento dentro das empresas.

A proposta é transformar a leitura em um exercício de comunicação, permitindo que profissionais desenvolvam maior domínio da linguagem, clareza na exposição de ideias e segurança ao se expressar.

Nesse contexto, o Projeto Leitura em Voz Alta, coordenado por Talita Miranda e Bruna de Melo, busca estimular a prática estruturada da leitura dentro das organizações, conectando educação, qualificação profissional e desenvolvimento humano.

A iniciativa também conta com uma seção dedicada na Frota News, ampliando o debate sobre educação, comunicação e formação profissional no setor de transporte e logística.

Comunicação como competência estratégica

Em um ambiente corporativo em que a comunicação se tornou uma das competências mais valorizadas, a leitura em voz alta surge como uma ferramenta simples, porém poderosa.

Mais do que pronunciar palavras, a prática envolve interpretação, ritmo, intenção e clareza na transmissão das ideias.

E, no mundo profissional, quem domina essas habilidades não apenas comunica melhor — lidera melhor, influencia mais e constrói conexões mais sólidas dentro das organizações.

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