segunda-feira, abril 6, 2026

Carga refrigerada: as reviravaldas da Forno de Minas para reconquistar a credibilidade

Durantes anos, cresci convivendo com profissionais que faziam transportes de produtos refrigerados e congelados para a Forno de Minas, e, para outras empresas, como a extinta Chapecó, depois adquirida pela Aurora. Este artigo foi inspierado em um comunicado enviado pela Thermo King sobre o polêmico transporte de produtos refriados e congelados. E, sempre que chegam algums releases sobre o tema à redação da Frota News, muitas lembranças de histórias voltam a minha mente. Fui testemunha ouvinte do desprezo de gestores de logísticas da multinacional General Mills, gigante norte-americana da área de alimentos, pela (falta de) qualidade no transporte de produtos delicados. O transporte e manuseio incorretos estão em as principais causas de transmissão de doenças.  

A minha memória vem pela ocasição de quando a General Mills, que adquiriu a Forna de Minas – veja linha do termpo. Este case não posso deixar só na minha memória como jornalista mineiro especializado em transporte e educador. Vejo também muitas descargas irregulares em supermercados, açougues e padarias, e devido a pouco fiscalização por parte da Vigilância Sanitária. 

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Orgulho de Minas Gerais 

A Forno de Minas foi fundada por Maria Dalva Couto Mendonça, conhecida como Dona Dalva, junto com seus filhos Hélida e Helder. A história começou quando Dona Dalva, viúva e com quatro filhos para criar, decidiu vender sua receita caseira de pão de queijo em Belo Horizonte. Com o apoio dos filhos, a empresa cresceu rapidamente e se tornou uma das maiores marcas de pão de queijo do Brasil, a Forno de Minas. 

A General Mills, depois de um péssimo histórico de gestão que fez a marca desvalorizar, vendeu a Forno de Minas de volta aos proprietários fundadores em 2018. A empresa tinha um nível de “turnover” altissímo na diretoria, principalmente, na área de logística. E vendeu por menos de um terço do valor da compra. A decisão “alegada” foi tomada como parte de uma estratégia da General Mills para focar em suas principais marcas globais e otimizar seu portfólio.

Então, por que comprou a Forno de Minas? Para destruir a marca: A venda permitiu que a Forno de Minas voltasse ao controle da família fundadora, que tinha um profundo conhecimento do mercado brasileiro e da marca, possibilitando um crescimento mais alinhado com as necessidades e expectativas locais. A General Mills conseguiu também desvalorizar a marca de sorvete Häagen-Dazs, que chegou a ter lojas points na região nobre dos Jardins, em São Paulo, porém fechadas por problemas de gestão também. 

Trajetória da Forno de Minas 

Forno de Minas
Linha do Tempo – fonte: Forno de Minas

 A logística de transporte refrigerado é um fator crítico para a indústria de alimentos, farmacêutica e outros setores que dependem de um controle rigoroso da temperatura. Para garantir a qualidade dos produtos, a escolha do equipamento adequado deve levar em consideração critérios como eficiência energética, durabilidade, precisão no controle de temperatura, conectividade e suporte técnico especializado. Tudo isso funcionado sob gestão de um gestão sem qualificação? 

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Entrada da McCain Foods

Após 2017, a Forno de Minas passou por mudanças significativas em sua estrutura de investidores. Em 2018, a McCain Foods, uma gigante canadense no setor de alimentos congelados, adquiriu uma participação minoritária na empresa, incluindo os 29% que pertenciam ao fundo de private equity Mercatto. Em 2023, a McCain concluiu a aquisição total da Forno de Minas, comprando as ações restantes da família Mendonça. Essa transação consolidou a McCain como a única proprietária da empresa, permitindo uma expansão global e o fortalecimento da marca no mercado brasileiro.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o setor movimenta cerca de R$ 1 trilhão por ano, com uma grande parcela desse montante dependente de um transporte refrigerado eficiente e seguro. Já na indústria farmacêutica, segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), cerca de 25% dos medicamentos exigem logística refrigerada para manter sua eficácia.

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Confiabilidade operacional

Depois de experiências negativas, “muitos setores buscam escolher equipamentos de transporte refrigerado que priorizam não apenas o controle adequado da temperatura, mas também a confiabilidade operacional. Por isso, a Thermo King, trabalha com diferentes soluções que oferecem sistemas eficientes e confiáveis, que reduzem os custos operacionais e contribuem para a melhoria na rentabilidade das operações”, Vinilton Souza, líder de Serviços e do Centro de Treinamento na América Latina da Thermo King, empresa pioneira no desenvolvimento de soluções no controle de temperatura para transportes, incluindo unidades de refrigeração para logística de perecíveis. 

eficiência energética tem sido um dos pontos-chave para empresas que buscam otimizar custos e reduzir impactos ambientais. Tecnologias avançadas, como motores de baixo consumo e sistemas inteligentes de controle térmico, permitem um funcionamento mais sustentável sem comprometer o desempenho. Além disso, a conectividade se tornou um diferencial importante, permitindo monitoramento remoto da temperatura e alertas em tempo real para garantir que a carga permaneça dentro dos parâmetros exigidos. Outro fator essencial é o suporte técnico. “O transporte refrigerado não pode parar. Por isso, contar com uma rede de assistência técnica robusta, com técnicos treinados pela fábrica e peças de reposição originais faz toda a diferença para manter a operação rodando sem imprevistos”, reforça Vinilton.

Conectividade avançada

No mundo acelerado da logística moderna, a conectividade avançada é essencial para o sucesso da cadeia fria. Com sistemas e equipamentos inteligentes de gerenciamento de frotas, empresas garantem a agilidade, a precisão e o suporte técnico especializado necessários para proteger produtos sensíveis à temperatura, otimizar a eficiência operacional e fortalecer sua reputação. 

“Esse exemplo demonstra como a tecnologia pode impactar positivamente a cadeia de suprimentos. Nossa missão é garantir que nossos clientes tenham acesso às melhores soluções para manter seus produtos seguros e dentro dos padrões ideais, independentemente das condições externas”, explica Vinilton. 

Tudo que a Thermo King sugere só funciona se o gestor de logística do embarcador for capacitado, tecnica e eticamente, para que o transporte desses tipos de alimentos tão lideracados. E estamos focado nos equipamentos de refrigeração, sem, ainda entrar na questão do tipo de suspensão pneumática, idade média do caminhão, treinamento dos motoristas, qualidades dos pneus etc. 

 

Comparativo de caminhões 8×2:  Scania P 320, VW Constellation 30.320, Volvo VM 360 Mercedes-Benz Atego 3033 

Existem vantagens e desvantagens na troca de um caminhão rígido 6×2 por 8×2. Sobre isso, vamos detalhar mais ao final deste artigo. O objetivo principal deste artigo é comparar, tecnicamente, as diferenças das quatro opções das marcas que comercializam esta configuração 8×2 de fábrica, oferecendo garantia original do quarto eixo.  Antes dela existirem, a única opção era comprar um caminhão 6×2 e contratar a instalação quarto eixo por terceiros, uma operação que aumenta as chances de problemas. 

E o DAF CF semipesado rígido 8×2? Não esquecemos dele, porém, vamos fazer, primeiramente, este comparativo com os veteranos do mercado. O DAF CF 8×2 merece uma análise a parte, após tudo que vamos explicar neste artigo e que será muito útil para uma avaliação com o modelo produzido em Ponta Grossa (PR). Será em breve! 

Vamos aos preços reais praticados no mercado conforme a Tabela Fipe, podendo variar conforme o estado devido as diferenças dos impostos regionais, frete e outros. Sabe qual a diferença entre o preço sugerido de fábrica e do da Fipe? O primeiro representa o que o fabricante deseja receber, e o segundo, é o que comprador pagou depois de um período de negociação.  

O mais barato é o Mercedes-Benz Atego 3033, seguido do VW Constellation 30.320, Volvo VM 360, e como o de maior valor na tabela, o Scania P 320. 

Modelo/Preço  MB Atego 3033  VW Constellation 30.320  Volvo VM 360  Scania P 320 
Preço Fipe  R$ 695.856  R$ 744.773  R$ 767.285   R$ 936.896 

 

Tratando-se de ferramenta de trabalho, o modelo de menor valor de aquisição e o de maior valor, nem sempre são as melhores opções, e, podem não ser a pior. A decisão deve-se levar em consideração e o que se ganha e o que se perde nas escolhas e, essa tarefa não é fácil, pois sempre haverá “prós e contras”. Por isso, é bom se a ter a todos os detalhes para conhecer quais são os mais importantes para operação. Nós, da Frota News, não vamos fazer a escolha para você, mas oferecer pontos nesse comparativo que podem ser insights para a sua decisão.   

Segundo a Scania, o P 380 8×2 se destacou no segmento de semipesados. Esse modelo saiu à frente da concorrência e se manteve firme na liderança, com 1.376 unidades vendidas, de um total de 4.977 semipesados comercializados no país em 2024. 

pesados elétricos
Além do modelo a diese, a Scania lançou rígido 8×2 com autonomia de 800 km

A Scania é bicampeã nessa categoria, com o P 320 sendo novamente consagrando como campeão de vendas entre os semipesados na tração 8×2. “Estamos muito orgulhosos de mais uma vez liderarmos o mercado de semipesados com o modelo P 320 8×2. Esta conquista reforça o nosso compromisso com a inovação e a excelência, que são pilares da marca Scania”, celebra Daniel Bandeira, Gerente de Vendas de Soluções para o Segmento Rodoviário da Scania Operações Comerciais Brasil. 

Em termos de potência, temos o Volvo VM 360 como destaque e, os outros na faixa de 320 cv. No entanto, a potência sozinha não é informação suficiente para uma boa escolha. Na ficha técnica abaixo, devemos analisar a faixa de entrega da potência e a de saída para sabermos qual é a “curva plana”. E, mais importante do que isso, é a entrega do torque mais alto e por quanto tempo na rotação, conhecida também como faixa verde, a maior econômica de funcionamento do motor. Você vai se surpreender após entender a análise de cada motor.

Motor 

Potência / rotação  MB Atego 3033  VW Constellation 30.320  Volvo VM 360  Scania P 320 
Fabricante / modelo  Motor MB OM 926 LA • BlueTec 6 • 7,2 lts. • 6 cil. em linha • PROCONVE P-8 (Euro 6)  MAN (fabricante do Traton Group, mesmo controlador da VWC), e no Brasil, montado pela MWM Motores  VOLVO D8K – 360  Scania DC09 320, 9.3 litros, 5 cilindros em linha 
Potência (cv) / rotação (rpm)  321 @ 2.200   315 @ 2.200  360 @ 2.200   

320 @ 1.900 

Torque (Nm) / rotação (rpm)  1.250 @ 1.200 – 1.600  1.200 @ 1.200 – 1.700  1.400 @ 1.100 – 1.600  1.600 @ 1.050 – 1.300 
Análise  Os dados técnicos do motor da Mercedes-Benz mostram um motor competitivo, mas não há nada que o torno superior aos concorrentes  No caso do Constellation, o motor não pode ser o critério de compra. Ele é o menos potente e com o menor torque.   O D8K substituiu o motor de 7 litros da geração anterior do Volvo VM, fabricado pela MWM. Essa mudança representou um avanço significativo em termos de potência, torque e eficiência de combustível. A pergunta que fica é como fazer um motor de 360 cv com torque inferior e alcance de rotação também inferior ao do modelo da vScania?  Pode não ser um campeão em potência. No entanto, a entrega de torque faz desde motor Scania o mais eficiente nesta categoria, o que pode explicar o sucesso de vendas do modelo.  

 

Vale lembrar que a análise dos motores não pode ser conclusiva para a entrega da força nas rodas de tração, pois dependemos de uma análise mais complexa sobre todo o trem de força, o que inclui caixa de transmissão, eixos de transmissão, rodas e pneus. No entanto, o bom resultado começa no bom motor.  

Caixa de marchas 

Aqui está o “trabalhador intermediário”. Ele tem a capacidade de melhorar ou piorar a entrega de força do motor. O “casamento” entre motor e caixa de marcha precisa ser perfeito, algo muito desafiador para as engenharias, pois envolve muita sensibilidade que vai além de engrenagens. Envolve softwares e centenas de componentes que precisam ser muito bem fabricados. 

Quem é quem na transferência da força  MB Atego 3033  VW Constellation 30.320  Volvo VM 360  Scania P 320 
Fabricante / modelo  MB G 211-12 PowerShift 3 Advanced – Automatizada, sem pedal de embreagem | Monodisco, diâmetro 430 mm  A VWCO oferece duas opções: manual 

ZF 9S 1310 TD; e automatizada: ZF / 12TX 2420 TD 

I-Shift AT2612 G – a mesma caixa automatizada do Volvo FH, portanto, superdimensionada para o VM  Scania DC09 320, 9.3 litros, 5 cilindros em linha com Scania Retarder 
Nº de marchas e relações  12 sem anéis sincronizadores | 14,93/1,00  Manual: 9 marchas, 8 à frente (sincronizadas) e 1 super reduzida, 1 à ré; reduzida 12,73; 1ª / Última 8,83:1 / 1,00:1; embreagem de 395 mm. 

Automatizada: 16,69:1 / 1,00:1; embreagem de 430 mm 

12 marchas e duas à ré. A relação da primeira é de 14,94:1, e a última de 1,00:1  12 marchas e 2 à ré. Primeira relação de marcha: 12.04:1; Última relação de marcha: 0.78:1 
Eixo de tração  MB HL4 (R390), com bloqueio transversal opcional. Relações de eixo: 3,58(43:12) / 3,91(43:11)* / 4,30(43:10)*. A primeira de série e as duas seguintes opcionais.   MS 23.165. Relações de reduções: 3,42:1 / 3,73:1  RSS1043. Relações de redução: 3,21:1 / 3,42:1 / 3,58:1 / 3,73:1 / 3,91:1  As informações não estão disponíveis no site da Scania Brasil. Encontramos a ficha técnica no site global, porém, não seria correto utilizá-las. Vamos solicitar a assessoria de imprensa da Scania Brasil, mas o correto era as informações estarem de forma clara e de fácil acesso no site brasileiro.  
Análise  O câmbio da MB atende bem, mas não supera os concorrentes, exceto, na primeira relação mais curta, o que ajuda em regiões com topográfica com mais aclives. Fica devendo a última marcha overdrive para aumentar a economia de combustível em velocidade cruzeiro  A princípio é estratégico oferecer a opção de câmbio manual além do automatizado. Afinal, vai atender clientes que não estão muito preocupados com o conforto e segurança do motorista. É indicado que o frotista sempre faça escolha pelo câmbio automatizado da ZF TraXon, a melhor transmissão que existe produzida por fabricante independente no mundo. Porém, há mais oposições de configurações, e a escolha da VWCO foi pelo modelo que tem uma primeira bastante curta, o que ajuda em terrenos íngremes, mas fica a última overdriver para economia de combustível em viagem cruzeiro.   A Volvo faz o marketing que de a transmissão do VM é a mesma do Volvo FH, portanto, mais robusta do que o VM precisa, o que se traduz em durabilidade. Porém, assim como em seus concorrentes, fica devendo a última marcha overdrive. Vale observar que a Volvo é a que mais oferece variações de relações de eixo, uma vantagem de marcas que tem a produção verticalizada.   A Scania surpreende mais uma vez, o que pode justificar o seu maior preço. É a única com overdrive. Por outro lado, a primeira marcha pode ser mais reduzida. No entanto, ela oferece opção de caixa com a primeira superreduzida e, assim, o cliente conhecendo a sua operação, conta com opções.  

 

Segurança 

Neste item, vamos escrever sobre os sistemas de freios e sobre os equipamentos auxiliares de segurança. Não vamos entrar em detalhes de itens que são obrigatórios por lei, como ABS, ou que são padrões no mercado. Vamos chamar a atenção para os diferenciais de cada marca. Por exemplo: freio a tambor é um item oferecido por força do mercado comprador que, até hoje, não compreendeu a importância do freio a disco para a segurança. Os engenheiros das marcas europeias até hoje não entendem isso e, acabam aceitando que as filiais brasileiras produzam caminhões com freio a tambor para não perder vendas. No entanto, a marca que oferece frio a disco, pelo menos, dá uma chance ao cliente para ter um caminhão mais seguro. 

Itens nas fichas técnicas  MB Atego 3033  VW Constellation 30.320  Volvo VM 360  Scania P 320 
Freio a disco  Não está disponível  Não está disponível  Não está disponível   Não encontramos informações sobre o modelo vendido no Brasil. No entanto, o site global da Scania informa que o sistema é a disco 
Freio auxiliar, também conhecido como freio motor  Convencional + Top Brake (Freio de cabeçote)  Freio motor de cabeçote + freio de exaustão com borboleta  Borboleta de 210 cv ou, opcional, VEB de 300 cv   Como já informado no quesito câmbio, o sistema auxiliar é o Scania Retarder, sem dúvida, o melhor entre todos os concorrentes. Mais uma vez podemos entender por que o Scania é o mais caro e mais vendido 
Eletrônica auxiliar  ASR (Controle de Aderência em Aceleração) • EBD (Distribuição Eletrônica de Frenagem) • ESS (Luzes Traseiras de Frenagem de Emergência) • Hill Holder (Assistência de Partida em Rampa) • Interface CAN – SAE J193  EBD + ATC (Controle de Tração) + HSA (Assistente de Partida em Rampa) + ESC (controle de estabilidade eletrônica)    EBS e controle de tração. Com certeza, há mais itens, porém, como já escrito anteriormente, o site da Scania é confuso.  

 

Neste quesito, vamos evitar fazer análise, pois falta transparência nos sites das marcas, principalmente, quais itens são de série ou opcionais. Além disso, a oferta aos clientes passa pelo “humor” do mercado e a entrega de mais ou menos itens passam pela estratégia de vendas, que muda todas as semanas. A tendência é que todos os itens sejam obrigatórios por lei, como ocorre em todo o mundo e, mais lentamente, no Brasil.  

Capacidades de peso 

O PBT homologa, também chamado de legal, é o mesmo para todos os modelos chassi rígido 8×2, pois segue a Lei da Balança. A informação mais importante na ficha abaixo é a diferença dos seguintes pesos: em ordem de marcha (peso do caminhão quando sai da linha de montagem sem o implemento, acessórios etc.), e PBT técnico. As diferenças entre esses pesos é que vamos analisar, pois elas nos informam sobre robustez e durabilidade do caminhão.    

Itens nas fichas técnicas  MB Atego 3033  VW Constellation 30.320  Volvo VM 360  Scania P 320 
PBT legal ou homologado como referencial para todos os concorrentes  29.000 kg  29.000 kg  29.000 kg  29.000 kg 
 PBT técnico 
A MB não deixa claro qual é o PBT técnico, mas é possível interpretar que é de 30.900 kg  31.200 kg  31.900 kg  Informação não disponível no site da Scania 
Peso em ordem de marcha médio, pois pode variar conforme o modelo de cabine, entre-eixos e acessórios  7.700 kg no entre-eixos de 6.300 mm.   9.265 kg na versão com entre-eixos de 6.500 mm  8.381 kg na versão com entre-eixos de 6.700 mm  9.795 kg 
Análise: a capacidade de carga útil é a subtração do peso do PBT técnico (para operações que não passam por balanças) ou PBT legal, o que é diferente da Tara. A Tara é o peso do caminhão completo, ou seja, com o implemento rodoviário, acessórios, combustível, passageiros e todos os objetos dentro da cabine. Tudo isso será pesado na balança e definirá se a polícia vai multar ou não o caminhão  O Atego tem pouca margem para sobrepeso. Tudo que for colocado sobre os eixos do caminhão que passe dos 30.900 kg vai provocar desgaste prematuro dos componentes, inclusive, pode ocorrer a anulação da garantia.   O caminhão que tem o peso em ordem de margem pode ter, no mínimo, dois significados: feito para ser devido a necessidade de maior de maior robustez para rodar em nossas estradas precárias, ou em razão da falta de utilizar aços mais modernos e mais leves, já disponíveis há alguns anos.  

 

O Volvo tem um peso intermediário, principalmente por usarmos o maior entre-eixos maior como referência.  Tem o maior peso, no entanto, a Scania sempre defendeu sua maior robustez em relação aos concorrentes, o que explica o seu maior peso. 

 

Ponderações

Com relação aos pesos, devemos fazer ponderações. Primeiramente, devemos considerar que deveríamos ter mais acesso as informações sobre os materiais utilizados por cada marca. Sabemos que os aços mais modernos, portanto, mais leves, são mais caros. O preço do aço é bastante volátil devido ao mercado internacional, principalmente no momento que passamos por taxação dos Estados Unidos e a geopolítica internacional. O Brasil ainda está na fase primária da indústria, ou seja, os produtores de minério preferem exportar commodities em vez de investir na manutenção e produção de aço, o que reduz a competitividade brasileira. Por mais que tudo isso pareça uma realidade distante para o comprador de caminhão, isso tem influência direta no preço do caminhão, entre dezenas de outros itens que chamamos de custo Brasil. 

Opções de cabines 

Para este artigo não ficar mais longo do que já está, vamos encerrar mostrando as opções de cabines de cada marca aqui citada. O tema não se encerra por aqui, mas ajudar o frotista a pensar sobre os vários ângulos da indústria de caminhões. Sem entrar na polêmica do porquê as cabines brasileiras, de origem europeias, serem diferentes das norte-americanas. Todos nós sabemos que é devido a legislação brasileira, portanto, uma questão mais do Congresso Nacional e dos lobbys que exercem influência em Brasília. Tecnicamente, as cabines dos caminhões brasileiros poderiam ser como as dos Estados Unidos, pois temos 8,5 milhões de metros quadrados. Aliás, espaço suficiente para termos caminhões com cabines melhores. As razões de não termos são outras e isso será assunto para outro artigo.

Dados e gostos  MB Atego 3033  VW Constellation 30.320  Volvo VM 360  Scania P 320 
Opções  Cabine Estendia, Cabine Leito Teto Baixo e Cabine Leito Teto Alto  Cabine Estendida ou Leito  Cabine Diurna (nome mais bonito para cabine simples) e Cabine Leito  A Scania é a marca que mais oferece opções de cabine: CP 14 (cabine simples), CP 17 (cabine estendida) e CP 20 (cabine leito). Há outras opções de cabines, porém disponíveis somente na Europa. É possível ter as cabines CP 28 (dupla) e CP 31 (dupla estendida) no Brasil? Dizem que sim, desde que você esteja disposto a pagar milhões para a homologação delas no Brasil. É só uma questão de conta bancária. 

 

A difícil conclusão! 

Se todos os modelos podem atender a sua operação, escolha a marca que tem o melhor concessionário na sua região. As marcas não conseguem padronizar o represente dela, pois, diferente de robores nas linhas de montagem, as revendas são administradas por ser humanos, geralmente, por empresas familiares. Há como testar se um concessionário é bom, mas dá um certo trabalho.

Tente descobrir qual é o nível de rotatividade dos funcionários (turnover). Se for mais do que 3%, é uma empresa com problema de gestão de pessoas. Tente descobri o estoque de peças, ferramentas etc.  Faça pesquisas sobre reclamações das concessionárias no Reclame Aqui, rede sociais, Procon’s etc.  Visite a concessionária com a roupa mais simples possível e diga ao vendedor que você quer comprar apenas um caminhão. Poucas concessionárias passam em todos esses testes, mas se passar, é a melhor marca que você pode escolher, independentemente da marca do caminhão. Após a compra, é a concessionária quem vai te atender.  

Algumas vantagens do caminhão rígido 8×2 em relação ao 6×2:

1. Capacidade de carga: O caminhão 8×2 possui uma maior capacidade de carga em comparação com o 6×2, o que permite transportar mais peso e otimizar a eficiência logística.
2. Estabilidade: O 8×2 oferece melhor estabilidade e distribuição de peso, especialmente em curvas e estradas irregulares, devido à presença de eixos adicionais.
3. Desgaste de pneus: Com a distribuição de peso mais equilibrada, o desgaste dos pneus é menor e mais uniforme. Resultando em uma maior vida útil dos pneus e redução de custos de manutenção.
4. Versatilidade: O caminhão 8×2 é ideal para diversas aplicações, desde transporte de cargas pesadas até operações urbanas. Oferecendo assim, maior flexibilidade na escolha das rotas e tipos de carga.

Aqui estão algumas desvantagens do caminhão rígido 8×2 em comparação com o 6×2:

  1. Maior custo inicial: Devido à adição de eixos e componentes extras, o caminhão 8×2 tende a ser mais caro do que o 6×2.
    2. Manutenção: Com mais eixos e componentes, a manutenção pode ser mais complexa e cara.
    3. Consumo de combustível: O caminhão 8×2 pode apresentar um consumo de combustível ligeiramente maior, devido ao peso adicional e à resistência ao rolamento.
    4. Manobrabilidade: Em alguns casos, a manobrabilidade pode ser reduzida em áreas urbanas ou em espaços confinados, devido ao comprimento e número de eixos adicionais.

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ITOY
Jornalista Marcos Villela é membro associado desde 2018

Caminhões, comerciais leves e motos salvam a indústria de pneus 

Na semana que passou, a Anip (associação da indústria de pneus) soltou um relatório sobre a redução das vendas de pneus em geral. No entanto, a realidade do segmento de veículos comerciais é diferente ao de automóveis de passeios.

Aliás, é verdade que as vendas totais de pneus registraram redução de 2,7% em 2024 em comparação com o ano anterior (de 51,97 milhões para 50,59 milhões de unidades). 

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Os pneus de carga registraram melhora no desempenho do acumulado de 2024, com vendas 3,4% maiores que no ano anterior (de 6,45 milhões para 6,67 milhões de unidades). As vendas para montadoras tiveram alta de 20,8% (de 1,50 milhão para 1,82 milhão de unidades). Já o mercado de reposição registrou redução de 1,9% (de 4,94 milhões para 4,84 milhões de unidades). 

indústria de pneus
Fonte: Anip

As vendas de pneus para veículos comerciais leves subiram 3,3% em comparação com o ano anterior (de 7,46 milhões para 7,71 milhões de unidades). As vendas para montadoras registraram 5,1% de aumento (2,99 milhões para 3,14 milhões de unidades), enquanto o mercado de reposição cresceu 2% (de 4,47 milhões para 4,56 milhões de unidades). 

indústria de pneus
Fonte: Anip

A saber, o segmento de pneus para motocicletas no mercado de reposição também apresentou resultado positivo no acumulado do ano, com alta de 3,3% (de 9,73 milhões para 10,05 milhões de unidades).  

Frota Educação apoia a Fabet-SP

Frota Educação
Novos cursos com inscrição aberta na Fabet São Paulo

Lançamento: Novo VW Tera em desfile inédito no Carnaval do Rio

A Volkswagen do Brasil inovou ao revelar, em pleno Carnaval, seu mais novo SUV: o Tera. Assim, em uma ação inédita, a montadora alemã exibiu o modelo no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, celebrando a identidade nacional, a criatividade e a energia do povo brasileiro. Aliás, o novo veículo chega ao mercado para democratizar o segmento de SUVs.

“A grandeza e a relevância do Novo Tera para o mercado são refletidas pelo imenso interesse da imprensa e do público. Durante anos, especulações sobre sua origem, nome, design e características estiveram no centro das discussões. Agora, com a revelação do Novo Tera, a Volkswagen não só apresenta o modelo mais importante dos últimos tempos, como inova ao se tornar a primeira marca de automóveis a apresentar um automóvel durante o Carnaval, a maior festa popular do planeta”, afirmou Ciro Possobom, Presidente e CEO da Volkswagen do Brasil.

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SUV brasileiro com alcance global

Previsto para chegar ao mercado brasileiro no primeiro semestre e à América Latina no segundo, o Novo Tera se posiciona entre os modelos Polo e Nivus, sendo o SUV de entrada da Volkswagen. A saber, o modelo faz parte da estratégia da montadora para ampliar sua presença no segmento de SUVs e integrar um plano de 16 lançamentos até 2028. O Tera é o quarto modelo dessa lista.

Assista o Canal FrotaCast:

Embora desenvolvido, desenhado e produzido no Brasil, o Tera tem ambição global. O SUV será exportado para mais de 25 países, incluindo Argentina, bem como Chile, Colômbia, Uruguai e México, além de mercados africanos.

Show de cores na passarela do samba

O Novo Tera foi apresentado no Sambódromo em três cores marcantes: Vermelho Hypernova, Prata Lunar e Azul Ártico. Certamente, o modelo impressionou com suas rodas de liga leve diamantadas, faróis e lanternas em LED, painel de instrumentos digital de dez polegadas e a central multimídia VW Play Connect. Outros destaques incluem conectividade para Brasil e Argentina, carregamento de celular por indução, luz ambiente personalizável e pacote ADAS de assistência ao motorista.

Detalhes escondidos e interativos

Uma das grandes novidades do Novo Tera são os “Easter Eggs”, pequenos detalhes escondidos no design do veículo que interagem com os consumidores. No vidro traseiro, um desenho retrata ícones da Volkswagen no Brasil: Fusca, Gol e o próprio Tera. Outras mensagens estão espalhadas pelo carro, como a inscrição “Trip mode on” no porta-malas.

Com o lançamento do Novo Tera, a Volkswagen reforça seu compromisso com o Brasil e sua capacidade de criar modelos que conectam pessoas e histórias ao redor do mundo. O novo SUV promete ser um marco na indústria automotiva e um verdadeiro ícone pop da marca.

Leia notícias sobre educação:

Frota Educação
Promover e incentivar a educação é uma das missões da Frota News

Atualidades: Como chegamos até aqui? 

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No meu artigo de estreia  na Frota News, abordei a crise da segurança pública no Brasil. De início, minha pretensão era apenas relatar, ainda que superficialmente, uma vez que o tema é muito mais complexo e profundo, como a criminalidade tem avançado em nosso país. Entretanto, nessa semana, dois casos envolvendo estupro e assassinato, fizeram-me questionar: como chegamos até aqui? Como normalizamos o ceifamento de tantas e tantas vidas? 

Antes de nos aprofundarmos nessa pergunta, caro leitor, devo, antes de mais nada, familiarizá-lo com esse dois crimes que até o presente momento tem-me estarrecido. O primeiro deles ocorreu no último dia 22. O criminoso é Lucas Alves de 18 anos que matou sua namorada a facadas em São Paulo. Infelizmente, assassinatos tornaram-se tão comuns no nosso país, que a princípio não há nenhuma “novidade” nesse relato, no entanto, há algo nessa triste história que não escapará de seus olhos sem que antes cause espanto. Prossigamos. Após assassinar Ana Carolina Pereira de Santana, também de 18 anos, Lucas fugiu. Ele, que encontrava- se foragido, apresentou-se à polícia na segunda- feira, dia 24, confessando o crime. Lucas confessou o crime e liberaram-no. E por qual motivo libertaram um criminoso confesso neste país?

Leia o primeiro artigo:

A (in)segurança pública brasileira

Impunidade

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), Lucas se “apresentou espontaneamente” e ao apresentar-se, foi ouvido e “formalmente indiciado”. Sim, ele foi FORMALMENTE INDICIADO. O que isso significa? Significa que Lucas continua livre, enquanto Ana está a sete palmos do chão. Pelo menos, essa é a única interpretação cabível.  

O outro caso, envolve um barbeiro que, com o pretexto de consertar o sinal de internet, invadiu uma casa e abusou de uma criança de 10 anos no sul de Goiás no último dia 24. A “novidade” nessa história —que não é de modo nenhum algo novo— é que o criminoso estava em prisão domiciliar e usava tornozeleira eletrônica. Por quais crimes? Por estupro. Em 2014 ele foi preso por abusar sexualmente de pelo menos sete crianças, com idade entre 9 e 15 anos de idade, também no Sul de Goiás. Em 2018, ele foi condenado a 64 anos de prisão pelo estupro de duas das vítimas. 

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Esses dois relatos parecem tão familiares para nós, pois costumamos ser bombardeados com tantas histórias trágicas envolvendo homicídio, estupro, violência doméstica, assalto etc., que nos acostumamos com esse cenário de guerra que custa a vida de milhares de brasileiros todos os anos. Mas, afinal, como chegamos até aqui? Não serei capaz de responder uma pergunta tão complexa em algumas linhas, mas proponho-me a fazer algumas observações que trarão uma certa clareza a respeito desse questionamento. 

O primeiro deles é a existência da progressão de regime que, basicamente, permite que todo crime tenha o direito de voltar para as ruas logo após cumprir uma pequena parte da pena à qual foi condenado e isso independentemente do crime, do seu histórico criminal e até de já ter fugido da prisão várias vezes. Ou seja, na prática, a progressão de regime estimula a impunidade. 

 Assista os cortes do FrotaCast:

O crime compensa

O segundo é a audiência de custódia, que nada mais do que um procedimento que visa o bem estar do preso e que deve ocorrer em até 24 horas após a prisão do criminoso. A finalidade desse procedimento é garantir e proteger, única e exclusivamente, os direitos humanos de quem está preso em flagrante. Nessa audiência não há uma única discussão sobre o fato que levou à prisão. 

Além disso, a atual lei brasileira permite que a prisão autorize o preso a sair temporariamente, até cinco vezes ao ano, normalmente em datas festivas como Natal, Ano-Novo, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais e Finados. Cada saída pode durar até sete dias e isso dá um total de trinta e cinco dias. Assim, um criminoso tem um peŕiodo maior de “férias” que um trabalhador comum e honesto tem sem ter cometido crime nenhum. 

Há ainda o auxílio reclusão, que dá ao preso o direito de receber um benefício de até 1.503,25 reais (valor vigente no ano de 2021). E para que o criminoso receba tal benefício ele precisa apenas comprovar que exerceu atividade remunerada que o enquadre como contribuinte da Previdência Social. Isto é, basta provar que passou por um período de experiência de 90 dias em um emprego antes de cometer um crime para que a família do criminoso tenha direito ao auxílio. Só para fins didáticos, só em 2012, o governo pagou 434 milhões de reais em Auxílio-Reclusão. A pergunta que fica é: quais benefícios para as famílias das vítimas? Quanto custa a vida humana no Brasil? 

Incentivos à vida do crime

Todos os fatos acima citados são apenas alguns dos inúmeros incentivos à vida do crime. No país da impunidade, por exemplo, um homicida pode receber uma sentença de apenas 6 anos. A Constituição garante o direito inviolável à vida, mas os crimes confessos têm vilipendiado esse direito em nome da ‘reabilitação’, fazendo do crime uma atividade lucrativa. Eles criam, assim, uma atmosfera propícia para fomentar o banditismo e legitimar a omissão das autoridades, permitindo que quantidades de milhares de pessoas morram sob o impacto crescente da criminalidade e do narcotráfico.  

 

Mudanças nos incentivos fiscais alteram “rumos” da logística brasileira 

A regulamentação da reforma tributária aprovada pelo presidente Lula, traz o fim da concessão dos incentivos fiscais, especialmente aquele concedidos para atrair empresas para determinadas regiões, a partir de 2032. 

Com a aprovação da Lei Complementar 214/2025, temos a instituição das regras gerais do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Dentre as principais mudanças prevista, está a alteração do critério de incidência do imposto, que passa a ser baseado no destino da mercadoria e não mais na origem, como acontece há anos. 

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Abralog

Segundo o vice-presidente jurídico da Associação Brasileira de Logística (Abralog) e sócio fundador da Dessimoni & Blanco Advogados, Alessandro Dessimoni, esse cenário já aponta para um grande redesenho dos setores da logística e transporte. “Acreditamos que haverá uma grande reestruturação das operações logísticas, a partir de 2026, ou seja, investimentos mudarão de rumo e o maior impacto acontecerá a partir de 2032”. 

Assista o Canal FrotaCast:

O VP explica que o período de transição que começa em 2026 e vai até 2032, afetará todos os departamentos das empresas, em relação a precificações, aluguéis, novas alíquotas, despesas gerais, geração de empregos, ou seja, vai acontecer uma repaginação muito grande nas finanças das empresas”. 

Como acontece o impacto na prática? 

Na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal, as empresas pagam atualmente o ICMS, que será extinto gradativamente a partir de 2029. A alíquota recolhida para esse imposto nos serviços de transporte é, em regra, de 12%, mas pode ter variação a depender do estado. 

Com a mudança dessa regra, o impacto no setor logístico e de transporte poderá ser grande, principalmente na localização dos hubs de distribuição.   

O movimento natural é que a partir de 2032, com o fim dos benefícios fiscais, aconteça o redesenho da logística das empresas, que será feito a partir de requisitos operacionais e não mais com base no fiscal como acontece hoje. Ou seja, teremos impactos também na geração de empregos. Muitas empresas escolhem um estado ou município por conta de benefícios fiscais e com o fim, as operações logísticas podem diminuir drasticamente em determinados lugares e concentra-se em grandes centros de consumo (hipótese). 

Instinção do pior imposto do Brasil

Com a extinção do ICMS, até quando vale manter uma operação logística em um determinado estado? “Muitas empresas, por exemplo, concentram operações no Espírito Santo, Minas Gerais, por conta de benefícios fiscais, para posteriormente enviar mercadorias para as regiões Norte e Nordeste, e talvez isso no futuro não faça mais sentido. Muitos operadores logísticos e transportadoras pensarão na possibilidade de instalação próximas às indústrias ou do seu público-alvo”, aponta Dessimoni.  

Próximos passos da reforma tributária 

Com a aprovação do PL 214/2025, ainda temos algumas etapas da reforma tributária. São eles:  

1.Discussão das leis ordinárias e instruções normativas da Receita Federal para a CBS e do Comitê Gestor para o IBS; 

2.O PL 108/2024, que regulamenta o Comitê Gestor, está em discussão no Senado Federal; 

3.2026 – Início do período teste da alíquota 0.9% do CBS e 0,1% de IBS; Período de transição cumulará dois sistemas tributárias concomitantemente;   

  1. 2027 – Serão extintos os impostos PIS e a Confins e teremos o CBS (em sua plenitude) e o imposto seletivo (IS);  
  1. Os benefícios fiscais atuais permaneceram até 2032;

Empresa curitibana Abbatur adquire Vissta Buss 365 da Busscar para ampliar frota 

Com duas décadas de atuação no setor de transporte e turismo, a Abbatur, empresa sediada em Curitiba, investiu na ampliação de sua frota com a aquisição do Vissta Buss 365, da Busscar. O modelo faz parte da família NB1 e é encarroçado sobre o chassi Scania K370C B6X2, trazendo avanços em tecnologia, segurança e conforto para os passageiros. 

O Vissta Buss 365, com 14 metros de comprimento, foi reconhecido pelo IF Design Award 2024, destacando-se pela combinação de sofisticação e funcionalidade. Um dos diferenciais do veículo é o sistema de bloqueador de portas original do chassi, que impede a movimentação do ônibus enquanto as portas estão abertas e bloqueia a abertura da porta de serviço acima de 5 km/h, garantindo maior segurança nas viagens. 

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Além disso, o ônibus conta com um sanitário equipado com sistema de odorização e detector de fumaça, ar-condicionado quente e frio e dois tetos solares com renovação de ar. O salão de passageiros é configurado com 44 poltronas Class Leito Turismo, que possuem visco-elástico nos apoios de cabeça, além de apoio para os pés e pernas, garantindo mais conforto durante os trajetos. A iluminação em LED na cor cristal sob as poltronas proporciona um ambiente sofisticado. 

Para maior comodidade dos passageiros, a unidade adquirida pela Abbatur inclui uma mesa de jogos no final do salão, dois armários, um móvel com sistema de refrigeração e uma geladeira de 60 litros. Um display de mensagens no salão informa horário e ocupação do sanitário, enquanto um interfone de dois pontos facilita a comunicação entre motorista e passageiros. 

Tecnologias para comodidate dos passageiros

O modelo também conta com tecnologia embarcada, como roteador de Wi-Fi e duas microcâmeras – uma frontal, voltada para o salão, e outra traseira, para auxiliar na marcha à ré. No painel do motorista, há um aparelho multimídia touchscreen de 7 polegadas com Bluetooth e MP3/MP4, além da instalação de dois rádios adicionais, permitindo a individualização de som por ambiente. 

De acordo com Paulo Corso, diretor comercial da Busscar, a escolha do Vissta Buss 365 pela Abbatur reflete a busca da empresa por um transporte de excelência. “É satisfatório saber que esse modelo irá circular pelas rodovias paranaenses, oferecendo aos passageiros e à empresa um transporte de qualidade, contribuindo para a melhoria dos serviços prestados nas estradas”, afirmou. 

Já para Gerson Raulino, CEO da Abbatur, a aquisição do novo veículo simboliza a consolidação de uma parceria de sucesso. “São 20 anos de história, sempre em busca da satisfação de nossos clientes e oferecendo qualidade diferenciada no mercado. Em 2020 retomamos nossa parceria com a Busscar, e agora, em nosso aniversário de duas décadas, celebramos essa trajetória com mais um veículo da marca em nossa frota”, destacou. 

Ficha Técnica Scania

Abbatur
Fonte: Scania do Brasil

Frota Educação: estudo da descião da Justiça do Trabalho sobre excesso de velocidade

As decisões da Justiça do Trabalho são excelentes fontes de conhecimento. Por educação a Frota Educação, seção de apoia a educação no transporte da Frota News, publica regularmente aquelas decisões que ser utiliza pelos gestores. Segue mais para estudo de caso: 

Justiça do Trabalho mantém demissão por Justa Causa de caminhoneiro que excedeu velocidade 

A Justiça do Trabalho de Minas Gerais negou o recurso de um caminhoneiro que tentou reverter sua demissão por justa causa. O profissional foi dispensado após ser flagrado dirigindo o caminhão da empresa em velocidade superior a 50% do limite estabelecido para a via. O caso foi julgado pela Quarta Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG), que manteve a decisão da instância anterior, da Vara do Trabalho de Teófilo Otoni. 

Histórico do caso 

De acordo com o processo, a empresa dispensou o caminhoneiro por justa causa em 5 de maio de 2023, fundamentando a decisão na violação de normas de segurança previstas em seu Programa Tolerância Zero. O motorista teria sido flagrado, em 3 de maio de 2023, conduzindo o veículo com excesso de velocidade, caracterizando ato de indisciplina e desídia, conforme previsto no artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 

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A empresa apresentou documentação técnica que comprovava a reincidência do comportamento inadequado do motorista. Também foram anexados ao processo documentos que demonstravam sua participação em treinamentos sobre limites de velocidade e segurança viária. Uma testemunha confirmou ter participado dos mesmos treinamentos e declarou estar ciente do monitoramento da velocidade dos caminhões pela empresa. 

Decisão Judicial 

Ao proferir o voto condutor, o desembargador relator Paulo Chaves Correa Filho ressaltou que a prática do caminhoneiro comprometeu a confiança necessária para a manutenção da relação de emprego, considerando a gravidade da conduta. 

“A imprudência nas estradas constitui causa de acidentes. O reclamante ignorou as orientações da empresa e as normas gerais de segurança, que têm como objetivo a preservação da integridade física do trabalhador e de terceiros nas rodovias”, afirmou o magistrado. 

O relator também ponderou que nem todas as faltas cometidas por um trabalhador exigem um processo gradual de penalização. Segundo ele, há situações de tamanha gravidade que justificam a aplicação direta da pena máxima, como ocorreu no caso em questão. 

“Há faltas que, pela intensa e enfática gravidade, permitem a dispensa imediata por justa causa, sem necessidade de advertência prévia”, explicou o desembargador. 

Assista o Canal FrotaCast:

Por fim, a decisão destacou que a empresa respeitou o princípio da imediatidade, garantindo um tempo razoável entre a apuração dos fatos e a efetiva dispensa do motorista. Dessa forma, a Quarta Turma do TRT-MG manteve a justa causa aplicada, com base nos incisos ‘e’ e ‘h’ do artigo 482 da CLT, que tratam da indisciplina e da desídia do empregado. 

Repercussão no Setor 

A decisão reforça a importância do cumprimento das normas de segurança no transporte rodoviário e serve de alerta para os profissionais do setor. Empresas vêm investindo cada vez mais em tecnologia para monitoramento dos caminhões, garantindo o cumprimento das regras de trânsito e a segurança nas estradas. 

Fonte: Fanatec e TRT-MG 

ITOY
Jornalista Marcos Villela é membro associado desde 2018

Fim de uma era: Último Tatra T815 sai da linha de produção. E a Tatra no Brasil? 

No último dia 25 de fevereiro de 2025, a fábrica da Tatra Trucks, localizada em Kopřivnice, na República Tcheca, produziu seu último caminhão Tatra T815. O veículo, destinado ao uso dos bombeiros, simboliza o encerramento de um ciclo industrial que perdurou por mais de quatro décadas. Agora, a empresa concentra seus esforços nos modelos das gamas Force e Phoenix, que carregam a herança tecnológica e o legado desse icônico caminhão. 

Uma história de Inovação e desafios 

A trajetória do Tatra T815 começou nos anos 1970, quando a fabricante tcheca decidiu modernizar seu famoso modelo militar, o T813. Inicialmente, outro caminhão, o T157, havia sido projetado para aplicações civis, mas as autoridades socialistas da época optaram por fundir os projetos. O resultado foi o T815, um caminhão robusto e inovador, mas que gerou controvérsias devido à sua complexidade e altos custos de produção. 

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Apesar das críticas iniciais, o modelo conseguiu consolidar-se no mercado e tornou-se uma referência em resistência e desempenho, sendo amplamente utilizado em aplicações militares, industriais e de transporte pesado. Sua robustez foi testada nas mais adversas condições, incluindo participações bem-sucedidas no rali Dakar, onde demonstrou sua durabilidade e engenharia diferenciada. 

Desafios e declínio 

A virada do século trouxe novos desafios para a Tatra. A demanda pelo T 815 começou a diminuir, enquanto os custos de produção aumentavam significativamente. A concorrência com montadoras globais, aliada às crescentes exigências ambientais e de eficiência energética, forçaram a empresa a buscar novos caminhos para se manter competitiva. Foi nesse contexto que surgiram as gamas Force e Phoenix, projetadas para atender às demandas do século XXI com tecnologias mais avançadas e maior eficiência operacional. 

O encerramento da produção do T 815 marca o fim de uma era, mas também abre caminho para uma nova fase na história da Tatra. A empresa mantém seu compromisso com inovação e qualidade, garantindo que o espírito pioneiro do T 815 continue vivo nos modelos que agora protagonizam o portfólio da marca. 

Depois de dois anos de reestruturação, a Tatra Brasil passa a responder pelo mercado Latino Americano. Ou seja, a marca de origem tcheca passa a ser comandada pelos empresários brasileiros Eduardo Padilha e Ricardo Sales na região – leia-se do México para baixo. Dessa forma, a fabricante vai se reposicionar no mercado. De imediato, a linha civil Fênix não chega ao mercado. E a TatraBras vai focar 100% na gama de defesa, com os modelos Force.

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Aliás, em 2023, a companhia fez a sua primeira aparição na LAAD, maior feira do segmento na região, realizada em abril, na cidade do Rio de Janeiro. Lá, fechou os primeiros negócios para veículos de defesa, com unidades entregues ao exército brasileiro.

Estratégias da Tatra Brasil
Seja como for, com o novo posicionamento, a TatraBras desativou a unidade onde seria a instalação da linha de montagem dos caminhões, em Ponta Grossa, no Paraná. Mesmo porque, conforme o diretor da fabricante, Eduardo Padilha, com a chegada da Euro 6 seria inviável trazer a linha de caminhões civis ao País.

Por essa razão, a TatraBras vai começar com os veículos militares. E, paralelamente, dará os primeiros passos para introduzir a linha civil ao Brasil, já no padrão Euro 6. Para isso, deve iniciar em breve conversas com a DAF. Afinal, a marca holandesa fornece cabine, motor e câmbio (ZF) para os caminhões Tatra Fênix. Portanto, no Brasil a dinâmica deverá ser igual.

Nesse sentido, Padilha não descarta a possibilidade de a DAF responder pelo pós-venda da linha Fênix quando chegar ao Brasil. Afinal, a sua rede se expandiu no País, além da Paccar Parts, marca que produz os componentes dos veículos da DAF e demais itens para veículos comerciais.

Seja como for, a TatraBras seguirá algumas etapas para entrar aqui. Ou seja, vai começar por onde ela é forte e há espaço para crescer. Ou seja, pelos caminhões de defesa. Mas a intenção é nos próximos dois anos introduzir a linha Fênix.

Mercado de defesa

Vale lembrar que o mercado de caminhões de defesa no Brasil é pouco explorado e não há muitas empresas atuando. Nesse sentido, Iveco Defense é uma das marcas mais populares no segmento. E a Volkswagen Caminhões também desenvolve modelos baseados nas versões civis. Porém, modificados via BMB para atender ao Exército.

Seja como for, a frota de defesa do Brasil é antiga. Além disso, trata-se de um mercado com capacidade para 4 mil unidades a serem renovadas. Mas há desafios. Afinal, é um negócio feito por venda direta e com negociações mais demoradas, segundo Padilha. E com um único cliente que é o governo federal.

A Tatra tem 89 caminhões de defesa da linha Force vendidos ao Exército e Marinha, via Vibras, empresa que monta outras estruturas que os veículos precisam, como lançadores de foguetes, por exemplo. No entanto, esses veículos têm de estar rodando constantemente em testes. Para que, em caso de uso, estejam disponíveis. Por essa razão, o treinamento dos oficiais que vão conduzir os veículos fica a cargo da TatraBras. Bem como o pós-venda.

Espécimes únicos

Dessa forma, a fabricante de origem tcheca deu início a outra rodada de negociação. Afinal, as aplicações de defesa são amplas como transporte de frota, caçambas para o transporte de material e de pontes móveis, etc. Por ora, são caminhões 4×4, 6×6 e 8×8. Mas a Tatra produz caminhões com configurações de eixos que vão até 18×18. Ou seja, sempre traçados. Portanto, o que o Brasil ou região precisarem, a Tatra pode oferecer na linha de defesa.

“Por essa razão, as exigências com relação ao pós-venda são até maiores frente aos caminhões da linha civil. São caminhões blindados, com manutenções mais exigentes. E com planos rápidos de ação relacionados ao estoque de peças”.

Vale ressaltar que caminhões para uso no fora de estrada e defesa não precisam cumprir o padrão Euro 6. Por isso, os caminhões Force contam com motor Euro 3 de emissões Euro 5. Além disso, são caminhões com chassi sem feixe de mola. Ou seja, contam com eixos independentes e são únicos no mundo, com produção pela Tatra desde 1923.

O motor

São veículos que contam com motor a ar V8 e V10, sem a necessidade de água. Por essa razão, se em caso de combate esses caminhões forem alvejados, continuam rodando mesmo que com um único cilindro. Do mesmo modo, são caminhões que podem rodar até 1,60 m embaixo da água. Por essa razão são tão demandados por países de todo o mundo.

Seja como for, a gama Force por ora é importada. Mas a Tatra projeta em 2024 montar uma operação de montagem por SKD para esses caminhões em Araucária, PR.

A guerra entre Rússia e Ucrânia está impactando as vendas da Tatra para demais mercados. Ou seja, a produção da marca na República Tcheca, basicamente atende a Ucrânia. Por essa razão, neste ano a Tatra projeta vender cerca de mais 12 unidades ao Governo brasileiro. Mas para o próximo ano a projeção de vendas é de 100 caminhões no Brasil. E cerca de 300 unidades para a América Latina. O que inclui caminhões Fênix florestal e de mineração.

Parcerias e países vizinhos

Na Argentina, por exemplo, onde o mercado de caminhões é mais flexível, a marca já está presente com a linha civil. Porém, vale lembrar que a Euro 6 ainda não chegou ao País vizinho. Portanto, ainda é mais fácil a montagem dos veículos.

“Além disso, fechamos uma parceria na Argentina com o grupo Buswagen. Dessa forma, a rede vende a marca no país vizinho e também no Uruguai. Além disso, estamos presentes também no Chile, Paraguai, Peru e Colômbia. E no México vamos iniciar nossas atividades até outubro”, diz Padilha.

Por ora, os caminhões Tatra também chegam na região por importação. Mas na Argentina, precisamente em Córdoba, já há uma operação para a montagem dos veículos por meio do SKD. De lá serão espalhados para o restante dos países vizinhos.

Falta de comunicação

Tatra
O site da empresa tem poucas informações e está desatualizado, uma demonstração que ela está com dificuldades para seguir com seus planos para o mercado brasileiro

Tatra Brasil assume mercado latino-americano com foco em defesa

Em 2012, tive o privilégio de ser convidado para conhecer a Tatra na República Techa, pois a empresa estava com planos de iniciar a operação no Brasil, fato que segue, no entanto, na velocidade que empresa com menos recursos financeiro. Entre tantas fábricas que já conheci pelo mundo, a da Tatra foi uma das mais marcantes. Ela tinha toda a sua produção quase artesanal e pouquíssima automação.

A Tatra Brasil agora responde pelo mercado latino-americano da fabricante tcheca, sob o comando dos empresários brasileiros Eduardo Padilha e Ricardo Sales. A empresa optou por focar inicialmente na linha de defesa, adiando a chegada dos caminhões civis Fênix ao Brasil. Em 2023, a marca estreou na LAAD, maior feira de defesa da região, onde concretizou as primeiras vendas ao Exército Brasileiro. 

Assista o Canal FrotaCast:

Com essa nova estratégia, a unidade planejada em Ponta Grossa (PR) foi desativada, e a introdução da linha civil no Brasil ocorrerá apenas quando os caminhões atenderem à norma Euro 6. Para isso, a empresa pretende negociar com a DAF, que fornece componentes para a linha Fênix, e pode também assumir o pós-venda. 

O mercado de caminhões militares no Brasil ainda é pouco explorado, com poucas empresas atuando. Atualmente, a Tatra Brasil tem 89 unidades vendidas para as Forças Armadas, e projeta entregar mais 12 em 2024. Para 2025, a expectativa é de 100 unidades no Brasil e 300 na América Latina, incluindo versões para os segmentos florestal e de mineração. 

A gama Force, composta por modelos de trânsito extremo, se destaca pelo chassi com eixos independentes e motores refrigerados a ar, que garantem operação mesmo sob ataques. A Tatra Brasil também planeja iniciar uma linha de montagem SKD em Araucária (PR) a partir de 2024, fortalecendo sua presença no mercado militar. 

A expansão na América Latina já ocorre em países como Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Peru e Colômbia. Na Argentina, a marca já conta com uma operação SKD em Córdoba, facilitando a distribuição para a região. No México, as atividades devem começar até outubro deste ano, consolidando a presença da Tatra na região. 

ITOY
Jornalista Marcos Villela é membro associado desde 2018

ZEG Biogás vai aumentar produção de biometano com nova planta em MG

Mesmo tendo, até o momento, apenas duas montadoras – Scania e Iveco – apostando no biometano como bioenergia para a descarbonização do transporte, a ZEG Biogás segue investindo para aumentar a produção do gás renovável. A unidade de biometano da empresa, instalada na usina sucroenergética Aroeira, em Minas Gerais, está pronta para iniciar a produção na próxima safra. Agora, só falta a autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para que a operação comece oficialmente. 

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Jornalista Marcos Villela é membro associado desde 2018

Essa conquista não é apenas uma vitória para a ZEG Biogás, mas também um passo significativo para que as transportadoras e embarcadores possam aumentar suas frotas de caminhões movidos a gás verde, solução que torna os passivos ambientais – lixões e resíduos orgânicos das indústrias e fazendas – em ativos energéticos. Além da Scania e Iveco, a Volkswagen está testando o modelo o Constellation 26.280, equipado com transmissão totalmente automática e motor Cummins de ciclo Otto de 280 cv de potência e 1.100 Nm de torque, similares à versão diesel. 

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Vale lembrar que a MWM Motores também já oferece ao mercado o trabalho de conversão de caminhões a diesel usado em modelo a gás. A Cocal e Sada são dois exemplos de frotistas que apostaram nesta solução que, além dos benefícios do gás renovável, também faz um caminhão Euro 3 ser transformado em Euro 6, com uma redução das emissões de CO2 superior a 90% em comparação com o caminhão Euro 6 a diesel. Além disso, a ZEG Biogás já tem novos projetos no horizonte.  

Leia mais sobre o agronegócio na seção:

Frota Agro
Seção com foco nas novidades de veículos, máquinas e equipamentos para o agronegócio

Bioplantas Tupy 

A Tupy, empresa brasileira e maior fabricante mundial de blocos de motores, entre adquiriu a MWM Motores e Geradores em 2022. Ambas trabalham junta na construção de bioplantas para produção de biometano e biofertilizante. Outras empresas vão construir mais de 400 postos para abastecimento de caminhões a gás com bombas de alta pressão. Projetos similares ocorrem no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e outros Estados.    

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