domingo, maio 19, 2024

Amaggi realiza maior estudo de uso de 100% biodiesel em frotas no Brasil

Aqui no Frota News, já noticiamos sobre os testes que a Amaggi, um dos maiores grupos do agronegócio brasileiro, está fazendo com o uso do B100 (100% de biodiesel) em caminhões da frota própria. Agora, conheceremos outra inovação deles: a operação da primeira fazenda no Brasil a utilizar 100% biodiesel (B100) na movimentação de suas máquinas. Este projeto pioneiro, realizado em parceria com a John Deere, representa um avanço substancial no programa de descarbonização da empresa, que começou em 2018 com a produção de biocombustível.

A Amaggi também utilizará o biodiesel B100 em sua frota fluvial. Ainda em fase de testes, a companhia conseguiu a primeira autorização do país para uso do biocombustível em uma embarcação. O último dia 11 de abril viu a Diretoria da Agência Nacional de Petróleo (ANP) conceder a permissão.

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Até aqui, não há conhecimento sobre projeto maior do que este da Amaggi para uso de B100 em caminhões, máquinas agrícolas e embarcações fluviais. Há estudos paralelos, em dimensões menores. Na Europa, outros clientes da Scania, como  grupo EMT Group com Ecotrans, em Mônaco, que utiliza B100 há cerca de cinco anos em poucas unidades do Scania P 410 betoneira.

B100 versus mistura com diesel fóssil

Localizada em Diamantino, Mato Grosso, a Fazenda Sete Lagoas é agora um modelo de sustentabilidade no setor agrícola. Com mais de 22 mil horas de testes com B100, a Amaggi demonstra não apenas a viabilidade do uso de biocombustíveis, mas também seu compromisso com a autossuficiência energética e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Antes de tudo, devemos entender que o uso de 100% de biodiesel é muito diferente do uso de biodiesel com diesel fósseis misturados. As dezenas de problemas relatados por transportadores e estudos técnicos da Confederação Nacional do Transporte (CNT). São relativos aos efeitos da mistura do biodiesel com o diesel derivado de petróleo em percentual acima de 10%. No caso dos testes da Amaggi, como os da JBS, são com B100 totalmente controlados desde a produção, estocagem e utilização.

O problema da mistura há complexas reações químicas entre o biodiesel e o combustível fóssil e o controle dos processos da mistura, armazenagem e distribuição até a chegada ao tanque de combustível do veículo.

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A viabilidade do biodiesel

Ricardo Tomczyk, diretor de Relações Institucionais do grupo. A principio, destacou a importância do projeto durante o Simpósio de Eficiência Energética, Emissões e Combustíveis, organizado pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). Segundo ele, o projeto B100 é um passo decisivo para alcançar a descarbonização e a autossuficiência energética, além de confirmar a viabilidade do biodiesel como alternativa aos combustíveis fósseis.

A iniciativa da Amaggi está alinhada com as discussões globais sobre a transição energética e a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis, como evidenciado na COP28 realizada em Dubai.

A Fazenda Sete Lagoas, que abriga uma das nascentes do Rio Paraguai, destaca-se não apenas pela sua produção de soja e milho em seus 3,6 mil hectares, mas também por seu papel na preservação ambiental e na promoção de práticas agrícolas sustentáveis.

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A escolha da Fazenda Sete Lagoas para este projeto inovador não foi por acaso. Sua relevância ambiental é indiscutível, pois a área contribui para a formação do Rio Paraguai. Aliás, um dos mais importantes cursos d’água da América do Sul, atravessando biomas como o Cerrado e o Pantanal. A operação com B100 na fazenda é um exemplo concreto do compromisso da Amaggi com a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental.

Este projeto é apenas o começo de uma série de iniciativas que a Amaggi planeja implementar, visando a descarbonização completa de suas operações. O sucesso da Fazenda Sete Lagoas com o uso de B100 abre caminho para a expansão do uso de biocombustíveis em outras áreas da empresa, além disso, inclui sua frota rodoviária e, eventualmente, sua logística fluvial.

A Amaggi e a John Deere, ao colaborarem neste projeto, não apenas estabelecem um novo padrão para a indústria agrícola brasileira, mas também inspiram outras empresas a seguir o exemplo e investir em soluções sustentáveis para o futuro do agronegócio e do meio ambiente. A transição para energias renováveis é uma jornada desafiadora, mas iniciativas como a da Fazenda Sete Lagoas provam ser um caminho viável e necessário para um futuro mais verde e sustentável.

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De acordo com representante da Amaggi, a fazenda começa as operações sem uso de combustível fóssil a partir de maio, após anuência da Agência da Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustível (ANP). “Com isso vamos aumentar os testes para outras máquinas e estabelecer um ciclo completo, do cultivo passando pela produção do biodiesel ao consumo.”

Em sua apresentação, Tomczyk mostrou resultados promissores com o uso B100. Em mais de 22 mil horas de testes com o biocombustível, as máquinas não apresentaram nenhuma alteração substancial caso o abastecimento fosse feito com o diesel convencional. “O projeto caminha com bases comparativas. As máquinas são de fábrica, sem qualquer adaptação, e não apresentaram nenhumas avarias, bem como alterações em desempenho e consumo.”

Em paralelo, o projeto também se estende para as operações logísticas. Em parceria com a Scania, a empresa absorverá 100 caminhões para rodar com o B100. Os veículos atuarão em rotas cativas que proporcionarão informações provenientes da malha logística da companhia que soma mais de 57 mil km.

“O desafio agora também seguirá para embarcações, em nossa logística fluvial. A autorização já temos para fazer a primeira viagem, entre Porto Velho–RO e Itacoatiara–AM”, adiantou o diretor da Amaggi. No caso, a embarcação percorrerá os Rio Madeira e Amazonas e deverá consumir 150 mil litros de biodiesel.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Sou jornalista no setor da mobilidade desde 1988, com atuações em jornais, nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, como editor da revista Transporte Mundial entre 2002 e maio de 2023, e com experiência em cobertura na área de transporte no Brasil e em cerca de 30 países. Representante do Brasil como membro associado do ITOY (International Truck of the Year), para troca de experiências e conteúdos jornalísticos. Mais, recente começou como colaborador do corpo docente na Fabet (entidade educacional sem fins lucrativos).
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