domingo, abril 26, 2026

Bandeira amarela anunciada pela Aneel encarece recarga de frotas elétricas. Saiba qual é o impacto nas frotas

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acionou a bandeira tarifária amarela, adicionando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos — ou R$ 0,01885 por kWh — na conta de energia dos consumidores. Para gestores de frotas elétricas, o ajuste impõe um custo extra real, mas de magnitude limitada: especialistas e análises do setor indicam que a vantagem econômica dos veículos elétricos (EVs) — no custo do tanque a roda — sobre os modelos a combustão se mantém.

A agência atribuiu a mudança à redução de chuvas na transição para o período seco, que comprime a geração hidrelétrica e aumenta a acionamento das termelétricas, fontes mais caras e poluentes. Neste caso, dependendo da termelétrica, o ganho ambiental do veículo elétrico é perdido. A bandeira vinha verde desde janeiro. O novo patamar ainda é moderado frente às bandeiras vermelhas — especialmente a vermelha 2, que pode somar até R$ 0,07877 por kWh.

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Quanto pesa no caixa da frota

O impacto concreto depende diretamente do consumo energético da operação. Em um caminhão elétrico pesado como o Mercedes-Benz eActros 300 em teste no Brasil — que registra consumo próximo de 0,97 kWh por km em operações reais — a bandeira amarela acrescenta cerca de R$ 0,017 por quilômetro, ou aproximadamente R$ 1,70 a cada 100 km rodados. Para uma frota que percorre 20 mil km mensais, o custo adicional fica em torno de R$ 340 por mês, valor que naturalmente varia conforme a carga transportada, o perfil da rota e a estratégia de recarga adotada.

Para o frotista não significa inviabilidade, mas compressão de margem operacional. O custo por quilômetro dos elétricos já costuma ser significativamente menor do que o dos modelos a combustão; a bandeira amarela corrói uma fração pequena dessa economia. O efeito se torna mais sensível em operações com alto volume de recarga, baixa eficiência energética ou contratos de fornecimento sem previsibilidade de preço.

Bandeiras recorrentes pedem gestão mais sofisticada

O cenário muda quando se consideram variações tarifárias recorrentes ao longo do ano, mas nada do que o gestor de frota não esteja acostumado com o diesel, gasolina ou etanol. As mudanças frequentes de cor funcionam como um semáforo de custo e não deveriam dificultar a projeção do gasto mensal, pois são ciclos que se repetem anualmente.

No entanto, entre 2022 e 2025, o Brasil passou a maior parte do tempo em bandeira verde, sem custo adicional na conta de luz, mas voltou a registrar sobretaxas em 12 meses nesse período, concentrados em 2024 e 2025: 4 meses com bandeiras amarela e vermelhas em 2024 e 8 meses (3 amarelos e 5 vermelhos, sendo 4 em vermelha‑1 e 1 em vermelha‑2) em 2025, ano em que as frotas de veículos elétricos aceleram sua expansão, expondo operadores a um risco de custo de energia mais frequente, ainda que contingente.

Paralelamente, o setor segue em expansão acelerada. O consumo de eletricidade pela mobilidade em geral saltou de 14 GWh em 2020 para 309 GWh em 2024, acompanhando o crescimento da frota plug-in de aproximadamente 1,9 mil para mais de 215 mil unidades no período, quase que exclusivamente de automóveis de passeio e comerciais leves, pois a frota de caminhões e ônibus ainda está em 0,9% das vendas de similares a diesel.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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