A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acionou a bandeira tarifária amarela, adicionando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos — ou R$ 0,01885 por kWh — na conta de energia dos consumidores. Para gestores de frotas elétricas, o ajuste impõe um custo extra real, mas de magnitude limitada: especialistas e análises do setor indicam que a vantagem econômica dos veículos elétricos (EVs) — no custo do tanque a roda — sobre os modelos a combustão se mantém.
A agência atribuiu a mudança à redução de chuvas na transição para o período seco, que comprime a geração hidrelétrica e aumenta a acionamento das termelétricas, fontes mais caras e poluentes. Neste caso, dependendo da termelétrica, o ganho ambiental do veículo elétrico é perdido. A bandeira vinha verde desde janeiro. O novo patamar ainda é moderado frente às bandeiras vermelhas — especialmente a vermelha 2, que pode somar até R$ 0,07877 por kWh.
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Quanto pesa no caixa da frota
O impacto concreto depende diretamente do consumo energético da operação. Em um caminhão elétrico pesado como o Mercedes-Benz eActros 300 em teste no Brasil — que registra consumo próximo de 0,97 kWh por km em operações reais — a bandeira amarela acrescenta cerca de R$ 0,017 por quilômetro, ou aproximadamente R$ 1,70 a cada 100 km rodados. Para uma frota que percorre 20 mil km mensais, o custo adicional fica em torno de R$ 340 por mês, valor que naturalmente varia conforme a carga transportada, o perfil da rota e a estratégia de recarga adotada.
Para o frotista não significa inviabilidade, mas compressão de margem operacional. O custo por quilômetro dos elétricos já costuma ser significativamente menor do que o dos modelos a combustão; a bandeira amarela corrói uma fração pequena dessa economia. O efeito se torna mais sensível em operações com alto volume de recarga, baixa eficiência energética ou contratos de fornecimento sem previsibilidade de preço.
Bandeiras recorrentes pedem gestão mais sofisticada
O cenário muda quando se consideram variações tarifárias recorrentes ao longo do ano, mas nada do que o gestor de frota não esteja acostumado com o diesel, gasolina ou etanol. As mudanças frequentes de cor funcionam como um semáforo de custo e não deveriam dificultar a projeção do gasto mensal, pois são ciclos que se repetem anualmente.
No entanto, entre 2022 e 2025, o Brasil passou a maior parte do tempo em bandeira verde, sem custo adicional na conta de luz, mas voltou a registrar sobretaxas em 12 meses nesse período, concentrados em 2024 e 2025: 4 meses com bandeiras amarela e vermelhas em 2024 e 8 meses (3 amarelos e 5 vermelhos, sendo 4 em vermelha‑1 e 1 em vermelha‑2) em 2025, ano em que as frotas de veículos elétricos aceleram sua expansão, expondo operadores a um risco de custo de energia mais frequente, ainda que contingente.
Paralelamente, o setor segue em expansão acelerada. O consumo de eletricidade pela mobilidade em geral saltou de 14 GWh em 2020 para 309 GWh em 2024, acompanhando o crescimento da frota plug-in de aproximadamente 1,9 mil para mais de 215 mil unidades no período, quase que exclusivamente de automóveis de passeio e comerciais leves, pois a frota de caminhões e ônibus ainda está em 0,9% das vendas de similares a diesel.
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