Mercado de caminhões elétricos recua 14,7%; VW comemora 5 anos do e-Delivery e prepara lançamentos

Enquanto os veículos de passageiros eletrificados — automóveis e SUVs — avançam a passos largos no mercado brasileiro, respondendo por 16 em cada 100 veículos vendidos no primeiro semestre de 2026 (com mais de 215 mil unidades e alta de 125%), o segmento de transporte de carga e logística vive duas realidades completamente distintas no país

De acordo com os dados de emplacamentos da Fenabrave, o setor de comerciais leves de carga eletrificados fechou o primeiro semestre de 2026 em forte expansão, acumulando 2.273 unidades e uma alta expressiva de 95,78% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse bom desempenho, liderado pela Farizon (82 unidades) e seguido pela JAC (44 unidades), contrasta diretamente com o mercado de caminhões elétricos pesados, que registrou uma retração de 14,74% no mesmo período.

No total, foram emplacadas apenas 162 unidades de caminhões eletrificados entre janeiro e junho de 2026, contra as 190 registradas no primeiro semestre de 2025. O volume é composto quase integralmente por modelos importados da China (161 unidades), enquanto o segmento de híbridos pesados permanece incipiente, com apenas 1 unidade registrada pela Foton.

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O abismo do market share brasileiro e o cenário global

A queda recente acentua um cenário que já se mostrava desafiador, pois, segundo dados analisados pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), no fechamento de 2025 os caminhões elétricos representaram apenas 0,4% das vendas totais no Brasil — um percentual de crescimento pouco expressivo que mantém o país muito distante da média mundial de 9%.

Esse descompasso torna-se ainda mais evidente quando comparado aos mercados mais maduros: a China alcançou 26% de participação nas vendas de caminhões elétricos, a União Europeia chegou a 4%, a média global ficou em 9%, enquanto o Brasil permaneceu em apenas 0,4% em 2025, seguido por novo recuo no primeiro semestre de 2026.

No cenário internacional, grandes corporações mantêm o fôlego. Os dados globais do Traton Group revelam um crescimento sólido de 53% no primeiro semestre de 2026 para veículos totalmente elétricos (1.910 unidades somando caminhões e ônibus), apesar do retrocesso da Volkswagen Caminhões no Brasil.. Divisões como MAN (+37%), Scania (+79%) e International Motors (+120%) puxaram a alta no exterior.

No entanto, refletindo a desaceleração local, a divisão Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) — fabricante do e-Delivery, único caminhão elétrico produzido no Brasil — registrou uma queda global de 53% nas vendas de elétricos, despencando de 50 unidades no primeiro semestre de 2025 para apenas 20 unidades (9 e-Delivery e 11 e-Volksbus) no mesmo período de 2026.

Recentemente, a VWCO comemorou cinco anos do lançamento do e-Delivery, que acumula cerca de 600 unidades já emplacadas, cerca de um quarto do total de caminhões 100% elétricos (2.200 unidades), ficando a JAC Motors com a liderança do segmento com cerca de 50% das vendas somente com o modelo iEV1200T importado da China.

No entanto, a Volkswagen Caminhões vai seguir investindo no aumento do portfólio de pesados elétricos. Em 1º de dezembro de 2022, a Volkswagen Caminhões e Ônibus apresentado em São Paulo o primeiro protótipo do e-Delivery de 17 toneladas. O modelo, com capacidade para transportar 17,3 toneladas, e deve ser um dos próximos lançamentos da marca, além de dois novos chassis de ônibus que serão lançados na Lat.Bus.

caminhões elétricos
Fonte: ILOS

Por que a eletrificação pesada avança em ritmo lento?

A liderança isolada nas vendas de caminhões elétricos no Brasil permanece com os caminhões importados da China pela JAC, que acumulou 98 unidades e alcançou 60,87% de participação no mercado no primeiro semestre. A marca é seguida pela Foton, com 24 unidades, e pela Sany, que registrou 22 unidades no período.

Segundo o Instituto ILOS, a eletrificação do transporte de carga brasileiro enfrenta três gargalos centrais que limitam seu crescimento e amplamento de conhecimento dos leitores da Frota News. O primeiro é o alto custo de aquisição dos veículos, que ainda se mantém muito acima das alternativas a combustão. O segundo é a falta de infraestrutura de recarga rápida exclusiva para caminhões nas rodovias, um fator crítico para operações que exigem disponibilidade contínua e previsibilidade operacional. O terceiro obstáculo está no próprio perfil das operações logísticas do Brasil e de qualquer país de grandes dimensões: longas distâncias que torna a adoção de caminhões elétricos mais complexa diante das limitações atuais de autonomia e suporte energético.

Para Maria Fernanda Hijjar, sócia-executiva do ILOS, a consolidação dos caminhões elétricos no país deve ocorrer inicialmente em operações urbanas e regionais. Esses segmentos apresentam rotas mais previsíveis, menor quilometragem diária e a vantagem

Tendência irreversível de longo prazo e foco em ESG

Apesar do recuo momentâneo nos números de 2026, o movimento observado nos mercados internacionais indica que a eletrificação é um caminho sem volta. Para os executivos de logística e supply chain, a transição para frotas limpas é uma tendência de longo prazo que exige monitoramento constante, especialmente para atender às metas de descarbonização e ESG que ganham peso crescente nas cadeias globais de suprimentos.

Por isso, a Frota News criou a editoria Frota Sustentável, atualizada diariamente: Arquivo de Frota Sustentável – Frota News

Essa mudança da matriz energética na logística, inclusive, será um dos temas centrais debatidos por líderes da indústria, do varejo e do transporte durante o Fórum ILOS 2026.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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