Fabricante chinesa intensifica proteção de patentes no mercado nacional para mirar a descarbonização do transporte urbano de carga e reforçar planos no segmento pesado
A ofensiva da BYD no Brasil deixa de ser uma exclusividade dos automóveis de passeio e ônibus e começa a mirar as oportunidades na tendência de descarbonização do transporte de carga. Um levantamento feito no banco de dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) revela que a fabricante chinesa intensificou a blindagem de patentes e desenhos industriais da sua linha de veículos comerciais pesados e leves.
O movimento mais expressivo identificado pela reportagem da Frota News é a proteção do BYD T35, um chassi cabine 100% elétrico projetado para o segmento de Veículos Urbanos de Carga (VUC).
O registro marca uma possível guinada no portfólio da marca no país, expandindo sua atuação para além dos já conhecidos caminhões pesados vocacionais.
O registro do órgão registrador INPI enquadra o BYD T35 na categoria de camionete para aproveitar os benefícios que a legislação oferece aos veículos de carga com PBT até 3.500 kg. Originalmente, o PBT dele é de 3.700 kg, peso que o classifica como caminhão e com todas restrições de circulção em grandes centros urbanos e exigência de CNH a partir da categoria C.
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Características técnicas
O modelo apresenta uma plataforma em três configurações: cabine simples, com foco em maior volume útil; cabine estendida, voltada para acomodação técnica; e cabine dupla, destinada a operações com equipe e carga.
A propulsão do veículo é 100% elétrica, equipada com bateria Blade LFP na arquitetura Cell-to-Chassis. O caminhão registra potência estimada em 201 cv (150 kW) e 340 Nm de torque, tendo como aplicação alvo as entregas de última milha (last-mile) e frotas urbanas.
A capacidade total da bateria do veículo é de 62 kWh e a autonomia, segundo o ciclo WLTC, chega a 250 quilômetros, o que é suficiente para atender às necessidades de entregas em cidades e arredores.
Diferente do mercado de automóveis, onde a homologação e o registro no INPI frequentemente antecedem o lançamento em poucos meses, no setor de caminhões a proteção estética e tecnológica atende a um planejamento rigoroso de custos e testes.
A opção de cabine simples volta-se ao maior volume de carga e operações logísticas tradicionais. A versão de cabine estendida projeta-se para otimizar espaço de descanso ou acomodação de ferramentas e equipamentos. Já a cabine dupla direciona-se a prestadores de serviços públicos, manutenção e empresas que necessitam deslocar a equipe de trabalho junto com a carga.
Embora o registro no INPI não obrigue a montadora a iniciar a comercialização, ele demonstra que o portfólio comercial elétrico da marca — até então concentrado em caminhões vocacionais como o pesado T8, de coleta de lixo, e modelos intermunicipais ETH8 — expande-se rumo à capilaridade das entregas urbanas de última milha.
Pesados vocacionais
Além disso, Bruno Paiva, diretor de vendas de caminhões e chassis de ônibus da BYD, revelou à Agência Transporte Moderno que a BYD planeja lançar um caminhão elétrico pesado de 60 toneladas no Brasil, com possível estreia na Fenatran 2026.
Focado inicialmente em operações portuárias e rotas curtas que permitem o planejamento de uma infraestrutura de recarga sob medida, o veículo conta com a bateria Blade, destacando-se pela alta densidade energética e capacidade de recarga rápida.
Esse nicho de mercado para vocacionais elétricos não é atendido pelas marcas tradicionais e tem sido atendido por marcas chinesas, como a Sany e XCMG.
Embora o modelo passe a ser importado em um primeiro momento, a montadora já adapta sua fábrica em Manaus para produzir os componentes da bateria localmente, o que serve como um primeiro passo para a futura nacionalização do caminhão e facilita o acesso dos compradores a linhas de financiamento como o Finame.
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