Para ter uma usina de energia solar na própria transportadora não é preciso ser uma Ambev, mesmo esta sendo hoje um dos melhores exemplos de integração entre geração própria, eletrificação da frota e redução de custos logísticos.
Os benefícios são diversos: redução de custo de energia, maior previsibilidade de conta, fortalecimento de indicadores ESG e menor dependência da rede elétrica, ajudando a sociedade a enfrentar períodos de custo energético mais alto – ainda que não “elimine” diretamente bandeiras tarifárias, que dependem do mercado de energia como um todo.
Algumas transportadoras e embarcadores já obtêm economias expressivas com usinas fotovoltaicas em CD’s, garagens e alojamentos. Entre os embarcadores, a Ambev segue sendo um dos exemplos mais consolidados, mas não é o único.
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Conforme suas próprias divulgações, a Ambev opera hoje com 100% de energia elétrica proveniente de fontes renováveis em suas operações no Brasil, resultado de usinas solares próprias e contratos de energia eólica e solar com parceiros. A companhia já instalou dezenas de usinas fotovoltaicas em seus centros de distribuição e cervejarias, com parques que somam dezenas de MW e milhões de kWh anuais de geração.
A frota de caminhões elétricos da Ambev, que vem sendo abastecida em parte por essas usinas, é formada pelos modelos VW e‑Delivery e, em menor escala, por outros veículos elétricos. A meta de substituir cerca de 35% da frota de caminhões diesel por elétricos ainda está em andamento, com a perspectiva de alcançar mais de mil unidades ao longo da década.

Exemplos de usinas em transportadoras
Empresas do setor de transporte têm adotado cada vez mais a energia solar como estratégia para reduzir custos operacionais e fortalecer compromissos ambientais. Entre elas, destacam‑se a Transmartins (MG) e a Expresso Nepomuceno (MG), que já incorporam sistemas fotovoltaicos em suas operações como parte de suas metas de ESG. Essa movimentação reflete uma tendência crescente no segmento, em que sustentabilidade e eficiência energética caminham juntas.
A Transmartins iniciou a implantação de usinas fotovoltaicas em diversas unidades a partir de 2021. Desde então, os resultados financeiros têm sido expressivos: a empresa já acumula economia na casa de centenas de milhares de reais em energia elétrica. Com novos projetos em expansão, a expectativa é de que esse valor continue crescendo de forma consistente, reforçando o impacto positivo da geração própria de energia.

Já a Expresso Nepomuceno opera sistemas fotovoltaicos que, somados, produzem dezenas de milhares de kWh por mês. Em termos anuais, esse volume alcança centenas de MWh, corrigindo a informação anterior que mencionava apenas 35 MWh. Essa capacidade de geração contribui significativamente para a redução da dependência da rede elétrica convencional e fortalece a estratégia da empresa em direção a uma operação mais sustentável e economicamente eficiente.
Correção técnica: unidade de energia

Aproveitando o contexto, é importante esclarecer a diferença entre potência e energia, já que essa confusão costuma gerar interpretações equivocadas. MWh e kWh são unidades de energia, isto é, representam a quantidade total de eletricidade consumida ou gerada ao longo do tempo. Portanto, 1 MWh equivale a 1.000 kWh — não se trata de “um milhão de watts usados durante um ano”, mas sim de uma medida acumulada de energia.
Revisando o exemplo citado anteriormente, 35 MWh correspondem a 35.000 kWh. Com um consumo residencial médio de 40 kWh por dia, essa quantidade seria suficiente para aproximadamente 875 dias de uso, ou cerca de 2,4 anos — e não 2.500 dias. Para fins de comparação, uma lâmpada de 100 W ligada por 35.000 horas consumiria 3,5 MWh, o que confirma que o cálculo original estava correto nesse ponto. Da mesma forma, 35 MWh permitem recarregar um veículo elétrico com bateria de 50 kWh cerca de 700 vezes, mantendo válida essa estimativa.
Quando se trata de aplicações industriais, porém, volumes de energia são muito maiores. Projetos fotovoltaicos corporativos costumam operar na faixa de centenas ou milhares de MWh por ano, podendo até alcançar a escala de GWh, dependendo do porte da operação. Por isso, valores como 35 MWh, embora úteis para ilustrar comparações domésticas, são pouco representativos diante da realidade energética de empreendimentos de grande porte.
Impacto ambiental e social
A adoção de sistemas fotovoltaicos também traz benefícios ambientais diretos, especialmente pela redução das emissões de gases de efeito estufa. Sempre que a energia solar substitui eletricidade proveniente de fontes térmicas ou geradores a diesel, evita‑se a queima de combustíveis fósseis e, consequentemente, a liberação de CO₂ e outros poluentes. Mesmo em países com matriz predominantemente renovável, como o Brasil, essa substituição continua sendo relevante para diminuir impactos climáticos.
Além disso, a geração distribuída solar desempenha um papel estratégico na operação do sistema elétrico nacional. Em períodos de seca, quando os reservatórios das hidrelétricas ficam mais baixos e o despacho de usinas térmicas aumenta, a energia produzida pelos sistemas fotovoltaicos ajuda a desviar parte da demanda que seria atendida por fontes fósseis. Isso reduz custos operacionais, emissões e a necessidade de acionar termelétricas mais caras e poluentes.
Outro ponto importante é o alívio proporcionado à rede elétrica nos horários de maior consumo. A produção solar distribuída contribui para reduzir a sobrecarga nas pontas de carga, melhorando a estabilidade do sistema e diminuindo a pressão por expansões tarifárias. Dessa forma, além de gerar economia para quem instala, a energia solar também beneficia o sistema elétrico como um todo, tornando‑o mais resiliente, limpo e eficiente.
Etapas para implantar uma usina de energia solar
Para uma transportadora, o caminho segue cinco etapas principais, atualizadas conforme a realidade de 2026:
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Avaliar viabilidade técnica e econômica
Verificar disponibilidade de telhados, pátios e terrenos para instalação da usina solar de energia, além de custo de investimento inicial e retorno com base na Lei 14.300/2022 (Marco Legal da Geração Distribuída) e na nova estrutura de compensação de energia (“Fio B”). -
Fazer estudo de demanda energética
Analisar histórico de consumo (kWh/mês) e pontas de carga, projetando crescimento de frota, eletropostos e ampliações de CD. -
Escolher fornecedor e dimensionar o sistema
Buscar empresas especializadas em geradores fotovoltaicos, garantindo painéis, inversores e estrutura de quality‑to‑price e com suporte pós‑venda. -
Obter licenças e conexão à rede
Seguir regras da concessionária local, ANEEL e órgãos ambientais, obtendo aprovação de sistema de compensação e eventual outorga de uso. -
Monitorar e manter a usina
Instalar sistemas de monitoramento remoto, fazer limpeza periódica e revisão de laudos, garantindo o rendimento ao longo de 20–25 anos.
Em 2026, o mercado já dispõe de diversos fabricantes de componentes nacionais e fornecedores especializados, o que reduziu custos e riscos em relação a há 10 anos, quando o setor ainda era incipiente.
No entanto, quanto mais as empresas utilizarem fontes próprias para a produção de energia elétrica, mais elas contribuem para evitar que a população brasileira pague as sobretaxas das tarifas com bandeiras amarela e vermelha.
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