A pressão geopolítica sobre combustíveis fósseis e a disputa por rotas tecnológicas marcaram o Simpósio de Eficiência Energética, Emissões e Combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). O encontro reuniu especialistas para discutir caminhos possíveis — e ainda pouco consolidados — para reduzir emissões no transporte brasileiro, setor que segue altamente dependente do diesel.
Marcus Vinicius Aguiar, presidente da AEA, destacou que a indústria automotiva enfrenta uma combinação complexa: necessidade de eficiência energética, evolução dos combustíveis e exigências ambientais crescentes. Nesse contexto, a comissão técnica de Combustíveis do Ciclo Diesel, coordenada por Letícia Dranka, lançou a cartilha Boas práticas – Diesel comercial, com orientações para melhorar desempenho e durabilidade do combustível ao longo da cadeia.
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HVO e qualidade dos combustíveis
A professora Fátima Bento (UFRGS) apresentou estudos sobre o comportamento do diesel verde (HVO) em armazenamento simulado. Ela alertou que diferentes rotas produtivas geram combustíveis com características distintas, afetando estabilidade e desempenho — fatores sensíveis para frotas que operam longas jornadas. Também contextualizou o avanço regulatório com RenovaBio, Lei do Combustível do Futuro e a mistura obrigatória de 15% de biodiesel.
Regulação, custos e falta de dados
No painel regulatório, Roger Tadeu Gondim Guilherme (Volkswagen do Brasil) apontou a dificuldade de mensurar a pegada de carbono por falta de dados locais e metodologias harmonizadas. Ele defendeu implementação faseada e alertou que novas faixas do Proconve podem elevar custos sem ganhos proporcionais, retardando a renovação da frota.
B20, biocidas e riscos operacionais
Lorena Mendes de Souza (MME) apresentou avanços nos testes com B20, com foco na formação de borras em condições críticas. Já Gilles Laurent Grimberg (Actoil) alertou para o uso indiscriminado de biocidas, lembrando que mais de 60% das borras têm origem oxidativa, não microbiana. A AEA criou um grupo de trabalho sobre o tema, liderado por Sergio Viscardi.
Economia circular, remanufatura e reciclagem
João Irineu Medeiros (Stellantis) destacou o peso dos materiais — especialmente o aço — na pegada de carbono dos veículos e reforçou o papel estratégico do etanol. José Leonardo Sanches (Cummins) apresentou ganhos expressivos da remanufatura, apesar dos entraves logísticos. Já André Ferrarese (Tupy) alertou que o Brasil ainda está na fase inicial da reciclagem de baterias, limitado à produção de black mass.
A professora Glaucia Mendes Souza (USP) contestou o suposto conflito entre biocombustíveis e produção de alimentos, citando evidências de ganhos agrícolas e desenvolvimento regional.
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