segunda-feira, maio 4, 2026

Transporte de encomendas por ônibus: o case que pode inspirar outras viações

Case mostra como o uso do transporte rodoviário de passageiros para cargas fracionadas pode ampliar margens e reduzir ociosidade em rotas regionais

A interiorização da logística na Bahia ganhou escala recente com a operação da Águia Branca Encomendas, que movimentou 986 mil pacotes entre o segundo semestre de 2025 e os primeiros meses de 2026. O dado revela um caminho para empresas de transporte rodoviário que buscam novas fontes de receita além da venda de passagens: transformar a malha de ônibus em um ativo logístico de alta frequência.

A empresa, que integra o Grupo Águia Branca, opera 138 municípios e mantém 49 agências no estado. A capilaridade permitiu atender mais de 10 mil clientes e emitir cerca de 280 mil conhecimentos de transporte (CT-e) no período analisado.

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Segundo o coordenador Regional de Encomendas, Eduardo Sousa, o volume crescente mostra que existe uma demanda reprimida fora dos grandes centros, especialmente em regiões onde a logística tradicional tem baixa cobertura. “O que esses dados mostram é a necessidade de uma logística com alta frequência e previsibilidade para atender uma demanda espalhada geograficamente”, afirma.

Autopeças lideram demanda e revelam oportunidade para empresas de transporte

O levantamento aponta que 41% das encomendas transportadas na Bahia são de autopeças, seguidas pelos setores médico-hospitalar (11%) e eletrônicos (8%). A predominância de itens de reposição rápida reforça o potencial de negócios para empresas que operam rotas regulares e podem oferecer entregas diárias ou com múltiplas saídas.

Para gestores de outras empresas de transporte, o dado é importante: autopeças e insumos essenciais são segmentos com alta recorrência, baixo risco de sazonalidade e forte dependência de prazos curtos — exatamente o tipo de carga que se beneficia do modal rodoviário por ônibus.

O padrão indica que cidades médias e polos regionais são pontos relevantes para consolidação de cargas — e que o transporte por ônibus pode atender com eficiência localidades onde transportadoras tradicionais têm menor presença.

Por que o modelo funciona

O modelo funciona porque aproveita a alta frequência das viagens de ônibus já existentes para transportar cargas fracionadas, reduzindo tempos de embarque e ampliando a regularidade das entregas, especialmente em regiões com pouca infraestrutura logística.

O case da Águia Branca mostra que essa estratégia depende de três pilares: capilaridade, com uma rede ampla de agências para coletas e entregas rápidas; frequência, usando rotas diárias para gerar receita adicional sem ampliar a frota; e controle operacional, com rastreabilidade e padronização que garantem confiabilidade para setores sensíveis.

O resultado é transformar ônibus em ativos logísticos rentáveis, capazes de aumentar a margem das viagens, reduzir a ociosidade dos bagageiros, criar receita recorrente e diminuir a dependência da venda de passagens — uma alternativa concreta para empresas que enfrentam margens apertadas e forte concorrência.

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Saiba mais:
  • Mobitech low-cost
    A BusCo, startup criada pelos grupos Águia Branca e JCA para enfrentar plataformas como Buser, Wemobi e FlixBus, estreia no segundo semestre como uma mobitech low‑cost focada em passageiros de menor renda, combinando tecnologia, eficiência e preços reduzidos. Com investimento inicial de R$ 50 milhões, a empresa inicia operações com mais de 40 ônibus em capitais e polos como São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, Florianópolis, Maringá e São José do Rio Preto, oferecendo inicialmente categorias Executivo e Semileito, enquanto concorrentes já operam modelos mais luxuosos, como os Cama Leito DD da Levare. O CEO Claudio Souza, especialista em tecnologia e IA, afirma que algoritmos e automação permitirão tarifas mais competitivas e uma jornada totalmente digitalizada; já o diretor de Marketing Alex Rocco, com histórico premiado em telecom e mídia, reforça a estratégia de posicionamento e expansão. A BusCo também funcionará como solução automatizada para as viações parceiras — inclusive competindo com a Outlet de Passagens, do próprio Grupo JCA — e projeta mais de R$ 100 milhões em receita no primeiro ano, impulsionada pelo crescimento do transporte rodoviário digitalizado.
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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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