Veículos pesados têm papel decisivo na segurança de motociclistas e pedestres, apontam especialistas

Durante o Maio Amarelo, iniciativas de conscientização voltadas à redução de acidentes reforçam a importância da convivência segura entre diferentes tipos de veículos. Em ambientes urbanos cada vez mais complexos, caminhões e ônibus exercem papel fundamental na proteção dos usuários mais vulneráveis do trânsito, como motociclistas, ciclistas e pedestres.

Especialistas destacam que a condução de veículos pesados envolve particularidades que impactam diretamente a segurança viária. Entre os principais fatores estão os pontos cegos — áreas ao redor do veículo que não são visíveis ao motorista, mesmo com o uso dos retrovisores.

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O que diz o Código de Trânsito Brasileiro

O princípio de que “o maior cuida do menor”, amplamente difundido em campanhas de segurança viária, reforça a responsabilidade ampliada dos condutores de veículos de maior porte. Práticas como manter distância segura, evitar mudanças bruscas de faixa e respeitar os limites de velocidade são consideradas essenciais para prevenir acidentes.

O Código de Trânsito Brasileiro incorpora esse princípio ao estabelecer que veículos maiores devem adotar condutas mais cautelosas na convivência com os menores e mais vulneráveis. O Artigo 29 determina responsabilidades proporcionais ao porte do veículo, enquanto o §2º reforça a prioridade de pedestres e ciclistas no sistema viário.

Regra prática da direção defensiva

Motociclistas devem evitar permanecer nos pontos cegos — especialmente na lateral direita de caminhões — porque essas áreas não podem ser visualizadas pelo motorista do veículo pesado. Uma regra prática bastante utilizada na direção defensiva resume bem essa orientação: se o motociclista não consegue ver o rosto do caminhoneiro pelo retrovisor, provavelmente o caminhoneiro também não consegue vê-lo.

O editor da Frota News, Marcos Villela, formado em Gestão em Segurança no Transporte pela Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte), lembra que essa percepção simples pode evitar colisões graves em mudanças de faixa e conversões.

Da mesma forma, pedestres aumentam sua segurança ao priorizar travessias em locais sinalizados e manter atenção redobrada em áreas de grande circulação, reduzindo o risco de serem surpreendidos por veículos com limitações de visibilidade e maior distância de frenagem.

Distância de frenagem exige atenção redobrada

A maior distância necessária para frenagem — especialmente quando o caminhão está carregado — torna ainda mais crítica a manutenção preventiva de pneus, freios, suspensão e eixos.

As condições desses componentes influenciam diretamente o desempenho do veículo em situações de emergência, afetando aderência, estabilidade e tempo de resposta. Durante o Maio Amarelo, que reforça a importância das práticas preventivas no trânsito, esse aspecto ganha ainda mais relevância.

Segundo Fábio Torres Klabacher, gerente nacional de Vendas e Marketing da Dunlop Pneus, a manutenção dos pneus continua entre os fatores mais subestimados da segurança veicular. Pneus desgastados alteram parâmetros essenciais da dinâmica do veículo, como coeficiente de atrito, capacidade de frenagem e estabilidade direcional, aumentando a distância de parada e o risco de perda de controle, especialmente em veículos pesados, que possuem maior massa e inércia.

Tecnologia e gestão de risco ganham protagonismo

O Maio Amarelo também passou a ter novo significado no ambiente corporativo, deixando de ser apenas uma campanha de conscientização para se tornar um pilar estratégico de gestão de riscos.

A Alper Seguros destaca que investimentos em prevenção de acidentes e em tecnologias avançadas vêm transformando a segurança viária em eficiência operacional, reduzindo custos e fortalecendo a saúde financeira das empresas. Com a evolução do gerenciamento de frotas — antes concentrado quase exclusivamente no combate ao roubo de cargas — o setor passou a utilizar diagnósticos mais precisos sobre o comportamento dos motoristas por meio de rastreamento, telemetria e videomonitoramento.

Segundo Wesley Brasileiro, gerente de Riscos em Transporte de Cargas da Alper Seguros, o amadurecimento técnico do setor mudou a relação entre seguradoras e transportadoras, permitindo que empresas com programas estruturados de segurança obtenham condições contratuais mais competitivas.

A combinação de telemetria, câmeras inteligentes e análise de dados permite identificar anomalias antes que acidentes ocorram, atuando em três frentes: preventiva, com treinamentos direcionados; operacional, com alertas em tempo real ao motorista ou à central; e corretiva, com ajustes de processos e políticas após as viagens.

Um estudo da Frost & Sullivan, consultoria global especializada em inteligência de mercado e tecnologia, apontou que frotas equipadas com videotelemetria registraram redução de até 60% nas colisões, 65% menos eventos de excesso de velocidade e 80% menos distrações ao volante.

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Além disso, a campanha deste ano da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), com o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, reforça a necessidade de conscientização e de investimentos em soluções preventivas.

Nesse cenário, empresas têm apostado cada vez mais em ferramentas capazes de identificar fadiga, distrações, uso de celular ao volante e direção agressiva em tempo real, utilizando inteligência artificial e análise de dados para ampliar a segurança operacional.

No entanto, Michael Teixeira, gerente de Projetos e Serviços Digitais da Aumovio, ressalta que a tecnologia atua como complemento ao fator humano:

“Mesmo com monitoramento, alertas e gestão, a falha humana ainda pode acontecer. E é nesse ponto crítico, em frações de segundo, que entram os sistemas inteligentes de frenagem para evitar colisões traseiras, frontais e saídas de pista.”

Fator humano e saúde mental entram no centro da segurança

O gerenciamento de risco contemporâneo deixou de monitorar apenas o veículo e passou a considerar também os impactos do estresse crônico, da pressão por prazos e do medo de roubos sobre a saúde mental dos motoristas.

Esses fatores aumentam a incidência de ansiedade, depressão e burnout, elevando o risco de acidentes e os custos operacionais relacionados a seguros e assistência médica.

Wesley Brasileiro reforça que garantir jornadas adequadas e cuidar do estado emocional do condutor tornou-se uma das bases mais importantes das políticas modernas de segurança viária. Ele destaca ainda o avanço de plataformas capazes de avaliar a saúde física e mental do motorista antes das viagens, utilizando inteligência artificial e suporte médico para identificar riscos silenciosos.

“De nada adianta termos tecnologia de ponta e processos bem estruturados se não cuidarmos da peça fundamental da operação, que é o motorista”, conclui.

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Filipi Goschrman
Filipi Goschrmanhttps://www.frotanews.com.br
Filipi Goschrman é um profissional com ampla experiência em inteligência de mercado, tendência, comportamento e negócios. Há 10 anos, se dedica a analisar e entender o mercado e os consumidores. Responsável pelo planejamento comercial do Frota News, atua também como diretor executivo do Guia de Turismo de São Paulo, uma plataforma de serviços e soluções para o turismo na cidade de São Paulo.
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