quarta-feira, maio 22, 2024

RODOVIA PRESIDENTE DUTRA PODE SER CORREDOR DE GÁS E HIDROGÊNIO

A rodovia Presidente Dutra pode não ser a maior em extensão, no entanto, é gigante em importantes números, como o maior faturamento em pedágios pela CCR S.A., tráfego de veículos, transporte rodoviário e endereço de indústrias, transportadoras e diversos outros segmentos.

Agora, a Dutra poderá se tornar um importante corredor para abastecimento de veículos movidos a gás com benefícios para o meio ambiente, economia circular, indústria da reciclagem e redução dos custos de pedágio para os transportadores, além de diversos outros ganhos para as indústrias no seu entorno.

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O Governo do Estado do Rio de Janeiro está trabalhando em um projeto que visa instalar pontos de abastecimento de alta capacidade para criar um corredor azul de combustíveis alternativos ao diesel.

Já existem operações logísticas neste corredor com caminhões a gás, como o da L’Oréal realizada pela RN Express, porém, faltam postos de abastecimento em toda a extensão, principalmente, para gás de baixa emissão, como o biometano.

Há postos de GNV (Gás Natural Veicular) que tem quase o mesmo nível de emissões do diesel , tendo uma redução de apenas 15% de CO₂. O biometano reduz as emissões em cerca de 90% de CO₂.

Recursos do pedágio

O projeto-piloto será implantado na rodovia Presidente Dutra entre o Rio e São Paulo. Segundo o relatório de prestação de contas da concessionária CCR RioSP, em 2022, essa rodovia registrou a passagem de 76.565.021 veículos pagantes de pedágio e 144.794.253 veículos equivalentes bidirecionais em suas 8 praças de pedágio.

O faturamento da empresa atingiu a marca de R$ 970.415.000 apenas com atividades de transporte rodoviário. Já quando computadas as receitas financeiras extra com outras atividade e de construção obtidas no período, o montante alcançou R$ 1.257.162 milhões.

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Além da Dutra

O governo do Rio de Janeiro visa ampliar esse corredor azul, abrangendo outros estados que fazem parte do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud). Esse consórcio reúne importantes estados brasileiros, como São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, que juntos somam 70% do PIB nacional e abrigam aproximadamente 119 milhões de habitantes.

Um dos principais impulsos para esse projeto é o fato de o Rio de Janeiro ser o principal produtor de gás natural no país. Essa infraestrutura já existente de abastecimento de GNV e GNL poderá ser adaptada no futuro para movimentar o hidrogênio de baixo carbono, uma substância promissora para a descarbonização industrial e do transporte.

Também há espaço para o biometano. Aliás, o Rio já possui postos de abastecimento com gás biometano, estabelecimento ainda inexistente em São Paulo.

Desde 2021, a Suíça já conta com postos de hidrogênio para abastecimento de caminhões

O biometano como novo pré-sal

No Brasil, há 41 projetos de usinas de biogás e biometano em andamento, segundo a ABiogás – Associação Brasileira do Biogás. Isso deve aumentar a produção desse biocombustível para 32 milhões de m³ até 2030. Os investimentos previstos para esse aumento acontecer são de R$ 7,4 bilhões. Há, ainda, outras empresas investindo na infraestrutura para distribuição do biometano.

Todos os “lixões” podem se transformar em usinas de biogás, um combustível utilizado por muitas indústrias e para a produção do biometano. O biometano oferece muitas vantagens em relação ao GNV por ser mais limpo e promover a indústria da reciclagem, pois faz parte da economia circular.

As pessoas podem produzir o biogás a partir de resíduos orgânicos jogados na natureza, seja de materiais descartados em fazendas, indústrias, comércios e residências. Muitas formas de reaproveitamento dos resíduos orgânicos existem. No entanto, até o momento, quase a totalidade é jogada em lixões, redes de esgotos, rios e nos oceanos. Como matéria-prima, esses resíduos podem gerar tanto energia elétrica como combustível mais limpo para veículos e indústrias, além de residências.

Logística verde

A RN Express é um exemplo de operador que possui diversos caminhões movidos a gás e que faz questão de priorizar o uso do gás biometano em vez do GNV. A RN utiliza GNV somente na falta do biometano. A RN Express atende grandes indústrias, como a L’Oréal, Nestlé, Nespresso, Amazon, Mercado Livre, Samsung Electronics, B. Braun Group, Biesterfeld Group, Olam, entre outras, todas buscando soluções de transporte mais limpas.

Para concretizar esse projeto ambicioso, o governo federal e as concessionárias de distribuição de gás canalizado do Rio de Janeiro e São Paulo já estão mapeando os pontos de abastecimento ao longo da rodovia Presidente Dutra.

Benefícios para os veículos pesados

A ideia é tornar a Dutra o primeiro projeto-piloto do corredor azul, com postos de abastecimento preparados para GNV de alta vazão, atendendo a veículos pesados de maneira mais rápida.

Entre as possíveis ações estudadas estão benefícios no pagamento de pedágios e a criação de faixas exclusivas para veículos movidos a gás natural, biometano e hidrogênio. O objetivo é garantir que os veículos movidos a hidrogênio circulem em todo o país, não se limitando apenas ao estado do Rio de Janeiro.

Empresas fabricantes de veículos e motores, como Toyota do Brasil, Marcopolo S.A. e Tupy, já demonstraram interesse no projeto e na instalação do corredor de hidrogênio na Via Dutra. No entanto, elas destacam a importância de políticas públicas e investimentos que viabilizem a compra desses veículos e o desenvolvimento da infraestrutura necessária para a disseminação do uso de hidrogênio como combustível.

Dutra
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No Brasil, duas marcas investem um portfólio de caminhões pesados movidos a gás, tanto com GNV quanto com biometano: Scania Brasil e Iveco Brasil.

O governo do Rio de Janeiro também visa incentivar a produção de hidrogênio verde, feito a partir de eletrólise com energia renovável, e hidrogênio azul, obtido por meio da reforma do gás natural com captura de carbono. Com o desenvolvimento dessas fontes de energia limpa, o estado atende a demanda interna de gás natural e hidrogênio, abrangendo setores como o transporte, a indústria e a produção de aço e fertilizantes.

Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Sou jornalista no setor da mobilidade desde 1988, com atuações em jornais, nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, como editor da revista Transporte Mundial entre 2002 e maio de 2023, e com experiência em cobertura na área de transporte no Brasil e em cerca de 30 países. Representante do Brasil como membro associado do ITOY (International Truck of the Year), para troca de experiências e conteúdos jornalísticos. Mais, recente começou como colaborador do corpo docente na Fabet (entidade educacional sem fins lucrativos).
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