Setcepar alerta para impactos crescentes das limitações de circulação e estacionamento em Curitiba e outras cidades paranaenses
As restrições à circulação de caminhões nos grandes centros do Paraná têm ampliado os desafios enfrentados pelo transporte rodoviário de cargas, afetando diretamente a produtividade, os custos operacionais e o abastecimento de regiões comerciais e residenciais.
Em Curitiba, veículos com mais de sete toneladas ou sete metros de comprimento estão proibidos de circular na Zona Central de Tráfego das 9h às 19h nos dias úteis e das 9h às 13h30 aos sábados. Na Linha Verde, caminhões com peso bruto total acima de dez toneladas enfrentam limitações das 7h às 9h e das 17h às 19h, de segunda a sexta-feira.
As regras obrigam transportadoras a reorganizar rotas, horários, equipes e até o tipo de veículo utilizado. Para o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), os impactos vão além dos atrasos pontuais e comprometem todo o planejamento das operações urbanas.
Segundo Silvio Kasnodzei, presidente da entidade, as transportadoras são obrigadas a operar em janelas noturnas ou madrugadas, comprimindo a jornada útil, elevando custos com horas extras e expondo motoristas a riscos de segurança. Soma-se a isso a escassez crônica de vagas regulamentadas para carga e descarga, que força paradas irregulares e gera multas e retrabalho.
Os reflexos se estendem por toda a cadeia de abastecimento. Segundo estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), as entregas urbanas podem representar até 28% do custo total do transporte, e as dificuldades encontradas nas cidades afetam diretamente o nível de serviço, o cumprimento dos prazos e o preço final dos produtos.
O avanço do comércio eletrônico intensifica ainda mais o cenário. O setor faturou R$ 204,3 bilhões em 2024, com 414,9 milhões de pedidos, ampliando a demanda por entregas rápidas e operações em horários variados. “Na prática, isso significa mais veículos circulando, maior número de paradas e operações em horários cada vez mais variados, inclusive aos finais de semana. Essa demanda precisa ser atendida por uma malha viária que não foi planejada para suportar a atual densidade de movimentação”, destaca Kasnodzei.
Ainda conforme a CNT, as dificuldades urbanas podem acrescentar até 20% ao valor do frete. Em Curitiba, tramita também uma proposta que limita a 12 horas o estacionamento de veículos pesados em áreas residenciais, ampliando a preocupação do setor com medidas que não sejam acompanhadas pela oferta de locais adequados para parada e descanso.
O SETCEPAR defende que novas regras sejam precedidas de estudos de impacto logístico e debatidas com transportadoras, embarcadores, comerciantes e entidades representativas. “Quando o município restringe a circulação ou o estacionamento sem oferecer infraestrutura alternativa, transfere o custo da falta de planejamento para as transportadoras, os motoristas e os consumidores. Restrição sem estrutura gera multas, aumenta o frete e encarece o abastecimento. No fim, quem paga essa conta é a própria população”, conclui Kasnodzei.



