Na Lat.Bus 2026, enquanto a maioria dos fabricantes de chassis e carrocerias surpreendeu o público com lançamentos e soluções reais de inovação, a Iveco Bus protagonizou uma das participações mais sem inovação do evento. A fabricante optou por reapresentar produtos já exibidos na edição de 2024.
A principal novidade ficou evidente no anúncio do chassi 17.210. Longe de ser uma verdadeira inovação, o produto soa mais como uma solução de ocasião: o reaproveitamento de um motor de 4 cilindros já conhecido montado sobre a estrutura do chassi 17.280 também já conhecida. Um novo chassi fruto de retalhos para atender clientes que querem produtos baratos. Além disso, produto que faz mal para a saúde dos motoristas, como já relatamos em outra reportagem:
O novo Iveco Bus 17.210, com certeza, não é uma decepção para os frotistas que buscam alternativas ao Mercedes-Benz OF 1721 e Volksbus 17.230, modelos que possuem, praticamente, 100% do mercado de transporte coletivo urbano com motor dianteiro padrão. Esses três modelos representam o que o Brasil tem de mais atrasado em transporte de passageiro, porém, economicamente mais viáveis para os empresários e gestores públicos.
Para completar o cenário de retração, a empresa evitou entrevista com o principal executivo, esquivando-se de responder a questionamentos técnicos sobre a real maturidade e a viabilidade comercial das suas propostas.
No mesmo dia que a Iveco lançava o 17.210 para concorrer com o líder do segmento, o Mercedes-Benz OF 1721, a fabricante de São Bernardo do Campo lançava a versão elétrica desse lider de mercado, o eCity, com promessa de custar até 30% menos do que os ônibus padrões de 17 toneladas para transporte urbano coletivo.
Em qualquer comparativo com os outros expositores da feira, a Iveco se firmava como uma decepção pela falta de inovação no Brasil. Na Europa, a empresa tem um posicionado oposto. A justificativa sobre a necessidade de regionalização para as realidades locais são válidas e usadas por todas marcas. No entanto, a regionalização da Iveco é um abismo em comparação com as marcas dos grupos Traton (Scania e Volkswagen), Daimler Buses (Mercedes-Benz) e Volvo Buses, que também desenvolvem produtos para realidades diferentes.

A Iveco, durante a coletiva de imprensa, apresentou com orgulho que tinha 57% de participação no segmento de ônibus a gás na Europa, decepcionando novamente por não ter projetos concretos e apenas teóricos e antigos para o Brasil.
Isso no mesmo momento, que a Scania apresentava o chassi Padron a gás dentro das especifícações da SPTtrans, a Marcopolo viabilizando o Fly 10 GV e embarcadores, como a Natura, avisando que os prestadores de transporte de fretamento vão ter que renovar suas frotas para ônibus movidos a biometano.
Na mesma feira, a Iveco não sabia explicar porque o chassi a gás dela está há tantos anos em processo de homologação e quando realmente será lançado.
Pelo fato das montadoras não oferecerem soluções, cresce o mercado de retrofit de ônibus a diesel para biometano. A MWM Motors e Mercedes-Benz estão consturando um acordo com esta finalidade. Há vários movimentos ignorados pela líder europeia em veículos movidos a gás.
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Se a Lat.Bus é o palco da evolução do transporte, a Iveco Brasil sai da feira como a grande devedora de soluções à altura do mercado.


