sábado, abril 4, 2026

Transporte público perde espaço, e retomada depende de qualidade

Em uma visita à Suécia para conhecer tecnologias para transporte público da Volvo, ouvi de um executivo a seguinte frase:

“Para o cidadão escolher o transporte público, ele precisa oferecer qualidade e conforto semelhantes aos do transporte individual.”

Essa lógica funciona bem em países nórdicos — mas, no Brasil, ela beira a utopia no momento. Com raras exceções, como a região da Av. Paulista, em São Paulo, o transporte público no país ainda deixa a desejar. Em muitas cidades, ele perde inclusive na relação custo-benefício. No entanto, esse cenário pode mudar com novas tecnologias para melhorar qualidade e eficiência.

Ônibus ainda é o principal meio de transporte do trabalhador brasileiro

Apesar das queixas recorrentes sobre perda de passageiros para carros, motos e apps, o ônibus continua sendo o principal meio de transporte diário no Brasil.

Segundo pesquisa nacional da Ticket, em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa (RB), que ouviu cerca de 4 mil pessoas em todo o país:

  • 35% utilizam o ônibus como principal meio de locomoção;
  • 30% usam o carro particular;
  • 11% optam pela motocicleta;
  • 8% utilizam metrô ou trem;
  • 4% preferem aplicativos de transporte;
  • 3% vão de bicicleta;
  • 9% escolhem outros meios.

Apesar da perda de 30% da demanda desde 2014, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o ônibus permanece como base da mobilidade urbana, sobretudo entre a população de menor renda.

A diferença que um chassi faz

O tipo de chassi utilizado impacta diretamente o conforto da viagem. Em São Paulo, ônibus com ar-condicionado, motor traseiro, câmbio automático, freios a disco e suspensão a ar, como o Mercedes-Benz O500, atendem a periferia. Em outras capitais, como Belo Horizonte, predominam modelos mais simples, com motor dianteiro, freio a tambor, suspensão metálica e câmbio manual. Isso na frota atual

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Recentemente, chassis com motor dianteiro passaram a incorporar suspensão pneumática, elevando um pouco o padrão. Fabricantes afirmam que oferecem os veículos conforme a demanda e o orçamento dos operadores.

  • A Mercedes-Benz mantém desde o modelo de entrada OF 1619 até o sofisticado O500.
  • A Volkswagen Caminhões e Ônibus também atua com opções de entrada na categoria padrão Volksbus 15.210 até 18.320 com motor traseiro.
  • A Volvo, que relutava em lançar um chassi com motor dianteiro, produziu o B270F entre 2011 e 2022, mas o substituiu pelo B320R, mais moderno e completo.
  • A Scania retirou de linha os modelos F250, F270 e F360, por alinhamento global. Atualmente, aposta em parcerias com a Eletra e em ônibus a gás.
transporte público
Acima, o Volvo BZL elétrico e o urbano B320R. Abaixo, o Scania K230 elétrico e o K280 a gás

Embora o motor dianteiro seja necessário em locais com topografia acentuada, como certas áreas de Belo Horizonte, isso deveria ser exceção — não regra.

Mercado em expansão: vendas de ônibus crescem 32,4%

O setor de ônibus registrou crescimento expressivo de 32,4% no acumulado até abril de 2025, em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Denatran.

Ranking de fabricantes (jan-abr/2025):

Fabricante Unidades vendidas Participação (%)
Mercedes-Benz 3.389 43,8%
Volkswagen Caminhões e Ônibus 1.966 25,4%
Agrale 1.123 14,5%
Iveco 775 10,0%
Volvo 199 2,6%
Scania 166 2,1%
Outras (incluindo BYD e importadas) 111 1,4%
Total 7.729 100%

 

A Iveco foi o destaque, com alta de 252,3%, impulsionada por sua presença no segmento de entrada e intermunicipal. Já a BYD, com apenas 4 unidades em 2024, saltou para 111 neste ano — um avanço de 2.675%, indicando maior diversidade no mercado.

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Fonte: Anfavea

O dilema do cobertor curto

A qualidade do transporte público está diretamente ligada aos recursos disponíveis. Se há orçamento, compram-se veículos modernos. Caso contrário, opta-se pelos modelos básicos.

O uso do ônibus no Brasil está diretamente ligado à condição socioeconômica das pessoas. Para muitos, é a única opção diante do alto custo de manter um veículo próprio”, afirma Clarisse Linke, diretora do ITDP Brasil.

Diferenças de gênero e região

A pesquisa também identificou disparidades entre homens e mulheres:

  • Homens: ônibus (32%) e carro particular (32%) empatados, com a motocicleta em terceiro (14%).
  • Mulheres: ônibus (39%) lidera, seguido por carro particular (28%) e trilhos (10%).

Além da renda, a segurança pesa mais para as mulheres.

Mulheres priorizam opções com menor exposição a riscos, mesmo com falhas estruturais”, explica a socióloga Mariana de Souza, especialista em mobilidade e gênero.

Trilhos: exceção, não regra

O transporte sobre trilhos ainda é limitado no Brasil. Dos R$ 1 trilhão movimentados pelas dez maiores commodities exportadas em 2024, pouco ou nada foi investido em transporte de passageiros sobre o trilho. A exceção é o trem da Vale, entre BH e Vitória, que parece mais marketing do que política pública.

Das 27 capitais, apenas 12 têm algum tipo de transporte sobre trilhos — e nenhuma com qualidade próxima à de São Paulo. Obras seguem paralisadas ou lentas em Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Em São Paulo, as linhas 4-Amarela e 5-Lilás, concedidas à iniciativa privada, são referência em conforto e pontualidade. Já as linhas 1-Azul e 3-Vermelha enfrentam superlotação diária.

Fretamento: a saída do setor privado

Empresas privadas preferem fretar ônibus a depender do transporte público. Segundo a ANTT, o Brasil possui cerca de 9 mil empresas de fretamento, que atendem demandas de turismo e, principalmente, de transporte corporativo.

Os veículos usados no fretamento são, em geral, modelos rodoviários de entrada, com mais conforto do que os urbanos.

Tarifas em alta e mais insatisfação

Em 2025, várias capitais reajustaram tarifas. Florianópolis passou a ter a passagem mais cara do país. O custo elevado torna aplicativos como Uber mais competitivos para pequenos grupos.

O usuário paga caro, enfrenta atrasos, superlotação e tem pouca segurança. Isso alimenta um ciclo vicioso de migração para o transporte individual”, avalia Rafael Calabria, do Idec.

Alternativas ganham espaço

Apesar do domínio do ônibus, crescem os usos de bicicletas (3%) e aplicativos (4%). Cidades como Recife, Fortaleza e São Paulo investem em ciclovias, enquanto apps atraem jovens e moradores de grandes centros urbanos.

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Ranking dos países da América Latina e das cidades com maiores frotas de ônibus elétrico, incluindo a bateria e trólebus. Fonte: E-Bus Radar

O que está em jogo

O transporte público vive um impasse: enquanto é o principal meio de locomoção da população trabalhadora, enfrenta subfinanciamento, má gestão e falta de inovação.

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Marcel Martin, durante a Latam Mobility 2025

Avanços como bilhete único, corredores exclusivos e integração modal ainda são insuficientes para reverter a perda de usuários.

Mas há perspectivas positivas: a renovação da frota com modelos Euro 6, menos poluentes, e o avanço dos ônibus elétricos, que garantem mais conforto e sustentabilidade.

Além de zerar as emissões, os ônibus elétricos reduzem ruído e vibração. Muitos usuários preferem esperar por um elétrico para viajar com mais conforto”, afirma Marcel Martin, diretor do ICCT Brasil.

Jamef celebra 62 anos com expansão e foco em inovação

Jamef celebra 62 anos com expansão e inovação; Atvos patrocina evento regional e reforça seu papel no desenvolvimento sustentável do Oeste Paulista; FPT Industrial é premiada pela FUSO pela excelência na parceria e no fornecimento de motores globais.

A Jamef celebra 62 anos de atuação com uma base de 95 mil clientes atendidos e mais de 140 mil toneladas transportadas somente em 2024. Com uma frota de 1,2 mil veículos e presença em 22 estados por meio de mais de 30 unidades, a empresa tem ampliado sua capilaridade com novas filiais em Belém (PA), Feira de Santana (BA) e Brasília (DF). Os investimentos recentes incluem uma nova sede corporativa em São Paulo e o uso de tecnologias atuais, como inteligência artificial, roteirização inteligente e sistemas de telemetria para monitoramento do bem-estar dos condutores.

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Apareça também para os embarcadores e frotistas

A empresa também publica anualmente um Relatório de Sustentabilidade — que, na última edição, apontou a reciclagem de mais de 20 toneladas de resíduos — e mantém programas voltados ao bem-estar dos cerca de 4 mil colaboradores, incluindo ações de saúde, apoio emocional e ambientes de descanso. Segundo o CEO da Jamef, Marcos Rodrigues, os avanços fazem parte de um plano estruturado de crescimento sustentável. “Seguimos avançando graças a uma infraestrutura moderna e uma frota robusta, sem esquecer de atitudes sustentáveis e do cuidado com as pessoas. Queremos garantir uma elevada satisfação tanto de clientes quanto de nossos profissionais, em todos o Brasil”, afirma.

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Prudente Rodeo Bulls

De 22 a 24 de maio, a Atvos, produtora de biocombustíveis, será patrocinadora oficial do ‘Prudente Rodeo Bulls’, em Presidente Prudente (SP). Com cerca de 40 mil pessoas esperadas, o evento movimentará a economia regional, e a participação da Atvos — por meio da Unidade Conquista do Pontal, em Mirante do Paranapanema — destaca sua atuação estratégica na produção de etanol, açúcar VHP e energia limpa, além da geração de empregos diretos e indiretos. Haverá os shows de artistas como Bruno e Marrone, Jorge e Mateus e Hugo e Guilherme.

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Prêmio FUSO Supplier

A FPT Industrial, marca do Iveco Group, recebeu o prêmio FUSO Supplier 2025 na categoria Parceria, concedido pela Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corporation, parte da Daimler Truck AG. O reconhecimento destaca a excelência técnica da FPT e sua colaboração estratégica com a FUSO, refletida na entrega de mais de 650 mil motores F1C, que equipam modelos como o Canter e o micro-ônibus Rosa em mais de 70 países.

Scania amplia família do motor Super com novo 11 litros

Neste artigo, confira as seguintes novidades: a Scania lança o motor Super 11 litros mais leve; a Itamaracá Transportes reforça a frota da RMR com 53 novos ônibus VW 17.230; e o Sindirepa-SP anuncia a 16ª edição do prêmio Melhores do Ano, que reconhece as marcas de autopeças mais bem avaliadas por reparadores em todo o Brasil.

Posicionado entre os motores de 9 e 13 litros do portfólio Scania, o Super 11 promete entregar até 7% mais economia de combustível em relação ao motor de 9 litros, sendo 85 kg mais leve que o robusto Super 13. A novidade atende aos padrões de emissões Euro 4, 5 e 6, e estará disponível a partir de junho de 2025, nas versões de 350, 390 e 430 cavalos de potência.

Projetado especialmente para aplicações sensíveis ao peso e com alta demanda por eficiência energética, o Super 11 oferece torque máximo de até 2.200 Nm e se adapta a operações, como transporte regional, urbano, coleta de resíduos, transporte de combustíveis, entre outros.

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Compartilhando 85% dos componentes com o motor Super 13, o novo propulsor utiliza óleo LDF-5, que permite que os intervalos de manutenção sejam até 30% mais longos. Isso vai depender muito das condições da região que for rodar. 

O Super 11, como todos os motores desenvolvidos nos últimos anos, tem compatibilidade com combustíveis alternativos, como HVO (óleo vegetal hidrotratado) e FAME (éster metílico de ácido graxo), permitindo a redução imediata da pegada de carbono sem a necessidade de adaptação na infraestrutura.

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Volksbus 17.230

A Itamaracá Transportes, integrante do Consórcio Conorte, colocou em operação 53 novos chassis Volksbus modelo VW 17.230 na Região Metropolitana do Recife, reforçando seu compromisso com a modernização da frota e a melhoria do transporte público. Com essa aquisição, a empresa passa a contar com 227 ônibus, sendo 96% da marca Volkswagen. Os novos veículos se destacam pelo câmbio automático, que proporciona mais conforto, segurança e eficiência operacional. A parceria de longa data com a VWCO inclui suporte técnico, treinamentos e manutenção, reafirmando o foco em mobilidade urbana de qualidade e maior comodidade aos passageiros.

Educação em Transportes:

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Prêmio para marcas de autopeças

O Sindirepa-SP realiza, há 16 anos, o prêmio Melhores do Ano, que reconhece as marcas de autopeças e equipamentos mais bem avaliadas por reparadores de todo o Brasil. Os vencedores são definidos com base em uma pesquisa online conduzida pela Cinau com profissionais associados à entidade. As empresas mais votadas em 16 categorias recebem os selos Ouro, Prata e Bronze, válidos por um ano para uso promocional. A edição de 2025 acontecerá em 10 de junho, na sede da Fiesp, em São Paulo. As categorias avaliadas incluem desde amortecedores, filtros e embreagens até sistemas de climatização e equipamentos de diagnóstico.

Mira Transportes mira liderança no setor farmacêutico

Neste artigo, temos a Mira Transportes que investe na expansão no mercado farmacêutico com presença na Abradilan Conexão Farma; a DATAFRETE, por sua vez, celebra 14 anos com o lançamento de uma nova solução de inteligência logística baseada em dados; e a Netmak Empilhadeiras que reforça seu compromisso com a segurança ao intensificar uma campanha educativa voltada à prevenção de acidentes e ao cumprimento da NR-11. Saiba mais:

Mira Transportes na Conexão Farma

Com o objetivo de ampliar sua atuação no setor farmacêutico, o Mira Transportes participou, pela primeira vez, da Abradilan Conexão Farma, a maior feira da indústria farmacêutica do Brasil. O evento, que recebeu mais de 32 mil visitantes ao longo de três dias, reuniu os principais líderes da indústria, distribuidores, varejistas e profissionais de saúde.

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DATAFRETE completa 14 anos com novo módulo de dados

A DATAFRETE celebra 14 anos de trajetória com o lançamento do Cockpit 360, módulo focado em consolidar dados e gerar insights estratégicos para otimizar a operação das empresas. Com crescimento de 40% em 2024 e projeção de 50% para 2025, a empresa já movimenta mais de 16 bilhões de reais em mercadorias por mês, atende mais de 205 clientes e calcula mais de 72 milhões de fretes mensalmente.

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Netmak Empilhadeiras reforça campanha de segurança

Diante do crescente alerta sobre acidentes no ambiente de trabalho, a Netmak Empilhadeiras intensifica sua campanha educativa sobre a importância da capacitação de operadores e do cumprimento da NR-11, norma que regulamenta a movimentação de materiais e o uso de empilhadeiras no Brasil.

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“Mais do que vender equipamentos, temos responsabilidade com a segurança das operações. A prevenção começa com informação e treinamento adequado”, afirma Junior Orbolato, diretor comercial da Netmak.

Segundo a OIT, o Brasil registra 1,3 milhão de acidentes de trabalho por ano, muitos associados à falta de treinamento e descumprimento das normas. A campanha da Netmak busca promover uma cultura de segurança contínua, aliando produtividade à conformidade legal e à redução de riscos.

Europa avança para reduzir idade para habilitação e combater a escassez de motoristas profissionais

A grave escassez de motoristas profissionais na União Europeia, especialmente entre os mais jovens, levou o Parlamento Europeu a dar um passo decisivo rumo à modernização das regras de habilitação. A Comissão dos Transportes e do Turismo aprovou recentemente a revisão da diretiva relativa à carta de condução da UE, com o objetivo de tornar a profissão mais acessível, atrativa e adaptada às exigências do século XXI.

A nova regulamentação, que ainda precisa ser formalmente ratificada pelo Parlamento Europeu no outono e, em seguida, pelo Conselho, traz mudanças estruturais que respondem diretamente às preocupações da indústria de transportes. Entre os principais pontos estão a definição clara da idade mínima para motoristas profissionais, a introdução da carta de condução digital, a promoção de veículos com combustíveis alternativos, o reconhecimento facilitado de licenças de países terceiros e a possibilidade de condução acompanhada a partir dos 17 anos.

A expectativa é que essas medidas contribuam para reverter o envelhecimento da força de trabalho no setor e abrir novas portas para os jovens que desejam ingressar na profissão, além de modernizar e descarbonizar o sistema de transportes europeu.

Idade mínima definida para motoristas profissionais

Uma das principais novidades é o esclarecimento sobre a idade mínima para habilitação profissional. Jovens a partir dos 18 anos, que possuam o Certificado de Competência Profissional (CPC), poderão dirigir veículos de transporte de mercadorias em rotas nacionais e internacionais. Para os motoristas de ônibus, a idade mínima permanece em 21 anos.

Apesar do avanço, a Organização Internacional do Transporte Rodoviário (IRU) lamenta a manutenção do limite de 50 km para motoristas de ônibus com menos de 21 anos, o que, segundo a entidade, dificulta a renovação do quadro profissional no setor de passageiros.

Condução acompanhada aos 17 anos: formação precoce com segurança

Com o objetivo de fomentar o ingresso precoce na condução profissional, os países da UE poderão adotar programas de condução acompanhada a partir dos 17 anos. A medida será obrigatória para a carta de condução tipo B (automóveis) e facultativa para categorias profissionais como C, C1 e C1+E (veículos pesados).

Os jovens deverão ser acompanhados por condutores experientes e treinados, que tenham concluído entre 7 e 14 horas de formação específica. A iniciativa visa preparar melhor os futuros profissionais e contribuir para a segurança rodoviária desde a fase de aprendizagem.

Incentivo a veículos com combustíveis alternativos

A nova diretiva também amplia o acesso de condutores com carta tipo B a veículos movidos por combustíveis alternativos, com peso total de até 4,25 toneladas. A medida vale tanto para o transporte de mercadorias quanto de passageiros e está alinhada às metas de descarbonização da UE.

A proposta busca estimular a adoção de tecnologias mais limpas e sustentáveis, ao mesmo tempo em que flexibiliza o uso de veículos mais pesados dentro da categoria B.

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Reconhecimento de licenças de países terceiros

Para facilitar a contratação de mão de obra estrangeira, a nova norma estabelece critérios claros para o reconhecimento da habilitação de condução de países terceiros. Será criada uma lista de países cujos sistemas de formação atendem aos requisitos europeus, agilizando o processo de validação.

Contudo, o reconhecimento das qualificações profissionais desses motoristas ainda está pendente. A IRU (International Road Transport Union ou União Internacional do Transporte Rodoviário em português) alerta que, sem essa homologação, as transportadoras continuarão enfrentando obstáculos legais para empregar condutores de fora da UE. A revisão do CPC é vista como essencial para aproveitar plenamente o potencial de trabalhadores estrangeiros qualificados.

Um novo cenário para os transportes na Europa

Com essa reforma, a União Europeia sinaliza uma mudança abrangente em seu sistema de formação e habilitação de condutores. Ao combinar inclusão de jovens, transição energética, digitalização e abertura a profissionais estrangeiros, o bloco reforça seu compromisso com um setor de transportes mais eficiente, seguro e sustentável.

A expectativa é que as medidas tragam benefícios concretos para transportadoras, motoristas e cidadãos, além de contribuir para os objetivos climáticos do continente. Será que funcionaria no Brasil?

Brasil terá mais de 11 mil ônibus elétricos até 2030, projeta Aliança ZEBRA

A transição energética do transporte público urbano no Brasil começa a ganhar tração. Em 2024, o governo federal anunciou a destinação de recursos do Novo PAC para financiar a aquisição de 2.296 ônibus elétricos em diversas cidades do país, marcando um novo capítulo na agenda de descarbonização da mobilidade. Esse volume já representa mais do que o total de ônibus elétricos em operaçãos atualmente em território nacional.

São Paulo lidera esse movimento, com metas ambiciosas: a capital pretende substituir mais de 8 mil ônibus movidos a diesel por modelos elétricos até 2030. Outras cidades, como Salvador, Curitiba, Niterói, Campinas, São José dos Campos, Goiânia e Rio de Janeiro, também já deram passos concretos rumo à eletrificação, embora enfrentam desafios distintos de infraestrutura, financiamento e planejamento.

A rede internacional C40 Cities, que conecta mais de 100 grandes cidades comprometidas com ações climáticas, tem atuado diretamente nesse processo. A organização, que reúne prefeitos e especialistas em políticas públicas sustentáveis, apoia tecnicamente os municípios na estruturação de projetos e na troca de experiências para acelerar a transição para veículos de emissão zero. No Brasil, a C40 participa da Aliança ZEBRA (Zero Emission Bus Rapid-deployment Accelerator), iniciativa criada em parceria com o ICCT (Conselho Internacional de Transporte Limpo).

Para entender o panorama atual da eletrificação da frota de ônibus no Brasil, os gargalos enfrentados e os aprendizados de São Paulo que podem ser aplicados em outras cidades, a Frota News conversou com Thomas Maltese, executivo da C40 Cities para a América Latina. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Frota News — Qual é o papel da C40 Cities na questão da mobilidade urbana e da eletrificação das frotas?

Ônibus elétrico
Thomas Maltese, executivo da C40 Cities

Thomas Maltese — A C40 é uma rede de prefeitos que, com nosso apoio, enfrentam a urgência da crise climática. Já temos 20 anos de atuação e, há mais de uma década, trabalhamos com cidades latino-americanas no processo de descarbonização do transporte, especialmente dos ônibus. Em 2019, lançamos a Aliança ZEBRA, em parceria com o ICCT, focada no apoio técnico para fomentar políticas públicas de transporte limpo, com destaque para São Paulo.

Quantas cidades brasileiras já aderiram à eletrificação dos ônibus?
Hoje temos mais de 25 cidades no Brasil com ônibus elétricos em circulação. E esse número tende a crescer bastante nos próximos anos.

É possível projetar quantos ônibus elétricos estarão em operação até 2030?
Temos um estudo com projeções. São Paulo, por exemplo, tem a meta de adquirir mais de 8 mil ônibus elétricos até 2030. Outras cidades, como São José dos Campos, Campinas, Curitiba, Rio de Janeiro, Niterói, Salvador e Goiânia somam mais de 3 mil. A primeira fase do Novo PAC já contempla o financiamento de 2.296 ônibus elétricos em todo o país.

Ônibus elétrico
O total de ônibus elétricos a bateria e o número de unidades em operação por marca

O modelo de financiamento de São Paulo, com dois terços pagos pela prefeitura e um terço pelo operador, é replicável em outras cidades?
O modelo paulista é eficaz, mas não necessariamente replicável em todas as cidades. Cada município tem uma estrutura contratual diferente com seus operadores e distintas capacidades de acesso a recursos públicos. São Paulo tem mais facilidade para alavancar recursos junto a BNDES, Caixa e outros.

São Paulo enfrenta um gargalo na infraestrutura de energia. Qual é a real capacidade de abastecimento hoje?
Não temos uma “bola de cristal” sobre isso, mas o que podemos afirmar é que São Paulo já tem a terceira maior frota de ônibus elétricos da América Latina, e continua crescendo. Apesar dos gargalos, a cidade manda um sinal claro para o mercado. Outras cidades podem ter experiências diferentes — e até mais simples — pela menor escala de frota.

A indústria está preparada para atender à crescente demanda por ônibus elétricos?
Sim. O gargalo hoje pode estar em atender várias demandas simultâneas, de muitas cidades, com diferentes cronogramas. Mas a indústria sabe dessa demanda há anos e tem se preparado. Há investimento em produção, e devemos chegar a 7 ou 9 fabricantes atuando no mercado nacional, inclusive com importados.

ônibus elétricos
“Antes discutíamos se deveríamos eletrificar as frotas. Agora a pergunta é apenas “como?”

E quanto ao financiamento? Ainda é um entrave?
Hoje, o financiamento é menos problemático do que no passado. A participação do governo federal, com recursos do Novo PAC, mostra que há uma aposta real. Além disso, há capital privado disponível, desde que os projetos estejam bem estruturados.

A capacidade das cidades em obter crédito pode limitar o avanço da eletrificação?
Essa é uma preocupação válida. Mas vale lembrar que nem sempre é a prefeitura que assume o financiamento — em muitos casos, o operador é quem acessa o crédito. São Paulo tem mais facilidade, mas outras cidades precisam trabalhar suas estruturas e projetos para se tornarem elegíveis.

O que cidades como Salvador e Belo Horizonte podem aprender com São Paulo?
O principal aprendizado é a importância do planejamento estratégico, do engajamento com os operadores e com a distribuidora de energia desde o início. São Paulo enfrenta desafios por conta da escala, mas envolveu todos os atores na estruturação dos projetos, e isso é essencial.

ônibus elétricos
O total de ônibus elétricos, incluindo trólebus, e o número por marca

Como a C40 vê o uso de biometano como parte da transição energética?
Nosso foco é em tecnologias de emissão zero. O biometano não é considerado zero emissões e, por isso, não está entre as alternativas que fomentamos. A tecnologia dos ônibus elétricos já se mostrou viável ambiental, técnica e financeiramente.

O último evento LatAm Mobility trouxe novidades para a C40?
O discurso evoluiu muito. Antes discutimos se deveríamos eletrificar as frotas. Agora a pergunta é apenas “como?”. Esse é o maior avanço: não é mais necessário convencer ninguém sobre os benefícios dos ônibus elétricos — a diferença está clara para quem já usou.

Mais dados sobre a frota de ônibus pode ser consultada no E-Bus Radar.

Fiat Scudo e Fiorino 2026: agora com motores mais potentes

A Fiat renova seus veículos utilitários no Brasil Scudo e o Fiorino. Ambos chegam ao mercado com novos conjuntos mecânicos. O furgão intermediário passa a ser equipado com o novo motor 2.2 Turbodiesel. Com 150 cv de potência e 370 Nm de torque, o modelo ganha 30 cv e 23,2% a mais de torque em relação à versão anterior.

Visualmente, o modelo preserva o design atualizado em 2023, com para-choques redesenhados, nova grade frontal e faróis reformulados. No interior, o foco é o conforto e a praticidade, com direção elétrica, controle de cruzeiro, limitador de velocidade e painel de instrumentos digital e personalizável. O preço também é mais alto: Fiat Scudo Cargo – R$ 223.990,00; e Fiat Scudo Multi – R$ 229.990,00.

Aqui está um comparativo técnico entre o Fiat Scudo 2.2 Turbodiesel Cargo e o Fiat Scudo 1.5 Turbodiesel Cargo, organizado em três colunas para facilitar a leitura:

Especificações Técnicas Scudo 2.2 Turbodiesel (Novo) Scudo 1.5 Turbodiesel (Anterior)
Posição do motor Dianteiro, transversal Dianteiro, transversal
Cilindros 4 em linha 4 em linha
Válvulas por cilindro 4 4
Comando de válvulas Duplo no cabeçote Não especificado
Cilindrada 2.184 cm³ Não especificado
Diâmetro x Curso 83,8 x 99 mm Não especificado
Taxa de compressão 15,7:1 Não especificado
Potência 150 cv a 3.500 rpm 120 cv a 3.750 rpm
Torque 37,7 kgfm / 370 Nm a 1.750 rpm 30,6 kgfm a 1.750 rpm
Injeção Direta Direta
Combustível Diesel S10 Diesel S10 + AdBlue
Câmbio Não especificado Manual de 6 marchas
Tração Não especificado Dianteira
Direção Não especificado Eletro-hidráulica
Sistema de pós-tratamento Não especificado Conversão catalítica com AdBlue

Fiat Fiorino

Fiat Scudo
Fiat Scudo para cargas refrigeradas

O furgão compacto também chega renovado com o novo motor 1.3 flex, que entrega até 107 cv de potência e 134 Nm de torque com etanol. O ganho de 31 cv e 11,67% em torque proporciona um desempenho significativamente melhor para as operações do dia a dia.

Além do novo motor, o Fiorino agora traz direção elétrica, sensor de temperatura externa e monitoramento da pressão dos pneus, complementando o pacote de equipamentos que já inclui ar-condicionado, travas e vidros elétricos de série. O preço do Fiorino para pessoa física parte de R$ 111.990; e para pessoa jurídica, a partir de R$ 106.990. Esses valores são teóricos para início de negociação. O valor final dependerá muito da negociação.

Fiat Scudo 1.5

Até o fechamento desta reportagem, ainda era possível encontrar no mercado o Fiat Scudo 2025 com a motorização 1.5 e preço a partir de R$ 189 mil. Para esse modelo ou seminovo dele, conheça como ele se comportou na nossa avaliação:

O Fiat Scudo é intermediário entre o Fiat Fiorino e Fiat Ducato, por isso, bastante versátil para na logística urbana, principalmente, por sua altura menor do que o irmão maior e sua capacidade de carga superior ao relação ao irmão menor. No Brasil, o furgão é oferecido em suas versões: com motor 1.5 turbodiesel de 120 cv e torque de 300 Nm, e a elétrica chamada de e-Scudo.

O modelo é baseado nos franceses Peugeot Jumpy e Citroën Expert, que fazem parte do grupo Stellantis, ao qual a Fiat também pertence.

A versão do Scudo avaliada foi a diesel customizada para o transporte de produtos refrigerados. O modelo se destaca pelo seu design moderno e funcional, que oferece conforto e praticidade para quem trabalha com transporte de cargas ou passageiros.

Compartimento de carga

O furgão tem 5,30 metros de comprimento, 1,92 m de largura e 1,93 m de altura, medidas que facilitam a entrada em estacionamentos com altura máxima de 2,10 metros. O compartimento de carga tem capacidade para 1,5 toneladas e 6,1 metros cúbicos de volume, além de contar com oito ganchos de amarração e proteções laterais.

Em avaliação pelo Frota News, a versão transformada do Fiat Scudo em veículo refrigerado não teve dificuldade para entrar no segundo subsolo de um estacionamento em São Paulo, mesmo com o equipamento de refrigeração sobre o teto.

O Fiat Scudo é construído sob a plataforma EMP2. O modelo mostrou seguro como bom automóvel, muito eficiente no trânsito pesado de São Paulo, tornando o prático para as entregas urbanas para até 6,1 m³ de carga. A dirigibilidade também lembra de um automóvel.

Fiat Scudo

Equipamentos

Por enquanto só a opção de câmbio de 6 velocidades. A capacidade do tanque é de 69 litros e o modelo tem autonomia média de 800 km. Conforme a legislação vigente, conta com tanquinho para o reagente Arla 32 para tratar os gases de exaustão e reduzir a emissão de poluentes.

O Scudo também se sobressai pela sua tecnologia e segurança, que incluem itens como ar-condicionado, direção eletro-hidráulica e piloto automático com limitador de velocidade. Para o entretenimento, há rádio com AM/FM, USB e Bluetooth, faróis de neblina dianteiros, ESP – controle de estabilidade, assistente de subida em rampa (Hill Holder), airbags para motorista e passageiro, luz diurna de segurança (DRL), indicador de fadiga “Coffee Cup Alert”, sistema Stop & Start e indicador de abastecimento de uréia (AdBlue).

Fiat Scudo

Ficha técnica

  •  Motor: 1.5 turbodiesel de 4 cilindros em linha, 16 válvulas, injeção direta, turbocompressor e sistema de conversão catalítica com AdBlue²³
  •  Potência: 120 cv a 3.750 rpm
  •  Torque: 30,6 kgfm a 1.750 rpm
  •  Câmbio: manual de 6 marchas
  •  Tração: dianteira
  •  Direção: eletro-hidráulica
  •  Suspensão: dianteira — tipo McPherson e traseira independente com braços inferiores triangulares, ambas com barra estabilizadora e molas helicoidais²
  •  Freios: a disco nas quatro rodas, com ABS e ESP
  •  Rodas: aro 19″ de aço com pneus 215/65 R16
  •  Dimensões: comprimento de 5,30 m, largura de 1,92 m, altura de 1,93 m e entre-eixos de 3,28 m
  •  Peso: 1.725 kg em ordem de marcha e capacidade de carga de 1.500 kg
  •  Tanque: 69 litros
  •  Compartimento de carga: volume de 6,1 m³. Comprimento de 2,86 m, largura de 1,64 m (ou 1,26 m entre as caixas de roda) e altura de 1,40 m²
  •  Portas de carga: largura do acesso traseiro de 1,28 m e altura de 1,22 m. Largura do acesso lateral de 0,94 m e altura de 1,24 m²
  •  Desempenho: velocidade máxima de 160 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 12,5 s
  •  Consumo: cidade de 12,4 km/l e estrada de 11,9 km/l – segundo o INMETRO.

Primeiro ônibus rodoviário elétrico começa a operar em linha regular em SP

Uma nova etapa da mobilidade sustentável começou a ganhar força na Baixada Santista com ônibus rodoviário elétrico. A parceria entre a montadora chinesa Higer e a Viação Ultra, integrante do grupo Metrópole Paulista, colocou em operação o primeiro ônibus 100% elétrico em uma linha rodoviária regular que cruza a Serra do Mar. A novidade atende a rota entre São Paulo, Santos e São Vicente, com embarque e desembarque na Rodoviária do Jabaquara, na Zona Sul da capital paulista.

De acordo com a operadora, essa iniciativa é uma evolução natural das experiências bem-sucedidas já realizadas em operações urbanas do grupo. “Decidimos aplicar também em uma realidade que conhecemos, sabendo que é uma linha complicada por ter descida e subida de serra, além de trânsito intenso”, explicou Antonio Carlos Kazmoz, gerente geral da Viação Metrópole Paulista, em comunicado. O executivo afirma que os resultados iniciais são promissores: os passageiros têm elogiado o conforto e o silêncio do veículo, enquanto os motoristas destacam a suavidade na condução e a regeneração de energia das baterias como um diferencial positivo.

O ônibus elétrico FE10BR, da Higer, realiza três viagens diárias entre o litoral e a capital, percorrendo cerca de 220 quilômetros por dia. A operação tem se mantido eficiente, com o veículo completando o trajeto de ida e volta com uma única carga. A média de consumo registrada é de 0,74 kWh por quilômetro.

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Kazmoz adianta que o grupo pretende expandir os testes para trajetos mais longos: “Acreditamos que ainda podemos melhorar à medida que aprimoramos a dirigibilidade do carro. Queremos, agora, experimentar outras condições, como as linhas mais longas ligando São Paulo ao Guarujá e Bertioga”.

Modelo rodoviário com conforto e tecnologia

Projetado para o transporte rodoviário, o modelo FE10BR tem 10,76 metros de comprimento, capacidade para 41 passageiros mais o motorista e velocidade máxima de 90 km/h. O conjunto é impulsionado por um motor DANA TM4 com potência máxima de 350 kW e torque de até 3.000 Nm. A bateria CATL LFP, com capacidade de 385 kWh, oferece autonomia estimada de até 450 quilômetros, com tempo de recarga entre 2 e 3 horas, dependendo do sistema utilizado (GBT ou CSS2).

Entre os destaques do modelo estão a suspensão pneumática com sistema de ajoelhamento para facilitar o embarque, freios a disco com ABS, EBS e ESC, câmera de ré e pneus 295/80R22,5. A acessibilidade também é garantida com recursos modernos para o embarque de passageiros com mobilidade reduzida.

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No quesito conforto, o ônibus não deixa a desejar: possui ar-condicionado ecológico, poltronas revestidas em couro com maior distanciamento lateral, banco pneumático para o motorista, conectores USB em todos os assentos, geladeira frontal, wi-fi e sistema de áudio e vídeo como opcionais.

ônibus rodoviário elétrico
Painel do Higer rodoviário

Sustentabilidade e inovação em foco

A entrada do ônibus elétrico na linha São Paulo–Santos–São Vicente representa um passo importante para a descarbonização do transporte rodoviário de passageiros no Brasil, especialmente em rotas com grande fluxo e exigência técnica. Com autonomia, conforto e menor impacto ambiental, a iniciativa reforça a viabilidade da eletrificação também fora dos centros urbanos, promovendo uma mobilidade mais limpa, silenciosa e eficiente.

A Higer e a Viação Ultra apostam que o sucesso do projeto pode abrir caminho para novas aplicações em corredores rodoviários no estado de São Paulo e outras regiões do país. O futuro do transporte rodoviário passa, cada vez mais, por soluções sustentáveis — e ele já começou a subir e descer a Serra do Mar.

Naturgy Brasil destaca corredores sustentáveis para frota de pesados

A Naturgy, distribuidora de gás no estado do Rio de Janeiro e sul de São Paulo, anuncia investimentos de R$ 300 milhões e reforça papel do gás como solução para mobilidade urbana mais limpa e eficiente

Durante o Seminário de Gás Natural promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), nos dias 14 e 15 de maio, no hotel Fairmont, em Copacabana (RJ), a Naturgy destacou o crescimento do mercado de gás veicular e o papel da infraestrutura no avanço rumo a uma matriz de transporte mais sustentável.

Atualmente, 50% de todo o volume de gás distribuído pela empresa no estado do Rio de Janeiro é destinado ao GNV. Cerca de 1,7 milhão de veículos leves já utilizam o combustível, o que representa aproximadamente 20% da frota fluminense. Agora, o foco está em ampliar esse mercado para caminhões e, principalmente, ônibus.

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No painel “Novas demandas: gás natural e biometano para frotas pesadas”, Giselia Pontes Sereli, diretora comercial da Naturgy Brasil, apresentou os planos da companhia para aumentar a capilaridade da infraestrutura de abastecimento. “Recentemente, anunciamos investimentos da ordem de R$ 300 milhões para ampliar o projeto dos Corredores Sustentáveis. Nosso objetivo é implantar mais 16 corredores nas principais rodovias que ligam o Rio de Janeiro aos demais estados do Sudeste. Com isso, os veículos pesados terão autonomia total para circular utilizando o GNV”, afirmou.

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O estado do Rio de Janeiro já conta com dois corredores sustentáveis nas rodovias Via Dutra e Washington Luís, que somam 11 postos adaptados para o abastecimento de caminhões e ônibus a gás. A ampliação da malha visa facilitar a logística de transporte de cargas e passageiros com menor impacto ambiental.

Potencial de conversão na frota de ônibus

A executiva também destacou o enorme potencial da conversão da frota de ônibus urbanos para GNV, especialmente na cidade do Rio de Janeiro, que possui cerca de 4 mil veículos circulando diariamente. “Existem 37 garagens de ônibus municipais localizadas sob a nossa rede de gás. Isso nos dá uma grande vantagem para viabilizar o abastecimento dessas frotas com GNV, reduzindo significativamente o consumo de diesel e, consequentemente, as emissões”, explicou Giselia.

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Segundo dados da empresa, somente no município do Rio são consumidos aproximadamente 13 milhões de litros de diesel por mês. A substituição pelo gás natural pode representar uma redução de até 20% nas emissões de carbono, além de ganhos econômicos para as empresas operadoras.

Giselia ressaltou que a tecnologia de ônibus a gás já está consolidada, com veículos eficientes, preços competitivos e disponibilidade imediata. “Temos bons exemplos na América Latina. Em Bogotá, na Colômbia, 40% da frota de transporte urbano é composta por ônibus a gás, fabricados no Brasil. Isso mostra que temos a capacidade e a tecnologia necessárias para fazer essa transição no Brasil”, disse.

Caminho aberto para o biometano

A executiva também abordou o papel estratégico do biometano como fonte complementar ao gás natural. Segundo ela, ambas as fontes são intercambiáveis, o que permite que a infraestrutura atualmente em expansão para o GNV possa ser utilizada futuramente para o biometano, conforme a produção ganhar escala.

“Hoje, distribuímos cerca de 7 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural no mercado convencional, sem contar o volume destinado às térmicas. Em março deste ano, a produção de biometano no Brasil foi de cerca de 10 milhões de metros cúbicos por mês, segundo a ANP. Ou seja, ainda há um caminho a percorrer para que o biometano possa atender grandes demandas. Mas estamos preparados. A infraestrutura que estamos desenvolvendo estará pronta para receber essa nova fonte energética assim que sua produção amadurecer”, concluiu Giselia.

O painel, moderado por Gabriel Kropsch (Sinergás), também contou com a participação de Laércio Ávila (Consórcio BRT), Vinicius Reiter Plitz (Reiter LOG) e Erik Trench (Ultragaz), que reforçaram o papel do gás natural e do biometano na transformação da matriz energética do transporte brasileiro.

Jordana Albuquerque é a nova diretora de Gente e Gestão da Rodonaves

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Com mais de dez anos de experiência em Recursos Humanos, Jordana assume a função com o desafio de fortalecer as estratégias de desenvolvimento e sustentabilidade de pessoas dentro da companhia

A Rodonaves, uma das principais empresas de transporte rodoviário de cargas do país, anunciou a nomeação de Jordana Albuquerque como sua nova diretora executiva de Gente e Gestão. Com mais de dez anos de experiência em Recursos Humanos, Jordana assume a função com o desafio de fortalecer as estratégias de desenvolvimento e sustentabilidade de pessoas dentro da companhia.

Formada em Administração de Empresas pela PUC-Campinas, Jordana possui especializações em Gestão Estratégica de Pessoas e Recursos Humanos pela FIA Business School, além de Políticas e Práticas de RH pela Fundação Getúlio Vargas.

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Aparece para os embarcadores e frotistas

Ao longo da carreira, Jordana destacou-se pela implementação de projetos voltados ao fortalecimento da diversidade de gênero e à valorização da participação feminina em cargos de liderança. “Assumo essa nova etapa com entusiasmo e muita responsabilidade. Chego com o propósito de impulsionar o crescimento das pessoas e da organização de forma sustentável, em alinhamento com o planejamento estratégico do negócio”, afirmou a executiva.

Jordana Albuquerque é a primeira mulher a integrar a diretoria executiva da Rodonaves, que conta ainda com Vera Naves na vice-presidência. Atualmente, 22% dos cargos de liderança da empresa são ocupados por mulheres – um índice superior à média do setor de transporte rodoviário de cargas, que, segundo o Índice de Equidade no TRC de 2024, é de apenas 3%.