sábado, abril 4, 2026

O galho que elas mesmas serram: como algumas montadoras enfraquecem a imprensa do transporte

Há montadoras de caminhões que despejam milhões em publicidade nas redes sociais, mas ignoram completamente os veículos especializados em transporte. Pagam para que suas mensagens apareçam entre vídeos de entretenimento, fake news e memes, mas não investem um centavo na imprensa que, diariamente, produz conteúdo qualificado, checa informações e mantém viva a memória do setor.

Os releases dessas empresas são enviados à mídia especializada com a expectativa de publicação gratuita — como se o trabalho jornalístico fosse um favor — enquanto os cofres se abrem generosamente para as big techs. As notícias relevantes são publicadas gratuitamente, pois são importantes para os leitores, mas promoções de venda de caminhãos são publicidade. Então, porque pagam para as redes sociais e querem que sejam divulgadas de graça na imprensa especializada?

A inspiração dos dois parágrafos acima veio a partir de um texto mais profundo da respeitada jornalista Rosangela Ribeiro, cofundadora da Printer Press, essa lógica é corrosiva: ao financiar plataformas e negligenciar a imprensa profissional, essas empresas ajudam a minar um dos pilares da liberdade de imprensa e da própria democracia. É como serrar o galho em que todos estamos sentados.

Leia o artigo da jornalista Rosângela Ribeiro na integra:

Se o jornalismo desaparecesse amanhã, o que aconteceria com a sua estratégia de comunicação? Essa pergunta parece extrema, mas os dados mostram que estamos mais próximos dessa realidade do que gostaríamos de admitir.

Mais de 80% dos profissionais de imprensa acreditam que a tecnologia pode ser uma aliada do jornalismo. Ainda assim, apenas 33% sentem que as marcas estão verdadeiramente comprometidas com seu fortalecimento.

O dado vem de um levantamento recente da MediaTalks e escancara uma urgência: sem apoio, muitos veículos, inclusive os tradicionais, estão em risco. E isso muda tudo para quem trabalha com comunicação.

O papel das agências, nesse contexto, precisa ir além da visibilidade de seus clientes. É também sobre sustentar o ecossistema da informação, abrir espaço para narrativas diversas e garantir que o público tenha acesso a conteúdos confiáveis. Sem jornalismo forte, não existe assessoria estratégica. E sem mídias vivas, o trabalho das marcas também perde potência, profundidade e conexão.

Como comunicadores, precisamos sair da zona de conforto e nos posicionar como pontes. É preciso sensibilizar os clientes sobre o valor de investir em jornalismo, especialmente no local, no independente e no segmentado. Aqueles que, muitas vezes, estão mais próximos das realidades que queremos transformar.

Isso exige visão, repertório e responsabilidade. Ao propor ações para veículos menores, com públicos específicos e engajados, a agência contribui para a pluralidade da mídia e para a construção de reputações sólidas. Também significa enxergar o todo: conversar com editores e repórteres, mas também com quem está no comercial, com quem garante que a roda continue girando. Não há jornalismo sem estrutura, sem recursos, sem condições reais de trabalho; e isso inclui pensar até na logística básica em eventos e coberturas.

Ampliar esse olhar também passa por valorizar os novos formatos. Muitos jornalistas, colunistas e creators construíram comunidades fiéis fora dos grandes portais. Conectar as marcas a essas vozes é uma forma de gerar relevância com propósito, e não apenas visibilidade de curto prazo.

No Grupo Printer, temos buscado esse caminho com consciência e diálogo. Sabemos que fortalecer a imprensa é também fomentar uma comunicação mais ética, mais estratégica e mais alinhada com o mundo que queremos ajudar a construir.

Porque se o jornalismo vai mal, todos perdem. Mas quando marcas, agências e veículos caminham juntos, quem ganha é a sociedade.

Etanol subutilizado: o desperdício de um trunfo ignorado pelos donos de carros flex

Apesar de 85% da frota flex, apenas 30% dos motoristas abastecem com combustível limpo e nacional. Anfavea afirma que uso integral colocaria Brasil na liderança mundial da descarbonização, mas 70% dos donos de carros flex ignoram isso

O Brasil vive um paradoxo energético e ambiental. Embora 85% da frota de automóveis leves seja composta por veículos flex — aptos a rodar tanto com etanol quanto com gasolina —, apenas cerca de 30% dos proprietários optam pelo combustível renovável. O restante abastece majoritariamente com gasolina, mantendo a dependência externa de petróleo e derivados e abrindo mão de ganhos ambientais e econômicos consideráveis.

O tema ganhou destaque no painel “Bioenergias e o futuro da mobilidade sustentável”, realizado na FenaBio durante a 31ª edição da Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho (SP), que reuniu especialistas para debater os caminhos da mobilidade de baixo carbono. Participaram Renato Romio, chefe da divisão de motores e veículos do Instituto Mauá de Tecnologia, e Henry Joseph Junior, diretor técnico da Anfavea.

Potencial desperdiçado e liderança possível

Henry apresentou um estudo da entidade projetando a descarbonização do transporte brasileiro até 2040. Segundo ele, mesmo com a eletrificação gradual e maior uso de biodiesel e etanol, o cenário mais provável ainda indica um aumento de 6% nas emissões de CO₂, devido à expansão da frota de 45 para 71 milhões de veículos.

Mas há uma solução de efeito imediato: se toda a frota flex passasse a utilizar 100% de etanol hoje, o Brasil alcançaria a maior descarbonização do setor de transporte do mundo, sem precisar colocar um único carro elétrico adicional nas ruas.

“O trabalho mostra claramente que não é só com tecnologia veicular que se consegue reduzir as emissões. Precisamos do uso do biocombustível, e é com ele que conseguimos os resultados mais expressivos”, ressaltou Henry.

Frotas corporativas

Diferentemente dos usuários pessoas físicas, há frotistas no caminho da sustentabilidade para acelerar os créditos da agenda ESG. Esses adotaram o etanol como combustível mandatório para suas frotas com veículos flex.

Entre as empresas que já tornaram o etanol obrigatório para suas frotas, destacam-se:

  • Atlas Schindler: A empresa de elevadores, como parte de sua iniciativa net-zero, fez a transição de 100% de sua frota própria de 969 veículos para o abastecimento exclusivo com etanol. A medida é monitorada para medir a redução de emissões de CO2.
  • Nestlé: A gigante de alimentos abastece somente com etanol a frota com mais de 1.700 veículos de sua força de vendas e gestão, como parte de sua jornada por uma frota mais sustentável e alinhada a compromissos globais de impacto ambiental neutro.
  • Ambipar: A empresa de gestão ambiental abastece sua frota corporativa com o “Ambiálcool”, um etanol produzido a partir de resíduos de alimentos, destacando-se pela economia circular e ganhando reconhecimento internacional.
  • Supergasbras: A empresa de gás também está ampliando sua frota sustentável e tornou mandatório o uso de etanol em seus veículos leves, como parte de sua estratégia de transição energética.

Além dessas, outras empresas demonstram forte compromisso com biocombustíveis em suas frotas:

  • Stellantis: A montadora é pioneira no Brasil ao abastecer os veículos flex de marcas como Jeep e Fiat que saem da linha de montagem com 100% de etanol. A iniciativa será expandida para todas as fábricas da empresa no país.
  • Vetanco: A empresa de saúde animal estabeleceu a meta de que 50% do combustível utilizado para abastecer sua frota seja etanol, monitorando os resultados mensalmente.

Um retrocesso no consumo de etanol

Dados da Datagro mostram que a participação do etanol hidratado no abastecimento da frota flex, que já foi de 41,5% em outubro de 2018, caiu para cerca de 30% atualmente. Em 2023, foram consumidos 18,1 bilhões de litros desse combustível, representando apenas 21% do total utilizado pelos veículos flex — os outros 79% foram gasolina C.

Segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro, seria possível chegar a 35% de participação já no curto prazo e a 50% em um cenário ideal, com uma perspectiva mais realista em relação à Anfavea.

Por que a gasolina ainda vence na bomba?

O etanol tem cerca de 30% menos poder energético que a gasolina, o que exige mais litros para a mesma quilometragem. Por isso, só compensa financeiramente quando custa 25% a 30% menos que o concorrente fóssil. Isso em um raciocínio somente econômico e não ambiental e independência do Brasil em relação ao petróleo.

Desinformação e preconceito

Persistem mitos sobre danos mecânicos e baixa durabilidade, já desmentidos por estudos e montadoras. Em alguns casos, motoristas desconhecem que o próprio carro é flex. Essa percepção cultural favorece a escolha pela gasolina.

Consequências ambientais e econômicas

O baixo uso do etanol mantém a necessidade de importação de derivados de petróleo, aumentando a vulnerabilidade energética e a exposição às variações do preço internacional do barril.

Impacto climático

Estudos do ICCT indicam que um carro flex abastecido exclusivamente com etanol hidratado emite 29% a 31% menos gases de efeito estufa no ciclo de vida do que quando abastecido com gasolina. Segundo a Copersucar, um aumento de 10 pontos percentuais no uso do etanol hidratado representaria uma redução de 6 milhões de toneladas de CO₂ por ano.

Políticas e caminhos possíveis

O Brasil já conta com programas estruturantes como RenovaBio, Combustível do Futuro e Mover, mas especialistas defendem medidas adicionais:

  • Campanhas de conscientização para combater mitos e mostrar vantagens reais do etanol.
  • Política tributária diferenciada para garantir competitividade de preço.
  • Investimento em logística para baratear o combustível fora dos estados produtores.
  • Aumento gradual da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, já elevada para até 30% em 2025.

Fenasucro & Agrocana: palco da transição energética

A Fenasucro & Agrocana chega à sua 31ª edição como o maior evento do mundo dedicado exclusivamente à bioenergia, reunindo fabricantes nacionais e internacionais de equipamentos, soluções e tecnologias para biocombustíveis e energia limpa. Realizada pela RX Brasil, com apoio do CEISE Br, a feira oferece mais de 100 horas de conteúdo e se consolida como uma plataforma estratégica de negócios e inovação para a transição energética.

Com um ativo ambiental e econômico nas mãos, o Brasil tem a chance de liderar o mundo na redução de emissões no transporte — mas isso depende, antes de tudo, da escolha de motoristas e políticas que transformem o potencial do etanol em realidade.

Investimentos pesados na indústria de pesados ultrapassam R$ 8,1 bilhões no Brasil

Cinco grandes fabricantes de caminhões e ônibus estão executando robustos programas de investimento que, somados, superam R$ 8,1 bilhões no período de 2021 a 2029. Alguns ciclos encerram este ano, significando que novos anúncios vão ocorrer nos próximos meses. Os aportes têm foco no desenvolvimento de novos produtos, modernização de fábricas e avanços em tecnologias limpas, sinalizando a confiança das montadoras no potencial do mercado brasileiro.

DAF – R$ 950 milhões (2022-2029)

A DAF anunciou um novo ciclo de investimentos que sucede os R$ 395 milhões aplicados entre 2022 e 2026. O montante será direcionado à ampliação da fábrica de Ponta Grossa (PR), incluindo a instalação de uma nova linha de cabines e o lançamento de um modelo inédito de caminhão, que se juntará aos atuais pesados XF e semipesados CF já produzidos no Brasil.

Iveco – R$ 1,7 bilhão (2022-2028)

O plano vigente, iniciado em 2022 e válido até 2025, destina R$ 1 bilhão para desenvolvimento de novos caminhões e ônibus, com ênfase na motorização Euro 6 e gás natural veicular. Os recursos incluem:

  • 60% para novos produtos;
  • 15% para melhorias nos processos industriais;
  • 12% para fornecedores locais;
  • 10% para renovação da frota de testes;
  • 3% para treinamento e capacitação.

A empresa ainda projeta investimentos adicionais de R$ 637 milhões entre 2024 e 2028, voltados à eletrificação, incluindo produção de modelos a bateria e abastecimento via hidrogênio. Parte desses recursos (R$ 395 milhões) será destinada a veículos com propulsão alternativa, com produção em Sete Lagoas (MG) e Córdoba, na Argentina.

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Scania – R$ 2 bilhões (2025-2028)

A Scania dará sequência ao plano de R$ 1,4 bilhão realizado entre 2021 e 2024, com foco na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). A nova fase inclui R$ 650 milhões para produção de chassis de ônibus e caminhões pesados, alinhados às mais recentes normas de emissões, e começa a partir de março de 2025.

Volvo – R$ 1,5 bilhão (2022-2025)

Com 85% do investimento voltado para o desenvolvimento de novos produtos, a Volvo direciona R$ 250 milhões para nacionalização de peças e componentes, além de modernizar sua fábrica em Curitiba (PR).

Volkswagen Caminhões e Ônibus – R$ 2 bilhões (2021-2025)

O programa contempla o desenvolvimento de novos veículos, ampliação da oferta de modelos elétricos e modernização da fábrica de Resende (RJ). Inclui ainda a expansão da linha de produtos voltada à exportação e ao segmento de transporte urbano sustentável.

Panorama do Setor

Esses investimentos refletem uma corrida tecnológica e produtiva que vai muito além do atendimento às normas de emissões. As fabricantes buscam fortalecer sua presença no Brasil, expandir portfólios e preparar a infraestrutura para a transição energética, com a introdução de veículos elétricos, a gás e movidos a hidrogênio. Com prazos que se estendem até o final da década, os aportes reforçam o papel estratégico do país no mapa global da indústria automotiva pesada.

Agenda Confenar 2025 destaca tecnologia, segurança e inovação no transporte de bebidas

Entre os dias 13 e 15 de agosto de 2025, o Bourbon Cataratas Convention & SPA Resort é o ponto de encontro da Agenda Confenar 2025, convenção anual da Confederação Nacional das Revendas Ambev e das Empresas de Logística da Distribuição. Considerado o principal fórum de alinhamento estratégico, capacitação e geração de negócios do setor, o evento reúne empresários, executivos, fornecedores e especialistas em logística para debater eficiência, tecnologia e sustentabilidade na distribuição de bebidas.

A Rede Confenar, ligada à Ambev, possui sete centros regionais de distribuição que, somados, atendem mais de 400 mil pontos de venda em todo o país. O encontro combina dois pilares centrais: a ExpoConfenar, feira de fornecedores e soluções voltadas à logística e distribuição, e o Projeto Clínicas, programa de capacitação prática para equipes de gestão, vendas, operações e áreas administrativas.

Parceria de 10 anos com a Platform Science

Um dos destaques desta edição será a comemoração dos 10 anos da parceria estratégica entre a Rede Confenar e a Platform Science, empresa de soluções tecnológicas focadas em segurança para o setor de transporte no Brasil.

Segundo Nino Anele, Executivo de Negócios e Parcerias Confenar – Integramax, a tecnologia fornecida pela empresa tem papel essencial na operação diária. “O acesso a indicadores essenciais para uma melhor qualidade na dirigibilidade dos veículos permite uma gestão segura e confiável das frotas. A parceria de 10 anos proporcionou o crescimento de indicadores de segurança no dia a dia dos nossos condutores. Ter uma frota mais segura impacta diretamente no cuidado com nossos colaboradores e clientes”, afirma.

Para Juliana Galassi, gerente de marketing Latam da Platform Science, o marco simboliza mais do que longevidade. “Alcançar 10 anos de parceria com as revendas da Confenar é um marco significativo. Hoje, mais de 75% das revendas utilizam nossas soluções, e algumas estão conosco há ainda mais tempo. Essa evolução de resultados comprova que, quando trabalhamos juntos, a inovação acontece e conseguimos gerar transformações significativas na cultura de segurança do transporte e na gestão de frotas. Ainda há muito mais por vir pela segurança viária e pela eficiência das operações”, destaca.

Wedson de Paula, diretor da Revenda Atlântica, reforça o impacto direto da tecnologia na mudança cultural da empresa. “A solução da Platform Science ajudou a consolidar a cultura de segurança entre nossos motoristas. A videotelemetria foi decisiva para monitorar e melhorar práticas de condução, gerando mais transparência e economia”, completa.

Inovação e negócios na ExpoConfenar

Além das celebrações, o evento contará com expositores como Gestran, que apresentará soluções para gestão de frota com foco em logística sustentável e redução de custos, e Next Implementos, com novidades em equipamentos para transporte e distribuição. Questões como telemetria, TMS, segurança, redução de emissões e aumento da autonomia operacional estarão em pauta.

Para as revendas, a Agenda Confenar funciona como um acelerador de mudanças, integrando conhecimento técnico, networking e negociações comerciais. O evento é reconhecido como espaço decisivo para avaliar tecnologias que impactam diretamente a última milha de entrega e fortalecer a competitividade no mercado.


Serviço
Evento: Agenda Confenar 2025
Data: 13 a 15 de agosto de 2025
Horário: 8h às 20h30
Local: Bourbon Cataratas Convention & SPA Resort – Av. das Cataratas, 2345 – Vila Carimã, Foz do Iguaçu (PR)

Brasil desponta como mercado promissor para seguros contra roubo de cargas

O Brasil figura entre os países com maiores oportunidades para o setor segurador. Embora não exista um ranking global específico para seguros contra roubo de cargas, a demanda por esse tipo de cobertura está diretamente ligada aos índices de criminalidade e ao volume logístico de cada nação.

Nesse cenário, o país se destaca negativamente: registra um dos maiores números de roubos de cargas do mundo, superando mercados como México e África do Sul. Esse contexto impulsiona um segmento de seguros robusto e lucrativo. Em nações com cadeias de suprimentos extensas, como os Estados Unidos, o setor de seguros de transporte de carga também movimenta cifras bilionárias.

Entre as principais operadoras globais, empresas como Chubb, Zurich, Allianz, AIG e Mapfre oferecem soluções específicas para o segmento. No Brasil, elas competem com grandes seguradoras nacionais, como Porto Seguro, Bradesco Seguros, Sompo Seguros e HDI Seguros.

Faturamento com a venda de seguro

De acordo com a Agência iNFRA, o mercado global de seguros movimenta cifras bilionárias. No Brasil, apenas no primeiro trimestre de 2025, a arrecadação com prêmios de seguro de transporte somou R$ 1,57 bilhão, alta de 10,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em escala mais ampla, considerando todos os tipos de seguros, o mercado brasileiro arrecadou R$ 751 bilhões em 2024.

O relatório “Análise de Roubo de Cargas”, da nstech, aponta que os ataques cresceram 24,8% no primeiro semestre de 2025. Já dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) indicam que, em 2024, as perdas chegaram a R$ 1,2 bilhão — valor cinco vezes menor que o faturamento obtido com prêmios de seguro no início de 2025.

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O impacto atinge toda a cadeia logística: aumento de custos operacionais, necessidade de investimentos extras em segurança e tecnologia, atrasos nas entregas e adoção de rotas mais longas para evitar áreas de risco. Essas medidas elevam o custo final ao consumidor e reduzem a competitividade dos produtos brasileiros. O cenário evidencia a necessidade de investir mais em prevenção do que apenas na contratação de seguros.

Marco regulatório impulsiona contratação

Desde a promulgação da Lei 14.599/23, tornou-se obrigatória a contratação dos seguros RCTR-C (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga), RC-DC (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga) e RC-V (Responsabilidade Civil de Veículo). A medida aumentou a demanda por esses produtos e reduziu o custo de venda para as seguradoras, já que a adesão é mandatória.

Entre janeiro e maio de 2025, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o RC-DC arrecadou R$ 570 milhões, alta de 8,1%, enquanto as indenizações somaram R$ 239 milhões (+12,4%). Já o RCTR-C avançou 1,5%, totalizando R$ 721 milhões em prêmios, com indenizações de R$ 521 milhões (+5,2%). Os números confirmam a alta lucratividade do setor.

Portaria ANTT amplia fiscalização

O mercado deve ganhar novo fôlego com a Portaria SUROC nº 27/2025, publicada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 11 de agosto. A norma prevê a suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) de empresas que não comprovarem a contratação dos seguros exigidos.

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Esteves Colnago

Para Esteves Colnago, diretor de Relações Institucionais da CNseg, a medida representa um avanço significativo:

Essa normativa traz uma evolução no método de fiscalização, substituindo documentos físicos por um modelo digital e integrado, o que promete maior eficiência e controle sobre a obrigatoriedade da cobertura de seguros no transporte de cargas, aumentando a segurança para toda a cadeia logística.

O sistema digital deverá estar plenamente operacional até 10 de março de 2026. Até lá, a ANTT fornecerá às seguradoras um manual técnico para integração via webservice, garantindo o envio automático das informações de contratação dos seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V.

Movecta reforça liderança comercial com a chegada de Gustavo Paschoa como CCO

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A Movecta anunciou a nomeação de Gustavo Paschoa como seu novo Chief Commercial Officer (CCO). O executivo terá papel estratégico na aceleração do crescimento e na consolidação da companhia entre os principais operadores logísticos do país, comandando iniciativas voltadas à expansão de receita, à otimização de margens e ao fortalecimento da proposta de valor da empresa.

Segundo Paschoa, o desafio se alinha diretamente às diretrizes do Plano Estratégico Movecta 2030, que prevê um crescimento robusto e sustentável. “Estou bastante motivado para contribuir com a continuidade da implementação dos objetivos definidos, que incluem a oferta de soluções customizadas para clientes, o fortalecimento de um modelo consultivo e segmentado por mercados prioritários e o desenvolvimento de novas oportunidades que ampliem nossa participação de mercado”, afirma.

Oportunidades

Para ele, em um cenário de transformações aceleradas e mercados cada vez mais competitivos, a liderança comercial estratégica se torna fundamental. “É justamente nesses desafios que enxergamos grandes oportunidades. Pretendo fortalecer nosso relacionamento com clientes, explorar novos canais e impulsionar a inovação em nossas ofertas”, complementa.

Com mais de 30 anos de experiência no setor de logística e transporte, Paschoa construiu carreira em posições de destaque em empresas como CMA CGM, Maersk, Panalpina e Penske Logistics. Sua trajetória inclui liderança em iniciativas estratégicas de supply chain, cabotagem e transporte marítimo, além de projetos de transformação organizacional e desenvolvimento de mercados. Reconhecido por sua gestão orientada a resultados e pela valorização de talentos, ele também é presença constante em debates sobre inovação, sustentabilidade e descarbonização na logística brasileira.

A chegada de Gustavo Paschoa reforça a aposta da Movecta em liderança experiente para sustentar o avanço competitivo e ampliar sua presença nos segmentos mais estratégicos da cadeia logística nacional.

Parceria que transforma contrabando em biogás e biometano

Se você tiver veículo movido a gás pode estar abastecendo seu veículo com energia fruto de contrabando. Calma, se abastecer com biometano produzido a partir da seguinte parceria, você não estará cometendo nenhum crime.

A usina hidrelétrica de Itaipu Binacional lidera esta parceria com a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal para converter mercadorias apreendidas em energia limpa. Juntamente com o CIBiogás e o Ministério da Agricultura e Pecuária, o projeto visa dar um destino sustentável a produtos de contrabando e descaminho, como cigarros, alimentos e bebidas, que, de outra forma, seriam incinerados ou descartados.

As mercadorias apreendidas são coletadas pela PF e pela Receita Federal e levadas a uma unidade de biogás. Lá, elas são trituradas e misturadas a outros resíduos orgânicos, como dejetos de animais e restos de alimentos. Essa mistura passa por um processo de digestão anaeróbia, onde microrganismos decompõem a matéria orgânica e produzem o biogás. Esse gás, composto principalmente de metano, pode ser usado para gerar energia elétrica, aquecer água ou até mesmo abastecer veículos após ser purificado para transformação em biometano.

Um ciclo virtuoso: do crime à sustentabilidade

A iniciativa não apenas resolve o problema do descarte de contrabando, mas também gera benefícios ambientais e econômicos significativos. Ao transformar lixo em energia, o projeto:

  • Reduz a poluição: A incineração de cigarros e outros produtos libera gases poluentes na atmosfera. O biogás, por outro lado, é uma fonte de energia limpa e renovável.
  • Diminui o desperdício: Produtos que seriam destruídos e descartados são reutilizados de forma produtiva, gerando valor.
  • Promove a economia circular: O projeto cria um ciclo onde um resíduo é transformado em um novo produto, minimizando o impacto ambiental.
  • Gera receita: A energia produzida pode ser vendida, gerando recursos para as instituições envolvidas e para a manutenção do projeto.

O papel de cada parceiro

A sinergia entre as instituições é fundamental para o sucesso do projeto.

  • Itaipu Binacional: Atua como a principal articuladora e investidora do projeto. A usina, que é referência em geração de energia e sustentabilidade, fornece o conhecimento técnico e a infraestrutura para a produção de biogás.
  • Polícia Federal e Receita Federal: São responsáveis pela apreensão, transporte e destinação segura do contrabando.
  • CIBiogás: O Centro Internacional de Energias Renováveis, com sede em Foz do Iguaçu, fornece o conhecimento científico e tecnológico para a conversão de resíduos em biogás. A instituição é referência no desenvolvimento de tecnologias para a produção de energia a partir de resíduos orgânicos.
  • Ministério da Agricultura e Pecuária: É responsável por autorizar o uso de resíduos de origem animal e vegetal na produção de biogás, garantindo a segurança sanitária do processo.

Atualmente, a planta da CINiogás processa cerca de 500 kg de resíduos por dia, podendo chegar até 1 tonelada diária. São produzidos em média 200 m³ de biogás e 100 m³ de biometano por dia, o suficiente para abastecer até dez veículos leves da frota interna de Itaipu, incluindo o ônibus turístico da hidrelétrica. Desde o início da operação, já foram gerados 41,3 mil m³ de biometano, utilizados em mais de 484 mil quilômetros rodados.

Perspectivas futuras

O projeto, que começou como um piloto, tem potencial para ser expandido para outras regiões do país e para outras parcerias. A iniciativa pode ser replicada em outras áreas de fronteira, onde a apreensão de contrabando é frequente. Além disso, a tecnologia pode ser usada para dar um destino sustentável a outros tipos de resíduos orgânicos, como lixo de restaurantes, resíduos agrícolas e esgoto. O projeto é um exemplo de como a inovação e a colaboração podem transformar problemas em soluções sustentáveis e economicamente viáveis.

O que você acha dessa iniciativa? Acredita que ela poderia ser implementada em outras áreas de fronteira do Brasil?

Força e estilo: Quando o off-road Agrale Marruá encontra a moda urbana

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Na Serra Gaúcha, onde a robustez da indústria se mistura à criatividade empreendedora, nasce uma colaboração que traduz a essência do “orgulho local” em peças que têm tanto de estilo quanto de atitude. A Time-Line Urban Store, conhecida por seu apelo jovem e streetwear com personalidade, une-se à Agrale, marca nacionalmente respeitada por seus veículos utilitários 4×4, para criar uma coleção cápsula inspirada no lendário Marruá.

O ponto de partida? Dois ícones da marca: o Marruá AM250 4×4 (civil) e o AM11 (militar), ambos projetados para terrenos extremos e operações severas. O resultado é um diálogo visual entre a moda e o universo off-road, que traduz a força mecânica dos utilitários em peças que celebram resistência, versatilidade e identidade.

Estratégia de marca

Essa parceria é uma afirmação da força criativa e produtiva de Caxias do Sul. Duas marcas com DNA local, que investem em qualidade e identidade própria, se unem para gerar valor e visibilidade para além de seus segmentos tradicionais”, explica Edson Ares Sixto Martins, diretor de vendas da Agrale.

Marruá
Unindo moda urbana e universo off-road com identidade da Serra Gaúcha

Mais do que merchandising ou inspiração pontual, a coleção se apresenta como estratégia de marca. Segundo Ricardo Brisotto, estrategista da Tonificante e designer do projeto, a collab vai além da estética: “Conecta marcas de forma genuína, fortalece identidades e proporciona experiências que geram valor real para o mercado e para o público.”

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O lançamento promete movimentar não só o público jovem, mas também amantes do universo off-road e admiradores da estética militar. É um convite para vestir a força da Serra Gaúcha — onde a estrada de terra e a passarela se encontram.

Sindirepa-SP e Sebrae capacitam oficinas mecânicas para frotas sustentáveis

Manter uma frota sustentável não é só cuidar das emissões quando está em uso e inclui também os cuidados com a sua manutenção. Com o objetivo de difundir o conceito ESG — sigla para boas práticas Ambiental, Social e Governança — e auxiliar empresários da reparação automotiva a implementar estratégias sustentáveis, o Sindirepa-SP, em parceria com o Sebrae, promoveu a capacitação gratuita “Jornada Acelere para Crescer: Lidere com práticas ESG e potencialize seus resultados”.

Durante o evento, os participantes assistiram à palestra da assessora ambiental do Sindirepa-SP, Judi Cantarin, que destacou que a adoção de práticas ESG vai além da responsabilidade socioambiental. Segundo ela, incorporar esses princípios aumenta a eficiência operacional, previne multas e acidentes, elimina passivos trabalhistas, promove saúde e segurança, transforma descartes em receita e ainda atrai talentos, clientes e parceiros estratégicos.

Com mais de 20 anos de experiência em gestão sustentável, Cantarin ressaltou que oficinas que investem em ESG ampliam suas oportunidades de negócios, sobretudo diante de consumidores corporativos mais exigentes e de uma crescente regulação ambiental no setor automotivo.

Gestão de resíduos como protagonista

A especialista orientou os empresários a estruturarem um fluxo eficiente de gestão de resíduos, alertando para os riscos do descarte inadequado. “O recomendado é a parceria com empresas especializadas em coleta, transporte e destinação de resíduos”, explicou.

Aqui na Frota News, mantemos as seções Frota Sustentável e Frota Educação para divulgar informações e conhecimento a diversos assuntos que podem auxiliar os profissionais do setor de transporte e logística a melhorar a gestão de suas frotas.

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Entre as ações ESG sugeridas estão a implantação de tecnologias para redução de emissões, aquisição de equipamentos menos poluentes, diminuição do consumo de energia e uso responsável de recursos naturais. Para garantir resultados, toda a equipe deve ser treinada e engajada na gestão sustentável.

Sustentabilidade como estratégia de negócio

Cantarin destacou que o setor automotivo brasileiro vive uma transformação em direção à sustentabilidade, impulsionada por empresas que aliam estratégias ambientais, sociais e econômicas à eficiência operacional. “A gestão eficiente de resíduos garante benefícios como a transformação do descarte em receitas, atração de parceiros e clientes estratégicos, fortalecimento da reputação e abertura de novos mercados”, afirmou.

O evento reforçou que ESG não é apenas uma tendência, mas um caminho estratégico para que oficinas mecânicas se mantenham competitivas, lucrativas e alinhadas às demandas socioambientais do futuro.

Por dentro da bateria Blade: a tecnologia que equipa os novos ônibus elétricos da BYD no Brasil

A BYD Brasil anuncia a produção dos chassis de ônibus da marca com bateria Blade. A fabricante chinesa não apenas utiliza a tecnologia em seus próprios modelos, mas também fornece a solução para outras gigantes do setor por meio da sua subsidiária FinDreams Battery. Nomes como Weichai, em caminhões leves, e XCMG, em veículos pesados e máquinas de construção com sistema de troca rápida, já apostam na Blade. Até Tesla e Toyota incorporaram a inovação em alguns de seus modelos.

No transporte coletivo brasileiro, a tecnologia estreia equipando toda a linha de ônibus elétricos da marca. Produzida com células LFP (lítio-ferro-fosfato) dispostas horizontalmente — uma solução que inspira o próprio nome “Blade” (lâmina) —, a bateria combina rigidez estrutural, alta segurança e eficiência no aproveitamento de espaço. Testes extremos, como perfuração por prego e aquecimento a 300 °C, comprovaram que ela mantém estabilidade térmica e elimina riscos de incêndio ou explosão, superando padrões internacionais.

Autonomia

Nos modelos BC12, a capacidade varia entre 425 e 499 kWh; no BC22, vai de 542 a 642 kWh, garantindo autonomias de 270 a 350 km e recargas completas em até duas horas com carregamento rápido. Os chassis com a Blade serão montados na fábrica de Campinas (SP), e a produção local dos packs começa em 2026, em Manaus.

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Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e da Divisão Solar da BYD Brasil

O ganho ambiental é significativo: cada ônibus equipado com a Blade evita cerca de 118 toneladas de CO₂ por ano — o equivalente ao plantio de 847 árvores — e pode operar por até 15 anos, frente à média de 10 anos dos modelos a diesel. “A Blade é um divisor de águas em desempenho, eficiência e inovação. Ver essa tecnologia chegar aos ônibus é motivo de orgulho e um passo decisivo para transformar o transporte coletivo em algo mais limpo e acessível”, afirma Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e da Divisão Solar da BYD Brasil.

E qual diferença da nova bateria Blade para utilizada atualmente nos modelos BYD, a LiFePO4?

LiFePO₄: Esta é a fórmula química para o fosfato de ferro-lítio. Na nomenclatura científica, o símbolo ‘Li’ representa o lítio, ‘Fe’ o ferro, ‘P’ o fósforo e ‘O₄’ o oxigênio, formando o composto.

LFP: Esta é a sigla (ou acrônimo) de Lítio-Ferro-Posfato, que é a tradução literal da fórmula química LiFePO₄.

Portanto, quando você vê o termo LFP ou LiFePO₄, ambos se referem exatamente à mesma química de bateria. As baterias Blade da BYD utilizam, de fato, células com essa composição química, que é a principal responsável por suas vantagens de segurança e longevidade em relação a outras baterias de íons de lítio. A bateria Blade, portanto, não é um novo tipo de química, mas sim uma inovação no design estrutural das células LFP, que são longas e finas como lâminas e dispostas horizontalmente.