sexta-feira, abril 3, 2026

Selo de Segurança Euro NCAP: Cinco estrelas expõem quem lidera e quem precisa evoluir no transporte pesado

A mais recente rodada de avaliações do Euro NCAP para caminhões traz sinais claros de amadurecimento tecnológico — e também de pressão crescente sobre fabricantes e operadores. Em um cenário de maior exigência regulatória, tráfego mais denso e metas de segurança cada vez mais rigorosas, a Scania se destaca ao conquistar cinco estrelas com sua nova Série L, enquanto a Volvo consolida uma sequência de resultados máximos. Ford e Iveco, por sua vez, mostram avanços, mas ainda têm espaço relevante para evoluir.

Scania Série L: segurança como pilar de projeto

Avaliada na configuração rígida 6×2, com carroceria compactadora de resíduos e trem de força elétrico de 270 kW, o Scania Série L recebeu elogios do Euro NCAP nas categorias Direção Segura e Prevenção de Colisões, além do selo CitySafe — voltado a operações urbanas.

O diferencial está na combinação entre design e tecnologia. A cabine baixa amplia a visibilidade direta do motorista, reduzindo riscos em cruzamentos, faixas de pedestres e áreas de coleta. Para mitigar pontos cegos, entram em cena sistemas de monitoramento por câmeras, que garantem visão contínua ao redor do veículo.

No pacote de assistência ao motorista, a Scania disponibiliza como opcional um conjunto completo de tecnologias voltadas para aumentar a segurança e a eficiência em operações de “para-e-anda”, incluindo o sistema de frenagem autônoma de emergência (AEB) com monitoramento de curvas próximas, alerta de abertura de portas para ciclistas, controle de limite de velocidade integrado à geolocalização e conformidade com os requisitos de segurança pós-colisão estabelecidos pelo Euro NCAP.

Euro NCAP
Fonte: Euro NCAP

Para operações de limpeza urbana, coleta e serviços municipais — onde o risco de acidentes com pedestres e ciclistas é elevado — a Série L sinaliza uma mudança de patamar. Embora o investimento inicial seja maior, o potencial de redução de sinistros, afastamentos e custos com seguros tende a compensar no médio prazo.

Volvo FH: consistência e segurança sem concessões

O Volvo FH mantém a classificação cinco estrelas e o selo CitySafe, juntando-se ao FM e ao

Euro NCAP
Fonte: Euro NCAP

FH Aero. Com isso, a Volvo se posiciona como única fabricante com toda a linha apta ao nível máximo de segurança.

Voltado a operações de longa distância, o FH reforça a estratégia histórica da marca: não tratar segurança como opcional, mas como atributo central do produto. Para frotistas rodoviários, isso significa previsibilidade, facilidade de padronização e alinhamento com políticas ESG e de compliance.

Iveco S-WAY: evolução gradual

Euro NCAP
Fonte: Euro NCAP

O Iveco S-WAY, antes avaliado com uma estrela, avançou para duas estrelas nas versões 4×2 Tractor e 6×2 Rigid a diesel. O modelo agora atende à GSR2 e incorpora Controle de Cruzeiro Adaptativo.

Ainda assim, o Euro NCAP destaca a necessidade de melhorias mais profundas na proteção de pedestres e ciclistas. A abordagem permanece fortemente orientada ao uso rodoviário, o que limita seu desempenho em cenários urbanos.

Euro NCAP
Fonte: Euro NCAP

A importância do Euro NCAP para o mercado

A Euro NCAP (Programa Europeu de Avaliação de Carros Novos) é mantida por um consórcio que reúne instituições públicas, laboratórios independentes, clubes automotivos e organizações de consumidores de diversos países europeus. Entre os principais apoiadores estão a Comissão Europeia, governos nacionais, centros de pesquisa como o Thatcham Research e o ADAC, além de entidades como o ANWB e o ÖAMTC. Juntos, esses parceiros garantem a independência e a credibilidade dos testes de segurança veicular, promovendo melhorias contínuas na proteção de motoristas, passageiros e demais usuários das vias.

Introduzido em 2024, o programa de testes SAFER TRUCKS foi o primeiro dos protocolos de teste do Euro NCAP a adotar uma nova estrutura, chamada Estágios de Segurança do Euro NCAP, que mede a segurança do veículo em todo o ciclo de vida de um acidente: Direção Segura, Prevenção de Colisões e Segurança Pós-Colisão. Além de dar a cada caminhão uma classificação de até cinco estrelas, incluiu um credenciamento CitySafe adicional. 

Para operadores e gestores de frota, a decisão de compra passa a envolver não apenas TCO e eficiência energética, mas também níveis de segurança certificados, impacto em seguros, reputação e conformidade regulatória. Em um contexto de altos índices de colisões fatais envolvendo caminhões, equipar a frota com veículos mais seguros deixa de ser diferencial e se torna necessidade operacional.

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BNDES acelera transição energética e logística de baixo carbono com recorde de investimentos em 2025

O ano de 2025 marca um ponto de inflexão na política de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a transição energética e a modernização da matriz de transportes no Brasil. Com R$ 6,4 bilhões aprovados para a produção de biocombustíveis, o banco alcançou o maior volume de recursos já destinado ao setor desde 2010, quando os aportes somaram R$ 4,8 bilhões.

O volume aprovado em 2025 integra uma trajetória de retomada iniciada em 2023. Nos últimos três anos, o banco já aprovou R$ 13,3 bilhões para projetos ligados a biocombustíveis, cifra 204% superior ao total registrado entre 2019 e 2022. A diversificação das iniciativas financiadas — que incluem etanol de milho, etanol de trigo e biometano — indica uma mudança estrutural na estratégia do banco, alinhada tanto à agenda climática quanto à competitividade da indústria nacional.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o reforço no apoio aos biocombustíveis é estratégico para o enfrentamento das mudanças climáticas, mas também para o desenvolvimento econômico regional. Na prática, trata-se de estimular cadeias produtivas que agregam valor a grãos antes majoritariamente destinados à exportação in natura. Como explica Mauro Mattoso, chefe do departamento do complexo agroalimentar e de biocombustíveis do banco, a produção de etanol a partir do milho e do trigo cria indústrias locais, gera empregos e renda e fortalece economias regionais, especialmente no Centro-Oeste.

Ferrovia ganha protagonismo com locomotivas híbridas

Outro movimento relevante em 2025 é o financiamento de R$ 350 milhões, via Fundo Clima, aprovado para a Rumo adquirir seis locomotivas híbridas e pelo menos 160 vagões-tanque. O projeto tem como foco a expansão da logística de biocombustíveis — especialmente o etanol de milho — no Centro-Oeste e ampliará em 928 mil m³ por ano a capacidade de transporte da empresa, um crescimento de 32% em relação ao volume movimentado em 2024.

As locomotivas híbridas combinam motor a combustão interna e motor elétrico, operando de forma integrada para aumentar a eficiência energética. O sistema permite que o motor a combustão funcione em regimes mais eficientes, enquanto o motor elétrico reduz picos de consumo e aproveita a energia gerada pela frenagem regenerativa. Na avaliação do BNDES, trata-se da alternativa tecnológica mais viável para a descarbonização da matriz ferroviária no curto e médio prazos, sobretudo por demandar menor custo de implementação e menor dependência de obras civis complexas.

Natália Marcassa, vice-presidente da Rumo, destaca que investir em ferrovias é essencial para avançar na descarbonização da matriz de transportes brasileira no longo prazo.

Renovação de frotas urbanas também avança

A atuação do BNDES em 2025 não se limita ao transporte de cargas. No âmbito do Novo PAC, o banco aprovou R$ 264 milhões para que o Município de Salvador adquira 226 ônibus a diesel Euro 6, destinados ao transporte coletivo urbano. A operação permitirá a substituição de veículos antigos por modelos mais modernos, com melhor desempenho energético e menores emissões de poluentes.

Com 1,2 milhão de passageiros transportados diariamente, o sistema de ônibus da capital baiana será diretamente impactado pela renovação da frota. Para o setor de transporte, o projeto reforça a relevância dos padrões Euro 6 como solução de transição, especialmente em cidades que ainda não dispõem de infraestrutura para eletrificação em larga escala.

O financiamento integra o programa Novo PAC – Refrota, que apoia a aquisição de ônibus elétricos, sistemas de recarga, veículos Euro 6 e sistemas sobre trilhos. Na avaliação do governo federal, trata-se de uma política que combina melhoria dos serviços públicos, ganhos ambientais e impacto direto na qualidade de vida da população.

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KAMAZ-master reafirma hegemonia entre os caminhões e Ford Racing faz história com duplo pódio no Dakar 2026

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O Rally Dakar 2026 chegou ao fim reforçando duas narrativas centrais da edição: a manutenção da supremacia da equipe russa KAMAZ-master na categoria caminhões e a consolidação da Ford Racing como uma das forças emergentes — e já protagonistas — do rally-raid mundial. Em um dos Dakars mais competitivos dos últimos anos, a combinação entre tradição, evolução técnica e estratégia foi decisiva para definir os vencedores na Arábia Saudita.

Domínio russo segue intacto entre os caminhões

Na categoria caminhões, a KAMAZ-master voltou a demonstrar por que é referência histórica no Dakar. Dmitry Sotnikov conquistou o título após uma campanha marcada por regularidade, leitura precisa do terreno e gestão eficiente do equipamento ao longo das duas semanas de prova. O domínio foi ainda mais evidente com a segunda colocação de Eduard Nikolaev, garantindo a dobradinha da equipe russa no topo da classificação geral.

O pódio foi completado pelo experiente Ales Loprais, da Instaforex Loprais Praga, que conseguiu resistir ao ritmo intenso imposto pelos KAMAZ e assegurou mais uma presença entre os três primeiros em sua carreira no Dakar. Mesmo diante da hegemonia russa, a disputa mostrou alto nível técnico e confirmou a competitividade do grid de caminhões em 2026.

Ford Racing brilha em um Dakar histórico

Se entre os caminhões a história foi de continuidade, em outra categoria o Dakar 2026 ficou marcado pela ascensão definitiva da Ford Racing. A marca encerrou a prova com um duplo pódio histórico e seis vitórias em etapas, resultados que confirmam a maturidade e a robustez do programa Ford Raptor T1+ na mais dura competição off-road do planeta.

A edição deste ano foi considerada uma das mais disputadas da história recente do rali: dez pilotos diferentes, representando cinco fabricantes, venceram etapas individuais — um reflexo do equilíbrio técnico e do alto nível de preparação das equipes.

O sprint final, com 105 quilômetros decisivos, coroou a consistência da Ford. Mattias Ekström e o navegador Emil Bergkvist venceram a última especial e garantiram o terceiro lugar na classificação geral. Foi o segundo pódio consecutivo da Ford no Dakar, com Ekström somando quatro vitórias em etapas e se destacando especialmente na segunda semana, quando ritmo e navegação fizeram a diferença.

Emoção e superação no segundo lugar

Logo à frente, Nani Roma e o navegador Alex Haro protagonizaram um dos resultados mais simbólicos do Dakar 2026. A dupla conquistou o segundo lugar na geral, garantindo o primeiro pódio de Roma na prova em sete anos — e o primeiro desde seu retorno às competições após a recuperação de um câncer. A performance consistente ao longo do rali e a confirmação do resultado na etapa final transformaram o feito em um dos momentos mais emocionantes desta edição.

Carlos Sainz e Lucas Cruz, também pela equipe oficial da Ford, terminaram o Dakar na quinta colocação após duas semanas extremamente exigentes. Já Mitch Guthrie Jr. e Kellon Walch tiveram desempenho de destaque, com vitória em uma etapa e múltiplos pódios parciais, reforçando a profundidade e a competitividade do time.

Programa amadurece e clientes também se destacam

Um dos marcos do Dakar 2026 para a Ford foi a ampliação do programa para além da equipe de fábrica. Pela primeira vez, a Ford Raptor T1+ foi fornecida a equipes clientes — e os resultados confirmaram a solidez do projeto. Romain Dumas e Martin Prokop registraram segundos lugares em etapas, enquanto, em várias especiais, o pódio foi composto exclusivamente por veículos Ford, evidenciando consistência, confiabilidade e desempenho em diferentes condições.

“O Dakar é o campo de provas definitivo, não apenas para a velocidade pura, mas para a durabilidade, o trabalho em equipe e a confiabilidade do veículo”, afirmou Mark Rushbrook, diretor global da Ford Racing. “Sair do Dakar com um pódio duplo, múltiplas vitórias em etapas e pódios formados apenas por Fords, além de resultados sólidos tanto das equipes oficiais quanto de clientes, diz muito sobre o quanto este programa evoluiu.”

Segundo Rushbrook, o desempenho também serve como motivação extra: “Estamos orgulhosos, mas o Dakar deixa claro o que é necessário para vencer. Este resultado nos deixa ainda mais focados no próximo passo. Estamos comprometidos e continuaremos lutando para chegar ao degrau mais alto desta corrida.”

Base sólida para o futuro

Após o terceiro lugar em 2025 e agora com o segundo e o terceiro lugares em 2026, a Ford Raptor T1+ se consolida como uma das principais forças do rally-raid mundial. Com resultados consistentes tanto das equipes oficiais quanto dos clientes, a Ford Racing deixa o Dakar 2026 com fôlego renovado e uma base clara para a sequência da temporada do Campeonato Mundial de Rally-Raid.

Enquanto a KAMAZ-master segue como referência absoluta entre os caminhões, a edição de 2026 ficará registrada como o Dakar em que a Ford confirmou que seu investimento pesado no off-road começa a render frutos em nível global.

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Com avanço no mercado em 2025, BYD acelera construção de nova fábrica de chassis elétricos em SP

A BYD encerrou 2025 como a terceira maior fornecedora de chassis de ônibus elétrico para o transporte público brasileiro, com 195 unidades emplacadas e 22,5% de participação no mercado, atrás apenas de Mercedes-Benz e Eletra. Impulsionada pelo avanço da eletromobilidade e pela demanda crescente de frotas urbanas, a fabricante acelera agora a construção de uma nova fábrica de chassis elétricos em São Paulo, projeto que ampliará a capacidade produtiva do País.

A unidade em implantação tem 180 mil m², consolidando-se como a maior estrutura da empresa dedicada à produção de chassis de ônibus elétricos fora da China. O projeto representa uma expansão expressiva em relação à planta atual de Campinas, que ocupa cerca de 7 mil m² e opera desde 2015.

A previsão é que a nova fábrica esteja em plena operação em até três anos, com capacidade para produzir até 7 mil chassis por ano — um salto significativo diante das cerca de 600 unidades fabricadas na última década. O foco, além do mercado brasileiro, é a exportação para os demais países da América do Sul.

Para evitar gargalos durante o período de transição, a BYD planeja instalar uma planta temporária na região de Campinas. A meta é entregar 1.200 chassis já em 2026, garantindo continuidade no atendimento às prefeituras e operadores de transporte que vêm ampliando a adoção de ônibus elétricos.

Maior competitividade

A expansão industrial também terá impacto direto na geração de empregos. Enquanto a unidade de Campinas emprega entre 80 e 100 trabalhadores, a nova fábrica paulista deve reunir 700 a 800 colaboradores.

Para o setor de transporte público, a nova planta paulista representa um avanço na oferta de ônibus elétricos nacionais, reduzindo prazos de entrega, ampliando a competitividade e fortalecendo a cadeia de mobilidade sustentável no País.

Diferemente no mercado de ônibus urbano a diesel, do qual dois fabricantes são fornecedores de quase 80% da demanda, no segmento de ônibus elétricos, o número de concorrentes é cinco vezes maior. Além da BYD, há Eletra, Mercedes-Benz, Marcopolo — que possui o Attivi Integral além de carroceria para os chassis de outras marcas —, Volvo, Volkswagen, Scania, Ankai e Higer.

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DHL Supply Chain aposta em 75 caminhões Mercedes-Benz Euro 6 para reduzir emissões no Brasil

A decisão da DHL Supply Chain de ampliar e renovar sua frota própria no Brasil com 75 novos caminhões Mercedes-Benz vai além de uma simples atualização de ativos. A aquisição inclui 25 cavalos mecânicos pesados Actros 2045, 40 caminhões semipesados Atego 2429 6×2 e 10 caminhões médios Accelo 1117, todos comercializados pelo concessionário Pirasa, de Campinas (SP). Os veículos passam a operar em diferentes perfis logísticos da DHL Supply Chain no País, reforçando uma frota que já conta com cerca de 300 caminhões Mercedes-Benz.

Segundo Esteban Kinjo Escobar, diretor sênior de Transporte da DHL Supply Chain no Brasil, a atualização da frota visa atender à norma Proconve P8 (Euro 6) e padronização da frota. “Com essas aquisições, cerca de 300 caminhões da nossa frota própria são Mercedes-Benz, um parceiro local e global da DHL”, afirma o executivo.

“A escolha da DHL Supply Chain pelo Actros, Atego e Accelo nos traz orgulho e satisfação. Isso demonstra a aprovação criteriosa de uma empresa extremamente profissional quanto à qualidade, confiabilidade, eficiência e rentabilidade entregues pelos caminhões da nossa marca para o especializado transporte de alto valor agregado”, diz Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil.

A renovação com modelos mais novos e menos poluentes também se conecta diretamente aos investimentos da DHL Supply Chain em transportes para a indústria de saúde, segmento que exige alto nível de confiabilidade, rastreabilidade e conformidade ambiental.

O Proconve P8 (Euro 6) representa um salto significativo em relação ao P7 (Euro 5), reduzindo drasticamente emissões de poluentes como NOx e material particulado, além de exigir tecnologias mais avançadas de controle.

Comparativo de Emissões: Proconve P7 (Euro 5) vs P8 (Euro 6)

Aspecto Proconve P7 (Euro 5) Proconve P8 (Euro 6)
Entrada em vigor no Brasil 2012 2023
Redução de NOx (óxidos de nitrogênio) Limite em torno de 2,0 g/kWh Aproximadamente 0,4 g/kWh (redução de ~80%)
Material particulado (MP) 0,03 g/kWh 0,01 g/kWh (redução de ~66%)
Tecnologias exigidas EGR (recirculação de gases), catalisador de oxidação SCR (redução catalítica seletiva), filtro de partículas (DPF), sensores avançados
Impacto visual (fumaça preta) Ainda presente em alguns veículos Praticamente eliminada
Consumo de combustível Menor uso de Arla 32 (ureia) Maior uso de Arla 32, mas compensado por eficiência energética
Custo inicial Mais baixo Mais alto devido à tecnologia embarcada
Benefício ambiental Redução parcial de poluentes Redução significativa, melhora da qualidade do ar e saúde pública

 

Esse movimento no Brasil dialoga com uma estratégia global muito mais ampla. Em janeiro de 2026, o DHL Group detalhou avanços relevantes em sua jornada rumo ao net-zero até 2050. Entre os marcos estão o maior acordo de combustível de aviação sustentável (SAF) já firmado pela companhia nos Estados Unidos, parcerias para uso de biocombustíveis no transporte marítimo, testes com caminhões a hidrogênio no Oriente Médio, forte avanço da eletrificação da última milha na Alemanha e investimentos em armazenagem abastecida por energia solar na Ásia.

Embora a realidade brasileira ainda imponha limites à adoção em larga escala de tecnologias como hidrogênio e eletrificação pesada, a renovação da frota rodoviária com veículos mais eficientes e menos poluentes é, hoje, uma das formas mais realistas de reduzir emissões no curto e médio prazo.

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Ônibus elétricos fecham 2025 em forte alta, com destaques para Eletra e Mercedes-Benz

O mercado brasileiro de ônibus elétricos encerrou 2025 com um avanço expressivo. Dados acumulados da Fenabrave (associação dos distribuidores de veículos) indicam que foram 849 veículos elétricos emplacados entre janeiro e dezembro, um crescimento de 170,38% em relação a 2024, quando o setor registrou 314 unidades. Este volume já representa 3,5% do total de lincenciamento de ônibus, sinalizando o início de uma escala operacional no transporte coletivo urbano.

Para gestores de frotas de coletivos urbanos, o dado é relevante porque indica a maturação de processos de contratação, financiamento e infraestrutura ao longo do segundo semestre, com entregas concentradas no fechamento do ano.

No acumulado de 2025, a liderança do mercado ficou com a Eletra, responsável por 287 ônibus elétricos emplacados. Em seguida aparecem Mercedes-Benz (222 unidades), BYD (195), Volkswagen Caminhões e Ônibus (55), Higer (29), Volvo (22), Marcopolo (10), Ankai (9) e Scania (1), formando um mercado competitivo entre fabricantes nacionais e internacionais.

Do ponto de vista do operador, a consolidação de fornecedores com base produtiva no Brasil (Eletra, Mercedes-Benz, Marcopolo e Volkswagen) tem impacto direto em pós-venda, disponibilidade de peças, suporte técnico e previsibilidade de custos, fatores críticos para a viabilidade da frota elétrica em operação diária.

Cadeia local e financiamento ganham importância

O crescimento do mercado em 2025 também está ligado ao fortalecimento da cadeia produtiva nacional, incluindo fornecedores de motores, inversores e baterias instalados no País, como é o caso da BorgWarner que montou uma fábrica em Piracicaba, para fornecer sistemas de baterias, como os já utilizados nos ônibus elétricos Mercedes-Benz eO500U.

  • Saiba mais: A Frota News conta com uma seção dedicada ao tema descarbonização das frotas com mais de 200 artigos publicados: Frota Sustentável

No campo institucional, programas federais e multilaterais têm papel central. O Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), por exemplo, prevê R$ 19,3 bilhões em créditos financeiros entre 2024 e 2028, destinados a empresas que investirem em pesquisa, desenvolvimento e novas rotas tecnológicas. A habilitação de fabricantes ligados ao segmento de ônibus elétricos amplia a capacidade de inovação local e tende a acelerar a oferta de novos modelos.

Além disso, o Ministério das Cidades sinaliza a expansão de corredores de alta capacidade eletrificados, como os BRTs metropolitanos, o que pode gerar encomendas em escala e dar maior previsibilidade ao mercado nos próximos anos.

A diretora-presidente da Eletra Industrial, Milena Braga Romano, prevê crescimento da marca para 2026, não apenas pelas unidades já encomendadas e o cenário da eletrificação no Brasil, mas por novidades recém-apesentadas e outras que vão surgir ainda.

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Caminhões mais tecnológicos, menos mecânicos: por que o setor de transporte vive um gargalo crítico, segundo a Scania

Quando se fala em futuro do transporte, o debate costuma girar em torno de caminhões conectados, eletrificação, descarbonização e inteligência embarcada. Mas há uma pergunta incômoda que gestores de frotas começam a fazer com mais frequência — e que ainda recebe menos atenção do que deveria: quem vai manter esses veículos rodando?

Este artigo nasce a partir da inspiração de artigo publicado pela Scania no portal Jornada Scania. A diferença é que a Frota News pode fazer mais questionamentos do que uma mídia institucional e limitada por não ter obrigação de seguir o Código de Édica do Jornalismo.

A profissão de mecânico de veículos pesados passa por uma transformação silenciosa e profunda. O antigo estereótipo do profissional focado apenas em manutenção mecânica já não existe. Hoje, esse papel é ocupado por um técnico altamente especializado, que lida com eletrônica, sistemas digitais, diagnósticos remotos e softwares embarcados. E é justamente aí que surge um gargalo crítico para o setor de transporte e logística no Brasil.

Falta mecânico no mercado?

A resposta curta é: sim, falta — e a tendência é de agravamento. Segundo estimativas do setor, há cerca de 500 vagas abertas para mecânicos de veículos pesados no Brasil só nas redes de fabricantes de caminhões pesados. Só na rede Scania, que mantém aproximadamente 1.300 mecânicos em operação, a demanda é constante: nas chamadas Casas Scania Cativas, são 217 profissionais, com uma média de 20 vagas abertas todos os meses.

Para o gestor de frotas, isso se traduz em um risco direto à operação. Menos profissionais qualificados significam mais tempo de veículo parado, maior custo de manutenção, dificuldade em cumprir SLAs e impacto direto na disponibilidade da frota.

Por que está cada vez mais difícil encontrar mecânicos qualificados?

O problema não é pontual — é estrutural. Vários fatores se somam:

  • Menos jovens entrando no mercado de trabalho: o crescimento da população economicamente ativa desacelera, reduzindo a base de novos profissionais.
  • Concorrência com outras carreiras: áreas percebidas como mais “digitais” ou com possibilidade de trabalho remoto atraem as novas gerações.
  • Mudança no perfil dos jovens: propósito, aprendizado contínuo e condições de trabalho pesam mais do que estabilidade tradicional.
  • Limitação das escolas técnicas: muitos cursos não abrem turmas por falta de alunos e não conseguem atender à demanda crescente.
  • Aumento da complexidade dos caminhões: experiência prática, sozinha, já não é suficiente.
  • Produção de conteúdo para redes sociais tem gerado melhor rendimentos do que o mundo real. E a própria indústria automotiva patrocina a indústria das redes sociais.

O resultado é um descompasso claro entre a velocidade da evolução tecnológica da frota e a capacidade do mercado de formar profissionais aptos a lidar com essa complexidade.

O perfil do mecânico mudou — e isso afeta diretamente a frota

Hoje, o caminhão é um ativo tecnológico. Sistemas eletrônicos, sensores, telemetria, diagnósticos avançados e integração digital fazem parte da rotina. Isso muda completamente o perfil do profissional necessário para manter esse ativo disponível.

Não se trata mais apenas de “saber consertar”. Trata-se de interpretar dados, diagnosticar falhas complexas, seguir protocolos de segurança e entender sistemas que se atualizam constantemente. Um conhecimento que era suficiente ontem pode estar obsoleto em poucos meses.

Para as empresas, isso cria um dilema: colocar um profissional sem formação adequada em um caminhão de alta tecnologia representa risco operacional e financeiro.

A experiência prática ainda conta? Sim — mas não sozinha

A vivência de oficina continua importante, mas já não sustenta a carreira por si só. A exigência mínima hoje passa por formação técnica estruturada, somada a capacitações contínuas. Existe uma lacuna clara entre o que o mercado precisa e o que está disponível em termos de qualificação.

Essa lacuna ajuda a explicar por que, mesmo com vagas abertas, muitas empresas não conseguem contratar.

Esse cenário valoriza a profissão?

Do ponto de vista econômico e estratégico, a resposta é positiva. Quanto maior a especialização, maior o valor desse profissional. A tendência é de valorização salarial, pacotes de benefícios mais atrativos e maior reconhecimento interno nas operações de transporte.

Para o gestor de frotas, isso significa que o mecânico deixa de ser apenas um custo operacional e passa a ser um ativo estratégico, tão relevante quanto o próprio veículo.

Como a indústria começa a reagir a esse desafio

Diante desse cenário, montadoras como a Scania vêm adotando uma abordagem mais ampla de formação. O foco não está apenas nas escolas técnicas tradicionais, mas também em: Jovens do ensino médio, escolas públicas, comunidades de baixa renda, pessoas em situação de vulnerabilidade e refugiados e públicos que, muitas vezes, nem conhecem essa carreira

A lógica é clara: ampliar o funil de entrada, formar desde a base e, ao mesmo tempo, atualizar quem já está no mercado.

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Grupo Veno rompe tradição e aposta em 190 Iveco S-Way

Com quase quatro décadas de atuação no transporte rodoviário, o Grupo Veno, tradicionalmente associado à operação com caminhões Volvo, anuncia uma aquisição de 190 unidades do Iveco S-Way 6×4, sinalizando não apenas uma renovação de frota, mas um teste em larga escala de uma nova marca em operações severas.

Com sede no Espírito Santo, o Grupo Veno é resultado da união entre Transilva, DTL e Codepe, formando um portfólio diversificado que atende desde o transporte de veículos até operações especializadas. Hoje, o grupo atua no Brasil e no Mercosul, estruturado em cinco unidades de negócio: Transporte de veículos, carga geral, contêineres, máquinas e equipamentos especiais, logística integrada e armazenagem.

Um dos principais diferenciais do grupo é a infraestrutura logística. Na região da Grande Vitória (ES), o Veno opera uma área de aproximadamente de 1 milhão de metros quadrados, voltada à armazenagem, movimentação portuária e operações aduaneiras. A frota própria é monitorada 24 horas por satélite com tecnologia própria, a partir de um Centro de Controle Geral localizado na matriz, o que evidencia o nível de exigência em confiabilidade, rastreabilidade e continuidade operacional.

A entrada da Iveco em uma frota historicamente Volvo

As imagens institucionais e o histórico operacional do Grupo Veno sempre mostraram forte presença de caminhões Volvo, marca reconhecida por robustez e aceitação em operações pesadas. A decisão de experimentar a Iveco, portanto, não é trivial.

Segundo o comunicado da montadora de origem italiana e atualmente pertecente ao capital indiano, Transilva e Gepax — empresas do grupo — adquiriram juntas 190 unidades do Iveco S-Way 6×4, sendo 145 para a Transilva e 45 para a Gepax. Trata-se de uma das maiores vendas do modelo no país e um marco relevante para da Iveco financiar a produção do modelo em Sete Lagoas (MG) e manter seus fornecedores e fluxo de caixa.

Como o comunicado não informa sobre valores envolvidos e outras informações sobre a negociação, a equipe da Frota News fez pesquisa com outras fontes de informações, como a Fundação Instituto de Pesquisas Aplicadas Econômicas, responsável pela elaboração da Tabela FIPE, que faz a formação do preço médio dos veículos comercializados no Brasil.

Se a negociação tivesse como base os preços médios da Tabela FIPE, a escolha do Grupo Veno pelos caminhões Iveco representaria uma economia estimada em R$ 24,51 milhões em relação aos modelos da Volvo. Especialistas do setor, no entanto, avaliam que o montante pode ser ainda maior. Isso porque a Volvo, líder no segmento de pesados com o consagrado FH 540, costuma adotar uma política mais rígida na concessão de descontos, ao contrário da Iveco, que se mostra mais flexível nas negociações.

Outro fator relevante na negociação deve ter sido a taxa de financiamento, que impacta diretamente o custo final da operação. Uma hipótese comum entre empresas pouco transparentes em comunicação. Além das condições financeiras, o pacote oferecido pela Iveco incluiu ainda os Planos de Manutenção da própria montadora, agregando valor à proposta e reforçando a competitividade frente aos concorrentes.

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Daimler Truck encerra 2025 com 422,5 mil veículos vendidos no mundo; Brasil se destaca no desempenho da Mercedes-Benz

O grupo Daimler Truck Holding AG encerrou 2025 com a venda global de 422.510 caminhões e ônibus, resultado que confirma um ano de ajuste de mercado após o pico registrado em 2024. Embora o volume global tenha recuado 8% na comparação anual.

A análise dos números acumulados de 2025 mostra um cenário heterogêneo entre as regiões de atuação do grupo:
  • Mercedes-Benz Trucks: 159.871 unidades, praticamente estável em relação a 2024, sinalizando equilíbrio entre renovação de frotas e demanda em mercados maduros, e importante contribuição do Brasil com 27.935 unidades, portanto, 17,5% de participação, maior entre todos os mercados da marca.
  • Daimler Trucks North America (com as marcas Freightliner, Western Star e Thomas Built Buses): 141.814 unidades, com queda expressiva frente ao ano anterior, refletindo condições mais restritivas do mercado norte-americano, especialmente em crédito e renovação de grandes frotas.
  • Daimler Trucks Asia (com as marcas FUSO Trucks, FUSO Buses e RIZON trucks): 107.055 unidades, crescimento de 4%, impulsionado por mercados emergentes e pela integração das operações da China e da Índia ao segmento Mercedes-Benz Trucks a partir de 2025.
  • Daimler Buses (as marcas Mercedes-Benz e Setra): 26.991 ônibus, avanço de 2%, confirmando a recuperação gradual da demanda por transporte coletivo e rodoviário. O Brasil contribuiu com 10.382 unidades, o que representa 38,5% no resultado global da divisão de ônibus.

Mesmo em um ano de retração global, as vendas de veículos elétricos a bateria, que chegaram a 6.726 unidades em 2025, representando uma participação de 1,6% nas vendas totais. Embora ainda representem uma fatia pequena do total, percentualmente, foi um crescimento de 67% sobre as vendas de 2024. O percentual, apesar de alto, é sobre uma base pequena em volume.

Saiba mais sobre o desempenho das vendas de caminhões elétricos na Europa e no Brasil:

Brasil: Mercedes-Benz sustenta volumes robustos em caminhões e ônibus

A Daimler Truck vende caminhões e ônibus em praticamente todos os mercados relevantes do mundo, atuando com marcas e redes de vendas e serviços em dezenas de países, com presença global comprovada nos principais continentes — Europa, América do Norte, América Latina, Ásia, África e Oriente Médio.

No recorte nacional, a Mercedes-Benz do Brasil teve papel relevante dentro da operação global da marca e do grupo. Em 2025, a marca comercializou 27.935 caminhões e 10.382 ônibus no mercado brasileiro, números que reforçam a importância do País como um dos principais polos industriais e comerciais da Daimler Truck fora da Europa e da América do Norte.

Demanda consistente por ônibus, ligada tanto à renovação de frotas urbanas quanto ao transporte rodoviário, em um contexto de retomada gradual da mobilidade e de programas públicos de renovação, tornou o Brasil como principal mercado global da Daimler Buses.

Os detalhes financeiros e as projeções para 2026 serão apresentados pela Daimler Truck em março, durante a conferência anual de resultados do grupo.

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Porter NPE: a virada elétrica da Piaggio eleva o padrão e o custo na logística urbana

A Piaggio Commercial Vehicles dá um salto tecnológico ao apresentar a Porter NPE, versão 100% elétrica de sua tradicional van urbana. Mais do que uma simples eletrificação de um modelo, a novidade reposiciona o Porter em um novo patamar de desempenho, eficiência e custo, trazendo reflexões importantes para gestores de frotas, operadores logísticos e empresas de transporte urbano que buscam soluções de última milha mais limpas e produtivas.

Produzido desde 1992, o Porter nasceu de uma colaboração com a Daihatsu e construiu sua reputação com base na simplicidade mecânica e na robustez. Até recentemente, utilizava um motor a gasolina 1.5, adequado ao seu propósito urbano, mas longe de oferecer sofisticação tecnológica.

A Porter NPE rompe com esse passado ao adotar um motor elétrico integrado ao eixo traseiro. A chamada Unidade de Acionamento Elétrico (EDU) reúne motor, inversor e transmissão em um único conjunto, solução típica de veículos elétricos mais avançados. O resultado impressiona para uma van compacta:

  • Potência máxima de até 150 kW (204 cv)
  • Torque de 342 Nm, disponível de forma imediata
  • Potência contínua de 60 kW, adequada ao uso prolongado em ambientes urbanos

Na prática, isso se traduz em acelerações ágeis, facilidade para arrancadas com carga e condução suave, características valiosas para operações de entrega urbana. A velocidade máxima é limitada a 90 km/h, o que reforça o foco exclusivo em trajetos urbanos.

Autonomia urbana e capacidade de carga acima da média

Um dos pontos mais relevantes para o gestor de frota está na relação entre autonomia, carga útil e dimensões. A Porter NPE utiliza uma bateria LFP (lítio-ferro-fosfato) de 42 kWh, química conhecida por maior durabilidade e segurança térmica, aspectos críticos para uso intensivo.

Segundo o ciclo urbano WLTP, a autonomia pode chegar a 250 quilômetros, número bastante competitivo para operações de última milha, entregas municipais, serviços técnicos e logística urbana dedicada. O carregamento pode ser feito:

  • em corrente alternada (AC) até 11 kW, ideal para recargas noturnas na base
  • ou em corrente contínua (DC) até 50 kW, permitindo paradas rápidas durante o dia

Mesmo com apenas 1,6 metro de largura, o veículo mantém uma capacidade de carga útil superior a uma tonelada, algo incomum nesse segmento. Para frotas que operam em centros históricos, ruas estreitas ou áreas de restrição ambiental, essa combinação de compacidade e robustez operacional é um diferencial estratégico.

Segurança, conforto e um recurso raro no segmento

A Porter NPE chega alinhada às exigências regulatórias, incorporando sistemas de assistência ao condutor que já se tornaram padrão na Europa:

  • assistência de frenagem de emergência
  • assistente de manutenção de faixa
  • controle eletrônico de estabilidade (ESP)

Além disso, a plataforma elétrica permite um recurso pouco comum em veículos desse porte: sistema de climatização estacionário, que pode manter a cabine climatizada sem o motor em funcionamento. Para motoristas que realizam múltiplas paradas ou aguardam carga e descarga, isso representa ganho de conforto, redução de fadiga e maior eficiência energética.

O custo da modernidade elétrica

Se tecnicamente há evolução, ela tem preço que impõe uma reflexão inevitável. Com valores em torno de € 40 mil (equivalente a R$ 250 mil sem incluir a carga tributária brasileira e o custo Brasil), a Porter NPE é significativamente mais cara que seu antecessor a combustão, conhecido por seu baixo custo de aquisição. Portanto, a tecnologia existe, mas é muito cara.

Para o gestor de frota, isso desloca a análise do preço inicial para o custo total de propriedade (TCO). Menor gasto com energia, manutenção simplificada, isenção ou redução de taxas ambientais e acesso irrestrito a zonas de emissão zero podem, talzez ao longo do tempo, equilibrar o investimento inicial mais elevado, dependendo do perfil da operação. No entanto, até o momento, há muita transparência sobre os resultados.

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