Transportadoras como Alfa Transportes, Carvalima Transportes e Domínio Transportes, entre outras, passaram a comunicar ao mercado que, a partir de 16 de março, adotarão a cobrança de uma Taxa Emergencial de Combustível (TEC). Os avisos foram publicados nas redes sociais e direcionados a clientes e parceiros.
No caso da Alfa Transportes, a cobrança anunciada é de R$ 9,86 por frete, aplicada a todos os embarques. As empresas justificam a medida pela alta do diesel e pelo impacto da instabilidade geopolítica internacional, fatores que elevaram de forma abrupta o custo operacional do transporte rodoviário de cargas.
Nos comunicados, as transportadoras destacam que a TEC terá caráter temporário e que a cobrança será reavaliada assim que houver estabilização nos preços dos combustíveis.
Base legal: liberdade contratual e piso mínimo de frete
Do ponto de vista jurídico, a TEC pode ser enquadrada como um acessório tarifário, amparado pelo princípio da liberdade contratual previsto no Código Civil, desde que a cobrança seja previamente informada e claramente pactuada entre as partes.
A Lei 13.703/2018, que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, não prevê expressamente uma taxa emergencial de combustível. No entanto, a legislação reconhece o diesel como um dos principais componentes da formação do frete e determina reajustes obrigatórios sempre que houver variação relevante no preço do combustível.
Na regulação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os pisos mínimos de frete já consideram o custo do óleo diesel consumido na operação. As tabelas, inclusive, vêm sendo atualizadas justamente em função da pressão exercida por esse insumo.
Nesse contexto, especialistas entendem que há espaço para que transportadoras adotem mecanismos adicionais, como taxas emergenciais, para recompor custos variáveis de forma mais imediata, desde que o valor total pago pelo embarcador não fique abaixo do piso mínimo regulamentado e que a cobrança esteja alinhada aos contratos firmados.
Alta do diesel pressiona o transporte
Entidades ligadas ao setor de combustíveis relatam que distribuidoras já vêm repassando aumentos expressivos às transportadoras, alterando de forma imediata a estrutura de custos da logística rodoviária.
Na quinta-feira (13), a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel para as distribuidoras. Na prática, o impacto final tende a ser maior nas bombas, considerando a incidência de custos logísticos, tributos e margens ao longo da cadeia.
Em momentos anteriores de forte volatilidade, o mercado já recorreu a instrumentos como taxas emergenciais, sobretaxas temporárias e reajustes extraordinários de tabela. O movimento atual indica que esse padrão pode voltar a se repetir sempre que o diesel registrar altas abruptas.
Tendência: cobrança pode se espalhar pelo mercado
Com o diesel em alta e as margens operacionais cada vez mais pressionadas, a avaliação no setor é de que outras transportadoras podem seguir o mesmo caminho, seja por meio de uma TEC com valor fixo por frete, seja por percentuais adicionais aplicados sobre a tabela vigente.
Para os embarcadores, o efeito é imediato: aumento no custo do transporte. Já para as transportadoras, a medida é vista como uma forma de preservar a viabilidade econômica da operação. Sem recomposição rápida, o risco é comprometer a rentabilidade e até a continuidade do serviço.
Na prática, o que deve diferenciar as empresas não é apenas a adoção ou não de uma taxa emergencial, mas a forma como ela será implementada: com transparência, comunicação clara, critérios objetivos para início e término da cobrança e aderência às tabelas da ANTT e aos contratos de frete.
Saiba mais:
- O governo federal anunciou a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel como parte de um pacote para conter a alta recente do combustível. Segundo a equipe econômica, essa medida pode reduzir cerca de R$ 0,32 por litro, valor que pode dobrar com o subsídio adicional ao setor, chegando a uma queda potencial de até R$ 0,64 por litro. Para compensar a perda de arrecadação causada pela eliminação dos tributos, o governo decidiu aumentar o imposto sobre a exportação de petróleo, direcionando parte da receita do setor para aliviar o custo do diesel no mercado interno.
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- A administradora de consórcios Ademicon, uma das maiores independentes do Brasil e referência em operações white label — modelo em que marcas sem licença própria do Banco Central, como Iveco, New Holland, Librelato, Mitsubishi e Suzuki, comercializam consórcios com identidade visual própria —, registrou um aumento na participação acionária da A23S Capital, joint venture entre Votorantim e Temasek, que elevou sua fatia de 9% para 14%. A transação reforça a estrutura financeira da empresa, que já ultrapassou R$ 50 bilhões em créditos comercializados e foca em veículos pesados para frotistas. O controle acionário permanece com a família Schuchovsky, fundadora da companhia.
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- A ANTT implementou a digitalização de suas notificações por meio do portal Gov.br, substituindo o envio de cartas físicas por comunicações eletrônicas em tempo real para transportadores e empresas. Essa iniciativa visa modernizar processos, reduzir custos operacionais e diminuir a burocracia, oferecendo como principal incentivo um desconto de 40% no valor das multas de transporte para aqueles que aderirem voluntariamente ao sistema e abrirem mão de recursos administrativos. Além da economia financeira, o novo serviço centraliza a gestão de débitos e processos em um ambiente digital único, proporcionando maior transparência e agilidade no acompanhamento das regularizações. Além disso, evita que o transportador caia em golpes.
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- A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciou, a 10 de março de 2026, o período de homologação para a integração automatizada de dados com as seguradoras, visando a verificação obrigatória dos seguros de carga (RCTR-C, RC-DC e RC-V) conforme estabelecido pela Lei nº 14.599/2023. Esta fase de testes estender-se até 30 de junho, período durante o qual a fiscalização terá um caráter predominantemente educativo, servindo para preparar o setor para a entrada em vigor do sistema de produção a 1 de julho de 2026. A partir dessa data, a comprovação automática da contratação dos seguros passará a ser um requisito indispensável tanto para a nova inscrição como para a manutenção do registo dos transportadores no RNTRC, garantindo assim uma maior conformidade e segurança no transporte rodoviário de mercadorias.
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- A recente disparada do preço do petróleo devido à guerra no Irã fez com que o diesel importado ficasse mais caro que o biodiesel no Brasil, uma inversão rara que fortalece os argumentos do setor agrícola para elevar a mistura obrigatória do biocombustível no diesel. Segundo levantamento da consultoria Raion, o biodiesel foi cotado a R$5,4881/litro, abaixo dos R$5,6740 do diesel importado — movimento oposto ao registrado dias antes. Esse cenário deve alimentar pressões antes da reunião do Conselho Nacional de Política Energética, prevista para quinta-feira, embora o Ministério de Minas e Energia não tenha confirmado se o tema estará na pauta.
- A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta que a guerra no Oriente Médio já pressiona os custos do agronegócio, especialmente pelo aumento do diesel, que em algumas regiões subiu mais de R$ 1 por litro e até apresenta risco de desabastecimento, afetando colheitas e plantios em pleno pico de operações. O cenário é agravado pela queda nos preços das commodities, que reduz a margem dos produtores. Para aliviar o impacto, a CNA propôs antecipar o aumento da mistura obrigatória de biodiesel de 15% para 17%, medida semelhante à adotada no início da guerra Rússia–Ucrânia. A entidade também observa alta nos fertilizantes nitrogenados e teme efeitos sobre exportações, fretes e seguros caso o conflito se prolongue.
- Durante a Semana do Consumidor, o Instituto Combustível Legal reforça a necessidade de intensificar a fiscalização das misturas obrigatórias de biocombustíveis no diesel e na gasolina, especialmente diante da instabilidade internacional causada pela guerra no Oriente Médio, que aumenta o risco de irregularidades na cadeia de combustíveis. O cumprimento dos teores de biodiesel e etanol é essencial para garantir qualidade, desempenho dos veículos e proteção ao consumidor, e defende medidas como a monofasia do etanol para reduzir fraudes e fortalecer a concorrência, ressaltando que fiscalização rigorosa e políticas tributárias eficientes são fundamentais para manter a integridade do mercado e assegurar combustíveis confiáveis ao motorista brasileiro.
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Novo Axor chega, inicialmednte, em duas configurações de chassi: 4×2 e 6×2 A Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus Argentina relançou a linha pesada Axor — agora com os modelos 2038 4×2 e 2545 6×2 — como parte das celebrações pelos 130 anos do primeiro caminhão do mundo. A marca destaca que o retorno do Axor reforça um portfólio renovado, que inclui novos Accelo, Atego, Actros e Arocs, impulsionando o crescimento da empresa no país. Segundo executivos da Mercedes-Benz, o Axor chega mais moderno, robusto e eficiente, oferecendo maior rentabilidade e baixos custos operacionais, contribuindo para manter a liderança de mercado alcançada em 2025, quando a empresa fechou o ano com 33,4% de participação.
- Vendas diretas da Renault: Kwid, Master e Oroch puxam emplacamentos para frotistas em 2025
- A NTC&Logística emitiu um comunicado sobre o impacto do aumento do diesel no transporte rodoviário de cargas. Em março de 2026, o preço do diesel S10 subiu cerca de 10% (R$ 0,60 por litro) nas distribuidoras, impulsionado por conflitos no Oriente Médio e pelo aumento do ICMS em vigor desde janeiro. Como o combustível representa 35% dos custos do frete, a entidade alerta para o desequilíbrio econômico no setor e recomenda a aplicação imediata de mecanismos de recomposição, como o gatilho do diesel, para garantir a continuidade dos serviços logísticos no Brasil.
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- A Rodobens firmou parceria com a Lubrax para padronizar o uso de lubrificantes em suas 25 concessionárias Mercedes-Benz no Brasil. A rede passa a utilizar o mesmo padrão da linha de montagem da fábrica, com expectativa de movimentar 1,1 milhão de litros anuais. O objetivo é aumentar a eficiência logística e garantir a mesma qualidade de manutenção em todo o território nacional.
- Fabet reunirá lideranças e motoristas para discutir inclusão de mulheres no transporte
- A Jamef, empresa de transporte de carga fracionada, lançou um projeto piloto de benefício educacional em parceria com a plataforma Unico Skill para enfrentar a dificuldade de retenção de profissionais qualificados no setor. A iniciativa contemplou 320 colaboradores por sorteio, oferecendo bolsas que permitem cursar simultaneamente até quatro formações, incluindo graduação, MBA, idiomas e mentorias. O programa terá duração de 12 meses para avaliação de impacto e engajamento, visando preparar as equipes para as novas demandas tecnológicas e operacionais da logística no Brasil.
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- O Monitor de Tráfego nas Rodovias da Veloe/Fipe, destacando que o tráfego nas rodovias de São Paulo cresceu 5,7% no primeiro bimestre de 2026, impulsionado por veículos leves e pesados, enquanto o Rio de Janeiro registrou uma retração de 3,2% no mesmo período. O texto também detalha o perfil da frota paulista, que possui idade média de 17,6 anos e é composta majoritariamente por automóveis flex ou a gasolina.











